O que dizem as pesquisas sobre o ensino de Língua Inglesa para estudantes com Síndrome de Down: uma revisão de escopo

What studies reveal about the teaching of English language to students with Down Syndrome: a scoping review

Qué dicen las investigaciones sobre la enseñanza del idioma Inglés a estudiantes con Síndrome de Down: scoping review

 

Érika Laís da Cruz Vasconcelos https://lh7-us.googleusercontent.com/h9Ojv87ptVEgwx8PXehJNWB6RbeDlpXgP9wEPNuQgEiN1MWZqOYypeCQ59qJzbAdKq2NWcCoCxu9ig7Uxj9DQGeZQd62p5GHyOeol1sBa83pp3fhKd6TWJ4p1GJxaptf9Bd5r7OgGMw4FOSfvYdyTA

Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal – RN, Brasil.

erikalaisvasconcelos@gmail.com

 

Flávia Roldan Viana https://lh7-us.googleusercontent.com/h9Ojv87ptVEgwx8PXehJNWB6RbeDlpXgP9wEPNuQgEiN1MWZqOYypeCQ59qJzbAdKq2NWcCoCxu9ig7Uxj9DQGeZQd62p5GHyOeol1sBa83pp3fhKd6TWJ4p1GJxaptf9Bd5r7OgGMw4FOSfvYdyTA

Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal – RN, Brasil.

flaviarviana.ufrn@gmail.com

 

Recebido em 02 de maio de 2025

Aprovado em 21 de abril de 2026

Publicado em 27 de abril de 2026

 

RESUMO

O ensino da Língua Inglesa para estudantes com Síndrome de Down na Educação Básica das escolas públicas apresenta diversos desafios e, muitas vezes, não é eficaz devido à falta de estratégias pedagógicas inclusivas e metodologias adequadas às necessidades educacionais especiais desses estudantes. Assim, o objetivo deste estudo é mapear e analisar, através de uma revisão sistemática de literatura, utilizando o método da revisão de escopo, as principais pesquisas sobre o ensino de Língua Inglesa no contexto de educação inclusiva para estudantes com Síndrome de Down, buscando identificar métodos, abordagens e recursos que promovam um ensino eficaz e inclusivo. A análise dos estudos mapeados revelou uma escassez de publicações acadêmicas nacionais e internacionais que tratem do tema de forma aprofundada. Ao investigar as estratégias mais adequadas às necessidades dos estudantes com Síndrome de Down, este trabalho irá contribuir para o desenvolvimento de práticas pedagógicas que valorizem a equidade, a acessibilidade e a formação continuada dos professores, fortalecendo a educação básica brasileira.

Palavras-chave: Educação Especial; Síndrome de Down; Língua Inglesa.

 

ABSTRACT

The teaching of English as a foreign language to students with Down Syndrome in public Basic Education presents numerous challenges and is often ineffective due to the lack of inclusive pedagogical strategies and methodologies suited to the specific educational needs of these learners. Thus, the aim of this study is to map and analyze, through a systematic literature review using the scoping review method, the main research on English language teaching within the context of inclusive education for students with Down Syndrome. The goal is to identify methods, approaches, and resources that promote effective and inclusive teaching practices. The analysis of the mapped studies revealed a scarcity of national and international academic publications that address the topic in depth. By investigating the most appropriate strategies      to the needs of these students, this study aims to contribute to the development of pedagogical practices that value equity, accessibility, and the continuing education of teachers, thereby strengthening Brazilian basic education.

Keywords: Special education; Down Syndrome; English language.

 

RESUMEN

La enseñanza del idioma inglés para estudiantes con Síndrome de Down en la Educación Básica de las escuelas públicas presenta diversos desafíos y, muchas veces, no resulta eficaz debido a la falta de estrategias pedagógicas inclusivas y metodologías adecuadas a las necesidades educativas especiales de estos estudiantes. Así, el objetivo de este estudio es mapear y analizar, a través de una revisión sistemática de la literatura, utilizando el método de revisión de alcance (scoping review), las principales investigaciones sobre la enseñanza del idioma inglés en el contexto de la educación inclusiva para alumnos y alumnas con Síndrome de Down, buscando identificar métodos, enfoques y recursos que promuevan una enseñanza eficaz e inclusiva. El análisis de los estudios mapeados reveló una escasez de publicaciones académicas nacionales e internacionales que aborden el tema en profundidad. Al investigar las estrategias más adecuadas a las necesidades de estos estudiantes, este trabajo contribuirá al desarrollo de prácticas pedagógicas que valoren la equidad, la accesibilidad y la formación continua de los docentes, fortaleciendo así la educación básica brasileña.

Palabras clave: Educacion spécial; Síndrome de Down; Inglés.

 

Introdução

          O ensino de Língua Inglesa para estudantes com Síndrome de Down, especificamente, ainda é um campo em desenvolvimento, com carência de práticas pedagógicas que sejam amplamente acessíveis e eficazes para esse público. Este artigo é um recorte de um projeto de pesquisa de mestrado profissional em educação especial, o qual tem como objetivo geral desenvolver sequências didáticas inclusivas que possam vir a tornar a aprendizagem da Língua Inglesa significativa para os estudantes com Síndrome de Down a partir da elaboração de trilhas de aprendizagem.

A literatura especializada indica que o ensino inclusivo de línguas estrangeiras, como a Língua Inglesa, apresenta particularidades que exigem estratégias pedagógicas diferenciadas e adaptações curriculares. Para estudantes com Síndrome de Down, devido às características cognitivas e linguísticas específicas dessa condição, como a dificuldade na memória de trabalho e o desenvolvimento mais lento da linguagem oral (BUCKLEY, 2002), o desenvolvimento de estratégias pedagógicas adequadas para atender as especificidades são necessários. No entanto, estudos que exploram a interseção entre os aspectos cognitivo e linguístico e as práticas pedagógicas no ensino da Língua Inglesa são escassos, o que reflete a necessidade de aprofundamento na área.

No Brasil, o movimento em prol da inclusão escolar, amparado por legislações como a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) e a Política Nacional de Educação Especial, tem enfatizado a necessidade de práticas pedagógicas que garantam o direito à aprendizagem para todos os estudantes, incluindo aqueles com deficiências. Nesse contexto, o ensino de Língua Inglesa emerge como uma área de atenção, já que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) aponta para a importância do ensino de línguas estrangeiras desde os anos iniciais da escolaridade básica (BRASIL, 2018). O aprendizado de uma língua estrangeira, como o inglês, pode trazer benefícios cognitivos e sociais significativos, aumentando as oportunidades de interação e comunicação desses estudantes em uma sociedade globalizada.

Para que tais oportunidades se concretizem, é necessário que educadores e pesquisadores compreendam as estratégias que melhor atendem às necessidades específicas desses alunos, respeitando seu ritmo de aprendizagem, habilidades cognitivas e preferências comunicativas.

