O Neto de Makunaimî é Doutor das Artes: a trajetória do artista indígena Makuxi Jaider Esbell

 

Makunaimî's Grandson is Doctor of Arts: the trajectory of Makuxi indigenous artist Jaider Esbell

 

 

Ivete Souza da Silva

Universidade Federal de Santa Maria - UFSM Santa Maria - RS

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Resumo

O presente artigo é um recorte de pesquisas que vem sendo desenvolvidas há aproximadamente 10 anos, sobre a trajetória e produção artística/literária do artista indígena Makuxi Jaider Esbell (1979-2021). Nascido no município de Normandia, estado de Roraima, na atual Terra Indígena Raposa Serra do Sol, Jaider Esbell, indígena do povo Makuxi, desde criança se reconhece como artista e então começa a planejar seus passos para alcançar reconhecimento e assim anunciar e divulgar a cultura indígena, seus costumes, valores e conflitos. Caminhando com “passadas de equilibrista” como ele mesmo afirmava (ESBELL, 2020) compreendeu a complexidade dos dois mundos em que viveu, o mundo branco e o seu mundo indígena, e com grande magnitude soube se apropriar dos conhecimentos e espaços produzidos pelo colonizador ganhando notoriedade no complexo e restrito Sistema da Arte Ocidental.  Juntamente com seus companheiros, dentre eles Denílson Baniwa, Gustavo Caboclo e Daiara Tukano, Esbell colaborou para a tecitura do termo Arte Indígena Contemporânea (AIC). Seu pensamento e sua arte ganharam o mundo. Em sua trajetória, recebeu importantes premiações, destacou-se na Bienal de São Paulo de 2021 e em 2024 recebeu o título de Doutor Honoris Causa na Universidade Federal de Roraima (UFRR). Esse artigo pretende apresentar, por meio de fonte bibliográfica, a trajetória e o legado de Jaider Esbell, que deram subsídios para a honraria dada ao artista pela UFRR, ficando o estudo delimitado até esse período.

Palavras-chave: Jaider Esbell; Arte Indígena Contemporânea; Doutor das Artes.

 

 

Abstract

This article is an excerpt of research that has been developed for approximately 10 years, on the trajectory and artistic/literary production of the indigenous artist Makuxi Jaider Esbell (1979-2021). Born in the municipality of Normandia, state of Roraima, in the current Raposa Serra do Sol Indigenous Land, Jaider Esbell, indigenous to the Makuxi people, has recognized himself as an artist since he was a child and then begins to plan his steps to achieve recognition and thus advertise and disseminate culture indigenous people, their customs, values ​​and conflicts. Walking with “treadmill steps” as he himself stated (ESBELL, ANO), he understood the complexity of the two worlds in which he lived, the white world and his indigenous world, and with great magnitude he knew how to appropriate the knowledge and spaces produced by the colonizer, gaining notoriety in the complex and restricted Western Art System.  Together with his companions, including Denílson Baniwa, Gustavo Caboclo and Daiara Tukano, Esbell collaborated in creating the term Contemporary Indigenous Art (AIC). His thoughts and art conquered the world. During his career, he received important awards, stood out at the 2021 São Paulo Biennial and in 2024 received the title of Doctor Honoris Causa at the Federal University of Roraima (UFRR). This article intends to present, through bibliographical sources, the trajectory and legacy of Jaider Esbell, which provided support for the honor given to the artist by UFRR, with the study limited to that period.

Keywords: Jaider Esbell; Contemporary Indigenous Art; Doctor of Arts.

 

 

Jaider Esbell: o artista da transformação [1]

 

 

Adianto que não ando só, que não falo só, que não apareço só. Faço saber que toda a visualidade que me comporta, todas as pistas já expostas do meu existir são meramente um passo para mais mistérios. Somos por nós mesmos o poço de todos os mistérios. Faço saber ainda que não temos definição, que viemos de um tempo contínuo, sem estacionar. Antes, faço saber que buscamos os sentidos mais abstratos, tratamos de outros tratos bem firmes nessa passagem. Antes mesmo, devo dizer que tanto meu avô Makunaima quanto eu mesmo, parte direta dele, somos artistas da transformação. (ESBELL, 2018 A)

 

 

Jaider Esbell nasceu no município de Normandia, atual Terra Indígena Raposa Serra do Sol, estado de Roraima, no extremo norte do Brasil. Indígena da etnia Makuxi, Esbell viveu em sua terra natal até os 18 anos de idade, quando decidiu migrar para a capital Boa Vista com o objetivo de realizar uma graduação universitária e dar segmento às suas ideias em prol do anúncio da existência do seu povo. Na capital, foi funcionário público federal atuando na Eletronorte/Eletrobrás durante quinze anos, onde construiu as condições materiais para desenvolver a habilidade artística que entendia ter desde sua infância. Foi durante esse período, também, que realizou o curso de Geografia na Universidade Federal de Roraima (UFRR), graduando-se em 2009.

            Autodidata, como se autodenominava, transitava entre o mundo da literatura e as mais diversas linguagens das Artes Visuais, e, com extremo foco e ousadia, foi adentrando os espaços construídos e cruelmente ensinados pelo colonizador, aprimorando suas habilidades e tornando-se uma das principais referências no campo da Arte Contemporânea Brasileira.

