“Lugar aprazível e salubre”, “Casa vasta e bem arejada”: localização e espaços de colégios-internatos na Corte Imperial do Rio de Janeiro (Século XIX)

“Pleasant and wholesome place”, “Vast and well ventilated house”: location and spaces of boarding schools in the Imperial Court of Rio de Janeiro (19th century)

Joaquim Tavares da Conceição

Professor doutor na Universidade Federal de Sergipe. São Cristóvão, Sergipe, Brasil.

joaquimcodapufs@gmail.com - http://orcid.org/0000-0002-8826-8137

 

Recebido em 23 de julho de 2020

Aprovado em 05 de fevereiro de 2021

Publicado em 19 de maio de 2022

 

RESUMO

O artigo apresenta uma compreensão historiográfica de disposições de prédios de colégios-internatos e discursos em torno de condições higiênicas desses espaços, localizados na Corte Imperial do Rio de Janeiro, na segunda metade do século XIX. A pesquisa documental resultou no levantamento e cotejamento de informações em fontes diversas, especialmente em anúncios publicados no Almanak Laemmert e em teses médicas defendidas na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Os colégios-internatos estavam localizados em ruas do centro da cidade, consideradas insalubres, ou nos arrabaldes da cidade, como recomendado pelos facultativos. Quanto aos espaços, os colégios internatos estavam instalados em casas residenciais e sobrados com adaptações para os serviços do internato e em prédios originalmente planejados e construídos para funcionar como colégio-internato. Os edifícios de grandes internatos possuíam dormitórios, refeitório, pátios arborizados para recreio, enfermaria, capela e rouparia. Não obstante, a crítica médico-higiênica, alguns desses edifícios possuíam água encanada, tanques para banho e lavagem de roupa, tanques de natação, iluminação a gás, instalações sanitárias.

Palavras-chave: Internatos; Higiene; História da educação.

 

ABSTRACT

The article presents a historiographical understanding of the dispositions of boarding schools buildings as well as speeches regarding the hygienic conditions of these spaces, located in the Imperial Court of Rio de Janeiro, Brazil, in the second half of the 19th century. The documentary research resulted in the collection and analysis of information from different sources, especially in advertisements published in Almanak Laemmert and in medical theses defended at the Faculty of Medicine of Rio de Janeiro. The boarding schools were located on streets in the center of the city, considered unhealthy, or on the outskirts of the city, as recommended by the doctors. As for the spaces, they were installed in residential houses and townhouses which were modified for boarding school services and in buildings originally planned and built to become a boarding school. The buildings of large boarding schools had dormitories, a cafeteria, wooded patios for recreation, an infirmary, a chapel and a wardrobe. Notwithstanding the medical-hygienic criticism, some of these buildings had running water, tanks for bathing and washing clothes, swimming pool, gas lighting, sanitary facilities.

Keywords: Boarding schools; Hygiene; History of education

Introdução

Este artigo apresenta uma compreensão historiográfica a respeito de disposições de prédios para os serviços de internatos e discursos em torno de condições higiênicas desses espaços, tomando como objeto colégios-internatos localizados na Corte Imperial do Rio de Janeiro, na segunda metade do século XIX.

A pesquisa documental resultou no levantamento e cotejamento de fontes, sobretudo anúncios de colégios publicados no Almanak Laemmert e teses doutorais da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, além de relatórios da Inspetoria Geral da Instrução Primária e Secundária do Município da Corte, relatórios da Secretaria de Estado dos Negócios do Império, plantas arquitetônicas, gravuras, litografias e livros de viajantes.

Os proprietários de colégios-internatos do Rio de Janeiro, com o objetivo de atrair alunos para os seus estabelecimentos, publicavam anúncios em periódicos, com variadas informações sobre os seus estabelecimentos. O Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, conhecido como Almanak Laemmert[1], foi um periódico muito utilizado para essa finalidade. Os anúncios informavam as famílias a respeito do endereço, das condições de salubridade do local, o espaço físico, os serviços ofertados, o ensino e os professores, entre outros itens (CONCEIÇÃO, 2013). Cotejadas com esses anúncios, as teses[2] médicas da Faculdade de Medicina da Bahia foram utilizadas como fonte a fim de evidenciar representações do campo médico a respeito das condições dos internatos, especialmente, em torno da localização e disposição dos espaços.

Na ampla medicalização da sociedade, a cidade apresenta-se como espaço privilegiado de esquadriamento da medicina, e, por consequência, as instituições urbanas, como a escola, eram também alcançadas pelo diagnóstico e intervenção do saber médico. Os estabelecimentos urbanos são acusados como resultantes da

 

[...] desordem, desvendados como locais onde germina e se desenvolve o perigo da insalubridade e da indisciplina, os ‘grandes estabelecimentos’ começam a inspirar medo e a justificar a exigência de uma reavaliação de seus objetivos e suas funções. Portanto, além de tematizar o urbano e o espaço institucional, a medicina penetra nas instituições e propõe a ordenação do seu interior (MACHADO, 1978, p. 280). 

 

Os médicos acreditavam que seus conhecimentos seriam capazes de ordenar o espaço da escola, sobretudo dos internatos, influenciando as famílias, diretores e professores dos colégios para a necessidade de se atentarem à importância da utilização de regras higiênicas (GUIMARÃES, 1858; MACHADO, 1875).

Era praticamente dominante no discurso médico-higiênico a avaliação dos internatos como “[...] fontes de males inalienáveis, causa imediata da degradação física, moral e intelectual de gerações inteiras [...]” (MACHADO, 1875, p. 26). Para alguns médicos, somente as exigências da vida social e a necessidade de filhos das províncias procurarem nas cidades meios de instrução poderiam justificar o recurso ao internato, impedindo os meninos de serem educados nos externatos sob a direção da família. No caso de pensionistas de colégios (alunos internos) do Rio de Janeiro, muitas vezes ainda adolescentes e até mesmo crianças estavam sujeitos às condições anti-higiênica dos internatos, agravadas pela insalubridade da cidade.

