Ensino da arte em museu: olhares discentes sobre as visitações de museus

em São Luís/MA

 

Teaching art in a museum: student views on museum visits in São Luís/MA

 

 

 

Luis Félix de Barros Vieira Rocha [1]

Universidade Federal de Maranhão

Resumo

O artigo relata a experiência de discentes da Escola Municipal Júlia Fonseca Barbosa em visita aos museus de São Luís do Maranhão. O problema da pesquisa se refere a como as visitas a esses museus impactaram no aprendizado dos(as) discentes de uma escola pública municipal maranhense. Com isso, elaboramos o objetivo geral que é relatar a experiência dos(as) discentes a partir das visitas nos museus por meio da disciplina de Arte. Os objetivos específicos foram investigar a percepção dos(as) discentes sobre a relevância das visitas aos museus para sua formação educacional e pessoal; identificar quais exposições foram consideradas mais cativantes pelos(as) discentes e se perceberam que a arte e as manifestações culturais expostas nos museus refletem aspectos importantes da sociedade e da cultura; e analisar como essa percepção influencia sua compreensão e valorização da cultura local. No referencial teórico utilizamos Barbosa (2009), Koptcke (2001), Gohn (2008), dentre outros(as). A metodologia do artigo parte de um estudo exploratório e qualitativo se fazendo também do relato de experiência, e como instrumentos de coletas de dados, utilizamos a entrevista semiestruturada com os(as) discentes. Como resultado, evidenciamos o impacto positivo dessas experiências no processo educacional ressaltando a importância das visitas aos museus como complemento ao currículo escolar de arte e como uma forma eficaz para proporcionar a aprendizagem interdisciplinar e o desenvolvimento integral dos(as) discentes.

Palavras-chave: Arte/educação; Aprendizagem interdisciplinar; Educação em museus; Experiência museal.

 

 

Abstract

The article reports the experience of students from Escola Municipal Julia Fonseca Barbosa visiting the museums of São Luís do Maranhão. The research problem refers to how visits to these museums impacted the learning of students at a municipal public school in Maranhão. With this, we developed the general objective which is to report the students' experience from visits to museums through the Art discipline. The specific objectives were to investigate the students' perception of the relevance of visits to museums for their educational and personal development; identify which exhibitions were considered most captivating by the students and whether they realized that the art and cultural manifestations displayed in museums reflect important aspects of society and culture; and analyze how this perception influences your understanding and appreciation of local culture. In the theoretical framework we use Barbosa (2006), Koptcke (2001), Gohn (2008), among others. The methodology of the article is based on an exploratory and qualitative study, also based on an experience report, and as data collection instruments, we used semi-structured interviews with the students. As a result, we highlighted the positive impact of these experiences on the educational process, highlighting the importance of visits to museums as a complement to the school art curriculum and as an effective way to provide interdisciplinary learning and the integral development of students.

Keywords: Art/education; Interdisciplinary learning; Education in museums; Museum experiencee

 

 

Introdução

O trabalho educativo no espaço museal, a cada dia, ganha contornos mais nítidos como uma atividade fundamental para crianças, jovens e adultos no contexto escolar. Dessa forma, os museus, enquanto ambientes educativos, precisam se preparar adequadamente para receber esses públicos, garantindo que a visita seja prazerosa e gere resultados positivos na aprendizagem. Vale ressaltar que a maioria dos(as) arte-educadores(as) possibilita aos seus(suas) discentes aulas de arte mais envolventes e encontra nos museus ou centros culturais um espaço essencial para a efetivação do ensino de arte.

De acordo com Barbosa (2009, p. 13), “[...] a arte tem enorme importância na mediação entre os seres humanos e o mundo, apontando um papel de destaque para a arte-educação: ser a mediação entre a arte e o público [...]. O lugar experimental dessa mediação é o museu”. Sobre esse pensamento de Barbosa (2009), Marques et al. (2020) destacam:

[...] que o museu é uma alternativa para a construção de aprendizagens, comparando o ensino no museu e na escola. “O que faz o museu que a escola não faz? Por que, hoje, a aprendizagem no museu poderia ser mais eficaz do que na escola?” À primeira questão: “O museu assumiu os desafios da educação; ampliou e diversificou sua oferta cultural, que inclui shows, cinema, dança, teatro etc.” À segunda questão: a resposta está relacionada ao que o aluno considera lúdico; a aprendizagem se vincula à interpretação e à criação pessoal, “os temas são atuais”, o conhecimento é interdisciplinar e há proximidade com a vida real. (BARBOSA, 2009, p. 99 apud MARQUES et al. 2020, p. 64472-3).

 

Permitir aos(às) discentes o conhecimento dos museus é proporcionar uma prática pedagógica que agrega positivamente ao ambiente educacional de aprendizagem não formal oferecido por esses espaços. Vale ressaltar que as escolas brasileiras, a cada dia, tornam-se frequentadoras assíduas dos espaços museais. De acordo com Koptcke (2001, p. 16), “[...] as participações dos grupos escolares nas estatísticas dessas instituições oscilam, segundo a instituição, de 50% a 90%”.