 

 

Eu passei por atividades diversas como ser vaqueiro, viajando junto com os vaqueiros, indo para as fazendas que muitas vezes repreendiam e oprimiam as comunidades vizinhas. E muito próximo da igreja também, que estava muito próximo aos indígenas nesta época. E passava muito tempo na escola, onde busquei com uma dedicação focada ter um destaque, para que talvez se apressasse um pouco o prazo de chegar além, de conquistar o meu espaço. (ESBELL, 2018 B, p. 21)

 

 

            Como uma flecha, as suas produções vão ganhando o conhecimento e reconhecimento mundial e as obras de Esbell vão ocupando as paredes das principais instituições de Arte do Brasil e do mundo, como por exemplo: o Centre Georges Pompidou, na cidade de Paris – França; e a Pinacoteca, em São Paulo – SP.  Sempre predisposto a um olhar crítico sobre seus achados, Esbell tornou-se um constante pesquisador de si e do povo Makuxi. Não andou só, como afirmava, sua performance no mundo tinha a força dos seus ancestrais e, com eles, o peso de uma história de luta, sangue, dor, e, também, de amor, respeito, reinvenção e reexistência. Este artigo, pretende contar a trajetória de Jaider Esbell, até o período de 2021, que o levou a receber a honraria de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Roraima (UFRR), em Roraima, seu estado natal, em 26 de Julho de 2024. O Doutor das Artes no povo Makuxi, andarilhou pelo mundo e suas passadas são muitas, portanto aqui fica apenas o sobrevoo do beija-flor.  

 

O voo do beija-flor: Jaider Esbell se lança no mundo assim como seu avô Makunaimî

 

 

Estou aqui para resgatar meu avô, levá-lo pra casa pra cuidar dele. O ser que sou, eu mesmo, é homem, um guerreiro pleno de 1,68 metros, 82 kg, 39 anos. É livre como deve ser. É livre como é meu avô Makunaima ao se lançar na capa do livro do Mário de Andrade. Ele se deixou ir; foi o que me disse em uma de nossas inúmeras conversas de avô e neto. Assim me diz ele: – Meu filho eu me grudei na capa daquele livro. Dizem que fui raptado, que fui lesado, roubado, injustiçado, que fui traído, enganado. Dizem que fui besta. Não! Fui eu mesmo que quis ir na capa daquele livro. Fui eu que quis acompanhar aqueles homens. Fui eu que quis ir fazer a nossa história. Vi ali todas as chances para a nossa eternidade. Vi ali toda a chance possível para que um dia vocês pudessem estar aqui junto com todos. Agora vocês estão juntos com todos eles e somos de fato uma carência de unidade. Vi vocês no futuro. Vi e me lancei. Me lancei dormente, do transe da força da decisão, da cegueira de lucidez, do coração explodido da grande paixão. Estive na margem de todas as margens, cheguei onde nunca antes nenhum de nós esteve. Não estive lá por acaso. Fui posto lá para nos trazer até aqui. (Jaider Esbell, Makunaima Meu avô em mim, 2018 A)

 

 

 

 

Sujeito híbrido, como se conceituou, Esbell habitou em dois mundos opostos, alongando-se, como ele mesmo afirmou, para com “passadas de equilibrista” saber falar sua palavra e escrever suas próprias leituras de mundo, anunciando, através da sua trajetória a trajetória de seu povo, buscando, dessa forma, renovar os modos de luta e resistência dos povos indígenas,

 

 

Como pesquisador, eu adotei as linguagens artísticas como forma de fazer política e a escrita na língua do colonizador é uma maneira de tornar traduzível para as mais diferentes línguas possíveis aquilo que por si só não tem bastado. São recorrentes as cenas de injustiça secular velada, negada e estruturalmente legalizada contra nossas nações originárias por parte do Estado nacional com a conivência internacional. Acaba que é preciso desenvolver uma nova forma de fazer tais denúncias, pois os movimentos clássicos de resistências chegam em um patamar de estagnação. Não temos conseguido causar indignação na opinião pública e nossas demandas são

engavetadas no parlamento por falta de pressão popular. (ESBELL, 2020, p. 34)

 

 

            A Arte foi a principal forma com que Esbell se expressou e expressou as demandas de seu povo e dos povos indígenas do Brasil, embora sua escrita também tenha contribuído para anunciar a sua prática artivista. Atuando como artista, escritor, produtor cultural e curador de arte, Esbell era, como ele mesmo dizia, um ser de multifacetas. Sua trajetória no campo das Artes marcou uma nova perspectiva, e contribuiu para trazer a Arte Indígena Contemporânea para o centro do debate, e, com ela, apresentar uma outra forma de existência, uma outra possibilidade de interação com o mundo e os seres que o habitam (inclusive o ser humano). E aqui é importante destacar a participação de Esbell para a construção do termo “Arte Indígena Contemporânea”.

O lugar que o modelo dominante de Arte Ocidental atribuiu aos indígenas, era uma preocupação dos artistas indígenas, havendo a necessidade de se discutir o próprio conceito de Arte Indígena, só que na perspectiva dos indígenas. Esbell, juntamente com outros artistas indígenas, dentre eles Denilson Baniwa, Daiara Tukano, Gustavo Caboclo, lançou o debate sobre a Arte Indígena no grande Sistema da Arte Ocidental, sendo ele um dos que mais contribuiu para a conceituação do termo “Arte Indígena Contemporânea” (AIC).  

            A arte indígena, antes referendada no campo das Artes como “Arte contemporânea indígena”, tem seu conceito desconstruído por Esbell, que, ao fazê-lo, coloca a Arte produzida pelos povos indígenas em um outro lugar de entendimento dentro dos parâmetros da Arte Ocidental. Paula Berbert[2], antropóloga e pesquisadora do pensamento e da arte de Esbell, assim explica o movimento conceitual feito pelo artista:

 

 

A arte dita assim apenas contemporânea, sem anunciar sua própria raiz, é na verdade tributária de uma tradição bastante específica, de ascendência moderna, ocidental, metropolitana, europeia, branca, colonial. Assim, a ideia de uma “arte contemporânea indígena” implicitamente sugere que a arte (ocidental) contemporânea se tornaria também indígena ao englobar, ao trazer para dentro de si mesma, inclusive, as produções de artistas indígenas. E não é disso que se trata, estamos diante de formas distintas de se pensar e de se fazer arte, a indígena e a ocidental. Suas práticas e sistemas estão hoje em diálogo, mas não se confundem nem se reduzem uma à outra. (BERBERT, 2021, p. 24)

