Universidade Federal de Santa Maria

Rev. Ensino, Geografia e Pesquisa, Santa Maria, v 29, e88899, 2025

DOI:10.5902/2236499488899

ISSN 2236-4994

Submissão: 06/09/2024 • Aprovação: 08/05/2025 • Publicação: 30/06/2025

1 INTRODUÇÃO

2 RESULTADOS E DISCUSSÕES

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

4 REFERÊNCIAS

Ensino e Geografia

A geografia apreendida no ensino escolar: estudo realizado em uma escola do município de Maravilha, em Santa Catarina-Brasil

Geography apprehended in school education: a study carried out in a school in the municipality df Maravilha, in Santa Catarina-Brasil

La geografía aprendida en la enseñanza escolar: estudio realizado en una escuela del municipio de Maravilha, en Santa Catarina-Brasil

Daniele Crislei Czuy Manosso IIÍcone

Descrição gerada automaticamente

Eliane Terezinha Thiago Popp I Ícone

Descrição gerada automaticamente

Najla Mehanna MormulÍcone

Descrição gerada automaticamente

Valquíria Wisniewski Konzen IÍcone

Descrição gerada automaticamente

I Universidade Estadual do Oeste do Paraná ROR, Francisco Beltrão, PR, Brasil

RESUMO

A Geografia é a ciência que busca compreender as complexidades que se apresentam no espaço geográfico. Esse dinamismo está atrelado às transformações que os seres humanos provocam e acabam reverberando no espaço escolar. Acredita-se que a escola deva proporcionar aos estudantes o desenvolvimento do senso crítico. Para tanto, as disciplinas curriculares como a Geografia podem contribuir para isso por meio do desenvolvimento do pensamento geográfico. Nessa direção, pergunta-se: como estudante do nono ano do Ensino Fundamental II compreende o Componente Curricular de Geografia a partir do que foi trabalhado em sala de aula? Nesse sentido, definimos como objetivo geral identificar o principal entendimento conceitual que os estudantes do nono ano do ensino Fundamental II de uma escola municipal na cidade de Maravilha-SC têm em relação à disciplina de Geografia. Para tanto, propomos como objetivos específicos: 1) Discutir a importância do ensino de Geografia na formação do sujeito; e, 2) Apresentar os conceitos geográficos apreendidos, a partir da aplicação de um questionário semiestruturado. A metodologia adotada sustenta-se na pesquisa qualitativa, entrecruzada com a pesquisa-ação, sustentadas pela neomodernidade, formando uma coalisão potente para esse tipo de abordagem, caracterizando-se pela análise de interpretações, comparações e exposição de dados, oriundos de outros estudos e pesquisas. Envolve, também, a pesquisa bibliográfica, caracterizada por dispor de materiais elaborados cientificamente. Trata-se, portanto, de um artigo que busca entender a noção conceitual formada pelos estudantes do nono ano sobre a Geografia e que demonstra a sua relação com o cotidiano dos estudantes. Observou-se que a Geografia escolar consegue construir conceitos e noções duradouras nos estudantes, de modo significativo, isso é demonstrado no momento em que estes conseguem relacionar interações do cotidiano com conceitos geográficos apreendidos em sala de aula.

Palavras-chave: Geografia; Ensino; Noções conceituais

ABSTRACT

Geography is the science that seeks to understand the complexities of geographical space. This dynamism is linked to the transformations that human beings cause and which ends up reverberating in the school space. It is believed that schools should provide students with the opportunity to develop critical sense. To this end, curricular subjects such as Geography can contribute by developing geographical thinking. With this in mind, the question arises: How do students in the ninth year of elementary school understand the Geography curriculum based on what they have been taught in the classroom? With this in mind, we set ourselves the general objective of identifying the main conceptual understanding that ninth grade students at a municipal school in the city of Maravilha (SC) have in relation to the subject of Geography. To this end, we propose the following specific objectives: 1) To discuss the importance of teaching Geography in the formation of the subject; and, 2) To present the geographical concepts learned, based on the application of a semi-structured questionnaire. The methodology adopted is based on qualitative research, intertwined with action research, supported by neomodernity, forming a powerful coalition for this type of approach, characterized by the analysis of interpretations, comparisons and exposure of data from other studies and research. It also involves bibliographical research, characterized by the use of scientifically prepared materials. It is, therefore, an article that seeks to understand the conceptual notion formed by ninth grade students about Geography and that demonstrates its relationship with the students’ daily lives. It was observed that school geography is able to build lasting concepts and notions in students, in a significant way, which is demonstrated when they are able to relate everyday interactions with geographical concepts learned in the classroom.

Keywords: Geography; Teaching; Conceptual notions

RESUMEN

La geografía es la ciencia que trata de comprender las complejidades del espacio geográfico. Este dinamismo está ligado a las transformaciones que el ser humano provoca y que9 acaban reverberando en el espacio escolar. Se considera que la escuela debe brindar a los alumnos la oportunidad de desarrollar un sentido crítico. Para ello, materias curriculares como la Geografía pueden contribuir a través del desarrollo del pensamiento geográfico. Con esto en mente, surge la pregunta: ¿Cómo entienden los alumnos de noveno curso de primaria el currículo de Geografía a partir de lo aprendido en el aula? Teniendo esto en cuenta, nos propusimos como objetivo general identificar las principales comprensiones conceptuales que los alumnos de noveno año de una escuela municipal de la ciudad de Maravilha (SC) tienen en relación a la asignatura de Geografía. Para ello, nos proponemos los siguientes objetivos específicos: 1) Discutir la importancia de la enseñanza de la Geografía en la formación del sujeto; y, 2) Presentar los conceptos geográficos aprendidos, a partir de la aplicación de un cuestionario semiestructurado. La metodología adoptada se basa en la investigación cualitativa, entrelazada con la investigación-acción, apoyada en la neomodernidad, formando una poderosa coalición para este tipo de abordaje, caracterizado por el análisis de interpretaciones, comparaciones y exposición de datos de otros estudios e investigaciones. También implica la investigación bibliográfica, caracterizada por el uso de materiales científicamente preparados. Se trata, por lo tanto, de un artículo que busca comprender la noción conceptual formada por los alumnos de noveno grado sobre Geografía y demuestra su relación con la vida cotidiana de los estudiantes. Se observó que la Geografía escolar es capaz de construir conceptos y nociones duraderas en los alumnos, de forma significativa, lo que se demuestra cuando ellos son capaces de relacionar las interacciones cotidianas con los conceptos geográficos aprendidos en el aula.

