“Não gosto de administração”[1]: Maria Thetis Nunes como diretora do Atheneu Sergipense (1951-1955)

“I don’t like administration”: Maria Thetis Nunes as director of Atheneu Sergipense (1951-1955)

“No me gusta la administración”: María Thetis Nunes como directora del Atheneu Sergipense (1951-1955)

 

Adriana de Andrade Santos

Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE, Brasil

drikaduda1996@hotmail.com

Josefa Eliana Souza

Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE, Brasil

elianasergipe@uol.com.br

Danilo Mota de Jesus

Secretária Municipal de Saúde, Nossa Senhora do Socorro, SE, Brasil

danilomota10@hotmail.com

 

Recebido em 28 de setembro de 2022

Aprovado em 17 de outubro de 2022

Publicado em 02 de julho de 2025

 

RESUMO

Este artigo integra-se aos trabalhos que compõem a linha da História da Educação. Em sua natureza histórica e documental, propõe-se a ilustrar matizes da trajetória de Maria Thetis Nunes como dirigente do Atheneu Sergipense (1951-1955). Fundamenta-se teoricamente nos conceitos de intelectual e redes de sociabilidade, defendidos por Jean François Sirinelli. O levantamento das fontes foi realizado no Centro de Educação e Memória do Atheneu Sergipense (CEMAS), sendo localizados, nos livros de correspondências expedidas e recebidas (1951-1955), dois relatórios de final de ano, os quais descrevem, de forma sucinta, porém detalhada, as atividades desenvolvidas ao longo do ano nessa unidade escolar. Também foram localizados, no Arquivo Público de Sergipe, recortes de jornais que dão respaldo para tratar dessa temática. A análise das fontes realizou-se em diálogo com o referencial teórico. Em suma, infere-se que inúmeras foram as ações da dirigente Thetis Nunes durante o período em que permaneceu à frente do Atheneu Sergipense: criação de um gabinete dentário, organização e aparelhamento de laboratórios, adequação das salas de aula, dos professores e da direção, entre outras iniciativas.

Palavras-chave: Administração escolar; Ensino Secundário; Maria Thetis Nunes.

 

ABSTRACT

E This article is part of the works that make up the History of Education line. Given its historical and documentary nature, it aims to illustrate nuances of Maria Thetis Nunes' trajectory as a leader of the Atheneu Sergipense (1951-1955). It is theoretically based on the concepts of intellectual and social networks, defended by Jean François Sirinelli. The sources were collected at the Center for Education and Memory of the Atheneu Sergipense (CEMAS), and two end-of-year reports were found in the books of correspondence sent and received (1952-1953), which describe, in a succinct but detailed manner, the activities developed throughout the year at this school unit. Newspaper clippings were also found in the Public Archives of Sergipe, which provide support for addressing this theme. The analysis of the sources was carried out in dialogue with the theoretical framework. In short, it can be inferred that there were numerous actions by the director Thetis Nunes during the period in which she remained in charge of Atheneu Sergipense: creation of a dental office, organization and equipment of laboratories, adaptation of classrooms, teachers and management, among other initiatives.

Keywords: School administration; Secondary Education; Maria Thetis Nunes.

 

RESUMEN

Este artículo forma parte de las obras que conforman la línea de Historia de la Educación. Dada su naturaleza histórica y documental, busca ilustrar los matices de la trayectoria de Maria Thetis Nunes como líder del Atheneu Sergipense (1951-1955). Se basa teóricamente en los conceptos de redes intelectuales y sociales, defendidos por Jean François Sirinelli. Las fuentes se recopilaron en el Centro de Educación y Memoria del Atheneu Sergipense (CEMAS), y se encontraron dos informes de fin de año en los libros de correspondencia enviada y recibida (1952-1953), que describen, de manera sucinta pero detallada, las actividades desarrolladas a lo largo del año en esta unidad escolar. También se encontraron recortes de periódicos en el Archivo Público de Sergipe, que brindan apoyo para abordar este tema. El análisis de las fuentes se realizó en diálogo con el marco teórico. En resumen, se puede inferir que fueron innumerables las acciones de la directora Thetis Nunes durante el período en que permaneció al frente del Atheneu Sergipense: creación de un consultorio odontológico, organización y equipamiento de laboratorios, adecuación de aulas, profesorado y gestión, entre otras iniciativas.

Palabras clave: Administración escolar; Educación Secundaria; Maria Thetis Nunes.

 

Introdução

“Hoje nós temos mulheres de destaque não só na educação e cultura, mas em áreas até então exclusivamente masculinas, como na Justiça. E mesmo estando em uma idade avançada quero continuar participando dessa vitória diária do sexo feminino” (Nunes, 2008, p. 5).

