Resgate vegetativo por alporquia de genótipos adultos de urucum (Bixa orellana L.)

Nilton César Mantovani, Magali Ferrari Grando, Aloisio Xavier, Wagner Campos Otoni

Resumo


Este trabalho teve por objetivos avaliar a técnica de alporquia visando ao resgate vegetativo de genótipos de urucum (Bixa orellana L.) e a obtenção de plantas fornecedoras de propágulos para processos de propagação clonal. Foram utilizadas dez plantas matrizes de urucum, com 12 anos de idade, obtidas partindo do cruzamento artificial entre os genótipos "Fruto Verde Piloso" X "Fruto Vermelho Liso". Os alporques foram realizados em ramos de 1 a 2 cm de diâmetro, utilizando-se como substrato uma mistura de vermiculita e musgo. Foi avaliado o efeito (1) do tipo de anelamento da casca dos ramos (total ou parcial), com 1 cm de comprimento, (2) do AIB (ácido indol-3-butírico a 0 e 4,92 mM) aplicado em papel filtro e (3) do tipo de proteção dos alporques (filmes plásticos transparente ou preto ou tecido tencel), no enraizamento de alporque dos dez genótipos. A técnica de alporquia proporcionou o enraizamento de ramos dos dez genótipos avaliados, com eficiência variável de 20 a 100%, havendo efeito do genótipo sobre a frequência de enraizamento. A sobrevivência desses alporques foi de 100% após o plantio quando estes foram produzidos com anelamento total, tratados com AIB e protegidos com plástico transparente. Em casa de vegetação os alporques desenvolveram ramos partindo da brotação de gemas caulinares constituindo estoques de explantes apropriados para serem utilizados como estacas ou como fontes de segmentos nodais para a propagação in vitro desta espécie.


Palavras-chave


brotos axilares; enraizamento; ácido indol-3-butírico

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DOI: https://doi.org/10.5902/198050982055

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