A formação docente como obra de arte: criações, poéticas e experimentações na licenciatura em Ciências Biológicas

Teacher training as a work of art: creations, poetics and experiments in the degree in Biological Sciences

 

Tiago Amaral Sales [1]

Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, MG, Brasil

 

Resumo

E se a formação docente fosse levada a sério como um processo que pode ser tecido ao modo de uma obra de arte? Objetiva-se, neste texto, reconhecer a docência como trabalho coletivo, poético, experimental e visceral, como tarefa artística e permeada pela força dos atos criativos, como resistência. Para tal, investe-se na percepção de que a educação e a formação acontecem nos encontros em movimentos intensivos e que podem ser experimentadas – também nos cursos de licenciatura – com e como arte. Em escritas vivas que acontecem em fluxos, são narradas e sentidas as criações, poéticas e experimentações que se fizeram presentes em duas disciplinas ministradas em um curso de licenciatura em Ciências Biológicas, atuando na formação inicial de professores e professoras de ciências e biologia. Apresentam-se as cartas-resenhas, as produções artístico-culturais e os ensaios, propostas empregadas em aulas pelo autor-professor-pesquisador, elencando-as e reconhecendo-as como possíveis caminhos capazes de disparar potências poéticas e criativas ao investir em uma formação docente como obra de arte.

Palavras-chave: Formação de professores/as; Educação em Ciências e Biologia; Produções artístico-culturais; Cartas; Ensaios.

 

Abstract

What if teacher training was taken seriously as a process that could be woven into a work of art? The aim of this text is to recognize teaching as collective, poetic, experimental and visceral work, as an artistic task and permeated by the strength of creative acts, such as resistance. To this, we invest in the perception that education and training take place in encounters in intensive movements and that they can be experienced – also in undergraduate courses – with and as art. In living writings that occur in flows, creations, poetics and experiments that were present in two subjects taught in a degree course in Biological Sciences, acting in the initial training of science and biology teachers, are narrated and felt. Letter-reviews, artistic-cultural productions and essays are presented, proposals used in classes by the author-teacher-researcher, listing them and recognizing them as possible paths capable of triggering poetic and creative powers and investing in training teacher as a work of art.

Keywords: Teacher training; Science and Biology Education; Artistic-cultural productions; Letters; Essay.


 

Experimentar a docência com(o) arte


Começar um trajeto

Formativo?

Experimentar a vida

Afinco

 

A docência como obra

A se fazer

A docência com arte

Caminhos do saber?

 

Poéticas, políticas, estéticas

Jogadas no ar

Da existência

A se experimentar

 

Correr os riscos

Seguir, tentar

Fugir da mesmice

Do mais-do-mesmo

De estagnar

 

Querer então

A educação afirmar

Com força, com comunhão

Ensaiar, brincar

Sentindo os sabores

No caminhar

 

***


 

O que seria uma obra de arte? Será que o fazer artístico se restringiria à criação de objetos ou poderia perpassar também práticas formativas e processos de produção de subjetividade? Seria possível, então, entender que a vida – e os caminhos aos quais ela é construída – também poderia ser uma obra de arte? Ao discorrer acerca das dimensões éticas e estéticas da existência, o filósofo Michel Foucault (1995) defendeu que uma obra artística não seria apenas produzir coisas, mas também constituir-se enquanto ser vivo:

 

O que me surpreende, em nossa sociedade, é que a arte se relacione apenas com objetos e não com indivíduos ou a vida; e que também seja um domínio especializado, um domínio de peritos, que são os artistas. Mas a vida de todo indivíduo não poderia ser uma obra de arte? Por que uma mesa ou uma casa são objetos de arte, mas nossas vidas não? (Foucault, 1995, p. 261).

 

Uma vida pode, então, ser também tecida ao modo de uma obra de arte, com poética, com rigor estético, entremeando-se com os caminhos a serem trilhados. E será que poderíamos extrapolar estas percepções para os processos formativos que acontecem ao longo de nossos trajetos? Quiçá, também deslocar esta noção à formação de professores e professoras que começa sabe-se lá quando, chega aos cursos de licenciatura – espaços que são rotulados de ‘formação inicial’ – e segue-se em cursos, pós-graduações e, sobretudo, nas experiências que acontecem no professorar.

E se levássemos a sério a nossa profissão enquanto educadores e educadoras como também artistas? E se considerássemos o ato de formar-se professor e professora como obra de arte em processo, inacabado, mas permeado de poéticas, de sensibilidades, de experimentações possíveis? Talvez, na própria noção foucaultiana de estética da existência e em possíveis deslocamentos dela à (pesquisa em) arte e educação possamos encontrar outras pistas:

 

A estética da existência consiste no desenvolvimento de práticas que têm a própria vida como objeto, na criação de uma sabedoria em se viver a vida da forma mais bela e ética possível, e transformar, assim, o mundo. São práticas de nos constituirmos artífices de nossa conduta: em um exercício político de criação de processos de subjetivação não assujeitados ou assujeitadores. São formas de pensar não dogmáticas, que, jogando com as liberdades possíveis, inventam novos sentidos (Diederichsen, 2019, p. 3).

 

            Viver a vida de formas belas e éticas possíveis. Aprender a(o) viver de formas belas e éticas possíveis. Experimentar a vida cotidianamente. Experimentar a docência como obra de arte. Viver e aprender a manejar as imprevisibilidades de existir, de habitar o mundo, de se situar em tempos e espaços cambiantes e tantas vezes arenosos, de ser atravessado por conflitos, de ensaiar modos de seguir. Haveria como pensar nos atos formativos como um fazer artístico?

Karen Eusse, Valter Bracht e Felipe Almeida (2016) pensam na prática pedagógica como obra de arte. Para os autores, “Nessa criação a partir da abertura à vivência estética, ele, o professor-artista (...) reconhece que o espaço da aula será sempre diferente” (Eusse; Bracht; Almeida, 2016, p. 13). Assim, “A obra do professor-artista, a prática pedagógica, remete à form-ação; é um tipo de inclusão à vida, acompanhar na possibilidade de que o outro (o aluno) se transforme no transitar do mundo” (p. 14). Nessa perspectiva, ser um professor-artista e uma professora-artista é imbricar-se na tarefa de formar e transformar com ações que se colocam artesanalmente em suas feituras.

Entender, sentir e viver a docência como trabalho artístico é algo que ressoa em cada sujeito de uma forma, também interpelado pelos tantos atravessamentos que constituem uma vida em suas ramificações sociais. No trabalho docente, “o professor-artista cria a prática pedagógica como obra de arte” (Eusse; Bracht; Almeida, 2016, p. 16), o que depende de engajamento e trabalho ativo dos estudantes, tarefa imprescindível e sem o qual nada disso se efetiva. Assim, por fim, os autores concluem que “Conciliar o dever ser na educação com o devir criativo do professor-artista é desafiador para uma prática pedagógica como obra de arte” (Eusse; Bracht; Almeida, 2016, p. 17).

