Intervenção Psicomotora e Transtorno do Espectro Autista (TEA): uma revisão da produção científica brasileira

 

Psychomotor Intervention and Autism Spectrum Disorder (ASD): a review of brazilian scientific production

Intervención Psicomotora y Trastorno Del Espectro Autista (TEA): una revisión de la producción científica brasileña

 

Lorenna Walesca de Lima Silva

Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis – SC, Brasil.

lorennalima1995@gmail.com

 

Lucia Maria Andreis

Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis – SC, Brasil.

lucia.andreis@hotmail.com

 

Sany Fernandes

Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis – SC, Brasil.

sanyfisio@hotmail.com

 

Francisco Rosa Neto

Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis – SC, Brasil.

franciscorosaneto@terra.com.br

 

Recebido em 02 de abril de 2025

Aprovado em 15 de julho de 2025

Publicado em 21 de julho de 2025

 

RESUMO

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) se caracteriza por prejuízos na comunicação social e padrões restritos e repetitivos de comportamentos, interesses ou atividades. No Brasil, a Psicomotricidade tem-se destacado como uma abordagem de intervenção para crianças com TEA, uma vez que pode contribuir para a adaptação motora, cognitiva, emocional e social. O objetivo do presente estudo foi revisar e sintetizar a produção científica sobre intervenções psicomotoras aplicadas em crianças brasileiras com TEA (02 e 12 anos). Para tanto, realizou-se uma busca eletrônica nas bases LILACS, Scielo e Google Acadêmico. No total, 07 (sete) estudos foram elegíveis para a síntese de evidências. As pesquisas foram publicadas entre 2015-2022 e variaram quanto às amostras, características das intervenções e desfechos de interesse (foco em variáveis motoras). De modo geral, a análise da produção científica sugere que as intervenções psicomotoras beneficiam o desenvolvimento motor e psicossocial de crianças com TEA, embora possam variar em termos de eficácia, duração, contexto e abordagem. Como sugestões, faz-se pertinente que futuras pesquisas investiguem os efeitos dessas intervenções a longo prazo, em amostras maiores, possibilitando uma visão mais abrangente sobre os fatores que influenciam o desenvolvimento motor, cognitivo e socioemocional em crianças brasileiras com TEA.

Palavras-chave: Psicomotricidade; Transtorno do Espectro Autista; Crianças.

 

ABSTRACT

The Autism Spectrum Disorder (ASD) is characterized by impairments in social communication and restricted, repetitive patterns of behaviors, interests, or activities. In Brazil, Psychomotricity emerges as an intervention approach for children with ASD, as it can contribute to motor, cognitive, emotional, and social adaptation. The objective of the present study was to review and synthesize the scientific literature on psychomotor interventions applied to Brazilian children with ASD (ages 2 to 12). To this end, an electronic search was conducted in the LILACS, Scielo, and Google Scholar databases. A total of seven (7) studies were eligible for evidence synthesis. The studies were published between 2015 and 2022 and varied in terms of sample size, intervention characteristics, and outcome measures (focused on motor variables). Overall, the analysis of the scientific literature suggests that psychomotor interventions benefit the motor and psychosocial development of children with ASD, although their effectiveness, duration, context, and approach may vary. As a recommendation, future research should investigate the long-term effects of these interventions in larger samples, enabling a more comprehensive understanding of the factors influencing motor, cognitive, and socioemotional development in Brazilian children with ASD.

Keywords: Psychomotricity; Autism Spectrum Disorder; Children.

 

RESUMEN

El Trastorno del Espectro Autista (TEA) se caracteriza por dificultades en la comunicación social y patrones restringidos y repetitivos de comportamientos, intereses o actividades. En Brasil, la Psicomotricidad se destaca como un enfoque de intervención para niños con TEA, ya que puede contribuir a la adaptación motora, cognitiva, emocional y social. El objetivo del presente estudio fue revisar y sintetizar la producción científica sobre intervenciones psicomotoras aplicadas a niños brasileños con TEA (de 2 a 12 años). Para ello, se realizó una búsqueda electrónica en las bases LILACS, Scielo y Google Académico. En total, 07 (siete) estudios fueron elegibles para la síntesis de evidencias. Las investigaciones fueron publicadas entre 2015 y 2022 y variaron en cuanto a las muestras, características de las intervenciones y resultados de interés (con enfoque en variables motoras). En general, el análisis de la producción científica sugiere que las intervenciones psicomotoras benefician el desarrollo motor y psicosocial de los niños con TEA, aunque pueden variar en términos de eficacia, duración, contexto y enfoque. Como sugerencia, es relevante que futuras investigaciones examinen los efectos de estas intervenciones a largo plazo, en muestras más amplias, permitiendo una visión más integral sobre los factores que influyen en el desarrollo motor, cognitivo y socioemocional de los niños brasileños con TEA.

