Espiritualidade no ensino: a perspectiva dos discentes de uma universidade pública da área da saúde
Teaching Spirituality: the perspective of the students of a health public university
Lahanna da Silva Ribeiro
Enfermeira pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.
lahannas@gmail.com - orcid.org/0000-0003-0219-7348
Émilly Giacomelli Bragé
Enfermeira pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.
emilly.ufcspa@gmail.com - orcid.org/0000-0001-6970-8320
Bruna Luísa Ribeiro de Almeida
Graduanda da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.
bruninaribeiro@hotmail.com - orcid.org/0000-0002-5298-3665
Eliane Goldberg Rabin
Professora Adjunta da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.
elianerabin@gmail.com - orcid.org/0000-0003-1450-2012
Recebido em 21 de maio de 2020
Aprovado em 07 de janeiro de 2021
Publicado em 30 de dezembro de 2021
RESUMO
A espiritualidade é uma parte complexa e multidimensional da experiência humana, com base inerente de cada pessoa do significado e do propósito de vida, encontrada em todas as culturas. A consideração do ser humano de forma integral, representa um aspecto importante da formação dos profissionais da saúde. Tem crescido o reconhecimento da importância da espiritualidade na saúde, mas pouco se ensina ou se aplica na prática aos profissionais desta área. Os cursos de graduação e de pós-graduação, na sua grande maioria, não desenvolvem conteúdos relacionados à espiritualidade nos seus currículos. Assim, o objetivo do estudo foi investigar a compreensão dos discentes da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre a respeito do tema espiritualidade na educação e na saúde, por meio da análise de presença ou ausência da abordagem do tema espiritualidade no currículo acadêmico, e de como estes avaliam a pertinência do tema. Trata-se de um estudo transversal que tem como população os discentes dos Cursos de Graduação e Pós-Graduação da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Realizou-se a coleta de outubro de 2016 a novembro de 2019, utilizando-se questionários em formato impresso. Um total de 632 alunos responderam ao questionário, e 65,7% destes entendem que é pertinente abordar aspectos relacionados à “espiritualidade” na formação acadêmica. Conclui-se que os discentes dos diferentes cursos e séries reconhecem a relevância do estudo da espiritualidade na saúde, entretanto, a carência deste conteúdo durante a formação acadêmica resulta em desconhecimento e insegurança para abordar o tema com os pacientes.
Palavras-chave: Espiritualidade; Ensino; Educação.
ABSTRACT
Spirituality is a complex and multidimensional part of the human experience, with each person's inherent basis of the meaning and purpose of life, found in all cultures. The consideration of the human being in an integral way, represents an important aspect of health professionals training. The recognition of the importance of spirituality in health has grown, but little is taught or applied for professional practice. The vast majority of undergraduate and graduate courses do not develop content related to spirituality in their curricula. The aim of this study was to investigate the understanding of students at the Federal University of Health Sciences of Porto Alegre, regarding to the theme spirituality in education and health, through the analysis of the presence or absence of the theme in the academic curriculum and how they assess the relevance of the theme. This is a cross-sectional study with the population of undergraduate and graduate students at the Federal University of Health Sciences of Porto Alegre. The collection took place from October 2016 to November 2019, using questionnaires in printed format. A total of 632 students answered the questionnaire, and 65.7% of whom believe that it is pertinent to address aspects related to “spirituality” in academic training. It is concluded that students from different courses and grades recognize the relevance of the study of spirituality in health, however, the lack of this content during academic training results in ignorance and insecurity to approach the topic with patients.
Keywords: Spirituality; Teaching; Education.
Introdução
Sabe-se que o conceito de espiritualidade varia conforme a nação e a crença, em decorrência da sua multiplicidade pelo mundo (OLIVEIRA, 2017). Tem-se na literatura que a espiritualidade é uma parte complexa e multidimensional da experiência humana, com base inerente de cada pessoa do significado e do propósito de vida, encontrada em todas as culturas (KOENIG, 2012). Em contraponto, a religiosidade consiste na forma com que uma pessoa crê, acompanha e coloca em ação a religião específica.
A religião é um sistema organizado de crenças, práticas, rituais e símbolos destinados a facilitar a proximidade com o sagrado e o transcendente compartilhadas por uma comunidade organizada (KOENIG, 2001). Refere-se ao Cristianismo, Judaísmo, Islamismo, Hinduísmo, Budismo e outras tradições religiosas com suas diversas vertentes.
