Expressão criativa das crianças a partir de práticas de desenhos na educação
Children’s criative expression from drawing practices in education
La expresión creativa infantil a partir de las prácticas de dibujo en la educación
Márcia
Cristina Palheta Albuquerque
Universidade Federal do Pará, Belém – PA, Brasil.
mcppalhetaalbuquerque@gmail.com
Secretaria de Estado de Educação do Pará, Belém – PA, Brasil.
Universidade Federal do Pará, Belém – PA, Brasil.
Universidade Federal do Pará, Belém – PA, Brasil.
Recebido em 03 de abril de 2025
Aprovado em 02 de janeiro de 2025
Publicado em 16 de janeiro de 2026
RESUMO
Palavras-chave: Criatividade; Desenhos; Infância; Educação.
ABSTRACT
This article investigates educational practices with children's drawings as forms of creative expression present in scientific publications. Based on an integrative literature review and qualitative data analysis, we sought to understand how children use drawing to express their voices, feelings and perceptions in the midst of social and environmental challenges. Given the diverse theoretical perspectives on creativity and the educational contexts in which it can be stimulated, this research asks: how does literature address creative development in childhood through drawings in education? To this end, a systematic literature review (SLR) was prepared following the PRISMA protocol. We used the following databases: SciElo Platform, Web of Science (WOS) and Digital Bank of Theses and Dissertations (BDTD) from Capes. 89 studies were found in the period between 2008 and 2023. 63 works were excluded because they were not fall within the scope of this investigation, totaling a sample of 18 publications. The results found indicate that creativity develops mainly in formal teaching environments, but it is important to explore and expand research on this topic in non-formal teaching spaces, which offer experiences that promote children's creativity and imagination. This study enriches the understanding of the value of children's drawings as a form of communication and expression in contemporary educational contexts, especially motivating creativity.
Keywords: Creativity; Drawings; Infancy; Education.
RESUMEN
Este artículo investiga las prácticas educativas con dibujos infantiles como formas de expresión creativa presentes en publicaciones científicas. A partir de una revisión integradora de la literatura y un análisis de datos cualitativos, buscamos comprender cómo los niños usan el dibujo para expresar sus voces, sentimientos y percepciones en medio de desafíos sociales y ambientales. Dadas las diversas perspectivas teóricas sobre la creatividad y los contextos educativos en los que puede ser estimulada, esta investigación se pregunta: ¿cómo aborda la literatura el desarrollo creativo en la infancia a través del dibujo en la educación? Para ello se elaboró una revisión sistemática de la literatura (RSL) siguiendo el protocolo PRISMA. Se utilizaron las siguientes bases de datos: Plataforma SciElo, Web of Science (WOS) y Banco Digital de Tesis y Disertaciones (BDTD) de la Capes. Se encontraron 89 estudios en el período comprendido entre 2008 y 2023. Se excluyeron 63 trabajos por no estar incluidos. el alcance de esta investigación, totalizando una muestra de 18 publicaciones. Los resultados encontrados indican que la creatividad se desarrolla principalmente en ambientes de enseñanza formal, pero es importante explorar y ampliar las investigaciones sobre este tema en espacios de enseñanza no formal, que ofrezcan experiencias que promuevan la creatividad y la imaginación de los niños. Este estudio enriquece la comprensión del valor del dibujo infantil como forma de comunicación y expresión en los contextos educativos contemporáneos, especialmente motivando la creatividad.
Palabras clave: Creatividad; Diseños; Infancia; Educación.
Introdução
Através do desenho, a expressão criativa é uma forma potente de comunicação que oferece insights significativos sobre sua visão de mundo, emoções e experiências. Segundo Gobbi (2014) o desenho é uma forma das crianças falarem e expressarem sua visão de mundo, cultura e política. Ainda de acordo com a autora o desenho não é apenas uma evolução motora, ele merece ser visto como uma produção cultural que representa o pensamento infantil. Em meio à antropizações e mudanças abruptas na educação, as crianças podem recorrer ao desenho como uma ferramenta para processar e expressar seus sentimentos e pensamentos.