Palabras clave: Psicomotricidad; Trastorno del Espectro Autista; Niños.

 

Introdução

        De acordo com o manual diagnóstico desenvolvido pela American Psychiatric Association (2014), o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma alteração do neurodesenvolvimento caracterizada por déficits persistentes na comunicação social e por padrões restritos e repetitivos de comportamentos, interesses ou atividades. Complementa-se, ainda, que as manifestações do TEA podem ser identificadas desde cedo e variam amplamente em termos de gravidade e impacto, tornando a compreensão e o manejo dessa condição um desafio, tanto para profissionais quanto para familiares.

Crianças com TEA frequentemente demonstram déficits motores e cognitivos que se manifestam em várias áreas do desenvolvimento psicomotor, impactando suas habilidades funcionais e a interação com o ambiente, tais como dificuldades na coordenação motora fina e global, equilíbrio, lateralidade, organização espaço-temporal, consciência corporal, atenção, concentração e regulação emocional. Esses déficits podem ser observados na falta de fluidez e precisão dos movimentos, dificuldades ao realizar atividades que exigem destreza manual, percepção do corpo no espaço e manutenção da estabilidade em posições estáticas ou dinâmicas. Tais prejuízos podem estar associados a uma combinação de alterações no planejamento motor, controle postural e déficits no processamento sensorial, podendo comprometer a funcionalidade e a participação das crianças em atividades físicas, educacionais e sociais (Mohd Nordin; Ismail; Kamal Nor, 2021; Spies; Gasparotto; Silva, 2023).

Além disso, crianças com TEA podem apresentar alterações no funcionamento intelectual, especialmente relacionadas às Funções Executivas, que estão intimamente ligadas à elaboração de comportamentos objetivados e ao desempenho satisfatório de diversas atividades diárias e acadêmicas. As Funções Executivas representam um conjunto de habilidades cognitivas superiores que incluem planejamento, flexibilidade cognitiva, controle inibitório, resolução de problemas, memória de trabalho e a capacidade de monitoramento e regulação do comportamento. Nesse âmbito, um dos déficits mais evidentes no TEA é a rigidez cognitiva, que pode dificultar a adaptação da criança a novas situações sociais e o aprendizado de novas habilidades/comportamentos. Além disso, também são observadas alterações no controle inibitório, o que pode resultar na manifestação de comportamentos impulsivos ou socialmente inadequados. Essas dificuldades podem estar relacionadas a problemas no controle da atenção e na regulação emocional, que são funções cruciais para a interação social e para a adaptação a diferentes contextos (Craig et al., 2016; Demetriou; Demayo; Guastella, 2019; Kouklari; Tsermentseli; Monks, 2018).

Uma recomendação amplamente corroborada pela literatura científica atual é a implementação precoce de programas de intervenção que visem estimular o desenvolvimento integral de crianças com TEA, sendo a intervenção psicomotora uma das abordagens mais promissoras, especialmente por sua característica multidimensional e estreita relação com a aprendizagem e a aquisição de habilidades adaptativas (Elgarhy; Liu, 2016; Frazão; Santos; Lebre, 2023; Kent et al., 2020; Mohd Nordin; Ismail; Kamal Nor, 2021; Posar; Visconti, 2022; West, 2019; Zampella et al., 2021). Ainda nesse sentido, ressalta-se que a Psicomotricidade é uma área interdisciplinar que integra aspectos do desenvolvimento motor, cognitivo, emocional e social, promovendo a interação entre mente e corpo na formação das capacidades humanas (Fonseca, 2010; Frazão; Santos; Lebre, 2023; Rosa Neto, 2020).