 

          A fala na epígrafe da intelectual[2] sergipana Maria Thetis Nunes remete à luta paulatina das mulheres por um lugar enquanto personagens da sociedade. Um lugar de fala, sem amarras e máscaras em que as mulheres se façam presentes no cenário histórico, visto que, no decorrer do tempo, elas foram limitadas ao universo doméstico e deixadas de fora “[...] das coisas sérias, dos assuntos públicos, e [...] dos econômicos” (Bourdieu, 2012, p. 116).

Natural de Itabaiana, Thetis Nunes nasceu em uma época marcada pelas lutas do movimento sufragista, no qual mulheres de diversos países buscavam barrar o processo de desvalorização social do feminino e defender o direito ao voto para esse segmento. No início do século 20, as oportunidades profissionais para o público feminino eram restritas, uma vez que a educação destinada às mulheres da elite era voltada para a vida doméstica, enquanto, para as classes médias e pobres, prevaleciam funções como “[...] professora, costureira, bordadeira, enfermeira, funcionária de escritório, comerciária, telefonista e operária” (Rodrigues, 1997, p. 53).

Defensora da igualdade de direitos entre homens e mulheres, Thetis Nunes transpôs barreiras. Em 1945, tornou-se, por concurso, a primeira mulher a ingressar na cátedra do Atheneu Sergipense, até então composta exclusivamente por homens. Foi uma das primeiras mulheres a concluir o Ensino Superior no estado e uma das fundadoras da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Seguindo as trilhas do pioneirismo, tornou-se, em 15 de dezembro de 1951, a primeira diretora da principal Casa de Educação Secundária do Estado de Sergipe – o Atheneu Sergipense.

Historicamente, o ato de administrar sempre existiu, tanto nos negócios públicos quanto nos privados. No entanto, a forma de administração que conhecemos na contemporaneidade surgiu e passou por diversas transformações ao longo do tempo, especialmente no final do século XIX, acompanhando as mudanças no modo de produção capitalista. Esse processo visava a “[...] instituir estratégias organizacionais arquitetadas para disciplinar o trabalho e dela extrair maior produtividade” (Lombardi, 2012, p. 23-24).

Conforme o referido autor, as instituições escolares também adotaram um modelo burocrático de funcionamento, adaptando os métodos e as técnicas de organização utilizados nas empresas capitalistas. Assim, emergiu nas escolas a necessidade de impor regras semelhantes às das empresas, que passaram a ser regidas por normas escritas, o que levou à criação de uma divisão do trabalho hierarquizada por cargos e responsabilidades.

Entretanto, quando Thetis Nunes foi cogitada pelo governador Arnaldo Rollemberg Garcez (1951-1955) para assumir um dos cargos de confiança da máquina administrativa estadual sergipana, em audiência com ele, reivindicou que os despachos fossem feitos diretamente com o chefe do Executivo, sem interferência de terceiros (Santos, 1999), contrariando, assim, a norma segundo a qual o diretor escolar deveria subordinar-se à figura do Inspetor Geral do Ensino Secundário, à época Cândido Araújo dos Santos (1952).

Solicitação aceita, acordo firmado. Em 17 de dezembro de 1951, como atesta a correspondência n. 3, de 7 de janeiro de 1952, enviada por Thetis Nunes ao diretor do Tesouro do Estado, Sálvio Oliveira, ela assumia as funções de diretora do Atheneu Sergipense (Livro de Correspondências do Atheneu Sergipense, 1952, Ref. 1187FASG1S05). Dito isso, intentamos, com este artigo, ilustrar matizes da trajetória dessa mulher e intelectual como dirigente da mencionada unidade escolar, por meio da análise de correspondências expedidas e recebidas no período de 1951 a 1955.

 

A diretora Thetis Nunes: primeiro parecer sobre o Atheneu Sergipense

No final da década de 1870, o então diretor-geral da Instrução Pública, Manuel Luiz Azevedo d’Araújo, organizou o Regulamento Orgânico que criou o Atheneu Sergipense na cidade de Aracaju, Sergipe, sendo ele também o primeiro diretor dessa instituição (1870). Ademais, diversas foram as denominações assumidas pelo colégio com o passar do tempo, a saber:

Atheneu Sergipense (1870), Lyceu Secundário de Sergipe (1881), Escola Normal de Dois Graus (1882), Atheneu Sergipense (1890), Atheneu Pedro II (1925), Atheneu Sergipense (1938), Colégio de Sergipe (1942), Colégio Estadual de Sergipe (1943), Colégio Estadual Atheneu Sergipense (1970) [...] (Alves, 2005b, p. 81-82).