Segundo Pereira e Santiago (2020), o ato de desenhar constitui uma das expressões singulares do protagonismo infantil, reverberando a experiência de vida pela qual as crianças materializam e compartilham suas indagações frente ao mundo. O saber, o sentir, o lúdico, o poético, enfim, um caminho para o criativo, para a imaginação que venha favorecer ao homem e a construção do seu mundo interior e exterior de tal forma que o habita e o diferencia como um indivíduo único que é (Stori, 2003). Nessa perspectiva, o desenho ultrapassa o caráter meramente estético e assume-se como uma prática social carregada de sentidos, por meio da qual a criança interpreta, comunica e produz cultura.
Desse modo, compreendemos o desenho infantil como como uma linguagem expressiva e simbólica por meio da qual a criança comunica sentimentos, ideias, experiências e formas próprias de compreender o mundo. Trata-se de uma manifestação que articula o lúdico, a imaginação e a criatividade, permitindo à criança representar a realidade a partir de seu repertório cultural, social e afetivo em consonância com (Lowenfeld; Britain, 1977; Vygotsky, 2007).
Já a criança entendemos como um ator social capaz de produzir sentidos sobre o mundo, o que o torna um sujeito histórico-cultural, convergindo com as definições de Sarmento (2008) e Corsaro (2011). Essa concepção dialoga com as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil, que compreendem “a criança como um sujeito histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva” (DCNEI, 2010). Ao assumir essa concepção de infância, torna-se imprescindível repensar as práticas educativas e as linguagens que possibilitam à criança expressar, criar e produzir significados, entre as quais se destaca o desenho.
Neste sentido, diversos estudos (Cassol, et al. 2021; Rocha, 2021; Runco; Walia, 2019; Hernandez-Torrano; Ibrayeva, 2019; Jaeger, 2012; Kozbelt; Beghetto; Runco, 2010; Stables, 2009; Grainger; Goouch; Lambirth, 2005), sinalizam um constante movimento de busca, pesquisa e estudos para ressignificações necessárias do desenho infantil à prática educativa e suas relações com a criatividade.
Conforme Stables (2009) os sistemas educacionais em muitos países visam desenvolver a criatividade a fim de proporcionar nas crianças a solução de problemas de forma criativa e autônoma. Há uma relação entre as práticas pedagógicas que fomentam e estimulam os processos criativos e os professores possuírem estas habilidades motivar o comportamento e a imaginação que permite a inspiração criativa das crianças.
Cada indivíduo tem uma orientação criativa, alguns dos estudos (Cassol, et al. 2021; Rocha, 2021; Grainger; Goouch; Lambirth, 2005) nesta área sugerem que as habilidades e atitudes do professor, aliadas com uma vontade de agir e consciência das necessidades dos alunos, bem como abordagens flexíveis para currículo e estrutura de aula, proporcionando o desenvolvimento dos processos criativos tanto na sala de aula como também em espaços não formais de aprendizagem.
A criatividade pode ser caracterizada pelo seu pluralismo, que, basicamente, é a existência de diversas perspectivas teóricas, tendo também diferentes pressupostos e métodos, sendo que estes, coletivamente fornecem uma compreensão mais robusta, porém ainda contestável, da criatividade humana (Runco; Jaeger, 2012).
Runco (2004) também já havia identificado quatro categorias que compõe a criatividade são essas: a pessoa, o processo, o produto e o ambiente. Segundo o autor a pessoa diz está relacionada à curiosidade, à capacidade de diferentes ideias, intuição e autonomia. O processo refere-se aos insights de processamento das respostas durante o processo criativo. O produto emerge das soluções criativas que surgem durante o processo. E ambiente criativo está diretamente ligado às inferências externas assim como os recursos disponíveis que podem tornar o ambiente criativo, favorecendo a criatividade.