Partiremos das seguintes perguntas de pesquisa: 1- Quais são os principais desafios e facilitadores apontados pela literatura para a inclusão de estudantes com Síndrome de Down no ensino de Língua Inglesa na educação básica? 2- Quais estratégias pedagógicas são apontadas pela literatura como eficazes para o ensino de Língua Inglesa a estudantes com Síndrome de Down na educação básica? 3- De que forma as abordagens inclusivas para o ensino de Língua Inglesa podem favorecer o desenvolvimento linguístico e social de estudantes com Síndrome de Down na educação básica?

 

Método

          Este estudo tem como objetivo mapear as principais produções acadêmicas e discussões sobre o tema através da metodologia da Joanna Briggs Institute (JBI) para  a revisão de escopo - scoping review, alinhado com a lista de referência do protocolo PRISMA-ScR, evidenciando as lacunas existentes e os avanços alcançados, na interseção do âmbito da Educação Especial com o ensino da Língua Inglesa. Essa metodologia foi escolhida por sua adequação ao objetivo de explorar e organizar as produções acadêmicas relacionadas às práticas pedagógicas no ensino de Língua Inglesa para estudantes com Síndrome de Down, um campo ainda emergente e com produção científica escassa.

          A pergunta norteadora desta revisão foi: Quais são as principais produções acadêmicas e discussões teóricas e práticas relacionadas ao ensino de Língua Inglesa para estudantes com Síndrome de Down no contexto da inclusão escolar? A partir dela, foram aplicados critérios de inclusão e exclusão definidos previamente, considerando estudos publicados e revisados por pares, em português e inglês, com relevância temática e metodológica que abordassem o ensino de Língua Inglesa para estudantes com Síndrome de Down.

         

Estratégia de busca

Utilizamos os bancos de dados acadêmicos amplamente reconhecidos, como a Education Resources Information Center (ERIC), o portal de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o Google Scholar, além de bases nacionais, como a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD). As informações extraídas de cada estudo foram sistematizadas em categorias      como objetivos da pesquisa, metodologia, principais achados e implicações pedagógicas e os dados foram sintetizados e apresentados de forma temática, organizando as produções acadêmicas em eixos que dialogam com os objetivos desta pesquisa.

Foram utilizados os mesmos descritores e operadores booleanos em todas as buscas “Síndrome de Down” OR “Trissomia 21” OR “Down Syndrome AND “Língua Inglesa” OR “Inglês” OR “English”. Por haver poucas produções, não delimitamos a busca por tempo. Sintetizamos os resultados obtidos com essas buscas na tabela abaixo:

Tabela 1 - Resultados obtidos com as buscas

Base de Dados

Teses

Dissertações

Artigos

BDTD

0

1

0

Portal CAPES

0

0

2

ERIC

0

0

12*

Google Scholar

1

2

4

Fonte: Autores da pesquisa (2024)

*apenas 3 com acesso gratuito

 

Seleção dos estudos

Durante a condução da revisão de escopo, foi identificada uma limitação relacionada ao acesso a alguns artigos publicados em periódicos de acesso restrito, cujo conteúdo estava disponível apenas mediante pagamento. Embora o critério de inclusão tenha sido pautado na relevância temática e metodológica dos estudos, os custos elevados para acesso a determinadas publicações impediram a inclusão de alguns trabalhos para análise.

 

Resultados

A primeira busca foi feita na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD). Foram encontrados      11 resultados     , entretanto, apenas 1 (um) referia-se ao campo da educação. A dissertação encontrada na busca é intitulada “O processo de construção do conhecimento em língua inglesa por um estudante com Síndrome de Down” defendida em 2013 na Universidade Regional de Blumenau pelo Programa de Pós-Graduação em Educação, de autoria de      Priscila Nunes Bitencourt Lubitz. Nesta dissertação, a autora realiza uma pesquisa qualitativa para entender o processo de construção do conhecimento em Língua Inglesa por um estudante de 15 anos com Síndrome de Down. O aluno, chamado de André, estava alfabetizado em Português e Inglês. A pesquisa teve início quando a pesquisadora ainda era professora do aluno, entretanto, com a troca de professores, ela passou a realizar a pesquisa com o aluno no contraturno e na casa dele. No estudo, inicialmente, ela sugere      a importância da LI atualmente, visto que é a língua mais importante internacionalmente, o que possibilita oportunidades multiculturais, de comunicação, acesso à informação e tecnologia     . A autora ainda aponta     , na dissertação, o processo de construção da linguagem, a partir das considerações de Smolka (2017), a qual baseia-se nas concepções de Vigotski de pensamento e linguagem, do lúdico e da imaginação. Além disso, há o conceito proposto por Vigotski (2007) de Zona de Desenvolvimento Proximal. Com base em Vigotski      (2009), a autora entende que “aprender seja um processo intimamente associado à aquisição da língua materna e, portanto, possível. Com respeito à limitação cognitiva na fala, esta pode ser aperfeiçoada pela aprendizagem da língua estrangeira     (Lubitz, 2013, p. 24). Concluiu-se que, no caso do aluno André, as dificuldades enfrentadas são por falta de estímulo, devido a mediação inadequada por parte dos professores. Outro ponto destacado por Lubitz, é que o estigma prejudica as relações interpessoais, levando a uma exclusão social do aluno.

No Portal de Periódicos da CAPES, 4 artigos foram encontrados, destes, apenas 2      referiram-se ao campo da educação. Um intitulado “O ensino da língua inglesa na síndrome de Down: um estudo sobre a epêntese vocálica por aprendizes brasileiros atípicos”, publicado em 2024 pelos autores Lucas Viana Alencar e Marian Oliveira e outro “Investigando o entorno pessoal de aprendizagem de inglês de alunos com Síndrome de Down: uma análise preliminar”, publicado em 2023, pela autora Sara Veloso Lara, da Universidade Estadual do Mato Grosso. O artigo dos autores Lucas Viana Alencar e Marian Oliveira      (2024) é uma pesquisa quali-quantitativa que      analisa      se aprendizes brasileiros com síndrome de Down também utilizam a epêntese vocálica[1] ao aprender inglês, em decorrência da      influência das regras fonotáticas da sua L1, o português brasileiro, na sua aprendizagem da           L2, o inglês. Na pesquisa     , os dois participantes responderam a um teste de nomeação de palavras do inglês dentro de uma cabine acústica, em seguida, os autores da pesquisa analisaram os dados - sons da fala- através do software Praat: doing phonetics by computer. Obtiveram como resultado que, apesar das limitações característica da população estudada, como      tamanho reduzido do trato vocal, língua protusa, a hipotonia dos músculos da face e a dificuldade com o controle e planejamento motor da fala     , os alunos brasileiros com SD, assim como os alunos sem a síndrome, são influenciados pelo conhecimento fonético-fonológico da sua L1 ao aprenderem uma L2.

