Kitchen Litho: experimentação e desdobramentos da prática litográfica

 

Kitchen Litho: experimentation and developments in lithographic practice

 

 

Helena Saretta[1]

Universidade Federal de Santa Maria

 

 

 

Resumo

A litografia, embora reconhecida por sua expressividade gráfica e relevância histórica na gravura, apresenta-se como uma prática de difícil acesso devido à sua complexidade técnica, ao uso de materiais específicos e, principalmente, à presença de substâncias químicas potencialmente danosas à saúde e ao meio ambiente. Diante dessas limitações, este artigo propõe uma investigação sobre a chamada litografia de cozinha (kitchen litho), técnica que busca expandir a possibilidade de execução da litografia de maneira mais acessível, utilizando materiais menos tóxicos e encontrados facilmente no cenário doméstico, como forma de tornar possível a prática investigativa tanto para artistas, quanto pesquisadores ou curiosos. A partir da experimentação prática, o texto relata os processos experienciados durante a pesquisa, refletindo sobre desafios e apontamentos relacionados à adaptação dessa técnica no contexto de ateliês com recursos reduzidos. O objetivo central é testar e aprimorar o uso da litografia de cozinha, avaliando a qualidade e viabilidade dos resultados obtidos frente à variabilidade material e expressiva oferecida pela prática. Assim, este estudo contribui para o desenvolvimento de métodos de impressão mais sustentáveis e democráticos, sem abrir mão da visualidade expressiva do fazer artístico, incentivando a experimentação gráfica.

 

Palavras-chave: Arte contemporânea; Artes gráficas; Gravura não-tóxica; Kitchen litho; Litografia.

 

 

Abstract

Although lithography is recognised for its graphic expressiveness and historical relevance in printmaking, it is a practice that is difficult to access due to its technical complexity, the use of specific materials and, above all, the presence of chemical substances that are potentially harmful to health and the environment. In view of these limitations, this article proposes an investigation into the technique known as kitchen lithography, which seeks to expand the possibility of making lithography in a more accessible way, using less toxic materials that are easily found in domestic settings, as a way of making investigative practice possible for artists, researchers and the curious in general. Based on practical experimentation, the text reports on the processes experienced during the research, reflecting on the challenges and notes related to adapting this technique in the context of studios with reduced resources. The central aim is to test and improve the use of kitchen lithography, assessing the quality and viability of the results obtained in the face of the material and expressive variability offered by the practice. In this way, this study contributes to the development of more sustainable and democratic printing methods, without sacrificing the expressive visuality of artistic endeavour, encouraging graphic experimentation.

Keywords: Contemporary art; Graphic arts; Non-toxic printmaking; Kitchen litho; Lithography.

 

 

Contextualização: a litografia

Antes de adentrar na discussão quanto a litografia de cozinha é necessário compreender a base teórica do processo litográfico. A litografia é uma técnica de impressão que se diferencia dos processos em relevo ou em baixo-relevo, como a xilogravura e a gravura em metal por exemplo, por se basear em uma superfície plana.

De acordo com Iha e Pedroza (2020) seu nome deriva do grego lithos (pedra) e graphien (escrever), e foi inventada por Alois Senefelder ao fim do século XVIII como o primeiro método planográfico de impressão. Fundamentada na repulsão natural entre gordura e água, a litografia permite a criação de imagens sem necessidade de entalhes ou incisões.

Apesar de oferecer ampla liberdade expressiva e a possibilidade de uso variado de materiais, a litografia é um processo técnico complexo, dividido em diversas etapas e considerado vagaroso. 

O principal suporte utilizado para a matriz é a pedra calcária, cuja qualidade é determinada por sua coloração e composição física, e ainda de acordo com Iha e Pedroza (2020), influencia diretamente a resistência e fidelidade do ponto de impressão. Essas pedras são altamente hidrófilas e apresentam grande aderência a substâncias gordurosas, podendo ainda ser reutilizadas como matrizes de projetos posteriores.

O processo de preparação da matriz exige atenção cuidadosa a diversos materiais. Para o início do processo, utiliza-se uma lima para arredondar as bordas, e realiza-se a granitagem, processo de limpeza que consiste na fricção da pedra matriz com outra pedra litográfica ou de granito, utilizando carborundum ou outra substância abrasiva semelhante e água em abundância. Em seguida, aplica-se ácido acético glacial, responsável por recuperar a sensibilidade da pedra à etapa seguinte.

No momento do desenho, é comum a utilização de lápis duros, como 2H, 3H e 4H, que não possuem composição gordurosa, sendo apropriados para marcações preliminares. Devido à alta sensibilidade da pedra à gordura, é fundamental o uso de luvas ou barreiras de proteção para evitar o contato direto das mãos com a superfície, o que poderia comprometer o desenho. A fase de criação pode incluir diversos materiais gráficos, como lápis litográficos, tusche (tinta gordurosa líquida), crayon, monotipias e até transferências de imagens por impressão xerográfica, permitindo uma ampla gama de possibilidades expressivas ao artista.