Palabras-clave: Geografía; Enseñanza; Nociones conceptuales

1 INTRODUÇÃO

A Geografia, antes de ser disciplina, é uma ciência do espaço. Isso a torna complexa, única e insubstituível na formação das sociedades. É um saber que pode ser aprendido na escola, contudo, este não é o único lugar, mas é neste espaço que se encontram professores habilitados para apresentar o poder dessa ciência aos sujeitos. Neste sentido, o sujeito precisa entrar em contato e identificar o poder estratégico da Geografia (Lacoste, 2012) e, a partir disso, tratá-lo dessa forma, pois somente assim o saber poderá despertar questionamentos, interrogações e diálogos, que podem desencadear lutas em defesa de um ambiente digno para se viver.

Sendo assim, entendemos que a compreensão do espaço geográfico é primordial para o indivíduo reconhecer-se como integrante da sociedade, saber definir seu papel como cidadão e, também, identificar as transformações executadas por ele no espaço em que está inserido. Para Andreis (2012, p. 36),

Esse contexto, que se fundamenta na concretude do espaço, é central ao objeto de investigação da Geografia. Os elementos naturais e artificiais manifestos no espaço, em seus conteúdos e formas, causas e implicações, ganham nessa área do conhecimento um caráter menos linear e estático e mais vivo e inerente à práxis, tanto individual quanto coletiva, local e regional [...]

Segundo a autora, o ensino de Geografia é entendido como um processo complexo que envolve os conhecimentos geográficos construídos pelas vivências manifestadas na interação entre as dinâmicas naturais e sociais que se apresentam de forma complexa no espaço geográfico. São vivências que despertam potenciais emancipatórios à vida, deliberando ações de compreensão dos modos de uso dos bens naturais.

Entende-se que o espaço é construído e reconstruído inúmeras vezes e, geralmente, é alterado pela intencionalidade, ou seja, de acordo com as necessidades humanas dadas para aquele momento histórico vivenciado. Essas noções devem ser absorvidas no ensino de Geografia, pois, talvez, seja ela a única ciência que estuda as interações que acontecem no espaço geográfico, e a compreensão dessas produz, no sujeito, intimidade com o lugar em que se encontra. Por fim, a aproximação ao lugar pode despertar pertencimento, ao qual há relação desta alteração, pois deixa de ser superficial e torna-se realmente concreta.

Acreditamos, no entanto, que essa relação estabelecida entre conceitos geográficos deva ser compreendida e assimilada na sala de aula. É a partir disso que surge a intenção deste artigo, a fim de identificar de que forma o estudante do Nono Ano do Ensino Fundamental II compreende o Componente Curricular de Geografia, pelo que foi trabalhado em sala de aula.

Assim, temos como objetivo geral identificar o que os estudantes do Nono Ano em uma escola municipal na cidade de Maravilha-SC entendem por Geografia. Para tanto, definimos os seguintes objetivos específicos: 1- Discutir a importância do ensino de Geografia na formação do sujeito; e, 2- Apresentar os achados apreendidos, a partir de questionário semiestruturado aplicado com os estudantes da escola.

A intenção é contribuir com professores de Geografia que trabalham com estudantes a partir do Sexto Ano do Ensino Fundamental II, o que poderá servir como indicador quanto à compreensão dos conteúdos científicos que estes estão adquirindo até chegarem ao Ensino Médio, sobretudo em relação à noção conceitual de alguns elementos específicos da Geografia. Acreditamos que essas considerações podem impactar na prática dos professores, assim como na construção do planejamento das aulas e na análise dos materiais curriculares.

O artigo, a partir da introdução, prossegue “Caminhando na teoria”, entendido como um subtítulo objetivado a apresentar o diálogo entre autores sobre a temática aqui apresentada; na sequência temos “Encaminhamentos metodológicos”, e os “Resultados e Discussões”, que é ponto focal desta pesquisa, e por fim, as “Considerações Finais” e “Referências”.

1.1 Caminhando na teoria

“O poder da geografia é dado pela sua capacidade de entender a realidade em que vivemos” (Santos, 2003).

Santos (2003) nos mostra exatamente a função da Geografia enquanto ciência e enquanto Componente Curricular ministrado nas escolas. Ela tem o poder de contribuir para a formação integral do estudante, pois consegue atrelar os conteúdos científicos à realidade em que cada estudante está inserido, fazendo com que o conhecimento tenha sentido e se torne significativo.

Apesar da sua relevância, Geografia, pelo seu poder revolucionário, pode não seduzir os magnatas detentores do capital, mas pode despertar o pensamento crítico do excluído, do ignorado e do não privilegiado, e isso pode ser o início de uma revolução social, pois, conforme Milton Santos (2003), entender a realidade em que vivemos é emancipatório, desafiador e necessário.

E nós, professores da Educação Básica, não temos que provocar o caos na sociedade, mas temos a obrigatoriedade, a partir do despertar intelectual, de induzir a emancipação do excluído e oprimido. Com isso, possibilitar que o sujeito consiga entender a realidade em que vive, do seu bairro, do seu município e, por fim, globalmente. Essas percepções, entretanto, só surgem no sujeito se alguém as instigar, mencionar, abordar, e aí cabe à Geografia essa pretensão. Para Cavalcanti (2013), há conhecimentos que o sujeito só receberá na escola.

De acordo com Carneiro (1993, p. 122), “o potencial de contribuição da Geografia à educação escolar decorre da sua própria natureza, como ciência que trata dos elementos naturais e humanos em sua configuração espacial”. Isso decorre na essência da Ciência Geográfica, que tem o espaço geográfico como objeto de estudo, ao qual explicita relação interativa das transformações que acontecem no espaço pelo ser humano.

Com isso, esta ciência busca “apreender os eventos humanos em sua dinâmica de espacialidade” (Carneiro, 1993, p. 122), visto que as relações humanas e os eventos naturais acontecem independentemente da escala, da intensidade e das conexões. Dessa forma, é imprescindível para o indivíduo reconhecer, problematizar e identificar esta inter-relação entre ele e a natureza e entre ele e a sociedade para, assim, realizar uma abordagem didático-pedagógica na sala de aula, a fim de provocar as aprendizagens de conceitos que possam auxiliar na compreensão da cidadania.

Ao olhar para a sala de aula como espaço-tempo, identificamos o dever de se construir o diálogo entre o estudante e o professor, despertando o estudante para a autonomia e a criticidade. De acordo com Andreis (2014, p. 2), “a aula é um território, produto e produtor de espaço geográfico”, cabendo ao professor de Geografia promover a valorização do conhecimento geográfico, a fim de proporcionar relações entre a vida e os conhecimentos, realizando processos que eduquem geograficamente.