 

Considerando que, entre as denominações citadas, prevalece Atheneu Sergipense, será essa a utilizada no decorrer desta escrita. Diversos foram os atores políticos e sociais que marcaram a história da administração escolar do Atheneu Sergipense. Só para listar alguns: Vigário José Luiz d’Azevedo (1871-1874); Aristides da Silveira Fontes (1916); Jucundino de Souza Andrade (1921); Abdias Bezerra (1922-1923); Alcebíades Correia Paes (1923); Leandro Diniz de Faro Dantas (1926); João Andrade Carvalho (1932-1935); Joaquim Vieira Sobral (1935-1941); Feltre Bezerra (1941-1942); Dr. José Augusto da Rocha Lima (1942-1944); João Alfredo Montes (1946-1947); Maria Thetis Nunes (1951-1955), “[...] considerada a melhor diretora do Colégio Estadual de Sergipe[3]” (Serviço Nacional de Informações, Doc. ACE 4025/82). Cabe destacar que a segunda mulher a assumir a direção do Atheneu Sergipense foi Rosália Bispo dos Santos em 1965.

Todavia, quais foram as ações desenvolvidas por Thetis Nunes que a levaram a ser considerada a melhor diretora do Atheneu Sergipense? Na análise das correspondências recebidas e expedidas por essa instituição entre 1951 e 1955, encontram-se indícios que ajudam a responder a essa pergunta, principalmente nos relatórios de final de ano elaborados por Thetis Nunes e encaminhados ao Departamento de Educação.

O primeiro relatório data de 14 de janeiro de 1952. Em quatro laudas, a dirigente faz um levantamento das atividades desenvolvidas pela gestão anterior, no ano de 1951, sob a responsabilidade do professor catedrático de Desenho, Joaquim Vieira Sobral. Figura importantíssima que compunha a rede de sociabilidade de Thetis Nunes (Sirinelli, 2003) desde os anos escolares, ele foi quem a fez permanecer na instituição, após concluir o curso ginasial, como funcionária da biblioteca. Além disso, intercedeu junto à Gráfica J. Andrade do amigo Jesonias Andrade para que o livro dela, intitulado Árabes: sua influência na civilização ocidental, fosse impresso a um preço mais acessível, levando-se em conta a situação da família Nunes à época.

Convém salientar que, quando Thetis Nunes assumiu a direção do Atheneu Sergipense, a instituição havia mudado há pouco tempo de prédio. Saíra da Avenida Ivo do Prado – onde hoje funciona o Museu da Gente Sergipana – para um edifício novo, recém-construído na Praça Graccho Cardoso, onde permanece até os dias atuais.

 

Figura 1 – Vista lateral do antigo prédio do Atheneu Sergipense  

Fonte: Extraído do Álbum Atheneu Sergipense (Alves, Oliveira e Costa, 2021, p. 16).

 

Isto posto, a dirigente inicia o relatório descrevendo a situação do novo edifício, que, embora recente, estava inacabado, sendo necessárias algumas adaptações, principalmente para acomodar os alunos matriculados, diante da carência de salas.

 

Figura 2 – Vista áerea do Atheneu Sergipense (1950)

Fonte: Extraído do Álbum Atheneu Sergipense (Alves, Oliveira e Costa, 2021, p. 26).

 

Para Santos (1999), coube a Thetis arrumar, projetar e definir o uso dos espaços. Além disso, ela teve que lidar com obras inacabadas e com a falta de material escolar, especialmente na seção de Educação Física, a qual era constituída, à época, como uma prática educativa obrigatória para todos os alunos dos cursos diurnos até a idade de 21 anos (Brasil, 1942). Segundo Menezes (1997, p. 15), a Educação Física no Brasil surge atrelada à forte influência dos militares, os quais contribuíram com a divulgação e ampliação desse segmento no cotidiano de alguns Estados brasileiros. Notoriamente pela “[...] criação no Rio Grande do Sul, da Sociedade de Ginástica de Porto Alegre, da fundação do Jóquei Clube do Rio de Janeiro e em seguida do de São Paulo e a criação da União de Ginástica Alemã, também em São Paulo”.

Dando continuidade, foi apurado por Thetis Nunes que inúmeras solicitações já haviam sido feitas, tanto por parte dos professores quanto da própria Inspetoria Federal, não apenas sobre essa questão, mas também em relação à inexistência de um local apropriado para a realização dos exercícios físicos, que vinham sendo executados, desordenadamente, em plena rua. Tal situação gerava preocupação entre os pais das alunas, uma vez que as moças estavam sujeitas aos comentários de quem passasse por ali. Vale lembrar que, ideologicamente, cabia à mulher brasileira, na década de 1950, a preservação da moral e dos bons costumes, sendo elas preparadas para “[...] maternidade, casamento e dedicação ao lar” (Bassanezi, 2007, p. 609).

