Sustentabilidade em sistemas agroflorestais: indicadores econômicos.

Omar Daniel, Laércio Couto, Elias Silva, Carlos Alberto Moraes Passos, Ivo Jucksch, Rasmo Garcia

Resumo


É ampla a discussão que envolve a importância do enquadramento das atividades de produção em geral, ao conceito de desenvolvimento sustentável. Dentre as atividades agropecuárias, os sistemas agroflorestais (SAF) têm sido considerados como sustentáveis, apresentando-se como alternativas aos sistemas intensivos de produção. Para monitorar a sustentabilidade de atividades agropecuárias em geral, incluindo os SAF, diferentes autores enfatizam os indicadores biofísicos, em detrimento dos socioeconômicos. Com o objetivo de definir um rol de indicadores socioeconômicos adaptáveis aos diversos modelos de SAF, desenvolveu-se um estudo consolidado por recomendações de especialistas e ampla revisão de literatura. Concluiu-se que: as categorias relacionadas com a operação dos sistemas comportaram o maior número de indicadores no componente socioeconômico, com maior concentração nas operações endógenas ao sistema, seguidas, de longe, pelos recursos endógenos e exógenos; o maior número de indicadores, sugeridos na categoria operação do sistema, deu-se nos descritores saúde e nutrição, empregos, habitação e saneamento básico e análise econômica; na categoria operação de sistemas exógenos, determinou-se maior número de indicadores para os descritores comercialização e infra-estrutura rural; praticamente, não houve diferença entre o número de indicadores obtidos para os sistemas agroflorestais com e sem o componente animal.


Palavras-chave


Desenvolvimento sustentável; indicadores de sustentabilidade; indicadores socioeconômicos; sistemas agroflorestais.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/19805098402