A Geografia escolar tem o compromisso de discutir a integração que existe entre o indivíduo e a natureza, assim como a relação do indivíduo dentro da sociedade. Lacoste (2012, p. 99), sobre essa questão, cita que deve haver “vigilância a respeito da Geografia”, esse zelo compreende a abordagem tomada em sala de aula. Esta deve ser emancipatória, de construção cognitiva e contribuidora com as interpretações das vivências e das relações que o estudante mantém.

Young (2007, p. 1.294), quando questiona “para que servem as escolas?”, está, talvez, buscando problematizar a relação professor-estudante, conteúdo e realidade vivida. Para responder à sua pergunta, no entanto, argumenta que “elas capacitam ou podem capacitar jovens a adquirir o conhecimento que, para a maioria deles, não pode ser adquirido em casa ou em sua comunidade, e para adultos, em seus locais de trabalho”. Ao encontro dessa assertiva potente, o autor argumenta que essa é a função social que a escola desenvolve – de inclusão não apenas no ambiente escolar, mas, sim, na sociedade.

Entender essa centralidade da escola é de grande importância, tendo em vista que este seja, talvez, um dos únicos espaços que consiga instigar a criticidade no sujeito, principalmente do seu lugar na sociedade, e isso é de grande valia para a formação de um sujeito crítico e emancipatório.

O ensino de Geografia, portanto, envolve compreender o espaço geográfico em diálogo, como produto e produtor dos lugares. Santos (2014, p. 73), sobre essa questão, corrobora afirmando que o estudo despertará, pela análise da paisagem, “suas transformações, heranças que representam sucessivas relações localizadas entre o ser humano e a natureza na reprodução de vários tempos”. Essas análises deverão ser provocativas, pois o que define o nível de mudanças numa paisagem é a atuação da sociedade, que contribui para a formação e o desenvolvimento do espaço geográfico. Assim sendo, quanto mais intensa a ação humana no espaço, mais evidentes são as alterações na paisagem.

Para Massey (2017, p. 40), “pensar geograficamente contribui para os estudantes compreenderem e interpretarem as suas próprias reações com as pessoas e aos lugares [...]”. A autora afirma que a Geografia, ao despertar nesses sujeitos o entendimento de quão forte é seu poder de transformação, institui que “grande parte da nossa Geografia está na mente, ou seja, atribui-se às imagens mentais que levamos carregadas sobre o mundo”. Essa reflexão geográfica proposta pelo diálogo deve ter a intencionalidade de tornar explícitas as imaginações geográficas e os conceitos dos estudantes, e explorar de onde elas se originam.

Carneiro (1993, p. 122) contribui para a discussão afirmando que, para a educação geográfica “ocupar-se com a compreensão de mundo”, o estudante vai elaborando conceitos a partir de sua experiência de espaço e lugar e da sua apreensão progressiva dos problemas de organização e uso do espaço pelo homem, refletindo em uma reordenação espacial compreensível.

Quando a escola é um espaço frequentado por inúmeras crianças e jovens em construção intelectual, responsável pela formação cidadã, contribui para o pensar geográfico, construindo, por meio de conteúdos e da mediação oferecida a este sujeito por professores que almejam a concretude desse modo de pensar, estas crianças e jovens constroem-se efetivamente.

Para edificar um ensino de Geografia, no entanto, não se têm receitas ou modelos pré-definidos, mas somente caminhos que podem ser percorridos nessa construção. O espaço escolar, bem como o percurso pedagógico, dispõe de muita interferência externa, o que acaba influenciando no processo de ensino e aprendizagem. Com isso, não são apenas o estudante e o professor os responsáveis pela organização e direcionamento da aula.

Essas interferências podem ser identificadas desde a formação físico-estrutural do ambiente escolar, as ideologias políticas, religiosas e culturais, e, principalmente, a manipulação nas políticas educacionais, que norteiam todo o processo de ensino e aprendizagem, assim como todos os setores que constituem o ambiente escolar. Nesse período contemporâneo da história, por exemplo, tem-se a interferência do sistema capitalista engessado no neoliberalismo, onde todas as relações parecem ser decididas considerando esse novo modelo econômico, incluindo, também, o ensino da Geografia (Girotto; Mormul, 2016).

O ato de ensinar a Geografia deve provocar no estudante a compreensão do espaço na sua materialidade e com todas as interferências postas no ambiente, proporcionando a promoção de um pensar dialético, que é aquele pensar partindo do movimento e que apresenta nuances, pois não é estático. Seguindo essa linha de pensamento, Cavalcanti (2013, p. 24) afirma que:

A finalidade de ensinar Geografia para as crianças e jovens deve ser justamente a de ajudar a formar raciocínios e concepções mais articulados e aprofundados a respeito do espaço. Trata-se de possibilitar aos alunos a prática de pensar os fatos e acontecimentos enquanto constituídos de múltiplos determinantes; de pensar os fatos e acontecimentos mediante várias explicações, dependendo da conjugação desses determinantes, entre os quais se encontra o espacial.

A escola tem um papel de suma importância, tanto na sociedade quanto na construção do pensamento crítico, a fim de possibilitar a compreensão da sua participação na construção do espaço geográfico ao qual pertence. E o professor, ao possibilitar ao estudante uma participação ativa na discussão dos conteúdos e relacionar esses com as vivências do cotidiano desse sujeito, contribui para a construção do pensamento geográfico, que é um pensamento com viés crítico construtivo-participativo.

A partir desse pensamento crítico-analítico, o estudante passa a relacionar o conteúdo apresentado em sala de aula com a sua vida fora do ambiente escolar. De acordo com Girotto e Mormul (2016, p. 90), “a apropriação dos conteúdos e conceitos da Geografia vai ressignificar a forma dos estudantes verem e viverem a realidade”. Dessa forma, esse saberá agir nas discussões, almejando melhorias para a comunidade na qual está inserido, pois consegue analisar criticamente, a partir da sua realidade, principalmente nas discussões que se referem à construção e efetivação de políticas públicas. A Geografia, portanto, cria essas possibilidades de reflexão para o estudante quanto ao descobrir do mundo, dá-se a ele autonomia, e isso contribui para a construção reflexiva sobre as transformações postas no espaço geográfico, pois esta precisa desenvolver o senso crítico e analítico para, assim, se reconhecer com o sujeito inserido na sociedade.

1.2 Encaminhamento metodológico

Este artigo está delineado pela pesquisa qualitativa, que tem seu foco em entender aspectos subjetivos do sujeito, ao qual se apresenta como emergente à Geografia Crítica, que buscamos efetivar e potencializar.

A pesquisa qualitativa (...) está relacionada aos significados que as pessoas atribuem às suas experiências do mundo social e a como as pessoas compreendem esse mundo. Tenta, portanto, interpretar os fenômenos sociais (interações, comportamentos, etc.), em termos de sentidos que as pessoas lhes dão; em função disso, é comumente referida como pesquisa interpretativa (Brandão, 2001, p. 13).