Experimentar a formação inicial de professores e professoras como trabalho artístico é colocar-se nessa tarefa conjunta de pensar, viver e sentir juntos e juntas um fazer pedagógico que aconteça com os afetos e com um rigor ético-estético-político. O filósofo Gilles Deleuze pode nos ajudar a pensar nessas questões quando fala acerca dos processos criativos. Na palestra O ato de criação – posteriormente transcrita, traduzida e publicada –, o teórico francês tece relações entre o cinema, a filosofia, o surgimento de ideias, a produção de funções, as artes, as ciências, dentre outros temas. O autor percebe que “a criação é antes algo bastante solitário, mas é em nome de minha criação que tenho algo a dizer para alguém” (Deleuze, 1999, p. 4). É nesse trabalho solitário criativo que se maquina possibilidades de dizer algo a alguém, de dialogar, de aprender, de se formar, de educar.

Mas, para que o ato de criação ocorra, reforça Deleuze (1999), é necessário um espaço-tempo, pois “no limite de todas as tentativas de criação, existem espaços-tempos. É só isso que existe” (p. 5). E, nesses espaços-tempo, “Um criador não é um ser que trabalha pelo prazer. Um criador só faz aquilo de que tem absoluta necessidade” (p. 6). A partir desses questionamentos, reflito: quais seriam os espaços-tempo para que a formação ocorra? A escola? A universidade? As casas? As ruas? A vida como um todo? Os sonhos? As experimentações? E quais necessidades absolutas urgem nesses processos formativos? O que é visceral e demanda passagem no ato de formar-se professor e professora?

Junto do ato de criação estão as ideias. Segundo Deleuze (1999), “Uma ideia é algo bem simples” (p. 8), mas que não acontece a qualquer hora. Podemos ter diferentes ideias em momentos distintos e de múltiplos modos, a depender de com o que trabalhamos. Ideias em filosofia, em cinema, em romances, em ciências… são muitas as possibilidades, nos alerta Deleuze (1999). Como penso neste texto na formação docente – de ciências e biologia, sobretudo – como obra de arte, questiono: de que maneiras podemos ter ideias formativas? Como ter ideias artísticas na educação em ciências e biologia? De que maneiras essas ideias – e os movimentos para os seus surgimentos – podem nos deslocar nos atos de aprender e de ensinar?

Mas, Deleuze é contundente ao afirmar que “ter uma ideia não é da natureza da comunicação” (1999, p. 10). Ter uma ideia não é transmitir. Ter uma ideia formativa não é ‘passar algo a alguém’, jargão tão comum quando se diz o que se entende por ensinar – sendo (apenas?) transmissão de conhecimentos em palavras de ordem –, como escuto certas vezes nas salas de aula das universidades e também das escolas, tanto de colegas professores e professoras quanto de estudantes. Talvez, mais do que comunicar, ter uma ideia em educação seja da ordem do entrar em relação com.

Deleuze (1999), na célebre palestra, comenta o trabalho de Foucault acerca das sociedades disciplinares e traz o elemento de que hoje vivemos em uma sociedade de controle. Mais do que sermos vigiados, cerceados e punidos nas escolas, prisões e instituições médicas – como tão bem dissertou Foucault –, somos também capturados em nossos lares. E o que a arte tem com tudo isso? Pensar na arte nessas perspectivas é resistir, pois “a arte é aquilo que resiste, mesmo que não seja a única coisa que resiste” já que “Todo ato de resistência não é uma obra de arte, embora de uma certa maneira ela faça parte dele. Toda obra de arte não é um ato de resistência, e no entanto, de uma certa maneira, ela acaba sendo” (p. 13).

Ver a formação como obra de arte é investir em atos de resistência que aconteçam entre currículos, aulas e encontros e, assim, resistir à morte, já que “O ato de resistência possui duas faces. Ele é humano e é também um ato de arte. Somente o ato de resistência resiste à morte, seja sob a forma de uma obra de arte, seja sob a forma de uma luta entre os homens” (Deleuze, 1999, p. 14). Resistir contra a morte pela arte, como forma de arte, artesanalmente. Educar-resistir em poéticas dos encontros, em ideias solitárias e em lutas coletivas: eis um desafio a se experimentar.

Por fim, Deleuze afirma que “Não existe obra de arte que não faça apelo a um povo que ainda não existe” (1999, p. 14), a um povo que falta. Investir na formação docente como mobilização de ideias, criando territórios férteis a atos criativos por vir, é dar vazão aos povos que faltam e que estão em vias de ganharem corpos, de se materializarem. Isso pode ocorrer nas relações entre pessoas, saberes, currículos, experiências, planejamentos, territórios, afetos, avaliações, aulas, e… em suma, experimentações que ocorrem nos encontros.

Neste caminho de pensar nas relações entre arte, criação e educação, Maria Diederichsen (2019), ao revisitar propostas de Pesquisa Baseada em Arte, inspirada em leituras foucaultianas e deleuze-guattarianas, tece interessantes reflexões acerca das potências de pesquisar (em educação) e educar com a arte. Para a autora, “Há vivências que só podem ser avistadas, experienciadas, instauradas e compartilhadas pelo ato poético. O gesto poético é de uma outra ordem que o ordinário e o científico” (Diederichsen, 2019, p. 3). Podemos pensar que, talvez, tantas experiências só poderiam ser vividas em intensidade com a poética, com a arte, com uma abertura porosa ao sensível. Assim,

 

[...] a experimentação poética tem um caráter fortemente político: metamorfoseia aquilo que não cabia nos lugares da cultura, abre fissuras no campo fechado tanto do senso comum quanto da própria educação, facultando-nos criar visadas inusitadas e jogar com os acontecimentos para transformá-los em oportunidades (Diederichsen, 2019, p. 3).

 

Abrirmo-nos a experimentar as “poéticas da docência-pesquisa-vida” (Sales, 2022, p. 39) na/com a/pela educação é ver a força ética-estética-política de um trabalho formativo – tanto nosso enquanto professores/as quanto estudantes – como obra de arte, como instauração de atos criativos, como fecundação de ideias, como modos de resistência. Dessa forma, a formação docente como obra de arte é, em si, um ato de criação. Reconhecemos a sua relevância, pois “A potência de criação de outras formas de viver e de outras possibilidades de mundo é de suma importância diante do contexto contemporâneo onde, arrastados pelo capitalismo globalizado, estamos nos aproximando da possibilidade do colapso da humanidade” (Diederichsen, 2019, p. 7).

“E o que é resistir? Criar é resistir…”, afirma Deleuze em seu abecedário (Deleuze; Parnet, 1995, p. 68). Criar outras formas de viver e de educar é experimentar diferentes modos de engajarmo-nos ativamente no mundo. Para tal, podemos, quiçá, deslocar nossas perguntas (de pesquisa e de educação) e experimentá-las distintamente do que era até então usual:

 

Podemos experimentar formas de pesquisa e de educação onde nossa pergunta não seja tanto o que podemos saber, conhecer, aprender, ou mostrar ao outro. Que nossa pergunta seja, principalmente, como seremos responsáveis, como responderemos por nossas vidas, por nossas investigações, pelos mundos que criamos? (Diederichsen, 2019, p. 20).

 

            Experimentar as perguntas. Experimentar a docência. Experimentar a formação como obra de arte. Relacionarmo-nos com a educação como acontecimento para experimentarmos uma pesquisa, uma docência, uma educação, uma vida e uma formação “cuja energia provém do processo de desmontagem de todos os modelos já incorporados” (Tadeu; Corazza; Zordan, 2004, p. 138) para então “pensar que o aprender e o ensinar são uma operação sempre inconsciente, não deliberada de uma operação e de seu êxito, o que pode repugnar a programação autoritária” (Brito; Ramos, 2014, p. 46). Deslocarmo-nos. Viver. Brincar. Ensaiar – tudo com respons-habilidade, com atos responsivos, como nos ensina Donna Haraway (2022).