Educadores(as) buscam, por meio da visita aos museus, sair da rotina do espaço escolar para proporcionar aos discentes uma experiência de ensino mais efetiva, permitindo-lhes vivenciar diferentes acervos museais. Essas instituições vêm buscando alternativas para tornar o acesso das escolas mais prazeroso e educativo. Sobre isso:

Cada vez mais professores de diferentes áreas se interessam em conhecer melhor esse espaço, com o objetivo de proporcionar um melhor aproveitamento pelos alunos. Em contrapartida, os museus têm buscado, por meio de diferentes programas, oferecer materiais, roteiros de visitas, cursos sobre museus e estratégias de utilização desse espaço para esse público. (MARANDINO, 2001, p.87).

 

Dessa maneira, a aceitação dos museus como espaços de visitação escolar tornou-se ampla, visto que seu potencial educativo é significativo. As visitas proporcionam uma aprendizagem experiencial, enriquecendo o currículo formal ao conectar o conhecimento teórico com experiências práticas e visuais.

A interação direta com objetos expostos nos espaços museais artísticos, científicos ou históricos reverbera em um engajamento positivo dos(as) discentes, favorecendo a retenção do conhecimento. As visitas a museus possibilitam o desenvolvimento do pensamento crítico e da criatividade, contribuindo para uma compreensão mais profunda e contextualizada dos temas abordados em sala de aula. Com a finalidade de responder à nossa pesquisa, elaboramos o seguinte questionamento: Como as visitas a museus e centros culturais de São Luís do Maranhão impactam o aprendizado dos(as) discentes de uma escola pública municipal maranhense?

O objetivo geral foi relatar a experiência dos(as) discentes a partir das visitas aos museus e centros culturais de São Luís do Maranhão, realizadas por meio da disciplina de Arte. Os objetivos específicos foram investigar a percepção dos(as) discentes sobre a relevância dessas visitas para sua formação educacional e pessoal, identificar quais exposições foram consideradas mais cativantes durante a visitação aos museus, avaliar se perceberam que a arte e as manifestações culturais expostas refletem aspectos importantes da sociedade e da cultura, e analisar como essa percepção influenciou sua compreensão e valorização da cultura local.

A escolha da temática surge a partir da minha experiência como arte-educador, que anualmente proporciona aos(as) discentes visitas a museus e centros culturais de São Luís do Maranhão, pois acredito que esses são espaços importantes para a aprendizagem em arte.

Em 2022, realizei uma visita de campo a alguns museus e centros culturais de São Luís do Maranhão com discentes adolescentes da Escola Municipal Júlia Fonseca Barbosa, do município de Matões do Norte. Visitamos o Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, o Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão e o Museu Casa do Nhozinho.

 

Museu e escola: aprendizagem possível

 

Os museus desempenham um papel fundamental na sociedade ao proporcionar um espaço onde a cultura é apresentada de forma contextualizada e significativa. Eles servem como locais de compartilhamento de conhecimento entre indivíduos e grupos, permitindo a reflexão e a socialização dos saberes. Destaca-se o reconhecimento dos museus por seu potencial educacional (BARBOSA, 2009; GOMES; CAZELLI, 2016).

Os espaços científico-culturais, como museus e centros de ciência, desempenham um papel importante na interação com o público, sendo vistos como instituições com múltiplos objetivos, entre eles a promoção da educação, o estímulo ao aprendizado sobre temas diversos e o lazer, oferecendo experiências enriquecedoras e envolventes. As exposições são elementos centrais na conexão entre os museus e a sociedade, pois proporcionam diversas possibilidades de interação com as propostas da instituição museológica. É por meio das exposições que os discentes têm a oportunidade de vivenciar experiências culturais e educacionais oferecidas pelo museu (CHELINI; LOPES, 2008).

A escola não deve ser a única responsável por proporcionar aos(as) discentes uma compreensão reflexiva das manifestações artísticas. Embora seu papel nesse processo seja fundamental, os museus e centros culturais também são espaços privilegiados para esse fim, onde os indivíduos podem desenvolver uma relação mais profunda e significativa com a arte.

Nos últimos anos, houve uma mudança significativa na maneira como os museus e centros culturais se relacionam com as escolas. Antes, as visitas a esses locais não eram tão comuns nos planejamentos escolares, mas agora se tornaram parte integrante do currículo, tanto para exposições permanentes quanto temporárias, frequentemente promovidas pela mídia. Em resposta a essa demanda crescente, os museus passaram a estabelecer departamentos educativos dedicados a facilitar sua interação com as escolas. Isso demonstra o reconhecimento da importância de integrar experiências culturais fora da sala de aula ao processo educacional, e os museus estão se adaptando para atender a essa necessidade, proporcionando aos discentes um acesso mais direto e significativo à arte e à cultura. De acordo com Moura:

Os museus de arte passaram a fazer parte da programação da rede pública e particular de ensino nas grandes cidades, que concentram, no Brasil, quase a totalidade dos equipamentos culturais. Tais esforços e mudanças permitiram transformar os museus em espaços mais acessíveis para a divulgação cultural e a busca pelo conhecimento. Muitos problemas ainda precisam ser superados, mas é possível perceber que as práticas oferecidas passaram a exercer um papel importante na educação e na formação cultural (MOURA, 2005, p. 2).

