O que uma alfabetização filosófica inspirada nas 40 horas de Angicos pode re-inventar na formação de alfabetizadores da educação de jovens, adultos e idosos em Pau dos Ferros?
What can a philosophical literacy inspired by the 40 hours of Angicos reinvent in the training of youth, adult, and elderly literacy educators in Pau dos Ferros?
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Angicos - RN, Brasil.
Recebido em 02 de agosto de 2025
Aprovado em 27 de setembro de 2025
Publicado em 24 de novembro de 2025
RESUMO
Este trabalho apresenta as contribuições da alfabetização filosófica enquanto prática reinventada das 40 horas de Angicos (RN) na formação de professores alfabetizadores de jovens, adultos e idosos na cidade de Pau dos Ferros (RN). Todavia, a pergunta norteadora é um convite para pensar: que re-invenções a alfabetização filosófica foi capaz de suscitar na formação de professores de jovens, adultos e idosos na cidade de Pau dos Ferros? A pesquisa se constituiu em ato e-ducativo, isto é, à medida que formamos, também fomos formados. Durante a escrita, nos utilizamos da revisão bibliográfica e da entrevista semiestruturada como elementos de reflexão da prática pedagógica dos alfabetizadores. A prática formativa em alfabetização filosófica possibilitou aos alfabetizadores uma intensidade de pensamentos, os quais atravessaram e problematizaram suas maneiras de se relacionar com a vida, o mundo e os outros, através da pergunta, da amorosidade, do diálogo e da escuta, entre outros princípios.
Palavras-chave: Alfabetização filosófica; 40 horas; Formação de alfabetizadores; Experiência.
ABSTRACT
This work presents the contributions of philosophical literacy as a reinvented practice of the “40 Hours of Angicos” (RN) in the training of literacy educators for youth, adults, and the elderly in the city of Pau dos Ferros (RN). The guiding question invites reflection: what reinventions has philosophical literacy been able to provoke in the formation of educators working with youth, adults, and the elderly in Pau dos Ferros? The research was conceived as an educational act—in other words, as we trained, we were also being trained. Throughout the writing process, we used literature review and semi-structured interviews as tools for reflecting on the pedagogical practices of literacy educators. The formative experience in philosophical literacy enabled educators to engage in intense thinking, which questioned and reconfigured their ways of relating to life, the world, and others through inquiry, care, dialogue, and attentive listening, among other guiding principles.
Keywords: Philosophical literacy; 40 Hours; Teacher education; Experience.
A escrita que desejamos partilhar neste trabalho é uma perícope da tese de doutorado intitulada “Eu acho que você não vai aprender nada aqui!” As 40 horas de Angicos Re-inventadas em 40 horas de Alfabetização Filosófica em Pau dos Ferros (RN). Interessa-nos, neste estudo, pensar a alfabetização filosófica (AF) enquanto prática pedagógica inspirada nas 40 horas de Angicos e re-inventada a partir da experiência de formação de professores alfabetizadores de jovens, adultos e idosos em Pau dos Ferros, em junho de 2022.
Sabemos que não é fácil reinventar uma experiência, sobretudo quando se trata de uma experiência coordenada por Paulo Freire e uma equipe de treze universitários que alfabetizaram, em 40 horas, cerca de 300 jovens e adultos em 1963 em Angicos (RN). A prática educativa pensada por Freire e seus colaboradores reunia leitura de mundo e leitura da palavra, contemplando para tal as palavras oriundas do universo vocabular dos próprios estudantes.
A experiência das 40 horas de Angicos é, para nós educadores, professores e pesquisadores, uma inspiração pedagógica, uma maneira outra de habitar os espaços educativos e começar outros começos no processo formativo de professores, com a infância, a filosofia, a pergunta… Isto é, uma maneira de nos colocarmos na condição de seres inacabados e em constante relação com os saberes, consigo mesmo, o mundo e os outros. A reflexão crítica que envolve a re-invenção da prática pedagógica freireana em Angicos é, senão um desafio, um movimento constante de deslocamento dentro e fora do pensamento.
Na reinvenção dessa prática a partir da alfabetização filosófica, experimentamos reunir, junto aos formandos, tanto a leitura de mundo e da palavra quanto a leitura de outros signos, ou seja, uma leitura filosófica da realidade – que permita uma reescrita e transformação dela nos contextos educacionais onde estes já atuam. A AF, de algum modo, permitiu aos formandos maneiras de ser/estar e habitar o mundo, a vida e o ambiente escolar conforme alguns princípios, tais como: amorosidade, pergunta, escuta, igualdade, tempo, entre outros. Esses princípios tornaram a inter-relação de formar e formar-se em ato problematizador, incerto, perguntador, amoroso, coletivo, dialógico. A formação nessa perspectiva foi uma oportunidade de viver perigosamente uma relação inquieta, infantil e filosófica com o pensar consigo mesmo e com outros.