É a partir dessas tantas inspirações que movimento este artigo como um arquivo de experimentações tecidas no meu trabalho enquanto professor – e eterno estudante – atuando no ensino superior na formação de professores e professoras de ciências e de biologia. O mesmo é dividido em três seções, sendo esta introdutória, a seguinte apresentando o território de pesquisa em três experimentações pedagógico-avaliativas-formativas-artísticas e, por fim, as seções finais que abrem espaços para caminhos por vir.

Busco certa fluidez e vazão nas escritas aqui tecidas e, para tal, movimento poesias pulverizadas ao longo das seções, compondo este arquivo-texto como espaço de experimentar e proliferar com as multiplicidades. Elas desejam mobilizar a poética como rigor e respiro criativo na pesquisa, na escrita, na docência, na vida e na formação.

 

Experimentações formativas com arte

Como experimentar

A arte de fazer?

Como ensaiar

O perceber?

 

Em devir

Brincar com palavras

Papel, e-mails, cartas

Ler, digitar, escrever

Reconhecer nas salas

Um lugar para aprender

 

Fazer encontros intensivos

Entre atos de criação

Buscar na universidade

A potência da formação

 

Forjar uma aula

Em certa degustação

Visualizar caminhos

De um porvir em questão


 

***

 

Começo a traçar essas linhas como maneira de revisitar o vivido e materializar um arquivo de docência-vida de um jovem professor universitário. Tenho visto muita força nas escritas acadêmicas que acontecem movidas pelos afetos, e é nisso que invisto neste trabalho. Tento mesclar leituras teóricas alinhadas às bases das filosofias da diferença, junto de questões pedagógicas e artísticas com traços do vivido, da força das experiências, dos acontecimentos, de uma educação que se faz nos encontros, em movimento.

Busco, assim, “Mapear os nossos territórios de vida, as nossas linhas traçadas no trabalho cotidiano de educar e, também, de aprender” (Sales, Rigue, 2023, p. 4). Para tal, parto das experiências como professor formador de outros professores e professoras, atuando no curso de licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Campus Pontal. Localizo-me neste trabalho na cidade de Ituiutaba, tendo cerca de 100 mil habitantes e situando-se no estado de Minas Gerais, no sudeste brasileiro.

Nas escritas, foquei nas vivências que aconteceram em duas disciplinas ministradas no semestre 2023.2, sendo Biologia e Cultura e Educação e Transformação Social. Nelas, experimentei diferentes possibilidades de articular os conhecimentos teórico-acadêmicos das ciências da natureza com os pedagógicos, em alianças com os campos da filosofia, antropologia, estudos culturais e artes. Mais do que trazer discussões teórico-artísticas, busquei mobilizar as artes como caminho para viver, atravessar e compor cada um desses componentes curriculares.

Biologia e Cultura consiste em uma disciplina obrigatória para este curso de licenciatura em Ciências Biológicas e com carga horária semestral de 60 horas. A mesma tem em sua ementa os estudos das relações entre cultura, linguagem, discurso, mídias, artes e poéticas em suas ramificações inter/transdisciplinares com as ciências da natureza e a educação em ciências e biologia.

Educação e Transformação Social é um dos componentes curriculares optativos de tal graduação, sendo ofertada esporadicamente, tendo também 60 horas a serem cumpridas no semestre. A sua ementa coloca como objetivo pensar nos atravessamentos entre a educação e uma prática política, problematizadora e engajada que movimente transformações sociais possíveis.

As disciplinas apresentam cunhos teóricos e ementas diferentes, mas podem dialogar em alguns aspectos, sobretudo por serem componentes curriculares pedagógicos situados em um curso de formação inicial de professores e professoras de ciências e biologia. Ambas são voltadas aos estudos das interfaces entre educação em ciências e biologia juntamente de temas transversais, possuindo um caráter problematizador perante as questões contemporâneas que permeiam dimensões como: desigualdades socioeconômicas, negacionismos científicos, racismo, machismo, LGBTQIAPN+fobia e mudanças climáticas.

Uma questão que me permeia enquanto professor é pensar como as artes podem levar a sério tamanhas dimensões de um habitar o mundo de modo engajado. Poderia ser o ato criativo engajado em processos pedagógico-formativos um movimento político de resistência? Deleuze (1999) já nos ensina que sim, ecoando as vozes de um povo que falta e resistindo à morte com lutas coletivas.

Mobilizar tais disciplinas como caminhos de experimentar a formação docente como obra de arte foi uma tentativa e, quiçá, um convite, visto que ‘artistar’ na educação depende de que o outro se envolva conosco nos processos pedagógicos (Eusse; Bracht; Almeida, 2016). Assim, relações éticas-estéticas-políticas embrenharam-se em um planejamento que desejou e buscou ser tecido coletivamente, em um fazer professoral e estudantil que se colocou em movimentos de diálogo para pensar, construir e viver um processo pedagógico movimentado artesanalmente e artisticamente.

Trago para o diálogo três propostas que aconteceram nestes espaços-tempo, que são: as cartas-resenhas; as poéticas e produções imagético/sonoras; e os ensaios acadêmicos. Busco narrar como cada uma delas foi pensada inicialmente por mim, dialogada com os licenciandos e as licenciandas e quais reverberações ecoaram ao materializarem-se em práticas pedagógicas, avaliativas e, sobretudo, formativas. Assim, escrevo, para cada uma delas estórias contando e fabulando sobre e com as experimentações. Também componho com imagens de registros produzidos e transcriados a partir das vivências formativas. Cada narrativa tece começos, meios e outros começos – inspirado no que Antônio Bispo dos Santos (2023) nos ensinou, para ressoar nos caminhos poético-formativos que permanecem vivos e abertos.

 

As cartas-resenhas

Em 2023 me deparei com um convite nas redes sociais para acompanhar o 17° Encontro de Estudos e Pesquisas do LAV e, de prontidão, me inscrevi em tal evento acadêmico. Uma das primeiras atividades era a fala com a professora Bruna Moraes Battistelli, nomeada de “A escrita de cartas e de histórias para respirar as metodologias”. Até então não conhecia Bruna, mas naquele dia já admirei o seu trabalho, encantado com as maneiras que trazia as escritas de cartas para a pesquisa e para as práticas pedagógicas na formação de professores e professoras. Tive a oportunidade de dialogar um pouco com ela e me inspirar para mobilizar cartas também em minhas aulas.

Sobre as cartas, Bruna, junto de Érika Oliveira (Battistelli; Oliveira, 2021) afirmam que “essas são escritas que fazem vibrar a vida, que se abrem à escuta dos afetos e que permitem passagem” (p. 691) e, assim, “As cartas em nossas trajetórias surgem como escritas pelas quais podemos recuperar nossas histórias, em uma possibilidade de encontro com tempos e personagens distintos e que compõem um exercício de coletividade” (p. 697).

