Prevalência de presenteísmo em professores de escolas estaduais do programa escola em tempo integral

Prevalence of presenteism among state school teachers in the full-time school program

 

Prevalencia del presentismo entre docentes de escuelas públicas en el programa de escuela de tiempo completo

 

Márcia Regina Almeida https://lh7-us.googleusercontent.com/h9Ojv87ptVEgwx8PXehJNWB6RbeDlpXgP9wEPNuQgEiN1MWZqOYypeCQ59qJzbAdKq2NWcCoCxu9ig7Uxj9DQGeZQd62p5GHyOeol1sBa83pp3fhKd6TWJ4p1GJxaptf9Bd5r7OgGMw4FOSfvYdyTA

Universidade Estadual Paulista, São Paulo – SP, Brasil.

marcia.almeida@unesp.br

 

Maria Luiza Gava Schmidt https://lh7-us.googleusercontent.com/h9Ojv87ptVEgwx8PXehJNWB6RbeDlpXgP9wEPNuQgEiN1MWZqOYypeCQ59qJzbAdKq2NWcCoCxu9ig7Uxj9DQGeZQd62p5GHyOeol1sBa83pp3fhKd6TWJ4p1GJxaptf9Bd5r7OgGMw4FOSfvYdyTA

Universidade Estadual Paulista, São Paulo – SP, Brasil.

maria.lg.schmidt@unesp.br

 

Antônio Alves Filho https://lh7-us.googleusercontent.com/h9Ojv87ptVEgwx8PXehJNWB6RbeDlpXgP9wEPNuQgEiN1MWZqOYypeCQ59qJzbAdKq2NWcCoCxu9ig7Uxj9DQGeZQd62p5GHyOeol1sBa83pp3fhKd6TWJ4p1GJxaptf9Bd5r7OgGMw4FOSfvYdyTA

Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal – RN, Brasil.

antonioalvesfil@gmail.com

                   

Catia Cândida Almeida https://lh7-us.googleusercontent.com/h9Ojv87ptVEgwx8PXehJNWB6RbeDlpXgP9wEPNuQgEiN1MWZqOYypeCQ59qJzbAdKq2NWcCoCxu9ig7Uxj9DQGeZQd62p5GHyOeol1sBa83pp3fhKd6TWJ4p1GJxaptf9Bd5r7OgGMw4FOSfvYdyTA

Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis, Penápolis - SP, Brasil

caticandida@gmail.com

 

Recebido em 05 de novembro de 2026

Aprovado em 30 de março de 2026

Publicado em 06 de abril de 2026

 

RESUMO

Trata-se de um estudo quantitativo, transversal, exploratório-descritivo, de amostragem por conveniência que teve como objetivo identificar a prevalência do presenteísmo em professores que atuam em Escola de Tempo Integral (ETI). O presenteísmo se caracteriza pela presença de trabalhadores no trabalho embora esteja sentindo-se mal ou adoecido. Como instrumentos foram utilizados o Stanford Presenteeism Scale (SPS-6) e um Questionário Sociodemográfico e Ocupacional construído especialmente para este estudo. A coleta de dados foi realizada nas dependências das cinco escolas localizadas em um município do interior do estado de São Paulo. Do total estimado de 135 professores(as), participaram 117. O perfil da amostra revela predominância de professoras mulheres (79,50%), professores que estão na faixa etária entre 41 e 50 anos (38,30%), casados (47,0%). 41,9 % estão na função de professor(a) há mais de 20 anos, 28,2% trabalham na instituição de ensino entre 2 a menos de 10 anos e estão em função na Escola de Período Integral entre 2 a menos de 5 anos. Os resultados da SPS-6, revelaram 52 (44,4%) da amostra com frequência de respostas de ordem psicológica: capacidade de concentração não mantida e interferências na capacidade de finalização no trabalho. Os resultados alertam para necessidade de ações a preventivas e promotoras de saúde nessa categoria profissional.

Palavras-chave: Professores; Presenteísmo; Saúde mental no trabalho.

 

ABSTRACT

This is a quantitative, cross-sectional, exploratory-descriptive study with convenience sampling, aimed at identifying the prevalence of presenteeism among teachers working in Full-Time Schools. Presenteeism is characterized by the worker's presence at work despite feeling unwell or being ill. The instruments used were the Stanford Presenteeism Scale (SPS-6) and a Sociodemographic and Occupational Questionnaire specially designed for this study. Data collection was carried out on the premises of five schools located in a municipality in the interior of the state of São Paulo. Out of an estimated total of 135 teachers, 117 participated. The sample profile reveals a predominance of female teachers (79.5%), teachers aged between 41 and 50 years (38.3%), and married individuals (47.0%). A total of 41.9% have been working as teachers for over 20 years, 28.2% have been employed at the institution for between 2 and less than 10 years, and have held positions in Full-Time Schools for between 2 and less than 5 years. The results of the SPS-6 revealed that 52 participants (44.4%) reported psychological-related responses: inability to maintain concentration and interference in task completion at work. These results highlight the need for preventive and health-promoting actions within this professional category.

Keywords: Teachers; Presenteeism; Mental health at work.

 

RESUMEN

Se trata de un estudio cuantitativo, transversal, exploratorio-descriptivo, con muestreo por conveniencia, cuyo objetivo fue identificar la prevalencia del presentismo en docentes que trabajan en Escuelas de Tiempo Completo. El presentismo se caracteriza por la presencia del trabajador/a en el lugar de trabajo aunque se sienta mal o esté enfermo/a. Como instrumentos se utilizaron la Escala de Presentismo de Stanford (SPS-6) y un Cuestionario Sociodemográfico y Ocupacional elaborado especialmente para este estudio. La recolección de datos se realizó en las instalaciones de cinco escuelas ubicadas en un municipio del interior del estado de São Paulo. Del total estimado de 135 docentes, participaron 117. El perfil de la muestra revela una predominancia de docentes mujeres (79,5%), docentes en el rango de edad entre 41 y 50 años (38,3%) y casados/as (47,0%). El 41,9% ejerce la función docente desde hace más de 20 años, el 28,2% trabaja en la institución educativa entre 2 y menos de 10 años y ocupa funciones en la Escuela de Jornada Completa entre 2 y menos de 5 años. Los resultados del SPS-6 revelaron que 52 participantes (44,4%) presentaron respuestas relacionadas con aspectos psicológicos: dificultad para mantener la concentración e interferencias en la capacidad de finalizar tareas laborales. Los resultados alertan sobre la necesidad de implementar acciones preventivas y de promoción de la salud en esta categoría profesional.

Palabras clave: Docentes; Presentismo; Salud mental en el trabajo.

 

Introdução

De acordo com Paschoalin (2020), o termo presenteísmo diz respeito à presença do trabalhador em seu ambiente laboral, mas que, por circunstâncias físicas ou mentais, não consegue desenvolver plenamente sua função. O sujeito não se conecta de forma significativa com seu trabalho, o que pode levar ao adoecimento tanto dele como da equipe que acaba se desgastando, interferindo, dessa forma, na qualidade do trabalho. Vale lembrar que ainda pode produzir impactos na vida profissional e social dessas pessoas.

