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Universidade Federal de Santa Maria

Geografia Ensino e Pesquisa, Santa Maria, v. 29, e84886, 2025

DOI: 10.5902/2236499484886

ISSN 2236-4994

Submissão: 24/08/2023 • Aprovação: 23/12/2024 • Publicação: 10/03/2025

1 INTRODUÇÃO.. 4

2 METODOLOGIA.. 6

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO.. 8

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS. 17

REFERÊNCIAS. 20

Contribuição de autoria. 22

Como citar este artigo. 22

 

Meio Ambiente, Paisagem e Qualidade Ambiental

A Bacia do Rio Uruguai sob pressão no Brasil: esgotos domésticos, dejetos animais e agrotóxicos

The Uruguay river basin under pressure in Brazil: domestic sewage, animal waste, and pesticides

 

La cuenca del río Uruguai bajo presión en Brasil: aguas residuales domésticas, desechos animales y pesticidas

Sonia Corina HessIÍcone

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IUniversidade Federal de Santa Catarina, Curitibanos, SC, Brasil

RESUMO

A Bacia do Rio Uruguai abrange uma área de aproximadamente 174.500 km² no Brasil, localizada nos Estados de Santa Catarina (27%) e do Rio Grande do Sul (73%). O objetivo do trabalho é apresentar dados relativos ao tratamento de esgotos, à geração de dejetos na pecuária e ao uso de agrotóxicos na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai no Brasil, a partir da consulta a bancos de dados disponibilizados pelo governo brasileiro e pela literatura científica. Descreve-se que, em 2021, naquela região: havia mais de 4,7 milhões de habitantes; 82,5% dos esgotos domésticos gerados eram lançados no ambiente sem tratamento adequado; havia rebanho de 9,6 milhões de bovinos, 10,4 milhões de suínos e 14,2 milhões de galinhas, com quantidades de excretas geradas no seu ciclo de vida estimadas em, respectivamente, 469,3 milhões de toneladas, 20,8 milhões de toneladas e 563,7 toneladas; em 716.186 hectares, havia plantações de milho e, em 4.730.097 hectares, de soja, onde estima-se que tenham sido aplicadas 5.300 e 83.723  toneladas de agrotóxicos, respectivamente; em 15 municípios de Santa Catarina foi aferida a presença de agrotóxicos em águas de abastecimento; em 6 microrregiões do Estado do Rio Grande do Sul, e em 5 de Santa Catarina, as taxas de mortalidade por câncer e por suicídio, para ambos os sexos, bem como a incidência de anomalias congênitas superaram os índices nacionais entre 2010 e 2020. Os dados apresentados revelam haver fontes de poluição que repercutem em riscos à qualidade ambiental e à saúde humana na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai no território brasileiro.

Palavras-chave: Santa Catarina; Rio Grande do Sul; Agricultura; Pecuária

ABSTRACT

The Uruguay River Basin covers an area of ​​approximately 174,500 km² in Brazil, located in the States of Santa Catarina (27%) and Rio Grande do Sul (73%). The objective of the work is to present data related to sewage treatment, the generation of waste in livestock farming, and the use of pesticides in the area covered by the Uruguay River Basin in Brazil, based on consultation of databases made available by the Brazilian government and the scientific literature. It is described that, in 2021, in that region: there were more than 4.7 million inhabitants; 82.5% of domestic sewage generated was released into the environment without adequate treatment; there was a herd of 9.6 million cattle, 10.4 million pigs and 14.2 million chickens, with amounts of excreta generated in their life cycle estimated at, respectively, 469.3 million tons, 20.8 million of tons and 563.7 tons; on 716,186 hectares there were corn plantations and on 4,730,097 hectares, soybeans, where it is estimated that 5,300 and 83,723 tons of pesticides were applied, respectively; in 15 municipalities in Santa Catarina, the presence of pesticides in the water supply was measured; and in 6 micro-regions of the State of Rio Grande do Sul and 5 of Santa Catarina, mortality rates from cancer and suicide, for both sexes, as well as the incidence of congenital anomalies surpassed national rates between 2010 and 2020. The data presented reveal that there are sources of pollution that pose risks to environmental quality and human health in the area covered by the Uruguay River Basin in Brazilian territory.