Religiosidade diz respeito ao nível de envolvimento religioso e o reflexo desse envolvimento na vida da pessoa, ou seja, o quanto isso influencia seu cotidiano, seus hábitos e sua relação com o mundo (KOENIG, 2001). Pode ser organizacional: participação no templo religioso; ou não organizacional: rezar, ler livros, assistir programas religiosos na televisão (MOREIRA-ALMEIDA, NETO, KOENIG, 2006). O papel fundamental da religiosidade não é prover um código moral, mas sim mediar o encontro com o sagrado (SULMASY, 2009). A religiosidade é classificada em intrínseca e extrínseca: a primeira refere-se à quando há a centralidade na vida do indivíduo, e a segunda é quando se utiliza a religião para obter vantagem sobre pessoas, bens materiais ou instituições (GUSSI E DYTZ, 2008).
É importante considerar que existe relação entre religiosidade e espiritualidade, no entanto, estas não dependem uma da outra. Logo, para o exercício da espiritualidade é dispensável que haja prática religiosa, é preciso somente que a ação envolva o espiritual, a alma, o que vai além da religião (SOUZA, MAFTUM E BAIS, 2008).
Dessa forma, traz-se a contribuição da Association of American Medical Colleges (AAMC) (1998) sobre o tema:
A espiritualidade é reconhecida como um fator que contribui para a saúde de muitas pessoas. O conceito de espiritualidade é encontrado em todas as culturas e sociedades. Ela é expressa nas buscas individuais para um sentido último através da participação na religião e ou crença em Deus, família, naturalismo, racionalismo, humanismo, e nas artes. Todos esses fatores podem influenciar na maneira como os pacientes e os cuidadores profissionais da saúde percebem a saúde e a doença e como eles interagem uns com os outros (ASSOCIATION OF AMERICAN MEDICAL COLLEGES, 1998).
Diferentes estudos trazem a espiritualidade como a junção de práticas, realizações e percepções de si mesmos e do próximo causando uma interferência no processo saúde-doença, tanto do profissional de saúde quanto do paciente. (OLIVEIRA, 2017; KOENIG, 2012; SÁ, 2009). O bem-estar espiritual melhora a função imunológica, reduz significativamente o estresse relacionado a patologias degenerativas e neurológicas, além de ser um fator preponderante na qualidade de vida. Outros benefícios reconhecidos são o aumento do vigor em doentes crônicos, a melhora nos desfechos de reabilitação de vítimas com traumatismo cerebral, a redução do tempo de hospitalização e o aumento da resiliência de pacientes e cuidadores (DAL-FARRA, 2010; SAAD, 2001).
A necessidade de inserir conteúdos relacionados à espiritualidade nos currículos dos cursos da área da saúde, está relacionada a sua comprovada influência nos resultados do tratamento e na manutenção da saúde dos pacientes, cuidadores e profissionais. No entanto, somente algumas instituições dos Estados Unidos e do Reino Unido, que são responsáveis pela maior produção de estudos na área, conseguiram integrar o tema à graduação. No Brasil, as ações em prol da inclusão deste tema nos currículos são iniciais, e nos poucos exemplos existentes se observa a realização de cursos que utilizam este conteúdo para a oferta de disciplinas optativas. (ESPINHA et al, 2013; LUCCHETTI et al, 2011; LUCCHETTI, 2013).
No ano de 2002, a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu saúde como além da ausência da enfermidade, ou seja, é uma combinação de bem-estar físico, psíquico, social e espiritual. Dessa forma, evidencia-se que a espiritualidade deve ser reconhecida como parte do cuidado e abordada na formação dos profissionais de saúde. Em consonância, a Association of American Medical Colleges defende que é fundamental o ensino da espiritualidade ao longo da formação dos acadêmicos da área da saúde, salientando aos estudantes a importância da espiritualidade e das crenças culturais para a saúde e o bem-estar dos indivíduos (REGINATO, BENEDETTO E GALLIAN, 2016).