O presenteísta pode custar muito mais à instituição do que aquele que se ausentou e se restabeleceu. Com a falta, seja por problemas de saúde, seja de concentração, não há rendimento em um dia de trabalho; todavia, quando o trabalhador produz alguns dias de maneira inferior às suas condições, as perdas podem ser parcialmente maiores. Vale lembrar que em circunstâncias de trabalhos cognitivos, ou seja, que implicam envolvimento intelectual, emocional e comportamental, se torna mais obscuro mensurar com precisão tais perdas. No presenteísmo, as pessoas, ainda que estejam presentes ao trabalho, permanecem com seus pensamentos, sentimentos e ação alheios a ele, ou seja, não estão focadas em suas atividades laborais. Sintomas como cansaço e falta de motivação levam o profissional à desconexão com sua função (Koopman et al., 2002).

Identificar o presenteísmo não constitui uma tarefa fácil, conforme ressaltam Pérez- Nebra et al. (2020), especialmente em relação a trabalhos cognitivos, que dificultam aferir as perdas de forma objetiva. Além de ser um tema recente, inaugurado por Hemp (2004), o presenteísmo não apresenta manifestações claras, e fatores como medo da perda do emprego, afastamento temporário e até mesmo tarja de enfermo que o trabalhador pode receber, entre outros, limitam essas pessoas e as impedem de recorrer a ajuda (Pérez-Nebra; Queiroga; Oliveira, 2020).

Segundo Pie et al. (2020), o presenteísmo apresenta caracterizações diversificadas, o que torna difícil mensurar as consequências e definir estratégias de abordagem do assunto. O termo tanto pode significar comparecer ao posto de trabalho, mesmo quando se apresenta algum mal-estar, que justificaria faltar, menos empenhado na produtividade e no compromisso com a instituição e com os colegas ou clientes; ou comparecer ao local de trabalho distraído ou desconcentrado, por problemas pessoais ou familiares ou insatisfação com a equipe de gestão (Porto; Almeida; Teixeira, 2005). Além disso, também é possível que esse fenômeno ocorra por medo de ser despedido; por incentivo das chefias; para cumprir exigências; para se mostrar doente e justificar falta depois; e comparecer mesmo que doente por ter faltado antes, entre várias outras circunstâncias que serão abordadas ao longo desta dissertação.

Nesse mesmo sentido, Shimabuku, Mendonça e Fidelis (2017) ressaltam que a literatura sobre presenteísmo é relativamente nova e heterogênea. Os primeiros estudos são da década de 1950, porém somente a partir de 1990 o tema ganhou relevância no meio acadêmico. Desenhando o panorama da atualidade a respeito da associação entre os aspectos psicossociais do trabalho e o presenteísmo, os autores notam forte relação entre demandas, administração e suporte social no trabalho e o presenteísmo, de maneira que as altas necessidades de trabalho estão relacionadas positivamente ao presenteísmo. Porém, ainda há lacunas sobre o conhecimento científico desse campo de estudo, consequente da insuficiência de produções nacionais e internacionais sobre os precedentes do presenteísmo, razão por que há uma ampla esfera de estudo a ser realizado acerca desse tema (Shimabuku; Mendonça; Fidelis, 2017).

          Portanto, o fenômeno que acomete a saúde dos trabalhadores é relativamente novo. De acordo com Garcia (2021), o significado do presenteísmo vai além de o trabalhador estar presente no ambiente laboral sem condições integrais de saúde física e mental. Vivências internas e externa integram a cultura do trabalhador, especialmente quando se trata dos professores. A autora discorre que a educação participa da vida do ser humano desde o nascimento e o acompanha por toda sua vida. Ademais, conduz as pessoas em determinado grupo social, promovendo o crescimento individual e social. A sala de aula é o local onde ele utiliza seus conhecimentos, encoraja o aluno, dialoga e compartilha e amplia as competências e habilidades próprias de cada área. Esse ambiente, eventualmente, pode se tornar doentio ou insalubre se contarmos com as várias situações que o professor experiencia tanto na esfera profissional quanto na pessoal.

Com o objetivo de produzir informações sobre as características demográficas, da escola e da rede de ensino, bem como a situação de saúde de professores da educação básica do Brasil, Assunção e Abreu (2019) entrevistaram 6.510 professores de todo o país. Os autores perceberam a dificuldade desses profissionais para comparecer ao trabalho, embora se sentissem mal. Cinquenta e cinco por cento dos respondentes disseram que, mesmo quando estavam com dor ou qualquer outro problema de saúde, iam para a escola.

Isso faz parte de um fenômeno bem descrito na literatura atual – presenteísmo –, reconhecidamente relacionado a um estado de saúde ruim e com impactos negativos ao coletivo de trabalhadores, assim como aos objetivos das instituições. Problemas relacionados à infraestrutura, à exposição ao ruído e às vivências de indisciplina na sala de aula foram fatores relevantes para compreender o quadro de adoecimento dos professores e sua influência sobre a assiduidade nesse estudo.

Contribuindo com nosso tema, o estudo da bibliografia a respeito de produção de estresse no contexto laboral chegou à conclusão de que na sociedade atual, caracterizada por um ritmo acelerado e intenso, o estresse surge como símbolo cultural que leva os trabalhadores a normalizarem a questão quanto a sentirem incerteza com relação ao futuro. Esse quadro aparece como uma causa precursora, principalmente do presenteísmo e do burnout (Laranjeira, 2009).

Em um estudo de caso desenvolvido por Carloto et al. (2019), identificou-se entre os professores, associação entre o presenteísmo com o desejo em abandonar a carreira, o esforço e o excesso de comprometimento. Dados muito relevantes foram concluídos: 76% dos professores pesquisados são presenteístas e 36,7% dos docentes são absenteístas em torno de 1 a 3 dias durante o ano e apenas 10% dos professores faltaram mais de 4 dias durante o referido ano.

Outra pesquisa que coaduna com as proposições desse tema é a de Costa et al. (2021). Os autores declaram que o presenteísmo é um problema cada vez mais consciencializado. É o comparecimento do trabalhador ao trabalho, mesmo estando doente, ou seja, não consegue cumprir todas as suas tarefas ou não as executa de forma integral e adequada. Porém, o presenteísmo se configura como um acontecimento complexo, e não apenas como oposto do absenteísmo.

Na percepção de Camargo (2017), o presenteísmo representa risco tanto à saúde do trabalhador quanto à da organização. Ao comparecer doente ao trabalho, o sujeito não consegue se dedicar de forma integral aos cuidados necessários à sua saúde física ou psicológica, ao passo que para a organização pode representar uma perda de até 30% da produtividade do trabalhador. As doenças mais comuns que acometem os profissionais que comparecem ao trabalho são: dores de cabeça, costas e musculares; gripe ou problemas respiratórios; distúrbios gastrointestinais; mal-estar relacionado a doenças crônicas diagnosticadas ou não; fadiga, estresse e burnout; depressão, ansiedade, distúrbios do sono; e outras (Camargo, 2017).