No contexto do desenvolvimento infantil, esse tipo de intervenção se faz ainda mais pertinente, uma vez que as primeiras experiências motoras das crianças são cruciais para a elaboração e consolidação de habilidades mais complexas, como a linguagem, o pensamento lógico e a socialização. Durante a infância, as crianças exploram o mundo através de seus movimentos e de suas relações (com os outros, consigo mesmo e com o meio) e essa exploração é essencial para o desenvolvimento de suas competências motoras, intelectuais e socioemocionais. Por meio de atividades lúdicas, estruturadas e educativas, a intervenção psicomotora ajuda a estimular habilidades como equilíbrio, coordenação, lateralidade, noção espaço-temporal, além de competências cognitivas e psicossociais que são fundamentais para a aprendizagem e para a realização de atividades cotidianas. Em consonância, o desenvolvimento psicomotor adequado também contribui para a autoestima e a autonomia da criança, favorecendo o aprimoramento de habilidades e competências socioemocionais e, consequentemente, aumentando as chances de sucesso nas relações sociais (Elgarhy; Liu, 2016; Fonseca, 2010; Frazão; Santos; Lebre, 2023; Rosa Neto, 2020).

A importância da intervenção psicomotora no desenvolvimento infantil é respaldada por estudos que demonstram a estreita relação entre o aprimoramento motor e o desenvolvimento global da criança (Elgarhy; Liu, 2016; Fonseca, 2010; Frazão; Santos; Lebre, 2023; Rosa Neto, 2020). No contexto do TEA, intervenções psicomotoras precoces podem não apenas prevenir dificuldades no desempenho escolar e social, mas também promover o desenvolvimento de habilidades essenciais para o bem-estar físico e emocional, contribuindo para a melhor adaptação da criança em diferentes ambientes e contextos, incluindo a Escola (Elgarhy; Liu, 2016; Frazão; Santos; Lebre, 2023; Mohd Nordin; Ismail; Kamal Nor, 2021; Oliveira et al., 2019; Posar; Visconti, 2022; Subramanyam et al., 2019). Assim, ao reconhecer a psicomotricidade como uma área fundamental do desenvolvimento infantil, evidencia-se a necessidade de incluí-la nos programas educacionais e terapêuticos voltados para crianças com TEA.

No Brasil, a psicomotricidade vem ganhando espaço como uma abordagem eficaz de intervenção para crianças com TEA em diferentes contextos, especialmente em ambientes escolares e clínicos. Sabe-se que a intervenção psicomotora pode ser realizada por meio de diferentes abordagens, estratégias e recursos. Contudo, é essencial que as práticas implementadas sejam baseadas em evidências cientificamente comprovadas (Frazão; Santos; Lebre, 2023). Nesse contexto, ressalta-se que, além de estudos experimentais que investigam os efeitos de programas de atividades psicomotoras, a literatura já dispõe de diretrizes de intervenção psicomotora para esse público, a exemplo da pesquisa publicada por Frazão, Santos e Lebre (2023), que discorre sobre mais de 80 orientações e destaca que as abordagens psicomotoras para crianças com TEA devem ser planejadas de maneira personalizada, respeitando o ritmo e as necessidades de cada criança, promovendo um ambiente seguro e motivador.

 Considerando o exposto, o objetivo do presente estudo foi revisar e sintetizar a produção científica sobre intervenções psicomotoras aplicadas em crianças brasileiras com TEA, visando identificar as principais abordagens utilizadas, bem como os resultados encontrados e as possíveis lacunas existentes na literatura científica especializada.

 

 

Método

O presente estudo consistiu em uma revisão de literatura, cuja metodologia seguiu um processo sistematizado de identificação, seleção e análise dos estudos disponíveis sobre intervenções psicomotoras em crianças brasileiras com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A busca eletrônica foi conduzida em agosto de 2024, utilizando as bases de dados LILACS (Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde), SciELO (Scientific Electronic Library Online) e Google Acadêmico. Ressalta-se que a escolha das bases citadas se deu em função do foco na investigação da produção científica brasileira. As palavras-chave empregadas incluíram "Psicomotricidade", "Psicomotora", "Psicomotor", "Transtorno do Espectro Autista", "Autismo" e "TEA".