A formação de professores em AF configurou-se em ato perguntante, iniciante, criador, crítico, conectivo, gerador de belezas, reinvenções e curiosidades. Para Freire (2021b), a formação de professores é um ensinar-aprender ou um aprender-ensinar, uma experiência autêntica de troca de saberes que permite ao sujeito conhecer e se conhecer, tocar e ser tocado, sentir e ser sentido a partir do diálogo, ou seja, da palavra, e “[...] não há palavra verdadeira que não seja práxis. Daí que dizer a palavra verdadeira seja transformar o mundo” (Freire, 2005, p. 89). Nesse sentido, a transformação é a possibilidade de criar, recriar, refazer, reinventar aquilo que é ensinado por meio da curiosidade epistemológica que alimenta o educador e o educando.
Como já dito anteriormente, a AF é uma reinvenção da prática de formação de professores inspirada nas 40 horas de Angicos, que foi realizada na cidade de Pau dos Ferros, Alto Oeste Potiguar. A alfabetização filosófica é uma maneira outra de habitar uma vida pedagógica com a pergunta, a infância, o diálogo, a igualdade, entre outros princípios. A pergunta geradora de reflexões neste trabalho é um convite para pensar: que re-invenções a alfabetização filosófica foi capaz de suscitar na formação de professores de jovens, adultos e idosos da cidade de Pau dos Ferros? Nosso objetivo é pensar as contribuições que a AF, enquanto prática reinventada, ofereceu à formação de professores alfabetizadores de jovens, adultos e idosos na cidade de Pau dos Ferros.
Os passos que caminhamos para chegar a algumas reflexões posteriores tem a ver com a postura de pesquisa que adotamos: uma pesquisa e-ducativa (Masschelein; Simons, 2014). Para Masschelein e Simons (2014), o ato de pesquisar é sempre uma maneira de se colocar à disposição do que se encontra pelo caminho, das possibilidades que se experimenta ao longo da caminhada. Logo, essa disponibilidade configura-se em ato educativo emancipado, inacabado, original e irreverente, pois, à medida que formamos, também somos formados. Nesse sentido, é importante ressaltar que a formação em AF não tem um roteiro pronto, tampouco uma forma acabada de formar professores. Embora pensemos em algumas propostas para dar início aos diálogos, a formação se constrói no próprio percurso, em comunhão com nossos pares, desenhando os próprios caminhos da formação.
Para materializar os dados do trabalho, nos utilizamos da revisão bibliográfica, uma vez que ela ajuda na escolha dos materiais que servirão de subsídio teórico e científico nos trabalhos acadêmicos (Leite, 2008). Além disso, nos valemos de entrevistas para dialogar com os alfabetizadores do projeto Supera RN. A entrevista, segundo Amado (2009), é uma técnica importante para o recolhimento de dados e nos põe em exercício com o pensamento do outro, suas representações, emoções, crenças, sentidos e interpretações de experiências individuais e coletivas. Ela pode assumir algumas características específicas; em nosso caso, apoiamo-nos na entrevista semiestruturada ou semidirectiva (Amado, 2009). Esse tipo de entrevista é bastante utilizado em pesquisas de caráter qualitativo e pressupõe algumas questões; porém, não anula a liberdade de resposta do entrevistado, que pode deliberar outras informações, levando, assim, o entrevistador a outras perguntas que merecem profundidade espontânea dos pontos em diálogo. A entrevista semiestruturada não impõe questões rígidas a seus colaboradores, ao contrário:
[…] permite ao entrevistado discorrer sobre o tema proposto “respeitando os seus quadros de referência”, salientando o que para ele for mais relevante, com as palavras e a ordem que mais lhe convier, e possibilitando a captação imediata e corrente das informações desejadas (Amado, 2009, p. 182).
Na visão do autor, podemos presumir que a entrevista semiestruturada oferece aos envolvidos (entrevistador e entrevistado) a oportunidade de inserir-se no campo investigativo como sujeitos críticos e reflexivos, abertos a novas experiências forjadas no processo de ser para si e de vir a ser com outros (Freire, 2021a). A prática investigativa realizada a partir da entrevista semiestruturada permite ao pesquisador a naturalidade dos fatos, melhor compreensão e novas descobertas. Além disso, possibilita que as relações estabelecidas entre ambos sejam espontâneas, duradouras, criativas, abertas e originais. A prática dessas questões na construção dos dados abre caminhos para perceber que o entrevistador é um agente intelectual ativo, isto é: “[...] não deve apenas se preocupar em descrever os fenômenos e repetir o que já foi escrito, deve ser perseguido pela inconformidade, pelo saber insuficiente, e é isso que o move para diante” (Seabra, 2001, p. 71).