     O segundo artigo, de Lara (2023), consiste em uma pesquisa-ação de abordagem qualitativa que investiga o Entorno Pessoal de Aprendizagem (PLE) de Inglês de dois alunos da APAE com Síndrome de Down, fundamentando-se na teoria do PLE e com foco no uso das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs). O estudo apresenta resultados parciais de quatro entrevistas semiestruturadas realizadas com os dois alunos e com seus respectivos responsáveis, com o objetivo de compreender como se constitui o PLE de cada participante. A partir desses dados, a autora propõe articular o conceito de PLE ao uso das TDICs por meio da tecnologia assistiva, especialmente das chamadas tecnologias da Web 2.0. Segundo Ahmad, Muddin e Shafie (2014), citados pela autora, essas tecnologias incluem plataformas de compartilhamento de vídeos, aplicativos de aprendizagem de línguas, redes sociais, entre outros recursos digitais.      Baseada em Bauml (2007) e Júnior et al (2017), a pesquisadora apresenta      as adaptações que os aplicativos devem ter para atender às especificidades das pessoas com Síndrome de Down, como: teclado com letras grande e em diferentes configurações, visto que grande parte das pessoas com SD possui      problemas na visão; deve conter também uma variedade de imagens associadas à      linguagem verbal para auxiliar na fixação da memória de longo prazo; a fim de evitar distração, devido ao déficit de atenção, os aplicativos não devem ter poluição visual; para estimular a memória e a coordenação motora é importante que haja jogos; por fim, um sintetizador de voz e personagens que conduzam os usuários pelas atividades do aplicativo. Após análise das entrevistas com os alunos e responsáveis, a autora conclui, fundamentada por Atwell (2007), que os PLEs serão o futuro da aprendizagem e faz menção à mudança nos procedimentos educacionais, em que o aprendizado antes era centralizado no professor e agora é centrado no aluno, o qual faz parte da “geração das redes”, fazendo uso das TDICs para aprender.

Na base de dados Education Resources Information Center (ERIC), obtivemos 34 resultados, destes, apenas 12 aproximavam-se da temática do ensino de Língua Inglesa para estudantes com Síndrome de Down. Dos      12 artigos obtidos, apenas um continha o texto completo disponível na ERIC, e dois apresentavam link direcionando para bibliotecas e/ou revistas digitais com acesso livre e gratuito. Os outros nove artigos estavam disponíveis apenas mediante pagamento, o que elevava significativamente os custos e tornava o acesso inviável, configurando-se, assim, como critério de exclusão.                

Apresentaremos os cincos artigos gratuitos disponibilizados na plataforma ERIC, começando pelo “Bilingualism and Biliteracy in Down Syndrome: Insights from a Case Study” do autor Burgoyne et al (2016) nos Estados Unidos. A pesquisa tem caráter quali-quantitativo com o objetivo de examinar a biliteracia através de um estudo de caso e investigar até que ponto a aprendizagem de duas línguas pode afetar o perfil cognitivo do      indivíduo com SD, bem como o possível impacto no desenvolvimento da alfabetização em cada língua. Os pesquisadores realizaram avaliações cognitivas e linguísticas para verificar      o nível de      alfabetização do participante da pesquisa, uma criança com Síndrome de Down que tem      o russo como primeira língua (L1) e o inglês como segunda língua (L2)     . Para avaliar a capacidade cognitiva geral, do participante com SD       com as crianças do grupo de comparação (21 crianças monolíngues falantes de LI e 11 crianças monolíngues falantes de russo), os pesquisadores também realizaram testes padronizados em inglês e em russo-inglês. Concluiu-se que níveis competentes de leitura de palavras são alcançáveis ​​por crianças com SD e demonstraram adicionalmente que este pode ser o caso na L2 de uma criança.

O segundo artigo “Assessing Down Syndrome EFL Learner’s Language Ability: Incorporating Learners-Teachers’ Perspectives” dos autores Abbasian e Ebrahimi (2020) da Islamic Azad University, no Irã, é uma pesquisa quali-quantitativa para explorar as percepções dos alunos com Síndrome de Down que não tem o inglês como língua nativa - EFL - English as a Foreign Language - e seus professores sobre a avaliação da habilidade linguística e considerar suas percepções para, com isso, desenvolver um formato de avaliação apropriada para que os alunos possam apresentar sua melhor habilidade linguística. O estudo foi realizado em uma escola regular e contou com 34 participantes persas com SD, entre 15 e 50 anos, e 5 professores. Os pesquisadores realizaram observação das aulas dos indivíduos com SD, registrando pontos fortes e fracos do desenvolvimento da L2 e realizaram entrevistas com eles e os professores a fim de obter dados para a elaboração de um questionário e das percepções de avaliação. Com os dados obtidos, conclui-se que os alunos com SD preferiram ser testados através de avaliações que contenham questões de múltipla escolha, correspondência, verdadeiro-falso, perguntas de resposta curta e preenchimento de lacunas, assim como, avaliações orais.

Outro estudo, também realizado pela Islamic Azad University, dos autores Alemi e Bahramipour (2019) intitulado “An Innovative Approach of Incorporating a Humanoid Robot into Teaching EFL Learners with Intellectual Disabilities” trouxe como participantes 10 alunos iranianos de línguas estrangeiras com SD com idade média de 30 anos. A pesquisa de caráter quali-quantitativo objetivou investigar o provável efeito da aplicação de um robô humanóide como professor assistente para a aprendizagem e retenção de vocabulário de inglês entre os participantes da pesquisa. A pesquisa foi realizada na sala de aula comum de um curso de língua e foi usada a tecnologia Robot Assisted Language Learning (RALL) para ministrar as aulas. Os participantes da pesquisa (10) foram divididos em dois grupos, um com o auxílio do robô assistente e outro não, e receberam as mesmas atividades para aprender 40 vocábulos em inglês por 8 encontros. Pré-teste, pós-teste e pós-teste tardio foram aplicados para avaliar os resultados. Após análise dos resultados, observou-se efeitos positivos do uso do robô humanóide para facilitar a aprendizagem e a retenção do vocabulário.

No Google Scholar, ao usar, mais uma vez, os mesmos descritores, obtivemos 4.850 resultados, entretanto, apenas 8 abordam a temática do ensino de Língua Inglesa para estudantes com Síndrome de Down. Destes 8 estudos obtidos, 1 consiste em uma tese de doutorado, 3 em dissertações e 3 em artigos.