Diferentes classificações têm sido propostas para categorizar as inúmeras teorias existentes sobre a criatividade. Kozbelt, Beghetto e Runco (2010) agrupam as teorias da criatividade em dez categorias dentre elas destacamos a Teoria Sistêmica em que os autores argumentam que a criatividade emerge de três componentes: o domínio, o indivíduo e o campo, esses elementos convergem entre si por meio de interações que reforçam o processo criativo dos indivíduos.
Os autores descrevem o domínio como sendo a ação do professor ao transmitir novos conhecimentos, o indivíduo centra-se no estudante que busca associar a contribuição desses conhecimentos aos que ele já possui e o campo relaciona-se a escola com sua estrutura, regimento e suporte que pode promover a criatividade dos estudantes. Todavia, de modo geral, o desenvolvimento da criatividade dentro dos contextos educacionais tem sido parceiros silenciosos, sendo que a prioridade de um silencia o outro, deliberadamente ou não (Walia, 2019).
Esse interesse pelo desenvolvimento da criatividade se deve principalmente às evidências cientificam acumuladas que apontam para a correlação positiva da criatividade com resultados acadêmicos e sociais relevantes, como o desempenho escolar (Hernandez-Torrano; Ibrayeva, 2019).
Mozer e Borges (2008, p. 2) “ao buscarem na literatura científica, trabalhos que discutem a criatividade infantil, tanto na literatura nacional como internacional, constatam que não é fácil encontrar artigos e livros que tratem de forma específica este tema”. Ligados à criatividade na infância, encontramos textos que se referem ao brincar; à importância do brinquedo no desenvolvimento da criança; à imaginação e à fantasia ligadas à aquisição da linguagem; e à infância de um modo geral.
Assim, este estudo se justifica pela importância pela qual apontamos a necessidade de estudar a criatividade infantil, e sua polarização constatada na maior parte dos estudos sobre criatividade que seguem, basicamente, como enfatiza Davis e Oliveira (1994) em duas direções: a concepção inatista e a concepção ambientalista da psicologia.
Compreendendo a criatividade como um processo psíquico que se constrói na criança desde muito cedo, interessou-nos o fato de compreender melhor de que maneira a literatura aborda o desenvolvimento criativo na infância através de desenhos na educação. E é a partir deste contexto criativo investigativo que este artigo se ancora, estabelecendo relações com produções gráficas considerando o desenho como elemento essencial no desenvolvimento da imaginação e da criatividade das crianças.
Portanto, o presente artigo se propõe destacar a importância de reconhecer os desenhos infantis não apenas como artefatos visuais, mas como formas de comunicação que merecem ser interpretadas e valorizadas dentro de contextos educacionais. Esperamos contribuir para uma compreensão mais significativa do potencial do desenho como instrumento de reflexão e expressão e para as crianças.
Metodologia
Este estudo é de natureza qualitativa que segundo Flick (2017) se propõe a interpretar e compreender a lógica do fenômeno observado a partir de características como dos significados, o autor ainda destaca que essa abordagem, infere sobre a credibilidade aos resultados, devido ao amplo embasamento teórico descritivo, além disso, os dados validam as informações encontradas.
Neste sentido a Revisão Sistemática de Literatura (RSL) elaborada teve como intuito de mapear, analisar e discutir sobre temáticas que possibilitem perspectivas futuras de estudos que podem favorecer o entrelaçamento de pesquisas a partir de combinações de títulos, autoria e tipos de documentos.
Logo, a RSL é um modo de investigação científica que aproveita como fonte de dados a bibliografia existente sobre um determinado tema, bem como busca resumir as informações recuperadas mediante a utilização de métodos sistematizados de busca (Sampaio; Mancini, 2007). Além disso, baseiam-se em evidências científicas, por isso são úteis para identificar assuntos contraditórios ou coincidentes.
As etapas de elaboração deste estudo permearam o processo de organização da investigação, desde o início da definição do objeto de estudo a partir das reflexões a priori que convergiram principalmente para alcançar a validade e confiabilidade de pesquisa. Assim como, para a construção da pergunta norteadora, escolha de palavras-chave e base de dados, elementos pertinentes envolvidos nos termos centrais que envolvem a temática.