Ampliando as elucidações acerca do presenteísmo, políticas institucionais e seus desdobramentos na saúde do docente, emergem questões como: estresse decorrente da acentuação do ritmo do trabalho; e carga excessiva das tarefas as quais, muitas vezes, ultrapassam as 44 horas de magistério na sala de aula, além das tarefas extraclasse, do trabalho doméstico e dos cuidados com os filhos, questões essas que atingem, prioritariamente, as professoras. O assunto é de extrema gravidade e complexidade, uma vez que lida com o futuro das pessoas e da sociedade, além do fato de que o presenteísmo implica consequências à vida social e familiar dos sujeitos (Altoé, 2010).

Mediante concepções expostas, este estudo teve com o objetivo identificar a prevalência de presenteísmo em professores que atuam em Escola de Tempo Integral (ETI), a fim de contribuir para o campo de conhecimento da saúde do trabalhador, especialmente sobre o preseteísmo enquanto um fenômeno que precisa ser melhor compreendido.

Método

Trata-se de uma pesquisa de abordagem quantitativa, transversal, de caráter descritivo e exploratório de amostragem por conveniência.

Local de coleta de dados

A coleta de dados foi realizada nas dependências de cinco escolas de tempo Integral, localizadas em um município do interior do estado de São Paulo que possui a população de cerca de 101.409 ativos.

A Escola de Tempo Integral (ETI), idealizada por Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro, foi instituída pelo Governo Federal do Brasil por meio dos artigos 24 e 34 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) (Lei nº 9.394/96). Inaugurada a jornada de tempo integral no ensino fundamental, a mesma deveria ser totalmente concluída no prazo de até cinco anos (Brasil, 1996). Em 6 de dezembro de 2019, a Portaria nº 2.116 estabeleceu novas diretrizes, novos parâmetros e critérios para o Programa de Fomento às Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral (EMTI), em conformidade com a Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017. Assim esclarece o artigo 1º da Portaria:

 

Fica instituído o Programa de Fomento às Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral - EMTI, em conformidade com as diretrizes dispostas nos arts. 13 ao 17 da Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017, com vistas a apoiar a implementação da proposta pedagógica de tempo integral em escolas de ensino médio das redes públicas dos estados e do Distrito Federal. (Brasil, 2019)

 

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo oficializou a entrada de 261 novas escolas na ETI para o ano letivo de 2023. Até o início da atual gestão, o estado contava com 364 unidades em atividade em tempo integral (6% da rede) e agora serão 2.311 (44% da rede).

A educação integral, de acordo com a proposta efetivada pelo MEC, compreende que a educação deve assegurar o desenvolvimento dos sujeitos em todas as suas perspectivas – intelectual, física, emocional, social e cultural – e se instaurar como projeto coletivo, compartilhado por crianças, jovens, famílias, educadores, gestores e comunidades locais, alinhada às exigências do século XXI. Tem como foco a formação de sujeitos autônomos, críticos e responsáveis consigo mesmos e com o mundo; é inclusiva, haja vista que reconhece a singularidade dos indivíduos, suas múltiplas identidades e se assegura na justificabilidade do propósito educativo para todos e todas; é um plano engajado à noção de sustentabilidade, vistoque se envolve com metodologias construtivas contextualizadas e inter-relacionadas permanentemente com o que se aprende e o que se pratica; e desenvolve a isonomia, na medida em que se propõe a reconhecer os direitos de todos e todas de absorver e acessar possibilidades educativas variadas a partir da comunicação com diferentes linguagens, instrumentos, ambientes, conhecimentos e intermediações, circunstância elementar para o combate às desigualdades educacionais.

Nesse contexto, a escola se converte em articuladora das múltiplas vivências educativas que os alunos podem ter dentro e fora dela, a partir de uma intencionalidade que enriqueça, possibilite ou proporcione os conhecimentos e aprendizagens fundamentais para seu desenvolvimento integral, ou seja, do corpo, das emoções, das relações e dos códigos socioculturais. Para que tudo isso ocorra, é imprescindível que a equipe gestora seja democrática e articulada à participação ativa dos familiares dos(as) estudantes e da comunidade.

O objetivo da ETI tem como premissa de que quanto mais complexas, heterogêneas e qualificadas forem as interatividades a que o estudante pode acessar, maiores serão seu âmbito social e cultural, as relações que será capaz de constituir e suas perspectivas de integração e mediação social. As aulas podem ser de 45 ou 50 minutos, combinadas com tempos maiores, dependendo da turma e da proposta.

De acordo com o MEC, os quatro princípios da ETI são:

·       a educação interdimensional;

·       a pedagogia da presença;

·       os quatro pilares da educação para o século XXI;

·       o protagonismo juvenil.

A grande diferença deste modelo é a proposta das disposições para o planejamento de um projeto de vida. Protagonismo juvenil é descrito como um dos princípios educativos que ampara o modelo e que se concretiza nas suas práticas e vivências. Estudos brasileiros sobre o tema escola de tempo integral aparecem em artigos publicados em diversas revistas de irrefutável prestígio acadêmico como a Revista Brasileira de Educação, Cadernos de Pesquisa, Educação & Sociedade, entre outras, porém poucos são os livros acadêmicos produzidos. No material encontrado são levantadas várias questões resultantes da implementação desse projeto. A escola de 1º grau em tempo integral: as lições da prática, de Zaia Brandão (1989), passou a ser considerada literatura essencial acerca do assunto.

De acordo com Maurício (2009), as demandas que emergem no contexto de trabalho de professores e que precisam ser questionadas são a carência social, ou seja, as condições básicas de sobrevivência enfrentadas pelos estudantes; o saber prático, que diz respeito às formas de agir no mundo e às experiências a partir das quais os indivíduos se desenvolvem e se produzem.Essas representações criam as teorias do senso comum e interferem diretamente no processo educativo, na efetividade pedagógica e na necessidade da presença maciça de alunos e seus responsáveis. Essa condição a que os professores de escolas de tempo integral são expostos também pode contribuir para o adoecimento deles. porém não serão abordadas aqui.

Ainda sobre as escolas de tempo integral, para Castro e Lopes (2011), a escola de tempo integral precisa contemplar instalações e equipamentos adequados, como refeitórios amplos, banheiros equipados, salas de multimídia, etc., além de investir em  recursos humanos, o que muitas vezes não acontece.  A proposta da ETI defende que o  protagonismo é do estudante, porém os professores devem ter um pequeno grupo de alunos sob sua tutoria, ou seja, é uma espécie de ‘espelho’ mediador entre eles e o mundo. Nesse contexto, os docentes acompanham na entrada da escola, no café da manhã, nas aulas ou projetos que ministram, nas disciplinas eletivas (que incluem projetos de artes, cultura, filosofia, relações socias, comportamentos e projeto de vida) no almoço, no lanche, enfim, o tempo todo estão na presença dos alunos, salvo durante a elaboração de conteúdo programático, realizada na sala de professores que nem sempre é um lugar acolhedor e tranquilo.