 

Essa inclusão dos museus no currículo educacional é vista como um esforço positivo, tornando-os mais acessíveis como espaços de divulgação cultural e busca de conhecimento. Embora ainda existam desafios a serem superados, como questões relacionadas à acessibilidade e ao financiamento, é evidente que as práticas educativas oferecidas pelos museus têm desempenhado um papel importante na educação e na formação cultural dos(as) discentes. Isso indica um reconhecimento crescente do valor das experiências culturais e artísticas fora da sala de aula, bem como do papel vital que os museus desempenham nesse contexto.

De acordo com Marandino (2001), algumas razões frequentemente mencionadas pelos(as) professores(as) para sugerir visitas a museus são: oferecer aos(as) discentes a oportunidade de vivenciar situações que não podem ser replicadas em sala de aula; permitir a aplicação prática da teoria aprendida; expor os(as) discentes a conhecimentos mais recentes; e considerar o museu como uma alternativa pedagógica devido à sua abordagem interdisciplinar ou à proximidade com a realidade cotidiana dos(as) discentes. No entanto, a autora observa que poucos(as) professores(as) têm como objetivo principal a ampliação do repertório cultural dos(as) discentes por meio dessas visitas.

Muitas vezes, a visita ao museu é planejada com o propósito específico de reforçar ou complementar os conteúdos ensinados em sala de aula. Os(as) professores(as) selecionam os museus e as exposições de acordo com a relevância dos temas abordados para as disciplinas em estudo. Dessa forma, a visita ao museu é vista como uma oportunidade de proporcionar aos(às) discentes uma experiência prática e concreta, relacionada aos conceitos teóricos aprendidos em sala de aula.

A escola e o museu possuem diferentes abordagens na concepção de ensino. Enquanto a escola segue referenciais do currículo formal, o museu não está estruturado conforme esses referenciais. No entanto, os programas educativos do museu podem incorporar alguns princípios dos currículos escolares, adaptando-os de acordo com a faixa etária dos(as) visitantes que pretendem receber.

[...] A escola apresenta aspectos particulares na concepção de ensino. O museu não se organiza por meio dos referenciais do currículo formal, embora programas educativos possam utilizar preceitos contidos nos parâmetros curriculares, considerando a faixa etária que pretendem abordar (TAVARES, 2014, p. 37).

 

A organização do museu, em si, não é determinada pelos mesmos padrões formais de ensino. Isso significa que, ao contrário da escola, onde o conteúdo e a abordagem de ensino são mais padronizados e direcionados pelos currículos, os museus têm mais flexibilidade para explorar uma variedade de temas e abordagens educacionais, que podem complementar, mas não necessariamente replicar, o que é ensinado em sala de aula.

Suas atividades incluem ações voltadas para o conhecimento, a valorização e a preservação do patrimônio cultural e histórico da região. Além disso, a instituição realiza pesquisas de salvamento, monitoramento e resgate de sítios arqueológicos no estado, visando proteger e documentar locais de importância histórica e cultural antes que sejam danificados ou destruídos. Veja as imagens 1 e 2 abaixo.

 


Imagem 1 Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho

Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa de campo.

 

 


Imagem 2 Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão

          Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa de campo.

 

Essa atuação abrange diversas atividades, desde estudos científicos até ações práticas de conservação e preservação do patrimônio maranhense. A Casa do Nhozinho possui uma coleção notável de itens relacionados ao cotidiano maranhense. Esses elementos representam a cultura, a história e as tradições locais, oferecendo aos visitantes uma visão abrangente e rica do modo de vida e das práticas cotidianas da população maranhense ao longo do tempo. Esses espaços culturais carregam uma bagagem de informações sobre a cultura maranhense, a política e os vestígios pré-históricos encontrados em nosso estado.

 


Imagem 3 – Casa de Nhozinho

Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa de campo.

 

Ensino de arte no museu: espaço de conhecimento

 

Na contemporaneidade, os museus estão a serviço da sociedade. Dessa forma, a função desses espaços é dinamizar as ações educativas, que devem ser organizadas de forma a envolver os diferentes públicos que os procuram. Esses espaços museais são importantes para o processo de ensino-aprendizagem em arte, visto que proporcionam o contato direto com obras de arte, objetos da cultura de determinada sociedade e fatos históricos relevantes para o conhecimento dos(as) discentes.

Partindo desse pressuposto, a arte na educação possibilita um olhar sensível, reflexivo e crítico ao se deparar com obras de arte expostas em museus ou centros culturais. De acordo com Barbosa (2012, p. 33), a arte na educação tem por finalidade permitir ao ser humano conhecer, apreciar e decodificar obras de arte, visto que “[...] uma sociedade só é artisticamente desenvolvida quando, ao lado de uma produção artística de alta qualidade, há também uma alta capacidade de entendimento dessa produção pelo público [...]”. Ou seja, a arte permite que uma sociedade se desenvolva culturalmente.