Considerando tais premissas, este estudo buscou identificar as percepções dos alfabetizadores acerca do que a alfabetização filosófica lhes permitiu re-inventar em suas práticas pedagógicas com jovens, adultos e idosos em Pau dos Ferros. As linhas que se seguem ajudam a pensar o nascimento da ideia de alfabetização filosófica enquanto prática re-inventada das 40 horas de Angicos e, em seguida, anunciam as contribuições da experiência reinventada na formação dos alfabetizadores e de sua prática educativa com jovens, adultos e idosos na circunscrição da 15a. Diretoria Regional de Ensino e Cultura (DIREC) do Rio Grande do Norte.
A reinvenção das 40 horas de Angicos é de fato como aceitar o convite feito pelo próprio Paulo Freire no livro Por uma pedagogia da pergunta, quando diz: “Não é por outra razão que sempre digo que a única maneira que alguém tem de aplicar, no seu contexto, alguma das proposições que fiz é exatamente refazer-me” (Freire; Faundez, 2002, p. 41). Aprendemos com Paulo Freire que Angicos é um laboratório vivo de práticas educativas que convida a novas aprendizagens, desafios, perguntas, experiências, invencionices, reinvenção… A ideia de reinvenção das 40 horas é fruto da viagem pedagógica que o professor Walter Omar Kohan[1] estava realizando pelo Nordeste, para comemorar os 100 anos de Paulo Freire em 2021.
Durante a viagem, Walter Kohan elegeu, como um dos pontos de sua rota pedagógica, Angicos. Aqui, tratamos de promover encontros com alguns dos ex-alunos da experiência das 40 horas, como parte das atividades pedagógico-filosóficas que Kohan (2021) realizaria em Angicos. Ao todo, foram visitados quinze ex-alunos. Aquelas visitas alimentaram nosso desejo de continuar sonhando, assim como Paulo Freire, com uma educação mais amorosa, dialógica, filosófica e libertadora. Elas nos inspiraram a pensar numa possível reinvenção da experiência de Angicos.
Chegávamos das visitas cada vez mais revigorados, as memórias dos ex-alunos eram como um alimento para nossa curiosidade menina, saltitante, inquieta… Ficávamos conversando horas sobre aqueles depoimentos e também sobre a possibilidade de reescrever, repensar e reinventar Angicos… E, assim, numa noite de céu estrelado, nossas conversas acenaram para a possibilidade de uma alfabetização filosófica. A ideia fluiu, apesar de ainda não sabermos muita coisa sobre a alfabetização filosófica, pois assim nos lembra Paulo Freire:
Não somos completos. Temos que nos inserir em um processo permanente de busca. Sem isso, morreríamos em vida. O que significa que manter a curiosidade é absolutamente indispensável para que continuemos a ser ou vir a ser (Freire; Horton, 2009, p. 43).
Após os encontros, ficamos em Angicos cada vez mais inquietas, com ideias saltitantes… Walter seguiu viagem! Uma de suas próximas paradas foi a cidade de Pau dos Ferros, onde esteve com a diretora da 15a. DIREC, a professora Aparecida Vieira. Juntos, organizaram alguns momentos com os professores das cidades que compõem a jurisdição daquela DIREC. Walter confidenciou à Aparecida a ideia de uma possível alfabetização filosófica, inspirada nas 40 horas de Angicos… Por sua vez, ela ficou curiosa e encantada com o que poderia vir a ser essa experiência.
Completada a viagem de 100 dias, com Walter de volta ao Rio de Janeiro, nos reunimos pela plataforma Zoom para ouvi-lo acerca das experiências vividas durante a viagem pedagógico-filosófica pelo Nordeste. Durante a fala, Walter sinalizou a ideia de alfabetização filosófica que havíamos pensado em Angicos. Os meninos e as meninas do NEFI[2] ficaram maravilhados e cheios de curiosidades, perguntas… Sob orientação do professor Walter, fomos até a Secretaria Municipal de Educação de Angicos para conversar com a secretária a respeito das nossas ideias e também para ouvir suas sugestões. Enquanto isso, Walter apresentava também a ideia à diretora da 8a. DIREC de Angicos. Tanto Walter quanto eu ouvimos, de ambas as representantes, que muito em breve nos dariam um posicionamento.
