Avaliação do potencial de aproveitamento energético dos resíduos de madeira e derivados gerados em fábricas do polo moveleiro de Ubá - MG

Rogério Machado Pinto Farage, Ana Augusta Passos Rezende, Cláudio Mudado Silva, Wiliam Gomes Nunes, Angélica de Cássia Oliveria Carneiro, Danielle Biajoli Vieira, Cleuber Lúcio Silva Rodrigues

Resumo


http://dx.doi.org/10.5902/198050988454

O presente estudo avaliou o potencial de reaproveitamento energético dos resíduos de madeira e seus derivados gerados no Polo Moveleiro de Ubá, MG. Painéis reconstituídos de MDF (medium density fiberboard), aglomerado e compensado foram caracterizados e classificados, identificando assim as oportunidades e possíveis limitações quanto à sua utilização. Por meio de diagnóstico realizado em 11 fábricas de móveis, verificou-se que os resíduos de madeira compreendem mais de 90 % do total dos resíduos sólidos gerados. Além da grande quantidade gerada, não foi identificada nenhuma ação integrada entre as fábricas do Polo para o adequado gerenciamento dos resíduos, negligenciando seus riscos ambientais e sanitários, bem como seu potencial energético. Contudo, os teores de umidade e poder calorífico dos resíduos demonstraram potencial para o seu reaproveitamento energético através da produção de briquetes. Os gases gerados em ensaios de combustão dos resíduos não apresentaram substâncias ou compostos tóxicos acima dos limites preconizados pelas normas ambientais, verificando, neste aspecto, um bom desempenho ambiental para o aproveitamento destes resíduos conforme proposto pelo presente estudo. Entretanto, as cinzas dos resíduos de aglomerado BP (baixa pressão) e FF (finish foil) apresentaram elevadas concentrações de cromo, enquadrando-se como Classe I (perigosos), segundo a ABNT/NBR 10004/2004.

Palavras-chave


fábricas de móveis; resíduos de madeira; aproveitamento energético

Texto completo:

PDF

Referências


ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10700: Planejamento de amostragem em dutos e chaminés de fontes estacionárias. Rio de Janeiro: ABNT, 1989.

ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10701: Determinação de pontos de amostragem em dutos e chaminés de fontes estacionárias. Rio de Janeiro: ABNT, 1989.

ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10702: Efluentes gasosos em dutos e chaminés de fontes estacionárias – Determinação da massa molecular. Rio de Janeiro: ABNT, 1989.

ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 11966: Efluentes gasosos em dutos e chaminés de fontes estacionárias – Determinação da velocidade e vazão. Rio de Janeiro: ANBT, 1989.

ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 11967: Efluentes gasosos em dutos e chaminés de fontes estacionárias – Determinação da umidade. Rio de Janeiro: ABNT, 1989.

ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 12019: Efluentes gasosos em dutos e chaminés de fontes estacionárias – Determinação de material particulado. Rio de Janeiro: ABNT, 1990.

ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 12020: Efluentes gasosos em dutos e chaminés de fontes estacionárias – Calibração dos equipamentos utilizados em amostragem Método de Ensaio. Rio de Janeiro: ABNT, 1992.

ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 8289: Determinação do teor de cinza. Rio de Janeiro: ABNT, 1986.

ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 8293: Determinação de umidade. Rio de Janeiro: ABNT, 1986.

ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 8969: Definição dos termos empregados no estudo de poluição do ar. Rio de Janeiro: ABNT, 1985.

ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Resolução 382/2006. Estabelece limites máximos de emissão de poluentes atmosféricos para fontes fixas. Brasília, 2006.

ABIMOVEL. Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário. Panorama do Setor Moveleiro no Brasil. São Paulo, 2005. Disponível em: .Acesso em junho de 2008.

ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Conjunto de Normas sobre resíduos. NBR 10004, NBR 10005, NBR 10006, NBR 10007.Resíduos Sólidos. Classificação. Procedimentos. Amostragem. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.

ABRELPE. Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais. Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil. São Paulo, 2007. Disponível em www.abrelpe.org.br. Acesso em janeiro de 2009.

