Manejo dos resíduos da colheita de acácia-negra (Acacia mearnsii De Wild) e a sustentabilidade do sítio.

Marcos Fernando Gluck Rachwal, Renato Antonio Dedecek, Gustavo Ribas Curcio, Augusto A. Simon

Resumo


A acácia-negra se adapta a inúmeras condições ambientais por ser uma espécie pioneira de crescimento rápido. Este trabalho foi realizado em povoamentos comerciais puros de acácia-negra de propriedade da TANAGRO S.A., no município de Piratini, RS, em cinco classes de solos, com plantas de mesma procedência, constituindo cada qual um tratamento. Em cada solo, foram avaliados o crescimento em DAP, altura e produção de biomassa aérea. Os solos foram caracterizados química, física e morfologicamente em seus horizontes superficiais. Nas plantas, foram determinado o estado nutricional dos diferentes compartimentos, o teor de tanino na casca e o teor de lignina e extrativos totais no tronco. O Neossolo Litólico eutrófico produziu o maior volume de troncos comerciais, enquanto o Neossolo Litólico álico foi o menos produtivo, mostrando a grande importância da fertilidade do solo na produtividade da acácia negra, sobretudo, o teor de P e as saturações por bases e por alumínio trocável. Se os resíduos não forem queimados, a quantidade de macronutrientes devolvida ao solo (por galhos, flor, folhas e vagens) é maior que a quantidade de macronutrientes exportada, com a retirada apenas do tronco comercial e casca, nos solos menos produtivos, confirmando que se trata de espécie recuperadora de solo. Nos solos com maior volume de troncos comerciais produzidos, a quantidade de cálcio e magnésio exportada foi maior do que a devolvida ao solo pelos resíduos da colheita. A concentração de tanino na casca da acácia-negra foi maior em condições adversas de solo, mas a maior produção de casca em solos melhores compensa esse fato.


Palavras-chave


Biomassa aérea; exportação de nutrientes; características químicas do solo; classes de solo

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/198050981945