A tese de doutorado encontrada no Google Scholar, intitulada “Olhares sobre os afetos no processo de ensino-aprendizagem da Língua Inglesa de jovens com Síndrome de Down” da autora Sara Veloso Lara (2024) da Universidade Estadual Paulista - UNESP/Araraquara, é uma pesquisa-ação de natureza qualitativa que objetiva analisar e caracterizar os afetos emergentes da interação triádica professora-família alunos, priorizando os afetos dos aprendizes e investigando de que forma tais elementos repercutem no processo de aprendizagem da língua inglesa (LI). O estudo contou com seis participantes, alunos da APAE de Piumhi e de Capitólio, com idades que variam entre 20 e 40 anos. A pesquisa alcançou seu objetivo e revelou os afetos e as situações que emergiram na relação entre professora e alunos. A análise considerou tanto as expressões faciais quanto as manifestações no plano verbal. Entre os afetos e situações observados durante a realização das atividades, destacaram-se: motivação, desmotivação, irritação, frustração, insegurança e ansiedade. Segundo Lara (2024), o afeto desafiador      mais recorrente foi a frustração da professora e dos alunos. Uma prática que desencadeou afetos favoráveis nos alunos foi a utilização de flashcards, slides, vídeos e jogos, os quais mostraram     -se essenciais      para as habilidades de memória e de raciocínio das pessoas com SD. A dissertação intitulada “Práticas inclusivas: uma perspectiva no processo de ensino-aprendizagem de língua através da tecnologia assistiva para alunos com síndrome de Down” da autora Juliette Rodrigues Vasconcellos (2018) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, é de natureza quali-quantitativa com o objetivo de      proporcionar ao leitor uma reflexão acerca do processo de ensino-aprendizagem de língua com jovens que possuem deficiência intelectual, em especial a síndrome de Down. Os participantes da pesquisa são cinco alunos com SD com idades entre 21 a 34 anos, uma psicóloga e cinquenta professores de língua. A pesquisa, segundo o autor, fundamenta-se na perspectiva dialógica proposta por Bakhtin. Além disso, destaca a importância do uso de tecnologias assistivas no ensino da língua e evidencia o papel da linguagem como mediadora do desenvolvimento, conforme afirma Vygotsky (2006). A fala deve remeter às coisas mais concretas possíveis. Vasconcellos (2018) ressalta, no final, a importância de tornar os alunos protagonistas em sala de aula através do uso de Tecnologia Assistiva.

A segunda dissertação, encontrada na busca feita no Google Scholar, é intitulada “Trissomia 21: aprendizagem de uma segunda língua” da autora Mónica Pereira Gomes (2012) da Universidade Católica Portuguesa. A pesquisa é um estudo de caso de cunho qualitativo que tem como objetivo a      avaliação das potencialidades de uma criança com Trissomia 21, que fala português, para aprendizagem de uma língua estrangeira, no caso concreto o Inglês, quando sujeita a condições de ensino semelhantes às utilizadas com crianças sem a condição. A participante da      pesquisa tem 9 anos de idade e o processo realizado foi desenvolvido em 20 encontros individualizados de uma hora por semana em uma sala sem estímulos visuais. Com a análise dos resultados, observou-se que o desempenho em relação número de vocábulos e compreensão oral da participante foi parecido com o dos indivíduos sem SD, apesar da dificuldade na articulação de alguns vocábulos. Sendo assim, a autora concluiu que a longo prazo a criança poderá ser capaz de adquirir conhecimentos suficientes para comunicar de forma muito simples desde que o seu interlocutor se disponha a repetir ou dizer por outras palavras num ritmo mais lento, e a ajude a formular aquilo que ela gostaria de dizer.    

A terceira dissertação “A iniciação de uma Língua Estrangeira (Inglês) por dois sujeitos com Síndrome de Down: Estudo de caso Exploratório” do autor Dinis Manuel Trindade Milheiro (2013) do Instituto Politécnico de Castelo Branco em Portugal teve como participantes da pesquisa duas meninas com SD, uma de 18 anos e a outra de 14 anos, ambas possuíam conhecimento prévio no âmbito da LI e objetivou aferir o domínio relativo a alguns conteúdos básicos da LI, mediante um conjunto de atividades que promovem a associação entre palavras e imagens, através de um software.

A pesquisa se deu em seis sessões de trabalho durante um mês e duas vezes por semana com duração máxima de trinta minutos cada. As entrevistas semiestruturadas foram aplicadas aos pais das participantes e à professora. Mais uma vez, o uso das TICs são feitas, segundo o autor, aliar as TICs ao ensino de LI potencializa o processo de ensino e facilita o acesso ao conhecimento e contribui para o processo de inclusão. O autor concluiu que o esforço, o interesse e o êxito na realização das atividades, evidenciados ao longo da intervenção, mostraram-se como resultado de um contato precoce, gradual e produtivo com essa língua estrangeira e que com a continuidade adequada, essa aprendizagem tende a se consolidar como um recurso bastante relevante para suas vidas.      

 Esta pesquisa aponta, também, a importância de elaborar as atividades baseadas no interesse dos alunos para que eles tenham motivação. Outro ponto abordado, é que apesar de na infância as crianças apresentarem mais receptividade e desenvolvimento, é possível o processo de aprendizagem de LE em jovens adultos. A aprendizagem através dos estímulos visuais é enfatizada no estudo e fundamentada      teoricamente através de pesquisadores como Troncoso (2004) e Kumin (2008). O capítulo 4 do texto é dedicado à Tecnologia da Informação e Comunicação - TIC, a qual é considerada um facilitador no processo de aprendizagem no contexto educativo de todos os alunos. O autor concluiu que a aprendizagem de Língua Inglesa não deve, nem pode, ficar reservada exclusivamente a pessoas não ‘portadoras’ deste Síndrome.

O artigo “Ensino de inglês para alunos com síndrome de down: um estudo em quatro escolas da rede pública e privada de Petrolina-PE” de autoria do Davi Carvalho Domingues Tavares, Zaira Dantas de Miranda Cavalcanti e Edna Maria Alencar de Sá (2021) da universidade de Pernambuco - UPE, teve como objetivo conhecer e analisar práticas pedagógicas na disciplina de Língua Inglesa      desenvolvidas no processo de ensino-aprendizagem de alunos com Síndrome de Down, matriculados em classe comum. Os autores realizaram o estudo em quatro escolas da cidade de Petrolina - PE e teve como participantes sete alunos com SD com idades entre 5 e 20 anos e cinco professoras de Língua Inglesa. A pesquisa analisou dados advindos de questionários aplicados aos alunos e às professoras, os quais não foram disponibilizados no artigo para que pudéssemos saber as perguntas que foram realizadas, entretanto, afirmaram que obtiveram como resultado respostas diferentes sobre a atenção e comportamento dos alunos com SD em relação às aulas de LI. Os autores sugerem o pensamento de Vygotsky (1994) para afirmar que as ferramentas pedagógicas utilizadas pelos professores impactam no processo dos alunos e reforçam a importância de atividades lúdicas e o ensino da música. O estudo também aponta, a partir do questionário aplicado aos alunos, a visão dos estudantes com SD sobre as aulas de LI e todos os participantes afirmaram gostar das aulas. Os autores concluem que a prática pedagógica adequada aliada a participação da família implicará na construção do conhecimento de LI.

