Saúde e adoecimento de professores universitários: uma revisão integrativa de teses e dissertações produzidas no Brasil

 

Health and illness of university professors: an integrative review of theses and dissertations produced in Brazil

         

Flavinês Rebolo

Universidade Católica Dom Bosco, Mato Grosso do Sul, Brasil

flavines.rebolo@uol.com.br - http://orcid.org/0000-0002-4763-7434

 

Sônia da Cunha Urt

Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso do Sul, Brasil

surt@terra.com.br - https://orcid.org/0000-0002-0309-3498

 

 

 

Recebido em 20 de agosto de 2020

Aprovado em 09 de setembro de 2020

Publicado em 02 de agosto de 2022

 

                                                         

RESUMO

A saúde dos professores universitários se tornou objeto de investigação nos últimos anos tendo em vista o aumento crescente do adoecimento dessa categoria profissional. Com o objetivo de mapear, analisar, sintetizar e integrar o conhecimento produzido sobre o processo de saúde-adoecimento, realizou-se um levantamento das dissertações e teses produzidas sobre a temática nos últimos 20 anos. Foram localizados 72 trabalhos (16 teses e 56 dissertações), no Catálogo de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CTD/CAPES), com as palavras-chave “saúde dos professores” e “adoecimento de professores”. Desses trabalhos foram selecionados para análise 19 estudos (10 dissertações e 9 teses) que tinham como sujeitos os professores universitários.  Conclui-se que a temática da saúde e adoecimento dos professores universitários ainda é pouco investigada, que os estudos priorizam o adoecimento e não a saúde, e que as condições de trabalho são as principais causas apontadas para o adoecimento.

Palavras-chave: Professor universitário; Saúde docente; Adoecimento docente.

 

ABSTRACT

The health of university professors has become an object of investigation in recent years in view of the growing increase in the illness of this professional category. With the objective of map, analyze, synthesize and integrate the knowledge produced about the health-illness process, a search of the dissertations and theses produced on the subject in the last 20 years was carried out. 72 studies (16 theses and 56 dissertations) were found in the Catalog of Theses and Dissertations of the Coordination for the Improvement of Higher Education Personnel (CTD / CAPES), with the keywords “teachers' health” and “teachers' illness”. From these works, 19 studies (10 dissertations and 9 theses) were selected for analysis, which had university professors as subjects. It is concluded that the theme of health and illness of university professors is still little investigated, that studies prioritize illness and not health, and that working conditions are the main causes pointed to illness.

Keywords: University professor; Teaching health; Teaching illness.

 

INTRODUÇÃO

O trabalho do professor universitário tem passado por grandes transformações devido, principalmente, às mudanças socioculturais e político-econômicas que afetam a sociedade contemporânea em geral e as universidades em particular. Considerando que o trabalho é um elemento central na constituição das pessoas, que pode ser entendido tanto como necessidade e desejo, e que garante a sobrevivência física, psicológica e social, pode-se afirmar que o esforço que os professores fazem para se adaptar às mudanças que ocorrem no âmbito do trabalho, na direção de mantê-lo e realiza-lo da melhor forma possível, será grande. Esse esforço, no entanto, nem sempre será realizado sem o comprometimento da saúde do professor. Vários autores, Dejours (1992), Maggi e Tersac (2004), Andrade e Cardoso (2012), entre outros, apontam como o trabalho contribui significativamente para o adoecimento dos trabalhadores e afirmam a necessidade de se conhecer melhor como se constitui o processo de adoecimento e de se discutir ações possíveis para a promoção da saúde.

Nesse contexto, a saúde e o adoecimento dos professores é uma temática que tem recebido atenção crescente dos pesquisadores de diversas áreas. Nos últimos anos tem aumentado significativamente o número de professores afastados de suas atividades laborais por motivos de saúde e, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a profissão docente é considerada como uma das mais estressantes, com repercussões negativas na saúde física, mental e no desempenho profissional (REIS et al., 2006).

Com o objetivo de conhecer como o processo saúde-adoecimento de professores universitários vem sendo investigado em estudos produzidos no Brasil, esta pesquisa, de abordagem qualitativa, descritiva e analítica, está delineada como uma revisão integrativa de literatura.

O método da revisão integrativa, segundo Botelho, Cunha e Macedo (2011, p.133), viabiliza, por meio da catalogação, sistematização e análise, a integração do conhecimento científico produzido sobre determinada temática, possibilitando que se trace um panorama sobre essa produção, conhecendo a evolução do tema ao longo do tempo e visualizando possíveis lacunas que indicarão a necessidade de pesquisas futuras.