Por isso, como solução imediata, a gestora propôs o aproveitamento do campo de esportes Adolfo Rolemberg, principalmente pela sua proximidade ao colégio. Passaram-se dias; inúmeros foram os pedidos da dirigente aos órgãos responsáveis para sanar esse problema, mas nada era feito. Então, propôs que fossem feitos a muragem e o aterro parcial do terreno lateral da instituição de ensino (Livro de Correspondências do Atheneu Sergipense, 1953, Ref. 1206FASG1S05). Também lhe preocupava o quadro de profissionais desse segmento, que contava com 20 pessoas extranumerárias mensalistas, designadas, contratadas, dois médicos e somente um professor, grosso modo, quase todos sem nenhum curso de especialização (Livro de Correspondências do Atheneu Sergipense, 1952, Ref. 1187FASG1S05). Nesse contexto, sugeria Thetis Nunes que, além do professor, houvesse também um assistente especializado na área e que fosse feita uma reforma no quadro dessa seção.

Quanto ao corpo docente, a então diretora salientou que os profissionais estavam sobrecarregados, com excesso de turmas além das regulares, o que se dava pela falta de professores para determinadas disciplinas, bem como pelo alto custo de vida, que os obrigava a se desdobrarem para cumprir o orçamento familiar/doméstico. Ela sugeria, como solução, a criação de um quadro de professores extranumerários, como o existente no Colégio da Bahia, preenchido por concurso. Vale considerar que o quadro de professores catedráticos do Atheneu Sergipense, na referida época, estava preenchido conforme a relação a seguir:

 

Alberto Bragança de Azevedo; Augusto Pereira de Azevedo; Dalva Linhares; Dr. José Rollemberg Leite; Francisco Portugal Cajueiro; Felte Bezerra; Gentil Tavares da Mota; Gonçalo Rollemberg Leite; João Alfredo Montes; João Evangelista Cajueiro; João Batista Perez Garcia Moreno; Joaquim Vieira Sobral; José Augusto da Rocha Lima; José Barreto Fontes; José Olino de Lima Neto; Lucilo da Costa Pinto; Manuel Franco Freire; Manuel Ribeiro; Maria Thétis Nunes; Napoleão Agelio de Oliveira Dores; Pe. José de Araújo Mendonça e Virginio Santana (Santos, 2021, p. 109).

 

Sobre os concursos para professores do ensino secundário do Atheneu Sergipense (1875-1947) foram objeto de estudo da tese de doutorado da pesquisadora Suely Cristina Silva Souza, defendida na Universidade Federal de Sergipe, em 2016. Ela salientou que os primeiros concursos para docentes dessa instituição foram para as cadeiras de Geometria e História Universal, ocorridos em 1875. Ademais, essa prática se dava sempre que uma cadeira ficava vaga ou quando havia introdução ou extinção de disciplinas.

Retornando à discussão do relatório, no que diz respeito ao corpo discente, os indícios mostram que, em 1951, a instituição teve 570 alunos matriculados no curso ginasial e 279 no curso colegial, totalizando 849 matrículas. Para Thetis Nunes, esse número era superior à capacidade que o atual edifício poderia suportar, fazendo com que houvesse até 50 alunos por turma. Ao folhear as cadernetas escolares, a diretora identificou que o número de alunos que abandonaram os cursos foi grande, sobretudo no curso colegial, acarretando despesas para o estado com a criação de novas turmas, o que poderia ser evitado. Inclusive, ao analisar os resultados finais publicados no Diário Oficial do Estado de Sergipe, a dirigente concluiu que o aproveitamento foi baixo, haja vista que em algumas turmas apenas 5 ou 6 alunos foram aprovados. Embora fosse difícil para ela apontar imediatamente as causas desse baixo aproveitamento, faria um estudo mais aprofundado para revelá-las (Livro de Correspondências do Atheneu Sergipense, 1952, Ref. 1187FASG1S05).

Contudo, ressaltamos que o que mais preocupava e mais demandou esforços de Thetis Nunes foi a biblioteca escolar, que se encontrava desorganizada, sem um salão adequado, sem método de catalogação, fichário ou plano para aquisição de novos livros de leitura. Desse modo, o local não passava de um amontoado de livros. Outra questão preocupante era a falta de materiais imprescindíveis para as aulas de Geografia, História e Línguas Vivas. Quanto à situação econômica da instituição, a diretora advertiu que algumas verbas foram suplementadas no decorrer do ano findo, enquanto outras deixaram pequenos saldos, a exemplo da verba destinada a concursos, que não foram realizados naquele ano.

Neste primeiro tópico, inferimos a visão de Thetis Nunes sobre o programa administrativo da gestão anterior à sua. No próximo, por meio do segundo relatório, datado de 10 de janeiro de 1953, trataremos das ações afirmativas da diretora em prol da educação do Atheneu Sergipense, e, do Estado, haja vista esta instituição ser referência para as demais.