O artigo “Ensino de Língua Inglesa, multimodalidade e inclusão de alunos com Síndrome de Down” da autora Angélica Araújo de Melo Maia (2020) objetiva discutir uma experiência de aprendizagem de língua inglesa desenvolvida com um aluno com SD e deficiência intelectual em uma escola de ensino fundamental - anos finais, situada na cidade de João Pessoa, Paraíba. Além disso, buscaram analisar os efeitos da adoção de práticas do letramento multimodais aliadas aos princípios do Desenho Universal para Aprendizagem nas aulas de inglês. A pesquisa inclui as características das pessoas com SD e deficiência intelectual associada, o que é importante para que as práticas pedagógicas sejam acessíveis e tenha uma mediação eficiente. Para os planejamentos e atividades das aulas que foram analisadas foi levado em consideração os princípios da multimodalidade e do Desenho Universal para a Aprendizagem - DUA. A multimodalidade aponta para a significação não só os aspectos linguísticos, como também os visuais, de áudio, gestuais, espaciais e multimodais, o qual articula todos os outros. Tudo isso possibilita os alunos, com deficiência ou não, produzir múltiplas formas de representação e comunicação. Para os alunos com SD, como afirma os autores, a multimodalidade é fundamental, pois há flexibilidade cognitiva e implica em criatividade e desenvolvimento. O DUA, assim como a multimodalidade, procura reduzir as barreiras ao ensino e à aprendizagem, diversificando o processo e promovendo a inclusão dos alunos em sala de aula. O participante da pesquisa, um aluno com SD, foi acompanhado por 2 anos pela pesquisadora, do sétimo ao nono ano. As atividades foram pensadas e adaptadas para ele pensando na acessibilidade pedagógica e os temas das atividades analisadas eram de interesse do aluno. A autora concluiu que a adoção dos princípios do DUA e a multimodalidade foram fundamentais para fortalecer a inclusão e multiplicar as possibilidades de representação do conhecimento e de expressão por parte dos alunos     .

O último estudo encontrado no Google Scholar é um Trabalho de Conclusão de Curso de Licenciatura em Letras intitulado “Ensino de Língua Inglesa e Síndrome de Down nas séries finais do ensino fundamental: um estudo de caso” de autoria da Raquel Adriane Sehnem (2020) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul. O objetivo foi verificar como ocorre o processo de ensino-aprendizagem de Língua Inglesa nos anos finais do Ensino Fundamental por um aluno com Síndrome de Down, a partir de investigações e levantamentos acerca desse aluno como sujeito e como aprendiz de língua. A participante da pesquisa foi uma aluna com SD com 13 anos de idade. Através de entrevistas semiestruturadas com a professora de LI e a família da participante, os dados foram coletados e analisados para a elaboração de estratégias didático-pedagógicas para serem utilizadas e/ou adaptadas por professores de LI para alunos com SD. O estudo aborda a importância e os objetivos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018), documento que prevê que o componente curricular de LI seja promovido aos alunos. A importância do uso da Tecnologia Assistiva também é tratada na pesquisa, a qual chama a atenção para o uso da TA como meio de acessibilidade e inclusão de alunos com Necessidades Educacionais Especiais - NEEs.  Estratégia para professores de LI frente aos alunos com SD são elaboradas a partir das análises das entrevistas, entre elas a necessidade de conhecer o aluno e saber seus interesses e potencialidades, usar o tamanho de letra adequada, atividades lúdicas e utilização de jogos, apoio dos familiares para exercitar em casa os conteúdos, interação do aluno com SD e seus colegas de sala, tempo para realização das atividades, não facilitação exacerbada das atividades, uso de plataformas e recursos digitais, utilização de música, estímulo dos sentidos da visão e audição, entre outros que são fundamentados pelo autor com Rodrigues (2019). O autor concluiu que o processo de aprendizagem de uma nova língua, como a Língua Inglesa, pode acontecer através da inclusão do sujeito com SD no ensino regular.

          As três tabelas a seguir, produzidas pela autora desta revisão de escopo sintetizam as características dos estudos selecionados:

Tabela 2 - Dados BDTD

Título

Autor/Ano/

País

Desenho do estudo e objetivo

População

Intervenção

Local

Como foi feita a intervenção

Achados

O processo de construção do conhecimento em língua inglesa por um estudante com Síndrome de Down

 Priscila Nunes Bitencourt Lubitz/2013/Brasil

Qualitativa para compreender o processo de construção do conhecimento em Língua Inglesa por um estudante com Síndrome de Down

N = 3

1 estudante de 15 anos com Síndrome de Down

1 professora

1 mãe do aluno

Social

Cognitiva

Sala de aula e casa do aluno

Através da observação participativa durante as intervenções como professora de Língua Inglesa. Em caráter de Atendimento Educacional Especializado

informal as atividades foram aplicadas para a coleta das atividades produzidas por André;

e entrevistas foram realizadas.

Os estigmas sociais desencadeia em segregação e exclusão do aluno, mas que há potencial, na escola, para lidar

com essas fragilidades, em função dos docentes que procuraram com

questionamentos a respeito de como lidar com o aluno com SD. Verificou-se, também, que após aplicação das

atividades planejadas para André, o estudante manifestou fazer uso de

estruturas verbais que haviam sido trabalhadas nas atividades, o que pode ser

entendido que há potencial para desenvolvimento; demonstrou que a mediação utilizada motiva o aluno e a afetividade é

alcançada.

Fonte: Elaboração dos autores com dados da pesquisa. (2024)

 

Tabela 3 - Dados Portal da CAPES

Título

Autor/Ano/

País

Desenho do estudo e objetivo

População

Intervenção

Local

Como foi feita a intervenção

Achados

O ensino da língua inglesa na síndrome de Down: um estudo sobre a epêntese vocálica por aprendizes brasileiros atípicos

Lucas Viana Alencar e Marian Oliveira/

2024/Brasil

Quali-quantitativa para analisar se aprendizes brasileiros com

síndrome de Down também utilizam a epêntese vocálica ao aprender inglês como influência das regras fonotáticas

da sua L1, o português brasileiro, para sua L2, o inglês.

N = 2 aprendizes de Língua Inglesa com Síndrome de Down

Física

Cognitiva

Núcleo Saber Down

Foi coletado dados de fala de dois aprendizes brasileiros com síndrome de Down. Os

participantes responderam a um teste de nomeação de palavras do inglês dentro de uma cabine acústica. Em

seguida, analisaram os dados pelo Praat (BOERSMA; WEENINK, 2022) com o intuito de confirmar se os

participantes produziram as vogais epentéticas

Aprendizes com síndrome de Down, apesar do comprometimento global devido

à

alteração  genética,  também

são  influenciados  pelas

regras  fonotáticas  da  sua  L1,  pois

inserem

a

epêntese vocálica como estratégia de reparo das palavras da língua inglesa com consoantes oclusivas

Investigando o entorno pessoal de aprendizagem de inglês de alunos com Síndrome de Down: uma análise preliminar

Sara Veloso Lara/2023/

Brasil

Qualitativa para investigar o Entorno Pessoal de Aprendizagem de Inglês

de dois alunos com SD, com base na teoria do Entorno Pessoal de Aprendizagem

com foco no uso das TDICs.