A interpretação do pesquisador está associada à sua subjetividade, às suas experiências e condições de vida, e isso são menções que não podem ser mensuradas quantificadas por números, mas, consistem em questões que são decodificadas e analisadas numa perspectiva social, na busca por compreender o movimento da sociedade. É uma abordagem que condicionada ao que Gil (2008) menciona, favorece a discussão subjetiva em relação ao objeto de estudo, ergue-se sobre a dinâmica e abordagem do problema pesquisado e objetiva descrever e decodificar, de forma interpretativa, os componentes de um sistema complexo de significados, cuidando para considerar o contexto e não os fenômenos de forma individual.

A pesquisa qualitativa em G é uma abordagem valiosa para entender as dimensões mais sutis e complexas dos fenômenos espaciais. Em vez de apenas medir e quantificar dados, essa abordagem foca em como as pessoas percebem e experienciam seu ambiente, oferecendo uma visão mais rica e contextualizada da realidade geográfica.

Mencionaremos alguns aspectos importantes dessa metodologia que foram utilizados na elaboração desse artigo, como a Observação, permitiu ao pesquisador coletar dados diretamente do campo, neste caso, em sala de aula, observando o comportamento dos estudantes e as interações com o espaço. Entrevista: foram fundamentais para analisar as perspectivas individuais e coletivas sobre a Geografia estudada. Para isso, foi elaborado um questionário não estruturado, com duas perguntas, a fim de identificar a percepção dos estudantes em relação à compreensão dada à geografia. Isso inclui a valorização da subjetividade, pois é neste momento que aparecem as carências e defasagens presentes no ensino de Geografia, como também pode demonstrar a apreciação de conhecimento considerado satisfatório para esse nível de ensino, no caso para o Nono Ano do Ensino Fundamental II. E por fim, a Interpretação dos dados coletados e apresentação à comunidade científica, a fim de contribuir na melhoria do ensino de Geografia.

Aliada à pesquisa qualitativa, associamos a Geografia Crítica, que pode ser entendida como uma forma indutiva de pensar o espaço geográfico, abrindo possibilidades de refletir sobre a relação do humano com a natureza, a qual ambos estão atrelados ao modo capitalista de se relacionar. Por isso, essa maneira de pensar e ser é uma proposta de romper com a ideia de neutralidade, imposta por muito tempo à Ciência Geográfica, levando a questionar o porquê das coisas e como elas estão apresentadas.

Comumente à Geografia Crítica, este artigo tem natureza bibliográfica, a partir da disposição da leitura em livros, artigos e capítulos de livros já desenvolvidos, que permitem dialogar com a pesquisa e os aportes teóricos metodológicos.

E, por fim, considera-se como uma pesquisa-ação, sobre a qual Thiollent (1985, p. 14 apud Gil, 2008, p. 30) menciona que:

[...] é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos do modo cooperativo ou participativo.

Esse tipo de pesquisa vai dialogar com os fenômenos que acontecem no cotidiano e que precisam ser questionados pelos pesquisadores para assim pensarmos no ensino. Desse modo, o pesquisador interage com o participante e, algumas vezes, com o fenômeno a ser estudado. Com isso, as duas perguntas remetem à compreensão que o aluno possui em relação à geografia. Dessa forma, a primeira pergunta está atrelada a responder: 1) O que você entende por Geografia? Faça uma definição com suas palavras. E a segunda, 2) Você identifica a Geografia no seu dia-a-dia? Explique como: São perguntas que abrangem aspectos relacionados à compreensão que o aluno deveria, no nono ano, responder de modo claro e objetivo.

No entanto, também trazemos a proposta de Marques (1992), que nos remete ao método que não renuncia à razão, mas favorece uma reconstrução das análises e compreensões a partir da troca de informações e do diálogo entre os pares. Isso sugere uma abordagem colaborativa e interativa, na qual o entendimento é continuamente orgânico através do engajamento com outros. O método não se limita a uma análise individual, mas se enriquece com a contribuição de diferentes perspectivas, promovendo uma compreensão mais ampla e robusta do tema em questão.

Assim, remodelando e reconfigurando, essas reflexões favorecem uma construção teórica crítica-reflexiva, evidenciam que as verdades são provisórias, na medida que se compreende que os sujeitos se constituem pela intersubjetividade. Isso significa que as relações se configuram a partir do entrosamento da troca de conhecimento científico e empírico.

Sintetizando, a Figura 1 apresenta a metodologia deste artigo:

Figura 1– Metodologia da Pesquisa

Fonte: Popp, (2022).

Acreditamos que essa abordagem metodológica permite a realização de uma análise potente e científica, além de contribuir com outros professores e pesquisadores de Geografia, bem como, com os sujeitos pesquisados e suas reflexões, pois são essas abordagens que conduzem aos resultados e discussões deste artigo.

Para isso, identificamos quatro fases importantes da pesquisa-ação, sendo: a) delimitação da unidade-caso; b) coleta de dados; c) seleção, análise e interpretação dos dados; d) elaboração do relatório.

Dessa forma, iremos abordar de modo individual cada fase identificada.

a) Delimitação da unidade-caso: A proposta de pesquisa deste artigo está vinculada à análise de interrogações lançadas aos estudantes do Nono Ano do Ensino Fundamental II de uma escola pública integrada à Rede Municipal de Ensino, no município de Maravilha, Estado de Santa Catarina, Brasil. Esta escola atende aproximadamente 540 alunos do Primeiro ao Nono Ano do Ensino Fundamental. Foram entrevistados 17 estudantes, que possuem, em média, 14 a 15 anos, e estão no último ano do Ensino Fundamental. Nesta fase de escolarização, entendemos que os estudantes devam identificar alguns conceitos ou noções associadas à Geografia e sua complexidade, pois este é um Componente Curricular disponibilizado a partir do Primeiro Ano do Ensino Fundamental I. No entanto, a partir do Sexto Ano em diante, se inicia a disciplina ministrada por um único professor, habilitado especificamente em Geografia. No Estado de Santa Catarina, os estudantes do Ensino Fundamental - Anos Finais - possuem uma carga horária de três períodos semanais com aulas de 45 minutos, o que permite ao professor trabalhar conceitos e noções geográficas de modo claro e coesivo, ao menos é o que acreditamos.

b) Coleta de dados: A partir de entrevista não estruturada, foram lançadas duas perguntas, sendo 1) “O que você entende por Geografia? Faça uma definição com suas palavras”, e 2) “Você identifica a Geografia no seu dia-a-dia? Explique como:”. Desse modo, os estudantes receberam as perguntas impressas e tiveram uma semana para responder, o que entendemos ser um tempo hábil para mencionar o que de fato sentem em relação ao Componente Curricular de Geografia e como ele está presente no seu cotidiano. A partir disso, reagrupamos as respostas de acordo com cada pergunta, citando quando houve semelhanças de respostas e mencionando numericamente para não apresentar frases repetidas ou parecidas.