A cidade do Rio de Janeiro[3], além de sua importância política por ser a capital do Império brasileiro, tornava-se igualmente atrativa pelas possibilidades de estabelecimentos de instrução secundária e superior, sobretudo a Faculdade de Medicina. Na segunda metade do século XIX, para a Corte Imperial concorriam moços pertencentes a famílias ligadas às elites econômicas de províncias do Império (CONCEIÇÃO, 2012), os quais passavam a residir nos internatos da capital durante os anos de sua formação intelectual.

No discurso médico-higiênico, contido em teses médicas, a cidade do Rio de Janeiro apresentava como inconvenientes para a saúde o fato de possuir terrenos alagadiços, com pântanos não esgotados, e a incidência de forte calor tropical, somando-se a isso as deficiências urbanísticas. Esse cenário contribuía para as constantes incidências de endemias palustres, epidemias de febre amarela, entre outros males que acometiam os moradores da cidade (MACHADO, 1875). Essa forma de representação da cidade do Rio de Janeiro também é encontrada em escritos de estrangeiros que estiveram na cidade durante o século XIX, a exemplo das descrições do naturalista Luis Agassiz (1807-1873) e sua esposa Elisabeth Cary Agassiz (1822-1907), no livro A journey in Brazil (1868), que, além de destacar aspectos insalubres da cidade, registraram a “negligência e a incúria” do poder público para promover reformas sanitárias (AGASSIZ, 2000).

O escritor e jornalista francês Jean-Charles Marie Expilly (1814-1886) foi outro viajante que ressaltou em seus escritos as condições de insalubridade da Capital do Império brasileiro (EXPILLY, 1935). A despeito dessas representações, é sabido que na segunda metade do século XIX, melhoramentos ou inovações de técnica sanitária (encanamento de água, aterramento de terrenos paludosos), de transporte, de iluminação e de arborização de ruas foram sendo introduzidos na cidade do Rio de Janeiro (FREYRE, 2003).

De outro modo, o médico João da Matta Machado, em tese intitulada Da educação física, intelectual e moral da mocidade no Rio de Janeiro da sua influência sobre a saúde, defendida em 1975, ressaltava que os males a que estavam sujeitos ou eram acometidos os estudantes pensionistas dos colégios-internatos do Rio de Janeiro não podiam ser imputados somente às condições climáticas e de salubridade da cidade. Segundo ele, a deficiente organização higiênica dos internatos da capital igualmente concorria para as más condições de saúde dos estudantes pensionistas (internos) de colégios.

O mencionado médico afirmava que, se o governo fiscalizasse os internatos e os proprietários, ainda que estes, em detrimento dos seus lucros, adotassem os preceitos da higiene e de uma severa moral, era possível atenuar os inconvenientes provocados por esses estabelecimentos. Para isso, os proprietários deveriam adotar em seus estabelecimentos as recomendações da ciência médico-higiênica. Essas recomendações deveriam alcançar variados aspectos dos colégios internatos, entre os quais, as condições de ingresso, a adequada localização e organização predial, o asseio dos internos e dos serviços oferecidos, a organização do tempo etc.

Diferentemente do que afirmava o parecer médico-higiênico, que desacreditava os internatos, muitos diretores-proprietários dos colégios-internatos do Rio de Janeiro informavam que seus estabelecimentos apresentavam condições higiênicas que agiam como escudo contra os males da cidade. Nos anúncios que publicavam, diziam que seus estabelecimentos estavam adequadamente instalados em casas, “palacetes” (sobrados) ou em prédios originalmente planejados para servirem como colégios-internatos e estavam localizados em importantes ruas e bairros ou nos arrabaldes mais “salubres e aprazíveis” da cidade.

Colégios-internatos na Corte Imperial do Rio de Janeiro

Na segunda metade do século XIX existia na Corte Imperial do Rio de Janeiro uma grande quantidade de colégios particulares que ofereciam internato. Já no ano de 1850, Justiniano José da Rocha[4] (1812-1862), encarregado de fazer uma inspeção nas escolas do Município da Corte, registrou em seu relatório que na cidade do Rio de Janeiro havia uma infinidade de colégios particulares, cuja quantidade não era possível determinar com exatidão (ROCHA, 1851).

Outras informações oficiais, especialmente aquelas contidas em relatórios da Inspetoria Geral da Instrução Primária e Secundária do Município da Corte, dão conta de que, em 1855, o número de colégios particulares da Corte Imperial era de 97 estabelecimentos, com um total de 4.490 alunos matriculados. Desses 97, 51 eram destinados ao sexo masculino, com 2.864 alunos, e 46 para o feminino, com 1.626 alunas matriculadas (FERRAZ, 1855).

Já no ano de 1874 eram 114 colégios, 49 dos quais eram dedicados ao ensino primário, 64 a ambos os níveis de ensino e quatro que somente ministravam aulas do ensino secundário. Esses estabelecimentos foram frequentados por 9.596 alunos, sendo que na instrução primária estavam 3.749 alunos do sexo masculino e 2.361 alunos do sexo feminino; na instrução secundária, do sexo masculino foram 2.722 alunos, e do sexo feminino, 794 alunas (MELLO, 1875).

Os colégios-internatos particulares eram, na maioria, pequenos internatos, empresas familiares e de confissão católica instaladas na residência do proprietário, com um pequeno número de alunos internos, que viviam em comum com a família do diretor, do qual eram comensais (CARDOSO, 1877). O internato feminino da Madame Tanière, frequentado em 1871 por 74 alunas, era um tipo estabelecimento mantido pela família, em que a diretora era auxiliada por sua sogra, Mrs. Tootal, por sua irmã Mlle., Maria Charnay, e por suas filhas, D. Virginia e D. Olympia Tanière (FIGUEIREDO, 1872; LAEMMERT, 1864).

Também existiam colégios que chegavam a congregar, em meados do século XIX, até 200 alunos, mas não se ultrapassava o total de 60 pensionistas nos internatos “de mais sólida reputação” (ROCHA, 1851). Em torno da década de 1870, existem registros do aumento do número de alunos internos, como o Colégio Episcopal S. Pedro de Alcântara, o Colégio Imaculada Conceição e o Colégio Vitório, os quais recebiam um grande número de alunos na condição de internos ou pensionistas, chegando alguns deles a até 100 alunos internos nas primeiras décadas de 1870 (LAEMMERT, 1872, p. 420).