O retorno da Secretaria de Educação de Angicos não aconteceu. Logo, percebemos que não havia possibilidades para realizar a experiência. A frustração era visível em nosso semblante, mas não era superior à esperança, à alegria e ao sonho de viver e reinventar a experiência de Angicos, a partir da alfabetização filosófica, cujo objetivo é promover uma leitura filosófica, amorosa e dialógica da realidade. Desse modo, tal leitura permite reescrever e transformar as realidades, os mundos e as vidas de quem dela participa, uma vez que aprendemos com Paulo Freire que “[...] a alfabetização não pode ser reduzida a experiências apenas um pouco criativas, que tratam dos fundamentos das letras e das palavras como uma esfera puramente mecânica” (Freire; Macedo, 2021, p. 120).
Apesar de tudo, Angicos seguiu sendo inspiração e sonho! Paulo Freire (2021b, p. 42) diz, em Pedagogia dos sonhos possíveis, que “[...] sonhar é imaginar horizontes de possibilidades; sonhar coletivamente é assumir a luta pela construção das condições de possibilidades”. Se a reinvenção da experiência Angicos não aconteceria em Angicos, aconteceria em outro lugar. A ideia de alfabetização filosófica como reinvenção da renomada experiência tornou-se objeto da minha tese de doutorado e sonho coletivo de todos nós do NEFI. O sonho coletivo é uma maneira de acreditar na vivência radical de um sonho comum, pois constitui-se em atitude de mudança das situações-limites. Talvez os leitores se perguntem: por que alfabetização filosófica?
Considerando que a alfabetização filosófica é inspirada e reinventada a partir da experiência de Freire em Angicos, preferimos pensar a alfabetização próxima da filosofia e da infância, que tanto atravessaram os pressupostos e a vida de Freire (cf. Kohan, 2021). Talvez a alfabetização filosófica seja uma forma de pensar junto com outros, de dentro para fora, a vida, o mundo e a realidade. Quiçá seja uma forma mais de escutar do que de reproduzir os códigos do sistema verbal de leitura e escrita… Talvez seja uma experiência na qual os pensamentos se cruzam, se fazem e desfazem, se olham, dialogam, se formam e deformam, propondo uma reescrita e transformação da vida, do mundo e das realidades…
Passados alguns meses, o professor Walter Kohan recebeu uma ligação da diretora da 15a. DIREC de Pau dos Ferros. A professora Aparecida Vieira estava interessada na ideia de alfabetização filosófica de que Walter lhe havia falado no período de sua viagem ao Nordeste. Ela queria saber se a experiência já havia acontecido em Angicos, pois tinha o desejo de tê-la no contexto da 15a. DIREC, como parte das atividades direcionadas aos alfabetizadores do Projeto de Alfabetização Supera RN, vinculado à Política de Superação do Analfabetismo de Jovens e Adultos no RN. O coordenador disse que a experiência não havia acontecido em Angicos, mas poderia acontecer em Pau dos Ferros, aceitando o convite de Aparecida Vieira.
Regozijamo-nos com o convite amoroso de Aparecida! Assim, em junho de 2022, nos deslocamos até a cidade de Pau dos Ferros para vivermos, junto aos alfabetizadores, a experiência reinventada das 40 horas de Angicos. Aos poucos, Angicos e Pau dos Ferros foram se tornando nossos campos de encontros, estudos, pesquisas, traquinagens, meninices, perguntas, inquietações, invenções, re-invenções… O encontro que exige humildade, amorosidade, esperança, aberturas… O estudo que exige descobertas, espantos, curiosidades…E, assim, em junho de 2022, nos embrenhamos pelas veredas do Nordeste até Pau dos Ferros, para viver uma experiência reinventada, molhada pelas águas dos encontros entre rios…
A equipe de monitores montada para a experiência contou com: Ana Corina Salas (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ, doutoranda), Ana Maria Frota (Universidade Federal do Ceará, UFC, professora), Carlineide Almeida (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ, doutoranda), José Ricardo Santiago Jr. (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ, doutor, pedagogo), Karyne Dias Coutinho (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, UFRN, professora), Márcio Nicodemos (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ, doutorando), Maria Reilta Dantas Cirino (Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, UERN, professora), Meirilene dos Santos Araújo Barbosa (Universidade Federal do Ceará, UFC, doutoranda), Oscar Pulido Cortés (Universidad Pedagógica y Tecnológica de Colombia, UPTC, professor visitante CAPES-PrInt), Priscila Belmont (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ, graduada) e Walter Omar Kohan (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ, professor).
A experiência de alfabetização filosófica em Pau dos Ferros aconteceu de 6 a 10 de junho de 2022 e foi realizada durante o dia. Estivemos reunidos 8 horas por dia com os alfabetizadores. Ao final do dia, nos reuníamos para avaliar o encontro e as dinâmicas feitas pelos grupos, a fim de planejarmos também o encontro do dia seguinte. Dividimo-nos em duplas, ao todo cinco, enquanto o coordenador da experiência visitava uma por dia. Cada dupla coordenava um círculo filodialógico com/entre os alfabetizadores do “Supera RN”[3]. A experiência foi realizada na Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), campus de Pau dos Ferros.