Diante do exposto, no próximo subtítulo, iremos codificar as respostas de modo a preservar a identidade dos estudantes. As respostas serão apresentadas como Estudante 1, Estudante 2, Estudante 3 e assim por diante. O objetivo é garantir a confidencialidade das identidades dos participantes. O foco da análise, para nós, professoras e pesquisadoras do ensino de Geografia, será compreender o que os estudantes pensam e como conseguem expressar suas ideias sobre Geografia, bem como a maneira como identificam a disciplina no seu cotidiano.

Para isso, as fases c) seleção, análise e interpretação dos dados; e d) elaboração do relatório serão abordadas no próximo subtítulo, intitulado “Resultados e Discussões”.

2 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Nesta fase, focamos na seleção, análise e interpretação dos dados e elaboração de um texto a partir do que foi coletado. Isso permitirá avaliar o entendimento dos estudantes sobre Geografia, com base no conteúdo estudado em sala de aula. Seguem as perguntas elaboradas, na ordem em que foram dispostas para os estudantes, sendo uma maneira de identificar o que os alunos reconhecem e compreendem sobre esse tema.

1) O que você entende por Geografia? Faça uma definição com suas palavras.

O objetivo desta pergunta foi avaliar a compreensão dos estudantes sobre como eles identificam a Geografia e suas interações entre sociedade e natureza. Além disso, verificar de que forma os estudantes contextualizam essa ciência, ao modo que esta deva denunciar as desigualdades sociais que estão imbricadas no espaço geográfico, assim como outras questões sociais, políticas, econômicas e ambientais. Sendo assim, espera-se que o estudante mencione ou aponte conexões que interagem nesta perspectiva.

Para a interpretação dos dados, foram consideradas a frequência e o detalhamento ou intenção nas respostas, assim como a similaridade entre os elementos, optados para quantificar.

Neste estudo, compreendemos que, enquanto alguns estudantes definem Geografia de maneira ampla, porém vaga, como o estudo do mundo ou da Terra, sem especificar o que exatamente isso envolve, outros estudantes são capazes de oferecer definições mais completas e detalhadas.

Por exemplo, os Estudantes 1, 13, 14, 15 e 16 reconhecem que “a Geografia abrange não apenas aspectos físicos, como a natureza e os planetas, mas também essa variação nas respostas indica uma compreensão diversa do campo da Geografia entre os estudantes, com alguns deles mostrando uma visão mais holística que incorpora tanto os elementos naturais quanto os humanos e sociais, enquanto outros têm uma percepção mais limitada ou genérica. Isso sugere a importância de uma educação geográfica que aborde e clarifique a amplitude da disciplina, incluindo suas várias subáreas e enfoques, para que os estudantes possam desenvolver uma visão mais integrada e precisa do que a Geografia realmente estuda.

Apresentaremos algumas definições que destacam a importância de a Geografia ser ensinada de uma maneira que permita aos estudantes fazer conexões entre o conteúdo aprendido e as questões cotidianas. A compreensão geográfica vai além de simplesmente identificar que a Geografia estuda o mundo ou a Terra, ela envolve a capacidade de relacionar esses estudos com a complexidade do espaço geográfico, ou seja, como os elementos naturais e sociais interagem e se organizam simultaneamente. Estudante 2 e 12: mencionam que a Geografia é o “estudo dos mapas”.

Isso nos remete ao fato de alguns estudantes associarem a Geografia ao uso de mapas é significativo, pois estes são considerados essenciais na Geografia, pois permitem a visualização e compreensão dos diferentes aspectos do espaço geográfico, como terrenos, cidades, rios, e até padrões climáticos, identificando como se distribuem e se conectam. Essa associação dos mapas com a Geografia mostra que os estudantes entendem que a disciplina não apenas estuda o espaço, mas também como esse espaço é representado e analisado. São considerações importantes para o ensino de Geografia.

Por outro lado, a observação sobre a percepção de que a Geografia estuda, como a mencionada pelo Estudante 3 “o mundo, a superfície ou planeta Terra”, sugere uma compreensão que pode ser considerada superficial ou inicial, sem aprofundar nas interações complexas que ocorrem nesses espaços. Isso reforça a necessidade de um ensino de Geografia que não se limite a conceitos básicos, mas que estimule os estudantes a explorarem e compreenderem as relações dinâmicas entre os diversos elementos que compõem o espaço geográfico, como a distribuição da população, os impactos ambientais e a organização das sociedades.

Frequentemente em sala de aula, ouvimos que o ensino de Geografia, conforme o Estudante 4, “(...) está por todo lado, precisamos muito dela no dia a dia, a Geografia da sociedade até a natureza”. Assim como consta na afirmação dos Estudantes 5, 10 e 11, ao afirmarem que “[...] são as coisas do mundo que temos noção e pensamos”, exploram uma visão crítica e abrangente da Geografia como disciplina. São afirmações que sugerem que a Geografia vai além de uma simples descrição do mundo físico e social, englobando uma compreensão mais profunda das relações de poder, das desigualdades e das injustiças que se manifestam no espaço geográfico.

Entendemos que essas afirmações demonstram uma percepção de que a Geografia não é apenas o estudo estático de lugares, mas uma ferramenta para interpretar e questionar o mundo em que vivemos. São afirmações que indicam uma consciência de que a Geografia ajuda a entender tanto a natureza quanto a sociedade, e como essas dimensões interagem e são moldadas por forças maiores, muitas vezes ocultas.

A Geografia, neste sentido, se apresenta como uma disciplina que capacita os estudantes a serem críticos e conscientes das estruturas de poder que influenciam o espaço geográfico, como o sistema capitalista mencionado. Isso é fundamental para a formação de cidadãos capazes de identificar e denunciar as mazelas sociais, econômicas e ambientais que perpetuam desigualdades e segregam a sociedade. Ao entender a Geografia como o estudo de “todas as coisas do mundo”, os Estudantes 5, 8,9 e 17 reconhecem a diversidade e a complexidade do espaço geográfico, e como ele é influenciado por diversas forças, visíveis e invisíveis.

Portanto, a Geografia contribui para a formação de sujeitos que não apenas conhecem o mundo ao seu redor, mas que também são capazes de refletir criticamente sobre ele, identificando as relações de poder e as dinâmicas sociais que moldam o espaço em que vivem.