Por disciplinas eletivas o programa compreende como estratégia para o desenvolvimento do universo cultural do estudante. Acolhimento é a técnica para sensibilização dele dentro do novo projeto escolar, assim como o início do processo de materialização de seu sonho. Avaliação, nivelamento, instrução de estudos e ações empíricas em matemática e ciências são métodos empregados com vistas à excelência acadêmica.

O adoecimento docente também é abordado por Kasper (2019),para quem é necessário um olhar cuidadoso àquele que atua na proposta da jornada escolar ampliada. Segundo destaca, é de extrema relevância considerar as perspectivas referentes à atuação desse profissional dentro e fora da sala de aula. Uma delas diz respeito à saúde mental, emocional e física, uma vez que podem afetar diretamente a educação oferecida, bem como o trabalho desenvolvido diariamente o qual exige uma variedade de atividades podendo ser convertido em um trabalhador polivalente e multifuncional. Além da responsabilidade pela orientação aos alunos em seu desenvolvimento pessoal, acadêmico e profissional, os professores devem se dedicar integralmente à unidade escolar, dentro e fora da sala de aula. É seu dever conceber iniciativas que instrumentalizem seu apoio social, material e simbólico e dialoguem com o desenvolvimento do projeto pessoal e profissional dos alunos, além de dinâmicas que os auxiliem na superação dos obstáculos e atividades que os impelem ao caminho de seus ideais. A ETI prevê uma avaliação das equipes escolares objetivando amparar as ações de formação continuada e sua conservação no Programa.

Corroborando Kasper (2019), Maurício (2009), já aduzia que os professores precisam ter interesse em conceber esta escola, em descobrir e solucionar, a desenvolver possibilidades. Tanto ele quanto os alunos devem desejar entrar nessa vivência, estar disponíveis para encarar tal desafio, que implica parceria de longas horas todos os dias. À medida que a escola alcança sucesso, somando-se com todos os recursos que ela necessita, a demanda amplia e favorece a oferta.

Caracterização dos participantes

A amostragem foi por conveniência. Os docentes foram selecionados com base na sua facilidade de acesso, disponibilidade e interesse pelo tema. O total informado pela Diretoria Regional de Ensino foi de 135 de professores. Dentre eles, 117 participaram da pesquisa. A condição de regime de dedicação exclusiva, independentemente do tempo de atuação na instituição, e a aceitação a participar do estudo e a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) foram utilizados como critérios de inclusão. Já os critérios de exclusão utilizados foram: Trabalhadores das referidas escolas que não atuam como professores; Professores afastados do trabalho durante o período da coleta de dados; Professores que atuam como substitutos eventuais.

Procedimentos para coleta de dados e aspectos éticos

A coleta de dados foi realizada durante a reunião dos professores em Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC). A pesquisa atendeu as Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisa Envolvendo Seres Humanos vigente no período da execução desta pesquisa (Resolução CNS 196/96). O projeto foi submetido na Plataforma Brasil para ser analisado por um Comitê de Ética em Pesquisa e aprovado pelo CAAE 70807923.0.0000.5401.Em seguida, foram apresentados aos participantes os objetivos  e esclarecimentos sobre a pesquisa e entregue o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Instrumentos

Foram utilizados dois instrumentos para o coleta de dados: um Questionário Sociodemográfico e Ocupacional (QSDO) construído exclusivamente para este estudo, composto por variáveis independentes, como: gênero, idade, filhos, situação conjugal e local de origem; de trabalho (titulação máxima, tempo de trabalho como professor na instituição estudada e carga horária semanal). E o Stanford Presenteeism Scale (SPS-6), elaborado por Koopman et al. (2002), traduzido para o português brasileiro e validado para uso, no Brasil, por Paschoalin et al. (2013). O instrumento tem o objetivo de avaliar o efeito do presenteísmo no rendimento e desempenho individual, de acordo com a competência de concentração dos trabalhadores para a realização do seu trabalho, apesar do adoecimento ou de se sentirem mal. É composto por questões distribuídas em duas dimensões. De acordo com Ferreira et al. (2010), a escala empregada neste estudo possibilita identificar as perdas no rendimento laboral por meio de dois aspectos: o trabalho completado (TC) e a distração evitada (DE).

Segundo Koopman et al. (2002), a dimensão TC é reconhecida por três questões que objetivam identificar características do trabalho realizado pelo profissional, mesmo quando se encontra sob o efeito dos fatores do presenteísmo relacionados a aspectos físicos. Já a dimensão DE é caracterizada por três questões cuja finalidade é mensurar aspectos relacionados a concentração que o trabalhador mantém, ainda que diante do problema de saúde, ou seja, essa dimensão relaciona-se a aspectos psicológicos (Koopman et al., 2002).

Com relação a quantificação, há algumas particularidades na escala. Para cada resposta se atribui um valor que varia de 1 a 5 pontos (escala de Likert: “discordo totalmente” até “concordo totalmente”); esses valores são invertidos de um conjunto de respostas para outros, ou seja, possuem escore reverso. O escore total da SPS-6 é resultado pela soma da pontuação das duas dimensões, permitindo uma variação de 6 a 30, com pontuações mais reduzidas (de 6 a 18) sinalizando baixo presenteísmo e pontuações mais altas indicando forte presenteísmo (Koopman et al., 2002).

Análise dos dados

 

O escore total da SPS-6 é obtido pela soma das pontuações dos itens, podendo variar de 6 a 30, demonstrado em uma escala do tipo Likert, que vai de 1 (“discordo totalmente”) a 5 (“concordo totalmente”). Uma alta pontuação (18) aponta trocar para maior capacidade de concentração e produção no trabalho, ainda que o sujeito tenha um problema de saúde ou se sinta mal. As pontuações mais baixas (de 6 a 18) indicam baixa no desenvolvimento das atividades laborais, em razão do presenteísmo. Para as variáveis sociodemográficas e ocupacionais foram calculadas as frequências e porcentagens. Em seguida, foi realizado cruzamento das variáveis sociodemográficas versus presenteísmo (baixa e alta pontuação/presenteísmo). Posteriormente, aplicou-se o teste estatístico Qui-Quadrado (Siegel; Castellan, 2006), com propósito de verificar a existência de associações significativas. Adotou-se o nível de significância de 5%.

Resultados

No que concerde ao sexo, houve predominância de professoras (79,50%); participantes que estão na faixa etária entre 41 e 50 anos (38,30%). Esses resultados correspondem aos dados do Censo Escolar 2022, que apontam que o ensino básico brasileiro é realizado, em sua maioria, por mulheres, sendo que a maior parte das professoras tem entre 40 e 49 anos (Brasil, 2023). 47,0% são casados e 41,9 % estão na função de professor(a) há mais de 20 anos; 28,2% trabalham na instituição de ensino entre 2 a menos de 10 anos e estão em função na Escola de Tempo Integral entre 2 a menos de 5 anos.