Os critérios de inclusão adotados foram: (1) estudos publicados nos últimos dez anos; (2) artigos científicos e dissertações ou teses disponíveis na íntegra; (3) pesquisas que tivessem como público-alvo crianças brasileiras de 02 a 12 anos com diagnóstico de TEA; e (4) estudos que relatassem a utilização da psicomotricidade como intervenção. Foram excluídos documentos duplicados, resumos apresentados em eventos, relatórios técnicos e estudos que não indicavam a psicomotricidade como estratégia de intervenção no título ou resumo.

A triagem inicial foi realizada por meio da leitura dos títulos e resumos dos artigos identificados. Os estudos que atenderam aos critérios de elegibilidade foram submetidos à leitura integral para extração e análise das informações relevantes. As variáveis analisadas incluíram nome dos autores, ano de publicação, objetivo do estudo, características da amostra, características da intervenção, desfechos investigados e principais resultados. Os dados foram organizados em uma planilha do Excel® para facilitar a análise e a síntese das informações.

 

Resultados

A busca eletrônica resultou na identificação de 149 registros. Após exclusão das entradas duplicadas e análise dos critérios de elegibilidade, 07 (sete) documentos foram selecionados para compor a presente revisão, sendo 05 (cinco) artigos e 02 (duas) dissertações, conforme ilustrado a seguir (Figura 1).

 

 

 

Figura 1 – Fluxograma da seleção dos estudos.

Fonte: autoria própria. Baseado no “PRISMA Flow Diagram” (Moher et al., 2010).

 

As pesquisas foram publicadas entre os anos de 2015 e 2022 e variaram em relação ao tamanho da amostra (04 a 22 crianças), duração das intervenções (07 semanas a 06 meses) e instrumentos de avaliação (Quadro 1). Não foram identificados estudos publicados entre 2023-2024 que atendessem aos critérios de elegibilidade. A maioria dos estudos enfatizou a investigação de desfechos motores, com destaque para avaliação realizada por meio da Escala de Desenvolvimento Motor – EDM (Rosa Neto, 2020).


 

 

Quadro 1 Caracterização da produção científica e principais resultados.

Referência (ano)

Objetivo

Amostra

Intervenção Psicomotora

Instrumentos

Resultados

Alves; Santos; Castro (2022)

Avaliar a evolução motora de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) após intervenção psicomotora breve.

- 14 crianças;

- ambos os sexos;

- 2 a 10 anos.

2x/semana; 45 minutos; 3 meses. Foram utilizados exercícios da Escala de Desenvolvimento Motor (EDM) de Rosa Neto, focando em motricidade fina, global, equilíbrio, esquema corporal e organização espacial/temporal.

- EDM.

Após intervenção psicomotora breve, 85,71% das crianças com TEA apresentaram melhorias significativas no perfil motor, com ênfase em equilíbrio, esquema corporal e organização temporal.

Costa (2021)

Investigar os efeitos de uma intervenção psicomotora em crianças com TEA nas áreas motoras e cognitivas.

- 22 crianças;

- sexo masculino;

- 2 a 5 anos.

2x/semana; 40 minutos; 2 meses. Programa de intervenção psicomotora e ABA, composto por 21 atividades voltadas para o desenvolvimento motor e comportamental.

- Age and Stage Questionnary (ASQ-3);

- Teste Denver II;

- Child Behavior Checklist (CBCL).

O programa de intervenção baseado em psicomotricidade e estratégias comportamentais (ABA) resultou em melhorias significativas no desenvolvimento infantil, especialmente no motor grosso e fino, social e de comunicação.

Dias et al. (2020)

Analisar o perfil motor de crianças com TEA após oito semanas de estimulação psicomotora.

- 4 crianças;

- ambos os sexos,

- 6 a 9 anos.

1x/semana; 30-40 minutos; 8 semanas. Intervenção com base nos pilares da Psicomotricidade, ABA e modelo Denver.

- EDM.

Houve aumento nos valores do quociente motor geral em duas das quatro crianças avaliadas, mas os resultados não foram suficientes para alterar a classificação do perfil motor após o período de intervenção.

Melo et al. (2020)

Explorar o impacto da psicomotricidade e educação física adaptada no desenvolvimento de crianças com TEA.

-4 crianças;

- sexo masculino;

- 7 a 12 anos.

1x/semana; 50 minutos; 9 semanas. As atividades lúdicas focadas no desenvolvimento da coordenação global, esquema corporal, equilíbrio, e noção espacial e temporal.