Com isso, a afirmação proposta pelos Estudantes 6 e 7, citam que a Geografia é o “estudo dos desastres naturais da Terra território”, o que demonstra uma compreensão de que a disciplina não se limita à descrição dos fenômenos, mas também abarca a análise das consequências e das desigualdades sociais envolvidas. Essa percepção é fundamental, pois traz à tona questões importantes como a vulnerabilidade social e a responsabilidade do Estado e da sociedade diante dos desastres ambientais.

Discussões vinculadas a temas que abarcam as populações mais pobres, sem acesso à educação, desempregadas e, muitas vezes, negras que vivem em áreas de risco, fazem com que a Geografia instigue nos estudantes a reflexão sobre as injustiças estruturais que permeiam a sociedade. Essas reflexões conduzem a questionamentos sobre o papel dos governos e das instituições responsáveis pela prevenção e mitigação de desastres naturais, bem como sobre as respostas ou falta delas dadas após a ocorrência de tais eventos.

Diante disso, a Geografia constrói noções espaciais importantes que permitem desenvolver uma consciência crítica sobre as condições que perpetuam a vulnerabilidade de certos grupos sociais. Isso tudo instiga o desenvolvimento de análises sobre o papel das políticas públicas e da sociedade em geral na construção de um espaço geográfico mais justo e equitativo.

A Geografia, ao tratar do estudo dos desastres naturais, vai além da análise dos fenômenos físicos, englobando também uma reflexão crítica sobre as interações entre sociedade e natureza, visto que essas interações são vivenciadas pelos estudantes no espaço em que estão inseridos, isso quando não sofrem ou já sofreram danos provocados por desastres ambientais. Motivo que permite ao estudante questionar as razões sociais, econômicas e políticas que levam determinadas populações a serem mais vulneráveis a esses eventos do que outras.

Popp (2023, p. 142) afirma que “a Geografia permite o desenvolvimento de habilidades para o sujeito identificar e elaborar representações que apresentam paisagens ligadas à sua intimidade, prospectando concepções conceituais com base teórico-científica”. E isso reverbera na formação integral do sujeito, enfatizando que o estudo dessa disciplina vai além do simples entendimento de paisagens físicas, permitindo o desenvolvimento de habilidades para identificar e criar representações dessas paisagens, o que envolve não só a observação do ambiente, mas também a conexão emocional e íntima com ele. Além disso, essa prática é fundamentada em conceitos teórico-científicos, o que promove uma compreensão mais profunda e crítica do mundo. Integrando esses aspectos, a Geografia contribui para a formação de um sujeito capaz de interpretar e interagir com o mundo de maneira mais completa e consciente.

De modo sintetizado, a análise das respostas dos estudantes demonstra a diversidade de percepções sobre a Geografia, variando desde compreensões mais amplas e críticas até concepções limitadas a elementos específicos, como mapas, desastres naturais ou planeta. Essa variação evidencia a importância de um ensino geográfico que vá além da memorização de conceitos básicos e possibilite aos estudantes estabelecerem conexões entre os fenômenos naturais e sociais, compreendendo as dinâmicas que moldam o espaço geográfico e que interagem com as vivências dos próprios sujeitos.

A Geografia, como ciência, desempenha um papel essencial na formação de cidadãos críticos e conscientes, permitindo a identificação das desigualdades socioespaciais e das relações de poder que estruturam a sociedade. Ao incentivar a análise das transformações do espaço e suas implicações, a disciplina contribui para o desenvolvimento de um olhar investigativo sobre o mundo, capacitando os estudantes a compreenderem e questionarem os processos que influenciam suas realidades. Isso reverbera numa sociedade mais justa e equânime.

Dessa forma, os resultados deste estudo reforçam a necessidade de um ensino de Geografia que estimule reflexões críticas e amplie a compreensão dos estudantes sobre a complexidade do espaço geográfico. A disciplina deve ser abordada de maneira dinâmica e contextualizada, permitindo que os estudantes reconheçam sua presença no cotidiano e sua relevância para a construção de um pensamento geográfico mais integrado e significativo.

A segunda pergunta se refere ao estudante identificar como a Geografia está presente no seu dia a dia, citando exemplos reais, sendo uma forma de identificar se o estudante compreende realmente a Geografia.

2) Você identifica a Geografia no seu dia-a-dia? Explique como:

Entendemos que a Geografia está presente em inúmeras situações e aspectos que permeiam nosso cotidiano, mesmo que de modo inconsciente. Vejamos, por exemplo, quando decidimos a melhor rota para chegar a um lugar, considerando a distância, o relevo e as condições do trânsito. Outra forma é quando observamos o clima e como ele influencia em nossas atividades diárias, como escolher o que vestir, calçar ou planejar um passeio.

Além disso, a Geografia está presente nas decisões de consumo, como a opção de alimentos produzidos na época específica do ano ou até mesmo a opção por produtos produzidos em uma determinada região, ou país, com uso ou não de agrotóxicos, ou até mesmo se são produzidos pela agricultura familiar. Ela está presente no modo como percebemos e nos relacionamos com o espaço ao nosso redor, como bairros, cidades, estações do ano, relevo e paisagens, pois é uma ciência que expressa o conhecimento geográfico.

Portanto, é natural e esperado que todos consigam identificar a Geografia no seu dia a dia, pois está intrinsecamente ligada às nossas experiências cotidianas. Dessa forma, é o que almeja o professor de Geografia, que o estudante não dissocie a Geografia ensinada na escola com a Geografia do dia a dia.

Dentre os relatos, os Estudantes 1, 5 e 6 mencionaram que “usamos a Geografia para explicar a dinâmica das ações no espaço, os dados populacionais, as capitais, nome de países”, e isso remete a uma Geografia descritiva, que usa o método para decifrar inúmeras questões que estão interconectadas umas às outras.

A abordagem descritiva é essencial porque permite que os estudantes organizem e compreendam informações sobre o mundo ao seu redor. Descrever detalhadamente os elementos geográficos facilita a construção de um conhecimento mais profundo, ajudando a decifrar as interconexões e interdependências que caracterizam o espaço geográfico. Entendemos que o ato de descrever não apenas simplifica questões aparentemente complexas, mas também estabelece um alicerce para que os estudantes possam avançar em sua compreensão geográfica, reconhecendo as diversas camadas de interações e processos que moldam o mundo em que vivem.