 

Segundo parecer: ações afirmativas da diretora do Atheneu Sergipense

Por meio do Decreto-Lei nº 4.244, de 9 de abril de 1942, foi decretada a Lei Orgânica do Ensino Secundário. O art. 78 da referida lei trata da incumbência do diretor escolar, cabendo a ele presidir o funcionamento dos serviços escolares, o trabalho docente, as atividades e os momentos de recreação dos alunos; manter vivas as relações da comunidade escolar com a vida exterior; zelar pela conservação do patrimônio material, pela saúde escolar, pelos assuntos de escrituração e arquivo, bem como pela ordem do aparelhamento escolástico (Brasil, 1942).

Quando Thetis Nunes assumiu a direção do Atheneu Sergipense, essa era a lei vigente. Portanto, em cumprimento às suas atribuições como diretora, emitiu, em 1953, um relatório descritivo sobre o funcionamento da instituição no decorrer de 1952. O primeiro ponto abordado diz respeito ao edifício do colégio, concebido como o mais moderno dos estabelecimentos de ensino do estado na época, mas que ainda necessitava de algumas adaptações, visando, principalmente, a acomodar o maior número possível de alunos. A dirigente informou que algumas obras estavam próximas de serem concluídas e inauguradas, mas reiterou a necessidade de uma área coberta para recreação dos alunos, visto que a que a escola possuía não atendia ao número de estudantes matriculados.


 

Figura 3 – Vista aérea do Atheneu Sergipense (1950)

Fonte: Extraído do Álbum Atheneu Sergipense (Alves, Oliveira e Costa, 2021, p. 28).

 

Como mostra a Figura 3, faltava à unidade de ensino um estádio condizente com o edifício. Entretanto, esse problema foi contornado provisoriamente com o aterro parcial do terreno lateral e a muragem. Logo, notamos que a diretora, além de nomear um novo professor de Educação Física, começou a extinguir os contratados – na sua totalidade estudantes – que, no entendimento dela, causavam problemas de disciplina. Além disso, relatou que estavam sendo comprados materiais especializados para essa seção, que se encontrava parcialmente aparelhada.

Em análise das correspondências, identificamos que, durante a gestão de Thetis Nunes, tanto alunos quanto profissionais da casa se deslocaram para o Rio de Janeiro a fim de especializarem-se na Escola Nacional de Educação Física e Desportos (ENEFD). Foi o caso dos monitores Luiz Barbosa e José Carlos Freire Calazans, e do aluno José Sotero Filho, que cursava a 2ª série do curso científico, todos contemplados por bolsas de estudos (Livro de Correspondências do Atheneu Sergipense, 1952-1953).

Se em 1951 houve 849 matriculados, em 1952 as matrículas foram as seguintes: curso ginasial – 563 alunos; curso colegial – 278 alunos, totalizando 841 alunos. Thetis Nunes retificou nesse relatório que um problema de difícil solução seria o abandono dos alunos durante o ano letivo, como já havia sido verificado em 1951. Assim como no primeiro relatório, afirmou não saber o motivo do abandono; entretanto, acreditava que a solução seria a adoção de um exame de seleção, como praticavam o Colégio Pedro II e outros estabelecimentos congêneres, e assim procedeu, como evidenciado pela Portaria no 21, de 15 de janeiro de 1954, publicada no Diário Oficial do Estado (Recortes de Jornais, Hemeroteca – APES, 1954).

Novamente, as reprovações teriam sido naquele ano em grande escala, fazendo-a lamentar o baixo aproveitamento e levantar como hipóteses as seguintes: o curso primário era mal feito, havia falta de cooperação dos pais, existiam falhas no sistema educacional e predominava o ensino teórico.

Dando continuidade, a diretora revelou que houve alguns afastamentos imprevistos de professores catedráticos, como foi o caso de Manoel Ribeiro e Franco Freire. Além disso, continuavam afastados José Felix e Augusto Azevedo. Isso a levou a solicitar ao governador, por meio de correspondências, a contratação dos seguintes docentes: Jugurta Feitosa Franco para lecionar Latim; José Franklin – Francês e Geografia Geral; Francisco Portugal – Espanhol; José Fonseca G. – Matemática; Severino Uchôa – Geografia Geral e Geografia do Brasil; Maria das Graças Azevedo Melo – História Geral; José Bonifácio Fortes Neto – História do Brasil; Maria José Ribeiro Teles – Trabalhos Manuais; Maria Leite Melo e Joaquim Carlos de Souza – Francês; Walfrido Maria de Andrade e Manoel Joaquim Soares Lima – Matemática (Livro de Correspondências, 1952, Ref. 1187FASG1S05).