Considerando como ponto de partida a questão: de que maneira a literatura aborda o desenvolvimento criativo na infância através de desenhos na educação? Que norteou a busca pela constituição dos dados, destacando os descritores e as plataformas utilizadas.
A revisão sistemática foi conduzida seguindo os princípios descritos pelas diretrizes PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) (Moher et al., 2009). Os elementos dispostos na figura 1 compõem os resultados encontrados nas bases dados: Scientific Electronic Library Online (SciElo), Web of Science (WoS) e a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), de acordo com os descritores e marcadores boleanos utilizados: ((Criativ*) AND (desenho)) AND (infan*)), "Creativ*" AND "Children's drawings, (criatividade) e (infância) e (desenho).
A Figura 1 ilustra os procedimentos da RSL constituída neste estudo de acordo com os critérios de inclusão e exclusão considerando os descritores e marcadores boleanos.
Figura 1 – Constituição da RSL
Fonte: Autores (2024).
Foram identificados (Filtro 1) 89 estudos nas respectivas bases de dados. Como critérios de inclusão, primeiramente, consideramos os artigos completos, sendo aqueles que continham os descritores no título, resumo ou palavra-chave. As teses e dissertações que se enquadrassem nesses termos também foram consideradas. Os resultados encontrados a partir de seus anos de publicação demarcam a limitação temporal deste estudo.
Na primeira triagem (Filtro 2) 8 trabalhos foram excluídos considerando como critérios de exclusão artigos apresentados em eventos científicos, resumos de eventos e resenhas de livros. Como elegibilidade (Filtro 3) desta RSL foram revisados 81 estudos encontrados, sendo que destes foram excluídos 63 obedecendo os seguintes critérios, trabalhos foram do escopo desta revisão e estudos sem acesso ao texto completo. Resultaram (Filtro 4) como amostra 18 trabalhos para análises e discussões que atenderam ao foco desta pesquisa.
Destacamos que os trabalhos resultantes estavam inseridos no período de 2008 a maio de 2023. E que os novos descritores foram reajustados a partir dos elementos iniciais por meio utilizados considerando como ponto de partida os termos “criatividade investigativa”, considerando que não foram encontrados nenhum trabalho a partir deste contexto nesta pesquisa.
A partir dos resultados encontrados exportamos os dados nas respectivas bases, todos em formato .csv ou .xlsx para extração dos metadados dos artigos como, título, ano de publicação e tipo de documento, bem como a remoção de informações não relevantes para essa revisão. Posteriormente, analisamos os títulos, resumos e textos completos, para filtrar aqueles que não atendessem o escopo dessa revisão, ou seja, trabalhos sem qualquer foco nos desenhos infantis, criatividade, ou que não se pudesse ter acesso à versão integral do trabalho.
A partir da organização dos resultados, separamos as discussões em quatro categorias de análises emergentes: Aspectos bibliométricos, A criatividade em ambientes de ensino, O papel do desenho na promoção da criatividade, Métodos e atitudes de ensino não criativos. As discussões foram realizadas de acordo com a análise de conteúdo (Bardin, 2011) que tem seus alicerces fundamentados na pré-análise a partir da leitura e escolha dos documentos, exploração, tratamento e interpretação dos estudos encontrados nesta pesquisa associando-os nas discussões a referenciais teóricos relacionados à criatividade.
Resultados e discussões
Apresentamos os dados encontrados que foram sistematizados em um quadro, gráfico e tabela, compostos com os elementos como autores, ano de publicação e tipo de documento. Além da distribuição temporal e espacial das referências encontradas em 4 categorias de análises a seguir.
Aspectos bibliométricos
Após aplicação dos critérios de inclusão, exclusão e a leitura inicial dos trabalhos, 18 estudos foram selecionados e incluídos nesta RSL, alguns metadados dos manuscritos podem ser observados no Quadro 1, que é composto de identificação, título, referência e tipo de documento, estes foram organizados em ordem cronológica seguindo a ordem decrescente partir do ano de publicação.