Na época de tal encontro, eu trabalhava em outra instituição universitária do outro lado do país, também em um curso de licenciatura em Ciências Biológicas e decidi sutilmente experimentar aquela possibilidade de trabalho com cartas nas minhas aulas. Inspirado em Bruna, sugeri aos licenciandos e licenciandas que, ao invés de escreverem resenhas para os textos a serem lidos na disciplina, que as fizessem no formato de cartas. Já era a metade do semestre letivo e coloquei isso como sugestão. Alguns gostaram da ideia, outros nem tanto. Os que se engajaram me relataram um envolvimento mais próximo, íntimo e intenso com a leitura e com a escrita. Logo chegou o fim do semestre e certas convergências me permitiram mudar de instituição, mas aquela primeira tentativa já me deixou animado a explorar mais a escrita epistolar no trabalho pedagógico.

 

***

 

            O ano de 2024 chega com muitas mudanças e novidades. Cruzo o país e volto ao meu estado natal: Minas Gerais é novamente o meu lar e também espaço de trabalho. Estar em uma nova instituição – que não era tão nova assim, pois me formara aqui – coloca desafios por vir. Começar tudo do zero parece o único caminho possível, mas a verdade é que muito já fora trilhado até chegar aqui.

Fiquei com três componentes curriculares para lecionar naquele primeiro momento na ‘nova’ instituição – era o semestre letivo 2023.2, ainda com calendário atrasado em decorrência da pandemia de covid-19 –, sendo um estágio obrigatório supervisionado, as disciplinas Biologia e Cultura e Educação e Transformação Social. Nas duas disciplinas decido experimentar novamente as cartas, mas já levando-as desde o início do nosso caminho pedagógico como possível movimento para nos relacionarmos com as tantas leituras que faríamos, apresentando-as no planejamento semestral.

Talvez por, naquele momento, ter terminado o doutorado a pouco tempo e estar na reta final do pós-doutorado, me sentia – e assim permaneço – muito apegado às leituras, trazendo os referenciais obrigatórios presentes na ementa e outros complementares para comporem as nossas aulas. Entendia que aqueles eram momentos para estudarmos e aprendermos juntos e juntas.

Sinto que, como escreveu Caio Fernando Abreu (2019, p. 172) em carta a José Penido, “Ler é o alimento de quem escreve. [...] escrever é enfiar um dedo na garganta”. Ler é o que nos dá força para pensar no mundo e nele nos engajar. Não só ler textos-e-textos-e-textos forjados em letras-e-palavras-e-frases-e…, mas ler os lugares que passamos, os filmes, as imagens, as cenas, as expressões, os corpos… ler a vida. Junto disso, entendo que escrever nem sempre é tarefa uma fácil. Tantas vezes é sim enfiar um dedo na garganta: doloroso, incômodo, feito forçar o vômito para expelir algo que deseja – ou, mais que isso, que precisa sair.

Cheguei nas primeiras aulas com um plano de ensino ainda em aberto, embasado na ementa obrigatória das disciplinas. Em ambas propus a leitura de diversos textos ao longo do semestre, sendo estes os alimentos para inspirarem os nossos diálogos em torno dos conteúdos. Junto do encontro com os textos, sugeri que – também como proposta avaliativa – cada um deles fizesse uma resenha no formato de carta – ou carta como resenha? Uma ‘carta-resenha’! – na qual contasse a alguém – eles mesmos do passado, do presente, do futuro, parentes, amigos, pessoas famosas, seres intergalácticos, fantasmas, ninguém, e… – experimentando a fabulação em escritas epistolares para movimentar o que aquelas leituras mobilizaram em questões teóricas-práticas, pessoais e afetivas.

O tamanho das cartas-resenhas sugerido era entre 15 e 30 linhas, e deveria ser enviado até o fim da tarde do dia das aulas, que aconteceriam no turno noturno, dando tempo para que eu lesse as mesmas antes do encontro. Na disciplina optativa a turma acolheu tal proposta de prontidão, como as demais também, mas na obrigatória o movimento não foi o mesmo: disseram que era trabalhoso demais junto das tantas propostas pedagógico-avaliativas que levara a eles e elas.

Fui para casa pensativo após a aula com aquela segunda turma e, já tarde da noite, repensei que reduziria o número de cartas-resenhas para apenas quatro ao longo do semestre. Assim decidimos juntos e firmamos o combinado: em uma classe seria uma escrita para cada texto lido, e na outra eles poderiam escolher quatro para com eles forjarem uma carta. As únicas condições eram: deveria ser uma escrita que tivesse um remetente e destinatário, que contasse de maneira questionadora, criativa e problematizadora algo – o que o texto lido permeava – a alguém. Como fariam ficaria a critério de cada estudante.

 

Imagens 1 e 2 – Não interpretar cartas: experimentar entre escritas e imagens.

 

Fonte: Registros meus de cartas borradas e retornos-respostas enviados por plataforma. Imagens sobrepostas e manipuladas digitalmente.

 

***

 

Carta às docências possíveis

 

Ituiutaba, inverno de 2024

 

Ao Futuro

 

            Parece que o inverno nos convoca a escrever a alguém. Agosto é um mês infinito e transicional no cerrado. O curto período de frio vai dando espaço ao calor insuportável. Sempre seco, vamos resistindo em áridas paisagens, entre incêndios e ares desérticos. Ainda assim, insistimos em ver vida aqui. Incrível, né? Quantas vezes professorar não se aproxima disso: insistir? Perseverar. Ver os possíveis. Experimentar. Os cansaços nos abatem em tantos momentos, sei que sim. Nem por isso desistimos. Ou melhor, às vezes desistimos, alguns para sempre, outros por certo período. Mas gostamos de continuar – ou, quiçá, este seja o único caminho que nos resta. Insistir, repito. Insistir na formação que acontece pela vida, na educação tecida artesanalmente nos encontros. Insistir nos sonhos de um futuro que, mesmo árido, seja propício à vida. No cerrado ela permanece, apesar dos desmatamentos, apesar do agro, apesar dos incêndios, apesar do descaso. Nós que insistimos com a educação, com as ciências, com as artes, temos certo gosto em resistir e, nesses caminhos, também aprendemos a criar e re-existir.

            Enfim, essas são algumas notas dos tempos presentes. A você, peço que seja leve. Colabore! E saiba que insistiremos.

 

            Um abraço,

            De um jovem professor.

 

***

 

            Chegar com uma proposta pedagógica é sempre um risco. A classe pode engatar naquela ideia ou não. Quando você é um professor duplamente novo – tanto por idade quanto por tempo naquela instituição –, o medo de não ser bem recebido aumenta. Mas, ainda assim, para mim não existia um caminho senão o de pensar, criar, propor, dialogar e fazer juntos. Acredito em uma educação que aconteça nos encontros. Acredito, sobretudo, na força intensiva, transformadora e educativa dos encontros. Quando digo isso, penso na potência que escrever algo a alguém tem. Talvez não seja tão diferente desse artigo que escrevo para materializar, reviver e repensar as vivências e experimentações tecidas enquanto professor formador de professores e professoras de ciências e biologia.

            As cartas-resenha têm sido uma das ferramentas presentes na bagagem da minha docência-vida. Levo-as como possibilidade, e sinto que, apesar de qualquer pesar, tenho colhido bons frutos. Ao longo do semestre com as duas turmas, nos dias das aulas, ler tais escritas – que muitas vezes extrapolavam as 30 linhas máximas delimitadas e chegavam a mais de três páginas! – era um verdadeiro presente. Acompanhar as transformações nos movimentos de juntar as palavras e criar narrativas, perceber como cada texto chegara de diferentes maneiras a cada estudante, ver a artesania das tessituras de ideias e personagens e… e… e… era uma caixinha de surpresa!