A pesquisa iniciou-se com o mapeamento e catalogação das teses e dissertações produzidas nos últimos 20 anos (de 2000 a 2019) nos programas de pós-graduação stricto sensu. O levantamento dos estudos foi realizado entre agosto e setembro de 2019 e atualizado em abril de 2020, no Catálogo de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CTD/CAPES), com as palavras-chave: “saúde dos professores” e “adoecimento de professores”, colocadas entre aspas para delimitar a busca. Foram localizados 72 trabalhos (16 teses e 56 dissertações). Não foi usado recorte temporal, ou seja, todos os trabalhos, independentemente da data de publicação, foram considerados para a análise. Desses 72 trabalhos foram selecionados 19 (10 dissertações e 9 teses) que tratavam especificamente de professores universitários e que constituíram o corpus de análise deste estudo. Todos os resumos desses trabalhos foram catalogados e, para os trabalhos anteriores à Plataforma Sucupira, que não continham o resumo no CTD/CAPES, os resumos foram buscados na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD/IBICT) ou nos sites das universidades onde os trabalhos foram realizados.

Os 19 estudos selecionados foram organizados em um quadro com os seguintes itens: título e autor, ano de defesa, nível acadêmico (dissertação ou tese), Instituição de Ensino Superior (IES), objetivos, metodologia e principais resultados. Como aponta Ferreira (2002), esse primeiro contato do pesquisador com os dados objetivos das produções encontradas possibilita que se perceba

 

que as pesquisas crescem e se espessam; ampliam-se em saltos ou em movimentos contínuos; diversificam-se os locais de produção; em algum tempo ou lugar ao longo de um período (FERREIRA, 2002, p. 265).

 

Após essa primeira organização, os estudos foram organizados em eixos temáticos, agrupando-se os trabalhos que mais se aproximavam, utilizando como critérios de aproximação: o objetivo geral das investigações, as metodologias (quantitativas, qualitativas e suas modalidades), o referencial teórico e os resultados.

As análises desses estudos permitiram compreender e sintetizar os modos como o conhecimento sobre a saúde e o adoecimento de docentes vem sendo construído, histórica e cientificamente, bem como os fatores e as dinâmicas (individuais e grupais) que possibilitam a prevenção do adoecimento e a promoção da saúde dos professores universitários no Brasil.

Os resultados são apresentados a seguir, em quatro partes: 1. Caracterização das pesquisas, 2. Objetivos das pesquisas, 3. Abordagens teórico-metodológicas e instrumentos/procedimentos para coleta e análise dos dados e 4. Causas e consequências do adoecimento dos professores universitários.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Caracterização das pesquisas

Com a análise dos 19 trabalhos, constatou-se que há um crescente aumento das investigações sobre a temática (Tabela 1). Desde o primeiro estudo, realizado em 2000, até o ano de 2012, foram realizadas 6 pesquisas sobre a temática e, de 2014 até 2018, foram desenvolvidas 13 pesquisas. Percebe-se, assim, que é nos últimos cinco anos que se intensificam as pesquisas sobre a saúde e o adoecimento dos professores universitários. Percebe-se, também, que em relação ao nível acadêmico das produções, há uma quase equivalência entre dissertações (10) e teses (9).

Tabela 1 – Distribuição de Teses e Dissertações sobre saúde e adoecimento de professores universitários, por ano de defesa

Ano

Dissertações

Teses

Total

2000

1

-

1

2006

-

1

1

2009

-

1

1

2010

1

1

2

2012

1

-

1

2014

3

1

4

2016

2

1

3

2017

2

1

3

2018

-

3

3

2019

-

-

-

Total

10

9

19

Fonte: Elaborado pelas autoras (2020).

Em relação às instituições de ensino nas quais os trabalhos foram realizados, nota-se, pela Tabela 2, que a questão da saúde e do adoecimento de professores universitários foi investigada, nos últimos 18 anos, em 16 universidades brasileiras, sendo que na Universidade Federal de Santa Catarina foram desenvolvidas três pesquisas, na Universidade de Brasília duas e nas demais universidades uma pesquisa em cada.

Tabela 2 - Distribuição de Teses e Dissertações sobre saúde e adoecimento de professores universitários, por Instituição de Ensino

INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR

Programa de Pós-Graduação em:

NÚMERO DE TESES E DISSERTAÇÕES

1.      Centro Universitário São Camilo

Bioética

1

2.      Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Ciências Sociais

1

3.      Universidade de Brasília

Psicologia

1

Universidade de Brasília

Educação

1

4.      Universidade de Uberaba

Educação

1

5.      Universidade do Estado de Mato Grosso

Educação

1

6.      Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Psicologia

1

7.      Universidade Estadual de Feira de Santana

Saúde Coletiva

1

8.      Universidade Federal da Bahia

Estudos Interdisciplinares sobre a Universidade

1

9.      Universidade Federal de Santa Catarina

Enfermagem

2

Universidade Federal de Santa Catarina

Engenharia de Produção

1

10.    Universidade Federal de Uberlândia

Educação

1

11.    Universidade Federal do Amazonas

Psicologia

1

12.    Universidade Federal do Pará

Educação

1

13.    Universidade Federal do Rio de Janeiro

Enfermagem

1

14.    Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Psicologia

1

15.    Universidade Federal Fluminense

Educação

1

16.    Universidade Tecnológica Federal do Paraná

Letras

1

Fonte: Elaborado pelas autoras (2020).