Quadro 1 – Estudos selecionados para RSL.
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TÍTULO |
REFERÊNCIA |
DOCUMENTO |
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Understanding Children's Drawings As Sociomaterial Assemblages of Voice During Pandemic Times |
Burke, A. 2023 |
Artigo |
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Imagine A School: Children Draw And Explain The Ideal Environmental School |
Gal, A; Gan, D. 2021 |
Artigo |
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Tagging Tabletops: How Children's Drawings On School Furniture Offer Insight Into Their Learning |
Rufo, D. 2020 |
Artigo |
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My Rocket: Young Children'S Identity Construction Through Drawing |
Hall, E. 2020 |
Artigo |
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Inteligencia Fluida Y Creatividad: Un Estudio En Escolares De 6 A 8 Años De Edad |
Gática e Bizama, 2019 |
Artigo |
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Observing And Drawing The Sun: Research-Based Insights To Assess Science Communication Practices Aimed At Children |
Anjos, S; Albéo, A; Carvalho, A. 2019 |
Artigo |
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Can Guided Play And Storybook Reading Promote Children'S Drawing Development? |
Saweyr, J; Goldstein, T. 2019 |
Artigo |
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Draw(Me) And Tell: Use Of Children'S Drawings As Elicitation Tools To Explore Embodiment In The Very Young |
Martin, G. 2019 |
Artigo |
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The Role Of Art Practice In Elementary School Science |
Caiman, C; Jakobson, B. 2019 |
Artigo |
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Gender Difference In The Linear Relationship Among Factors of Drawing-Related Creativity in Second-Grade Primary School Students |
Duh, M; Budefeld, A. 2018 |
Artigo |
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Indicadores de Criatividade No Desenho Da Figura Humana |
Oliveira e Wechsler, 2016 |
Artigo |
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Sources of Variability in Children's Drawings |
Simon, L; Stokes, P. 2015 |
Artigo |
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Using Art to Assess Environmental Education Outcomes |
Flowers, A. et al. 2015 |
Artigo |
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Os Significados das Práticas de Promoção da Sala de Na Infância: Um Estudo do Cotidiano Escolar Pelo Desenho Infantil |
Lucas, E. 2013 |
Tese |
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Linguagem Dos Quadrinhos E Culturas Infantis: "É Uma História Escorridinha" |
Silva, M. 2012 |
Tese |
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How Drawing is Taught in Chinese Infant Schools |
Jolley, R; Zhang, Z. 2012 |
Artigo |
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Desenhar É Preciso: Um Estudo Sobre A Contribuição Da Linguagem do Desenho Como Um Fazer Educação Ambiental |
Dutra, L. 2011 |
Dissertação |
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O Lugar do Ato Criativo Na Aprendizagem da Criança Na Educação Infantil |
Gonçalves, L. 2008 |
Dissertação |
Fonte: Autores (2024).
Observamos a partir da amostra de estudos (Quadro 1) que a maioria das publicações são artigos internacionais sugerindo que ainda temos uma lacuna acerca de pesquisas neste campo de conhecimento a nível nacional. Também constatamos que ainda há um número discreto de pesquisas na área na Educação em relação à criatividade por meio de desenhos considerando o percurso temporal percorrido nesta pesquisa.
A partir dos trabalhos apresentados no Quadro 1 podemos constatar que na sua maioria, eles foram desenvolvidos em contextos educacionais, dentre eles destacamos Gática e Bazana (2019) que investigaram 94 crianças de uma escola na cidade de Biobío no Chile, o estudo de Burke (2023) que analisou os desenhos de crianças matriculadas no ensino fundamental em duas escolas no leste do Canadá.
Silva (2012) investigou a produção gráfica das crianças para compreender como elas criam, inventam ou reinventam a partir das histórias em quadrinhos em uma escola de São Paulo. Dutra (2011) faz uma reflexão sobre contribuição da linguagem do desenho a partir de uma oficina sobre o fazer não formal ambiental para estudantes em formação inicial docente.