No centro ou nos arrabaldes da cidade

Importantes colégios-internatos estavam localizados em ruas[5] do centro da cidade do Rio de Janeiro, como as ruas Ouvidor[6], Quitanda, Direita, Constituição, Catete, Lavradio, comumente conhecidas pela insalubridade (AGASSIZ, 2000), onde doenças epidêmicas (tísica, febre amarela, diarreia, febre tifoide escarlatina, varíola) constantemente acometiam a população. Antenor Augusto Ribeiro Guimarães, em sua tese A higiene dos colégios. Esboço das regras principais tendentes à conservação da saúde, e ao desenvolvimento das forças físicas e intelectuais segundo as quais se devem reger os nossos colégios, de 1858, considerava inadequada, diante dos preceitos higiênicos, a localização de colégios no centro das grandes cidades. Segundo ele, até mesmo o Imperial Colégio Pedro Segundo, que deveria servir de modelo, e estabelecimentos tradicionais como os colégios Marinho, Tautphoeus e Vitório, estavam situados no centro populoso e manufatureiro da cidade o Rio de Janeiro “[...] onde o ar facilmente se altera e não se pode aproveitar as vantagens dos banhos e da ginástica [...]” (GUIMARÃES, 1858, p. 58).

Em anúncios de colégios-internatos do Rio de Janeiro, os proprietários costumavam divulgar a transferência de seus estabelecimentos para bairros considerados saudáveis, a exemplo de Botafogo, Andaraí, São Cristóvão e Rio Comprido. Foi com essa justificativa que o diretor informou a transferência do Colégio Ateneu Fluminense para outra localidade. Segundo ele, com a constante reaparição da febre amarela na cidade do Rio de Janeiro, foi aconselhado que se fizesse a mudança do colégio, que antes funcionava em frente ao Passeio Público, para o saudável bairro do Rio Comprido, e “[...] 14 anos de estada nesse aprazível lugar tem provado que é o local que mais convém aos meninos do interior, os quais terão no excelente clima do lugar segura garantia de saúde” (SAUER, 1885, p. 1911).

O diretor do Colégio Vitório, fundado em 1840 pelo conselheiro Adolpho Manoel Vitório da Costa, funcionou inicialmente na Rua Sete de Setembro, 118 (antiga Rua do Cano), em 1841 passou para o Largo da Sé, 95; em 1843 foi transferido para a Rua do Conde, 13; e finalmente, em 1844, para a Rua de Gonçalves Dias, 46 e 48, onde permaneceu até pelo menos o ano de 1880 (CARDOSO, 1879, p. 591). O diretor Adolpho Manoel Vitório da Costa exaltava a condição salubre do novo local onde estava situado seu estabelecimento, frisando que, no ano de 1879, o colégio, apesar da epidemia de varíola que grassou na Corte, não foi atingido. Segundo esse diretor, a casa em que funciona o colégio, situada acima do nível do mar, estava “[...] completamente ao abrigo das flagelações de todas as moléstias endêmicas e epidêmicas, e sobretudo da febre amarela” (CARDOSO, 1879, p. 591).

            Os proprietários dos colégios por vezes alegavam, como impedimento para realizarem a mudança do estabelecimento para um bairro que correspondesse às recomendações médico-higiênicas, o cumprimento do contrato de aluguel a que estavam submetidos. Neste sentido, o discurso do monsenhor Antonio Pedro dos Reis, diretor do Colégio Ateneu Fluminense, justificava:

 

Teríamos há mais tempo abandonado o prédio em frente ao Passeio Público, completamente atacado pelo cupim, exposto às frequentes constipações, além da mesquinhez de cômodos, se não estivéssemos até agora ligados por um contrato de 9 anos. Felizmente, ao findar esse contrato, encontramos no mais saudável bairro da corte, no do Rio Comprido, tão próximo da cidade, passando-lhe pela porta frequentemente os Bonds, uma casa nas desejáveis condições de largueza de cômodos para habitação, aulas e recreios dos colegiais (LAEMMERT, 1871, p. 420).

 

Ainda por questão higiênica é que alguns proprietários de colégios-internatos localizados no Rio de Janeiro indicavam, como uma garantia indispensável para o saudável funcionamento de seus estabelecimentos, a localização destes em chácaras ou sítios nos arrabaldes da cidade, afastados das distrações do centro urbano. Na década de 60 do século XIX, uma descrição dos arrabaldes da cidade do Rio de Janeiro pode ser encontrada nos escritos de viajantes que estiveram naquela capital na época: 

Quase todos os arrabaldes do Rio de Janeiro se acham edificados ao longo das praias. Há assim a praia de Botafogo, a praia de São Cristóvão, a praia de São Domingos e uma dúzia ainda de outras. Tudo isso forma ainda os arrabaldes do Rio, situados à beira-mar ou fazendo face às margens da baía; e como é de bom-tom para certa classe da sociedade viver fora da cidade, as casas e os jardins desses arrabaldes são quase sempre atraentes” (AGASSIZ, 2000, p. 98).

 

De fato, as recomendações higiênicas da época indicavam que os arrabaldes das cidades apresentavam convenientes higiênicos atrativos para a instalação de internatos. O médico Joaquim Francisco de Paula Souza defendia que o edifício do colégio deveria ser instalado “[...] longe dos grandes centros de população, longe de pântanos ou focos que alterem o ar, em chácaras com suficiente espaço para os brincos e exercícios dos colegiais, com água corrente, e arvoredo” (SOUZA, 1857).

Proprietários de colégios interessados em atrair uma maior quantidade de pensionistas para os seus internatos anunciavam que seus estabelecimentos estavam instalados em condições salubres, situados nos arrabaldes da corte, com acomodações vastas e bem arejadas, oferecendo a garantia aos senhores pais de família que quisessem educar seu filhos longe das distrações do centro da cidade que na “[...] espaçosa chácara do estabelecimento, além de belos recreios, há excelentes banhos de cachoeira” (HARING, 1868, p. 433). Por conseguinte, o padre Augusto Ferreira de Lacerda e o senhor Pedro Adolpho L’abbé, diretores-proprietários do Colégio S. Luis, localizado na Rua D. Castorina, n.º 2, no Palacete Castorina – “[...] melhor localidade do Rio de Janeiro, sob um clima salubérrimo, no lugar denominado Macaco, encosta da serra da Tijuca, onde jamais penetrou o flagelo das epidemias (CARDOSO, 1880, p. 636) –, também destacavam a situação salubre e higiênica do estabelecimento que dirigiam. Neste sentido, os mencionados diretores anunciavam o seguinte: “[...] colocado sob tão agradável clima, preferido e aconselhado por distintos facultativos às pessoas convalescentes, reúne o colégio todas as condições higiênicas necessárias ao bem-estar dos alunos [...]” (CARDOSO, 1880, p. 636).