- Ficha de registro observacional dos aspectos psicomotores;

- Bateria de avaliação psicomotora, com adaptações de Luria (1987).

A psicomotricidade em aulas de educação física adaptada teve efeitos positivos no desenvolvimento global das crianças com TEA, com melhorias na coordenação, equilíbrio e noção espacial e temporal.

Benjamim (2018)

Avaliar os efeitos da psicomotricidade no meio aquático sobre o comportamento social de crianças com TEA.

- 6 crianças;

- ambos os sexos;

- 5 a 7 anos.

2x/semana; 60 minutos; 7 semanas. Psicomotricidade relacional em meio aquático, focada em melhorar o comportamento social e comunicação

- Autism Treatment Evaluation Checklist (ATEC);

- Escala de Comportamento Atípico (ABC).

A psicomotricidade relacional em meio aquático melhorou o comportamento social, a comunicação e reduziu a irritabilidade em crianças com TEA.

Gonzaga et al. (2015)

Desenvolver e avaliar uma intervenção psicomotora em crianças com TEA, focando no desenvolvimento motor.

- 6 crianças;

- ambos os sexos;

- 4,9 anos (idade média).

1x/semana; 55 minutos, 6 meses. As atividades foram personalizadas para atender as necessidades psicomotoras das crianças.

- EDM.

Após seis meses de intervenção psicomotora, houve melhorias em várias áreas do desenvolvimento, com destaque para motricidade fina (66,66%) e esquema corporal (83,33%).

Sandroni; Ciasca; Rodrigues (2015)

Avaliar a evolução motora de pré-escolares com necessidades especiais após intervenção psicomotora breve.

- 5 crianças (2 com TEA);

- sexo masculino;

- 5 anos.

2x/semana, 45-50 minutos; 12 semanas. A intervenção foi individualizada e focada em estimular funções psicomotoras.

- Inventário Portage;

- EDM.

Não houve diferenças estatisticamente significativas após a intervenção psicomotora, mas qualitativamente, quatro crianças mostraram evolução em diversos aspectos, sugerindo que a abordagem psicomotora pode maximizar o desempenho global.

EDM - Escala de Desenvolvimento Motor; ABA - Applied Behavior Analysis (Análise do Comportamento Aplicada).

Fonte: autoria própria (2025).

 

A análise das pesquisas revelou diversidade de abordagens e resultados em relação às intervenções psicomotoras aplicadas em crianças brasileiras com TEA. No estudo de Alves, Santos e Castro (2022), a intervenção psicomotora breve baseada nas atividades da EDM mostrou melhorias significativas na maioria dos participantes, com destaque para avanços em equilíbrio, esquema corporal e organização temporal. Ainda nesse sentido, Costa (2021), observou que a combinação de psicomotricidade com estratégias comportamentais (ABA) resultou em melhorias nas áreas motora, social e de comunicação, especialmente no desenvolvimento motor grosso e fino.

Adicionalmente, Dias et al. (2020) reportaram aumento no quociente motor em parte das crianças após a participação no programa de intervenção baseado nos pilares da Psicomotricidade, ABA e modelo Denver. No entanto, os resultados não foram suficientes para alterar a classificação do perfil motor após oito semanas de intervenção. Já Melo et al. (2020), ao explorar o impacto da psicomotricidade em conjunto com a educação física adaptada, por meio de atividades lúdicas, identificaram melhorias na coordenação global, equilíbrio e noção espacial e temporal, evidenciando o efeito positivo dessa abordagem no desenvolvimento de crianças com TEA.

O estudo de Benjamim (2018) focou na psicomotricidade relacional em meio aquático e reportou melhorias no comportamento social, comunicação e irritabilidade. Gonzaga et al. (2015) propuseram um programa psicomotor personalizado e identificaram avanços em motricidade fina e esquema corporal após seis meses de intervenção. Por fim, Sandroni, Ciasca e Rodrigues (2015), embora não tenham encontrado diferenças estatisticamente significativas no momento pós-intervenção, reportaram evolução qualitativa em quatro das cinco crianças avaliadas, sugerindo que a abordagem psicomotora pode contribuir para maximizar o desempenho motor global.