Ainda pela Tabela 2, observando os programas de pós-graduação nos quais as pesquisas foram desenvolvidas, percebe-se que a área que mais tem se dedicado ao estudo da questão da saúde e adoecimento dos professores universitários é a área da Educação, com 6 pesquisas; depois a área da Psicologia (4) e da Enfermagem (2). Os demais Programas de Pós-Graduação que investigaram a temática foram das seguintes áreas: Bioética, Ciências Sociais, Saúde Coletiva, Estudos interdisciplinares, Engenharia de Produção e Letras.

Enfoque e objetivos das pesquisas

Quanto aos objetivos, há uma predominância das pesquisas que buscam entender ou explicar o processo de saúde e adoecimento relacionando-o com aspectos das condições de trabalho, como a intensificação e a sobrecarga de trabalho, a precarização e as novas exigências ao trabalho docente, a questão da reestruturação da universidade pública e o processo de mercantilização nas universidades brasileiras, ao clima organizacional e relações interpessoais no ambiente de trabalho. Há, em menor número, algumas pesquisas que buscam nas situações e vivências geradoras de prazer e sofrimento no processo de trabalho e nas crenças determinantes de resiliência as causas do adoecimento. Duas pesquisas investigaram as práticas de promoção de saúde, pessoais e profissionais que contribuem para o evitamento do adoecimento e apenas uma pesquisa teve por objetivo identificar a prevalência de um tipo específico de adoecimento, os Transtornos Mentais Comuns (TMC) associados ao Estresse ocupacional.

Nas pesquisas de Moura (2018), Farias Junior (2014), Léda (2009), Andrade (2014), Perez (2012), Neves (2014), Sartori (2017), Carneiro (2014) e Santos (2016), as condições de trabalho são delimitadas em aspectos específicos a serem investigados, como, por exemplo: a intensificação e a sobrecarga de trabalho, a precarização e as novas exigências ao trabalho docente, a organização do trabalho na ordem do capitalismo flexível e as suas diversas formas de dominação, a questão da reestruturação da universidade pública e o processo de mercantilização nas universidades brasileiras. As condições de trabalho, relacionadas ao ambiente e clima organizacional, especialmente relacionado às relações interpessoais no trabalho, são os objetivos de Nascimento (2018) e Silva (2016), que visam investigar como os conflitos no ambiente de trabalho e o assédio moral implicam no adoecimento dos professores.

Gonçalves (2010) e Perez (2012) investigam as situações e vivências geradoras de prazer e sofrimento no processo de trabalho de docentes. Como afirma Caponi (2003), a doença não pode ser compreendida apenas por meio das medições fisiopatológicas, pois quem estabelece o estado da doença é o sofrimento, a dor, o prazer, enfim, os valores e sentimentos expressos pelo corpo subjetivo que adoece e, nesse sentido, as discussões sobre saúde-doença dos professores universitários se ampliam. Nessa mesma linha, Soares (2016) investiga os modelos de crenças determinantes de resiliência dos docentes e o padrão de comportamento de resiliência e de adoecimento dos professores universitários.

Freitas (2006) analisa o processo de saúde-adoecimento no âmbito da Educação a Distância (EaD). É o único trabalho que delimita, especificamente, o trabalho do professor em ambientes virtuais, ainda que nos últimos anos esse tipo de ensino tenha aumentado muito.

As práticas de promoção de saúde, pessoais e profissionais, de professores universitários, foram investigadas por Antonini (2018) e Abreu (2017), que buscaram compreender como essas práticas contribuem para o evitamento do adoecimento no trabalho.

Santos (2016) objetivou, em sua pesquisa, estimar a prevalência de Transtornos Mentais Comuns (TMC), identificar fatores associados à sua ocorrência e verificar a associação entre Estresse ocupacional e TMC.

 

Abordagens teórico-metodológicas e instrumentos/procedimentos para coleta e análise dos dados

Em relação ao tipo de pesquisa, das 19 pesquisas analisadas, 18 eram pesquisas empíricas e uma pesquisa bibliográfica. A única pesquisa bibliográfica, do tipo estado do conhecimento, foi realizada por Carneiro (2014), que utilizou a abordagem quanti-qualitativa e analisou duas dissertações e seis teses produzidas nos Programas de Pós-Graduação em Educação e em Psicologia, da Universidade Federal de Minas Gerais.

Nas pesquisas de abordagem qualitativa temos as seguintes tipologias: uma pesquisa-ação, uma cartográfica, uma utilizando os círculos de cultura, duas com a Clínica do Trabalho e sete em que os autores não explicitaram a tipologia.