            Uma estudante sempre escrevia cartas à sua avó, relatando a saudade que sentia dela. Certo dia, ela contou que a matriarca morrera não havia tanto tempo e que tal atividade era uma forma de se encontrar com ela com as escritas. É tão bonito ver as maneiras que encontramos de seguir com quem amamos. Aprendemos a criar estratégias para manter vivo quem nos é importante. Também podemos aprender a fabular e experimentar a escrita – a vida, uma aula e a formação docente, por que não? –, como obra de arte.

Outro estudante a cada semana criava as cartas com diferentes personagens. Certo dia uma escrita me preocupou, já que era o seu orientador dizendo que ele não poderia ler aquele texto destinado à aula, pois o mesmo tinha cunho político e o desviaria dos rumos que achara correto. A força das palavras era tamanha que cheguei a acreditar que teria problemas com outro professor por levar leituras como as de Paulo Freire – obrigatórios na ementa – ao seu orientado. Depois o mesmo me contou que era tudo ficção – e o que não seria quando falamos de docência e educação como obra de arte? Ainda assim, quantos (des)orientadores e (des)orientadoras será que não cerceiam, de fato, o que os e as estudantes que desenvolvem trabalhos supervisionados por eles e elas podem – e devem – ler?

            São tantas estórias que poderia ficar páginas-e-páginas contando sobre elas. Uma estudante me cativava com as cartas-resenhas sempre ao modo de poesia. Outros e outras faziam tudo completamente formal, com cabeçalho, normas acadêmicas e dentro do tamanho do estipulado. Naquela proposta tentei desapegar de noções de certo-e-errado e avaliar a criação – subjetivo, sim, e teria como ser diferente já que se tratava de experimentar a formação com(o) arte?

Haviam os que escreviam para versões deles do passado, e outros para o futuro. Alguns textos eu sei que foram feitos com tecnologias de inteligência artificial, mas confesso que não soube como deveria intervir naquele quesito, além de conversar com eles sobre certa desconexão no que estava lá presente e a potência de experimentarem, de tentarem, de fazerem.

Quando falamos de formação docente e educação com(o) arte, não há certezas e menos ainda estatísticas para validar um trabalho. Certo know how é construído nos caminhos, e nos resta estar atentos e atentas para sentir, escutar e compor com, criando espaços-tempos-acontecimentos intensivos para aprender, ensinar e se transformar. E vou junto nessa, sempre me (trans)formando! Que presente desse caminho enquanto professor! Ainda bem!

 

Criar poéticas, imagens e sons

Imagens 3, 4 e 5 – Entre aves e plantas, alçar voos possíveis na educação (em ciências e biologia) com artes.

 

 

Fonte: Recortes de registros meus de produções de Gustavo Ferreira, Lara Avelar e Gabriela Nery, respectivamente, criadas ao longo da disciplina Biologia e Cultura, compartilhadas com a turma nas últimas aulas da mesma. As imagens foram fotografadas por mim no dia de apresentação final e compartilhadas aqui a partir da autorização gentilmente permitida por elas e eles, artistas, futuras professoras e futuros professores de ciências e biologia.

 

Entrar em relação

Com um mundo todo vivo

Intenso, pulsante

A nos ressoar…

 

Com as plantas, com os bichos

Cultivar palavras de cuidado

Criar nichos e ninhos, suspirar caminhos

Experimentar…

 

Com os seres alados

Com as verdejantes folhas

Em uma sala de aula

Colocar-nos a contagiar…

 

***

 

Entender de onde vêm certos modos de habitar o mundo demanda de nós, em tantos momentos, um ato de revisitar as nossas memórias, atentando-nos ao que nos marcou em toda a formação e segue ressoando no presente. Quando penso na minha atuação enquanto professor formador de outros professores e professoras, são muitas as inspirações teórico-práticas que permeiam o que acredito e faço. As vivências como estudante nas escolas, as minhas perspectivas de mundo, os cotidianos familiares, os meus sonhos, os medos, as ausências, as dores, os desejos, as presenças. Os caminhos trilhados ao licenciar-me, a primeira aula dada em um estágio, o desenvolvimento de um olhar lapidado, curioso e questionador perante a docência. Também as leituras e pesquisas, desde a iniciação científica até o pós-doutorado. Tudo é matéria dos processos criativos ao planejar uma aula, experimentar uma proposta pedagógica e desejar uma disciplina como obra de arte.

Quando penso no que me levou a tentar mobilizar a poesia, a fotografia, o cinema e as experimentações que acontecem nos “entres” enquanto movimentos formativos, recordo-me de tantos professores e professoras que passaram em meus caminhos, mas, dentre estes, duas tiveram o papel principal. São elas: Daniela Franco Carvalho e Lúcia de Fátima Dinelli Estevinho. Ambas foram minhas professoras na graduação e orientadoras na pós-graduação, sendo a primeira no mestrado e a segunda no doutorado. Nas aulas com elas pude experimentar diferentes caminhos criativos com as artes em interfaces com as ciências, a educação, a filosofia, as humanidades e… tantos outros campos que se ramificavam. Naquelas aulas escrevemos inventivamente, criamos ensaios visuais e filmes, compartilhamos as nossas vivências, aprendemos a sentir o que ressoava em nossos corpos e a dar passagem, cultivamos um olhar sensível e cuidadoso perante o outro e conosco.

Para mim tudo aquilo era ativador de uma formação docente como obra de arte. Honrar isso tudo que me foi dado por professoras-orientadoras é sentir o que daquilo segue vivo e ecoa em caminhos por vir. Nada de cópia, e sim inspirações para experimentar aos meus modos, com os/as estudantes de cada turma, com o tempo e o espaço que variam. Sentir as mudanças e criar juntos em outros lugares e momentos. Multiplicar e, repito, experimentar.

 

***

 

            Os primeiros e os últimos dias de aulas em uma disciplina abrem e fecham os caminhos. Entre eles existe todo um meio em movimento. Após eles, fica em aberto uma existência inteira a seguir escutando o que daquilo fez sentido e o que permitiu sentir a vida, o mundo, os saberes e a educação de outras formas. Ao apresentar o plano de ensino da disciplina Biologia e Cultura, junto das cartas-resenhas e de outros movimentos, trouxe uma proposta de trabalho a ser desenvolvida ao longo do semestre e compartilhada com a turma em uma das últimas aulas. O nome que dei a tal atividade fora Produções artístico-culturais entre Ciências-Educação. A mesma seria pensada ao longo do semestre, em interlocução comigo, reservando horários de atendimento para a concepção, o planejamento e a criação coletiva.

            Biologia e Cultura é um daqueles componentes curriculares que, para quem acredita na transdisciplinaridade, é um ‘prato cheio’. Sou suspeito para falar da disciplina, pois sinto que, ao modo que tem sido construída, é uma potência na formação inicial de professores e professoras de ciências e biologia, abrindo caminhos que se materializam em atos-aulas. É um território localizado enquanto obrigatório na licenciatura em Ciências Biológicas que busca, dentre outros objetivos, ao trazer as conexões entre os campos das ciências da natureza e da cultura, levar a sério a potência das artes para movimentar a educação em ciências e biologia, para questionar os conhecimentos científicos e seus entrelaçamentos contemporâneos, para permitir sentir, escutar e agir no mundo.