De modo geral, esses resultados sugerem que, embora as intervenções psicomotoras possam variar em termos de eficácia, tendem a promover melhorias nas habilidades motoras e no comportamento social de crianças com TEA.

 

Discussão

O objetivo do presente estudo foi revisar e sintetizar a produção científica sobre intervenções psicomotoras aplicadas em crianças brasileiras com TEA (02 a 12 anos), visando identificar as principais abordagens, resultados e as possíveis lacunas na literatura. Pode-se sumarizar que os estudos incluídos na presente revisão corroboram a eficácia dessas abordagens na melhoria do desenvolvimento psicomotor e, em alguns casos, em desfechos do comportamento social e outras áreas do desenvolvimento infantil. Ao relacionar os achados com a literatura científica internacional, pode-se observar como os resultados convergem ou divergem em relação a outras pesquisas. Contudo, pode-se afirmar que, de modo geral, os estudos analisados sugerem que as intervenções psicomotoras promovem melhorias no desenvolvimento motor e psicossocial de crianças com TEA.

No contexto educacional, o desenvolvimento psicomotor é fundamental para a aprendizagem, uma vez que a aquisição do conhecimento está diretamente relacionada à exploração do corpo e do espaço, especialmente na infância (Rosa Neto, 2020). No que se refere aos aspectos motores, crianças com TEA frequentemente apresentam dificuldades na coordenação motora fina e global, no equilíbrio, na lateralidade e na organização espacial e temporal. Essas dificuldades podem impactar o desempenho escolar, a autonomia e a participação em atividades físicas e sociais. Dessa forma, intervenções psicomotoras implementadas adequadamente podem favorecer a superação desses desafios. Corroborando tal contribuição, os achados de Alves, Castro e Santos (2022) e Gonzaga et al. (2015) destacam melhorias notáveis nas áreas de equilíbrio, motricidade global e esquema corporal de crianças brasileiras com TEA, após a participação em um programa de atividades psicomotoras personalizadas.

Esses resultados estão em consonância com evidências reportadas em estudos internacionais, incluindo a revisão desenvolvida por Spies, Gasparotto e Silva (2023), que reforça que as dificuldades motoras presentes no TEA podem ser atenuadas, especialmente quando as intervenções psicomotoras são implementadas precocemente. Ainda nesse sentido, a meta-análise conduzida por West (2019) reforça que as crianças com TEA tendem a apresentar déficits em habilidades motoras desde cedo, reiterando que quanto mais cedo a intervenção for implementada, maiores são as chances de melhorar o desenvolvimento global da criança e potencializar a sua adaptação em diferentes contextos e situações cotidianas.

Outra contribuição importante é fornecida por Melo et al. (2020), que exploraram a psicomotricidade no contexto da educação física adaptada, por meio de atividades lúdicas diversificadas. Este estudo reforça a ideia de que o ambiente de aprendizagem deve ser estruturado, mas também utilizar a ludicidade como recurso para capturar o interesse das crianças e promover o engajamento, o que é uma estratégia comum e valorizada em práticas psicomotoras (Frazão; Santos; Lebre, 2023). Adicionalmente, o estudo de Benjamin et al. (2018), que investigou a psicomotricidade relacional em ambiente aquático, reportou diminuição da irritabilidade e melhora no comportamento social e na comunicação das crianças, sugerindo que a intervenção em meio aquático, ao promover a reorganização sensorial e comportamental, pode facilitar a interação e o desenvolvimento motor de crianças com TEA.

Outro aspecto relevante é a relação entre as intervenções psicomotoras e as Funções Executivas. Estudos internacionais como os de Craig et al. (2016) e Demetriou, Demayo e Guastella (2019) revisam a presença de déficits em Funções Executivas, como planejamento, controle inibitório e flexibilidade cognitiva, em indivíduos com TEA. Faz-se pertinente elucidar que embora a maioria dos estudos focados na intervenção psicomotora avalie, principalmente, o desenvolvimento motor, há uma inter-relação potencial com melhorias em habilidades cognitivas, corroborando a ideia de que programas de intervenção que promovem o desenvolvimento de habilidades motoras podem estender seus benefícios a aspectos cognitivos, como sugerido na pesquisa de Kouklari, Tsermentseli e Monks (2018) que observaram que o desenvolvimento de habilidades adaptativas associadas às funções executivas pode ser impulsionado por melhorias motoras.