Nesse sentido, foi elaborada as National Competencies in Spirituality and Health for Medical Education (NCSMD) pela AAMC, a fim de desenvolver objetivos estratégicos de ensino-aprendizagem em saúde e espiritualidade e propor competências necessárias, assim como metodologias pedagógicas possíveis e métodos de avaliação de desempenho. Seis domínios foram criados para abordar as competências relacionadas ao ensino-aprendizagem em saúde e espiritualidade: 1) Conhecimento: buscar o conhecimento necessário para incluir a espiritualidade na assistência em saúde; 2) Sistemas de saúde: aplicar o conhecimento desenvolvido conforme as possibilidades do sistema de saúde; 3) Cuidado com o paciente: executar na prática a espiritualidade na assistência em saúde; 4) Desenvolvimento pessoal e profissional: utilizar a dimensão da espiritualidade como ferramenta em prol da educação individual, social e clínica; 5) Presença compassiva: refere-se à postura adotada em relação ao paciente e sua família e também aos membros da equipe de saúde; 6) Comunicação: promover o diálogo com paciente, familiares e equipe de saúde sobre as questões espirituais evidenciadas durante o acompanhamento terapêutico (PUCHALSKI et al, 2014).
O tema espiritualidade deve ser abordado com a intenção de incentivar a discussão e reflexão sobre as repercussões da crença pessoal no futuro profissional da saúde, desde o início da graduação. O questionamento do tema tem como intuito acrescentar uma integração maior entre o cuidado e a humanística, já que é preciso admirar particularmente cada um, a fim de perceber que o ser humano tem suas características e sua espiritualidade individuais, que o transformam em um ser único (OLIVEIRA et al, 2017; OLIVEIRA, 2012; PESUT et al 2003).
Nos últimos anos, o reconhecimento da importância da espiritualidade na saúde tem aumentado, mas pouco se ensina ou se aplica na prática aos profissionais desta área. A literatura sobre o tema ainda é escassa, e os cursos de graduação e de pós-graduação, na sua grande maioria, não desenvolvem conteúdos relacionados à espiritualidade nas suas matrizes curriculares. Além disso, existe um conhecimento restrito sobre as perspectivas dos acadêmicos sobre espiritualidade e cuidados espirituais. Desta forma, existe a necessidade de compreender esta perspectiva e suas inter-relações com a formação do profissional de saúde.
Sendo assim, este estudo teve como objetivo investigar a compreensão dos discentes de graduação e de pós-graduação da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre a respeito do tema espiritualidade na educação e na saúde, por meio da análise de presença ou ausência da abordagem do tema espiritualidade no currículo acadêmico e de como estes avaliam a pertinência do tema “espiritualidade na formação acadêmica”. Espera-se que os resultados deste estudo possam estimular a inclusão de disciplinas e de outras atividades que abordem a relação existente entre saúde e espiritualidade nas matrizes curriculares dos cursos de graduação e de pós-graduação, tendo em vista a repercussão da espiritualidade na recuperação da saúde.
Metodologia
Caracterização e local do estudo
Trata-se de uma pesquisa de delineamento exploratória, quantitativa e de cunho transversal. O cenário de realização do estudo foi a Universidade Federal de Ciência da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), localizada na cidade de Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul. A Universidade conta com 16 cursos de graduação, sendo eles: Biomedicina (noturno e diurno), Enfermagem, Farmácia, Física, Médica, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Gastronomia, Gestão em Saúde, Informática Biomédica, Medicina, Nutrição, Psicologia, Química Medicinal, Tecnologia em Alimentos e Toxicologia Analítica. Além disso, existem 3 modalidades de pós-graduação Lato Sensu (Residências médicas, Residências multiprofissionais e Especializações) e 12 modalidades de pós-graduação Stricto Sensu (Biociências, Ciências da Nutrição, Ciências da Reabilitação, Ciências da Saúde, Enfermagem, Ensino na Saúde, Hepatologia, Patologia, Pediatria, Psicologia e Saúde, Saúde da Família, Tecnologias da Informação e Gestão em Saúde).
Participantes
A população elegível do estudo foi composta por discentes maiores de 18 anos de todas as séries regularmente matriculados nos Cursos de Graduação e nos Programas de Pós-Graduação da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
Procedimento de coleta dos dados
A coleta de dados ocorreu entre os anos de 2016 e 2019 por meio de um questionário impresso de padrão autoaplicável. A partir da relação de todos os cursos de graduação e dos Programas de Pós-Graduação, as pesquisadoras realizaram um levantamento dos horários das disciplinas em andamento no semestre, bem como dos professores em atividade docente no período. O instrumento de pesquisa foi entregue para preenchimento durante as aulas dos respectivos cursos, após combinação prévia com os docentes regentes de cada disciplina. A aplicação do questionário estendeu-se por aproximadamente 10 minutos. A participação dos alunos foi de forma voluntária mediante o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Instrumentos
Utilizou-se como instrumento um questionário impresso de padrão autoaplicável, adaptado do estudo de Espinha et al (2013), que teve como população acadêmicos de enfermagem do curso de graduação em Enfermagem da Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA). Esse estudo abordou saúde, espiritualidade e religiosidade e as informações fornecidas durante o período da formação acadêmica. Para esta pesquisa, optou-se pela adaptação deste instrumento, com enfoque somente na espiritualidade e aplicável a todos os cursos existentes na UFCSPA. O questionário adaptado é composto por 8 questões sobre os aspectos sociodemográficos e 10 questões tipo Likert, de cinco pontos específicos sobre o tema.
