Compreensão e aplicabilidade do conceito de solo florestal

Ana Paula Moreira Rovedder, Luis Eduardo Akiyoshi Sanches Suzuki, Ricardo Simão Diniz Dalmolin, José Miguel Reichert, Ricardo Bergamo Schenato

Resumo


 

http://dx.doi.org/10.5902/1980509810563

O setor florestal desempenha um papel importante no contexto socioeconômico e ambiental brasileiro, por isso o avanço no conhecimento sobre os solos florestais torna-se essencial para o uso sustentável dos recursos naturais, seja como base de conservação do patrimônio natural ou como recurso para o desenvolvimento econômico. Solo florestal pode ser definido como aquele cuja pedogênese está associada à influência de uma tipologia florestal ou o que apresenta uma cobertura de floresta natural ou plantada. Diferenciar solos florestais daqueles ocupados com outros usos auxilia na compreensão das possíveis alterações relacionadas à cobertura vegetal e no desenvolvimento de melhores estratégias de manejo para o uso do solo e da floresta. No entanto, ainda não há um consenso em torno do termo, uma vez que o solo apresenta variações de acordo com as características da floresta, estimulando a discussão relativa à sua interpretação e aplicabilidade. A presente revisão de literatura tem por objetivo analisar a utilização do conceito de solo florestal, ressaltando características de diferenciação e sua relação com o tipo de cobertura, natural ou plantada. Aspectos relativos à deposição, qualidade e manejo de resíduos, ciclagem de nutrientes, compactação e produtividade de sítio são enfatizados. Conclui-se que o conceito de solo florestal é amplamente utilizado na literatura específica e útil para o levantamento de informações e de planejamento sustentável de uso do solo e da floresta. A melhoria do conhecimento sobre esse recurso abre a possibilidade de se criar uma identidade comum, o que facilita estudos comparativos de características específicas, fortalecendo a pesquisa em torno do tema.


Palavras-chave


pedogênese; cobertura florestal; ciclagem de nutrientes; qualidade do solo

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/1980509810563