Em muitos internatos do Rio de Janeiro, a presença de uma chácara[7] era anunciada com destaque. No Colégio Queiroz, segundo o seu diretor, existia uma imensa chácara ao redor do estabelecimento, dividida em cinco diferentes espaços de recreios em um terreno coberto de frondosas árvores e outras “[...] revestidas de espessa folhagem ensombra admiravelmente aqueles recreios, servindo todas de purificar a atmosfera daquele lugar e torná-la eminentemente respirável” (CARDOSO, 1880, p. 622). Essas chácaras urbanas ou suburbanas utilizadas pelos colégios-internatos eram comuns, no século XIX, nas imediações de cidades como o Rio de Janeiro e Recife e caracterizavam-se por serem terrenos de grandes dimensões, com casa de moradia, jardim, horta, pomar, muita árvore de fruta, olho d’água ou cacimba, chácaras patriarcais do Rio de Janeiro laranjeiras, limoeiros, bananeiras, palmeiras (FREYRE, 2003).

Esclarecedora descrição dessas chácaras do Rio de Janeiro foi deixada por estrangeiros que estiveram no Brasil, a exemplo de relato encontrado no livro Brazil and the brazilians (1867), traduzido para português (1941), de autoria dos missionários presbiterianos norte-americanos James C. Fletcher e Daniel Paris Kidder, que por aqui passaram no período de 1851 a 1865:

 

As residências urbanas, nas velhas cidades, pareceram-me excessivamente tristes, porém o mesmo não pode ser dito das novas residências urbanas, das lindas ‘vilas’ suburbanas, cercadas por jardins, cobertos de folhagens, muitas flores e frutos pendentes. Alguns trechos de Santa Tereza, Laranjeiras, Botafogo, Catumbi, Engenho Velho, Praia Grande e São Domingos, não podem ser ultrapassados na beleza e pitoresco de suas casas (FLETCHER, & KIDDER, 1941, p. 180).

 

Em sequência, a litografia de Joseph Alfred Martinet ilustra o sobrado onde funcionava o Colégio Hitchings, dirigido por Thomas Price Hitchings e sua esposa. Fundado em 1836, considerado o decano dos colégios de meninas da Corte Imperial, o estabelecimento estava situado em uma chácara, nos arrabaldes da Corte do Rio de Janeiro, mais especificamente na Praia do Botafogo. O terreno onde estava localizado o colégio é descrito por Aureliano R. Gonçalves: “Praia de Botafogo – 1856 Terreno de 45m de frente por 65m de fundo, ocupado, em 1856, por um grande prédio, estilo palacete, e extensa chácara, propriedade do professor Tomás Price Hitching e onde funcionava o colégio desse afamado educador” (GONÇALVES, 2004, p. 62). Em 1871, o internato desse colégio recebeu 64 alunas pensionistas e tinha a denominação de Colégio de Botafogo (LAEMMERT, 1871, p. 429).

 

Figura 1Litografia do Colégio Hitchings em Botafogo – Rio de Janeiro


Fonte: Litografia de Joseph Alfred Martinet – Fundação Casa Rui Barbosa.

 

Para minimizar a distância do centro da cidade, os colégios localizados nas cercanias afastadas, ou regiões suburbanas da cidade do Rio de Janeiro, informavam aos interessados em matricular seus filhos no estabelecimento as possibilidades ou facilidades de transporte, tais como os carros da linha férrea e as linhas do bonde. No tocante ao deslocamento, o anúncio do Colégio Santo Agostinho, localizado na Rua de Haddock Lobo, 63, no Engenho Velho dizia: “[...] condução rápida e cômoda de dez em dez minutos, nos carros da linha férrea do Andarahy [...]” (LAEMMERT, 1872, p. 447); e o anúncio do Colégio Moreira, na Rua da Constituição, 39, divulgava: “[...] bonde de S. Cristóvão e da Carioca à porta [...]” (LAEMMERT, 1872, p. 589).

Prédios onde estavam instalados os colégios-internatos

Em geral, os prédios onde funcionavam os internatos eram casas onde residia a família do proprietário, com adaptações dos cômodos para o funcionamento de dormitórios, como o Colégio Emulação da Juventude, que anunciava estar localizado em uma “[...] das melhores ruas da cidade, em uma bela casa, vasta e arejada com jardim, chácara espaçosa e excelentes acomodações, reúne a vantagem da sua situação central as melhores condições higiênicas” (HARING, 1865, p. 440). Também existiam alguns internatos que funcionavam em palacetes ou “sobrados” com vastos cômodos capazes de acomodar um grande número de pensionistas. Neste último caso pode ser enquadrado, entre outros, o Colégio Pinheiro, fundado em 1861, dirigido por José Rodrigues de Azevedo Pinheiro, o qual funcionava no Palacete do Visconde de Aljesur, Morgado de Marapiru, localizado na Praça Onze de Junho (HARING, 1867, p. 412); o Colégio Santo Agostinho (HARING, 1868, p. 433), dirigido por Augusto Américo de Faria Rocha, o qual funcionava no bairro do Andaraí Pequeno, no “Palacete Figueiredo Junior”; o Colégio de Santo Antonio (HARING, 1867, p. 411), dirigido pelo Cônego Francisco Pereira de Souza, no palacete da Marquesa de Valença; e o Colégio Brasileiro, instalado em um palacete. Conforme Haring (1867), esse estabelecimento “[...] tem grande número de salões vastos e arejados para os estudos, dormitórios e refeitórios, e é cercado de jardins e pátios arborizados para o recreio, indispensável às alunas em certas e determinadas horas” (LAEMMERT, 1871, p. 432). Adiante, há a figura do casarão na Rua do Príncipe do Catete, 25, na Corte Imperial do Rio de Janeiro, onde estava instalado o Colégio da Baronesa de Geslin.