Análise dos dados
Os dados coletados foram organizados em planilhas do Software Microsoft Excel, de forma codificada conforme a natureza das variáveis. Posteriormente, as variáveis foram analisadas através da estatística descritiva por meio do software Statistical Package for Social Sciences (SPSS).
Aspectos éticos
Cumpriu-se todas as prerrogativas das diretrizes da Resolução 466/12 em relação à pesquisa com seres humanos (BRASIL, 2012). A coleta de dados teve início após aprovação do projeto de pesquisa pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFCSPA, sob parecer de número 1.876.126. Os participantes foram informados sobre os objetivos do estudo e orientados quanto ao sigilo das informações individuais. Assegurou-se ao participante o direito de interromper sua participação a qualquer momento da coleta, livre de prejuízos ou necessidade de justificativa.
Resultados
Perfil sociodemográfico dos participantes
Na tabela abaixo, apresenta-se o perfil sociodemográfico dos 632 discentes de graduação e de pós-graduação que responderam ao questionário.
Tabela 1 - Dados sociodemográficos
|
|
n |
% |
|
Sexo |
|
|
|
Feminino |
416 |
65,8% |
|
Masculino |
186 |
29,4% |
|
Omissos |
30 |
4,7% |
|
Raça |
|
|
|
Branca |
540 |
85,4% |
|
Preta |
37 |
5,9% |
|
Parda |
43 |
6,8% |
|
Amarela |
2 |
0,3% |
|
Indígena |
2 |
0,3% |
|
Outras |
2 |
0,3% |
|
Omissos |
6 |
0,9 |
|
Estado Civil |
|
|
|
Solteiro |
543 |
85,9% |
|
Casado |
56 |
8,9% |
|
Divorciado |
5 |
0,8% |
|
Viúvo |
1 |
0,001% |
|
Outros |
18 |
2,8% |
|
Omissos |
9 |
1,4% |
|
Crença |
|
|
|
Budismo |
5 |
0,8% |
|
Candomblé |
4 |
0,6% |
|
Católica |
156 |
24,7% |
|
Espírita |
77 |
12,2% |
|
Evangélica |
49 |
7,8% |
|
Islamismo |
3 |
0,5% |
|
Judaísmo |
0 |
0% |
|
Protestante |
10 |
1,6% |
|
Umbanda |
8 |
1,3% |
|
Não se aplica |
304 |
48,1% |
|
Omissos |
16 |
2,5% |
|
Renda |
|
|
|
1 salário mínimo |
29 |
4,6% |
|
2 a 3 salários mínimos |
153 |
24,2% |
|
Até 5 salários mínimos |
158 |
25% |
|
Entre 5 e 10 salários mínimos |
182 |
28,8% |
|
Mais de 10 salários mínimos |
76 |
12% |
|
Mais de 20 salários mínimos |
22 |
3,5% |
|
Omissos |
12 |
1,9% |
|
Série do Curso |
|
|
|
1ª série |
302 |
47,8% |
|
2ª série |
184 |
29,1% |
|
3ª série |
117 |
18,5% |
|
4ª série |
18 |
2,8% |
|
5ª série |
2 |
0,3% |
|
6ª série |
4 |
0,6% |
|
Omissos |
5 |
0,8% |
|
Curso |
|
|
|
Enfermagem |
121 |
19,1% |
|
Psicologia |
102 |
16,1% |
|
Informática Biomédica |
56 |
8,9% |
|
Física Médica |
44 |
7% |
|
Nutrição |
36 |
5,7% |
|
Biomedicina Diurno |
31 |
4,9% |
|
Fisioterapia |
31 |
4,9% |
|
Gestão em Saúde |
31 |
4,9% |
|
Fonoaudiologia |
28 |
4,4% |
|
Tecnologia de Alimentos |
28 |
4,4% |
|
Biomedicina Noturno |
27 |
4,3% |
|
Medicina |
27 |
4,3% |
|
Farmácia |
26 |
4,1% |
|
Pós Graduação Stricto Sensu em Enfermagem |
17 |
2,7% |
|
Gastronomia |
14 |
2,2% |
|
Química Medicinal |
7 |
1,1% |
|
Toxicologia Analítica |
5 |
0,8% |
|
Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Ciências da Reabilitação |
1 |
0,2% |
Fonte: dados da pesquisa. (inserir ano)
Compreensão dos discentes sobre a definição de espiritualidade
A segunda etapa do questionário, refere-se às questões específicas sobre o tema espiritualidade. A primeira questão desta etapa é sobre o entendimento dos acadêmicos sobre espiritualidade, na qual se obteve os seguintes resultados (Tabela 2):
Tabela 2 - Definições de espiritualidade
|
Definição |
N |
% |
|
A transcendência entre o homem e a natureza, a arte e o universo. |
