Fungos arbusculares e ectomicorrízicos em áreas de eucalipto e de campo nativo em solo arenoso.

Andrea Hentz de Mello, Zaida Inês Antoniolli, João Kaminski, Eduardo Lorensi Souza, Vetúria Lopes Oliveira

Resumo


O Eucalyptus grandis W. Hill ex Maiden forma associações simbióticas com fungos micorrízicos arbusculares e ectomicorrízicos. O objetivo do trabalho foi avaliar a população (direta e indireta) e a diversidade desses microorganismos nessa espécie florestal em áreas sujeitas à arenização em São Francisco de Assis, RS. Amostras de solo e raízes de três área - campo nativo, cultivo de eucalipto 3 anos e cultivo de eucalipto 8 anos - foram coletadas para identificação de fungos micorrízicos arbusculares. Corpos de frutificação de ectomicorrizas foram coletados nas três áreas. Os resultados mostram que a identificação indireta (cultura armadilha) com Brachiaria brizantha (A. Rich.) Stapf foi eficiente na recuperação do inóculo de fungos micorrízicos arbusculares no solo. Os gêneros de FMAs presentes nas áreas avaliadas foram Glomus, Gigaspora, Acaulospora e Scutellospora. As espécies de fungos ectomicorrízicos que mais se destacam foram Pisolithus sp. Alb. & Schewein; Scleroderma sp. (Persoon) Fries e Pisolithus microcarpus (Cooke & Massee) Cumm. O fungo ectomicorrízico que apresentou a maior abundância relativa foi o Scleroderma sp. A área de campo nativo apresentou maior população e diversidade de fungos micorrizicos arbusculares do que as áreas de eucalipto.


Palavras-chave


<i>Acaulospora scrobiculata</i>; <i>Scutellospora heterogama</i>; <i>Scleroderma</i> sp;<i>Pisolithus</i> sp

Texto completo:

PDF

Referências


AMORIN, E.F.C. Comportamento de mudas de Eucalyptus grandis na presence de fungos endo e ectomicorrízicos. Viçosa, 1988. 95f. Dissertação (Mestrado em Agronomia) – Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 1988.

ALLEN, O.N; ALLEN, E.K. The leguminosae a sorce book of characteristics, uses and nodulation. London: University Wisconsin Press, 1981. 812p.

ARAÚJO, C.V.M.; ALVES, L.J.; SANTOS, O.M. Micorriza arbuscular em plantações de Eucalyptus cloeziana F. Muell no litoral norte da Bahia, Brasil. Acta Botânica Brasileira, v. 18, n. 3, p. 513-520, 2004.

BELLEI, M.; CARVALHO, M.S. Ectomicorrízas. In: CARDOSO, E.J.B.N.; TSAI, S.M.; NEVE, M.C.P. Microbiologia do solo. Campinas: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 1992, p. 297-318.

BELLEI, M. Micorrizas de Eucalyptus spp. em viveiros e florestas de Santa Catarina. Florianópolis: UFSC, 1987. 54p.

COLOZZI-FILHO, A; BALOTA, E.L. Micorrizas arbusculares. In: HUNGRIA, M., ARAÚJO, R.S (Ed). Manual de métodos empregados em estudos de microbiologia agrícola. Brasília: Embrapa-SPI, 1994. p. 383-418.

COELHO, F.C.; BORGES, A.C.; NEVES, J.C.L.; BARROS, N.F.; MYCHOVY, R.M.C. Caracterização e incidência de fungos micorrízicos em povoamento de Eucalyptus camaldulensis Dehnh.; nos municípios de Paraopeba, Bocaiúva e João Pinheiro, Minas Gerais. Revista Árvore, v. 21, n. 3, p. 393-404, 1997.

CLIFFORD, H.T.; STEPHENSON, W. An introduction to numerical classification. London: Academic Press,1975.

ELIAS, K.S; SAFIR, G.R. Huphal elongation of G. fasciculatus in response to root exudates. Apply Environomental Microbiology, v. 53, p. 1928-1933, 1987.

FERREIRA, D.F. Sistemas de análises estatística para dados balanceados. Lavras:UFLA/DEX/SISVAR, 2000. 145p.