Uma vez finalizada a composição gráfica sobre a pedra, inicia-se o preparo para a tiragem. A gravação da imagem é feita com uma solução de goma arábica e ácido (em proporções que podem variar conforme o método e a necessidade de cada trabalho), que se fixa sobre a pedra formando uma película protetora nas áreas em branco. Essa película impede que corpos gordurosos adiram a essas regiões, garantindo que a tinta se fixe apenas nas áreas previamente desenhadas.

Por fim, com o auxílio de uma prensa litográfica, que exerce pressão de algumas toneladas por meio de uma alavanca, realiza-se a primeira tiragem da impressão, reproduzindo a imagem construída sobre a matriz.

A produção artística litográfica tem enfrentado diversos desafios que impactam diretamente sua experimentação, continuidade e permanência como linguagem expressiva. Apesar de ter sido criada ao fim do século XVIII como uma alternativa mais econômica e eficiente em comparação a outras técnicas de gravura da época, possibilitando impressões de alta qualidade e a reprodução em larga escala de imagens, sua prática foi se tornando gradualmente menos acessível. 

Atualmente, os custos envolvidos, a toxicidade relacionada aos materiais químicos presentes no processo e o acesso em sua maioria limitado a oficinas especializadas contribuem para o declínio do uso da técnica. A obtenção de materiais específicos, como a matriz litográfica e a prensa adequada para a impressão planográfica, torna-se cada vez mais difícil, principalmente diante das diversas alternativas contemporâneas de impressão que oferecem resultados visuais semelhantes com maior praticidade. Um exemplo notável é a litografia em offset, difundida ao longo do século XX, que se baseia em princípios e tratamentos semelhantes ao da litografia em pedra, porém, com uma matriz metálica.

Ainda assim, a litografia permanece valorizada entre artistas e pesquisadores no campo das artes gráficas, sobretudo por suas qualidades estéticas e artesanais, que conservam um caráter único e insubstituível. A continuidade no exercício da técnica, bem como a busca por práticas que dialoguem com seus princípios, representa não apenas um gesto de preservação, mas também de resistência frente ao apagamento de um saber técnico e poético historicamente relevante. Manter viva essa tecnologia gráfica é essencial para que suas possibilidades expressivas continuem a inspirar novas gerações, promovendo o equilíbrio entre tradição e experimentação no universo da impressão artística.

 

Kitchen Litho: Experimento do acaso

A Kitchen Litho é uma prática viável que possibilita não somente a experimentação como um entendimento quanto a litografia, preservando o princípio fundamental de repulsão entre água e gordura além de caracterizar-se como método impressão planográfica, eliminando a necessidade de procedimentos quimicamente tóxicos e equipamentos especializados. A técnica propõe o uso de materiais simples e acessíveis, frequentemente encontrados em ambiente doméstico, como papel alumínio, refrigerante de cola e óleo, o que a torna uma alternativa possível para quem não dispõe de um ateliê equipado. De acordo com relatos de Aizier-Brouard (2012), sua desenvolvedora, a técnica surgiu quase por acaso, a partir de seu desejo de retomar a prática da litografia, com a qual já tinha familiaridade, mas que se mostrava inviável devido à dificuldade de acesso aos meios de prática. Essa limitação a motivou a investigar soluções que permitissem a continuidade da prática em um contexto mais acessível e adaptado ao ambiente doméstico.

 

Fiz contatos e conversei com entusiastas de impressão, como Bruno Gary Thibeau, um fabricante de prensas. Este último me informou sobre a possibilidade de desenhar em alumínio, acidificá-lo com ácido fosfórico e imprimi-lo em uma prensa de talhe doce. Obter esse ácido parecia complicado, e Bruno Gary me disse brincando que ele estava no refrigerante de cola. Em caso de dúvida, testei e meus testes funcionaram acidulando uma placa de alumínio com refrigerante de cola! [...] gradualmente, fui facilitando o processo. Como não tinha placas de alumínio suficiente, usei o papel alumínio da minha cozinha. (Aizier-Brouard, 2012, pag. 52, tradução nossa)

 

Aizier-Brouard desenvolveu uma técnica que não apenas se insere no campo prático de gravura não tóxica, mas também mantém o diálogo com princípios básicos da litografia. Ao simplificar o processo e adaptá-lo ao uso de materiais acessíveis, a Kitchen Litho aproxima a técnica tanto de artistas quanto de entusiastas das artes gráficas, contribuindo para sua democratização em escala global. A proposta conserva as qualidades estéticas e o caráter artesanal de uma tecnologia gráfica historicamente significativa, reafirmando seu valor enquanto linguagem artística.