A distribuição temporal dos estudos analisados nesta pesquisa está apresentada no Gráfico 1. Destacamos que no ano de 2019 ocorre o maior número de publicações sobre a temática (n=5). Assim como, existem lacunas nos anos de 2009, 2010, 2014 e 2022, onde observação não haver publicações para os respectivos anos.
Figura 2 – Distribuição temporal dos estudos sobre criatividade em desenhos infantis.
Fonte: Autores (2024).
Em relação à distribuição dos trabalhos nos países, destacamos os estudos realizados no Brasil (n=5) acerca da criatividade e desenhos infantis, seguido dos Estados Unidos (n=4), e n=1 para os demais países (Canadá, Chile, China, Israel, Malta, Portugal, Eslovênia, Suécia e Inglaterra) conforme Tabela 1.
Tabela 1 – Distribuição de trabalhos por países.
Fonte: Autores (2024).
Dentre eles destacamos as análises de Rufo (2020) que discute sobre os efeitos de permitir que os alunos do ensino fundamental exponham por meio de desenho sua criatividade e como esse elemento pode impactar significativamente no seu desenvolvimento cognitivo.
Compreendemos que essa ação criativa do professor neste estudo auxilia a criança a explorar sua individualidade assim como, favorece também com ela entenda as transformações que ocorrem em seu corpo. Ressaltamos também que a sala de aula pode ser um ambiente propício para o desenvolvimento da criatividade desde que os momentos vivenciados pelos sejam estimuladores e promovam discussões e interações que podem contribuir para o desenvolvimento dos estudantes. Esses ambientes cheios de ideias e saberes mútuos podem favorecer o aprendizado, pois as trocas são contínuas e intensas.
A criatividade em ambiente de ensino
Esses resultados destacam a necessidade de investigações com maior representação em espaços não formais de ensino nesse tipo de estudo. Observamos nos estudos de Gal e Gan (2021) os desenhos das crianças foram utilizados para que os autores pudessem compreender as percepções delas acerca da escola ambiental ideal, a partir de atividades desenvolvidas em áreas verdes.
Neste sentido esses estudos revelam a importância da utilização de espaços extracurriculares para a promoção da criatividade. Destacamos a importância de espaços não formais de ensino, haja vista que eles também podem oferecer um ambiente cheio de experiências interativas e possibilidades expressivas, que podem ser elementos fundamentais para a promoção da criatividade. Assim como, compreendemos que o processo criativo começa à medida que estimulamos a imaginação e a capacidade de reconstruir novas ideias a partir das suas subjetividades.
White e Lorenzi (2016) sugerem que escolas no âmbito da criatividade, poderiam se beneficiar de um modelo derivado da educação não formal, para o ensino e a aprendizagem, pois a educação não formal tende a ter uma abordagem mais centrada no aluno. Esse aspecto pode ser também um fator que favorece o processo criativo já que as crianças estabelecem relações de interação mútua entre si e a socialização durante as tarefas proporcionam uma aprendizagem com significados, principalmente quando elas relacionam suas atividades práticas ou teóricas com seu cotidiano.
A escola é um espaço no qual as expressões criativas podem surgir de forma espontânea, considerando que, na sala de aula, o professor deve atuar como agente motivador do processo de criação dos estudantes, proporcionando ações didáticas que valorizem um aprender criativo, prazeroso e significativo para as crianças. Nesse sentido, tanto os ambientes de aprendizagem formais quanto os não formais podem promover a criatividade, desde que haja intencionalidade pedagógica, abertura ao diálogo, valorização das experiências infantis e condições que favoreçam a experimentação, a imaginação e a construção de sentidos.
Para tanto, destacamos a importância de se trabalhar a criatividade, sobretudo com desenhos, nos primeiros cinco anos escolares. O estudo de Walia (2019), por exemplo, envolvendo os alunos do 3º ano do ensino básico, destaca a importância de promover a criatividade, haja vista a existência de uma correlação positiva e significativa entre a criatividade e o desempenho escolar dos alunos.