Keywords: Santa Catarina; Rio Grande do Sul; Agriculture; Livestock

RESUMEN

La Cuenca del Río Uruguay cubre una superficie aproximada de 174.500 km² en Brasil, ubicada en los Estados de Santa Catarina (27%) y Rio Grande do Sul (73%). El objetivo del trabajo es presentar datos relacionados con el tratamiento de aguas residuales, la generación de residuos en la ganadería y el uso de pesticidas en el área cubierta por la Cuenca del Río Uruguay en Brasil, a partir de la consulta de bases de datos puestas a disposición por el gobierno brasileño y la literatura científica. Se describe que, en 2021, en esa región: había más de 4,7 millones de habitantes; El 82,5% de las aguas residuales domésticas generadas fueron vertidas al medio ambiente sin tratamiento adecuado; se contaba con un rebaño de 9,6 millones de bovinos, 10,4 millones de cerdos y 14,2 millones de pollos, con cantidades de excrementos generados en su ciclo de vida estimados en, respectivamente, 469,3 millones de toneladas, 20,8 millones de toneladas y 563,7 toneladas; en 716.186 hectáreas hubo plantaciones de maíz y en 4.730.097 hectáreas, de soja, donde se estima que se aplicaron 5.300 y 83.723 toneladas de plaguicidas, respectivamente; en 15 municipios de Santa Catarina se midió la presencia de pesticidas en el suministro de agua; y en 6 microrregiones del Estado de Rio Grande do Sul y 5 de Santa Catarina, las tasas de mortalidad por cáncer y suicidio, para ambos sexos, así como la incidencia de anomalías congénitas superaron las tasas nacionales entre 2010 y 2020. Los datos presentados revelan que existen focos de contaminación que presentan riesgos para la calidad ambiental y la salud humana en el área que abarca la cuenca del río Uruguay en territorio brasileño.

Palabras-clave: Santa Catarina; Rio Grande do Sul; Agricultura; Ganado

1 INTRODUÇÃO

A Bacia do Rio Uruguai possui 2.200 quilômetros de extensão e se origina da confluência dos rios Pelotas e Canoas, entre os municípios de Campos Novos e Celso Ramos, no Estado de Santa Catarina. É delimitada ao norte e nordeste pela Serra Geral, ao sul pela fronteira com o Uruguai, a leste pela Depressão Central Riograndense e a oeste pela Argentina. Abrange uma área de aproximadamente 384.000 km², dos quais cerca de 174.500 km² situam-se no Brasil, área equivalente a 2% do território nacional. Sua porção brasileira é formada por 45.600 km² no Estado de Santa Catarina (27%), incluindo 148 municípios e 128.900 km² (73%) no Estado do Rio Grande do Sul, abrangendo 223 municípios (Cravo, 2009; Querol et al., 2022).

Em trabalhos técnicos, têm sido descritos impactos ambientais sobre a Bacia do Rio Uruguai no Brasil, relacionados ao lançamento de esgotos domésticos in natura e de dejetos animais em suas áreas rurais; poluição por agrotóxicos e por efluentes de indústrias de celulose; e mineração (Cravo, 2009; FEPAM, 2023; Querol et al., 2022).

Diante do contexto exposto, no presente trabalho são apresentados os seguintes dados, relativos às microrregiões e aos municípios inseridos na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai, nos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, no ano de 2021: população residente; índices de tratamento de esgotos domésticos; número de animais, em rebanhos, de bovinos, suínos e galinhas, e estimativa das respectivas quantidades de excretas geradas; áreas plantadas com milho e soja, e estimativa das quantidades de agrotóxicos aplicados naquelas culturas; estudo da presença de agrotóxicos em águas de abastecimento de municípios de Santa Catarina; e das taxas de mortalidade por câncer e suicídio e da incidência de anomalias congênitas em microrregiões daquela bacia hidrográfica.

O objetivo é contribuir para o conhecimento de fatores que têm pressionado as áreas de abrangência da Bacia do Rio Uruguai no Brasil, com repercussões na qualidade ambiental e na saúde humana.

2 METODOLOGIA

2.1 Os municípios que estão inseridos na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai no Brasil

A lista dos municípios que estão inseridos na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai no Brasil foi compilada a partir dos dados descritos por Cravo (2009) e pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul - SEMA (2023).

A população daqueles municípios e das respectivas 24 microrregiões em que estão inseridos (7 em Santa Catarina e 17 no Rio Grande do Sul), foi transcrita a partir das estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE para o Tribunal de Contas da União – TCU, de população residente, em 2021, a mais recente disponível (IBGE, 2021a). As microrregiões de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul inseridas na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai estão em destaque na Figura 1.