Dessa forma, seguindo a sua ementa, percorremos diferentes produções artísticas tecidas nas interfaces entre ciências-culturas-educações, buscando escutar o que com elas poderíamos aprender. Ao percorrer estes trajetos nas aulas, inspiramos os/as estudantes a pensarem no que poderiam criar para o trabalho das Produções artístico-culturais entre Ciências-Educação. Cada um criaria uma produção artística que tivesse uma parte escrita (um poema, um conto, uma narrativa literária, palavras soltas, uma frase, e… e… e…) e outra imagético/sonora/imagético-sonora, ou duas produções distintas que contemplassem essas diferentes nuances da escrita, das imagens e/ou dos sons.

Como disparador para esses processos criativos, percorremos juntos, durante as aulas, as seções Artes da Revista ClimaCom[2] de duas edições: Políticas Vegetais, e Ciência. Vida. Educação. Esta é uma revista acadêmica de cunho inter/transdisciplinar, focando sobretudo nas dimensões de divulgação científica e artes, em diálogos com as ciências da natureza e a educação. Nela, a seção Artes publica diferentes produções artísticas, como pinturas, desenhos, ensaios fotográficos, poesias, músicas, filmes, e… que estejam relacionadas com a temática principal da revista e a específica de cada dossiê. Assim, pudemos nos encontrar com uma vastidão de produções diferentes que giravam em torno das conexões entre artes, ciências e educações.

 

***


 

Imagens 6, 7 e 8 – Criações intensivas entre biologias, artes, ciências, educações, e…

 

Fonte: Recortes de registros meus de produções de Ariane Vicente, Mike Santos e Geovana Araújo, respectivamente, criadas ao longo da disciplina Biologia e Cultura, compartilhadas com a turma nas últimas aulas da mesma. As imagens foram fotografadas por mim no dia de apresentação final e compartilhadas aqui a partir da autorização gentilmente permitida por elas e eles, artistas, futuras professoras e futuros professores de ciências e biologia.

 

***

 

Bordar um tempo outro

Entre cores intensas

Linhas de vida alinhavar

Com a Terra-mãe

Ecoar e gestar

Sentir a vida que pulsa

Entre pétalas e sépalas

Colorir o educar

 

***

 

Desde o início da disciplina até o seu fim conversei bastante com a turma sobre o que poderia ser feito e, apesar de acolherem tal convite – e alguns, inclusive, já chegarem animados e ansiosos para colocarem a ‘mão na massa’ em atos criativos – esta proposta gerava muitas dúvidas e indagações, sobretudo por destoar do que vivenciaram ao longo da licenciatura em Ciências Biológicas. Vale reforçar que, mesmo a maioria da sala estando no sexto período de um curso de dez semestres, relataram-me que muitos jamais tiveram esta oportunidade de imergir nas conexões entre ciências, artes e educação na graduação até então.

Sei que gera certa insegurança e medo o ato de experimentar algo novo. Se aventurar na pintura, na fotografia, na escrita, no bordado, na tessitura de narrativas, na materialização de poéticas. Fazer isso acontecer nas interfaces com as ciências da natureza e a educação, atravessando por questões contemporâneas, como racismo ambiental, negacionismos científicos, machismo e mudanças climáticas, ancora o nosso fazer em um ato ético-estético-político. E a beleza disso está nas experimentações que acontecem com um ato formativo: experimentar-formar.

Ao longo do semestre fui acompanhando este meio – espaço que, como nos ensinam Deleuze e Guattari (2011), é onde se ganha velocidade – em que as coisas aconteciam. Semanalmente, nos nossos encontros nas quartas-feiras, estudantes contavam as dores e delícias de entrarem em um devir-artista. Certa aula um relato me marcou: era uma aluna já em sua segunda graduação e que sempre teve a vontade de bordar, mas nunca tivera tempo ou espaços propícios para começar tal labor. A disciplina e esta proposta foram disparadores. Ela me contou que começara a estudar o bordado, comprara materiais para tal feitura e estava em movimento. Eram 22:30 quando escutei tal história, ao fim da aula. Fui para casa com a cabeça a mil, sentindo-me alegre e realizado por, mesmo que apenas um pouquinho, conseguir trazer algo de ‘novo’ a alguém.

            Ao chegar no fim da disciplina, no dia da apresentação das produções, fui tomado por uma enxurrada de criações belíssimas, fortes, sensíveis, engajadas. Ensaios fotográficos, desenhos, colagens, pinturas, poesias, vídeos, contos, narrativas múltiplas que borravam as fronteiras entre ciências, artes e educação, que se colocavam na tarefa de levar a sério a convivência em um mundo múltiplo, permeado por problemáticas que precisam ser olhadas e cuidadas. As dimensões do racismo ambiental, do machismo, das problematizações ao cientificismo se fizeram presentes junto ao ato de revisitar a vida, as experiências de cada um, a cultura na qual nos inserimos e um mundo que cocriamos. Reconheci uma força sem igual naqueles e naquelas que compartilharam o trajeto-disciplina comigo, construindo-a coletivamente em afetos divididos e multiplicados.

Como é potente ver os caminhos dos futuros professores e das futuras professoras de ciências e biologia e o quanto podem criar! Para tal empreitada, entendo que é necessário que existam territórios propícios para serem berçários de formações possíveis, de experimentações, de gestações das docências que se sonha e deseja, que se vive e anseia, que se acredita e sente visceralmente. A nós, formadores e formadoras de docentes por vir, nos resta a tarefa de instaurar coletivamente estes tempos e espaços de vida-formação com(o) obra de arte!

 

Imagens 9, 10 e 11 – Entre plantas de poder e animais memoráveis, experimentar docências e artistagens possíveis.

 

 

Fonte: Recortes de registros meus de produções de Gabriela Nery, Ingrid Silva e Rodrigo Martins, respectivamente, criadas ao longo da disciplina Biologia e Cultura, compartilhadas com a turma nas últimas aulas da mesma. As imagens foram fotografadas por mim no dia de apresentação final e compartilhadas aqui a partir da autorização gentilmente permitida por elas e eles, artistas, futuras professoras e futuros professores de ciências e biologia.

 

***


 

Transcriar elementos

Fabular

Com o que ali existia

Uma prática ensaiar

Entre forças criativas

Animais, vegetais, ancestrais

Outros caminhos possíveis

A se formar

Com palavras e imagens

Um pouco registrar

Dos acontecimentos intensivos

A se proliferar

Ver rostos e formas

Imaginar

A potência dos encontros

A nos transformar

 

Ensaiar com a vida e a educação

A palavra ensaio é uma velha conhecida nos cursos ligados às ciências da natureza. Por vivência própria, percebo que, geralmente, quando falamos nela em salas de aula com os/as estudantes, logo vem à cabeça dos/as mesmos/as o trabalho laboratorial com jalecos, pipetas, placas de petri e todos os aparatos que acompanham estes espaços-tempos científicos, junto de uma noção de pesquisas quantitativas, métodos replicáveis e as hipóteses a serem testadas. Isto ocorre por a maioria dos sujeitos lá presentes estarem imersos da cabeça aos pés em uma cultura científica que também se alia a certas noções e perspectivas de modos de produção de conhecimento, de relação com a vida e com o mundo.