193 |
30,5% |
|
Uma força unificadora que não tem como propósito aumentar a vida de uma pessoa, mas facilitar o seu desenvolvimento. |
174 |
27,5% |
|
Um significado para a vida. |
122 |
19,3% |
|
É a transcendência entre o homem e Deus |
67 |
10,6% |
|
Espiritualidade, religião e religiosidade são usadas como sinônimos |
59 |
9,3% |
|
Omissos |
17 |
2,6% |
Fonte: dados da pesquisa. (inserir ano)
Perspectiva dos alunos sobre o tema espiritualidade na formação profissional
Na sequência, tem-se 9 questões do tipo Likert com pontuação de 1 a 5. No quadro abaixo (Quadro 1), serão apresentados os resultados referentes a essas questões, incluindo as porcentagens proporcionais ao número total da amostra.
Quadro 1 - Dados dos questionários
|
Questão |
1 Discordo totalmente |
2 Discordo |
3 Indiferente |
4 Concordo |
5 Concordo totalmente |
|
|
1. É pertinente abordar aspectos relacionados à “espiritualidade” na formação acadêmica. |
5,2% |
6,6% |
22% |
43,5% |
22,2% |
|
|
2. É pertinente abordar o tema fé/espiritualidade na formação acadêmica. |
5,2% |
12,3% |
24,7% |
40,5% |
16,6% |
|
|
3. Os docentes de seu Curso abordaram temas sobre crenças religiosas ou espirituais nas atividades curriculares. Se sim, em qual ano da graduação? |
34,5% |
35,6% |
18,5% |
18,2% |
2,2% |
|
|
1º ano |
2º ano |
3º ano |
4º ano |
5º/6º ano |
||
|
41,9% |
22% |
9,2% |
1,1% |
0,8% |
||
|
4. A formação universitária atual fornece informações suficientes para que os acadêmicos consigam abordar as crenças religiosas ou espirituais dos pacientes. |
23,3% |
47,8% |
18,4% |
9,5% |
0,5% |
|
|
5. Sinto-me preparado para abordar aspectos relacionados à “espiritualidade” com os pacientes. |
14,4% |
34,5% |
19,1% |
25% |
4,7% |
|
|
6. Participei de atividade de formação sobre a relação “Saúde e Espiritualidade”. |
78,6% |
10,1% |
7,6% |
2,5% |
0,5% |
|
|
Questão |
1 Não considero importante a abordagem do tema |
2 Como um tema opcional (somente como disciplina eletiva) |
3 Como um tema opcional (somente como atividades de extensão/ pesquisa)
|
4 Como um tema opcional (disciplina eletiva/PDCI e atividades de extensão/pesquisa |
5 Como um tema obrigatório (disciplina obrigatória) |
|
|
7. Considero importante abordar questões sobre espiritualidade na formação do profissional da saúde: |
5,5% |
19,1% |
7,3% |
45,1% |
20,9% |
|
|
Questão |
1 Eu não busco conhecimentos |
2 Da minha própria religião |
3 Docentes de minha Universidade
|
4 Leitura de livros e artigos científicos/extensão/pesquisa |
5 Palestras que abordam o tema |
|
|
8. Busco conhecimentos sobre o tema “Saúde e Espiritualidade” por meio de: |
33,4% |
20,6% |
2,1% |
24,7% |
16,1% |
|
|
Questão |
1 Desconforto com o tema
|
2 Medo de impor pontos de vista religiosos aos pacientes, medo de ofender os pacientes
|
3 Medo de que meus colegas não aprovem
|
4 Não faz parte do meu trabalho
|
5 Não faz parte do cuidado
|
|
|
9. Os motivos pelos quais não abordaria espiritualidade com os pacientes: |
11,1% |
59,3% |
2,2% |
14,6% |
3,2% |
|
Fonte: dados da pesquisa. (inserir ano)
Discussão
A maioria da amostra (87,9%) entende a espiritualidade conforme a definição proposta pela literatura, ou seja, como uma conexão com o universo, um propósito de vida independente de religião e uma busca pessoal pelo sentido e significado da vida (KOENIG, 2001; SAAD, 2001). Em contraponto, 9,3% entende espiritualidade, religião e religiosidade como sinônimos, embora a literatura aponte o contrário (SOUZA, MAFTUM E BAIS, 2008).