 

Figura 2 – Colégio de Meninas Francês, Português da Sra. Baronesa de Geslin –

Rio de Janeiro, Rua do Príncipe do Catete, 25

Fonte: https://bairrosaavedra.wordpress.com/a-rua-silveira-martins/ Acessado em 2 de julho de 2020.

 

Uma parte muito pequena de internatos funcionava em prédios originalmente planejados e construídos para essa finalidade. No Rio de Janeiro, o proprietário do Colégio S. Salvador informava que o edifício espaçoso onde funcionava o estabelecimento fora construído para aquele fim, contando com grande refeitório, lavatório, casa de banho, latrinas com água corrente, água encanada em todos os cômodos, grandes recreios e uma espaçosa chácara (LAEMMERT, 1874, p. 587). Igualmente, o diretor do Colégio da Adolescência anunciava que a casa onde funcionava o estabelecimento fora construída com o propósito de servir como colégio. Conforme o proprietário, na construção de seu estabelecimento, procurou-se atender às condições necessárias ao fim a que se destinava, ou seja, o prédio estava situado em um local elevado, em uma rua larga e arejada, dispondo de uma grande chácara com árvores frutíferas, abundância de água, tanques para banhos frios e de chuva, vastos salões para aulas, dormitórios e refeitórios, recreios separados por idades, oratório, rouparia e uma quadra completa para ginástica (LAEMMERT, 1875, p. 590).

Os prédios utilizados para o funcionamento de internatos dos colégios confessionais católicos geralmente se destacavam por suas grandes dimensões, e muitos deles imitavam aspectos de antigas construções claustrais. Era assim o edifício do Colégio Episcopal de S. Pedro de Alcântara, dirigido pelo cônego José Mendes de Paiva e seus irmãos, o qual funcionava no Palácio do Rio Comprido, em um arrabalde próximo da corte, reconhecidamente dos mais saudáveis. O espaço do edifício-internato do Colégio Episcopal S. Pedro de Alcântara, no ano de 1873, era descrito como “amplo e majestoso”, com dois andares, boa ventilação, garantida por grandes janelas, oito salões, com capacidade para 250 alunos, e mais acomodações necessárias a um internato. O edifício também possuía uma segunda parte, “[...] construída de propósito e exclusivamente para os trabalhos escolásticos, e que mede de extensão 185 palmos de comprido e 100 de largura, acomoda vantajosamente 15 classes simultâneas” (LAEMMERT, 1873, p. 492). A extensa chácara em que estava situado o colégio contava com jardim, passeios e uma grota que fornecia água encanada por tubos até dentro do edifício (LAEMMERT, 1864, p. 444). De fato, em 1857, o médico João Goulart Rolim afirmava que, em relação ao local onde estava situado, de todos os colégios que existiam na cidade do Rio de Janeiro, podia ser citado somente o Colégio de S. Pedro de Alcântara como internato que reunia todas as condições higiênicas relativas ao local (ROLIM, 1857, p. 17).

Expõe-se a seguir a figura da “grande casa de campo”, localizada em uma chácara no Rio Comprido (Rio de Janeiro) – parte da litografia intitulada Plans et élévations de deux grandes maisons: l'une de ville et l'autre de campagne[8], de Jean Baptiste Debret[9] (1768-1848) –, onde funcionou o Colégio Episcopal S. Pedro de Alcântara.

 

Figura 3 – Fachada e planta baixa de uma Grande Casa de Campo,

onde funcionou o Colégio Episcopal de São Pedro de Alcântara – Rio de Janeiro

 

Fonte: DEBRET, Jean Baptiste. Plans et élévations de deux grandes maisons: l'une de ville et l'autre de campagne – Planche 43, Nº 2. In: DEBRET, Jean Baptiste. Voyage pittoresque et historique au Brésil [...] (Vol. 3). Paris: Firmin Didot Frères, 1839.

 

Outra vez, a mesma casa aparece litografada na obra O Brasil pitoresco e monumental (1856), de Pedro Godofredo Bertichen[10] (1796-1866). Na época em que o autor produziu essa gravura, já funcionava no prédio o Colégio Episcopal de S. Pedro de Alcântara, como se observa a seguir no título original da litografia.

 

 

Figura 4Litografia Colégio Episcopal de São Pedro de Alcântara – Rio de Janeiro

 

Fonte: BERTICHEN, Pedro Godofredo. O Brasil pitoresco e monumental, 1856. 46 est .

 

O Colégio da Imaculada Conceição, localizado na cidade do Rio de Janeiro, na Praia do Botafogo, 36, dirigido pela irmã Saugére e 32 irmãs de caridade na condição de professoras, também funcionava em um prédio de grandes dimensões. O terreno onde foi estabelecido o Colégio da Imaculada Conceição apresentava as dimensões de

 

[...] 98m de frente ocupado pelos estabelecimentos da Associação de São Vicente de Paula – Colégio da Imaculada Conceição, Igreja da Conceição e Pensionato. O prédio em que funciona o colégio foi modernizado e aumentado. Tinha dois pavimentos, à frente da rua, com testada de 27m, quando foi arrematado pela Associação de São Vicente de Paula, a 17 de junho de 1858. A igreja é afastada da rua cerca de 36m e fica entre o edifício do colégio e o do pensionato, destinado a senhoras. O prédio do pensionato é de antiga construção, com três pavimentos, afastado da rua e num terreno de 32m de frente. Foi doado à Associação, em 16 de maio de 1900, tem uma acentuada obliqüidade, da esquerda para a direita, buscando a linha do alinhamento determinado pelo prédio à direita. Em 1875, a Ilustríssima Câmara permitiu o ajardinamento à frente do prédio, na forma da deliberação de 17 de julho de 1857. O prédio do colégio teve o nº 36 e o do pensionato o nº 34. Em 1908, na revisão da numeração predial da cidade, eles receberam o nº 266 (GONÇALVES, 2004, p. 63).