Consideramos que o desempenho escolar pode estar relacionado a inúmeros fatores que envolvem o aprender e um deles pode ser o ambiente criativo desde o momento inicial de uma abordagem didática até os exercícios de complementares acerca de determinado objeto do conhecimento. Favorecendo o engajamento dos estudantes, a construção ativa do saber, o desenvolvimento da autonomia e a atribuição de sentido aos conteúdos trabalhados, o que contribui para uma aprendizagem mais significativa e duradoura.
O papel do desenho na promoção da criatividade
A literatura revisada para este artigo traz evidências de que um conjunto de atitudes também podem ajudar a promover a criatividade por meio de desenhos, destacamos o estudo de Caiman e Jakobson, 2019, os autores sustentam a tese de que ao misturarmos expressões da arte a partir de desenhos associados ao ensino, facilita o aprendizado e estimula a curiosidade, criatividade e imaginação dos alunos. Entendemos também, que os desenhos podem ser importantes para demonstrar as compreensões das crianças em torno de uma atividade, de uma situação problema, de um fato ou experiência vivenciada em seu cotidiano. Considerando este contexto, os desenhos criativos podem expressar as diversas formas de enxergar a realidade que as cercam.
Já para Gonçalves (2008), desenhar é também uma forma de estímulo criativo não apenas para a criança praticante do ato, mas também para a criança que observa. O autor também revela que em seu estudo, a criatividade e ação da um indivíduo estimulou outra criança a desenhar e ser mais criativa, inclusivo na formação de seus argumentos em sala de aula.
Métodos e atitudes de ensino não criativos
Flowers e colaboradores (2015) revelaram que os professores pesquisados em seu estudo não estavam suficientemente familiarizados com os fatores que estimulam a expressão criativa e a criatividade dos alunos. Essas lacunas de conhecimento e esses equívocos indicam que os conhecimentos científicos não convergem suficientemente nas percepções inicias aceca deste conceito e que é necessária uma compreensão mais profunda das evidências científicas sobre criatividade.
Em muitos casos, a criatividade é reprimida em ambientes educacionais que valorizam mais a memorização e a reprodução de informações do que o pensamento criativo e a exploração de ideias inovadoras. Isso pode levar as crianças a se sentirem desencorajadas e com medo de expressar suas ideias através dos desenhos.
Cabe aos educadores explorarem e identificarem estratégias efetivas para incentivar e fortalecer a autoexpressão criativa em crianças, notavelmente, o ensino eficaz para fomentar a criatividade deve ser apoiado por treinamento e habilidades apropriados (Dutra, 2011). Em uma meta-análise de 12 estudos de caso canadenses, Reilly et al. (2011) descobriram que professores criativos tendem a enfatizarem fortemente o aprendizado criativo.
Já em Rocha (2021) as ações criativas e investigativas dos professores fomentam o seu desenvolvimento profissional e este sujeito que atua criativamente em sala de aula amplia seu repertório conceitual, procedimental e atitudinal.
O estudo de Jolley e Zhang (2012) destaca a importância do papel do professor/mediador, sobretudo na instrução direta, pois essa intervenção pode ser prejudicial à criatividade individual de uma criança, mas ainda sim ressaltam o cuidado para a ausência de intervenção, pois sem essa ação, há o perigo de que os desenhos e o ensino se tornem desprovidos de elementos substanciais que envolvem a aprendizagem dos estudantes.
Além disso, algumas atitudes inadequadas por parte dos educadores, como a crítica excessiva e a falta de valorização da expressão artística das crianças, podem minar sua confiança na criatividade. O medo do julgamento e a busca pela perfeição podem inibir a capacidade das crianças de experimentar, arriscar e explorar novas abordagens criativas em seus desenhos.