FRANK, B.Uber die auf Wurzelsymbiose beruhende Ernahurng gewisser Baume durch unterirdische Pilze. Berichte der deustschen botanischer Gesellschaft, v. 3, p. 128-145, 1985.

GARBAYE, J. Utilisation des mycorhizes em sylviculture. In : STRULLU, D.G. (Ed). Les mycorhizes des arbres et plantes cultivées. Paris: Lavoisier, p. 197-248, 1990.

GERDEMANN, J.W; NICOLSON, T.H. Spores of mycorrhizal Endogone species extracted from soil by wt-sieving and decanting. Trans.Br. Mycol. Soc, v. 46, 1963. p. 235-244.

GIACHINI, A.J. Ectomycorrhizal fungi in Eucalyptus and Pinus plantations in southern Brasil. Mycologia, v. 92, n. 6, p.1166-1177, 2000.

GIOVANNETTI, M.; MOSSE, B. A evaluation of techniques for measuring vesicular arbuscular mycorrhizal infection in roots. New Phytologist, v. 84, p. 489-500, 1980.

GUZMÁN. G. Monografia del genero Scleroderma Pers. Emend. Fr. (Fungi Basidiomycetes. Darwiniana, v. 16, p. 233-407, 1970.

GRACE, C.; STRIBLEY, D.P. A safer procedure for roution staining of vesicular-ar mycorrhizal fungi. Mycological Research, v.95, n.10, p.1160-1162, 1991.

GLOWA, K.R.; AROCENA, J.M.; MASSICOTTE, H.B. Extraction of potassium and/or magnesium from selected soil minerals by Piloderma. Geomicrobiology Journal, v. 20, n. 2, p. 99-111, 2003.

HOAGLAND, D.R.; ARNON, D.I. The water culture method for growing plants without soil. Berkely, CA: University of California, 1951. 347p. p. 1-32. (California Agricultura Experiment Station Circular)

INVAM - INTERNATIONAL CULTURE COLLECTION OF VESICULAR ARBUSCULAR MYCORRHIZAL FUNGI, 2001. Disponível em: Acesso em: 2003 e 2004.

JENKINS, W.R. A rapid centrifugal-floration technique for separating nematodes from soil. Plant Disease Report, v. 48, p. 692, 1964.

KOSKE, R.E.; GEMMA, J.N. A modified procedure for roots to detect VA mycorrhizas. Mycological Research, v. 92, n. 4, p. 458-488, 1989.

LAMBAIS, M.R. Aspectos bioquímicos e moleculares da relação fungo-planta em micorrizas arbusculares. In: SIQUEIRA, J.O (Ed.). Avanços em fundamentos e aplicação de micorrizas. Lavras: UFLA-DCS E DCF, 1996. p. 5-38.

LAMBAIS, M.R.; CARDOSO, E.J.B.N. Avaliação da germinação de esporos de fungos micorrízicos vesículo-arbusculares e da colonização micorrízica de Stilosantes guianensis em solo ácido e distrófico. Revista Brasileira de Ciências do Solo, v. 12, p. 249-255, 1988.

LETACON, F.; GARBAYE, J.; CARR, G. The use of micorrizas in temperate and tropical forests. Symbiosis, v. 3, p.179-206, 1987.

MARK, D.H. The pratical significance of ectomycorrhizae in Forest establishment. In: ECOPHYSIOLOGY OF ECTOMYCORRHIZAE OF FOREST TREES. Symposia Proceedings... Stockholm, 1991. p. 54-90.

MARX, D.H.; CORDELL, C.E. The use of specific ectomycorrhizas to improve artificial forestation practices. In: WHIPPS, J.M.; LUMSDEN, R.D. (Ed.). Biotechnology of fungi for improving plant growth. New York: Academic Press, 1989. p. 1-25.

MIKOLA, P. Aplication of mycorrhizal symbiosis in forestry practices. In: MARKS, G.C.; KOZLOWSKI, T.T. (Ed.). Ectomycorrhizae, their ecology and physiology. New York: Academic Press, 1973. p. 383-411.