 

O internato feminino do Colégio Imaculada Conceição dispunha de capacidade para o recebimento de até 230 alunas pensionistas e outras 80 alunas pobres internas (gratuitas). Precisamente no ano de 1871, o internato do estabelecimento recebeu 230 alunas pensionistas, 220 das quais eram brasileiras e 10 estrangeiras, e todas professavam a religião católica. Quanto à idade, eram duas menores de 7 anos, 188 menores de 14 anos e 40 menores de 21 anos (FIGUEIREDO, 1872).

 

Figura 5 – Edifício-Internato do Colégio da Imaculada Conceição em 1872 – Rio de Janeiro

Fonte: LAEMMERT, Eduardo. Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte [...]., 1872, p. 459.

 

Originalmente construído para funcionar como internato, ou adaptado para este fim, o certo é que os prédios dos grandes colégios-internatos da Corte Imperial do Rio de Janeiro, tradicionalmente formadores das elites locais e provinciais, apresentavam como divisões específicas do internato: dormitórios, refeitórios, pátios arborizados para recreio, enfermaria, capela e rouparia. E, não obstante, a crítica médico-higiênica, esses edifícios tinham, principalmente a partir da segunda metade do século XIX, algumas novidades para a época, as quais eram inacessíveis à maioria da população, como: água encanada, tanques para banho e lavagem de roupa, tanques de natação, iluminação a gás e instalações sanitárias (latrinas, salas de banho, esgoto).

Os dormitórios dos internatos – recorrente preocupação nas teses médicas sobre a higiene dos colégios – eram citados e apresentados pelos diretores como grandes salões, espaçosos, asseados, arejados e iluminados pela presença de janelas. O edifício do Colégio Queiroz, situado na Rua Guanabara 16, Bairro das Laranjeiras, tinha “[...] inúmeras janelas, que, rasgadas muito a propósito aqui e acolá, facilitam imensamente a entrada e saída do ar, arejando convenientemente os vastos salões do interior. De qualquer dos pontos dele descortinam-se panoramas que embelezam ao espectador” (CARDOSO, 1878, p. 622, com localização na posição eminente (voltado para a nascente), indicada como a mais saudável pelos facultativos.

Justiniano José da Rocha, na sua “exposição sobre o estado dos colégios particulares da Capital do Império”, realizada em 1851, observou que, na maior parte dos colégios, os pensionistas dormiam em salas grandes (dormitórios coletivos), arejadas e limpas, distribuídos de acordo com as idades. Segundo ele, havia vigilância adequada nos dormitórios, e somente em um colégio viu, em vez dos dormitórios coletivos, quartos especiais para um ou dois alunos. Mas isso não lhe pareceu preferível, pois se tornavam mais difíceis a vigilância e inspeção (ROCHA, 1851).

Geralmente, nos prédios verticais, os dormitórios estavam colocados no segundo ou terceiro andares. Para comprovar as qualidades anunciadas em relação aos espaços dos internatos, os proprietários franqueavam aos interessados a visita ao estabelecimento, como anunciava, em 1867, o diretor do Colégio S. Caetano (meninos), localizado na Rua do Catete:

 

O edifício é vasto, com ares livres e higiênicos, espaçosas salas, grandes e arejados dormitórios, tanques para banhos e agradáveis recreios, oferecendo assim todas as comodidades inerentes a um estabelecimento desta natureza que podem ser reconhecidas pelos chefes de família que quiserem visitar o colégio (HARING, 1867, p. 416).

 

O teor desses anúncios não representava a situação dominante dos internatos da Corte do Rio de Janeiro. Quanto a isso, é sugestivo, entre outros, o testemunho do médico João da Matta Machado, ao afirmar ter ficado mal impressionado quando de sua visita a um internato que ele qualificou de “espelunca”. Esse médico observou deficiências como o elevado número de internos; dormitórios pequenos com deficiência de ventilação; leitos muitos próximos uns dos outros; todo o prédio era “desagradável” (MACHADO, 1875, p. 79).

Considerações finais

As condições de localidade e organização de espaços de colégios-internatos sediados no Rio de Janeiro, na segunda metade do século XIX, nem sempre condiziam com prescrições médico-higiênicas, embora alguns diretores, interessados em atrair estudantes pensionistas para os seus estabelecimentos, informassem sobre os esforços empreendidos para atender a essas recomendações higiênicas. Esses anúncios evidenciam uma relativa circulação de propostas higiênicas entre os diretores de colégios.

Com o cotejamento de fontes, sobretudo das informações contidas em teses médicas e em anúncios publicados pelos proprietários dos colégios-internatos no Almanaque Laemert, evidenciou-se que os colégios-internatos do Rio de Janeiro, no período indicado, estavam situados em ruas do centro da cidade, comumente conhecidas pela insalubridade, onde doenças epidêmicas constantemente acometiam a população, distantes, pois, das prescrições higiênicas da época. Contudo, existiam internatos estabelecidos em ruas e bairros ou em sítios e chácaras nos arrabaldes da cidade, como recomendado nas teses médicas dos facultativos.

Os colégios, que ofereciam o internato, estavam instalados em tipos diferentes de prédios, em geral, com adaptações, e uma pequena parte de prédios originalmente planejados e construídos para funcionar como colégio-internato. Assim, havia estabelecimentos instalados em casas residenciais, com adaptações de cômodos para o funcionamento de dormitórios e outros espaços do internato, e colégios-internatos que funcionavam em sobrados ou prédios planejados para servirem a essa finalidade, com vastos cômodos capazes de acomodar um grande número de estudantes pensionistas.

Como divisões específicas desse tipo de instituição, os grandes internatos possuíam dormitórios, refeitório, pátios arborizados para recreio, enfermaria, capela e rouparia. Não obstante, a crítica médico-higiênica, alguns desses edifícios dispunham, principalmente a partir da segunda metade do século XIX, de água encanada, tanques para banho e lavagem de roupa, tanques de natação, iluminação a gás, instalações sanitárias (latrinas, salas de banho, esgoto).

Referências

AGASSIZ, Luis e AGASSIZ, Elisabeth Cary. Viagem ao Brasil – 1865-1866. [1868] Brasília: Senado Federal, 2000.

 

BERTICHEN, Pedro Godofredo. O Brasil pitoresco e monumental.  Rio de Janeiro: Lith. Imperial de Rensburg, 1856.