Os resultados sobre a predominância de professoras mulheres confirmam a opinião de que “[...] a feminização do magistério é um fenômeno histórico-cultural marcante no país” (Moreira; Galvão, 2023, p. 4) segundo a qual”[...] a grande presença de mulheres atuando como professoras, principalmente na educação infantil e ensino fundamental I, é notória” (Azevedo; Sbrissa, 2023, p. 729). No entanto, vale destacar que a “[...] ‘feminização da docência’ foi um processo importante para o protagonismo feminino a frente de uma profissão e que suas características ditas como naturais são relevantes para a profissão” (Azevedo; Firmino, 2019, p. 1).

Os resultados obtidos com a aplicação da escala SPS-6, que avalia o presenteísmo, por meio dos critérios de Koopman et al. (2002), indicaram que 52 (44,4%) dos professores apresentaram altas pontuações classificadas como presenteísmo (Tabela 1). Uma parte significativa dos respondentes à pesquisa obteve escore baixo (≤ 18 pontos), o que evidencia uma queda no desempenho de suas atividades laborais atribuível ao presenteísmo, associada à redução da concentração e à dificuldade para concluir o trabalho.

 

Tabela 1 - Classificação da pontuação do presenteísmo (instrumento SPS-6) segundo amostra de professores das cinco escolas

Pontuações

Frequência

%

Baixa pontuação/Presenteísmo

65

55,6

Alta pontuação/Presenteísmo

52

44,4

Total

117

100,0

 

Nota: Para análise dos resultados da Tabela 1 foi considerado alta pontuação no SPS-6 (>18), que revela uma maior capacidade de concentração e realização do trabalho, embora tenha o problema de saúde ou de se sentir mal. A baixa pontuação no SPS-6 (de 6 a 18) mostra queda no desempenho em suas atividades laborais, decorrente do presenteísmo.

 

Fonte: Elaborado pelos autores

De acordo com Garcia e Juliani (2024, p. 5):

 

A queda no desempenho acontece quando o professor vai para a escola, mas deveria estar cuidando da sua saúde. Ele tem consciência que seu desempenho na aula não será o ideal, mas se sente na obrigação de estar presente mesmo que sua aula possa ser de baixa qualidade ou não atinja as expectativas que possa ter em um dia normal.

 

No que tange às dificuldades para completar o trabalho “Uma hipótese explicativa” para esse resultado é que os professores, pela natureza da sua atividade (intelectual e de ensino), percebem quando há maior custo para manter a concentração” (Pérez-Nebra; Queiroga; Oliveira, 2020, p. 18).

Na sequência, apresenta-se na Tabela 2 os resultados desmembrados da pontuação relacionada ao presenteísmo expostos na Tabela 1, com frequência de respostas dos participantes com as pontuações e respectivas porcentagens aos enunciados das pontuações por grupo da SPS-6 (TC e DE).

 

Tabela 2 - Distribuição da frequência relativa da amostra dos professores das cinco escolas, com a pontuação por grupo da SPS-6

Variáveis

Frequência

%

Trabalho completado

Devido ao meu problema de saúde foi muito mais difícil lidar com o estresse no meu trabalho

Discordo totalmente

20

17,1

Discordo parcialmente

23

19,7

Não concordo e nem discordo

9

7,7

Concordo parcialmente

15

12,8

Concordo totalmente

50

42,7

Total

117

100,0

Devido ao meu problema de saúde não pude ter prazer no trabalho

Discordo totalmente

22

18,8

Discordo parcialmente

17

14,5

Não concordo e nem discordo

9

7,7

Concordo parcialmente

17

14,5

Concordo totalmente

52

44,4

Total

117

100,0

Eu me senti sem ânimo para terminar algumas tarefas no trabalho devido ao meu problema de saúde

Discordo totalmente

26

22,2

Discordo parcialmente

27

23,1

Não concordo e nem discordo

3

2,6

Concordo parcialmente

7

6,0

Concordo totalmente

54

46,2

Total

117

100,0

Distração evitada

 

 

Apesar do meu problema de saúde consegui terminar tarefas difíceis no meu trabalho

Discordo totalmente

35

29,9

Discordo parcialmente

4

3,4

Não concordo e nem discordo

4

3,4

Concordo parcialmente

26

22,2

Concordo totalmente

48

41,0

Total

117

100,0

No trabalho consegui me concentrar nas minhas metas apesar do meu problema de saúde

Discordo totalmente

36

30,8

Discordo parcialmente

15

12,8

Não concordo e nem discordo

5

4,3

Concordo parcialmente

30

25,6

Concordo totalmente

31

26,5

Total

117

100,0

Apesar do meu problema de saúde tive energia para terminar todo o meu trabalho

Discordo totalmente

38

32,5

Discordo parcialmente

17

14,5

Não concordo e nem discordo

6

5,1

Concordo parcialmente

27

23,1

Concordo totalmente

29

24,8

Total

117

100,0

 

Fonte: Elaborada pelos autores

 

De acordo com os dados da Tabela 2, a frequência relativa para o grupo 1 (trabalho completado) apontou que, por motivo de saúde, foi muito mais difícil lidar com o estresse no trabalho para 42,7% dos respondentes. No que tange à percepção de que problemas de saúde interferiram no prazer do trabalho, 44,4% declararam que sim, e para 46,2%, problemas de saúde causaram desânimo na conclusão das tarefas.Esses resultados caracterizaram a prevalência elevada do comprometimento na capacidade de concentração para realização do trabalho decorrente do presenteísmo para a maioria da amostra. No que se refere aos percentuais relativos às respostas do grupo 2 (distração evitada), 41% dos docentes apontaram que, apesar do problema de saúde, conseguiram concluir tarefas difíceis no trabalho. Para 30,8% não foi possível manter a concentração nas metas, apesar do problema de saúde, e para 32,5%, o problema de saúde causou o comprometimento da energia para terminar o trabalho. Esses percentuais mostram que para a maior parte dos professores estudados houve comprometimento da capacidade de concentração decorrente do presenteísmo. Em outros termos, os resultados revelam que mais da metade dos participantes apresentou frequência de respostas de ordem psicológica (capacidade de concentração não mantida) e interferências na capacidade de finalização no trabalho.

Esses dados corroboram com o que dizem Garcia e Juliani (2024), ao revelarem o professor se sente compelido a estar presente na escola, muitas vezes em detrimento do próprio bem estar físico e emocional. Tal comportamento é motivado por sentimentos de culpa, autocobrança, dificuldade em reconhecer uma doença e conflitos internos, os quais levam o docente a comparecer ao trabalho mesmo sem condições adequadas de saúde.