O ensino de arte, quando realizado dentro do espaço museal, não se restringe apenas à transmissão dos valores estéticos intrínsecos das obras; pelo contrário, está em consonância com as preferências cognitivas dos(as) discentes. Nessa perspectiva, a aprendizagem sofre influências que vão desde a beleza e a complexidade das obras até a maneira como os(as) discentes percebem e processam essas informações. Portanto, ao apreciar uma obra de arte nesses espaços, o apreciador terá acesso ao contexto histórico e cultural da sociedade na qual ela foi criada. Ou seja, o ensino da arte nos museus é uma prática que envolve a interseção entre valores estéticos, preferências cognitivas dos(as) discentes e as condições culturais da sociedade. Segundo Barbosa:

A arte, ensinada no contexto das coleções dos museus, reflete os valores estéticos intrínsecos das obras de arte e as preferências cognitivas dos alunos que estão nesse processo de aprendizagem. No entanto, a arte nos museus também reflete as condições culturais da sociedade. Ela proporciona um registro da civilização por meio da abordagem das ideias artísticas essenciais e das expressões que serviram para celebrar e continuar a refletir a alegria de viver. Aprender a compreender as ideias e aspirações de uma civilização, assim como reconhecer as ideias artísticas como uma das maiores contribuições para a sociedade, requer uma atuação ativa, e não passiva, em relação à arte (BARBOSA, 2012, p. 114).

 

O museu e os centros culturais são espaços que fomentam encontros entre sujeitos de diferentes tempos e lugares, criando oportunidades para experiências enriquecedoras e para a atribuição de significados ao mundo. Dessa forma, consideramos que esses espaços culturais são importantes para o ensino de arte, pois, segundo Barbosa (2009), os museus têm a função de laboratórios para o ensino de arte, funcionando como locais de observação e experimentação.

A arte tem enorme importância na mediação entre os seres humanos e o mundo, destacando o papel fundamental da arte-educação: ser a ponte entre a arte e o público (...). O espaço experimental dessa mediação é o museu (BARBOSA, 2009, p. 13).

 

O(a) arte/educador(a), tanto na escola quanto no museu, pode influenciar o desenvolvimento da experiência em arte de seus discentes, independentemente da inferência significativa do discente ou da escolha do(a) professor(a). Nessa perspectiva, Iavelberg (2003, p. 12) destaca que “[...] o professor deve conhecer a natureza dos processos de criação dos artistas, propiciando às (aos) estudantes oportunidades de edificar ideias próprias sobre arte.” Destarte, é importante que o conhecimento e a compreensão de outras culturas não se restrinjam apenas à arte local. Conhecer as manifestações culturais de outros povos contribui para uma visão ampla e um repertório enriquecido de informações. Sendo assim, “[...] a experiência ocorre continuamente, porque a interação do ser vivo com as condições ambientais está envolvida no próprio processo de viver” (DEWEY, 2010, p. 109).

Nessa perspectiva, entendemos que a experiência não se restringe à individualidade; pelo contrário, há uma contínua interação com o meio social. A experiência é compreendida como “[...] uma questão de interação do organismo com o seu meio, um meio que é tanto humano quanto físico” (DEWEY, 2010, p. 430).

A mediação do(a) arte-educador(a) nas exposições é um processo importante para a construção do conhecimento e da apreciação artística. O processo de interação possibilita uma melhor compreensão das obras expostas, enriquecendo a experiência do público. Segundo Iavelberg e Grinspum:

As exposições são, em si, um ambiente de aprendizagem, no qual é possível conhecer as intenções curatoriais, as narrativas construídas e os percursos planejados. O aluno precisa ser informado sobre os fatos e ações contidos na montagem de uma exposição, bem como sobre o tipo de ordenação que pode vivenciar durante a visita (IAVELBERG; GRINSPUM, 2014, p. 5).

O(a) arte/educador(a) atua como um facilitador do diálogo entre a obra e o espectador, promovendo uma reflexão crítica e pessoal. Esse papel é crucial para democratizar o acesso à arte e incentivar a formação de um público mais informado e engajado. Dessa maneira, consideramos relevante a leitura visual de obras de arte nos espaços de educação não formal, pois, segundo Barbosa (2006), o indivíduo entra em contato com a obra de arte e pode compreender o que ela está querendo transmitir, favorecendo o desenvolvimento de sua experiência com as artes. Dessa forma, o(a) arte-educador(a) tem a função de mediar os(as) discentes na compreensão e leitura de obras de arte.

Nesse sentido, ressalta-se que o arte-educador, na escola, também deve planejar levar os alunos a museus e outros espaços expositivos. Isso permitirá, evidentemente, que os estudantes tenham experiências de leitura de imagens a partir de obras originais, vivenciem um verdadeiro encontro com a arte e ampliem seus repertórios de conhecimento [...] (BARBOSA, 2006, p. 150).