 

           

            Podemos também ler a conceituação feita pelo próprio artista:

 

 

Quando se diz que é arte contemporânea indígena, parece que ela vem de fora e quer se indianizar aqui com a gente, vinda de um ambiente externo como se os índios não existissem antes. E chegou junto e quer meio que fazer parte, meio que na marra, não sabendo em que conjuntura. Por isso é importante sustentar que é arte indígena contemporânea, porque a arte sempre esteve entre os índios, e hoje quando se argumenta da palavra “contemporânea”, ela se veste, ela capta junto dos seus argumentos essa necessidade, inclusive, de ser comercial; é uma arte de provocação, de promoção e de fortalecimento da cena e das identidades indígenas contemporâneas. (ESBELL, 2021 A, p. 49-50)

 

 

            O movimento de reapropriação e reconceituação da arte e dos indígenas na arte, segue em curso e ganha notável força no campo das Artes Visuais, ganhando diferentes conceituações, como, por exemplo, a dada pelo artista Denilson Baniwa (2022), de “Arte Contenporanga”. Com grande capacidade de articulação e mobilização, Esbell, além de formular novos conceitos para pensar o lugar dos indígenas no campo das artes, atuou fervorosamente na organização de encontros e exposições coletivas, dando visibilidade à Arte Indígena nos âmbitos nacional e internacional.

            Sua visibilidade, tanto no estado de Roraima como fora dele, inicia-se em 2010, quando decide, pela primeira vez, participar de um edital de financiamento à criação literária da FUNARTE, publicando seu primeiro livro intitulado: “Terreiro de Makunaima – mitos, lendas e estórias em vivências”. Em entrevista no Canal do YouTube da “Galeria Lavandeira”[3], Esbell conta que escrevia poemas, textos, contos, crônicas e também produzia desenhos e que, após partilhar com seus colegas e receber a opinião deles, costumava rasgar e colocar no lixo. Foi apenas quando decidiu participar do edital da FUNARTE e ser contemplado com o prêmio que sentiu que era hora de parar de rasgar suas produções, que representavam não só a sua história, mas a de seu povo, e deixá-las andar pelo mundo. Desde então, nunca mais parou, e, no campo da literatura, publicou, em 2013, a obra “Tardes de Agosto, Manhãs de Setembro, Noites de Outubro” e, em 2019, participou do livro “Makunaimã: o mito através do tempo”, composto por diversos autores.

            Em 2011, realiza a sua primeira exposição individual, com curadoria própria, em Normandia, sua terra de nascimento. Reunindo suas produções artísticas, Esbell decidiu fazer o que ele chamou de “uma volta à casa” e, com a “Mostra Jaider Esbell de Artes Integradas”, se reapresentou a seus parentes indígenas, à comunidade e a sua geração. Foi nesse momento, também, que teve a sua primeira obra vendida.    Em 2013, tem sua primeira experiência de curadoria de arte em uma exposição coletiva com a organização do “I Encontro de Todos os Povos”, realizado em Boa Vista, reunindo 11 das 13 etnias que compõem o estado de Roraima, contando com o apoio financeiro da UFRR e da Fundação Nacional dos Indígenas (FUNAI). O evento, que teve a duração de duas semanas, marcou as comemorações do Dia dos Povos Indígenas, com um movimento que reuniu, segundo Esbell, pela primeira vez e de forma autônoma, os povos indígenas de Roraima “para divulgar os seus artistas em um só local”. Incluindo a exposição de obras de arte produzidas pelos artistas indígenas, o “I Encontro de Todos os Povos” divulgou as diversas formas de manifestações artísticas e culturais de seus povos.

            O encontro arquitetado por Esbell não pretendia apenas apresentar para a sociedade roraimense os artistas indígenas e a arte produzida por eles, mas, sobretudo, discutir as possíveis formas de apropriação e incorporação do arsenal cultural produzido pelo colonizador. Esbell acreditava que a reelaboração da cultura indígena, dada pela incorporação da cultura do colonizador, era um caminho sem volta e que, portanto, era necessário discuti-la e usá-la a favor das lutas dos povos indígenas. A apropriação das linguagens e expressões artísticas era um exemplo disso e a arte poderia ser um caminho possível para a manifestação da cultura indígena. Em entrevista fornecida ao Instituto Socioambiental[4], à época do evento, Esbell afirmou que o encontro seria "[...] a primeira ação de um projeto maior que pretende discutir a reinvenção do tempo na perspectiva dos netos de Makunaima sobre a arte tradicional e contemporânea indígena. Ou seja, vamos discutir de que forma nós podemos e devemos incorporar outras linguagens e expressões às manifestações culturais do nosso povo". O “Encontro de Todos os Povos” teve mais duas edições, nos anos de 2014 e 2015.

            Aos poucos, seus movimentos em Roraima, seu estado natal, foram ganhando o mundo e Esbell foi assoprando mais forte. Ainda em 2013, participou de uma exposição coletiva organizada pela Universidade Federal de Minas Gerais, intitulada: “¡Mira! Artes Visuais Contemporâneas dos Povos Indígenas”, e foi convidado para lecionar pelo período de oito meses nos EUA, na Faculdade Pitzer College, onde também participou da exposição coletiva “Gado na Amazônia: Invasores desprezados para posses premiadas?”[5].