Por lá, fizemos a ideia de alfabetização escapar de seu sentido ferramental, funcional, assim como fez Freire. A ideia de alfabetização filosófica passa a tratar, portanto, não só de uma alfabetização dos gestos do pensamento (relacionando os elementos básicos de uma gramática filosófica), mas também de uma alfabetização feitade um modo filosófico. Desde então, começamos a ensaiar a alfabetização filosófica como reinvenção das 40 horas de Angicos, tanto a partir dos pressupostos freireanos quanto das especificidades dos trabalhos e estudos realizados pelo/no/com NEFI – sobre os conceitos de infância, tempo, errância, deslocamento e outros. A alfabetização filosófica enquanto experiência reinventada e inspirada na alfabetização freireana pressupõe uma filosofia infantil ou uma infância filosófica, tantas vezes afirmada pelo próprio Paulo Freire (Kohan, 2021).
Assim, o curso permitiu habitar filosoficamente a educação por meio de uma escuta sensível e atenta, de um pensar cuidadoso, calmo e colaborativo, colocando em questão nossas vidas e as maneiras pelas quais nos relacionamos com ela, com os outros e com nós mesmos. Além disso, oportunizou experimentar o tempo enquanto possibilidade, mistério, começos, presença e presente, como potência geradora do pensar inquieto, curioso, perguntador, vivaz, incansável e esperançoso do devir sujeito. Favoreceu conversas entre iguais como perspectiva de enfrentamento às exigências da nossa realidade e de invenção de um modo de existir perante as exigências no mundo e com o mundo.
O curso em si foi uma maneira de aprendizagem colaborativa, em comunhão: aprendemos e ensinamos, ensinamos e aprendemos. Pau dos Ferros foi um ateliê artístico dos modos de pensar a educação, a alfabetização e a escola, com ousadia, criatividade, esperança e coragem. Considerando o exposto, contemplaremos, a seguir, as falas dos alfabetizadores acerca do que foi possível re-inventar em sua prática pedagógica após a formação em alfabetização filosófica.
Só quem vive a vida como uma contínua aprendizagem, ensinando e aprendendo, aprendendo e ensinando, é capaz de se achar humildemente aberto e “[…] permanentemente disponível a repensar o pensado, rever-se em suas posições […]” (Freire, 2001, p. 259). Na conversa com as professoras participantes do curso de alfabetização filosófica realizado em Pau dos Ferros em junho de 2022, buscamos entender de que maneira a formação contribuiu para o exercício de suas práticas pedagógicas com jovens, adultos e idosos em suas respectivas realidades. Por isso, rememoramos os princípios trabalhados em com/junto no/durante a formação. De certa forma, a rememoração é “[…] uma ação que considera pensar a própria ação na tarefa de ensinar” (Berle, 2018, p. 176). Sendo assim, ela nos ajuda a repensar a prática educativa como objeto de investigação diária.
Nesse sentido, algumas alfabetizadoras descobriram, durante a formação, que o ato de estar sendo professora não se constrói na verborragia, na necessidade excedente de falar sem parar, enchendo os educandos de palavras e explicações sem antes refletir com eles os sentidos e significados que constroem suas realidades, vidas e mundos. Vejamos o que diz a Alfabetizadora 1 sobre a própria prática:
É que antigamente eu achava que as atividades eu tinha que trazer para o quadro, eu dava, eles olhavam e faziam… hoje eu tenho que instigar deles alguma coisa primeiro, o conhecimento que eles prezam, para poder eu começar a falar (Alfabetizadora 1, grifo nosso).
Dois fatores podem ser observados na fala da alfabetizadora. O primeiro refere-se à percepção de educação que ela apresentava antes da formação. Um conceito de educação bancária, como bem trata Paulo Freire (2005) no livro Pedagogia do oprimido. Nesse tipo de educação, “[…] a tarefa do educador é ‘encher’ os educandos dos conteúdos de sua narração” (Freire, 2005, p. 65). A ideia de uma educação passiva que narra e explica é completamente funcional à visão neoliberal da vida produtiva. Entretanto, percebemos que essa visão de educação, antes incorporada pela professora, foi repensada a partir da formação vivenciada no curso de alfabetização filosófica. Repensar a própria prática é um ato de quem está em formação, de quem se percebe inacabado, de quem se ocupa do cotidiano com uma pedagogia crítica, amorosa, esperançosa e possível.
