Dinâmica da estrutura da comunidade de lauráceas no período 1995-2004 em uma floresta de araucária no sul do estado do Paraná, Brasil.

Geise de Góes Canalez, Ana Paula Dalla Corte, Carlos Roberto Sanquetta

Resumo


Várias espécies da família Lauraceae estão entre as mais comuns na Floresta de Araucária. Elas possuem bom potencial silvicultural e econômico, mas são pouco estudadas. Este trabalho trata das mudanças estruturais no período 1995-2004 de oito espécies da família Lauraceae ocorrentes em um fragmento florestal localizado no centro-sul do estado do Paraná. As espécies foram analisadas pelos indicadores estruturais e dinâmicos: IVI, abundância, área basal, volume, distribuição diamétrica, distribuição espacial, recrutamento, mortalidade e incrementos. Os resultados demonstraram que, em 10 anos de dinâmica estrutural, a família Lauraceae, de maneira geral, manteve inalterada sua posição de importância na comunidade. Observou-se que as Lauráceas passam por aumento de densidade, porque o recrutamento está sendo maior que a mortalidade. Já o crescimento das Lauráceas tem sido muito baixo, tanto em diâmetro como em área basal e volume. Embora a maior parte das Lauráceas apresente um padrão dinâmico lento, algumas espécies passam por um intenso processo de mudanças, como é o caso da canela-amarela (Nectandra grandiflora Nees & Mart. ex Nees), que aumentou a maioria dos seus indicadores estruturais e dinâmicos, constituindo-se na espécie de maior destaque entre as analisadas. Essa espécie apresenta recrutamento muito superior à mortalidade, distribuição diamétrica decrescente e ampla distribuição espacial. Esses elementos estão tornando essa espécie em uma das três mais importantes em toda a comunidade, juntamente com a araucária (Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze) e a erva-mate (Ilex paraguariensis A.St.-Hil.). Concluiu-se que, em 10 anos, já é possível distinguir processos ecológicos importantes que podem servir como indicativos em Planos de Manejo para Florestas semelhantes de Araucária.


Palavras-chave


florestas de araucária; fitossociologia; dinâmica florestal; lauráceas

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/198050981917