            Nesse ano (2013), se concretiza também a criação da “Galeira Jaider Esbell de Arte Indígena Contemporânea”, espaço de memória e resistência dos povos indígenas de Roraima e das Américas, abrigando trabalhos de artistas de diferentes etnias, pesquisas desenvolvidas na e sobre a temática indígena, material audiovisual e variados elementos de manifestação cultural e artística dos povos indígenas. Segundo Esbell[6], a criação da Galeria ocorre, também, como forma de buscar/ proporcionar/criar condições para a possibilidade de “repatriação” dos objetos e artes indígenas levados pelos povos colonizadores europeus. A Galeria seria, então, um possível “espaço de intercâmbio” para essa prática, o que, como menciona o artista, não ocorreu ainda devido à não abertura da Europa para a efetivação desse discurso. Esbell inaugura, então, a primeira galeria de arte composta exclusivamente por obras produzidas por artistas indígenas.

            De 2013 a 2021 (ano de seu encantamento[7]), Esbell consagrou-se como uma das principais referências no campo das Artes Visuais e especialmente da Arte Indígena Contemporânea, tendo como marco, conforme ele próprio afirmou, a indicação ao prêmio PIPA (categoria online), em 2016, considerado o maior prêmio da Arte Contemporânea Brasileira. A indicação representava a sua legitimação no campo das Artes Visuais e, segundo o artista, lhe afirmava que “Estaria assim de fato e de direito falando a língua universal, a linguagem das artes” (ESBEL, 2016). A partir desse momento, Esbell passa a dedicar-se integralmente à sua vida artística e ativista, tornando-se, como se autodenominava, um “artivista” das e nas causas dos povos indígenas e dos Makuxi em especial. Viajando pelo mundo, nas Américas e na Europa, Esbell participa de conferências, exposições artísticas, produções audiovisuais e produções escritas, anunciando a existência dos povos indígenas e sua cosmogonia. Na Bienal de São Paulo de 2020[8], assoprada por ele como a “Bienal dos índios”[9], termo criado por Jaider que ganhou notoriedade, tem destaque especial e inicia o processo de decolagem e consagração da sua carreira como artista indígena. Com a velocidade de uma estrela, a decolagem torna-se o auge experimentado em vida pelo artista. Em sua participação na Bienal, Esbell sintetiza nas produções artísticas apresentadas a cosmovisão e cosmogonia do povo Makuxi, trazendo a perspectiva dos netos de Makunaima, como havia anunciado em sua primeira publicação literária “Terreiro de Makunaima – mitos, lendas e estórias em vivências” e no I Encontro de Todos os Povos.

 

O pensador indígena do povo Makuxi[10]: conversas com as universidades e com as ciências do branco

           

A contribuição de Esbell no campo das Artes não se restringe à conjuntura do que Anne Cauquelin, define como “sistema das artes”, qual seja:

 

 

Contudo, e é um ponto que é preciso frisar, o público não se engana quando tem essa visão global. Sua intuição está correta; há de fato um ‘sistema’ da arte, e é o conhecimento desse sistema que permite apreender o conteúdo das obras. Não que esse sistema seja pura e simplesmente econômico, baseado na tradicional lei da oferta e da procura, não que as determinações do mercado tenham um efeito direto sobre a obra, que seria seu reflexo, pois o mecanismo compreende da mesma forma o lugar e o papel dos diversos agentes ativos no sistema: o produtor, o comprador – colecionador ou aficionado – passando pelos críticos, publicitários, curadores, conservadores, as instituições, os museus, Fonds Régional d’Art Contemporain e Direction Regionale des Affaires Cultuurelles etc. (CAUQUELIN, 2005, p. 14-15)  

 

 

            No campo do ensino da arte, Esbell também se fez presente e, na UFRR, instituição de ensino superior federal de seu estado natal, foi um importante colaborador na formação de professores(as) licenciados em Artes Visuais do Curso de Artes Visuais Licenciatura (CAV). Na UFRR e no CAV, contribuiu com pesquisas em arte e sobre arte, bem como ações extensionistas. A parceria se efetivou em 2013, quando foi celebrado um Convênio Institucional entre o CAV e a Galeria Jaider Esbell de Arte Indígena Contemporânea para a realização de estágio curricular do Curso, com duração de 2 (dois) anos. O Convênio Institucional foi o início da parceria de acadêmicos(as) e professores(as) do curso com o artista, perdurando até o encantamento de Esbell em 2021.

            Para Esbell, a parceria com as universidades e pesquisadores(as) fazia parte do seu movimento artivista e era de igual importância para o anúncio da sua arte e das causas dos povos indígenas trazidas por ela,

 

 

É um momento de muita atenção que estamos vivendo e é um momento também que as universidades especialmente têm que estar alinhadas conosco, como sempre estiveram, lembrando que nós temos na universidade boa parte da nossa formação, não é? Então, enquanto parceiros, eu acho que é fundamental que estejamos juntos, conectados, nessa costura de se apoiar nesse entendimento de buscar se comunicar cada vez mais assertivamente com a ideia de comunidade; institucionalmente o artista como uma referência, influência, a universidade também; como isso deve ser tratado, constituído, reportado e também deixado muito aberto, para que haja essa participação. (ESBELL, 2021, p. 43)

 

 

A repercussão da arte, da literatura e do pensamento de Esbell no universo acadêmico ocorre de forma muito ampla, sendo o mesmo reconhecido e pesquisado em várias universidades no Brasil e em outros países. Em vida, o artista recebeu convites para participar de eventos acadêmicos em diversas universidades, ministrando cursos e proferindo palestras que versavam sobre questões que perpassavam as lutas, políticas e cosmogonia dos povos indígenas e do povo Makuxi.