Antonini (2018) utilizou a pesquisa ação participante articulada com o Itinerário de Pesquisa de Paulo Freire, desenvolvendo Círculos de Cultura nos quais o grupo de professores participantes, por meio do diálogo, foi encorajado na discussão de posicionamentos e opiniões acerca das práticas de promoção da saúde e saúde do trabalhador. A Cartografia foi utilizada por Evangelista (2017) por possibilitar, segundo a autora, o acompanhamento dos processos, dos movimentos e dos sentidos, especialmente em uma pesquisa que se dedica a compreender a construção de subjetividades em sua relação com a saúde. Silva (2016) e Sartori (2017) utilizaram o método da Clínica do Trabalho e da ação, que propicia um espaço auto confrontação, de fala e escuta das vivências de prazer e sofrimento no trabalho.

Os principais instrumentos utilizados para a coleta de dados, nas outras sete pesquisas de abordagem qualitativa foram: entrevistas semiestruturadas (MOURA, 2018; FARIAS JUNIOR, 2014; NASCIMENTO, 2018; LÉDA, 2009; GONÇALVES, 2010; BIAZUS, 2000; MOTA, 2010; PEREZ, 2012 e ABREU, 2017), questionário/survey online (MOURA, 2018) e observações (BIAZUS, 2000).

Os dados obtidos nas pesquisas citadas acima foram analisados com a técnica da análise de conteúdo em conjunto com a análise bioética à luz da concepção latino-americana (NASCIMENTO, 2018); da teoria social do discurso, elaborada por Norman Fairclough (LÉDA, 2009); da análise categorial temática, proposta por Bardin, (GONÇALVES, 2010 e ABREU, 2017); da análise ergonômica do trabalho (BIAZUS, 2000) e da análise pautada nos pressupostos da psicodinâmica do trabalho (PEREZ, 2012).

Das três pesquisas de abordagem mista (quanti-qualitativa), Andrade (2014) utilizou a pesquisa documental, analisando a descrição das doenças registradas no Setor de Perícia em Saúde da Diretoria de Qualidade de Vida e Saúde do Servidor (DIRQS) para traçar o perfil epidemiológico dos docentes de uma universidade federal. E Freitas (2006) e Neves (2014) utilizaram, para a coleta de dados, entrevistas semiestruturadas, em conjunto com os seguintes instrumentos: Inventário de Trabalho e Riscos de Adoecimento (ITRA); Escala de Contexto de Trabalho (ECT); Escala de Custo Humano do Trabalho (ECHT); Escala de Prazer-Sofrimento no Trabalho (EPST); Escala de Danos Relacionados ao Trabalho (EDRT); Escala de Vulnerabilidade ao Estresse no Trabalho (EVENT); Escala para Identificação de Estressores no Trabalho Docente; Inventário Brief COPE e Escala de Coping no trabalho docente.

 

As análises dos dados quantitativos dessas pesquisas foram realizadas por meio de estatística descritiva e inferencial, através do software SPSS 12.0 e, para os dados qualitativos, utilizada a análise de conteúdo categorial temática.

As duas pesquisas de abordagem quantitativa, de Soares (2016) e Santos (2016), utilizaram os seguintes instrumentos para a coleta de dados: Escala Quest-Resiliência versão Ambiente de Trabalho; Escala de Avaliação dos Danos Relacionados ao Trabalho; Self Report Questionnaire-20 (SRQ-20) e Effort- Reward Imbalance Questionnaire (ERI). As análises dos dados foram realizadas no programa SPSS versão 18.0 for Windows e buscaram investigar o padrão de comportamento de resiliência e de adoecimento dos docentes (SOARES, 2016) e a prevalência de Transtornos Mentais Comuns (TMC) e sua associação com características sociodemográficas e do trabalho docente (SANTOS, 2016).

Tabela 4 – Instrumentos para a coleta de dados utilizados nos estudos analisados

Instrumentos/Procedimentos para a coleta de dados

N. de estudos que utilizaram

Entrevistas semiestruturadas

11

Questionários

8

Escala de Danos Relacionados ao Trabalho (EDRT)

2

Análise de documentos (perícias médicas)

1

Observação

1

Grupos de discussão

1

Clínica do trabalho

1

Análise de documentos (laudos periciais)

1

Inventário de Trabalho e Riscos de Adoecimento (ITRA)

1

Escala de Contexto de Trabalho (ECT)

1

Escala de Custo Humano do Trabalho (ECHT)

1

Escala de Prazer-Sofrimento no Trabalho (EPST)

1

Escala Quest_Resiliência versão Ambiente de Trabalho

1

Escala de Vulnerabilidade ao Estresse no Trabalho (EVENT)

1

Escala para Identificação de Estressores no Trabalho Docente

1

Inventário Brief COPE

1

Escala de Coping no trabalho docente

1

Self Report Questionnaire-20 (SRQ-20

1

Effort- Reward Imbalance Questionnaire (ERI)

1

Fonte: Elaborada pelas autoras (2020).