Sabe-se que o ser humano deve ser compreendido em sua integralidade, conforme os princípios do Sistema Único de Saúde, e a dimensão espiritual é parte integrante do indivíduo, sendo fundamental na forma de pensar, agir, e no modo de cuidar (NASCIMENTO et al, 2013). Além disso, a Organização Mundial de Saúde, a Comissão Conjunta de Acreditação de Organizações de Saúde e a Association of American Medical Colleges, trazem a recomendação de abordar as questões espirituais no atendimento clínico e na educação dos profissionais de saúde, em função de serem elementos importantes para a saúde de grande parte dos pacientes (REGINATO, BENEDETTO E GALLIAN, 2016).
No estudo de Koenig (2005), verificou-se que 90% dos pacientes dizem que crenças religiosas e suas práticas são importantes ferramentas para um melhor enfrentamento das doenças físicas, e mais de 40% indicam que a religião é o fator de ajuda mais significativa nessas situações. Da mesma forma, um estudo realizado em Belo Horizonte, constatou que 97,7% dos participantes acreditavam que a espiritualidade era um fator importante na vida e que sua prática era fundamental para manter uma vida saudável (SILVA et al, 2016). Portanto, observa-se uma significativa influência da espiritualidade no processo saúde-doença, sendo de suma relevância a abordagem do tema na formação acadêmica. Um estudo multicêntrico realizado com 3.600 estudantes de escolas médicas brasileiras, concluiu que grande parte dos estudantes brasileiros sentem que os pacientes devem ter as suas crenças consideradas e que elas podem impactar de forma importante nos resultados clínicos e na relação médico-paciente (LUCCHETTI et al, 2013). Nesse sentido, a maioria dos participantes (65,7%) concorda com essas inter-relações, ou seja, entendem que é pertinente abordar aspectos relacionados à “espiritualidade” na formação acadêmica.
Em um estudo com 437 estudantes de medicina, verificou-se que os participantes não se sentem preparados para abordar a temática com seus pacientes, pois acreditam que há lacunas na sua formação (COSTA et al, 2019). Esses resultados se mostraram compatíveis a esta pesquisa, conforme foi demonstrado por 60,1% dos participantes, os quais negaram a abordagem de crenças religiosas ou espirituais nas atividades curriculares pelos docentes de seu curso. Além disso, 71,1% apontaram que a formação universitária não fornece informações suficientes sobre a temática, em consonância com o estudo de Espinha et al (2013) e de Harmuch, Cavalcante e Zanoti-jeronymo (2019).
O fato de não abordar essas questões na formação acadêmica, reflete na prática dos futuros profissionais, visto que a falta de treinamento propicia o surgimento de insegurança e omissão perante a demanda dos pacientes (COPELLO, PEREIRA, FERREIRA, 2018; RADDATZ, MOTTA, ALMINHANA, 2019) além de criar barreiras associadas ao medo de impor pontos de vista religiosos e de ofender os pacientes (ESPINHA et al, 2013). Percebe-se essa correlação nos dados achados no presente estudo, em que 59,3% não abordariam o tema por medo de impor pontos de vista religiosos aos pacientes e medo de ofendê-los; 14,6% afirmaram que não faz parte do seu trabalho; 11,1% apresentaram desconforto com o assunto; 3,2% disseram que não faz parte do cuidado e 2,2% têm medo de que os colegas não aprovem. Um outro estudo que descreveu a perspectiva dos alunos de medicina da Faculdade Pernambucana de Saúde sobre um Módulo Transversal de Saúde e Espiritualidade, obteve como resultado que 91,80% dos estudantes, após o cumprimento do módulo, sentiam-se mais preparados para abordar a espiritualidade na prática clínica (FERREIRA; OLIVEIRA; JORDÁN, 2016).