 

N = 4

2 alunos com SD

2 pais dos alunos

Social

APAE

Com quatro entrevistas semiestruturadas realizadas com dois alunos com SD e com duas

pessoas responsáveis por eles, a fim de conhecer o Entorno Pessoal de

Aprendizagem (PLE) de Inglês de cada um deles, visando contribuir para ampliar os

seus PLEs, através do uso das TDICs

O Entorno Pessoal de Aprendizagem da língua desses participantes é

limitado, devido ao ínfimo contato com a língua e com as TDICs.

Fonte: Elaboração dos autores com dados da pesquisa. (2024)

 

Tabela 4 - Dados ERIC

Título

Autor/Ano/

País

Desenho do estudo e objetivo

População

Intervenção

Local

Como foi feita a intervenção

Achados

Bilingualism and Biliteracy in Down Syndrome: Insights from a Case Study

Burgoyne, K. et al/2016/Estados Unidos

Quali-quantitativa para examinar a bililiteracia através de um estudo de caso e investigar até que ponto a aprendizagem de duas línguas pode afectar o perfil cognitivo de tal indivíduo, bem como o possível impacto no desenvolvimento da alfabetização em cada língua

 

N =

1 (criança com SD que fala Russo como L1 e inglês como L2)

21 (crianças monolíngues falantes de Língua Inglesa)

11 (crianças monolíngues falantes de russo)

 

Cognitiva

 

Casa da criança e na escola

Projetaram a bateria de avaliação para avaliar as habilidades cognitivas e linguísticas que sustentam a alfabetização do participante da pesquisa  em sua L1 (Russo) e L2 (Inglês). Empregamos uma série de testes padronizados (somente em inglês) e personalizados (russo-inglês) para avaliar a capacidade cognitiva geral, o vocabulário e as habilidades de alfabetização. As crianças dos grupos de comparação também  foram testadas e completaram os testes na sua língua falada (inglês ou russo).

As crianças foram testadas individualmente por pesquisadores ou estudantes treinados na aplicação de testes. Todas as crianças dos grupos de comparação foram avaliadas na escola. O participante da pesquisa do estudo de caso foi avaliado

em Inglês na escola na tarefa 1. Na tarefa 2, ele foi visitado em domicílio em três ocasiões.

 

Aprender duas línguas na presença de uma dificuldade de aprendizagem não precisa ter nenhum efeito prejudicial na linguagem da criança ou no desenvolvimento da alfabetização.

 

Assessing Down Syndrome EFL Learner's Language Ability: Incorporating Learners-Teachers' Perspectives

Abbasian, Gholam-reza e Ebrahimi, Fatemeh/2020/Irã

Quali-quantitativa para explorar as percepções dos alunos de EFL com síndrome de Down e de seus professores sobre a avaliação da habilidade linguística e considerar suas percepções, a fim de desenvolver um formato de teste apropriado que possa permitir-lhes apresentar a sua melhor em habilidade linguística.

 

N= 34 indivíduos persas com Síndrome de Down (entre 15 e 50 anos) e 5 professores

Cognitiva

Social

Escola

Observou-se as aulas de inglês de indivíduos com síndrome de Down e obtiveram informações sobre os pontos fortes e fracos no desenvolvimento de uma segunda língua. Em seguida, foi realizada uma entrevista entre indivíduos com síndrome de Down, seus professores e conselheiros com a finalidade de obter dados qualitativos necessários para a elaboração de um questionário feito pelos pesquisadores, a fim de obter suas percepções de avaliação. Questionários aplicados a todos os participantes da pesquisa.

Os alunos com Síndrome de Down preferiram ser testados apenas por meio de alguns itens de teste especiais que incluem testes de múltipla escolha, correspondência, verdadeiro-falso, perguntas de resposta curta e preenchimento de lacunas, conversa com padrões e avaliações orais.

An Innovative Approach of Incorporating a Humanoid Robot into Teaching EFL Learners with Intellectual Disabilities

Quali-quantitativo para investigar o provável efeito da aplicação de um robô humanóide como professor assistente para aprendizagem e retenção de vocabulário de inglês entre os alunos participantes da pesquisa.

N= 10 alunos iranianos de línguas estrangeiras com deficiência intelectual, mais especificamente síndrome de Down com idade média de 30 anos.

Cognitiva

Social

Sala de aula

Foi usada a tecnologia para ministrar aulas chamadas Robot Assisted Language Learning (RALL). Para tal, os participantes foram divididos em 2 grupos de cinco, um com auxílio do robô (RALL) e outro sem (não RALL). Ambos os grupos receberam as mesmas lições para aprender 40 vocabulário de inglês em 8 sessões. Para medir os resultados, foram realizados três testes de inglês em momentos diferentes durante as sessões de ensino (um pré-teste, um pós-teste e um pós-teste tardio).

Demonstram os efeitos positivos do uso de um robô humanóide para facilitar o aprendizado e a retenção de vocabulário entre pessoas com síndrome de Down que têm problemas tanto com o aprendizado de idiomas quanto com a memória verbal de curto prazo e precisam aprender por meio de atividades visuais, gestos e jogos.

 

Fonte: Elaboração dos autores com dados da pesquisa. (2024)

 

Tabela 5 - Dados Google Scholar

Título

Autor/Ano/

País

Desenho do estudo e objetivo

População

Intervenção

Local

Como foi feita a intervenção

Achados

Olhares sobre os afetos no processo de ensino-aprendizagem da Língua Inglesa de jovens com Síndrome de Down

Sara Veloso Lara/2024/Brasil

Qualitativa para analisar e caracterizar os afetos dos emergentes da interação triádica professora-família-alunos, priorizando os afetos dos aprendizes e investigando de que forma tais elementos repercutem na aprendizagem da LI.

N = 6 (entre 20 e 40 anos)

Social

APAE com aulas remotas e presenciais

Aulas realizadas em três fases: aulas presenciais com questionários e entrevistas semiestruturados e seis alunos, segunda fase com aulas remotas utilizando jogos online, slides e youtube e terceira fase com aulas presenciais utilizando entrevistas,jogos online e atividades impressas.

Afetos favoráveis e desafiadores para os alunos em relação à professora e a língua.