 

Processo de Experimentação

Apesar de algumas buscas indicarem possibilidade de uso de outras formas líquidas para acidificação da placa, como vinagre, determinadas tintas ou outro tipo de refrigerante que não o de cola, para as seguintes investigações busquei manter-me o mais fiel possível à técnica desenvolvida por Aizier-Brouard, e de acordo com o que estava disponível, reafirmando a ideia de prática acessível. Sendo utilizados os seguintes materiais:

       Papel alumínio comum

       Lápis dermatográfico; Caneta permanente; Giz pastel oleoso; Giz de cera

       Luvas

       Refrigerante de cola

       Recipiente com água

       Esponja

       Algodão

       Óleo vegetal

       Rolo para tinta

       Tinta gráfica

       Papel vegetal

       Colher de pau

O passo inicial é preparar a superfície onde o papel alumínio será aplicado. Para isso, deve-se umedecer levemente a área, o que ajudará a fixar o papel e evitar que ele deslize durante o processo. O rolo de papel alumínio deve ser aberto com o lado fosco voltado para cima, pois é nessa face que o desenho será realizado. 

É recomendável utilizar luvas desde o início, a fim de evitar a transferência da oleosidade natural das mãos para a superfície, o que poderia interferir no passo de impressão. Durante a aplicação, é importante evitar a formação de bolhas ou dobras, para isso, pode-se utilizar um pedaço de algodão ou uma toalha de papel, alisando cuidadosamente o papel alumínio sobre a superfície escolhida.

Com o papel alumínio já aderido à superfície, o próximo passo é realizar o desenho utilizando materiais de composição oleosa. No experimento descrito, foram utilizados os materiais previamente listados.

Imagem 1 – Umidificação de superfície

Fonte: Arquivo pessoal

Imagem 2 – Estabilização do papel

 

Fonte: Arquivo pessoal

Imagem 3 – Desenho inicial

 

Fonte: Arquivo pessoal

Quando obtido um desenho satisfatório, deve-se aplicar o refrigerante por toda superfície da matriz, auxiliando o espalhamento do líquido com um pincel ou esponja, deixando agir por alguns segundos, o que ocorre nesse momento, é uma acidificação do alumínio, e segundo Aizier-Brouard (2012), a placa se torna hidrofílica neste momento, devido a reação causada pela goma arábica e ácido fosfórico presentes em pequenas quantidades no refrigerante de cola, a gordura do material utilizado para o desenho protege as áreas a serem entintadas.

Imagem 4 – Resultado do desenho

 

Fonte: Arquivo pessoal

 

Imagem 5 – Aplicação de Refrigerante de cola

 

Fonte: Arquivo pessoal

Imagem 6 – Acidificação da placa

 

Fonte: Arquivo pessoal

 

 

Deve-se retirar o excesso do refrigerante com uma esponja úmida e logo após remover o desenho com um pouco de óleo vegetal, o que fará que a tinta do material usado desapareça revelando um desenho fantasma.

 

 

Imagem 7 – Remoção do excesso de refrigerante

Fonte: Arquivo pessoal

 

Imagem 8 – Apagamento de desenho com óleo

Fonte: Arquivo pessoal

Imagem 9 – Visualização do desenho fantasma

 

Fonte: Arquivo pessoal

 

Em seguida, deve-se hidratar a placa com uma esponja úmida fazendo movimentos em “s”, esse passo será feito simultaneamente ao entintamento com o rolo, a água deverá garantir que as áreas brancas permaneçam sem tinta. Caso haja borrões, basta continuar passando suavemente a esponja umedecida para que a superfície esteja adequadamente limpa.

Imagem 10 – Hidratação de superfície

 

Fonte: Arquivo pessoal

 

Imagem 11 – Entintamento de superfície

 

Fonte: Arquivo pessoal

 

 

Imagem 12 – Impressão no papel vegetal com colher de pau

 

Fonte: Arquivo pessoal

 

 

Por último, a impressão foi feita em papel vegetal, colocando-o sobre a matriz e pressionando com uma colher de pau garantindo a transferência de imagem de forma manual.

 

Imagem 13 – Exemplo da primeira impressão (esquerda)

Fonte: Arquivo pessoal

 

 

Analise e discussão

Ao todo, para esta investigação, foram feitas 38 impressões, de diferentes matrizes, em maioria satisfatórias, mas há de se analisar limitações frente aos resultados obtidos. Como a proposta desta prática é a possibilidade de execução sem a necessidade de um atelier especializado, as impressões apresentadas neste artigo foram feitas manualmente com uma colher de pau, sendo assim, o uso de papel vegetal foi necessário, em função de sua espessura e maior aderência a pressão manual, facilitando a transferência de imagem.