Evidenciou-se que a população estudada busca conhecimentos sobre o tema “Saúde e Espiritualidade” por meio de leitura de livros e artigos científicos (24,7%), 20,6% o fazem por meio da própria religião e 33,4% não buscam conhecimento, demonstrando que apesar dos alunos reconheceram a pertinência do tema, a busca por conhecimentos nessa área é pouco difundida. Entretanto, em estudo similar, os alunos relataram que buscavam conhecimento sobre o assunto dentro da própria religião, em detrimento à leitura de livros e artigos científicos (ESPINHA et al, 2013).
Frente a esse contexto, torna-se importante a discussão sobre a inserção desse assunto no âmbito da formação acadêmica. Uma parcela dos participantes (20,9%) consideram que deve ser abordado como um tema obrigatório (disciplinas obrigatórias), enquanto 45,1% acreditam que o tema deva ser abordado como um tema opcional (disciplina eletiva/PDCI e atividades de extensão/pesquisa). Acredita-se que um motivo plausível para que a inserção do assunto, como tema obrigatório na formação não obtenha concordância de grande parte dos alunos é, propriamente, o desconhecimento destes sobre as questões espirituais.
Sendo assim, para transformar a prática profissional é preciso que o estudo da espiritualidade seja incluído no currículo dos cursos de graduação e de pós-graduação, para que os alunos reconheçam a influência do assunto em seu campo de atuação. Além disso, com a inclusão da temática, amplia-se o número de pesquisas e se melhora o entendimento da espiritualidade e seu papel, tanto para os pacientes quanto para os profissionais, buscando o cuidado integral e humanizado. O estudo de Raddatz, Motta, Alminhana (2019) traz a definição de “círculo vicioso” para exemplificar essa situação, enfatizando que, apesar dos profissionais acreditarem que a espiritualidade é importante no cuidado aos pacientes e que há pouco preparo durante a graduação, apresentam-se resistentes ao inserir a temática nos currículos acadêmicos. Além disso, profissionais da saúde, especialmente médicos, usualmente não possuem crenças ou ferramentas para expressarem a sua espiritualidade, apresentado maiores índices de ateísmo do que a média da população brasileira (AGUIAR, CAZELLA E COSTA, 2017).
Em consonância com a literatura, o presente estudo demonstra que 48,1% dos participantes não possuíam crença/religião, podendo culminar em obstáculos para abordar questões espirituais com pacientes. O motivo principal de incluir a espiritualidade na formação do profissional de saúde, é a necessidade de considerar aspectos biopsicossociais dos indivíduos para compreender sua relação com a assistência em saúde (FERREIRA et al, 2018), portanto, é preciso eliminar os conflitos concernentes a abordagem dessa temática. A carência de estudos sobre espiritualidade durante a graduação e pós-graduação, interfere diretamente no cuidado aos pacientes. Apesar dos profissionais buscarem visualizar o indivíduo de forma integral, geralmente ocorre um distanciamento e incompreensão da prática espiritual, impedindo que considerem essa dimensão como ferramenta terapêutica e fragilizando o vínculo entre paciente e equipe de saúde (ALVES; JUNGES; LÓPEZ, 2010).
O debate em relação à inclusão de disciplinas curriculares sobre o assunto é recente. Sabe-se que as escolas médicas foram pioneiras no processo de inserção sobre o tema espiritualidade e saúde em seu currículo, incluindo tópicos como: efeito da espiritualidade/religiosidade na saúde, aspectos éticos da espiritualidade, religião e saúde, história espiritual e impacto das crenças espirituais e religiosas em tomadas de decisão na saúde (LUCCHETTI et al, 2011).
No Brasil, é restrito o número de instituições que dispõem de cursos exclusivamente sobre espiritualidade e saúde. Um estudo que abordou o ensino desse tema em escolas médicas brasileiras, trouxe como resultados principais que das 86 instituições participantes da pesquisa, 9 ofertavam um curso específico sobre o assunto, sendo 4 em caráter obrigatório e 5 de forma eletiva; 14 afirmaram que uma aula expositiva sobre espiritualidade e saúde ocorria em algum momento no currículo, 12 relataram que um membro da faculdade introduzia o assunto em um curso ou aula, especialmente nas disciplinas de Ética, Psicologia médica e Medicina Comunitária, e apenas 2 indicaram que planejavam incorporar um curso específico sobre o tema na matriz curricular (LUCCHETTI et al, 2012). A Universidade Federal do Ceará (UFC) ofertou a disciplina optativa Medicina e Espiritualidade, sendo a primeira instituição de ensino superior brasileira a inserir essa temática como disciplina curricular (RIGHETTI, 2005).
