n. 57

(Dez. 2018) Literatura(s) contemporânea(s): a dinâmica do afeto

O dossiê propõe uma reflexão sobre as potencialidades afetivas da literatura contemporânea. A discussão sobre os afetos encontrou terreno fértil nas ciências humanas e sociais no início deste milênio, impulsionando a denominada virada afetiva, cujo desafio teórico é o de pensar as transversalidades do afeto situadas entre as ações e as paixões (CLOUGH, 2007). Deleuze e Guattari (1991), em Qu'est-ce que la philosophie?,  entendem o afeto como um devir sensível, não humano, como um “ato pelo qual algo ou alguém não para de devir-outro (continuando a ser o que é)” (1992, p. 229). Segundo essa perspectiva, o potencial mobilizador do afeto projeta-se para além das corporalidades e das experiências individuais e pode ser pensado não apenas em relação às diversas formas de “pertencimento”, mas também relacionado à ideia de comunidade e às discussões referentes à ampliação dos regimes estéticos. Nesse sentido, o afeto é uma potência, um caminho para o(s) outro(s), uma forma de produção, ou ainda, uma estratégia capaz de renovar atuações e comprometimentos, sejam eles artísticos, culturais, sociais e/ou políticos. O afeto não só participa de experiências estéticas pungentes, mas também mobiliza a formulação de laços de solidariedade, os quais contribuem para a construção de comunidades – mesmo que provisórias. Assim, a proposta desta chamada é a de reunir ensaios de pesquisadorxs que discutam os seguintes temas:

a) afetividades na literatura contemporânea;

b) afeto e comunidade(s);

c) afeto e experiência estética.

Questão cara à contemporaneidade e amplamente discutida no âmbito das ciências humanas e sociais, a problemática afetiva e as suas implicações são ainda pouco exploradas pela crítica literária. O afeto, que atravessa o literário da criação textual à circulação do livro; que permeia a leitura e que, frequentemente, adentra as páginas/telas, é pleno de possibilidades mobilizadoras, as quais contrariam a (suposta) apatia associada ao pós-moderno. Parte de experiências estéticas pungentes, o afeto também contribui para o estabelecimento de laços de solidariedade, que são fundamentais para construção de comunidades (ainda que circunstanciais). A dinâmica afetiva, portanto, é um importante ponto de partida para se (re)pensar a produção literária recente, movida por inquietações em torno de sua própria relevância e atravessada por reivindicações constantemente renovadas.        

Sumário

Apresentação

Apresentação - Letras n. 57
Renata de Felippe, Luciene Azevedo
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7-10

Artigos

Wanderlan da Silva Alves
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11-28
Leonardo de Barros Sasaki
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29-48
Renata Farias de Felippe
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49-62
Davi Andrade Pimentel
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63-80
Denis Leandro Francisco
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81-96
Mônica Saldanha Dalcol, Anselmo Peres Alós
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97-120
Vinicius Carvalho Pereira
PDF
121-136
Rodrigo da Rosa Pereira
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137-154
Leila de Aguiar Costa
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155-172
Davi Silva Gonçalves, Luciana Wrege Rassier
173-204