Análise de agrupamento da vegetação de um fragmento de Floresta Estacional Decidual Aluvial, Cachoeira do Sul, RS, Brasil.

Maristela Machado Araújo, Solon Jonas Longhi, Doádi Antônio Brena, Paulo Luiz Contente de Barros, Sílvio Franco

Resumo


No estado do Rio Grande do Sul, as florestas ripárias se encontram alteradas pela ação antrópica formando fragmentos. O estudo teve como objetivo analisar a estrutura e florística interna dessas florestas o que subsidiará informações para o restabelecimento desses ecossistemas. A área escolhida foi um fragmento (30o04'36"S; 52o53'09"W), de 4 ha, localizada no município de Cachoeira do Sul, RS, no Baixo Rio Jacuí. As espécies arbóreas, arbustivas e lianas (somente quanto à forma de vida) foram inventariadas, utilizando-se faixas perpendiculares ao rio, distanciadas por 50 m, as quais apresentaram 10 m de largura e comprimento que variou com a largura da floresta. As faixas foram divididas em unidades amostrais de 10 x 10 m, nos quais foram identificados indivíduos com circunferência a 1,3m (CAP) 15 cm, registrados os valores de circunferência e altura. Os dados de densidade por espécie formaram uma matriz (70x42) utilizada na análise multivariada. A presença de agrupamentos de espécies no interior do fragmento foi avaliada pelo TWINSPAN (Two-way indicator species analysis), com base no qual foi constatada a existência de três subformações florestais (S-F1, S-F2 e S-F3). A S-F1 foi caracterizada por ter maior influência das enchentes e lençol freático mais próximo da superfície; a S-F2 ocorreu na parte central do fragmento, mas apresentou forte influência dos extravasamentos causados pelas enchentes; e na S-F3, também na porção central, ocorreu maior influência do lençol freático. As espécies indicadoras das subformações foram: Sebastiania commersoniana e Eugenia uniflora (S-F1); Gymnanthes concolor, Cupania vernalis e Seguieria aculeata (S-F2); e Casearia sylvestris e Allophylus edulis (S-F3). Portanto, em projetos de preservação, conservação e restabelecimento desses ecossistemas, a comunidade florestal não pode ser tratada unicamente como ripária, mas considerando as variações ambientais e, conseqüentemente, florísticas.


Palavras-chave


floresta ripária; fragmento; análise de agrupamentos; subformações

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/198050981789