O relatório revela ainda que, muitas vezes, para suprir as lacunas deixadas por tais professores, Thetis Nunes teve que recorrer a outros docentes já sobrecarregados. Em análise de outras correspondências, evidenciamos que a própria diretora, ao longo da sua gestão, assumiu algumas turmas suplementares devido à falta de profissionais. Em 1952, lecionou Geografia Geral na turma B da 2ª série ginasial e nas 1ª e 2ª séries do curso clássico, bem como nas turmas A, B e C da 1ª e 2ª séries do curso científico. Novamente, em 1953, por meio da Portaria no 155, de 28 de março, foi designada para lecionar Geografia Geral nas turmas A, B, C e D da 1ª série do curso científico (Livro de Correspondências do Atheneu Sergipense, 1952-1953).

Constatamos também que a diretora fez inúmeras solicitações de suplementação de verbas para aquisição de materiais escolares que atendessem às exigências pedagógicas, além de usar as verbas já existentes para adquirir material para o salão de História e Geografia. Para o ano seguinte, ela previa a organização das salas de Línguas Vivas, Desenho e Trabalhos Manuais.

Com muita diligência e persistência, Thetis Nunes pôs em funcionamento o salão destinado à Biblioteca, realizando uma reorganização total do setor. Adquiriu novos materiais permanentes, como livros, revistas e outras publicações, catalogando-os por número de registro, classificação, nome do autor e título das mais variadas obras (poemas, enciclopédias, orações, didáticos, ensaios, anais, entre outras).

Vale realçar a importância de tal documento para pesquisadores das áreas Exatas e Humanas (História, Geografia, Língua Portuguesa, Literatura, Religião, Filosofia, Química, Física) interessados em estudar os compêndios adotados pela instituição no período.

Denotamos ainda que Thetis Nunes solicitou, no referido relatório, a criação do cargo de vice-diretor do Atheneu Sergipense, considerando que o diretor não era capaz, sozinho, de enfrentar todos os problemas que surgiam. Identificamos que seu pedido foi atendido por meio do decreto de 21 de fevereiro de 1952, quando o governador designou o então conservador da biblioteca, senhor Epaminondas Rocha Teles, para tal função (Recortes de Jornais, Hemeroteca – APES, 1952).

Já em setembro daquele ano, inaugurou-se um gabinete dentário que, desde então, prestava relevantes serviços aos estudantes, principalmente aos pobres. Aferimos que, naquele ano, foram feitas 101 obturações e 41 extrações. Também criou a Cooperativa Escolar João Ribeiro, cuja primeira assembleia ocorreu em agosto de 1953 (Livro de Exames e Concursos do Atheneu Sergipense, Ref. 417FASS06).

Por fim, houve a criação do auditório-teatro do Atheneu Sergipense, que foi a menina dos olhos de Thetis Nunes. Sua construção se deu por meio do Decreto nº 206, de 2 de junho de 1953, que liberou a verba de dois milhões, oitocentos e um mil cruzeiros (Cr$ 2.801.000,00) (Recortes de Jornais, Hemeroteca – APES, 1954). Tamanho foi o contentamento da dirigente que, por ocasião da inauguração, proferiu as seguintes palavras:

A esperança de sua construção é longínqua, muitos o sonharam. A realidade, porém, só hoje temos, graças à ousadia e ao espírito empreendedor do governador Arnaldo Garcez. Data do início do seu governo, o sonho da construção do auditório, sonho exposto à Congregação do Colégio Estadual de Sergipe e entusiasticamente recebido, havendo de logo apaixonados dela sobretudo os professores Manuel Ribeiro e Felte Bezerra [...] É nossa esperança que, no futuro, aqui poderemos através de grandes intérpretes ouvir ecoar as vozes de personagens imortais criados por Moliére, Ibsen, Shaw ou Shakespeare; [...] nos encontraremos com os ritmos das baladas criadas por Tchaikowsky, Shubert ou Stravinsky; [...] ouviremos execuções famosas de Chopin, Lizt ou Bethoven. Conferencistas famosos, aqui, poderão nos trazer, através de sua palavra, as últimas conquistas das ciências ou mensagens literárias [...] para nossa mocidade escolar, o Auditório terá profunda influência. Permitirá o despertar de vocações, o desabrochar de talentos nos festivais a serem organizados (Nunes, 1999 apud Santos, 1999, p. 32-33).

 

Convém frisar que o auditório era anexo à escola, sendo encarregada de administrá-lo, por decreto governamental de 7 de setembro de 1954, uma comissão de membros da congregação do Atheneu Sergipense composta por Pe. José de Araújo Mendonça, Feltre Bezerra, Maria Thetis Nunes, João Alfredo Montes e Augusto Pereira de Azevedo (Recortes de Jornais, Hemeroteca – APES, 1955).