Práticas inclusivas: uma perspectiva no processo de ensino-aprendizagem de língua através da tecnologia assistiva para alunos com síndrome de Down

Juliette Rodrigues Vasconcellos/2018/Brasil

Quali-quantitativa para proporcionar ao leitor uma reflexão acerca do processo de ensino-aprendizagem de língua com jovens que possuem deficiência intelectual, em especial a síndrome de Down

N = 5 alunos com SD entre 21 e 34 anos

Cognitiva

Social

Escola pública

Entrevista com a psicóloga e questionário online com os professores. Em seguida, observações em sala de aula e aplicação da atividade de construção de narrativas utilizando imagens do artigo de Batoréo (1996).

A linguagem é importante na mediação como afirma Vygotsky (2006, p.19). A fala deve remeter às coisas mais concretas possíveis.

Dificuldade de diferenciar o tempo passado. Importância de tornar os alunos protagonistas em sala de aula através das TAs.

Trissomia 21: aprendizagem de uma segunda língua

Mónica Pereira Gomes/2012/Portugal

Qualitativa para avaliar as potencialidades de uma criança com Trissomia 21, que fala português, para aprendizagem de uma língua estrangeira, no concreto o Inglês, quando sujeita a condições de ensino semelhantes às utilizadas com crianças sem a condição.

N = 1 criança com SD com 9 anos de idade

Cognitiva

Escola - sala sem estímulos visuais

Processo de ensino-aprendizagem desenvolvido em 20 sessões individualizadas de uma hora semanal. Abordaram seis temas vocabulares.

O desempenho da criança com SD foi semelhante ao sem SD. A longo prazo a criança poderá ser capaz de adquirir conhecimentos suficientes para se comunicar em uma segunda língua.

A iniciação de uma Língua Estrangeira (Inglês) por dois sujeitos com Síndrome de Down: Estudo de Caso Exploratório

Dinis Manuel Trindade Milheiro/2013/Portugal

Qualitativa para aferir o domínio de dois sujeitos portadores de Síndrome de Down relativamente a alguns conteúdos básicos da Língua, mediante um conjunto de atividades que promovem a associação entre palavras e imagens

N = 2 alunos com SD - 14 e 12 anos de idade

Cognitiva

Social

Associação Educar, Reabilitar, Incluir Diferenças - AERID

Seis sessões de trabalho durante um mês e duas vezes por semana com duração máxima de trinta minutos cada. As entrevistas semiestruturadas foram aplicadas aos pais das participantes e à professora, através de um software

A aprendizagem de Língua Inglesa não deve, nem pode, ficar reservada exclusivamente a pessoas não ‘portadoras’ deste Síndrome.

Ensino de inglês para alunos com Síndrome de Down: um estudo em quatro escolas da rede pública e privada em Petrolina - PE

Tavares et at/2021/Brasil

Qualitativa para conhecer e analisar práticas pedagógicas, na disciplina de Língua Inglesa, desenvolvidas no processo de ensino-aprendizagem de alunos com SD, matriculados em classe comum.

N = 12

 

7 alunos com SD da pré-escola até o ensino médio entre 5 e 20 anos

 

5 professoras de LI

Social

Escola

Questionários com questões objetivas e subjetivas a alunos com SD e as professoras de LI.

Constatação de que os professores de LI tem adequado entendimento quanto ao conceito de inclusão de alunos com SD no ensino regular.

Reflexo positivo nos alunos, os quais tem interesse na disciplina;

Ensino de Língua Inglesa, multimodalidade e inclusão de alunos com Síndrome de Down

Angélica Araújo de Melo Maia/2020/Brasil

Qualitativa e busca interpretar fragmentos de atividades e de um plano de aula à luz dos princípios do DUA e da multimodalidades para discutir que tipo de condições foram criadas a fim de potencializar o processo de aprendizagem e a inclusão escola do aluno com SD.

N= 1 aluno com SD

Social

Cognitiva

Escola

Acompanhamento por 2 anos. Tema da atividade escolhido a partir do interesse do aluno com SD. Slides são apresentados com imagens e pequenos textos. Exercícios de fixação foram feitos.

A aprendizagem e a inclusão de todos os alunos em aulas de língua inglesa sugere estratégias específicas para alunos com SD e deficiência intelectual. A adoção dos princípios do DUA e a multimodalidade foram fundamentais para essa inclusão.

Ensino de Língua Inglesa e Síndrome de Down nas séries finais do ensino fundamental: um estudo de caso

Raquel Adriane Sehnem/2020/Brasil

Qualitativa para verificar como ocorre o processo de ensino-aprendizagem de Língua Inglesa nos anos finais do Ensino Fundamental por um aluno com Síndrome de Down, a partir de investigações e levantamentos acerca desse aluno como sujeito e como aprendiz de língua.

N = 1 aluna com SD com 13 anos de idade

Social

Cognitiva

Escola pública estadual

Entrevistas semiestruturadas com a professora de LI e a família do participante. Elaboração de 15 estratégias didático-pedagógicas.

O aluno com SD quando incluído e aceito sente-se confortável. A atividade de cunho lúdico, pensada na inclusão do sujeito com SD e nas capacidades que ele possui, torna-se uma situação que o incentiva a seguir em frente e não desistir do processo de escolarização. Não é somente função do professor promover a inclusão, mas sim de toda sociedade.

Fonte: Elaboração dos autores com dados da pesquisa. (2024)

 

Discussão

Os estudos analisados nesta revisão de escopo evidenciam avanços importantes e desafios significativos no campo do ensino de Língua Inglesa para estudantes com Síndrome de Down no contexto da educação inclusiva. A partir da análise sistemática dos dados, foi possível observar que, embora existam esforços crescentes para promover práticas pedagógicas inclusivas, ainda há uma lacuna substancial em relação à aplicação de metodologias que atendam plenamente às necessidades educacionais desses estudantes.

Um aspecto central identificado nos estudos foi a importância da mediação pedagógica e das estratégias adaptadas para promover o aprendizado. Autores como Burgoyne et al. (2016) demonstram que, com suporte adequado, estudantes com Síndrome de Down podem atingir níveis competentes de biliteracia, inclusive em uma segunda língua. Isso desafia percepções reducionistas sobre as capacidades desses indivíduos e reforça a ideia de que a aprendizagem de uma língua estrangeira pode contribuir para o desenvolvimento cognitivo, social e comunicativo. Mesmo com as limitações linguísticas características da síndrome, como a hipotonia muscular e dificuldades na articulação da fala, a aprendizagem é possível quando estratégias específicas são adotadas. Estes achados reforçam a necessidade de práticas que priorizem a personalização do ensino e o uso de metodologias que valorizem a interação, o feedback contínuo e o uso de materiais acessíveis. Contudo, os resultados também destacam a influência das barreiras impostas pela falta de formação específica dos professores e o estigma social, que podem comprometer o acesso a uma educação inclusiva de qualidade.