O estudo de Costa (2021) reforça essa conexão ao combinar intervenções psicomotoras com estratégias comportamentais baseadas na Análise do Comportamento Aplicada (ABA), promovendo melhorias tanto nas habilidades motoras quanto no desenvolvimento pessoal-social e na resolução de problemas de crianças brasileiras com TEA. Esses resultados estão alinhados com os achados de Kent et al. (2020), que relatam que estratégias psicomotoras, como atividades sensoriais e jogos que estimulam a regulação emocional, também podem contribuir para o desenvolvimento de habilidades sociais e cognitivas em crianças com TEA, sugerindo uma possível transferência de habilidades entre os domínios motor e cognitivo-comportamental. Tais contribuições são fundamentais, especialmente ao vislumbrar como essa transferência pode auxiliar, por exemplo, a adaptação das crianças ao ambiente escolar e favorecer a aprendizagem de novos conceitos/competências.

Por outro lado, alguns estudos indicam que, embora haja progresso nas habilidades motoras, esse progresso pode não ser suficiente para uma reclassificação substancial do perfil motor. Por exemplo, o estudo realizado por Dias et al. (2020) reportou aumento nos valores de quociente motor geral, mas não observou mudanças significativas na classificação final do perfil motor das crianças após oito semanas de intervenção psicomotora. Ainda nesse sentido, Sandroni et al. (2015), não encontraram diferenças estatisticamente significativas após a intervenção psicomotora, embora qualitativamente tenha havido melhorias em quatro das cinco crianças avaliadas. Esses resultados sugerem que, em alguns casos, os efeitos das intervenções psicomotoras podem ser mais sutis ou exigir maior tempo e intensidade de intervenção para serem quantificados. Também é possível que a heterogeneidade dos resultados esteja relacionada à complexidade dos déficits motores manifestados por crianças com TEA, conforme discutido por Zampella et al. (2021), que apontam a grande variabilidade nas habilidades motoras entre indivíduos com TEA, o que pode exigir programas de intervenção mais longos e intensivos.

Complementa-se, ainda, que a frequência e a duração dos programas desempenham um papel crucial no sucesso das intervenções psicomotoras. Estudos que implementaram um maior número de sessões semanais e duração mais prolongada, como Alves, Castro e Santos (2022), que realizaram sessões duas vezes por semana durante três meses, e Gonzaga et al. (2015), que aplicaram sessões uma vez por semana durante seis meses, observaram melhorias expressivas no desenvolvimento motor. Esses achados são suportados pela revisão de Frazão, Santos e Lebre (2023), que ressalta que intervenções consistentes e de longa duração são fundamentais para gerar impactos positivos em crianças com TEA. A literatura, como revisada por Subramanyam et al. (2019), também sugere que intervenções de curta duração podem não ser suficientes para mudanças duradouras, o que poderia explicar os resultados mais sutis encontrados por Dias et al. (2020), que conduziram intervenções por apenas oito semanas.

Elgarhy e Liu (2016) corroboram a importância de programas de intervenção prolongados, mostrando que maior duração pode melhorar substancialmente a motricidade e a integração sensorial em crianças com TEA. Adicionalmente, Mohd Nordin, Ismail e Kamal Nor (2021) também destacam que intervenções repetidas e estruturadas oferecem uma melhor oportunidade de consolidar habilidades motoras, especialmente no que se refere à coordenação global e ao equilíbrio, em crianças com TEA. Nesse contexto, apesar dos resultados positivos relatados em vários estudos, há também algumas limitações a serem consideradas, como o número reduzido de participantes, a duração das intervenções e a utilização de diferentes ferramentas de avaliação, o que pode restringir a interpretação e generalização dos resultados. Além disso, as avaliações focadas em aspectos motores podem não fornecer uma visão abrangente sobre como os benefícios podem se estender a outros domínios do desenvolvimento infantil, subestimando possíveis adaptações e suas implicações em diferentes contextos da vida da criança com TEA.