Outro fator que merece destaque na fala da alfabetizadora: instigar deles alguma coisa para poder começar a falar. Se antes a professora pensava em levar consigo atividades prontas para a alfabetização literal de seus estudantes, a formação vivida por nós/entre nós permitiu-lhe experimentar a prática da escuta sensível e do diálogo nos encontros com os educandos. Aqui a professora reafirma uma intervenção pedagógica nutrida pelo entendimento de uma forma de educação que leva aprendizagem com amorosidade e escuta.
Ou seja, a representação criada pelas professoras acerca da alfabetização filosófica se materializa em suas práticas quando elas começam a buscar sentido educativo na realidade dos educandos e em suas próprias necessidades. Percebemos, com isso, que a alfabetização filosófica, de alguma maneira, ajudou os alfabetizadores a repensar as próprias práticas: o que fazem, como fazem e a intensidade com que fazem. “Toda prática formativa tem como objetivo ir mais além de onde se está” (Freire, 2021b, p. 292). A prática formativa que vai além tem a ver com a experiência de pensar e com o cuidado com o outro, com o que ele pensa e como esse pensamento pode provocar interações profundas no já conhecido e no que se pretende conhecer.
Assim, toda prática educativa que vai além é uma abertura ao diálogo e ao começo. Logo, a alfabetização filosófica afirma um começar a dialogar a partir de uma concepção de educação questionadora, indagadora, desconforme, desobediente e ousada, que ensina a pensar e que é constantemente pensada e repensada. Essa ideia de educação potencializa a fala da Alfabetizadora 1 sobre a prática educativa repensada. Repensar a prática educativa não é uma tarefa fácil, mas é possível. Paulo Freire, em entrevista a Pelandré (2002), disse que toda prática educativa é um ato político, curioso e transitivo. Para o autor, o ato educativo está sempre imbuído de uma certa intencionalidade que pode causar ou não curiosidade, pode gerar ou não conhecimento.
Nesse sentido, a prática não é neutra, porque a intenção proposta no ato de educar leva o educando a “[…] uma opção, um sonho, de uma utopia que são políticos” (Freire apudPelandré, 2002, p. 55). Quanto a transitividade da prática pedagógica, o autor relata que esse aspecto é complexo, porque a prática transitiva “[...] é uma prática que não cabe dentro dela mesma” (Freire apudPelandré, 2002, p. 55). Em outras palavras, é uma prática que precisa ser constantemente repensada, visto que é construída em comunhão, isto é, tanto pelo educador quanto pelo educando. A fala da professora e os pressupostos freireanos sinalizam o entendimento de que toda prática pedagógica repensada se funda no diálogo e na escuta.
Na minha prática eu tenho percebido que o diálogo é muito importante, você vai instigando, trazendo memórias que eles mesmo assim nem lembravam mais… eles estão trazendo muito a vivência de quando eles começaram a estudar […] (Alfabetizadora 2, grifo nosso).
Em sua fala, a alfabetizadora destaca o diálogo como uma potência provocadora que leva a prática educativa a um (re)começo. Em outras palavras, a prática pedagógica pautada no diálogo nutre-se da capacidade inventiva e intelectual de quem a faz, questiona e rememora… O diálogo na educação caracteriza a quebra das hierarquias de saberes de uns sobre outros, porque homens e mulheres estão sempre em formação. Só quem vive o diálogo na educação está sempre no começo, propiciando condições para que outros e outras possam começar (Kohan, 2022). Outra colaboradora de nossa pesquisa relatou que aquilo que aprendeu com/durante o curso de alfabetização filosófica foi importante tanto para sua prática com os alfabetizandos do Supera RN quanto para os alunos que ela tem fora daquele contexto.
Eu não levei só para aqui, levei para as minhas aulinhas particulares que eu dou em casa, sabe… eu já coloquei em prática! Eu acho que a mente tanto dos educadores quanto dos alunos tão muito em achar coisas prontas, chegar em sala de aula e não fazer o aluno dar trabalho a eles para eles pensarem… igual como o professor fez lá, ele jogou uma música e fez cada um falar um pouco sobre a música, ele adorava cada palavra sobre a música, ele adorava o que cada uma falava sobre a música! Aí a mente da pessoa ficou pensando, pensando… eu acho que melhorou a minha prática em sala de aula com isso, entendeu? (Alfabetizadora 11, grifo nosso).
A fala da alfabetizadora sinaliza uma educação que ensina a pensar pensando. Para ela, essa educação captura outras formas de compreender e até reelaborar as evidências de sua prática educativa. Pensando com a professora, veio a seguinte pergunta: que diferenças podem existir entre a mente que acha coisas prontas e a mente que fica pensando, pensando? Parece que a mente que encontra coisas prontas é aquela que se encontra subalternizada à ordem explicadora, ou seja, a uma lógica regressiva de quem detém o saber e de quem “precisa” dele, enquanto a mente pensante começa a questionar tal ordem.