Para Anunciação (2019, p. 33), o Auditório-Teatro do Atheneu Sergipense incentivou “a experiência do fazer artístico”, a saber na década de 1960, por iniciativa e coordenação do professor Caetano Quaranta, seria organizado pelos alunos do Atheneu Sergipense o Teatro de Estudantes (TECES). A autora reitera que o grupo promovia para a sociedade/familiares/amigos a releitura de grandes peças do cenário nacional. Dessa maneira aos poucos o Auditório-Teatro ia tomando rumo contrário ao defendido pela comissão responsável por administrá-lo e se consolidava como o principal palco oficial de apresentações de Aracaju. 

Concebido como auditório para atividades complementares do Atheneu Sergipense recebeu em seus palcos talentos locais/nacionais/internacionais, só para citar, o Ballet Imperial da Rússia. Além do mais, viu surgirem/florescerem/criarem asas e voarem inúmeros grupos teatrais. Por três vezes fechou as portas: (na década de 80), (1990/1992) e (2009/2011), sendo as duas últimas para reformas, tornando-se assim o mais antigo espaço cênico de Sergipe (Sergipe, 2023).

 

Breves comentários

A trajetória acadêmica e intelectual de Maria Thetis Nunes tornou-a uma referência na História da Educação. Mulher de fibra e convicções claras, transpôs barreiras. Como já mencionado, foi uma das primeiras mulheres do estado a concluir o Ensino Superior. Também participou ativamente da luta pela criação da primeira instituição de Ensino Superior público de Sergipe, a UFS, onde foi professora e a primeira mulher a ocupar o cargo de vice-reitora (1976).

Sua presença marcante também se vincula a outras instituições importantes em Sergipe, como sua dedicação por mais de 30 anos à presidência do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, além de sua atuação no Conselho Estadual de Cultura e no Conselho Estadual de Educação.

Sua luta pela abertura de espaço para o ingresso das mulheres se materializou quando passou a integrar ambientes tradicionalmente masculinos, como as academias de letras – e a Academia Sergipana de Letras não fugiu à regra. Ainda assim, como professora e escritora, foi aprovada em concurso e, em meados de dezembro de 1951, assumiu a direção da principal casa de educação secundária do estado de Sergipe: o Atheneu Sergipense.

Ante o exposto, é possível considerar que, durante o período em que esteve à frente do Atheneu Sergipense, Maria Thetis Nunes revestiu-se de muita persistência e realizou significativas ações no campo da didática escolar, das quais destacamos: a catalogação dos livros da biblioteca e o aparelhamento desse salão com obras de grande préstimo, que serviram notoriamente ao alunado, que dispunha de poucos recursos, passando os estudantes a ter acesso aos livros e às obras por meio do sistema de empréstimo e do manuseio via biblioteca escolar.

Ressaltamos, também, sua preocupação com a classe estudantil menos favorecida, não medindo esforços para instalar e manter o gabinete dentário, além de fundar a Cooperativa Escolar João Ribeiro. Thetis Nunes, em sua gestão, cuidou do aparelhamento dos salões de História, Geografia, Física, Química, Desenho e Trabalhos Manuais, contribuiu para que o jornal estudantil O Atheneu voltasse a circular, estimulou as agremiações estudantis – Grêmio Estudantil Clodomir Silva e formou um quadro de profissionais qualificados.

Entretanto, vale mencionar que a inauguração do auditório – hoje Teatro Atheneu – foi o fato que mais marcou sua gestão, já que o governador a delegou para inaugurá-lo em seu nome (Santos, 1999). Além de seu engajamento pela educação sergipana, Thetis Nunes destacou-se pelo forte senso de liderança, comandando com destreza a congregação do Atheneu, composta por 21 membros do sexo masculino – todos intelectuais célebres que não se deixaram abalar pelas questões de gênero da época e respeitavam a ilustre intelectual também como líder.

Com postura firme e diálogo claro, Thetis Nunes se firmou como representante da educação sergipana, não se furtando a garantir que sua gestão mantivesse um canal direto de comunicação com o chefe do Executivo, sem intermediação do diretor da Instrução Pública. Vale lembrar que essa foi uma exigência feita por ela para aceitar o cargo, prontamente aceita pelo governador. Na verdade, Thetis Nunes queria assegurar que suas solicitações chegassem diretamente às mãos de Arnaldo Garcez.

Apesar das inúmeras responsabilidades atribuídas ao cargo que assumiu a convite, a intelectual sergipana demonstrou equilíbrio, disposição e competência, enfrentando mais um desafio com ousadia, mesmo sem ter apreço pela área administrativa.

 

Referências

ALVES, Eva Maria Siqueira. O Atheneu Sergipense: traços de uma história. Aracaju: ADGRAF, 2005b.