 

Essa concepção de leitura de imagem está atrelada à Abordagem Triangular, que diz respeito ao processo de interpretação de uma imagem e à contextualização a partir da mediação do(a) arte/educador(a) e de outros profissionais de museus. Todavia, o fazer artístico não é desenvolvido com frequência, principalmente em museus que não dispõem de espaço físico para essa atividade.

O ensino de arte em museus desempenha um papel crucial na educação formal e informal, proporcionando um ambiente único para a aprendizagem imersiva. Os museus oferecem oportunidades de contato direto com obras de arte, permitindo uma compreensão aprofundada das técnicas, dos contextos históricos e culturais. Portanto, a integração do ensino de arte nos museus é essencial para uma educação abrangente e significativa.

 

Metodologia

 

A pesquisa, de natureza exploratória e qualitativa, utiliza-se do relato de experiência para compreender a vivência dos discentes em uma exposição nos principais museus do centro histórico de São Luís do Maranhão. Fundamenta-se em uma revisão bibliográfica, pois, conforme Gil (2010, p. 50), “a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”. Marconi e Lakatos (2010) destacam que essa abordagem amplia a compreensão do objeto de estudo, fornecendo dados atuais e relevantes. 

O relato de experiência, utilizado como metodologia, é um tipo de narrativa que descreve eventos vividos com validade científica. Segundo Grollmus e Tarrés (2015), essa abordagem busca não apenas descrever os acontecimentos, mas também transmitir sua essência e impacto, favorecendo uma compreensão mais significativa. 

A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, pois visa analisar fenômenos sociais e estimular a reflexão dos participantes. Como afirmam Marconi e Lakatos (2010), esse método destaca que a abordagem qualitativa permite uma análise aprofundada dos fenômenos investigados, possibilitando uma compreensão mais rica sobre os hábitos, atitudes e tendências de comportamento dos indivíduos ou grupos estudados.

Quanto aos objetivos da pesquisa, ela foi exploratória e descritiva, na medida em que envolveu pesquisa bibliográfica, conversa com pessoas diretamente relacionadas ao tema e descrição dos fatos. De acordo com Gil (2019), a pesquisa exploratória proporciona maior familiaridade com o problema, permitindo o levantamento bibliográfico e entrevistas com pessoas experientes no assunto. Já a pesquisa descritiva tem como objetivo descrever as características de determinadas populações ou fenômenos.

A pesquisa foi realizada com discentes da Escola Municipal Júlia Fonseca Barbosa, localizada em Matões do Norte, no Estado do Maranhão. Os instrumentos de coleta de dados utilizados foram entrevistas semiestruturadas, que, de acordo com Marconi e Lakatos (2010), permitem ao entrevistado fornecer as informações necessárias de forma verbal. Tal técnica é um dos principais instrumentos usados nas pesquisas em ciências sociais. Dessa forma, participaram da visita aos museus 30 discentes de diferentes séries/anos do ensino fundamental – anos finais –, sendo selecionados para a entrevista 15% do total, o que corresponde a quatro discentes.

Dessa forma, elaboramos os seguintes questionamentos para subsidiar a pesquisa em questão: Você acredita que pode haver aprendizagem ao visitar os museus de São Luís? Por quê? Qual foi a exposição mais cativante que você viu durante sua visita aos museus? Você acredita que a arte e as manifestações culturais expostas no museu refletem aspectos importantes da sociedade e da cultura?

A forma de análise que utilizamos foi a construção de quadros com as respostas dos(as) sujeitos(as) selecionados(as) para o estudo, dentro da perspectiva qualitativa das ciências sociais, a qual defende a necessidade da interpretação dos dados pelo(a) pesquisador(a). Isso porque, na pesquisa qualitativa, "a preocupação do pesquisador não é com a representatividade numérica do grupo pesquisado, mas com o aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização, de uma instituição, de uma trajetória [...]" (GOLDENBERG, 2004, p. 14).

Sendo assim, o foco da pesquisa qualitativa não está na obtenção de dados numéricos representativos de um grupo, mas sim na compreensão aprofundada de fenômenos sociais, como grupos sociais, organizações, instituições ou trajetórias individuais. Em vez de buscar generalizações estatísticas baseadas em amostras representativas, os pesquisadores qualitativos se concentram em entender as nuances, os contextos e os significados subjacentes aos fenômenos estudados.

Isso muitas vezes é feito por meio de técnicas como entrevistas em profundidade, observação participante e análise de documentos, permitindo uma compreensão rica e holística do objeto de estudo. Essa abordagem qualitativa é especialmente útil quando se trata de explorar questões complexas, subjetivas ou pouco compreendidas, pois permite aos pesquisadores capturar a riqueza e a diversidade das experiências humanas.