O estudante 2 citou que “para tudo é usado a Geografia, por exemplo, como as cidades estão organizadas plantação de alimento e também ao se localizar no mapa”. Nesta direção, pensar a Geografia como algo que está em tudo pode soar como uma pretensão muito grande para a disciplina. No entanto, relacionando as abordagens teóricas que ela aborda, quem sabe podemos entender essa descrição, pois é uma ciência que trabalha de maneira interdisciplinar e de forma frequente com outras disciplinas. A interdisciplinaridade que tem a interseção como aporte contribui na elucidação de várias temáticas discutidas pela ciência e, portanto, sendo este diálogo interdisciplinar, permite a troca de conhecimento e de experiências para ambas as ciências. Isso pode ser o resultado da interação da Geografia como ciência com outras disciplinas, como a Sociologia, a Filosofia, a Biologia, a História, entre outras, que permite compreender e explicar fenômenos complexos que envolvem o espaço geográfico. Essa interdisciplinaridade permite à Geografia contribuir para a elucidação de diversos temas, como o desenvolvimento urbano, a sustentabilidade ambiental e as dinâmicas demográficas, e nesse sentido, pode ser entendida como uma ciência que estuda tudo, conforme o Estudante 2 citou.

Esse engajamento cria um diálogo contínuo com outras ciências, o que enriquece não apenas a própria ciência geográfica, mas sim o avanço do conhecimento nas outras áreas do conhecimento, também. Essa troca de saberes e experiências é fundamental para uma compreensão mais holística e integrada do mundo, evidenciando a relevância da Geografia como uma ciência que, de fato, permeia muitos aspectos da realidade. Assim, a percepção do Estudante 2, embora ampla, ressalta o papel essencial da Geografia na articulação de conhecimentos e na construção de uma visão mais completa do mundo em que vivemos.

Alguns estudantes apresentaram exemplos bem diversos, e isso condiz com as abordagens da Geografia as quais são diversificadas, como exemplo o Estudante 3 “pisando no solo, respirando o ar que há no mundo”, ou conforme o Estudante 4, “porque a Geografia não é só mapas, estuda elementos que são da natureza, como árvores, animais, etc., até a sociedade que são pessoas”.

Os exemplos dados pelos estudantes 4 e 5 mostram como eles relacionam a Geografia com aspectos do cotidiano que lhes são familiares e relevantes. O Estudante 4 menciona “novos aprendizados que chegam até nós e novas tecnologias,” enquanto o Estudante 5 fala sobre “novos estudos do mundo, apreciando novas possibilidades, observando o nosso poder aquisitivo, novos tipos de tecnologia.” Essas observações refletem como a Geografia, através do estudo de temas contemporâneos, se conecta diretamente com a realidade vivenciada por eles.

A referência a “novos aprendizados” e “novas tecnologias” aponta para a capacidade da Geografia de se atualizar e incorporar questões emergentes, como a globalização, o desenvolvimento tecnológico e as mudanças socioeconômicas. Ao observar o “poder aquisitivo” e “novas possibilidades,” o Estudante 5 está, de fato, reconhecendo a Geografia como uma disciplina que analisa e interpreta as condições econômicas e sociais que influenciam as oportunidades e o bem-estar das pessoas.

Ao conectar o conteúdo geográfico com aspectos práticos e atuais, como tecnologia e economia, os estudantes demonstram uma compreensão de como a Geografia pode ser uma ferramenta para interpretar e responder às demandas do mundo moderno, fortalecendo sua relevância e aplicabilidade no dia a dia.

Os Estudantes 6, 7 e 8, respectivamente citam que: “a previsão do tempo, uso do Google Maps, observar rios, montanhas, mapas”, “clima, vegetação, relevo, olhando para a paisagem, no ar, no GPS, na natureza, na água, na religião, na cidade” e “lugares conhecidos pelo aluno”. Esses exemplos reforçam a ideia de que a Geografia é uma ciência aplicável e presente em múltiplos aspectos do cotidiano. Ela não se limita à sala de aula, mas é percebida pelos estudantes em suas interações diárias com o mundo ao seu redor. Isso destaca a importância de ensinar Geografia de forma que os estudantes possam relacionar o conhecimento teórico com suas próprias experiências, facilitando uma compreensão mais profunda e relevante da disciplina.

Aqui duas citações que foram concentradas de acordo com a resposta dos Estudantes 11, 12, 13, 14, 15 e 16, pois possuíam a proximidade e algumas vezes semelhanças nas respostas, ao citaram que “a Geografia é tudo”, ou, ainda, que está “em praticamente tudo que se vê”. Com isso, vemos que o objetivo do ensino de Geografia é provocar o estudante ao raciocínio geográfico, em que este exercite relacionar experiências ocorridas dentro e fora da escola aos conteúdos estudados em sala de aula, entendendo que estes se entrelaçam. Para isso, os conteúdos, assim como as disciplinas curriculares, jamais devem ser trabalhados como se estiverem enclausurados, isolados, visto que eles dialogam, tanto nos conteúdos como na realidade do sujeito, ao passo que nada está isolado no espaço.

Intencionalmente, o ensino de Geografia busca instigar no estudante a leitura de mundo, conforme apresentado por Callai (2005). Essa leitura de mundo abrange uma complexidade imensurável, vivenciada pelo sujeito em seu dia a dia, pois a Geografia deve ensinar o sujeito a desenvolver ou criar possibilidades de aprender a ler, interpretar, interagir, reagir e resolver/administrar as mais diversas situações postas no cotidiano, situações estas interdisciplinares, pois podem necessitar de duas ciências ou mais para que os acontecimentos sejam decifrados.

Neste sentido, a Geografia tem como objetivo orientar o sujeito a desenvolver a criticidade a partir de suas relações e interações que acontecem no espaço geográfico. Para isso, o ensino de Geografia contribui nessa perspectiva de formação emancipatória, como afirmado por Freire (2010, p. 46-47): “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou sua construção”.

Isso significa que o ensino deve ser um processo que estimula os estudantes a pensar criticamente, explorar e construir seu próprio entendimento. Ao invés de simplesmente repassar informações de maneira passiva, o professor deve criar um ambiente onde os estudantes possam interagir com o conhecimento, fazer perguntas, experimentar e conectar o que aprendem com suas próprias vivências e contextos.

Esse tipo de abordagem é especialmente relevante na Geografia, onde o entendimento do espaço geográfico e dos processos que nele ocorrem requerem a aplicação de conceitos a situações reais e a compreensão das inter-relações entre diferentes fatores. Entendemos que quando os estudantes estão envolvidos na construção do conhecimento geográfico, eles desenvolvem uma compreensão mais profunda e crítica do mundo, o que é essencial para sua formação como cidadãos conscientes e ativos.

Conforme Popp (2023, p. 138), na escola é fundamental “orientar as discussões e interpretações das apreensões e, por fim, ensinar os estudantes a estabelecer distâncias críticas de informações que não agregam conhecimento e criticidade a eles”; e, assim como deve aproximar do conhecimento que é emancipatório, o contrário também precisa ser discutido na sala de aula. Diante do exposto, cabe à Geografia criar subsídios para pensar criticamente a realidade espacial, enquanto o professor tem o compromisso de instigar o sujeito a desenvolver este pensamento crítico.