Como bem afirmam a pesquisadora Isabel Frade e o pesquisador Alexandre Guimarães,

 

 

Jaider constituiu uma perspectiva estética abrangendo o complexo universo da produção material indígena e as produções artísticas contemporâneas de artistas indígenas. Não apenas no circuito artístico propriamente dito, mas no campo acadêmico se fez presente como forte interlocutor. Escritor profícuo, partiu de contos líricos para compor textos reflexivos de alta densidade reflexiva. Dialogou com inúmeros pesquisadores acadêmicos e elaborou cuidadosamente o discurso sobre o papel que as artes indígenas desempenhariam na década de 2015 - 2025, período em que, segundo ele, estas estariam no centro do cenário mundial da arte contemporânea. (FRADE & GUIMARÃES, 2021, p. 23)

 

 

Pode-se afirmar que o protagonismo de Esbell no campo acadêmico, é tão importante quanto o que conquistou no seleto Sistema de Arte Ocidental, que o levou a ser considerado um dos principais artistas da Arte Contemporânea.

Em vida Esbell buscou constantemente a articulação entre ciência e arte, academia e arte, por meio da Galeria Jaider Esbell de Arte Indígena Contemporânea criou e deu início a implementação de um projeto de Residência Artística no espaço que chamou de “Vivenda Santa Clara”. Silva (2020) assim descreve o espaço:

 

 

Tratava-se de uma área composta por uma casa e, na época também por uma espécie de maloca, possuía ainda espaço para criação de uma roça. A propriedade estava sendo organizada por Esbell com o objetivo de receber artistas brasileiros e de outros países para uma imersão na arte e cultura indígena, uma abordagem dentro da ideia de Residência Artística.

 

 

Manatitt complementa a descritiva:

 

 

O bioma é o lavrado roraimense regenerado. Uma aproximação possível com o centro-oeste brasileiro ou com as savanas africanas. A biodiversidade e o campo de pesquisa é imenso. A copaíba, o caimbé, o mixiri, o caju, o timbó, a cascavel, a sucuri, a arara, o tucano, o pica-pau. A exemplo dos Huni-Kuin, Ibã Sales e o Coletivo Mahku que “vende tela e compra terra”. Jaider Esbell não se apropria da terra em si, mas da responsabilidade em preservá-la. “As pessoas precisam valorizar o lavrado em pé” segundo suas palavras. A sua provocação também produz a desburocratização do acesso a sua própria cultura. Nenhum órgão intermedia o público em geral. O indígena makuxi é artista e todo seu patrimônio artístico e cultural está acessível. Se dá por uma relação de confiança, a conquista direta é com o próprio artista e sua família. Moram sua mãe Dona Zenilda, seus irmãos e sobrinhos. (MANATT, 2018)

 

 

Os artistas que passavam por lá eram convidados a desenvolverem suas produções artísticas a partir das vivências a que eram provocados. Como plano piloto[11], professoras/es da UFRR foram convidados a essa imersão, tendo a oportunidade de pescar, preparar damurida[12], selecionar maniva[13] para plantação e preparo da roça que se iniciava. Durante a experiência, que também contava com produções artísticas, os/as participantes eram convidados a pensar sobre o conceito de “arte e vida” abordado pelo artista na proposição da AIC. Arte e Vida em movimento era provocação trazida por Jaider. Sentir a vida e reverberar a arte produzida nela,

 

 

Tenho falado sobre arte e memória, então, essa história de trabalhar conceitualmente, politicamente, a arte reflete essa coisa da comunidade. E o estímulo à memória traz a necessidade de diálogo, de pesquisa própria, de aproximação e de reconstituição memorial. (ESBELL, 2021, p. 43)

 

 

Atualmente, o artista indígena Makuxi Jaider Esbell, é tema de pesquisa das mais conceituadas universidades do Brasil e do mundo. Várias são as nuances pesquisadas sobre o artista, que vão desde o conceito cosmopolítico de sua arte e sua contribuição para a Arte Indígena Contemporânea, até a sua contribuição para pensar o conceito de decolonialidade e o campo da educação.

Também é importante pontuar a presença da Arte e do pensamento de Esbell no que se refere às questões ecológicas e ambientais. Suas práticas artivistas voltadas às lutas dos povos indígenas, perpassavam questões da humanidade e provocava não indígenas, para uma reflexão acerca do(s) futuro(s) que estamos construindo com nossa presença, muitas vezes, egoísta e limitada. A exemplo da sua relevância nessa área, é possível citar a sua participação na programação da “18a Reunião da Cúpula do G20”, integrando a exposição “Together we art” no Museu Bihar, e também a inclusão do artista na obra “Eco-lógicas Latinas” (2022), organizada por Fernando Ticoulat e João Paulo Siqueira Lopes, que busca olhar para as questões ambientais a partir de obras de artistas latinos que em sua trajetória contribuíram/contribuem para pensar a tríade arte, ciência e ecologia e a complexa relação humanidade-natureza.

            A pesquisadora Flaviana Benjamim (2022), ao tecer reflexões sobre sua vivência na performance “Txaismo & outros feitiços para salvar a Raposa Serra do Sol”, realizada por Esbell e Vovó Bernal[14], que envolvia uma oficina de “Produção de Ralador” para o preparo da tinta de jenipapo, afirma que o artista em sua arte trata a natureza como “categoria política”. Para a pesquisadora:

 

 

Dessa maneira, a performance dos artistas e o uso do jenipapo pode tensionar reflexões sobre como causar questionamento em torno do que criamos. Além disso, a obra dos artistas também se abre à luz de como “adiar o fim do mundo” (Krenak, 2019) e faz criar possibilidades de fissuras no cotidiano. (BENJAMIN, 2022, p. 4)

           

 

            Ainda sobre a contribuição de Esbell em relação as questões planetárias, destaca-se a incursão artística que realizou junto com Bernaldina, em 2018, ao Vaticano, com o Papa Francisco, onde foram entregar, ao Papa, uma carta em defesa dos povos indígenas e a das florestas e da humanidade.