É como se a mente que pensa coisas prontas servisse a uma ordem explicadora, reproduzindo hierarquias e saberes. Na fala da professora, é possível enxergar que a mente que encontra coisas prontas é oriunda da ação do mestre explicador: “[…] por um lado ele decreta o começo absoluto – somente agora tem início o ato de aprender; por outro lado, ele cobre todas as coisas a serem aprendidas com o véu da ignorância que ele próprio se encarrega de retirar” (Rancière, 2020, p. 24).
Logo, trata-se de um saber pronto, que não precisa ser pensado e questionado, que favorece um educar que apenas comunica, transmite e repete. “A rigidez destas posições nega a educação e o conhecimento como processos de busca” (Freire, 2005, p. 67).
Por outro lado, a alfabetizadora sustenta, em sua fala, a importância da mente que fica pensando, pensando… Talvez a mente que pensa seja aquela que não é subordinada à mente de outrem ou à inteligência de outrem (Rancière, 2020). Desse ponto de vista, a mente que pensa pode ser então aquela que confronta a si mesma, que segue aberta, aprendendo, ensinando, inventando, criando, des-criando, des-formando, re-formando. Em outras palavras, a mente que pensa é aquela que talvez exerça o ato de filosofar. Esse ato é capaz de construir uma “[...] nova relação dos sujeitos com o saber porque não supõe uma iniciação no saber já construído, mas trata-se de uma ruptura que potencializa o vínculo livre com os saberes, para transformá-los, transformando-se” (Ferraz, 2020, p. 157).
Para a Alfabetizadora 13, o curso parece ter sido uma maneira de repensar sua prática pedagógica e a si mesma. Mais uma vez, essa prática afirma o conceito de que a alfabetização filosófica é um ato de pensar-se em formação. Vejamos o que ela diz:
[…] essa questão do ouvir é muito importante, ouvir o que o outro tem a dizer, e na maioria das vezes os meus alunos, eles sempre têm muito o que falar, eu sempre tô aqui ouvindo eles, eu achei esse princípio muito importante, porque a maioria deles vem pra cá […]. Geralmente eu falava muito, falava, falava, falava, mas eu aprendi muito, tanto na formaçãoquanto na sala de aula a ouvir, e isso foi muito bom, porque na minha vida pessoal também já foi uma forma de eu trabalhar essa parte de sempre estar ouvindo o outro (Alfabetizadora 13, grifo nosso).
A reflexão feita pela alfabetizadora acerca de si e da própria prática docente, além de expressar uma aprendizagem contínua a respeito do fazer pedagógico que se projeta em sua vida pessoal, destaca o princípio da escuta como elemento do ato de educar. Ela refere-se a esse princípio relatando a importância de pararmos para ouvir – ouvir o outro e a nós mesmos. Percebemos que esse cuidado consiste em pôr em evidência as nossas questões e a dos outros, de modo que nossos pensamentos se convertam em caminhos/movimentos abertos e formativos de inspiração educativa em comunhão.
Desse modo, as questões postas pela professora em sua maneira de pensar a docência geram uma provocação encantadora sobre as vivências das práticas educativas em nosso cotidiano. Os testemunhos revelam que, por meio da formação em alfabetização filosófica, temos oferecido a nós mesmos e aos nossos colaboradores o exercício criativo e heurístico de pensar e pensarmo-nos como seres em formação. Ou seja, o risco de pensar juntos, a experiência de uma vida/escola ou uma escola/vida que se forma e reforma na constâncias dos encontros, começos, afetos, sorrisos, escuta, pensamentos, infância, amor, diálogo…“A escola está associada à vida, e a vida à escola” (Kohan, 2015, p. 80).
Formar-se em comunhão na/com a alfabetização filosófica é pensar numa educação que tem a vida como problema filopedagógico, que respeita o espírito de coletividade, que partilha e possibilita trilhar “[…] um caminho educativo em que cada um encontre sentido para si, no coletivo” (Berle, 2018, p. 119). Uma educação que nos ajude a aprender no encontro com o outro, assim como relata a Alfabetizadora 14.
[…] a partir dessa alfabetização filosófica que a gente participou, eu aprendi mais a como instigar essa curiosidade nos alunos, a como fazer eles refletir criticamente, a pensar criticamente sobre as coisas, por meio dos seus próprios conhecimentos, das suas próprias perguntas, indagações […] (Alfabetizadora 14, grifo nosso).