Figura 1 – Mapa das microrregiões de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul inseridas e não inseridas na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai

Mapa

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2.2 Os índices de tratamento de esgotos nos municípios e microrregiões inseridos na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai no Brasil

Os índices de tratamento de esgotos por consumo em 2021 para as microrregiões inseridas na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai foram calculados por média ponderada, a partir dos respectivos parâmetros, registrados para os municípios, no mapa de indicadores de esgoto do painel de saneamento do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – SNIS, e a população de cada município. Os índices de tratamento de esgoto por consumo disponibilizados no SNIS são calculados a partir da quantidade de esgoto tratado com relação à quantidade de água de abastecimento fornecida (SNIS, 2021).

2.3 A geração de excretas animais na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai no Brasil

O número de animais, em rebanhos, de bovinos, suínos e galinhas, em 2021, nas microrregiões sob estudo, foram transcritos a partir das tabelas 2.21 e 2.24, para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, respectivamente, descritos na Pesquisa da Pecuária Municipal – PPM, do IBGE (2021b). A quantidade de excretas geradas pelos animais daqueles rebanhos em todo o seu ciclo de vida foi estimada a partir dos parâmetros de nutrição, desenvolvimento corporal e manejo dos animais, descritos por Felipe (2018).

2.4 O uso de agrotóxicos nas microrregiões inseridas na área de influência da Bacia do Rio Uruguai

As áreas plantadas com soja e milho em 2021 nas microrregiões sob estudo foram transcritas a partir dos dados da Produção Agrícola Municipal – PAM, do IBGE, tabela 1612 (IBGE, 2021c). As quantidades de agrotóxicos aplicados nos cultivos de soja e de milho foram estimadas a partir dos parâmetros do uso de agrotóxicos por hectare para aquelas culturas, descritos por Pignati e colaboradores (2017).

Todas as informações são relativas apenas aos municípios que fazem parte da Bacia do Rio Uruguai. Os dados dos municípios que não estão inseridos na área de abrangência daquela bacia hidrográfica foram excluídos dos parâmetros descritos.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 A população e os índices de tratamento de esgoto doméstico na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai no Brasil

Tabela 1 – População e índices de tratamento de esgotos domésticos por consumo nas microrregiões de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul inseridas na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai, referentes ao ano de 2021

        Microrregiões

Populaçãoa

% Tratamento

esgoto/consumob

SANTA CATARINA

São Miguel do Oeste

180.415

9,4%

Chapecó

459.354

19,3%

Xanxerê

165.567

8,7%

Joaçaba

356.478

12,8%

Concórdia

148.127

3,5%

Curitibanos

130.127

47,4%

Campos de Lages

285.639

23,2%

Total SC

1.725.707

17,3%

RIO GRANDE DO SUL

Santa Rosa

156.452

11,9%

Três Passos

139.894

0,0%

Frederico Westphalen

168.055

0,3%

Erechim

215.057

0,0%

Sananduva

60.058

0,0%

Cerro Largo

63.537

0,0%

Santo Ângelo

189.169

14,5%

Ijuí

192.477

4,7%

Carazinho

164.687

0,0%

Passo Fundo

283.856

19,2%

Cruz Alta

78.411

11,2%

Vacaria

119.548

0,0%

Santiago

108.411

16,9%

Santa Maria

352.173

39,0%

Campanha Ocidental

355.945

38,2%

Campanha Central

177.044

26,0%

Campanha Meridional

171.615

17,0%

Total RS

2.996.389

17,6%

Total SC e RS

4.722.096

17,5%

Fontes: aIBGE, 2021a; bSNIS, 2021. Organizado pelos autores em agosto de 2023

Na Tabela 1 são listadas as sete microrregiões do estado de Santa Catarina e as 17 do estado do Rio Grande do Sul nas quais estão os municípios inseridos na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai, e os respectivos números de habitantes para o ano de 2021 (Cravo, 2009; IBGE, 2021a, 2023; SEMA, 2023).

Em Santa Catarina, a população estimada naquela bacia hidrográfica foi de 1.725.707 habitantes, e no Rio Grande do Sul, de 2.996.389 habitantes, totalizando 4.722.096 habitantes em 2021. Os índices descritos na Tabela 1 revelam que, em Santa Catarina, no conjunto das 7 microrregiões inseridas na Bacia do Rio Uruguai, apenas 17,3% dos esgotos gerados recebiam tratamento.