 

 Tabela 5 – Procedimentos utilizados para a análise qualitativa dos dados

Procedimentos para a análise qualitativa dos dados

Quant.

Análise de Conteúdo (Bardin)

6

Teoria Social do Discurso (Fairclough)

1

Análise Ergonômica do Trabalho

1

Análise pautada nos pressupostos da Psicodinâmica do Trabalho

1

 

 

 

 

 

 

Fonte: Elaborada pelas autoras (2020).

 

Tabela 6 – Procedimentos utilizados para a análise quantitativa dos dados

Procedimentos para a análise quantitativa dos dados

Quant.

Estatística descritiva e inferencial com o software SPSS 12.0

3

Estatística descritiva e inferencial com o programa SPSS versão 18.0 for Windows

1

Fonte: Elaborada pelas autoras (2020).

 

Ao analisar os estudos quanto ao aporte teórico-conceitual e os procedimentos de coleta e análise de dados utilizados nos estudos, constatou-se que no resumo de sete trabalhos (SOARES, 2016; NASCIMENTO, 2018; ANDRADE, 2014; MOTA, 2010; NEVES, 2014; ABREU, 2017; SANTOS, 2016) não há a explicitação do aporte teórico utilizado para o desenvolvimento das pesquisas. Nas demais, encontramos os seguintes referenciais teóricos: Materialismo histórico-dialético, Psicodinâmica do trabalho e Ergonomia da atividade.

 

 

Tabela 7 – Referenciais teóricos utilizados nos estudos analisados

Referencial adotado / autores mais citados

Quant.

Não mencionado

7

Materialismo histórico-dialético

5

Materialismo histórico-dialético e Psicodinâmica do trabalho

2

Materialismo histórico-dialético,  Psicodinâmica do trabalho e Ergonomia da atividade

1

Psicodinâmica do trabalho e Ergonomia da atividade

4

Fonte: Elaborado pelas autoras (2020).

 

O Materialismo histórico-dialético, que considera o trabalho fundamental para o processo de hominização e humanização do homem e discute como a crise estrutural do capital tem influenciado e reorganizando os processos de trabalho, inclusive no trabalho docente, foi utilizado por Farias Junior (2014), Léda (2009) e Carneiro (2014). Este aporte teórico também foi utilizado por Evangelista (2017) para discutir a expansão da lógica neoliberal, que orienta o espaço universitário pelos princípios da eficiência, da eficácia e da produtividade, gerando novas formas de organização do trabalho que podem levar ao adoecimento. Antonini (2018), ainda nesta perspectiva, articula o itinerário de pesquisa aos círculos de cultura, de Paulo Freire, visando à compreender como as práticas de promoção da saúde realizadas pelos professores de um Instituto da Rede Federal de Ensino contribuem para a sua saúde.

O Materialismo histórico-dialético também foi utilizado por Moura (2018), Gonçalves (2010) e Sartori (2017), juntamente com o aporte da Psicodinâmica do Trabalho, abordagem desenvolvida por Christophe Dejours, que investiga os impactos da organização do trabalho sobre a saúde dos trabalhadores e os mecanismos de defesa que esses trabalhadores utilizam frente às situações causadoras de sofrimento. SARTORI (2017) utiliza, além desses dois aportes, também o referente à Clínica da Atividade, de Yves Clot, uma metodologia com base na perspectiva histórico-cultural de Vigostski que possibilita aos “trabalhadores [se tornarem] capazes de transformar seu ofício, aumentando assim seu poder de agir” (BATISTA; RABELO, 2013, p. 2), frente às situações adversas do trabalho que são causadoras de sofrimento.

O aporte da Psicodinâmica do Trabalho também foi utilizado, em conjunto com a Ergonomia da atividade, nas pesquisas de Freitas (2006), Silva (2016), Biazus (2000) e Perez (2012). A Ergonomia da atividade propõe a análise do impacto do conteúdo do trabalho, do projeto de trabalho, da regulação da organização do trabalho e da saúde do trabalhador como um processo dinâmico, com vistas a construir propostas de reorganização do trabalho que levem a resultados positivos tanto para a organização como para os trabalhadores. De acordo com Freitas (2006), o trabalho, nesta proposta, é estudado com base em três dimensões: a organização do trabalho (conteúdo da tarefa, controles, prazos, ritmo e tempo), as condições de trabalho (ambiente físico e infraestrutura) e as relações socioprofissionais (modos de gestão e comunicação). Em decorrência das exigências impostas por essas três dimensões do trabalho o trabalhador vivenciará sentimentos de prazer-sofrimento que poderão levar ao adoecimento.

 

Causas e consequências do adoecimento dos professores universitários

Os danos à saúde física e/ou psicológica dos professores universitários, citadas juntamente com a questão do prazer-sofrimento no trabalho, aparecem nos resultados de praticamente todas as pesquisas como consequência das condições de trabalho. No entanto, apenas (FARIAS JUNIOR, 2014, CARNEIRO, 2014, NEVES, 2014 e ABREU, 2017) apontam, especificamente, as doenças identificadas nos professores universitários que participaram de suas pesquisas, sendo elas: problemas ergonômicos, vocais, mentais e funcionais, sendo os mais comuns LER/DORT, disfonia, estresse e síndrome de burnout.