No que tange às dificuldades para completar o trabalho “Uma hipótese explicativa” para esse resultado é que os professores, pela natureza da sua atividade (intelectual e de ensino), percebem quando há maior custo para manter a concentração” (Pérez-Nebra; Queiroga; Oliveira, 2020, p. 18).

Para as associações das variáveis sociodemográficas e ocupacionais com presenteísmo nos professores das cinco escolas, os resultados do teste estatístico Qui-quadrado foram gerados apenas os dados completos (dados ausentes foram retirados da análise). A Tabela 3 apresenta esses resultados.

 

Tabela 3 - Associação das variáveis sociodemográficas e ocupacionais com presenteísmo, em professores das cinco escolas

Variáveis

Baixa Pontuação/ Presenteísmo

Alta Pontuação/ Presenteísmo

Valor de p

N

%

N

%

Gênero

Feminino

53

81,5

40

76,9

0,538

Masculino

12

18,5

12

23,1

Total

65

100,0

52

100,0

Faixa etária

Até 40 anos

18

27,7

13

25,0

0,838

41-50 anos

24

36,9

22

42,3

Acima de 51 anos

23

35,4

17

32,7

Total

65

100,0

52

100,0

Estado civil

Casado/União estável

38

58,5

34

68,0

 

Solteiro

18

27,7

14

28,0

0,194

Separado/Viúvo

9

13,8

2

4,0

 

Total

65

100

50

100,0

 

Escolaridade

Graduação

20

30,8

17

32,7

0,947

Especialização

14

21,5

10

19,2

Pós-graduação

31

47,7

25

48,1

Total

65

100

52

100,0

Tipo de escolaridade

Artes/Plásticas/ Ciência

14

30,8

17

32,7

0,014

Biologia/Ciências/ Educação Física

8

25

1

3,1

Matemática/ Química/Física/ Informática

10

31,3

7

21,9

Total

32

100

32

100,0

Tempo na profissão

Menos de 10 anos

9

13,8

5

9,6

0,733

10 a menos de 15 anos

16

24,6

10

19,2

15 a menos de 20 anos

14

21,5

14

26,9

Mais de 20 anos

26

40

23

44,2

Total

65

100

52

100,0

Tempo na instituição

Menos de 2 anos

13

20

18

34,6

0,178

2 a menos de 5 anos

22

33,8

11

21,2

5 a menos de 10 anos

17

26,2

16

30,8

Mais de 10 anos

13

20

7

13,5

Total

65

100

52

100,0

Tempo ETI

Menos de 2 anos

12

18,8

13

25,5

0,532

2 a menos de 5 anos

25

39,1

16

31,4

5 a menos de 10 anos

20

31,3

19

37,3

Mais de 10 anos

7

10,9

3

5,9

Total

64

100

51

100,0

Fonte: Elaborado pelos autores

Mediante os dados da Tabela 3, observamos que de 117 professores participantes da pesquisa das cinco escolas, 65 (55,6%) professores apresentaram baixa pontuação de presenteísmo e 52 (44,4%) professores com alta pontuação de presenteísmo.

As associações das variáveis sociodemográficas e ocupacionais versus presenteísmo dos professores (Tabela 3), destacam-se as que apresentaram as maiores prevalência de alta pontuação de presenteísmo: a faixa etária de 41 a 50 anos, correspondendo 22 (42,3%) professores, seguido do estado civil “casado ou união estável”, 34 (68,0%) professores, tempo na profissão de mais de 20 anos, correspondendo 23 (44,2%) professores, tempo na instituição de menos de 2 anos, 18 (34,6%) professores e tempo de ETI de 5 a 10 anos, 19 (37,3%) professores. Entretanto, não foram identificadas associações estatísticamente significativas para gênero, faixa etária, estado civil, escolaridade, tempo na profissão, tempo na instituição e tempo de atuação em ETI.

Quanto a variável tipo de escolaridade, dos 117 professores participantes da pesquisa, 64 professores responderam esta questão, considerando o grupo de 32 professores que apresentaram alta pontuação de presenteísmo, sendo 17 (32,7%) professores lecionavam “Artes plásticas, Ciências Sociais, Geografia ou História”, seguido de 1 (3,1%) professor do grupo que lecionava “Biologia, Ciências e Educação física” e 7 (21,9%) professores do grupo que lecionavam “Matemática, Química, Física e Informática”. Em contrapartida, dos 32 professores que apresentaram baixa pontuação de presenteísmo, destacam-se os professores que lecionavam “Biologia, Ciências ou Educação Física”. O resultado do teste estatístico Qui-Quadrado apontou que existe associação estatística significativa (valor de p = 0,014), evidenciando as altas pontuações de presenteísmo no grupo de professores que lecionavam “Artes Plásticas, Ciências Sociais, Geografia ou História” em comparação com os demais grupos de professores.

Os professores de ensino das Ciências Sociais têm experienciado novas formas de agir, decorrentes dos desafios relacionados a projetos pedagógicos (perfil de egresso, estrutura curricular etc.), conforme apontado por Trad, Mota e Alzate López (2019), situações que podem estar relacionadas com o presenteísmo.

Bernardes, Aguiar e Frigério (2022, p.1), que também exploram tema semelhante, concebem o adoecimento dos professores de Geografia como impeditivo das realizações existenciais e, como consequência, dos sentidos que atribuem à sua prática. “[...] condições e organizações do trabalho docente demonstraram que, na prática cotidiana da sala de aula os professores experienciam o adoecimento como impeditivo das realizações pessoais e da própria Educação Geográfica” .

No caso dos professores da disciplina de História, não podemos deixar de mencionar sobre as condições atuais de enfrentamento, percebendo o processo histórico que se dá entre a definição do certo e errado para o professor de História e a perseguição sofrida atualmente, conforme descrito por Paula (2020).

No caso dos professores de Artes Plásticas, o adoecimento pode ser relacionado com a demanda de tempo para preparação de atividades que envolvam estas disciplinas. Oltramari (2009) afirma que os professores da disciplina de Artes enfrentam os desafios da ausência de materiais pedagógicos necessários para trabalhar com os alunos, falta de apoio pedagógico das escolas e tempo para lazer e de valorização por parte do Sistema Estadual de Educação. Outro desafio diz respeito a essa falta de material e estrutura adequada, conforme identificado por Sales, Costa e Lippo (2021).

Discussão

 

Um fator determinante ao presenteísmo é saber como calculá-lo, posto que é uma ocorrência silenciosa. Os professores manifestam dificuldade em respeitar seus limites, o processo de saúde-doença experienciado, seja por se desatentar dos sinais do adoecimento ou por negligenciar o valor da prevenção e a promoção de sua saúde.