MOLINA, R.; TRAPPE, J.M. Mycorrhiza management in bareroot nurseries. In: DURYEA, M.L.; LANDIS, T.D. (Ed.). Forestry nursery manual: production of barerrot seedlings. Lancaster: Martinus Jijhoff, 1984. p. 211-213.

NANTEL, P.; NEUMANN P. Ecology of ectomycorrhizal Basidiomycete communities on a local vegetation gradient. Ecology, v. 73, p. 99-117, 1992.

NEWMAN, E.E.J.A method of estimating the total length of root sample. Journal of Applied Ecology, v. 3, p.139-145, 1966.

SANDERS, F.E. et al. The development of endomycorrhizal roots system. I. Spread of infection and growth-promoting effects with four species of vesicular-arbuscular endophyte. New Phytologist, v. 78, n. 2, p. 257-268, 1977.

SANDERS, J.R.; FITTER, A.H. Evidence for diferential responses between host-fungus combinations of vesicular-arbuscular mycorrhizas from a grassland. Mycological Research, v. 96, p. 415-419, 1992.

SANTOS, O. M. Observações preliminares sobre fungos micorrízicos vesículo-arbusculares em plantas crescendo em dunas na Bahia. Revista Ceres, v. 42, p. 191-202, 1995.

SANTOS, I.S. Fungos micorrízicos arbusculares em ambiente de mata atlântica e de Eucaliptos na região de Entre Rios, Bahia. Salvador, 2001. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2001.

SCHENCK, N.; PERÉZ, Y. Manual for the identification of VA mycorrhizal fungi. 3.ed. Gainesville: Synbergistic Publications, 1987. 286p.

SILVEIRA, A.P.D. Ecologia de fungos micorrízicos arbusculares. In. MELO, I.S.; AZEVEDO, J.L. Ecologia Microbiana. Jaguariúna: Embrapa-CNPMA, 488 p., p. 61-86, 1998.

SIQUEIRA, J.O; FRANCO, A.A. Biotecnologia do solo, fundamentos e perspectivas. Brasília, ABEAS, 1988. 235p.

SIQUEIRA, J.O. MAHMUD, A.W., HUBBEL, D.H. Comportamento diferenciado de fungos formadores de micorrizas vesículo-arbusculares em relação à acidez do solo. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 10, p. 10-16, 1986.

SIQUEIRA, J.O., HUBBEL, D.H.; VALLE, R.R. Efects of phosphorus on formation of the vesicular-arbuscular mycorrhizal symbiosis. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 19, n. 12, p. 1465-74, 1984.

SMITH, S.E.; READ, D.J. Mycorrhizal symbiosis. London: Academic Press, 1997. 605p.

SMITH, A.H.; THEIRS, H.D. The boletes of Michigan. Ann Arbor: University of Michigan, 1971. 420p.

STUNTZ, D.E. How to identify mushrooms to genus, IV: keys to families and genera. Eureka: Mad River Press, 1980. 94p.

SYLVIA, D.M. Micorrhizal symbioses. In: SYLVIA, D.M.; FUHRMANN, J.J.; HARTEL, P.G.; ZUBERER, D.A. (Ed.). Principles and applications of soil microbiology. New Jersey: Prentice Hall, 1998. p. 408-426.

TRAPPE, J.M. Fungus associates of ectotrophic mycorrhizae. Botanical Review, New York, v. 28, n. 4, p. 538-606, 1962.

TEDESCO, M.J. Análise de solo, plantas e outros materiais. 2.ed. Porto Alegre: UFRGS, Departamento de Solo, 1995. 174p.

VOZZO, J.A.; HACSKAYLO, E. Inoculation of Pinus caribaea with ectomycorrhizal fungi in Puerto Rico. Forest Science, v. 17, n. 2, p. 239-241, 1971.

ZAMBOLIN, L.; BARROS, N.F. Constatação de micorriza vesículo- arbuscular em Eucalyptus spp na região de Viçosa. Revista Árvore, v. 6, n. 1, p. 95-97, 1982.




DOI: http://dx.doi.org/10.5902/198050981909