Como recomendações, sugere-se que pesquisas futuras devem incluir amostras maiores e adotar uma abordagem multidimensional, avaliando tanto aspectos motores quanto os impactos cognitivos, comportamentais e socioemocionais no desenvolvimento de crianças com TEA. Ainda, como sugerido por Kouklari; Tsermentseli; Monks (2018) e Kent et al. (2020), uma investigação mais aprofundada sobre a relação entre intervenções psicomotoras e Funções Executivas poderia fornecer insights valiosos para a criação de programas integrados que atendam melhor às necessidades complexas das crianças com TEA. Por fim, a revisão de Demetriou, Demayo e Guastella (2019) também reforça que os déficits em Funções Executivas são uma característica central do TEA, o que destaca a importância de programas que abordem habilidades motoras e cognitivas de maneira integrada.

Em síntese, os estudos revisados corroboram a importância das intervenções psicomotoras como uma abordagem que pode contribuir para o desenvolvimento motor de crianças com TEA no contexto brasileiro. Contudo, a literatura sugere que intervenções mais prolongadas e multifatoriais, que incluam componentes motores, funções executivas e aspectos psicossociais são essenciais para maximizar os benefícios. Principalmente porque a integração desses elementos pode promover não apenas melhorias motoras, mas também o desenvolvimento cognitivo e social, alinhando-se às recomendações da literatura internacional e aos pilares da Psicomotricidade enquanto abordagem transdisciplinar que se fundamenta no movimento, no intelecto e no afeto.

 

Conclusão

A presente revisão buscou analisar e sintetizar a produção científica sobre intervenções psicomotoras aplicadas em crianças brasileiras com TEA. A análise dos estudos sugere que essas abordagens podem contribuir para melhorias no desenvolvimento psicomotor, especialmente em áreas como equilíbrio, coordenação global, motricidade fina e esquema corporal, alinhando-se aos achados de revisões internacionais. A literatura destaca que, quando as intervenções são implementadas precocemente, de forma estruturada e, muitas vezes, combinadas com outras abordagens, como ABA, os resultados tendem a ser mais positivos e abrangentes. Além disso, os achados reforçam a necessidade de considerar o perfil individual de cada criança, adaptando as intervenções às suas necessidades e capacidades específicas. Destaca-se, ainda, a importância da intervenção psicomotora no contexto educacional, uma vez que a aquisição do conhecimento está diretamente relacionada à exploração do corpo e do espaço.  

No entanto, algumas limitações importantes foram identificadas na literatura científica revisada e devem ser levadas em consideração ao interpretar os achados da presente revisão. A maioria dos estudos foi realizado com amostras reduzidas e implementou períodos de intervenção relativamente curtos, além de utilizar diferentes instrumentos de avaliação e investigar desfechos de interesse variados, o que pode restringir a interpretação e generalização dos resultados. Além disso, as pesquisas que compõem a produção científica são voltadas, sobretudo, aos componentes motores, embora a literatura internacional e o próprio conceito da Psicomotricidade corroborem uma abordagem multidimensional que contemple o desenvolvimento motor, cognitivo, emocional e social. Portanto, apesar dos avanços e benefícios demonstrados, ainda há lacunas importantes a serem preenchidas na literatura científica especializada.

Isto posto, faz-se pertinente que estudos futuros busquem explorar programas de intervenção com enfoque multicomponente, aplicados em amostras maiores. Além disso, há uma necessidade de mais pesquisas que investiguem os efeitos dessas intervenções a longo prazo, bem como sua aplicabilidade em contextos educacionais e clínicos diversificados, a fim de otimizar os resultados e fornecer uma visão mais abrangente sobre os mecanismos que influenciam o desenvolvimento psicomotor em crianças com TEA. Em adição, sugere-se que futuras revisões invistam na análise crítica da produção científica (qualidade metodológica). Ressalta-se que fortalecimento da evidência científica nessa área poderá contribuir para o desenvolvimento de programas de intervenção mais eficazes, possibilitando recursos para aprimorar o desenvolvimento integral de crianças com TEA no Brasil.

Tal consideração é necessária, especialmente ao compreender que a psicomotricidade desempenha um papel fundamental na educação especial, contribuindo para a aprendizagem e o desenvolvimento psicossocial. Nesse sentido, ao inserir essa abordagem como aliada às estratégias de intervenção no ambiente escolar, é possível proporcionar experiências enriquecedoras que favoreçam a autonomia, a comunicação e o bem-estar dos alunos com TEA, promovendo uma educação mais inclusiva e baseada em evidências.

 

 

 

 

 

Referências

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