 

Resultados e discussão

 

Antes de desenvolvermos a interpretação dos dados, consideramos importante descrever os perfis dos(as) entrevistados(as). Ressaltamos que não revelamos seus nomes verdadeiros, optando por nomes fictícios para garantir o direito ao anonimato, em conformidade com princípios éticos de pesquisa. Todos(as) os(as) participantes cursam o ensino fundamental – anos finais – e têm entre 12 e 15 anos. Dessa forma, o estudante 1 tem 11 anos e cursava o 6º ano, a estudante 2 tem 13 anos e estudava no 7º ano, a estudante 3 frequentava o 8º ano e tinha 14 anos, e o estudante 4, também com 14 anos, estava no 9º ano. Iniciamos nossa entrevista perguntando aos(às) discentes: “Você acredita que pode haver aprendizagem ao visitar os museus de São Luís? Por quê?”.

Quadro 1 respostas dos sujeitos(as) da pesquisa

Sujeitos(as)

Respostas

Discente 1

Com certeza, visitar os museus de São Luís faz com que nós aprendemos mais, olhei várias coisas que me chamou atenção, como a história, a cultura do nosso estado.

Discente 2

Sem dúvida. Os museus que visitei oferecem uma experiência educativa enriquecedora. A peças das vitrines são interessantes presenciei diferentes culturas, religiões dos africanos, e costumes dos povos, isso chamou muita a minha atenção, estou aprendendo muita coisa, os museus estão de parabéns pela organização.

Discente 3

Com certeza. Os museus que visitamos são verdadeiros tesouros de conhecimento e cultura. Ao conhecermos esses espaços, nós tivemos a oportunidade de aprender sobre a história e cultura do nosso Maranhão.

Discente 4

Sim, os museus que visitamos oferecem uma oportunidade única de aprendizado. Cada museu que conheci apresenta sua história, cultura e tradição desse o passado até os dias atuais. Fiquei muito encantado em conhecer várias coisas, como a vida dos maranhenses e as manifestações culturais populares, é uma oportunidade importante de aprendizado.

Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa de campo.

 

De acordo com as respostas dos(as) discentes, percebemos que todos(as) consideram que, ao visitar os museus, o processo de aprendizagem se torna efetivo. Cada um(a) trouxe suas experiências ao frequentar esses espaços educativos, destacando a aprendizagem sobre a cultura local ou regional, os costumes dos povos, a história e as diferentes religiões de matriz africana. O processo de aprendizagem em museus, na perspectiva de uma educação não formal, traz em seu cerne uma dinamicidade, na qual os(as) discentes se envolvem ativamente, adquirindo conhecimentos e compreensões a partir dos temas abordados nesses espaços. De acordo com Gohn:

A educação não formal pode ser definida como aquela que proporciona a aprendizagem de conteúdos da escolarização formal em espaços como museus, centros de ciências ou qualquer outro ambiente em que as atividades sejam desenvolvidas de forma bem direcionada, com um objetivo definido (GOHN, 2008, p. 98).

 

Diferentemente do que ocorre no ambiente tradicional da sala de aula, os museus, enquanto espaços educativos, permitem aos visitantes explorar, por meio da interatividade e dinamicidade de seus objetos, despertando a curiosidade e a necessidade de compreender a temática exposta.

Esses espaços permitem aos visitantes estimular seus sentidos e promover uma reflexão crítica, envolvendo-se ativamente com os objetos e as exposições apresentadas. A aprendizagem em museus não se limita à transmissão passiva de informações, mas busca criar experiências significativas que inspirem a curiosidade, o questionamento e a descoberta. Como nos lembra Bittencourt:

A potencialidade de um trabalho com objetos transformados em documentos reside na inversão de um “olhar de curiosidade” sobre as “peças de museu” — que, na maioria das vezes, são expostas pelo seu valor estético e despertam o imaginário de crianças, jovens e adultos sobre um “passado ultrapassado” ou “mais atrasado” — para um “olhar de indagação”, de informação, capaz de ampliar o conhecimento sobre os seres humanos e sua história (BITTENCOURT, 2008, p. 355).

 

Com uma exposição organizada e elaborada, programa e atividades interativas que permite uma aproximação do público de forma ativa, os museus tornam-se espaços de fascínio, onde possibilita explorar uma ampla gama de tópicos, desde a história, cultura, arte e tecnologia. Além disso, ao proporcionar um ambiente imersivo e autêntico, os museus incentivam a aprendizagem autodirigida e a construção de conhecimentos por meio da exploração pessoal. Sobre aprendizagem autodirigida, Knowles et. al, destaca que é:

Processo de aprendizagem autônoma no qual o indivíduo assume a responsabilidade por sua própria jornada educacional. Isso inclui iniciar o processo por conta própria ou com assistência externa, reconhecer suas necessidades de aprendizagem e identificar os recursos necessários. Além disso, envolve a seleção e implementação de estratégias adequadas para atender a essas necessidades, bem como a avaliação dos resultados alcançados ao longo do processo. Trata-se de um ciclo em que a pessoa é proativa e participa ativamente de todas as etapas da aprendizagem, desde o início até a avaliação final dos resultados (KNOWLES et. al, 2011, s/p).