Para Lino e Arruda (2023), as causas do presenteísmo podem ser vinculadas a inúmeras situações, como o desmonte e descaracterização das políticas educacionais, a partir de 2016. Houve mudanças normativas para a formação de professores  mediante a imposição da adequação dos projetos curriculares dos cursos de licenciaturas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Esse processo, que se insere na reforma educacional de matriz neoliberal, implementou políticas a fim de moldar tanto os estudantes quanto a própria estrutura educacional. Isso vem modificando a educação, que pode ter como objetivo sua centralização e controle em todo território nacional. Esse sistema reestruturante tende ao abandono da responsabilização social, obedecendo a interesses privados e do capital financeiro. Tal processo reformista descaracteriza a formação de professores, favorecendo a precarização do trabalho, que, consequentemente, arruína as condições de vida e trabalho, conduzindo à desumanização. Esse processo, na concepção de Lino e Arruda (2023), extremamente autoritário, menospreza as diversidades regionais, as diferenças entre os educandos, padronizando uma pedagogia das competências, descaracterizando os currículos da educação básica e o funcionamento da escola, impactando na formação de professores.

Na pesquisa desenvolvida por Lourenço et al. (2020) participaram 366 professores do ensino fundamental do Distrito Federal, sendo: Plano Piloto (165) e das cidades satélites da Candangolândia (23), Itapoã (14), Recanto das Emas (41), Riacho Fundo (45) e Taguatinga (24). O objetivo desse estudo foi identificar variáveis que podem explicar as perdas de desempenho do trabalho no contexto escolar nesses locais. Segundo os autores, o estilo de liderança é um forte preditor para o adoecimento mental dos professores e consequente presenteísmo.

Utilizando a escala Stanford Presenteeism Scale (SPS-6), desenvolvida e validada por Koopman et al. (2002), os resultados apresentaram que a maioria era constituída por mulheres (73,95%); 63,0% eram casados. Quanto ao tipo de contrato de trabalho, 74,4% eram concursados. A média de idade da amostra foi de 41,07 anos (DP = 9,30), com uma média de experiência profissional de 15,09 anos (DP = 8,84) e uma média de trabalho na atual escola de 15,09 anos (DP = 6,14). Os dados sugeriram também que a liderança ética e a exaustão emocional surgem como variáveis explicativas das perdas de capacidade dos professores com problema de saúde para terminarem os seus trabalhos. A presença de líderes com maior liderança ética minimiza as perdas de capacidade para completar o trabalho dos professores, ainda que esses apresentem exaustão emocional. Porém, quando a exaustão emocional for muito intensa, o presenteísmo estará presente, independente do estilo de liderança.

Porto, Almeida e Teixeira (2005) investigaram o presenteísmo entre professores com o objetivo de relacioná-lo ao contexto laboral e ao desenho da tarefa.  Manifestações físicas, entre os quais tremores, sudorese, aumento da pulsação e da pressão arterial, foram detectadas, além da evolução dos sintomas, nos casos mais graves, induzindo a problemas de abuso de substância, à violência, descompensação, depressão, ansiedade, e, ao extremo do sofrimento, suicídio. Nesse estudo, em contrapartida com os anteriores, foi ressaltado que a vulnerabilidade suscitada pelo estresse ocupacional viabiliza desavenças na vida social e familiar, o que alimenta o ciclo. No entanto, essa pesquisa, obteve uma alta porcentagem desses trabalhadores que compareciam ao local de trabalho ainda que estivessem doentes.

 Marinho et al. (2022), ressaltam que o papel do professor extrapolou a mediação do processo de conhecimento do aluno, o que era comumente esperado. Sua missão se ampliou para além da sala de aula a fim de garantir uma articulação entre a escola e a comunidade. Além de ensinar,ele deve participar da gestão e do planejamento escolares, o que significa uma dedicação mais ampla, a qual se estende à família e à comunidade. Os autores salientam que as atribuições dos docentes têm aumentado imensuravelmente, mas as condições físicas das escolas e a estrutura hierárquica do ambiente escolar dificultam bastante o desenvolvimento do trabalho. Além de facilitar o processo de adoecimento, as condições de trabalho dificultam os cuidados deveriam ter com sua saúde. É necessário compensar estratégias que possibilitem aos professores o uso do direito de se ausentarem quando estiverem doentes.

No mesmo sentido, Pérez-Nebra, Queiroga e Oliveira (2020) referem que muitas são as situações em que o adoecimento ao qual trabalhadores são acometidos exige sua ausência do espaço laboral. Em alguns casos, eles permanecem em suas atividades, mesmo doentes. Manter-se no trabalho pode afetar seu rendimento e impactar de forma negativa os objetivos e as metas organizacionais. Tais consequências podem ter maior impacto no contexto escolar, já que a educação presencial é fundamentada na interação entre professor e aluno. Interferências nessa troca provocadas pelo adoecimento do professor podem acarretar prejuízos, levando à redução do desempenho e motivação em sala de aula.

Adicionalmente, Cabral (2019) estudou a intensificação do trabalho docente no ensino médio de escolas da área central de Rio Branco (AC) e comprovou que as condições de trabalho não só estão relacionadas ao adoecimento, como são causadoras do absenteísmo e do presenteísmo dos professores. A autora destacou que não existem empreendimentos institucionais nem políticas públicas de atenção à saúde desses profissionais.

Com o objetivo de investigar a existência de presenteísmo em professores de escolas rurais do interior de São Paulo e a identificação de variáveis sociodemográficas e ocupacionais, Marinho, Schmidt e Vasconcelos (2021), utilizaram um Questionário Sociodemográfico Ocupacional (QSDO) e o instrumento SPS-6. Participaram da pesquisa 20 professores que atuam em duas escolas do Ensino Fundamental. As perguntas 1, 3 e 4 da SPS-6 avaliam a capacidade de concentração durante o trabalho, e as questões 2, 5 e 6 revelam a interferência dos problemas de saúde na capacidade de terminar o trabalho. A alta pontuação no SPS-6 (> 18) indica maior capacidade de concentração e realização do trabalho, apesar do problema de saúde ou do sentir-se mal. A baixa pontuação no SPS-6 (6 a 18) revela empobrecimento no desempenho das atividades laborais por consequência do presenteísmo. Os autores concluíram que a maior parte dos participantes está efetuando sua função em condições inapropriadas de saúde. 90% apresentou distração evitada, o que indica que o presenteísmo subtraiu sua capacidade de se concentrar no trabalho. A escala SPS-6 indicou a frequência de 83% da amostra com dificuldade no desempenho do trabalho por conta do presenteísmo. Os resultados revelaram que a maior parte dos professores apresentou escore menor ou igual a 18 pontos, ligado a fatores de ordem psicológica (capacidade de concentração não mantida) e a interferências associadas a causas físicas (capacidade de finalização do trabalho). Grande parte dos professores encontra-se exausta e mesmo assim mantém-se presente no trabalho, resultados que indicara presenteísmo. Houve predominância do sexo feminino (94%), casadas ou em regime de união estável (50%), com filhos (65%), na média de idade de 41,5 anos. Com relação à carga horária de trabalho dos professores, 89% trabalham com a carga máxima permitida pelo município, ou seja, 35 horas semanais. Os sintomas neuropsíquicos  elencados são: tonturas, cansaço, baixa libido, excesso de preocupação, distúrbios do sono/insônia, ansiedade/angústia, problemas para se concentrar e irritação/impaciência. A frequência de resultados foi de 72% da amostra com baixa pontuação para o presenteísmo, isto é, o presenteísmo foi expressivamente prejudicial no desempenho dos participantes da pesquisa. Os resultados obtidos com este estudo comprovam que a maioria dos professores comparece ao local de trabalho apesar de estar adoecida.  Isso é comportamento presenteísta, consequente de distúrbios de saúde, que trazem efeitos negativos, tanto para o professor, quanto para as escolas influenciando negativamente na prática pedagógica.