No Rio Grande do Sul, no conjunto das 17 microrregiões inseridas na Bacia do Rio Uruguai, o índice de tratamento de esgoto foi de 17,6% (SNIS, 2021).

O índice total de tratamento de esgotos nas microrregiões de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul inseridas na Bacia do Rio Uruguai foi de apenas 17,5% em 2021. Considerando que a população totalizou mais de 4,7 milhões de pessoas em 2021, o lançamento no ambiente, sem tratamento adequado, de 82,5% dos esgotos domésticos gerados, constitui relevante fator de risco à qualidade ambiental da Bacia do Rio Uruguai no Brasil.

O número de habitantes e os percentuais de tratamento de esgoto por consumo nos municípios com mais de 20.000 habitantes inseridos na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul (IBGE, 2021a; SNIS, 2021) revelaram que, em apenas quatro daqueles municípios, os índices de tratamento de esgoto eram superiores a 50% em 2021: Campos Novos/SC, 36.861 habitantes, 96% dos esgotos domésticos tratados; Herval D’Oeste/SC, 22.820, 80%; Quaraí/RS, 22.531, 72%; e Uruguaiana/RS, 126.766, 64%. Por outro lado, em municípios inseridos naquela bacia hidrográfica, com mais de 100.000 habitantes, os índices de tratamento eram baixos em 2021: Chapecó/SC - 227.587 habitantes, 39% dos esgotos domésticos tratados; Lages/SC – 157.158, 33%; Bagé/RS – 121.518, 21%; Erechim/RS – 107.368, 0%; Passo Fundo/RS – 206.103, 27%; e Santa Maria/RS – 285.159, 48%.

O novo marco legal do saneamento (Lei número 14.026, de 15 de julho de 2020), regulamentado pelos decretos 11.466/2023 e 11.467/2023, estabeleceu metas de atendimento de 99% da população com água potável, e 90% com coleta e tratamento de esgotos, até 2033. A estimativa é de que, para que aquelas metas sejam alcançadas, são necessários investimentos da ordem de 44,8 milhões de reais por ano, mais do que o dobro da média do que tem sido investido anualmente nos últimos cinco anos, de 20 bilhões de reais (Velasco, 2023).

3.2 O número de animais, em rebanhos, bovinos, suínos e galinhas, e a estimativa das quantidades de excretas geradas na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai no Brasil

Os dados relativos à pecuária nas microrregiões dos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul inseridas na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai apresentados na Tabela 2 revelam que, em 2021, havia rebanho de 9.607.483 bovinos, 10.364.385 suínos e 14.231.341 galinhas (IBGE, 2021b), estimando-se segundo os parâmetros descritos por Felipe (2018), que tenham gerado, em seu ciclo de vida completo, respectivamente, 469.331.424,5, 20.761.844,7 e 563.708,8 toneladas de excretas.

A grande quantidade de dejetos gerados na pecuária industrial, sem tratamento adequado, tem sido citada como importante fator gerador de degradação ambiental naquela bacia hidrográfica (Cravo, 2009; FEPAM, 2023; Miranda, 2011; Querol et al., 2022).

Conforme foi descrito por Calza e colaboradores (2015), existem diversos processos para o tratamento de dejetos animais, sendo a biodigestão anaeróbia uma tecnologia eficiente, permitindo a obtenção do biogás e do biofertilizante, cuja disponibilidade, além de render retorno financeiro para amortizar o custo de instalação da tecnologia, soluciona o problema da disposição destes resíduos no meio ambiente.

O biofertilizante é de um fertilizante natural rico em nitrogênio. O biogás é uma mistura gasosa com potencial combustível, composta principalmente por metano (CH4) e gás carbônico (CO2), que pode ser utilizado na geração de energia elétrica e no aquecimento. A geração de energia elétrica pode ser feita pela queima do biogás em turbinas, microturbinas e em motores do ciclo Otto e diesel, devidamente adaptados, sendo considerada uma fonte energética limpa e apropriada ao uso em propriedades rurais (Calza et al., 2015). Por outro lado, a queima e o aproveitamento energético do biogás assim gerado são apontados como ferramentas para que sejam alcançados os Objetivos do Desenvolvmento Sustentável da Organização das Nações Unidas – ONU (Lins et al., 2022).