A aprendizagem de que a alfabetizadora fala acima faz parte da tomada de consciência e da percepção que ela mesma construiu nos encontros realizados durante o curso de alfabetização filosófica. A curiosidade, como já mencionado neste trabalho, é o ato de nutrir entre nós o diálogo, a pergunta, os mistérios, os saberes… Nesse sentido, a professora compreendeu que a arte de ensinar é aprender – com os outros e nós mesmos, com a vida e o mundo. O testemunho dela é de fato a capacidade plena de transformação de si e do outro, ou seja, quando ela diz que aprendeu a como instigar a curiosidade de seu aluno, está fazendo aquilo que sugere Hadot (2016, p. 76): “Pensar as implicações de seu próprio pensamento”.
Ao testemunhar suas experiências, invenções, criatividades, descobertas, começos e transformações de si e de suas práticas pedagógicas, a partir do curso realizado em Pau dos Ferros em junho de 2022, as colaboradoras ajudam a pensar as contribuições dessa alfabetização na formação dos alfabetizadores do programa Supera RN. Em outras palavras, a formação em alfabetização filosófica possibilitou algumas reflexões acerca de uma educação que seja capaz de provocar educadores e educandos a lerem filosoficamente outros signos de suas realidades. Talvez ler outros signos de suas realidades seja “[…] não só saber os princípios dos conhecimentos, mas também ‘ajudar a estudar’, ‘ensinar a aprender’ e, mais ainda: inspirar em alguns e excitar em outros o desejo de saber” (Kohan, 2015, p. 87).
Parece que a alfabetização filosófica tem suscitado um jeito outro de fazer escola. “O professor interessante, que faz escola, não é o que transmite seu saber, mas o que gera desejo de saber” (Kohan, 2015, p. 87). Isto é, quem instiga o desejo de saber compreendeu que a prática só é prática quando transforma a própria vida e a dos outros. A arte de ensinar com/a partir da alfabetização filosófica consiste em aprender e querer continuar aprendendo (Kohan, 2015). Aprender implica atenção, tempo, pensamentos, questionamentos, dúvidas…
Ao longo dessas reflexões, procuramos pensar as contribuições que a experiência em alfabetização filosófica enquanto prática reinventada possibilitou à formação de alfabetizadores de jovens, adultos e idosos de Pau dos Ferros. Percebemos, no decorrer da experiência, que a alfabetização filosófica possibilitou aos alfabetizadores uma intensidade de pensamentos que descortinaram e problematizaram suas maneiras de se relacionar com um contexto pedagógico atravessado por amorosidade, pergunta, diálogos, curiosidades, entre outros princípios, ajudando-os a pensar e pensar-se com os outros, a vida, o mundo e o próprio ato de ensinar/aprender.
Enquanto proposta educativa e formativa, reinventada e inspirada nas 40 horas de Angicos, a alfabetização filosófica ofereceu ainda aos alfabetizadores de Pau dos Ferros a oportunidade de repensar a própria prática e a si mesmos. Fez-nos perceber que a formação é um ato cooperativo, colaborativo, emancipador e dialógico, no qual todos os envolvidos, formadores e formandos, aprendem e ensinam juntos.
Formar-se em comunhão é um ato que envolve escuta, atenção, diálogo, pergunta, igualdade, amorosidade, pensar juntos… A proposta é um permanente exercício de estar sendo no mundo. Ela é uma forma de provocar o outro a pensar sobre si mesmo, sobre a vida, o mundo, as diferentes realidades e as verdades impostas pela sociedade.
Alfabetizar-se filosoficamente é uma forma de ensinar a pensar e a formar-se em coparticipação, sem fixar saberes e sacralizar verdades. Trata-se de se relacionar com os saberes como experiência, como caminhos para “[...] abrir o mundo habitado e sonhar com novos mundos ainda por habitar e para sonhar formas amorosas, inquietas e infantis de compartilhar essas aberturas e sonhos” (Kohan, 2022, p. 300). Ela exige de nós muita abertura, diálogo, curiosidade, inquietação, amorosidade, esperança, escuta, atenção e disponibilidade.
Portanto, a alfabetização filosófica ofereceu aos alfabetizadores de jovens, adultos e idosos do programa Supera RN em Pau dos Ferrosum espaço para pensar, escutar, perguntar, estudar e estudar-se na relação com o mundo, com os outros e com a vida. Ela se traduz em um gesto de olhar para si e habitar uma vida pedagógica atravessada por amorosidade, pergunta, diálogo, filosofia, infância entre outros princípios.
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Notas
[1] Professor titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e coordenador do Núcleo de Estudos de Filosofias e Infâncias (NEFI).
[2]Núcleo de Estudos de Filosofias e Infâncias (NEFI), grupo de estudos vinculado ao Programa de Pós-graduação em Educação (ProPEd) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
[3]Programa criado no âmbito da 15a. DIREC como estratégia da política de Superação do Analfabetismo no RN.