Dessa forma, sintetizando a análise das respostas evidenciou-se que os estudantes percebem a Geografia como uma ciência presente em seu cotidiano, ainda que de maneiras distintas, porém, alguns a associam a elementos concretos, como mapas, clima e relevo, outros a compreendem de forma mais ampla, reconhecendo sua relação com aspectos sociais, econômicos e tecnológicos.

As respostas demonstram uma diversidade nas respostas dos estudantes referente à importância do ensino geográfico, o qual vai além da memorização de conceitos e promove conexões entre o conhecimento escolar, assim como dialoga com as experiências diárias dos estudantes. A interdisciplinaridade também se revela essencial, pois a Geografia está associada a outras áreas do saber, possibilitando uma compreensão mais aprofundada da realidade.

Além disso, a percepção da Geografia como um instrumento para interpretar e interagir com o mundo reforça seu papel na formação de cidadãos críticos e conscientes. Dessa forma, o ensino de Geografia deve estimular a leitura do espaço geográfico e fomentar reflexões sobre as relações de poder, as desigualdades socioespaciais e os desafios ambientais, tornando o aprendizado significativo e aplicável à vida cotidiana.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Analisar o pensamento e as abordagens que o estudante constrói em relação ao ensino de Geografia é como se preparar para o combate, pois construir um pensamento crítico no sujeito é algo desafiador nos dias atuais, visto que o interesse em homogeneizar a aprendizagem, bem como sucatear as escolas e controlar o ensino é algo notório em nossa sociedade pela maioria dos governos. Sendo assim, considerar quais compreensões geográficas os estudantes adquiriram durante o Ensino Fundamental é um prognóstico importante para o professor de Geografia da Educação Básica. Para isso, foram realizadas duas perguntas semiestruturadas, sendo 1) O que você entende por Geografia? Faça uma definição com suas palavras. E a questão 2) Você identifica a Geografia no seu dia-a-dia? Explique como: São inquietações que resultaram da docência exercida pelas autoras em escolas da educação básica, resumidas em duas perguntas com tema focal desta pesquisa. Para isso, estabelecemos como objetivo identificar o que os estudantes do Nono Ano em uma escola municipal na cidade de Maravilha entendem por Geografia.

Com o exposto acima, as abordagens podem não apontar fielmente o entendimento que o estudante possui, mas servem como análise do trabalho realizado em sala de aula, bem como, para futuras abordagens geográficas. São falas que trazem, em sua maioria, uma compressão satisfatória ao relacionarem o ensino escolar com as vivências, e isso efetiva a aprendizagem de fato, pois influências ou movimentações que ocorrem dentro da escola devem estar interagindo com o cotidiano do sujeito. Diante disso, entende-se que o aprendizado é uma troca de conhecimentos entre o que o professor ensina e o estudante aprende, efetivando e ressignificando trocas de saberes, formando uma conexão entre ambos.

Isso permite destacar a importância de conectar o ensino escolar com as experiências cotidianas dos estudantes, algo que se revela essencial para uma aprendizagem significativa. Quando o conhecimento adquirido na escola é relacionado diretamente às vivências dos estudantes, ele se torna mais relevante e aplicável, o que facilita a compreensão e absorção na aprendizagem.

A interação entre o professor e o estudante é vista como uma troca de conhecimentos, onde ambos os lados contribuem para o processo educativo. É um intercâmbio de saberes que fortalece a relação entre professor e estudante, como também enriquece o processo de aprendizagem, permitindo que o conhecimento seja constantemente ressignificado e adaptado às realidades dos estudantes, assim como a outras realidades que o professor encontrará em sala de aula.

Diante disso, compreender como o ensino pode interferir e moldar a constituição das vidas humanas é uma questão de grande relevância, que exige uma abordagem cuidadosa, contínua de humano para humano. O reconhecimento de que a educação não é apenas uma transmissão de conteúdo, mas uma construção coletiva que influencia profundamente a formação dos indivíduos, reforça a necessidade de um olhar mais atento e crítico sobre as práticas educacionais e suas implicações na sociedade. Visto que esse estudante é a sociedade, pertence à sociedade. Claro que, tem-se muito ainda a pesquisar, estudar e analisar sobre essa temática, pois são construções que interferem na constituição de vidas humanas e que merecem mais atenção pelos professores de Geografia.

REFERÊNCIAS

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Contribuições de autoria

1 – Daniele Crislei Czuy Manosso

Professora na Educação Básica da Rede Estadual do Paraná, Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Geografia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) – Campus de Francisco Beltrão-PR. Integrante do Grupo de Pesquisa Educação e Ensino de Geografia (GPEG).

https://orcid.org/0009-0001-1420-7622 – e-mail: dcc.manosso@gmail.com

Contribuição: Leitura e revisão

2 – Eliane Terezinha Thiago Popp

Professora da Educação Básica do Estado de Santa Catarina. Doutoranda em Geografia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) – Campus de Francisco Beltrão-PR. Integrante do Grupo de Pesquisa Educação e Ensino de Geografia (GPEG).

https://orcid.org/0000-0002-7054-3786 – e-mail: elianethiago06@yahoo.com.br

Contribuição: Escrita: Primeira redação e revisão

3 – Najla da Silva Mehanna

Professora Associada da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) – Campus de Francisco Beltrão – Curso de Geografia e Programa de Pós-Graduação – Mestrado e Doutorado. Coordenadora e integrante do Grupo de Pesquisa Educação e Ensino de Geografia (GPEG).

https://orcid.org/0000-0002-7403-8197,

E-mail: najlamehanna@gmail.com

Contribuição: Escrita e revisão

4 – Valquíria Wisniewski Konzen

Professora da Educação do Estado do Paraná, Mestranda em Geografia, pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) – Campus de Francisco Beltrão-PR. Integrante do Grupo de Pesquisa Educação e Ensino de Geografia (GPEG).

https://orcid.org/0009-0008-7510-4054 – e-mail: valquiriawkonzen@hotmail.com

Contribuição: Leitura e revisão

Como citar este artigo

MANOSSO, D. C. C.; POPP, E. T. T.; MURMUL, N. M.; KONZEN, V. W. A geografia apreendida no ensino escolar: estudo realizado em uma escola do município de Maravilha, em Santa Catarina-Brasil. Geografia Ensino & Pesquisa, Santa Maria, v. 29, e88899, 2025. Disponível em: 10.5902/2236499488899. Acesso em: xx/xx/xx