 

BRASIL. Lei de 3 de outubro de 1832. Dá nova organização às atuais Academias Médico-Cirúrgicas das cidades do Rio de Janeiro e Salvador. Rio de Janeiro, 1832.

 

CARDOSO, José Antonio dos Santos. Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte e Província do Rio de Janeiro inclusive a cidade de Santos, da Província de S. Paulo para o ano de 1876. Rio de Janeiro: Typographia E. & H. Laemmert, 33º ano, 1877.

 

CARDOSO, José Antonio dos Santos. Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte e Província do Rio de Janeiro inclusive a cidade de Santos, da Província de S. Paulo para o ano de 1879. Rio de Janeiro: Typographia E. & H. Laemmert, 36º ano, 1879.

 

CARDOSO, José Antonio dos Santos. Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte e Província do Rio de Janeiro inclusive a cidade de Santos, da Província de S. Paulo para o ano de 1880. Rio de Janeiro: Typographia E. & H. Laemmert, 37º ano, 1880.

 

CARDOSO, José Antonio dos Santos. Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte e Província do Rio de Janeiro inclusive a cidade de Santos, da província de S. Paulo para o ano de 1878. Rio de Janeiro: Typographia E. & H. Laemmert, 37º ano, 1878.

 

CHÁCARA. In: FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1975.

 

CONCEIÇÃO, Joaquim Tavares. Colégios-internatos nas páginas do Almanak Laemmert (1845 a 1889). Clio - Revista de Pesquisa Histórica, Recife, n. 31.1, p. 1-19, 2013.

 

CONCEIÇÃO, Joaquim Tavares. Internar para educar. Colégios-internatos no Brasil (1840-1950). 2012. 322 f. Tese (Doutorado em História) - Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal da Bahia, Bahia. 2012.

 

DEBRET, Jean Baptiste. Plans et élévations de deux grandes maisons: l'une de ville et l'autre de campagne – Planche 43, Nº 2. In: DEBRET, Jean Baptiste. Voyage pittoresque et historique au Brésil [...] (Vol. 3). Paris: Firmin Didot Frères, 1839.

EXPILLY, Charles. Mulheres e costumes do Brasil. [1863] São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1935.

 

FERRAZ, Luiz Pedreira de Couto. Relatório apresentado à Assembleia Geral Legislativa pelo Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Império. Rio de Janeiro: Typographia Universal de Laemmert, 1855.

 

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1975.

 

FIGUEIREDO, José Bento da Cunha. Relatório da Inspetoria Geral da Instrução Primária e Secundária do Município da Corte apresentado em 11 de abril de 1872. Apêndice: Ofícios das Delegacias em resposta à Circular de 8 de janeiro de 1872 da Inspetoria Geral da Instrução Primária e Secundária do Município da Corte. (Anexo). In: OLIVEIRA, João Alfredo Correia de. Relatório apresentado à Assembleia Geral Legislativa pelo Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Império. Rio de Janeiro: Typographia Nacional, 1872.

 

FLETCHER, James Cooley & KIDDER, Daniel Parish. [1867] O Brasil e os brasileiros: esboço histórico e descritivo. v.1. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1941, p. 180.

 

FREYRE, Gilberto. Sobrados e Mucambos: Decadência do patriarcado rural e desenvolvimento do urbano. São Paulo: Global, 2003.

 

GONÇALVES, Aureliano Restier. Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro: terras e fatos. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, 2004.

 

GONDRA, José Gonçalves. Artes de civilizar: medicina, higiene e educação escolar na Corte Imperial. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2004.

 

GUIMARÃES, Antenor Augusto Ribeiro. A higiene dos colégios. Esboço das regras principais tendentes à conservação da saúde, e ao desenvolvimento das forças físicas e intelectuais segundo as quais se devem reger os nossos colégios. Rio de Janeiro: Typographia Imparcial de J. M. Nunes Garcia, 1858.

 

HARING, Carlos Guilherme. Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte do Rio de Janeiro para o ano de 1867. Rio de Janeiro: Typographia E. & H. Laemmert, 26º ano, 1867.

 

HARING, Carlos Guilherme. Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte do Rio de Janeiro para o ano de 1865. Rio de Janeiro: Typographia E. & H. Laemmert, 22º ano, 1865.

 

HARING, Carlos Guilherme. Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte do Rio de Janeiro para o ano de 1867. Rio de Janeiro: Typographia E. & H. Laemmert, 26º ano, 1867.

 

HARING, Carlos Guilherme. Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte do Rio de Janeiro para o ano de 1868. Rio de Janeiro: Typographia E. & H. Laemmert, 25º ano, 1868.

 

KIDDER, Daniel P. Reminiscências de viagens e permanências no Brasil – Rio de Janeiro e Província de São Paulo. Tradução de Moacir N. Vasconcelos. Brasília: Senado Federal, 2001.

 

LAEMMERT, Eduardo. Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte e Província do Rio de Janeiro para o ano de 1864. Rio de Janeiro: Typographia E. & H. Laemmert, 21º ano, 1864.

 

LAEMMERT, Eduardo. Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte e Província do Rio de Janeiro para o ano de 1864. Rio de Janeiro: Typographia E. & H. Laemmert, 21º ano, 1864.

 

LAEMMERT, Eduardo. Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte e Província do Rio de Janeiro para o ano de 1871. Rio de Janeiro: Typographia E. & H. Laemmert, 28º ano, 1871.

 

LAEMMERT, Eduardo. Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte da Capital da Província do Rio de Janeiro com os Municípios de Campos e de Santos para o ano de 1872. Rio de Janeiro: Typographia E. & H. Laemmert, 29º ano, 1872.

 

LAEMMERT, Eduardo. Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte e da Capital da Província do Rio de Janeiro inclusive alguns municípios da província e a cidade de Santos para o ano de 1873. Rio de Janeiro: Typographia E. & H. Laemmert, 30º ano, 1873.

 

LAEMMERT, Eduardo. Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte e da Capital da Província do Rio de Janeiro inclusive alguns municípios da província e a cidade de Santos para o ano de 1874. Rio de Janeiro: Typographia E. & H. Laemmert, 31º ano, 1874.

 

LAEMMERT, Eduardo. Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte e Província do Rio de Janeiro inclusive a cidade de Santos, da Província de São Paulo para o ano de 1875. Rio de Janeiro: Typographia E. & H. Laemmert, 32º ano, 1875.

