Dinâmica da flora arbustivo-arbórea colonizadora em uma área degradada pela extração de ouro em Diamantina, MG

Wander Gladson Amaral, Israel Marinho Pereira, Cristiany Silva Amaral, Evandro Luiz Mendonça Machado, Luiz David Oliveira Rabelo

Resumo


http://dx.doi.org/10.5902/1980509812355

O objetivo deste trabalho foi conhecer o processo de dinâmica da vegetação colonizadora em uma área degradada pela extração de ouro. A área em estudo foi estratificada em três ambientes, sendo que em cada ambiente foram alocadas dez parcelas contiguas de 100 m² cada. Para a abordagem da dinâmica foram realizados dois inventários da vegetação arbustivo-arbórea incluindo todos os indivíduos com DAS30 > 3 cm. O primeiro inventário foi realizado no ano de 2008 e o segundo no ano de 2010. Em 2010, os novos indivíduos que atingiram o critério de inclusão (recrutas) foram marcados e medidos, os mortos foram registrados e os sobreviventes mensurados novamente. Foram calculadas as taxas de dinâmica: mortalidade, recrutamento, ganho e perda em área basal de cada ambiente, ficando evidente a importância da dinâmica como ferramenta para auxiliar no entendimento das relações de sucessão ecológicas das espécies. Os índices de diversidade de Shannon entre os três ambientes foram comparados pelo teste t de Hutcheson e foi utilizada a análise de espécies indicadoras na determinação das espécies preferências de cada um dos três ambientes pré-determinados. O número total de indivíduos passou de 707 para 909 em dois anos de intervalo, reforçando ainda mais a importância de regeneração natural nos processos de sucessão ecológica. O ambiente II manteve-se como o mais abundante, apesar de apresentar elevada taxa de mortalidade, o que pode ser explicado pela alta taxa de recrutamento. As espécies Eremanthus incanus, Trembleya laniflora, Trembleya parviflora, Roupala montana, Coccoloba brasiliensis e Tibouchina candoleana, apresentaram maior valor de importância nos dois levantamentos realizados, mostrando, assim, superioridade na colonização da área degradada pela extração de ouro, podendo vir a ser indicadas em programas de recuperação de áreas degradadas que se encontram em condições semelhantes na região de Diamantina.


Palavras-chave


dinâmica; estrutura florestal; áreas degradadas; mineração

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DOI: https://doi.org/10.5902/1980509812355

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