 

O Neto de Makunaimî voltou para casa: assopros finais sobre o Doutor das Artes

           

A Arte, como afirmou Esbell, era, assim, uma “armadilha” para outros feitos (2021). Era através da Arte, com a Arte e por meio da Arte que Esbell anunciava ou gritava ao mundo as urgências de seu povo makuxi, dos povos indígenas de Roraima, do Brasil e do mundo. Usando a arte como “armadilha”, ele conversava e chamava para conversar gente de todo tipo: o colecionador mi-bi-tri-lhonário, os donos das Grandes Fundações e Galerias de Arte, os artistas, as universidades, as escolas, as igrejas, os indígenas.

 

 

A AIC é uma armadilha porque nos convida a aprofundar essa questão da identidade. E quando ela vem com essa densidade, puxa para a ideia de essência, de matriz, até mesmo de pureza, que é essa relação ainda muito romantizada da integração plena do homem com a natureza. E aí, ela vem nos fazendo questionar como fazer essa transição, essa transposição nos mundos. Ela vem como uma armadilha para pegar armadilha porque pressupõe se lançar nesses espaços do enquadramento, do encaixotamento, do emolduramento. (ESBELL, 2021, p. 38)

 

 

            Com a sua Arte, Esbell abriu frestas nos enquadramentos, encaixotamentos e emolduramentos construídos pelo colonizador. Soube, também, reconhecer e adentrar nas frestas já abertas por seus antepassados, e, como um beija-flor, fascinou os donos do grande sistema de Arte Ocidental com sua “armadilha psicodélica” (ESBELL, 2021). Denilson Baniwa, artista indígena, curador de arte, parceiro de Esbell nas lidas e lutas da AIC, após o encantamento do artista, escreve uma carta de luto e despedida. A carta publicada[15] em diversos jornais e blogs, diz o seguinte:

 

 

Ele foi um amigo a quem eu chamava de maninho, modo carinhoso de chamar irmão na região onde nasci. Como irmão, nos amamos, brigamos, discutimos, brincamos, viajamos juntos pelo calor e frio do mundo, rimos, choramos, “bagunçamos o coreto” como dizem por aqui, ficamos sem nos falar, voltamos a nos falar, trabalhamos, pulamos em muitos rios e mares, concordamos com muita coisa, discordamos de outras muitas coisas, mas em uma coisa erámos incorruptíveis: no desejo de construir uma arte onde pessoas indígenas pudessem ter voz ativa e chances de quem sabe chegar ao topo, lugar onde nunca estivemos antes. (BANIWA, 2021)

 

 

            Junto de outros, Esbell, que nunca andou só, deixou as frestas abertas para que outros indígenas possam entrar e seguir quebrando essa estrutura cruel que negou e matou muitos dos seus. E como disse Denilson Baniwa, ainda em sua carta:  [...] cuidemos que esse caminho aberto por nós nunca seja interditado, nunca deixe o mato cerrar. Que nós, eu e você, limpemos o caminho sempre e que num futuro próximo seja mais fácil de caminhar nele. (BANIWA, 2021).

O "projeto maior"[16] curado por Esbell, se concretizou e ainda está em curso. Mesmo com o encantamento do artista em 02 de novembro de 2021, o "projeto" ainda segue seu caminhar, que se manifesta por meio das produções artísticas, literárias e de pesquisa deixadas pelo artista e, hoje, de posse e guarda da instituição Galeria Jaider Esbell de Arte Indígena Contemporânea, que trabalha para manter vivo o legado e a memória do artista.

E ninguém melhor que aqueles que cuidam do acervo, da memória e do legado de Esbell, para defini-lo. Conforme mini-bio publicada pela Galeria Jaider Esbell de Arte Indígena Contemporânea:

 

 

Jaider Esbell (1979, Normandia, RR - 2021, São Sebastião, SP), do povo Macuxi, foi artista multimídia e curador independente. Sua cosmologia e história originárias compõem a poética de seu trabalho, em que a reflexão sobre as narrativas míticas e a vida na Amazônia caribenha ocupam um lugar central. A partir da Galeria Jaider Esbell de Arte Indígena Contemporânea, fundada pelo artista em 2013 na cidade de Boa Vista, articulou diversas iniciativas junto a artistas indígenas da região circumroraimense e atividades de arte-educação em comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e urbanas periféricas. No campo da crítica decolonial, seu trabalho articula em vivências o que em geral se experencia estritamente no plano do discurso. Definindo suas proposições artísticas como artivismo, as pesquisas de Esbell combinam discussões interseccionais entre arte, ancestralidade, espiritualidade, história, memória, política e meio ambiente, em que se destacam suas recentes elaborações sobre o txaísmo – modo de tecer relações de afinidades afetivas nos circuitos interculturais das artes contemporâneas pautadas pelo protagonismo indígena.

 

 

Pode-se dizer que ainda encantado, Esbell vem articulando iniciativas junto a artistas indígenas da região circumroraimense, pois seu legado segue movimentando esses artistas a se reunirem e produzirem sua Arte. A performance de Esbell no mundo nos ensinou outras histórias sobre nossa própria constituição como povo brasileiro e como civilização. Sua luta era, sim, sobre os povos indígenas que foram historicamente excluídos, marginalizados e invisibilizados, mas era, também, sobre humanidade, sobre meio ambiente, sobre a existência da mãe terra, sobre segurar o céu da terrível queda anunciada pelo Doutor da Floresta, Davy Kopenawa[17]. Esbell foi um ativista artista que soube dançar e encantar nos dois mundos que viveu – o mundo indígena e o mundo dito branco dado pelo colonizador – e, talvez, ele tenha entendido o mundo do branco melhor do que os brancos, por isso tinha tanta pressa em salvá-lo. Ralando mandioca e falando sobre arte e vida com os parentes, dizia ele para todos nós[18]:

 

 

Que o mundo conheça a capacidade dos índios, que ainda está reprimida, mas, quando todos entenderem a capacidade que eles têm, ninguém mais segura os índios. Ninguém, ninguém. Eu peço muito que o mundo deixe eles viverem um pouquinho mais, para mostrar o que tem de conhecimento dentro da floresta. A floresta está se acabando, mas ainda tem muito mistério. Nós vamos ajudar o mundo a conhecer esses mistérios para o benefício da humanidade. (ESBELL, 2016)

 

 

Sempre aberto a conversar, Esbell possibilitou com que muitos não indígenas sentissem um pouco da energia do caxiri, do jenipapo, do urucum, da pimenta, do rio, das árvores, das ruas; e possibilitou com que os indígenas olhassem para si e entendessem que eles podem ser o que eles quiserem ser, inclusive artistas/artivistas. Para isso, era preciso passear pelo mundo e recontar a história. A história que conhecemos pelos colonizadores e que aprisiona indígenas e não indígenas até hoje, e foi assim que ele trouxe Makunaima de volta para casa e logo em seguida voltou também.