As demais pesquisas, ao investigarem o processo saúde-adoecimento, identificam tanto os principais desencadeadores ou geradores dos adoecimentos físico e/ou psicológico dos professores, sem citar alguma patologia específica, como apontam também os principais elementos propiciadores e/ou mantenedores da saúde.

Em relação ao adoecimento, Freitas (2006) afirma que, no trabalho docente na Educação a Distância, ele aparece em função da rigidez da organização de trabalho, da ausência da imagem dos alunos, da intensa comunicação escrita, da auto-exigência de se fazer presente junto aos alunos, do intenso trabalho com o computador, e das dificuldades com o software de aprendizagem.

Nas pesquisas de Moura (2018), Farias Junior (2014), Andrade (2014), Léda (2009), Abreu (2017), Perez (2012), Evangelista (2017) e Carneiro (2014) o desenvolvimento de processos de adoecimento aparece fortemente relacionado com a intensificação e a precarização do trabalho no ensino superior, movido pelo irracionalismo produtivista (ou produtivismo acadêmico) que vigora e rege esse nível de ensino atualmente no Brasil. A intensificação e a precarização do trabalho docente também está relacionada, segundo Andrade (2014), à reconfiguração do ensino superior a partir dos anos de 1990. Esses autores ainda apontam que os sinais de desgaste e adoecimento aparecem frente à estrutura organizacional hierarquizada e burocratizada e às crescentes exigências laborais às quais os professores precisam se adaptar.

Para Léda (2009), Perez (2012) e Evangelista (2017), a intensificação e precarização do trabalho desencadeiam e/ou se combinam com outros elementos do complexo cotidiano universitário, como, por exemplo: controles e pressões no cumprimento de prazos, cobranças, ausência de democracia e de reconhecimento por parte dos superiores hierárquicos, sobrecarga de trabalho, desânimo, entre outros, que comprometem ainda mais a saúde física e psíquica dos professores. Ainda segundo Nascimento (2018) e Evangelista (2017), esses elementos interferem na autonomia do professor, propiciam grande competição no ambiente acadêmico, onde as disputas são cada vez mais coercitivas, produzindo efeitos nas relações interpessoais como conflitos, individualismo, competitividade, desconfiança, isolamento e uma grande insegurança que tem conduzido os docentes a uma instabilidade emocional potencialmente produtora de doença física e/ou mental.

As relações interpessoais desarmoniosas, como citado acima, também são identificadas por Nascimento (2018), Gonçalves (2010), Antonini (2018). Silva (2016) e Carneiro (2014), em suas pesquisas, como geradoras em potencial do adoecimento. Quando os professores se sentem injustiçados perante outros colegas em situações de conflito, quando não há mediação ou gerenciamento efetivo por parte da coordenação do curso, quando ocorre assédio moral, humilhação, desrespeito, isolamento e violência, os sentimentos de não pertencimento, frustração e desmotivação podem ser potencializados. E, nesse sentido, com um ambiente de trabalho patogênico, gerador de intenso sofrimento psíquico e de danos à saúde física e mental, a saúde dos professores é comprometida, resultando no adoecimento.

Abreu (2017), após identificar os elementos já citados acima como desencadeadores do adoecimento dos professores, afirma que eles provocam, consequentemente, impactos negativos na prática desses professores. Alerta que se faz necessário pensar e discutir amplamente as condições de trabalho nas instituições de Ensino Superior, fortalecendo, inclusive, a formação desses professores em um sentido de uma educação mais ampla e menos tecnicista.

Neves (2014) agrupa os aspectos desencadeadores do adoecimento em três dimensões: política, envolvendo a necessidade de mudanças nas políticas educacionais e de carreira docente; estrutural, envolvendo a providência de recursos suficientes e espaço físico adequado para a realização do trabalho; e relacional, envolvendo ações de melhoria das relações com os alunos, colegas e gestores institucionais.

Esses elementos que afetam a saúde e o trabalho dos professores universitários, segundo Santos (2016), também afetam a vida desses professores como um todo, o que contribui ainda mais para o adoecimento. A disponibilidade de tempo para o lazer e o descanso passa a ser raro no cotidiano desse profissional, levando-os a não realização de atividades regulares de lazer, a ter menos horas de sono do que as suas necessidades, a não realizar as refeições adequadamente e, até mesmo, se distanciando do convívio familiar, gerando situações de desequilíbrio físico, psicológico e social.