A tecnologia emergiu como um elemento central nos estudos analisados. Pesquisas como a de Alemi e Bahramipour (2019) mostraram o impacto positivo de tecnologias assistivas, como robôs humanóides, no ensino de vocabulário para alunos com Síndrome de Down. De forma semelhante, os Entornos Pessoais de Aprendizagem (PLEs) analisados por Lara (2023) apontam o potencial das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) em tornar o aprendizado mais interativo e acessível, desde que as ferramentas sejam adaptadas às características cognitivas e motoras desses estudantes. No entanto, essas inovações ainda são pouco exploradas em contextos escolares brasileiros, devido à escassez de recursos e formação adequada para professores no uso dessas ferramentas.

Outro ponto relevante refere-se às abordagens metodológicas dos estudos revisados. Enquanto algumas pesquisas priorizam análises qualitativas, como a dissertação de Lubitz (2013), que investiga o processo de aprendizagem de Língua Inglesa de um estudante com Síndrome de Down a partir da perspectiva da Zona de Desenvolvimento Proximal de Vygotsky, outras adotam metodologias quali-quantitativas para ampliar a análise. Essa diversidade metodológica enriquece o campo de pesquisa, mas também evidencia a necessidade de investigações mais amplas e aprofundadas, especialmente com amostras maiores e análise de longo prazo.

Outro achado relevante refere-se ao uso de metodologias lúdicas e multimodais, como apontado por Melo Maia (2020) e Tavares et al. (2021). Atividades baseadas em jogos, música e recursos visuais têm mostrado resultados promissores, tanto no engajamento quanto no desempenho dos estudantes. Essas práticas, alinhadas aos princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), promovem a acessibilidade e criam oportunidades significativas de aprendizagem.

A revisão realizada aponta para a relevância de integrar famílias no processo de ensino-aprendizagem, como indicado nos estudos de Lara (2024) e Vasconcellos (2018). A parceria entre escola e família é essencial para criar ambientes de aprendizagem que sejam tanto inclusivos quanto estimulantes para estudantes com SD.

 Os resultados desta revisão reforçam a necessidade de políticas públicas que priorizem a inclusão de práticas pedagógicas eficazes e acessíveis no ensino de Língua Inglesa. É fundamental que os programas de formação continuada de professores incluam conteúdos específicos para atender às demandas de estudantes com Síndrome de Down, promovendo uma educação equitativa e de qualidade. Além disso, a criação de materiais pedagógicos adaptados, o uso de tecnologias assistivas e a valorização das potencialidades desses estudantes são caminhos indispensáveis para o fortalecimento da educação inclusiva no Brasil.

 

Limitações da revisão

Apesar dos avanços apresentados, esta revisão observou lacunas significativas que limitam o avanço do conhecimento no ensino de Língua Inglesa para estudantes com Síndrome de Down. Em primeiro lugar, a escassez de estudos publicados em português torna evidente uma barreira de acessibilidade à produção científica no contexto brasileiro. A predominância de artigos em inglês e em outros idiomas dificulta o acesso de educadores e pesquisadores locais, que poderiam se beneficiar dessas informações para melhorar as práticas pedagógicas no contexto da educação básica nacional.

Outro ponto crítico identificado foi a dificuldade de acesso a artigos devido às barreiras financeiras impostas por periódicos de acesso restrito. Muitas publicações relevantes, que poderiam contribuir para a ampliação do escopo de análise, não puderam ser incluídas na revisão devido ao alto custo de aquisição. Essa limitação compromete a democratização do conhecimento científico e reforça a necessidade de políticas que incentivem o acesso aberto às produções acadêmicas, especialmente em áreas de relevância social como a educação inclusiva.

A ausência de estudos longitudinais representa uma lacuna significativa na literatura. A maioria das pesquisas revisadas adota um recorte temporal curto, o que dificulta a compreensão dos impactos de intervenções educacionais ao longo do tempo. Pesquisas longitudinais são essenciais para avaliar de forma mais abrangente os efeitos do ensino de Língua Inglesa no desenvolvimento cognitivo, social e comunicativo de estudantes com Síndrome de Down, além de permitir uma análise mais robusta das estratégias pedagógicas utilizadas.

Poucos estudos abordaram aspectos culturais e socioeconômicos que podem influenciar diretamente o acesso e o sucesso desses estudantes no aprendizado de uma língua estrangeira. O contexto cultural, os recursos disponíveis, o nível de escolaridade dos familiares e o suporte comunitário são fatores determinantes para o sucesso de qualquer intervenção educacional. Ignorar esses aspectos pode levar a conclusões generalistas e distantes da realidade vivenciada por muitos estudantes, especialmente aqueles em situações de vulnerabilidade social.

Essas lacunas ressaltam a necessidade de ampliar e diversificar a produção acadêmica sobre o tema, promovendo uma abordagem mais inclusiva, acessível e contextualizada. Isso inclui o incentivo à produção científica nacional, o fortalecimento de colaborações interdisciplinares e interinstitucionais, e a promoção de políticas públicas que priorizem a inclusão educacional em todas as suas dimensões.

 

Conclusões

A presente revisão de escopo destacou a relevância do ensino de Língua Inglesa para estudantes com Síndrome de Down no contexto da educação inclusiva, evidenciando as lacunas, desafios e avanços na área. A análise dos estudos mapeados revelou uma escassez de publicações acadêmicas nacionais e internacionais que tratem do tema de forma aprofundada, o que demonstra a necessidade de maior investimento em pesquisas que explorem metodologias, tecnologias assistivas e práticas pedagógicas inclusivas para estudantes com Síndrome de Down.

Os resultados encontrados indicam que, embora o aprendizado de uma segunda língua precise ser adaptado para as especificidades dos estudantes com Síndrome de Down, ele é possível e pode trazer benefícios cognitivos e sociais significativos. Estratégias baseadas em adaptações curriculares que incluam todos os alunos e alunas tenham eles especificidades ou não, o uso de tecnologias digitais, métodos multimodais e mediação pedagógica adequada foram frequentemente apontadas como elementos fundamentais para promover uma aprendizagem mais efetiva e significativa.

Além disso, as limitações no acesso a publicações de acesso restrito e a reduzida quantidade de estudos nacionais específicos sobre o ensino de inglês para estudantes com Síndrome de Down reforçam a importância de ampliar a acessibilidade ao conhecimento acadêmico e de fomentar novas iniciativas de pesquisa no Brasil.

Portanto, espera-se que este trabalho sirva como base para futuras investigações e como um instrumento de orientação para educadores e pesquisadores comprometidos com a educação inclusiva. A promoção de práticas pedagógicas inclusivas, aliada à formação continuada de professores e à implementação de recursos acessíveis, poderá contribuir significativamente para a inclusão e o desenvolvimento integral de estudantes com Síndrome de Down no ensino de Língua Inglesa.

 

Referências

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[1] Fenômeno que ocorre na fala a partir da inserção de uma vogal entre as consoantes.