 

 

REFERÊNCIAS

BANIWA. Denilso. Carta por Denilson Baniwa. Tucum, 06/11/2021. Disponível em: https://site.tucumbrasil.com/carta-por-denilson-baniwa/. Acessado em: 27 de março de 2023.

BANIWA, Denilson. In: PEDROSA, Adriano; RIBEIRO, David. (Org). Joseca Yanomami: nossa Terra-Floresta. MASP, 2022.

BERBERT, Paula, et al.  Na sociedade indígena, todos são artistas. Revista Arte & Ensaios Periódico do Programa de Pós-graduação em Artes Visuais - PPGAV/EBA/UFRJ. vol. 27, n. 41, jan.-jun. 2021.

BIENAL, Fundação de São Paulo. 34º Bienal Internacional de São Paulo: faz escuro mas eu canto. 2021. Disponível em: http://34.bienal.org.br/artistas/7339. Acessado em 08 de agosto de 2023.

BENJAMIM, Flaviana. A proposição cosmopolítica na obra de Jaider Esbell e Vó Bernal. Urdimento: Revista de Estudos em Artes Cênicas, Florianópolis, v. 1, n. 43, p. 1–19, 2022. DOI: 10.5965/1414573101432022e0115. Disponível em: https://revistas.udesc.br/index.php/urdimento/article/view/21543. Acesso em: 19 dez. 2023.

CAUQUELIN, Anne. Arte Contemporânea: uma introdução. Coleção todas as Artes. Martins. São Paulo, 2005.

ESBELL, Jaider. Índios: identidades, artes, mídias e Conjunturas. Dossiê Revista Em Tese, Belo Horizente, v 22, n 2. Maio-Agos. 2016.

ESBELL, Jaider. Jaider. Tardes de Agosto Manhãs de Setembro Noites de Outubro. Boa Vista: Edição do Autor, 2013.

ESBELL, Jaider. Tembetá: conversa com pensadores indígenas. 1° Edição. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2018 B.

ESBELL, Jaider. Makunaima, o meu avô em mim. Revista Iluminuras. Porto Alegre, v. 19, n. 46, p. 11-39, jan/jul, 2018 A.

ESBELL, Jaider Autodecolonização: uma pesquisa pessoal no além coletivo. In: MORTARI, Claudia; WITTMANN, Luisa (Orgs) Narrativas insurgentes: decolonizando conhecimentos e entrelaçando mundos. Selo Nyota, Coleção AYA, V. 1. Florianópolis, SC: Rocha Gráfica e Editora, 2020.

ESBELL, Jaider. Uma história devolvida – notas sobre antropofagia. Revista DasQuestões, Vol.11, n.1, abril de 2021 A. p.287-290.

ESBELL, Jaider. Entrevista ao Instituto Socioambiental. Disponível em: https:// acervo.socioambiental.org/index.php/acervo/noticias/encontro-de-todos-ospovos-vai-reunir-trabalhos-de-artistas-indigenas-de-11-etnias. Acessado em: 14 de fevereiro de 2022.

ESBELL, Jaider, et al.  Na sociedade indígena, todos são artistas. Revista Arte & Ensaios Periódico do Programa de Pós-graduação em Artes Visuais - PPGAV/EBA/UFRJ. vol. 27, n. 41, jan.-jun. 2021.

ESBELL, Jaider. Canal Jaider Esbell. Arte-Índio e Futuro. YouTube, 28/04/2016. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=3TGZDc79xdY.  Acesso em: 08 de agosto de 2023.

ESBELL, Jaider. Canal Amazônia Real. A Bienal dos Indígenas. YouTube, 02/11/2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=B3q990dqHTM. Acesso em: 27 de março de 2023.

ESBELL, Jaider. Canal SESCTV. Jaider Esbell. YouTube, 27/08/2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=WRHdt5WZhMw. Acessado em: 08 de agosto de 2023.

ESBELL, Jaider. Canal Lavandeira. Lavandeira/Entrevista Jaider Esbell. YouTube, 02/08/2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?app=desktop&v=8w1yJQvoiVA. Acessado em: 27 de março de 2023.

ESBELL, Jaider. Canal Amazônia Real. A Bienal dos Indígenas. YouTube, 02/11/2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=B3q990dqHTM&t=10s. Acessado em: 23 de março de 2023.

ESBELL, Jaider. Bienal de Veneza 2022: O leite dos sonhos. Disponível em: https://www.contemporaryartlibrary.org/project/jaider-esbell-at-the-arsenale-at-the-venice-biennale-23159. Acessado em: 08 de agosto de 2023.

ESBELL, Jaider. Galeria Jaider Esbell de Arte Indígena Contemporânea: Disponível em: https://www.galeriajaideresbell.com.br/jaider-esbell Acesso no dia 10 de dezembro de 2024.

FRADE, Isabela; GUIMARÃES, Alexandre. Arte indígena cosmopolítica: na antropofagia reversa de Jaider Esbell. Revista RO Farol, 2021.