Portanto, a ampliação do tratamento em biodigestores, dos dejetos animais gerados na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai no Brasil, poderia proporcionar melhoria da qualidade ambiental, ao evitar-se a poluição do solo e dos recursos hídricos, resultantes da disposição incorreta de tais resíduos. Também haveria benefícios econômicos para os produtores, a partir da geração de energia nas propriedades rurais e do uso do biofertilizante como adubo.

Tabela 2 – Número de animais, em rebanhos, de bovinos, suínos e galinhas, e estimativa das quantidades de excretas geradas nas microrregiões de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul inseridas na Bacia do Rio Uruguai, referentes ao ano de 2021

Microrregião

aNúmero bovinos

a,bExcretas bovinos, toneladas

aNúmero suínos

a,bExcretas suínos, toneladas

aNúmero galinhas

a,bExcretas galinhas, toneladas

SANTA CATARINA

São Miguel do Oeste

509.709

24.899.596,6

1.126.330

2.252.376,7

797.185

31.295,9

Chapecó

665.707

32.520.194,4

1.310.966

2.621.602,3

1.795.633

70.493,0

Xanxerê

234.569

11.458.839,2

566.127

1.132.111,6

2.740.748

107.596,4

Joaçaba

424.280

20.726.337,7

1.669.276

3.338.132,1

2.233.379

87.678,0

Concórdia

291.201

14.225.347,1

1.812.834

3.625.212,0

659.217

25.879,6

Curitibanos

213.284

10.419.053,9

278.903

557.735,9

633.510

24.870,4

Campos de Lages

580.661

28.365.645,2

40.007

80.003,9

361.210

14.180,4

Total SC

2.919.411

142.615.014,1

6.804.443

13.607.174,6

9.220.882

361.993,6

RIO GRANDE DO SUL

Santa Rosa

202.267

9.880.866,7

419.594

839.082,5

258.382

10.143,6

Três Passos

163.005

7.962.894,0

634.243

1.268.326,5

249.410

9.791,3

Frederico Westphalen

241.405

11.792.782,0

983.704

1.967.160,6

444.220

17.439,2

Erechim

206.448

10.085.111,1

536.479

1.072.823,1

1.083.133

42.521,7

Sananduva

119.734

5.849.079,2

100.203

200.380,8

316.960

12.443,2

Cerro Largo

147.735

7.216.945,2

297.837

595.599,1

173.457

6.809,6

Santo Ângelo

466.891

22.807.911,1

93.493

186.962,5

168.285

6.606,5

Ijuí

136.278

6.657.263,7

68.845

137.672,7

151.553

5.949,7

Carazinho

108.938

5.321.688,0

254.928

509.791,9

150.638

5.913,8

Passo Fundo

95.825

4.681.109,9

69.038

138.058,6

773.416

30.362,8

Cruz Alta

74.690

3.648.652,2

8.954

17.905,7

95.199

3.737,3

Vacaria

296.523

14.485.330,0

9.545

19.087,6

852.150

33.453,7

Santiago

507.192

24.776.639,6

13.136

26.268,7

40.035

1.571,7

Santa Maria

465.875

22.758.278,9

19.471

38.937,1

145.994

5.731,4

Campanha Ocidental

1.768.781

86.406.034,4

50.472

100.931,3

107.627

4.225,2

Campanha Central

1.017.657

49.713.167,3

11.180

22.357,2

87.090

3.419,0

Campanha Meridional

668.828

32.672.657,1

6.663

13.324,3

40.642

1.595,5

Total RS

6.688.072

326.716.410,4

3.559.942

7.154.670,1

5.010.459

201.715,2

Total SC e RS

9.607.483

469.331.424,5

10.364.385

20.761.844,7

14.231.341

563.708,8

Fontes: aIBGE, 2021b; bFelipe, 2018. Organizado pelos autores, em agosto de 2023

3.3 Os cultivos de soja e milho, agrotóxicos e impactos na saúde, na Bacia do Rio Uruguai no Brasil

Nos dados da produção agrícola municipal do IBGE (2023c) apresentados na Tabela 3, consta que nas microrregiões de Santa Catarina inseridas na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai, as áreas cultivadas com milho em 2021 totalizaram 242.898 hectares, e, com soja, 506.192 hectares. No Rio Grande do Sul, foram 473.288 hectares cultivados com milho e 4.223.905 hectares com soja. Somando-se as áreas cultivadas naqueles dois estados, em 2021 havia 716.186 hectares com plantações de milho e 4.730.097 hectares cultivados com soja, na área da Bacia do Rio Uruguai, em território brasileiro. Aplicando-se os parâmetros descritos por Pignati e colaboradores (2017), estima-se que em 2021 foram utilizadas 5.300 toneladas de agrotóxicos nas plantações de milho, e 83.723 toneladas de agrotóxicos nas de soja.