É importante salientar que a prática não será necessariamente satisfatória desde o princípio, necessitando que por vezes sejam feitos determinados números de tiragens antes de obter um desenho mais limpo, caso este seja o objetivo. Tal qual a litografia em pedra, por ser uma superfície plana, é necessário a percepção atenta do entintamento que cada matriz necessita, apresentando variações dependendo do material utilizado e espessura do desenho, adicionalmente, é comum também que a tinta acabe aderindo a áreas não previstas, mesmo quando devidamente umedecidas, nesse caso é possível realizar uma limpeza pontual com um algodão umedecido em um pouco do refrigerante de cola, no entanto, essa ação pode acabar afetando outras áreas entintadas, exigindo atenção redobrada e que tornarão a surgir a medida que as tiragens forem feitas.

 Por último, a pressão exercida sobre o papel, também deve ser cuidadosamente distribuída, pois não somente trata-se de um material sensível que pode rasgar como também pode gerar falhas de impressão, prejudicando a sequência de tiragens. Além de que, a matriz, se manuseada e armazenada de forma correta, pode ser entintada para impressão novamente, mesmo que dias ou até meses após ser utilizada sem necessidade de produtos conservantes.

Em uma análise geral, pode-se dizer que, enquanto prática expandida da litografia, a Kitchen Litho se configura como um desdobramento experimental dessa técnica, explorando a repulsão entre água e óleo e o caráter planográfico do processo, ao mesmo tempo em que potencializa a liberdade expressiva e a diversidade de materiais, tanto na elaboração da matriz quanto na impressão. Embora esta pesquisa tenha utilizado um conjunto específico de materiais oleosos, outras possibilidades ainda podem e devem ser testadas, uma vez que cada uma oferece qualidades gráficas distintas que enriquecem o processo.

As impressões resultantes nem sempre apresentarão fidelidade absoluta ao traço original, mas essa imprevisibilidade também carrega um valor poético e expressivo. Do ponto de vista artístico, essa característica confere um aspecto singular a cada tiragem, transformando cada impressão em um objeto único e instigante.

 

Resultados e considerações finais

            A experiência gráfica obtida com a Kitchen Litho revelou-se não apenas como uma alternativa viável a litografia na pedra como também propõe um exercício potente da extensão de uma prática histórica no universo contemporâneo. Com esta investigação, busca-se dar continuidade ao processo experimental, reconhecendo o potencial criativo que a técnica oferece e suas possibilidades de expansão no campo das artes gráficas.

Imagem 14 – Resultado primeira tiragem  

Fonte: Arquivo pessoal

 

 

Imagem 15 – Resultado segunda tiragem

Fonte: Arquivo pessoal

 

 

Imagem 16 – Resultado terceira tiragem

 Fonte: Arquivo pessoal

 

Imagem 17 – Resultado quarta tiragem

Fonte: Arquivo pessoal

 

 

Imagem 18 – Sequência impressa em abril de 2025 com matriz produzida em outubro de 2024

Fonte: Arquivo pessoal

 

 

Por fim, ao propor um método acessível, a prática amplia o alcance da litografia, permitindo que artistas e entusiastas das artes gráficas experimentem a técnica mesmo em ambientes domésticos e, apesar das limitações e dos desafios inerentes ao processo, a experimentação mostrou-se rica em expressividade e possibilidades visuais, reforçando o valor da tentativa e erro como parte da prática artística, não se limitando a meras técnicas, pois assim como em outras práticas gráficas, o resultado é variável, cabendo adaptação do praticante frente as possibilidades apresentadas, afirmando a importância de manter viva as práticas gráficas através da adaptação, da curiosidade e experimentação.

 

REFERÊNCIAS


AIZIER-BROUARD, Émilie. KITCHEN LITHO, Nouvelles de l’estampe. França, 240, p. 52-59, 2012. Disponível em: http://journals.openedition.org/estampe/978 . Acesso em 24/04/2025.

 

CHAROS ABDUKHALIKOVNA.; Ummatova. Lithography, American Journal of Social Sciences and Humanity Research. Manhattan – EUA, v. 5, n. 1, p. 20-21, jan. 2025. Disponível em View of Lithography . Acesso em 24/04/2025.

 

PEDROZA, Patrícia; IHA; Kazuo. Oficina de litografia. 1. Ed. Rio de Janeiro: Rio Books, 2020.

 

Imagem 1

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International (CC BY-NC 4.0)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                                    



[1] Graduada em Artes Visuais - Bacharelado em Desenho e Plástica pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Integrante do Grupo de Pesquisa Arte Impressa e Ecologia CNPq. Direciona sua pesquisa na área da gravura contemporânea e suas possibilidades técnicas e poéticas. Orcid: https://orcid.org/0009-0005-6268-5572  E-mail: saretta.helena@acad.ufsm.br