 

MACHADO, Roberto. Danação da norma: a medicina social e constituição da psiquiatria no Brasil. Rio de Janeiro: Graal, 1978.

 

MELLO, Francisco Ignacio Marcondes Homem de. Relatório da Inspetoria Geral da Instrução Primária e Secundária do Município da Corte apresentado em 18 de abril de 1874. (Anexo). In: OLIVEIRA, João Alfredo Correia de. Relatório apresentado à Assembleia Geral pelo Ministro e Secretário dos Negócios do Império. Rio de Janeiro: Typographia Nacional, 1875.

 

PEREIRA, Paulo Roberto (Org.). 500 anos do Brasil na Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2000.

 

RENAULT, Delso. Rio de Janeiro: a vida da cidade refletida nos jornais (1850-1870). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.

 

ROCHA, Justiniano José da. Exposição sobre o estado das aulas públicas de instrução secundária, e dos colégios e escolas particulares da Capital do Império, 5 de abril de 1851. (Anexo). In: CARVALHO, José da Costa. (Visconde de Monte Alegre). Relatório apresentado à Assembleia Geral pelo Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Império. Rio de Janeiro: Typographia Nacional, 1851.

 

ROLIM, João Goulart.  Esboço de uma higiene dos colégios aplicável aos nossos: regras principais tendentes à conservação da saúde e ao desenvolvimento das forças físicas e intelectuais, segundo as quais se devem regular os nossos colégios. (Quarto ponto. Sciencias Medicas) Rio de Janeiro. N. L. Vianna & Filhos, 1857.

 

SAUER, Arthur. Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Império do Brasil para 1885. Rio de Janeiro: Typographia H. Laemmert & C., 42º ano, 1885.

 

SILVA, Joaquim Caetano da. Relatório da Inspetoria Geral da Instrução Primária e Secundária do Município da Corte, apresentado em 1868. (Anexo). In: TORRES, José Joaquim Fernandes. Relatório apresentado à Assembleia Geral Legislativa pelo Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Império. Rio de Janeiro: Typographia Nacional, 1868.

 

SOUZA, Joaquim Francisco de Paula e. Esboço de uma higiene de colégios aplicável aos nossos. Regras principais tendentes à conservação da saúde, e ao desenvolvimento das forças físicas e intelectuais, segundo as quais se devem regular os nossos colégios. Rio de Janeiro: Typographia Vianna & Filhos, 1857.

 

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International (CC BY-NC 4.0)

 

Notas



[1] Fundado em 1844, no Rio de Janeiro, por Eduardo Laemmert e seu irmão Heinrich Laemmert. Juntos, os irmãos criaram a firma E. & H. Laemmert, que administrava a Livraria Universal e a Tipografia Laemmert. O Almanaque, de circulação anual, foi publicado até o ano de 1889 e tinha agenciadores que distribuíam a obra nas províncias e no exterior. O periódico teve como redatores o fundador, Eduardo Laemmert, nos períodos de 1844 a 1859 e de 1871 a 1876; Carlos Guilherme Haring, de 1860 a 1870; José Antonio dos Santos Cardoso, de 1877 a 1881, e Arthur Sauer, de 1882 até 1889 (CONCEIÇÃO, 2013).

[2] A reforma do ensino médico de 1832 determinava a defesa de uma tese no último ano do curso como requisito obrigatório para aqueles que almejassem o título de doutor em Medicina (BRASIL, 1832). Algumas dessas teses abarcaram, além de temas que, nos dias atuais, poderiam ser classificados como específicos do campo da Medicina, uma grande variedade de temas sociais. Deste modo, os médicos deixaram registros importantes sobre a realidade social brasileira, e, especialmente, para os objetivos deste artigo, representações relacionadas à higiene dos colégios-internatos. Consultar: CONCEIÇÃO (2012), GONDRA (2004).

[3] Capital do Município da Corte, dividido nas seguintes freguesias: Freguesias da cidade – Glória, Candelária, S. José, Santa Rita, Sacramento, Santa Ana, Santo Antonio, Lagoa, Engenho Velho, Espírito Santo e São Cristóvão; Freguesias de fora – Inhaúma, Irajá, Jacarepaguá, Campo Grande, Santa Cruz, Guaratiba, Ilha do Governador e Paquetá. Os colégios particulares concentravam-se nas freguesias da cidade. SILVA (1868).

[4] Advogado, professor do Colégio de Pedro II e da Escola Militar, jornalista, deputado pela Província de Minas Gerais.

[5] Algumas dessas ruas são mencionadas nas reminiscências de Daniel P. Kidder, que esteve no Rio de Janeiro na primeira metade do século XIX (KIDDER, 2001).

[6] Condições da Rua do Ouvidor, na segunda metade do século XIX: “[...] poeiras, bicas rebentadas jorrando água pelo lajedo, o ajuntamento de escravos em certas vendas e esquinas, o trânsito de carroças pela Rua do Ouvidor, as contradanças dos tílburis, as corridas das gôndolas, o chuveiro dos cambistas, as casas de jogo, os vadios a pedir esmolas, os armarinhos ambulantes” (RENAULT, 1978, p. 282).

[7] “Pequena propriedade campestre, em geral perto da cidade, com casa de habitação. Terreno urbano de grandes dimensões, com casa de moradia, jardim, horta, pomar [...]”. (FERREIRA, 1975, p. 311).

[8] Tradução do título: [Plantas e elevações de duas grandes casas, uma na cidade e a outra no campo].. https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/18493/plans-et-elevations-de-deux-grandes-maisons-lune-de-ville-et-lautre-de-campagne  Acessado em 2 de junho de 2020.

[9] “Pintor e desenhista francês [...] cuja característica marcante é o fato de revelar em imagens a história da vida urbana brasileira do início de século XIX e da vida na corte do Rio de Janeiro”. https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/4716  Acessado em 2 de julho de 2020.

[10] “Artista holandês radicado no Rio de Janeiro, na segunda metade do século XIX. Além de quadros a óleo, dedicou-se à litografia, preparando um conjunto de 45 pranchas de aspectos arquitetônicos da cidade, editado em 1856”. (PEREIRA, 2000, p. 136).