Entre janeiro de 2018 e dezembro de 2019, o Ministério Público do Estado de Santa Catarina promoveu a realização de análises de águas de abastecimento de 175 municípios quanto à presença de 204 ingredientes ativos de agrotóxicos. Em sistemas de abastecimento de 60 municípios de Santa Catarina, foi aferida a presença de agrotóxicos, sendo que, em 50, as águas de abastecimento não atenderiam aos parâmetros de potabilidade vigentes na União Europeia, onde a concentração máxima permitida para cada ingrediente ativo presente na água é de 0,1 µg/L, e a soma dos ingredientes ativos não pode ultrapassar 0,5 µg/L (União Europeia, 2024).

Tabela 3 – Áreas plantadas com milho e com soja, e estimativa das quantidades de agrotóxicos aplicados, nas microrregiões de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul inseridas na Bacia do Rio Uruguai, referentes ao ano de 2021

Microrregião

a Área plantada milho, hectares

a,b Quantidade de agrotóxicos aplicados (estimativa), kg

a Área plantada soja, hectares

a,b Quantidade de agrotóxicos aplicados (estimativa), kg

SANTA CATARINA

São Miguel do Oeste

25.534

188.952

39.096

691.999

Chapecó

43.374

320.968

97.520

1.726.104

Xanxerê

29.600

219.040

140.080

2.479.416

Joaçaba

63.660

471.084

49.060

868.362

Concórdia

20.250

149.850

6.810

120.537

Curitibanos

26.260

194.324

103.546

1.832.764

Campos de Lages

34.220

253.228

70.080

1.240.416

Total SC

242.898

1.797.445

506.192

8.959.598

RIO GRANDE DO SUL

Santa Rosa

37.913

280.556

123.248

2.181.490

Três Passos

44.886

332.156

158.100

2.798.370

Frederico Westphalen

45.860

339.364

167.550

2.965.635

Erechim

41.208

304.939

191.728

3.393.586

Sananduva

17.500

129.500

140.850

2.493.045

Cerro Largo

19.311

142.901

74.949

1.326.597

Santo Ângelo

54.502

403.315

506.052

8.957.120

Ijuí

22.785

168.609

316.202

5.596.775

Carazinho

40.650

300.810

301.310

5.333.187

Passo Fundo

27.975

207015

265.370

4.697.049

Cruz Alta

16.000

118400

317.032

5.611.466

Vacaria

43.150

319310

178.410

3.157.857

Santiago

11.383

84234

494.510

8.752.827

Santa Maria

10.140

75036

214.402

3.794.915

Campanha Ocidental

27.980

207.052

338.692

5.994.848

Campanha Central

7.150

52.910

225.000

3.982.500

Campanha Meridional

4.895

36.223

210.500

3.725.850

Total RS

473.288

3.502.330

4.223.905

74.763.117

Total SC e RS

716.186

5.299.775

4.730.097

83.722.715

Fontes: aIBGE, 2023b; bPIGNATI et al., 2017. Organizado pelos autores em agosto de 2023

Na Tabela 4 são apresentados os resultados das análises de águas de abastecimento de 15 municípios da Bacia do Rio Uruguai em Santa Catarina, em que foi aferida a presença de agrotóxicos. As análises revelaram que as águas de abastecimento não atenderiam aos parâmetros de potabilidade da União Europeia em 9 daqueles municípios: Formosa do Sul, Jardinópolis, Quilombo, Água Doce, Catanduvas, Treze Tílias, Vargem Bonita, Lindóia do Sul e Santa Cecília (Hess, 2020; Lorenz et al., 2021). Todos os princípios ativos aferidos nas águas analisadas estavam presentes em concentrações inferiores ao limite máximo de resíduos (LMR) estabelecido na Portaria GM/MS número 888 de 2021, do Ministério da Saúde. Entretanto, tal contexto não significa ausência de riscos à saúde dos consumidores. Por exemplo, na água de abastecimento de Santa Cecília foi aferida a presença de glifosato, na concentração de 20,86 microgramas por litro (µg/L), inferior ao LMR de 500 µg/L estabelecido na Portaria GM/MS 888/2021. Por outro lado, na União Europeia, o limite máximo de glifosato na água é de 0,1 µg/L, 5000 vezes menor do que no Brasil.