            “A palavra ‘ensaio’ é polissêmica e, inclusive, apresenta diferentes e importantes sentidos às ciências da natureza e às suas transposições educativas, assim como aos estudos literários e campos filosóficos” (Sales, 2023, p. 7). Quando chego em uma sala de aula – como fiz nas duas disciplinas narradas aqui –, no começo do semestre, e falo do trabalho de movimentar um ensaio, logo puxo essa discussão acerca do que seria isso. Não apresento de início o que proponho, deixo um tempo para que as dúvidas emerjam e possamos pensar juntos e juntas no que se trata ‘aquilo ali’. Também não fico demais no mistério e, assim que possível, trago um elemento a mais na longa – e sempre inacabada – formação daqueles futuros professores e professoras de ciências e biologia: o caminho de ensaiar a vida, a escrita, a pesquisa, a formação, a educação.

            Segundo Jorge Larrosa (2003, p. 102), o ensaio apresenta-se “como uma das figuras do que é excluído da academia, pelo menos das formas de saber e de pensar que dominam no mundo acadêmico”. Junto das cartas e de outras possibilidades de mobilizar a escrita, o ensaio é preterido e colocado como modo desqualificado de movimentar o pensamento acadêmico, muito em consequência de uma razão técnico-científica que segue dominante (Larrosa, 2003).

Larrosa (2004), em outro texto nomeado A Operação Ensaio, segue traçando reflexões acerca da potência que tal modo de escrita pode trazer. Que tenhamos, então, a coragem de seguir “Escrevendo. Pensando. Vivendo. Sempre no devir. Ensaiando. De outro modo” (Larrosa, 2004, p. 42). Já que, como nos ensina Deleuze (1999; Deleuze; Parnet, 1995), criar é um ato de resistência, trazer o ensaio à academia pode ser um potente movimento à formação de professores/as de ciências e biologia – aqueles/as que lidarão diretamente com a educação científica no ensino básico – para resistir e seguir forjando outros caminhos à vida e à educação.

 

***

 

            Chegar em uma turma e trazer o plano de ensino em aberto como proposta e não imposição demanda estar aberto a escutar. Nem sempre a recepção será acolhedora, mas ainda assim é necessário seguir acreditando no diálogo. Quando você é daqueles professores que foge de empregar a prova como processo avaliativo como o ‘diabo foge da cruz’ – por ver nela e nos modos como têm sido empregadas certas problemáticas e, sobretudo, por saber que toda a formação escolar e universitária está centrada nesse único método tantas vezes demasiadamente severo, conteudista e perverso –, busca experimentar diferentes formas de avaliar, logo também de articular relações entre pessoas e saberes. É o trabalho artesanal de preparar um curso, de planejar uma aula, de tecer maneiras de fazer encontros acontecerem.

Cartas-resenhas, produções artísticas, seminários, participações, apresentações, e… e… e… será que eram coisas demais? Alguns estudantes disseram que sim. Outros de prontidão compraram mais uma vez a proposta e se animaram. Já eu refleti – e sigo pensando – se não exagerei. Conversamos e encontramos maneiras de tornar aquele caminho menos cansativo e mais frutífero. Um trajeto formativo possível de ser trilhado, não evadido. Apesar de alguns matriculados trancarem a disciplina logo após a apresentação do plano de ensino – sem sequer darem a oportunidade para tecermos algo juntos –, avalio que os resultados foram bons no quesito de permanência, adesão e participação, pois as turmas que aqui relato seguiram firmes-e-fortes until the end. E o ensaio entrou como (mais) um trabalho final, a ser apresentado na conclusão da disciplina, compartilhando os movimentos de pensamento e de criação.

 

Imagem X, Y e Z – Aulas-acontecimentos. Afetos. Formar-se como obra de arte… na UFU!

 

 

Fonte: Registros meus realizados respectivamente: na entrada da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Campus Pontal, em um pôr do sol (acima e à esquerda); no quadro produzido ao longo de uma aula expositiva-dialogada (abaixo e à esquerda); e no encerramento da disciplina Educação e Transformação Social, com o banquete construído coletivamente e compartilhado para saborearmos os ensaios.

 

No fim de um dia

Em Minas Gerais

O sol se põe

Colorindo o céu

É bonito demais!

 

Já é hora de voltar às aulas

Mas, enquanto isso, no caminho,

Algumas flores vão desabrochar

Noturnas, nutrem os morcegos

Polinizadas, vão se frutificar

E os ciclos continuam a movimentar

 

Já nas salas universitárias

Lá pelas 19 horas

No período noturno

Insistimos, cotidianamente

Seguimos a adentrar

 

Territórios de saber-poder

A se ressignificar

São espaços nossos

Duramente conquistados

Para nos formar

 

Ocupamos a universidade

Queremos aquele lugar

É nosso! Sim!

Vamos compartilhar!

 

Preenchendo quadros e cadernos

Com palavras e ideias

Para outras imagens-educações

Conseguirmos juntos sonhar

 

Em pedagogias politizadas

Iremos nos engajar

Dividindo a tarefa

Bonita, potente, intensa

De professorar

 

Compomos um banquete

Com comidas, livros e abraços

Para nos alimentar

Percebemos juntos

O que nada pode apagar

A nossa força é tamanha

E vai se multiplicar!

 

***

 

Acreditar na escrita como um modo de vida (Sales, 2023) em que a poética seja levada a sério como movimento rigoroso de pensamento é um investimento que faço ao trazer os ensaios às disciplinas e à formação de futuros professores e futuras professoras de ciências e de biologia. Percebo que as ementas e as discussões propostas em cada um dos componentes curriculares aqui apresentados são bem diferentes. Relações entre Biologia – e ciências e… – e Cultura(s) – e filosofias, e educação, e artes, e… –; Educação (em suas tantas mobilizações para a) – (e) Transformação Social: como ensaiar em meio a isso? Os caminhos possíveis eram múltiplos. E assim foram.

Cada estudante – individualmente ou em dupla – escreveu um ensaio e compartilhou os seus movimentos de pensamento-escrita-criação em poucos minutos – éramos muitos e muitas, já o tempo estava escasso para tanto a ser trocado! – na última aula, finalizando a disciplina. Junto da apresentação dividimos um banquete de comidas, ideias e atos criativos materializados em um potente encontro, em uma disciplina que se fechava mantendo-se aberta: os caminhos por vir seguiriam ecoando. Os textos lá escritos traziam a força das cartas-resenhas multiplicadas, o rigor das criações artísticas em experimentações-linhas, um olhar problematizador e propositivo perante o mundo.

 Mais uma vez apareceram questões que permeiam corpos, gêneros, sexualidades, éticas, estéticas, políticas, culturas, mudanças climáticas, negacionismos, cientificismos, interfaces entre ciências e educação, a potência das artes, a necessidade e urgência de sonhar ativamente um outro mundo que seja possível. Produções fortes para nos inspirar e seguir pensando-articulando. Algumas delas viraram artigos e relatos de experiências adaptados, submetidos e aprovados para serem apresentados em eventos. Outras se desdobraram em contos, poesias e potências literárias. Vivacidade, força e criação em atos-ensaios na formação docente como obra de arte. Um caminho bonito e alegre de se viver, participar e cocriar.

 

Caminhos abertos, formações possíveis

Arriscar um fim?