Neste cenário tem-se muitos professores doentes pelas condições precárias de trabalho, decepcionados e desestimulados, muitas vezes pensando, inclusive, em abandonar a profissão. No entanto, pode-se afirmar, como apontam as pesquisas de Freitas (2006), Léda (2009), Gonçalves (2010), Silva (2016), Mota (2010), Antonini (2018) e Sartori (2017), que quando as condições de trabalho são adequadas e as relações interpessoais harmoniosas e de apoio mútuo, os impactos sobre a saúde dos docentes é positivo.

Freitas (2006) afirma que os elementos flexíveis da organização do trabalho, a liberdade para expressar as características individuais, a cooperação, o coleguismo entre os pares e a relação satisfatória com os alunos contribuem para a satisfação e a saúde dos professores universitários que trabalham na Educação a Distância.

Léda (2009) identifica situações e sentimentos, como, por exemplo: transgressões de regras e normas, enfretamentos, satisfações, prazeres, momentos de criatividade e motivação, boa relação com os alunos, que transitam entre a dualidade prazer-sofrimento, de forma equilibrada, e que geram muitas e diferentes repercussões positivas na saúde dos professores.

 

Os professores participantes da pesquisa de Gonçalves (2010) citam como situações geradoras de prazer e satisfação com a docência, o relacionamento com os alunos e os resultados positivos do trabalho realizado. Também Silva (2016), que iniciou a pesquisa com discussões sobre o assédio moral no contexto das relações de trabalho, afirma que, ao longo das sessões o grupo passa a discutir sobre o prazer de trabalhar, citando como principais fontes de prazer a relação com os alunos e a produção cientifica. Esses elementos também aparecem na pesquisa de Mota (2010) que revelou a existência de professores envolvidos com o trabalho em sala de aula e em projetos de pesquisa, com alto grau de qualificação, satisfeitos com a escolha da profissão e dispostos a permanecerem na profissão.

Além dos elementos do trabalho geradores de adoecimento e/ou saúde, Antonini (2018), Sartori (2017) e Abreu (2017) deixam registradas, a partir dos resultados de suas pesquisas, práticas de promoção da saúde, empreendidas tanto pelas instituições de ensino superior como pelos professores, que contribuem para a preservação da saúde e do bem-estar docente.

Antonini (2018), a partir dos Círculos de Cultura que desenvolveu em sua pesquisa, destaca as seguintes práticas que os professores conseguem efetivar: equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, formação de grupos de ajuda mútua, práticas de atividades físicas, redução de danos através de válvulas de escape, bom relacionamento social e se permitir práticas de saúde. Os resultados obtidos por Sartori (2017) apontam uma mudança que integrou professores e demais profissionais preocupados com a saúde docente, por meio de relações dialógicas que oportunizam a construção de sentidos e o poder de ação, aspectos que contribuem grandemente para a preservação e/ou manutenção da saúde. Os professores participantes da pesquisa de Abreu (2017) identificaram dimensões que compõem o conceito ampliado de saúde, em uma perspectiva biopsicossocial, e apresentaram uma multiplicidade de práticas promotoras da saúde que incluem as dimensões física, mental e espiritual, na direção da integralidade do cuidado em saúde, embora, segundo o autor, exista a predominância das práticas individuais e uma sobreposição entre as práticas de prevenção do adoecimento e promoção da saúde. Silva (2016), utilizando a Clínica da Atividade, afirma que a pesquisa atingiu seu objetivo, considerando que ao final os professores já estavam realizando um movimento dirigido à criação coletiva de estratégias de enfrentamento para os problemas enfrentados no ambiente de trabalho.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo deste artigo foi apresentar uma síntese da produção acadêmica sobre a saúde e o adoecimento dos professores universitários, realizada a partir da análise de 19 estudos (10 dissertações e 9 teses) localizadas no Catálogo de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CTD/CAPES), a fim de mapear o conjunto de trabalhos produzidos, ordená-los por períodos e locais de produção, identificar e sistematizar os principais aspectos investigados relacionados aos aportes teórico-metodológicos e aos resultados obtidos. Os 19 estudos analisados abrangeram o período de 20 anos, que se inicia em 2000, data do mais antigo localizado no banco de dados da Capes, a 2019, data do último trabalho disponível, durante a coleta de dados realizada entre agosto de 2019 e abril de 2020. As análises realizadas possibilitaram algumas sínteses, apontadas a seguir:

No processo de levantamento das produções, com as palavras-chave “saúde dos professores” e “adoecimento de professores”, foram localizados 72 trabalhos (16 teses e 56 dissertações) e, destes, apenas 19 tinham como sujeitos das investigações os professores universitários. Pode-se afirmar que a temática da saúde e adoecimento dos professores universitários ainda é pouco investigada, se comparada com os estudos já produzidos sobre essa temática em relação aos professores da Educação Básica.

Há, no entanto, uma intensificação das pesquisas nos anos de 2014 e 2018 e, embora em 2019 não tenha sido defendido nenhum trabalho sobre essa temática, pode-se dizer que o interesse em investigar a saúde e o adoecimento dos professores universitários tem aumentado.