Dentre os 13 ingredientes ativos cuja presença foi aferida em águas de abastecimento de municípios inseridos na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai em Santa Catarina (Tabela 4), 7 não têm uso autorizado na União Europeia (2023): atrazina (banimento em 2004); carbendazim (2009); ciproconazol (2011); clorpirifós etílico (2009); diurom (2009); imidacloprido (2009); e simazina (2004). A presença desses agrotóxicos em águas de abastecimento constitui-se em sério fator de risco à saúde da população exposta, uma vez que apresentam propriedades como: desregulação endócrina; mutagênese e carcinogênese; efeitos sobre o sistema neurológico, incluindo indução de autismo em crianças; entre outros (Hess, 2018, 2020; Lopes-Ferreira et al., 2022).

Outro dado preocupante apresentado na Tabela 4 é a presença de resíduos de agrotóxicos nas águas de abastecimento de mananciais subterrâneos, uma vez que a depuração de poluentes em águas subterrâneas é um processo complexo, que em geral demanda longos períodos de tempo para se efetivar (USGS, 2018).

Por outro lado, estudo divulgado por Hess e colaboradores (2023) revelou que 11 microrregiões que fazem parte da Bacia do Rio Uruguai apresentaram índices acima das taxas nacionais do período compreendido entre 2010 e 2020, para a mortalidade por câncer e suicídio, para ambos os sexos, e para a incidência de anomalias congênitas: Chapecó, Xanxerê, Joaçaba, Concórdia e Campos de Lages, em Santa Catarina; e Erechim, Santo Ângelo, Cruz Alta, Santiago, Santa Maria e Campanha Ocidental, no Rio Grande do Sul. Conforme foi descrito pelos autores, tais resultados podem estar associados à presença de substâncias tóxicas no ambiente daquelas microrregiões (Hess et al., 2023).

Tabela 4 – Ingredientes ativos de agrotóxicos aferidos em águas de abastecimento de municípios de Santa Catarina inseridos na Bacia do Rio Uruguai entre janeiro de 2018 e dezembro de 2019

Microrregião

Município

Ingredientes ativos

Concentração, µg/L

Manancial

Chapecó

Formosa do Sul

Imidacloprido

0,134

Superficial

Jardinópolis

Atrazina

0,113

Subterrâneo

Irati

Diurom

0,090

Subterrâneo

Quilombo

Atrazina

0,667

Superficial e subterrâneo

Benomil

0,037

Carbendazim

0,037

Ciproconazol

0,058

Diurom

0,068

Simazina

0,065

União do Oeste

Metolacloro

0,094

Subterrâneo

Joaçaba

Água Doce

Diurom

0,095

Superficial

Malationa

0,125

Catanduvas

Atrazina

0,152

Superficial

Treze Tílias

Atrazina

0,158

Superficial e subterrâneo

Simazina

0,224

Vargem Bonita

Difenoconazol

0,433

Superficial

Concórdia

Arvoredo

Benomil

0,013

Subterrâneo

Carbendazim

0,013

Lindóia do Sul

Atrazina

0,064

Superficial

Simazina

0,109

Curitibanos

Santa Cecília

Glifosato

20,86

Superficial

Campos de Lages

Bom Jardim da Serra

2,4-D

0,060

Superficial

Urupema

Clorpirifós etilico

0,066

Superficial

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes: Hess, 2020; Lorenz et al., 2021. Organizado pelos autores, em agosto de 2023

4  Considerações Finais

Na Tabela 5 são resumidos os principais resultados apresentados, quanto à população; índices de tratamento de esgotos domésticos; número de animais, em rebanhos, de bovinos, suínos e galinhas, e estimativa das respectivas quantidades de excretas geradas; áreas plantadas com milho e soja, e estimativa das quantidades de agrotóxicos aplicados nas microrregiões de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul inseridas na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai no Brasil, referentes ao ano de 2021, obtidos a partir de bases de dados disponibilizadas pelo governo brasileiro, ou na literatura científica.