 

Assim, a aprendizagem em museus na perspectiva da educação não formal coloca em xeque as abordagens tradicionais de ensino, oferecendo uma maneira inovadora e enriquecedora de aprender e compreender o mundo ao nosso redor. Em continuidade à entrevista perguntamos aos/as entrevistados/as, ‘qual foi a exposição mais cativante que você viu durante sua visita aos museus?’ Vejamos suas respostas:

 

Quadro 2 – respostas dos sujeitos(as) da pesquisa

Sujeitos(as)

Respostas

Discente 1

A exposição que mais me chamou atenção foi os tipos de embarcações que existem no Maranhão, no museu ‘Casa de Nhozinho’. Muito interessante aqueles formatos de barcos. E dos dinossauros, olhei alguns fosseis e ovos petrificados, além de um crânio e objetos dos índios.

Discente 2

Gostei de todas as exposições que estavam no museu, mas o que me chamou bastante atenção foi a vitrine do tambor de crioula, aquelas roupas, aqueles instrumentos feitos de tronco de árvore, representa bastante a nossa cultura.

Discente 3

Achei muito interessante o Palácio dos Leões, aquelas pinturas antigas, o piano, a tapeçaria, aquelas xicaras bem finas, tudo isso me chamou bastante atenção, e é o lugar onde o nosso Governador Carlos Brandão mora né! Muito bacana tudo aquilo, aprendi muitas coisas.

Discente 4

Gostei das vitrines das religiões de matriz africana, a guia soube explicar direitinho o que cada religião tem, gostei das fotos antigas, dos colares, das imagens dos santos, da festa do divino, das festas natalinas, bumba meu boi, toda exposição me chamou bastante atenção. Gostei demais!

                                   Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa de campo

 

Os(as) discentes trouxeram suas impressões ao visitar diferentes museus do Centro Histórico de São Luís, cada um com características marcantes desses espaços de educação não-formal. Percebemos que a discente 4, salientou acerca da importância da contribuição da mediadora cultural em explicar o acervo durante a visitação. O processo de mediação com o público em museus e até mesmo em exposições é instrumentalizado como forma de aproximação e explicação de determinado acervo.

No Brasil, a mediação humana é amplamente utilizada nas instituições museais. As atividades educativas desenvolvidas nesses espaços são geralmente otimizadas quando os mediadores assumem um papel central nos processos de educação e comunicação com o público (BIZERRA; MARANDINO, 2011, p. 2).

 

Esse processo de mediação é de suma importância para que os(as) discentes possam compreender a dinâmica do museu assim como a exposição na qual estão imersos. Questionamentos, indagações para a mediadora cultural foram fundamentais, para o processo de aprendizagem desses(as) discentes Franz afirma que:

O papel do guia, seja ele um profissional do museu ou um professor, é mediar a observação para que ela seja aproveitada ao máximo. Diante de obras de arte, mais do que fornecer respostas, ele deve ensinar a formular boas perguntas, a problematizar e a levar o aluno a mobilizar seu próprio potencial em torno da obra apresentada (FRANZ, 2001, p. 53).

 

Outro fato destacado pela discente 4 foi sua aproximação com artefatos das religiões de matriz africana e de afirmar que as influências culturais são evidenciadas nas exposições museais e, que as tradições ancestrais da cultura negra se fazem presente em toda exposição do Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, convidando os(as) visitantes a participar de uma jornada fascinante através de elementos que permeiam as religiões afro-maranhenses como o Tambor de Mina, o Terecô e a Pajelança.

O museu é apenas um dos que trazem a religiosidade africana em seus acervos, mas se destaca por incorporar, em sua metodologia de exposição, a religiosidade de matriz africana como um símbolo legítimo da construção do patrimônio cultural do estado. Ele reconhece seus reais sentidos e significados, considerando seu caráter de expressão religiosa, assim como as demais que compõem o universo de vertentes religiosas maranhenses (NUNES; JESUS, 2019, p. 10).

 

Finalizando a entrevista, perguntamos aos(as) discentes se ‘a arte e as manifestações culturais expostas nos museus refletem aspectos importantes da sociedade e da cultura?’. Vejamos as respostas:

 

Quadro 3 – respostas dos sujeitos(as) da pesquisa

Sujeitos(as)

Respostas

Discente 1

Sim. A arte e as manifestações culturais nos museus atuam como

testemunhas vivas da história e da diversidade humana.

 

Discente 2

Sim. A arte e as manifestações culturais encontradas nos museus não apenas refletem aspectos importantes da sociedade e da cultura, mas também desempenham um papel crucial na construção e na transmissão da identidade cultural de um povo.

Discente 3

Sim, definitivamente. A arte e as manifestações culturais presentes nos museus são reflexos da sociedade e da cultura em que foram criadas.

Discente 4

Com certeza. A arte e as manifestações culturais em museus servem frequentemente como espelhos da sociedade, capturando não apenas a estética de uma época, mas também suas preocupações, mudanças, ideias e conflitos.

Fonte: Elaborado pelo autor da pesquisa de campo.

