Tolerância de mudas de canafístula (Peltophorum dubium (Spreng.) Taub.) inoculada com Pisolithus microcarpus a solo com excesso de cobre.

Rodrigo Ferreira da Silva, Zaida Inês Antoniolli, Manoeli Lupatini, Lineu Leal Trindade, Alessandro Salles da Silva

Resumo


A associação de fungos ectomicorrízicos com essências florestais nativas pode ser uma alternativa para revegetação de solos contaminados por metais pesados. O objetivo do trabalho foi determinar o comportamento de mudas de canafístula inoculadas com fungo ectomicorrízico em solo contaminado por cobre. O fungo ectomicorrízico utilizado foi o Pisolithus microcarpus UFSC Pt116, produzido em substrato composto por turfa-vermiculita (3:1). As mudas de canafístula foram desenvolvidas em areia lavada e transplantada para unidades experimentais quando apresentaram duas folhas definitivas. Como unidade experimental foi utilizado vaso com capacidade de 1 L contendo 1 kg de solo. A inoculação foi realizada no momento do transplante das mudas, sendo adicionado 2 g de inoculante por unidade experimental. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, num esquema bifatorial (2 x 4) qualitativo em A, com e sem inoculante do fungo, e quantitativo em D, sendo o controle, adição de 150 mg kg-1, 300 mg kg-1 e 450 mg kg-1 de cobre (CuSO4), com sete repetições. Determinou-se altura de planta, diâmetro do colo, massa seca da parte aérea, teor de cobre na planta, porcentagem de colonização micorrízica, área superficial específica radicular e comprimento radicular. O incremento das doses de cobre no solo reduziu o comprimento radicular, área superficial específica radicular, altura e diâmetro das plantas de canafístula. As mudas de canafístula inoculadas com fungo ectomicorrízico apresentam menor teor de cobre em seu tecido e reduzem a absorção de cobre na dose mais elevada.


Palavras-chave


ectomicorriza; metal pesado; contaminação do solo

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DOI: https://doi.org/10.5902/198050981768

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