Por sua vez, no interesse de analisar se a prevalência e os fatores associados à autopercepção de saúde ruim em professores do ensino fundamental são preditores de absenteísmo, presenteísmo e licenças médicas, Coledam et al. (2021) estudaram uma amostra de 493 professores do ensino fundamental da cidade de Londrina (PR). Os autores aplicaram um questionário de autopercepção de saúde ruim contendo questões que avaliam princípios sociodemográficos, ocupacionais e de estilo de vida; manifestações de saúde; frequência de doenças crônicas e incapacidade; e taxas de absenteísmo, presenteísmo e licenças médicas. Os resultados apresentaram associação positiva com o absenteísmo, (1,71) e o presenteísmo (1,74) tendo como causas principais: plano de saúde (razão de prevalência = 2,35), infraestrutura escolar inadequada (razão de prevalência = 1,56), atividade física (razão de prevalência = 0,60), percepção de baixa aptidão física (razão de prevalência = 2,44), distúrbios vocais (razão de prevalência = 1,46), transtornos mentais comuns (razão de prevalência = 1,74), exaustão emocional (razão de prevalência = 1,61), baixa realização profissional (razão de prevalência = 1,64), doença crônica (razão de prevalência = 2,39) e incapacidade (razão de prevalência = 1,57). A prevalência da autopercepção de saúde ruim foi de 16,4%, o que levou a crer que as causas estão intimamente relacionadas ao absenteísmo e presenteísmo.

Lourenço et al. (2020) mostram os resultados de como as variáveis liderança ética e exaustão emocional aparecem como preditores consideráveis de concentração no trabalho. Para a perda da capacidade de completar o trabalho, a predição é mediana em exaustão emocional, e para liderança ética, se mostra maior. Quanto a variável dependente perdas de capacidade para completar o trabalho, os dados indicam que liderança ética e exaustão emocional surgem como variáveis que elucidam as perdas da capacidade dos professores com distúrbios de saúde para terminar seus trabalhos. O que se demonstra é que quanto mais éticos forem os líderes, menores são as perdas da capacidade para completar o trabalho pelos trabalhadores.

Pérez-Nebra, Queiroga e Oliveira (2020) estudaram o presenteísmo utilizando a SPS-6, o Work Design Questionnaire (WDQ) e o QSDO analisando a autopercepção dos professores sobre o presenteísmo. Os resultados apontaram que as percepções desses trabalhadores sobre o presenteísmo não foram elevadas, principalmente quanto à questão de trabalho não completado. Já, quanto à distração evitada, a prevalência foi maior. Segundo os autores isso pode ser explicado por se tratar de atividade de caráter intelectual. Os professores percebem o maior gasto energético para manter a concentração, porém não conseguem precisar a dificuldade em completar o trabalho devido a seu problema de saúde.

Cabral (2019) estudou as condições de trabalho docente do ensino médio e as possíveis associações com o adoecimento mental que são determinantes do presenteísmo e absenteísmo de professores. A autora destacou as atividades, responsabilidades ligadas à busca de redução de custos e aumento de eficácia implantados pela gestão como causa, caracterizando o campo da educação como de caráter mercadológico. Foi usado o questionário com quatro categorias: formação profissional, atuação profissional, condições de trabalho e saúde e situação de saúde auto arrefecida. Os resultados mostraram que a sobrecarga de responsabilidade no exercício da função foi aparente, com 68% dos docentes considerando as condições de trabalho inadequadas e 59% considerando precárias devido à atividade, à quantidade de alunos e às condições de trabalho. A conclusão foi que esses fatores afetam diretamente a saúde dos docentes e o presenteísmo foi confirmado nessas escolas.

Marinho, Schmidt e Vasconcelos (2021) concluíram que a carga de trabalho excessiva contribuiu para que 90% dos docentes estudados apresentasse distração evitada, ou seja, o presenteísmo proporcionou a redução da capacidade dos docentes de se concentrar no trabalho, portanto, grande parte dos professores se apresentava ao trabalho mesmo se encontrando exausta. Já Pérez-Nebra, Queiroga e Oliveira (2020), mediante a aplicação da SPS-6, visualizaram o presenteísmo caracterizado pelo trabalho não completado em relação a liderança ética no primeiro estudo citado. Isto significa que lideranças pouco éticas influenciam diretamente na qualidade da saúde dos trabalhadores. Cabral (2019) concluiu que as condições de trabalho docente inadequadas e precárias afetavam diretamente a saúde desses trabalhadores, promovendo o presenteísmo.

Silva (2017) descreve que predomina entre os professores a necessidade de expandir sua jornada de trabalho para assegurar uma remuneração mais satisfatória, demonstrando que há uma sobrecarga de trabalho acometendo essa classe de trabalhadores. Essa carga não se refere apenas às atividades realizadas em classe e sim a outras questões relacionadas a essa profissão como a desvalorização sofrida, número excessivo de alunos por classe, indisciplina por parte dos estudantes e carência de apoio pedagógico. Por essas razões, os trabalhadores são acometidos tanto por problemas físicos como osteomusculares. Estas situações corroboram o processo de intensificação do sofrimento laboral docente e provocam sérios danos à saúde dos profissionais da educação alimentando tanto o absenteísmo quanto o presenteísmo.

Considerações finais

Os resultados da SPS-6 revelaram (44,4%) de frequência de respostas de ordem psicológica (capacidade de concentração não mantida) e interferências na capacidade de finalização no trabalho. Os resultados alertam para necessidade de ações preventivas e promotoras de saúde nessa categoria profissional.

Concluímos que os resultados são de suma importância, pois trata a saúde dos professores e podem subsidiar a implementação de ações, políticas públicas e estratégias institucionais voltadas ao cuidado com a saúde mental desses profissionais, incluindo a oferta de serviços de apoio psicológico. Tais medidas, visam não apenas promover o bem-estar e a qualidade de vida dos docentes, mas  contribuir para a redução do absenteísmo e do presenteísmo no ambiente de trabalho.

Dentre as limitações da pesquisa, destacamos a dificuldade de realizar correlações dos resultados de prevalência de presenteísmo com outras pesquisas realizadas com professores atuantes em Escolas de Tempo Integral devido à escassez de publicações sobre essa temática. Mediante isso, sugerimos a realização de novas investigações sobre a prevalência de presenteísmo em professores atuantes em outras ETIs.

 

Referências

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