Outro fator que pode comprometer a criatividade por meio de desenhos na infância é a adoção de métodos de ensino ineficazes, quando as aulas são excessivamente estruturadas, com pouca liberdade para a expressão artística, as crianças podem se sentir limitadas e desestimuladas a explorar sua imaginação e criatividade (Hernandez-Torrano; Ibrayeva, 2020).
Em contraste, métodos de ensino que promovem a autonomia, a experimentação e a resolução de problemas são fundamentais para incentivar a criatividade investigativa por meio dos desenhos. Segundo Menezes e Moser (2020) a autonomia estimula o potencial criativo dos estudantes que não se contentam em se apropriar de conteúdos prontos, mas sim construir seu próprio referencial, motivando-os a criar soluções criativas para os problemas apresentados. E para alcançar essas construções de saberes é fundamental que os educadores sejam sensibilizados sobre a importância da criatividade na educação infantil, eles devem ser capacitados a adotar abordagens pedagógicas que estimulem a criatividade e valorizem a expressão artística das crianças.
Além disso, é crucial que os currículos escolares incluam atividades que incentivem a investigação criativa por meio dos desenhos, proporcionando oportunidades para as crianças explorarem suas ideias e desenvolverem habilidades investigativas desde cedo (Rousell; Cutter-Mackenzie-Knowles, 2020).
É importante envolver também os pais nesse processo, destacando a importância de valorizar e apoiar a criatividade de seus filhos. Ao criar um ambiente positivo e encorajador em casa e na escola, onde a expressão criativa é valorizada, as crianças terão mais confiança para se engajar na criatividade investigativa por meio de seus desenhos, construindo uma base sólida para o desenvolvimento intelectual e emocional ao longo da vida.
Considerações finais
A literatura científica sobre práticas educacionais com desenhos infantis como formas de expressão criativa presentes em publicações científicas fornecem evidências encorajadoras sobre a importância dos desenhos como ferramenta na construção da criatividade e como facilitadores do processo de ensino na infância, considerando principalmente que os desenhos podem engajar os estudantes nas diversas atividades propostas quer seja em sala de aula ou fora dela. E ao reconhecer o valor dos desenhos como uma forma de expressão criativa, os educadores podem aproveitar essa poderosa ferramenta para estimular a imaginação, a experimentação e o pensamento inovador das crianças.
A RSL também apontou que ao incorporar atividades de desenho em ambientes educacionais, as crianças podem desenvolver habilidades de resolução de problemas, comunicação visual e autoexpressão, ao mesmo tempo em que aprendem de forma mais significativa e envolvente.
O desenho não é apenas uma atividade lúdica para as crianças, mas também uma forma de comunicação significativa e uma ferramenta para construir identidade e aprendizagens. Ao considerar a relação entre os desenhos das crianças e seu ambiente escolar, podemos obter insights valiosos sobre suas necessidades, interesses e experiências de aprendizado. Além disso, os desenhos como prática social, reconhece a complexidade das interações entre as crianças, seu ambiente e as tecnologias que as cercam.
Dessa forma, o estímulo à criatividade investigativa por meio de desenhos durante a infância pode ter um impacto significativo no desenvolvimento global dos indivíduos, preparando-os para se tornarem adultos criativos, críticos e capazes de enfrentar os desafios do mundo contemporâneo.
Esse estudo também evidencia que é preciso rever os métodos de ensino com o objetivo de superar o esquema de ensino-aprendizagem que não valorizam as habilidades de desenvolvimento reflexivas a partir da criatividade. Bem como destaca a importância de espaços não formais de ensino para a promoção da criatividade por meio de desenhos.
Ressaltamos também as atividades de criação nas quais os alunos se tornam protagonistas ativos de um processo criativo, são úteis para o desenvolvimento de competências didáticas como a criatividade. Portanto, a contribuição geral deste estudo é mostrar a importância de entrelaçar criatividade, desenhos e educação científica, mas especificamente, o estudo traz a luz que existem possibilidades das crianças de ampliar e aprofundar sua construção criativa, sobretudo nos anos iniciais tanto em ambientes formais e não formais de ensino.
Referências
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