 

Ao analisar as respostas dos(as) discentes, percebemos que há uma conexão com a maioria das respostas, pois possuem uma conexão em que os objetos e as manifestações culturais encontradas nas exposições de museus narram o cotidiano da sociedade. Esta observação sugere que os artefatos e obras de arte em exibição não são apenas peças isoladas, mas sim reflexos de contextos sociais mais amplos. Dessa forma, os museus atuam como espaços de interpretação e reflexão sobre a cultura e a história de uma comunidade ou civilização.

[...] Os museus são reconhecidos por sua capacidade de transformar significados e funções, por sua aptidão para se adaptar aos condicionamentos históricos e sociais e por sua vocação para a mediação cultural. Eles resultam de gestos criadores que unem o simbólico e o material, o sensível e o inteligível. Por isso, a metáfora da ponte lhes é adequada, pois conectam tempos, espaços, indivíduos, grupos sociais e culturas distintas; uma ponte construída com imagens e que tem no imaginário um lugar de destaque (NASCIMENTO; CHAGAS, 2008, p. 59).

 

Por meio das exposições, os(as) visitantes podem compreender melhor não apenas os aspectos tangíveis da sociedade, mas também os valores, crenças e dinâmicas sociais que configuram a vida das pessoas. Sobre o museu, Alamandrade (2007, a/p) destaca que “[...] tem um papel cultural importante, além de abrigar os registros do tempo, é um veículo a serviço do conhecimento e da informação que contribui para o desenvolvimento da sociedade”.

A conexão entre objetos culturais e narrativas sociais é essencial para a compreensão profunda do passado e do presente de uma sociedade. Além disso, demonstra a importância dos museus como guardiões e intérpretes da herança cultural de uma comunidade. Portanto, as exposições museológicas não são meramente coleções de objetos, mas sim janelas para se compreender a complexidade e a riqueza das sociedades humanas ao longo do tempo.

A articulação entre a visita ao museu e a sala de aula foi realizada de maneira planejada e integrada, visando potencializar a aprendizagem dos(as) discentes. Antes da visita, os temas e conteúdos abordados nos museus foram discutidos em sala de aula, preparando-os(as) para a experiência. Durante a visita, houve a oportunidade de observar e analisar as obras de arte e exposições, relacionando-as com o conteúdo previamente estudado em sala de aula.

Após a visita, os conteúdos foram retomados e aprofundados por meio de atividades de reflexão e discussão, visando conectar a experiência vivenciada no museu com as teorias e conceitos explorados no currículo escolar. Essa abordagem garantiu uma experiência educativa mais rica, estimulando o pensamento crítico e a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos.

 

Considerações finais

A experiência dos(as) discentes da Escola Municipal Júlia Fonseca Barbosa nos museus foi enriquecedora, pois, ao adentrarem esses espaços, transcenderam as páginas dos livros didáticos e vivenciaram a história e a cultura maranhense de forma tangível. Durante a visitação, percebemos que a interação dos(as) discentes com os objetos expostos despertou curiosidade, promovendo interesse e possibilitando um aprendizado mais significativo. 

Os espaços museais, por serem ambientes reflexivos, permitiram uma análise e discussão crítica mais aprofundada em sala de aula após a visitação. Podemos inferir que a experiência nesses espaços culturais (museus) enriqueceu o currículo escolar, contribuindo para o desenvolvimento integral dos(as) discentes. A visitação não apenas ampliou o repertório de conhecimento histórico e cultural, mas também estimulou habilidades importantes, como observação, análise e síntese, fundamentais para a formação de cidadãos críticos e conscientes.

Além disso, os(as) discentes tiveram a oportunidade de conhecer e explorar diferentes manifestações da cultura popular maranhense e outros artefatos da história mundial, uma experiência única para a maioria, já que muitos nunca haviam visitado um museu. Por meio dessa vivência, puderam compreender a complexidade das diferentes manifestações culturais e refletir sobre suas semelhanças e diferenças. 

O museu estimula a criatividade dos visitantes, inspirando-os a explorar suas próprias expressões artísticas e culturais. Dessa forma, a experiência museal não apenas ampliou o conhecimento dos(as) discentes, mas também pode torná-los(as) cidadãos(ãs) mais conscientes e apreciativos da diversidade cultural.

 

Referências

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[1] Doutor em Educação pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Mestre em Educação: Gestão de Ensino da Educação Básica pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Graduado em Educação Artística/ Artes Plásticas (UFMA), Pedagogia Centro Universitário Internacional (UNINTER) e Museologia pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci (UNIASSELVI). É professor adjunto do curso de Ciências Humanas/ Geografia campus Grajaú/ UFMA. É líder do Grupo de Estudo e Pesquisa em Arte, Cultura e Educação das Relações Étnico-Raciais (GEPACERER/ UFMA). Desenvolve pesquisas nas áreas de religiões de matriz africana, formação de professores/as, educação das relações étnico-raciais, gênero e sexualidade, arte/educação, cultura popular maranhense, educação museal e patrimonial.  Orcid: https://orcid.org/0000-0002-9309-3175. E-mail: luis.felix@ufma.br.