ABREU, L. B.; MENDES, L. M.; SILVA, J. R. M. Aproveitamento de resíduos de painéis de madeira gerados pela indústria moveleira na produção de pequenos objetos. Revista Árvore, Viçosa, v. 33, n. 1, p. 171-177, 2009.

American Society for Testing Materials - ASTM D-2015-66. Gross Calorific Value of Solid Fuel by the Adiabatic Bomb Calorimeter.1972.

Analytical Solutions S.A. Norma interna: PE 49-127 Rev.6 Cromatografia Gasosa acoplada a espectrômetro de massa. Baseada na Environmental Protection Agency – EPA, Method 030.

CETESB. Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental. Efluentes gasosos em dutos e chaminés de fontes estacionárias – Amostragem e determinação de Óxidos de Nitrogênio. São Paulo, 1992.

CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução 313/2002. Dispõe sobre o Inventário Nacional de Resíduos Sólidos Industriais. Brasília, 2002.

Environmental Protection Agency - EPA. EPA Method 030. Volatile Organic Sampling Train for Volatiles. 1986.

Environmental Protection Agency - EPA. EPA Method 8315A. Determination of carbonyl compounds by high performance liquid chromatography. 1996.

FIEMG. Federação das Indústrias de Minas Gerais. Ubá Móveis de Minas – Arranjo Produtivo Local de Ubá. Ubá - MG, 2008. Disponível em: http://www.fiemg.org.br/apluba. Acesso em junho de 2008.

German Environment Ministry. TA Luft - Technical Instructions on Air Quality Control. 2002.

IARC. International Agency for Research on Cancer. IARC Monographs on the evaluation of carcinogenic risks to humans. Formaldehyde, 2-Butoxyethanol and 1-tert-Butoxy- 2-propanol. v. 88. Lyon, 2006. Disponívelem: http://monographs.iarc.fr/ENG/Monographs/vol88/volume88.pdf. Acesso em março de 2009.

KOZAK, P. A. et al. Identificação, Quantificação e Classificação dos Resíduos Sólidos de uma Fábrica de Móveis. Revista Acadêmica, Ciência Agrária e Ambiental, Curitiba, v. 6, n. 2, p. 203-212, 2008.

LIMA, E. G. Diagnóstico Ambiental de Empresas de Móveis em Madeira Situadas no Pólo Moveleiro de Arapongas – PR. Curitiba: UFP, 2005. Dissertação (Mestrado em Engenharia Florestal)–Universidade Federal do Paraná, 2005.

PIRES, V. A. V. et al. Viabilidade Econômica de Implantação da Central de Gerenciamento de Resíduos no Pólo Moveleiro de Ubá - MG. Cerne, Lavras, v.14, n. 4, p. 295-303, 2008.

QUIRINO, W. F. Biomassa ganha espaço e já é terceira principal fonte. BBC Brasil, Tecnologia e Saúde, 2002. Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/020814_energia5ae.shtml. Acesso em:junho de 2008.

QUIRINO, W. F. Briquetagem de Resíduos Ligno-Celulósicos. Circular Técnica do LPF– Laboratório de Produtos Florestais do IBAMA, Brasília, v. 1, n. 2, p. 69-80, 1991.

REZENDE, A. A. P.et al. Proposta de Gerenciamento Integrado dos Resíduos Sólidos em Pólo Moveleiro .In: SIMPÓSIO ÍTALO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL, 8., 2006, Fortaleza. Anais... Rio de Janeiro: ABES, 2006.

Rio de Janeiro, 2006.

SCHNEIDER, V. E. et al. Gerenciamento Ambiental na Indústria Moveleira - estudo de caso no município de Bento Gonçalves. In: ENCONTRO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 23., 2003, Ouro Preto. Anais... Encontro Nacional de Engenharia de Produção - ENEPRO, 2003.

SILVA, C. M. et al. Relatório Final: Proposta de Gerenciamento Integrado dos Resíduos Sólidos do Pólo Moveleiro de Ubá – MG. Viçosa: UFV, 2005. Não Publicado.




DOI: http://dx.doi.org/10.5902/198050988454