ESPÉCIES INDICADAS PARA A RECOMPOSIÇÃO DA FLORESTA CILIAR DA SUB-BACIA DO RIO PEIXE-BOI, PARÁ

Igor do Vale, Luiz Gonzaga Silva Costa, Izildinha Souza Miranda

Resumo


http://dx.doi.org/10.5902/1980509815736

Diante da importância ecológica que as florestas ciliares representam para o equilíbrio ambiental, este estudo objetiva indicar espécies nativas para serem usadas na recomposição de florestas ciliares degradadas existentes na sub-bacia do Rio Peixe-Boi. Foram inventariadas todas as árvores e arbustos com diâmetro a 1,30 m do solo > 5 cm em dez áreas de floresta secundária e seis de floresta de igapó. Os dados foram analisados pela Análise de Componentes Principais (ACP) e as espécies avaliadas silviculturalmente através de revisão bibliográfica. As áreas de igapó tiveram baixo índice de riqueza e diversidade de Shannon, quando comparado com os dados das florestas secundárias. A composição florística dos igapós foi bem heterogênea, e há maior similaridade florística entre áreas de maior proximidade geográfica. As florestas secundárias tiveram grande abundância de indivíduos, alta riqueza, diversidade e equabilidade e foram agrupadas em função da proximidade geográfica e da idade, o que está diretamente ligado ao estádio sucessional. A análise ACP estabeleceu a importância ecológica de 29 espécies arbóreas, contudo, foram encontradas informações silviculturais de apenas dez espécies. Por apresentarem grande importância ecológica e técnicas silviculturais viáveis e disponíveis na literatura, as espécies de igapó Carapa guianensis, Pachira aquatica, Spondias mombin, Tapirira guianensis e Virola guianensis são as mais indicadas para a recomposição dessas áreas, em associação com as espécies Inga edulis, Jacaranda copaia, Pseudopiptadenia psilostachya, Simarouba amara e Vismia guianensis de floresta secundária, que podem ser plantadas nas áreas de bordas e adjacentes às florestas de igapó.


Palavras-chave


Amazônia; capoeiras; igapós; silvicultura.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/1980509815736