Tabela 5 – População, índices de tratamento de esgotos domésticos por consumo, número de bovinos, suínos e galinhas, e respectivas quantidades de dejetos gerados, áreas plantadas com milho e soja, e estimativa das respectivas quantidades de agrotóxicos aplicadas nas microrregiões de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul inseridas na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai no Brasil, referentes ao ano de 2021

 

Santa Catarina

Rio Grande do Sul

Total

População

1.725.707

2.996.389

4.722.096

% Tratamento esgoto/consumo

17,3%

17,6%

17,5%

Número bovinos

2.919.411

6.688.072

9.607.483

Excretas bovinos, toneladas

142.615.014,10

326.716.410,40

469.331.424,5

Número suínos

6.804.443

3.559.942

10.364.385

Excretas suínos, toneladas

13.607.174,60

7.154.670,10

20.761.844,7

Número galinhas

9.220.882

5.010.459

14.231.341

Excretas galinhas, toneladas

361.993,60

201.715,20

563.708,8

Área plantada milho, hectares

242.898

473.288

716.186

Quantidade de agrotóxicos aplicados (estimativa), kg

1.797.445

3.502.330

5.299.775

Área plantada soja, hectares

506.192

4.223.905

4.730.097

Quantidade de agrotóxicos aplicados (estimativa), kg

8.959.598

74.763.117

83.722.715

 

Os dados apresentados revelam que a população da área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai no Brasil totalizou mais de 4,7 milhões de pessoas em 2021, e que naquele ano foram lançados no ambiente, sem tratamento adequado, 82,5% dos esgotos domésticos gerados, o que constituiu relevante fator de risco à qualidade ambiental daquela bacia hidrográfica.

Nas microrregiões dos Estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul inseridas na Bacia do Rio Uruguai havia, em 2021, rebanho de 9.607.483 bovinos, 10.364.385 suínos e 14.231.341 galinhas, estimando-se que tenham gerado, em seu ciclo de vida completo, respectivamente, 469.331.424,5, 20.761.844,7 e 563.708,8 toneladas de excretas. A grande quantidade de dejetos gerados na pecuária industrial, sem tratamento adequado, tem sido apontada como importante fator gerador de degradação ambiental naquela bacia hidrográfica.

Em 2021, havia 716.186 hectares com plantações de milho e 4.730.097 hectares cultivados com soja, na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai em território brasileiro, estimando-se que, naquele ano, foram aplicadas 5.300 toneladas de agrotóxicos naquelas plantações de milho, e 83.723 toneladas de agrotóxicos nas de soja. Portanto, o aporte de milhares de toneladas de agrotóxicos naqueles cultivos agrícolas constitui-se em expressiva fonte de poluição ambiental, impondo riscos aos ecossistemas e à saúde humana na Bacia do Rio Uruguai.

Entre janeiro de 2018 e dezembro de 2019, em 15 municípios de Santa Catarina inseridos na Bacia do Rio Uruguai, foi aferida a presença de agrotóxicos em águas de abastecimento, tanto em mananciais superficiais quanto em águas subterrâneas, resultando em riscos potenciais à saúde da população exposta.

Em 11 microrregiões da Bacia do Rio Uruguai no Brasil, as taxas de mortalidade por câncer e suicídio, para ambos os sexos, bem como a incidência de anomalias congênitas, superou os índices nacionais do período entre 2010 e 2020.

Os dados apresentados demonstram que os baixos índices de tratamento de esgotos domésticos, a geração de grandes quantidades de dejetos na pecuária e as expressivas quantidades de agrotóxicos aplicadas em culturas agrícolas resultam em riscos à qualidade ambiental e à saúde humana, na área de abrangência da Bacia do Rio Uruguai em território brasileiro, o que demanda, do poder público e da sociedade, ações, para que os problemas descritos sejam investigados e minimizados.

REFERÊNCIAS

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HESS, S. C. Parecer técnico 01/2020. 2020. Disponível em: https://www.mpsc.mp.br/noticias/audiencia-publica-revela-gravidade-da-presenca-de-agrotoxicos-em-mananciais-de-abastecimento-e-necessidade-de-atualizar-a-legislacao-reguladora. Acesso em: 22 dez. 2024.

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Contribuição de autoria

1 – Sonia Corina Hess

Universidade Federal de Santa Catarina (professora aposentada), Doutora em Química.

https://orcid.org/0000-0001-6137-5445 • soniahess@gmail.com

Contribuição: Escrita – primeira redação, Escrita – revisão e edição

 

Como citar este artigo

HESS, S. C. A Bacia do Rio Uruguai sob pressão no Brasil: esgotos domésticos, dejetos animais e agrotóxicos. Geografia Ensino & Pesquisa, Santa Maria, v. 29, e 84886, 2025. Disponível em: 10.5902/2236499484886.