MANATIT. Amaranto. O bioma é o lavrado roraimense regenerado. [...]. Boa Vista – RR, 12/02/2018. Facebook: Amaranto Manatit. Disponível em: https://www.facebook.com/amaranto.manatit/?locale=pt_PT. Acessado em 20 de dezembro de 2023.

REZENDE, Renato (Org). Arte Contemporânea (2000-2020): agentes, redes, ativações, rupturas. 2º Edição. Hedra, São Paulo. 2022.

SILVA, Ivete Souza da. Entre linhas, memórias e delicadezas: proposições educativas e performativas para pensar a educação e a arte. Revista Brazilian Journal of Education, Technology and Society (BRAJETS), 2020: p. 10-22.

UFRR. Ministério da Educação, Universidade Federal de Roraima, Sistema Integrado de Patrimônio, Administração e Contratos. Processo 23129.001734/2013-98. Acessado em 08 de agosto de 2023.

VENTURA, Elisa. Indígenas Macuxi são recebidos pelo Papa Francisco. Vatican News, 02/11/2018. Cidade do Vaticano. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2018-11/papa-francisco-indigenas-macuxi.html. Acessado em: 08 de agosto de 2023.



[1]      Referência ao artigo “Makunaima: meu avô em mim”, escrito por Jaider Esbell, publicado na Revista Iluminuras em 2018 e, posteriormente, em 2022, publicado no livro “Arte Contemporânea Brasileira (2000-2020)”, onde o mesmo se intitula “artista da transformação” juntamente com seu avô Makunaima. Em 2022, Renato Rezende, organizador da obra que traz a segunda publicação do artigo, dedica a produção a Jaider Esbell, ressaltando-o como “o artista da transformação”.

[2] Paula Berbert foi Coordenadora de Projetos da Galeria Jaider Esbell de Arte Indígena Contemporânea no período de 2019 a 2024. A antropóloga acompanhou Jaider Esbell ainda em vida desenvolvendo pesquisa sobre suas obras e pensamento. Após o encantamento do artista a antropóloga passou a atuar na Galeria Jaider Esbell de Arte Indígena Contemporânea.

[3]     https://www.youtube.com/watch?app=desktop&v=8w1yJQvoiVA

[4] O instituto possui o maior acervo digital sobre povos indígenas, populações tradicionais e meio ambiente. Disponível em: https://acervo.socioambiental.org/index.php/acervo/noticias/encontro-de-todos-os-povos-vai-reunir-trabalhos-de-artistas-indigenas-de-11-etnias

[5] Considero importante destacar que a exposição nos EUA traz a mesma temática da exposição organizada por Jaider Esbell no “I Encontro dos Povos Indígenas” intitulada Vacas nas terras de Makunaima: de malditas a desejadas”. Título que também fez parte da Bienal de São Paulo -2020/2021 com a obra “Maldita e Desejada”.

[6] Declaração disponível no endereço: https://www.youtube.com/watch?v=WRHdt5WZhMw

[7] Encantamento é como o povo Makuxi se refere a morte/falecimento.

[8]     Bienal ocorrida em 2021 devido a Pandemia Mundial causada pela Sars-Cov 19.

[9]      A notoriedade dada à presença indígena na 34º Bienal de São Paulo e dada pela própria Fundação Bienal. pode ser observada em publicações do site oficial: http://34.bienal.org.br/post/9155 e http://34.bienal.org.br/post/9270

[10]    Referência à coletânea de “Pensadores Indígenas do Brasil”, organizada pela Editora Tembetá, Rio de Janeiro, 2018. A coletânea traz personalidades indígenas que, segundo ela, “tem dedicado suas vidas a causas que vão além das suas respectivas culturas e que têm sensibilizado a sociedade humana como um todo.” (WERÁ, 2018, p. 3)

[11]    O Projeto “Vivenda Santa Clara” acabou desenvolvendo atividades apenas dentro do seu Plano Piloto, e segundo informação fornecida pela Galeria Jaider Esbell de Arte Indígena Contemporânea, em entrevista realizada no dia 18/07/23, recebeu artistas e pesquisadores(as) de diferentes locais e da UFRR . Optou-se por não nomear pessoas para não incorrer no erro de esquecer o nome de alguém, já que Jaider Esbell possuía um círculo de relações amplo, integrando artistas e pesquisadores(as) de diferentes estados.

[12]   Comida de indígena que tem como base a pimenta e o tucupi. Pode ser feita com as mais variadas carnes de caça e é também uma técnica utilizada pelas culturas indígenas para conservação do alimento.

[13]   Conhecida também como mandioca brava, muito usada pelos povos indígenas para a produção de farinha, beiju, tucupi e tapioca.

[14]    Bernaldina José Pedro, mestra indígena Makuxi, considerada por Jaider como sua mentora espiritual. Bernaldina, ficou conhecida também como “Vovó Bernal” ou ainda “Meriná” (seu nome indígena).

[15]   https://racismoambiental.net.br/2021/11/07/a-arte-em-luto-por-denilson-baniwa/

https://site.tucumbrasil.com/carta-por-denilson-baniwa/

https://dialogosdosul.operamundi.uol.com.br/cultura/72016/obrigado-a-salvar-um-mundo-que-nunca-o-aceitou-jaider-esbell-trocou-sucesso-por-paz

 

[16] Jaider refere-se ao “I Encontro de Todos os Povos” como a primeira ação de um “projeto maior” que "[...] pretende discutir a reinvenção do tempo na perspectiva dos netos de Makunaima sobre a arte tradicional e contemporânea indígena. Ou seja, vamos discutir de que forma nós podemos e devemos incorporar outras linguagens e expressões às manifestações culturais do nosso povo".

[17] Davy Kopenawa foi o primeiro indígena a receber o Título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Roraima (UFRR). A honraria foi concedida no ano de 2022 e foi a primeira recebida por Kopenawa.

[18]   Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=3TGZDc79xdY