Seguir a experimentar

Fazer aulas-acontecimentos

Nos permitir brincar

 

Mandar cartas ao futuro

Cartas ao nada, cartas ao mundo

Mesmo quando tudo parece absurdo,

Marcar um caminho aberto

Poder nos lançar

 

Aprender a viver

Nos encontros intensivos

Em potências e atos

Ler, escrever

E ensaiar

Em realidades outras

Quem sabe quanto ainda

Nos resta a fazer

 

Forjar poéticas

Pelo que é vivido

Registrar as trilhas passadas

Na escola, na universidade, na sala

Formar subjetividades

Permitir o devir

Também a cambiar

Trajetos-formações para nos inspirar


 

***

 

O que podemos fazer quando levamos a sério a arte na formação inicial de professores e professoras? E se entendermos a formação docente como obra de arte, quais relações éticas-estéticas-políticas outras do nosso trabalho acadêmico e pedagógico seriam necessárias? Como deslocar as lógicas técnico-cientificistas tão impregnadas nas ciências da natureza para a força dos afetos e perceptos mobilizadas nas artes? Os caminhos são múltiplos e as questões pulverizam por todos os lados. Não há um único trajeto correto a ser seguido. Experimentar com coragem é uma pista que se lança para nós: aprender-ensinar-formar em arte.

Sinto que as propostas pedagógicas aqui apresentadas – as cartas-resenhas, as produções artísticas-culturais e os ensaios – possibilitaram degustar a formação docente – e a vivência enquanto educadores e educadoras em ciências e biologia – com as artes e como obra de arte ao articulá-los de maneiras indissociavelmente éticas-estéticas-políticas com o mundo, com as múltiplas formas de vida e com as lutas necessárias de permearem os processos formativo-educativos. Eis um desejo, então, de relacionar aprenderes e formações – com as ciências e com as artes – que se faça com/em meio à/pela vida (Sales; Rigue; Dalmaso, 2023).

Outras pistas seguem então ressoando para prosseguirmos. Ver a vida como obra de arte (Foucault, 1995). Reconhecer o trabalho pedagógico como artístico (Eusse; Bracht; Almeida, 2016, p. 13). Assumir o ato político de investir na vivacidade do ato de criação (Deleuze, 1999). Lembrar mais uma vez que criar é resistir (Deleuze, 1999; Deleuze; Parnet, 1995). Rever as nossas perguntas no trabalho acadêmico, as nossas relações com as artes e com a educação (Diederichsen, 2019). Sentir a educação como acontecimento (Tadeu; Corazza; Zordan, 2004; Brito; Ramos, 2014). Escrever cartas com o que lemos, experimentar com o que temos, ensaiar o que podemos. Deixar marcas ao futuro e também apagar alguns rastros. Levar as poéticas a sério. Forjar outros caminhos, multiplicar as ações. Começos, meios e outros começos (Santos, 2023). Metamorfoses, em devir-com (Haraway, 2022). Afirmar cotidianamente e coletivamente a formação docente como obra de arte: caminhos abertos, formações possíveis.

 

Agradecimentos

            Agradeço à Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Campus Pontal e aos cursos de Ciências Biológicas por me acolherem a partir do ano de 2024, sendo casa e espaço de trabalho, atuando diretamente na formação de biólogos e biólogas, professores e professoras de ciências e de biologia. Agradeço aos e às futuros e futuras docentes que tive o privilégio de compartilhar as aulas das disciplinas Biologia e Cultura e Educação e Transformação Social, ministradas no semestre 2023.2, pela oportunidade de tanto aprender em nossas imersões, estudos, poéticas, criações e experimentações coletivas entre artes, ciências, educações, e… Por fim, um agradecimento especial aos e às que autorizaram compartilhar um pouco aqui das imagens de suas produções artísticas.

 

REFERÊNCIAS

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BATTISTELLI, Bruna; OLIVEIRA, Érika. Cartas: um exercício de cumplicidade subversiva para a escrita acadêmica. Currículo Sem Fronteiras, v. 21, n. 2, p. 679-701, 2021.

 

BRITO, Maria dos Remédios de; RAMOS, Maria Neide Carneiro. POR UM ENSINO E UMA APRENDIZAGEM-ACONTECIMENTO. Ensaio – Pesquisa em Educação em Ciências, Belo Horizonte, v. 16, n. 1, p. 31-48, abr. 2014.

 

DELEUZE, Gilles. O ato de criação. Folha de S. Paulo, São Paulo, 27 jun. 1999.

 

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. (vol. I). 2. ed., Rio de Janeiro: Editora 34, 2011.

 

DELEUZE, Gilles; PARNET, Claire. Abecedário de Gilles Deleuze. Éditions Montparnasse, Paris. Filmado em 1988-1989. Publicado em: 1995.

 

DIEDERICHSEN, Maria Cristina. Pesquisar com a Arte: ética e estética da existência. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 44, n. 4, p. 1-24, jan. 2019.

 

EUSSE, Karen Lorena Gil; BRACHT, Valter; ALMEIDA, Felipe Quintão de. A prática pedagógica como obra de arte: aproximações à estética do professor-artista. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. Brasília, v. 38, n. 1, p. 11-17, 2016.

 

FOUCAULT, Michel. Sobre a Genealogia da Ética: uma revisão do trabalho. In: DREYFUS, Hubert; RABINOW, Paul. Michel Foucault, uma trajetória filosófica. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995. p. 253-278.

 

HARAWAY, Donna. Quando as espécies se encontram. São Paulo: UBU. 2022.

 

LARROSA, Jorge. A Operação Ensaio: sobre o ensaiar e o ensaiar-se no pensamento, na escrita e na vida. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 29, n. 1, p. 27-43, 2004.

 

LARROSA, Jorge. O Ensaio e a Escrita Acadêmica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 28, n. 2, 2003.

 

SALES, Tiago Amaral. A escrita como modo de vida: potências contemporâneas para a (pesquisa em) educação. Revista Espaço do Currículo, João Pessoa, v. 16, n. 3, p. 1–11, 2023.

 

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SALES, Tiago Amaral; RIGUE, Fernanda Monteiro e DALMASO, Alice Copetti. Modos de Habitar o Mundo: uma educação em ciências com/em meio à/pela vida. Educação e Realidade. 2023, v. 48. https://doi.org/10.1590/2175-6236124171vs01.

 

SALES, Tiago Amaral. Quando o cartógrafo vai a campo: travessias e poéticas de um jovem professor. Revista Teias, Rio de Janeiro, v. 23, n. 71, p. 24–41, 2022. DOI: 10.12957/teias.2022.70186.

 

SANTOS, Antônio Bispo dos. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu, 2023.

TADEU, Tomaz; CORAZZA, Sandra Mara; ZORDAN, Paola (org.). Linhas de escrita. Belo Horizonte: Autêntica, 2004.

 

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[1] Professor Adjunto nos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Campus Pontal. Licenciado e Bacharel em Ciências Biológicas, Mestre e Doutor em Educação (UFU). Licenciado em Pedagogia (UNESA) e especialista em Pedagogia Universitária (UFTM). Pós-doutorado em Divulgação Científica e Cultural (UNICAMP). Orcid: https://orcid.org/0000-0002-3555-8026. E-mail: tiagoamaralsales@gmail.com

[2] Em referência à Revista ClimaCom: Cultura Científica – pesquisa, jornalismo e arte, periódico publicado digitalmente e presente no seguinte endereço: https://climacom.mudancasclimaticas.net.br/. As duas edições utilizadas nas aulas foram: Políticas Vegetais (ano 9, n° 23) e Ciência. Vida. Educação (ano 10, n° 24).