O curso de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás oferece a disciplina “Espiritualidade e Saúde” com o objetivo de proporcionar aos acadêmicos conhecimentos que garantam uma assistência sistêmica e integral. Verificou-se que os estudantes se sentiram mais preparados para abordar o tema com seus pacientes e destacaram a importância de tratar com respeito e humanização a dimensão espiritual de cada indivíduo (SIMÕES et al, 2018). Além das disciplinas inseridas na grade curricular, atividades extracurriculares também são estratégias potentes para estudar o tema da espiritualidade. Programas de pesquisa e extensão são fundamentais para intensificar o aprofundamento das linhas de estudo e promover a capacitação de acadêmicos e de profissionais dos serviços de saúde (CASALETTI et al, 2018). As ligas acadêmicas são importantes para incorporar os alunos em grupos de estudos, na organização de eventos e palestras para difundir o tema na universidade (HENZ et al, 2018).
Em relação aos cursos de pós-graduação, a lacuna ao abordar o tema espiritualidade é ainda mais extensa, inclusive em programas de Residências. Um estudo no Recife analisou os Projetos Pedagógicos de oito cursos de Residência, e constatou que em nenhum deles constava conteúdos sobre espiritualidade (JORDAN; BARBOSA, 2019). Evidencia-se que há uma fragilidade em contemplar a integralidade do cuidado dos pacientes tanto na graduação quanto na pós-graduação.
É necessário o desenvolvimento de mais estudos para avaliar quais os melhores recursos, estratégias e o momento ideal para abordar o tema da espiritualidade nos cursos de graduação e de pós-graduação (DAMIANO et al, 2018). Ressalta-se a relevância da implementação de atividades práticas, visto que a literatura afirma que resulta em uma significativa diferença no desempenho da anamnese espiritual realizada pelos estudantes (MUSICK et al, 2003).
Conclusões
Conclui-se que os discentes dos diferentes cursos e séries reconhecem a relevância do estudo da espiritualidade no âmbito da saúde, entretanto, a carência deste conteúdo durante a formação acadêmica resulta em desconhecimento e insegurança para abordar o tema com os pacientes. À vista disso, necessita-se de inclusão de disciplinas direcionadas a esse assunto, a fim de promover um cuidado integral e humanístico.
Ao considerarmos a importância dos aspectos espirituais no processo saúde-doença, tem-se que o profissional de saúde deve buscar compreender e respeitar os significados individuais e as diferentes formas de expressar a espiritualidade. Ressalta-se que a espiritualidade é uma tecnologia leve e sem custo para a assistência, que apresenta evidentes contribuições para o enfrentamento de doenças e para o bem-estar dos indivíduos e, portanto, precisa ser difundida e abordada durante a formação acadêmica por meio de atividades eletivas e obrigatórias. A abordagem transversal da espiritualidade nas disciplinas inespecíficas ao tema é a realidade, e não garante o aprofundamento necessário que o aluno precisa para se sentir apto na aplicação do conhecimento na prática.
Evidencia-se a emergente necessidade da realização de novas pesquisas sobre a percepção dos discentes em relação ao tema espiritualidade e de estudos que avaliem quais as metodologias de ensino-aprendizagem apropriadas para abordagem do assunto, além de mensurar o impacto da espiritualidade na assistência em saúde e na formação do profissional.
Por fim, tem-se como limitação o fato deste estudo ter sido realizado apenas sob a perspectiva dos alunos, logo, sugere-se que outras pesquisas sejam desenvolvidas para conhecer a percepção dos docentes acerca da pertinência da inserção do tema nos currículos de graduação e de pós-graduação. Há também a necessidade de avaliar o conhecimento dos docentes sobre o assunto, em função de que os próprios professores podem não ter tido formação prévia sobre a espiritualidade na saúde, influenciando diretamente na possibilidade desse tema ser abordado transversalmente e em disciplinas específicas. Além disso, entende-se que seria relevante estudar a população longitudinalmente, a fim de compreender como as opiniões dos alunos sobre o assunto poderiam se modificar ao longo da formação.
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