 

ALVES, Eva Maria Siqueira; OLIVEIRA, João Paulo Gama; COSTA, Rosemeire Marcedo (Orgs.). Álbum Atheneu Sergipense. Aracaju: Códice, 2021. 

 

ANUNCIAÇÃO, Tássia Oliva de Souza. O teatro Atheneu e suas memórias: palco-casa da arte em Aracaju/Sergipe. 2019. 77 f. Monografia (Licenciatura em Artes) – Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2019.

 

APES, Arquivo Público de Sergipe. Hemeroteca, Recortes de Jornais do Diário Oficial do Estado de Sergipe, 1951-1957, Notação I³³05-A.

 

BASSANEZI, Carla. Mulheres os anos dourados. In: PRIORE, Mary Del (Org.). História das mulheres no Brasil. 9. ed. São Paulo: Contexto, 2007. p. 607-639.

 

BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Tradução Maria Helena. 11ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012. 160 p.

 

BRASIL. Ministério da Educação. Decreto-lei nº 4.244, de 9 de abril de 1942. Dispõe sobre a Lei orgânica do ensino secundário. Brasília, DF, 1942. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/1937-1946/Del4244.htm. Acesso em: 05 de mar. 2021.

 

CEMAS, Centro de Educação e Memória do Atheneu Sergipense. Livro de Correspondências do Atheneu Sergipense, 1952, Ref. 1187FASG1S05.

 

CEMAS, Centro de Educação e Memória do Atheneu Sergipense. Livro de Correspondência, 1953, Ref. 1206FASG1S05.

 

CEMAS, Centro de Educação e Memória do Atheneu Sergipense. Livro de Exames e Concursos do Atheneu Sergipense, Ref. 417FASS06.

 

LOMBARDI, José Claudinei. A importância da abordagem histórica da gestão educacional. In: ANDREOTTI, Azilde L.; LOMBARDI, José Claudinei; MINTO, Lalo Watanabe (Orgs.). História da administração escolar no Brasil: do diretor ao gestor. Campinas, SP: Alínea, 2012.

 

MENEZES, José Américo Santos. Escola de Educação Física da Universidade Federal de Sergipe: uma possível história. 1997. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 1997.

 

NUNES, Maria Thetis. A civilização Árabe: sua influência na civilização ocidental. Aracaju, SE: J. Andrade LTDA., 2002.

 

NUNES, Maria Thetis. Maria Thetis – Uma vida para a Educação. [Entrevista concedida a] Glauco Vinícios e Raquel Almeida. INFONET, Sergipe, 4 mar. 2008. Disponível em: https://infonet.com.br/noticias/cidade/maria-thetis-uma-vida-para-a-educacao/. Acesso em: 3 jun. 2025.

 

RODRIGUES, Marly. O Brasil na década de 1910: a fábrica e a rua, dois palcos de luta. São Paulo: Ática, 1997.

 

SANTOS, Adriana de Andrade Santos. “Por força das circunstâncias”: Maria Thétis Nunes na direção do Colégio Estadual de Sergipe (1951-1955). 2021. 201 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE, 2021.

 

SANTOS, Maria Nely. Professora Thétis: uma vida. Aracaju: Gráfica Pontual, 1999.

 

SERGIPE. Teatro Atheneu. Fundação de Cultura e Arte Aperipê – FUNCAP, 2023. Disponível em: https://www.se.gov.br/funcap/funcap_teatro_atheneu. Acesso em: 22 jun. 24.

 

SIAN, Sistema de Informações do Arquivo Nacional. Serviço Nacional de Informações (SNI). Doc. ACE 4025/82.

 

SIRINELLI, Jean-François. Os intelectuais. In: RÉMOND, René. Por uma história política. 2ª ed. Rio de Janeiro: FGV, 2003. p. 231-269.

 

SOUZA, Suely Cristina Silva. “Habilitado ou “inabilitado”: os concursos para ensino secundário em Sergipe (1875-1947). 2016. 399 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2016.

 

Interface gráfica do usuário

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

This work is licensed under a Creative Commons Attribution- NonCommercial 4.0 International (CC BY-NC 4.0)

Notas



[1] Declaração de Maria Thetis Nunes, em entrevista a Maria Nely Santos em 21 de dez. 1997, ao relembrar o convite feito pelo Governador Arnaldo Rollemberg Garcez. Texto extraído da obra de Santos (1999, p. 27).

[2] O conceito de intelectual empregado no texto é o defendido por Sirinelli (2003) que o entende enquanto criadores, mediares, receptores de cultura e atores do fazer político, aqueles que escreveram/escrevem suas ações no tempo.

[3] Nomenclatura correspondente ao período em que Thetis Nunes foi dirigente.