Os estudos foram realizados em 16 universidades brasileiras, sendo que, com exceção da Universidade Federal de Santa Catarina, com três pesquisas (nos PPGs de Enfermagem e Engenharia de Produção), e da Universidade de Brasília, com duas pesquisas (nos PPGs de Psicologia e Educação) as demais universidades tiveram apenas uma pesquisa desenvolvida sobre a temática. Se pensarmos este fato aliado à área de conhecimento a que os estudos estão vinculados, sendo que a maioria é das áreas da Educação (6), Psicologia (4) e Enfermagem (2), e considerando a complexidade e multideterminação da questão da saúde e do adoecimento, isto pode indicar que ainda não há grupos de pesquisa que se dediquem com exclusividade a esse objeto de estudo relacionado aos professores universitários.

Analisando os objetivos das investigações foi possível identificar os seguintes enfoques utilizados pelos pesquisadores para compreender e explicar o processo de saúde e adoecimento:

1- a partir das condições de trabalho, relacionando a questão da saúde e do adoecimento com a intensificação e a sobrecarga de trabalho, a precarização e as novas exigências ao trabalho docente, a questão da reestruturação da universidade pública e o processo de mercantilização nas universidades brasileiras, ao clima organizacional e relações interpessoais no ambiente de trabalho;

2- a partir das situações e vivências geradoras de prazer e sofrimento no processo de trabalho e nas crenças determinantes de resiliência como  causas do adoecimento ou promotoras da saúde;

3- a partir das práticas de promoção de saúde, pessoais e profissionais, que contribuem para o evitamento do adoecimento e

 

4- identificar a prevalência de um tipo específico de adoecimento, os Transtornos Mentais Comuns (TMC) associados ao Estresse ocupacional.

Cabe destacar, ainda, que a intenção dos pesquisadores, expressa nos objetivos das pesquisas, apontam para um direcionamento maior em relação ao adoecimento, sendo este mais discutido do que as questões relacionadas à saúde.

Quanto à abordagem teórico-metodológica encontrou-se, no conjunto analisado, apenas uma pesquisa do tipo estado do conhecimento, que fez a análise da produção científica sobre a temática restrita a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). As demais pesquisas (18) foram empíricas, com a utilização da abordagem qualitativa, que foi a mais utilizada (13 estudos), seguida da abordagem mista (quanti-qualitativa) em 3 estudos e da quantitativa, em 2 estudos. Nestas pesquisas, a técnica para a coleta de dados mais utilizada foi entrevista semiestruturada associada, em alguns estudos, ao uso de questionários, escalas e inventários. O tratamento dos dados foi realizado, na maioria das pesquisas, com análise de conteúdo e com tratamento estatístico por meio do programa SPSS. Quanto ao aporte teórico-conceitual, constatou-se que o mais utilizado foi o do Materialismo histórico-dialético, seguido da Psicodinâmica do trabalho e Ergonomia da atividade.

Em relação às causas do adoecimento dos professores universitários, os resultados apontam as condições de trabalho a que esses professores estão expostos como principal fator de adoecimento, tanto físico quanto psíquico. Cabe destacar, no entanto, que em sete estudos as condições de trabalho adequadas e os ambientes institucionais saudáveis são destacados como elementos influenciadores da saúde e do bem-estar dos professores. Em apenas 4 estudos há a identificação das principais doenças que acometem os professores, que são: problemas ergonômicos, vocais, mentais e funcionais, sendo os mais comuns LER/DORT, disfonia, estresse e síndrome de burnout. Como consequência do adoecimento, alguns estudos apontam o impacto negativo no processo de ensino e aprendizagem e na vida pessoal desses professores.

De acordo com os resultados desta pesquisa se pode afirmar, aqui, a necessidade de mais pesquisas na área, explicitem mais detalhadamente os determinantes não só do adoecimento, mas também da saúde dos professores universitários. Se faz necessário a realização de mais estudos interdisciplinares, que possibilitem compreender os fatores psicossociais, fisiológicos e o contexto e condições de trabalho para que se possa mensurar e compreender as inter-relações desses fatores com o processo saúde/adoecimento dos professores do ensino superior.

A saúde é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como: “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”. Nesse sentido considera-se necessário, também, a realização de investigações que enfoquem, prioritariamente, a saúde e o bem-estar, criando e analisando propostas, programas e ações de promoção da saúde e bem-estar desses professores.

Nesse sentido, ao mapear, analisar e apresentar uma síntese integrativa acerca da produção sobre a saúde e o adoecimento de professores universitários no Brasil, espera-se contribuir para que o ponto de partida de estudos futuros possam avançar na produção de conhecimento, abordando as lacunas apontadas e, também, na compreensão do processo saúde-adoecimento de professores, possibilitando a criação de políticas, ações institucionais e programas de promoção da saúde que contribuam para o bem-estar docente e para o funcionamento mais humano e mais produtivo das universidades.

 

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