O papel da comunicação familiar no desenvolvimento socioemocional de adolescentes surdos.
The role of family communication in the socioemotional development of deaf adolescents.
El papel de la comunicación familiares en el desarrollo socioemocional de adolescentes sordos
Gabriel Pereira Mendes
Instituto Multidisciplinar em Saúde da Universidade Federal da Bahia, Bahia, Brasil.
Edi Cristina Manfroi
Universidade Federal da Bahia, Salvador, Bahia, BA, Brasil.
Mayra Ribeiro
Universidade Federal da Bahia, Salvador, Bahia, BA, Brasil.
Isadora Pinheiro Neves
Universidade Federal da Bahia, Salvador, Bahia, BA, Brasil.
Emille Macedo Braga
Universidade Federal da Bahia, Salvador, Bahia, BA, Brasil.
Recebido em 22 de abril de 2024
Aprovado em 06 de maio de 2025
Publicado em 10 de junho de 2025
RESUMO
Na psicologia, a literatura sobre a família e sua relação com desenvolvimento de adolescentes surdos é escassa e se torna incipiente quando considerado o aspecto emocional nessa fase. Este estudo tem como objetivo caracterizar a percepção de adolescentes surdos sobre o papel das interações familiares em seu desenvolvimento socioemocional. Foram entrevistados quatro adolescentes surdos entre 12 e 18 anos, com perda profunda ou severa e usuários da Língua Brasileira de Sinais (Libras) no período de março a abril de 2023. As entrevistas foram registradas em áudio, vídeo e posteriormente transcritas e analisadas. O conteúdo foi analisado a partir da análise de Bardin (2011). Identificou-se quatro categorias e cinco subcategorias: 1. Modos de comunicação e 2. Competências emocionais. Como subtópicos decorrentes das dimensões das competências emocionais, foram identificadas dimensões como: 2.1. Identificação das emoções; 2.2. Expressão emocional e 2.3 Regulação emocional. A língua media as interações que possibilitam o desenvolvimento de habilidades que repercutem ao longo de toda a vida. Os resultados indicaram que para pessoas surdas usuárias da Libras, a característica gesto visual da língua de sinais favorece a identificação precisa das emoções a partir do reconhecimento de expressões faciais e pistas contextuais. Evidenciou-se que, o aprendizado tardio da língua e o contato restrito com referenciais surdos, prejudica o desenvolvimento de um vocabulário adequado para a diferenciação e expressão satisfatória das emoções. Como consequência, a regulação emocional da pessoa surda pode ser prejudicada.
Palavras-chave: Adolescência; Surdez; Família.
ABSTRACT
In psychology, the literature on family and its relation to the development of deaf adolescents is scarce and becomes incipient when considering the emotional aspect in this phase. The present article aims to characterize the perception of deaf adolescents about the role of family interactions in their socioemotional development. Four deaf adolescents between 12 and 18 years old, with profound or severe hearing loss and users of Brazilian Sign Language (Libras), were interviewed from March to April 2023. The interviews were recorded in audio, video, and later transcribed and analyzed. The content was analyzed using Bardin's analysis (2011). Four categories and five subcategories were identified, namely: 1. Modes of communication and 2. Emotional competencies. As resulting subtopics from the dimensions of emotional competencies, dimensions such as: 2.1. Identification of emotions; 2.2. Emotional expression and 2.3. Emotional regulation were identified. Language mediates interactions that enable the development of skills that have repercussions throughout life. For deaf individuals who use Libras, the visual-gestural characteristic of sign language favors precise identification of emotions through recognition of facial expressions and contextual clues. However, late language acquisition and restricted contact with deaf role models hinder the development of adequate vocabulary for differentiation and satisfactory expression of emotions. As a consequence, emotional regulation of deaf individuals may be impaired.
Keywords: Adolescence; Deafness; Family.
RESUMEN
En psicología, la literatura sobre la familia y su relación con el desarrollo de los adolescentes sordos es escasa y se vuelve incipiente al considerar el aspecto emocional en esta etapa. Este estudio tiene como objetivo caracterizar la percepción de adolescentes sordos sobre el papel de las interacciones familiares en su desarrollo socioemocional. Cuatro adolescentes sordos entre 12 y 18 años, con pérdida profunda o severa y usuarios de la Lengua de Signos Brasileña (Libras) fueron entrevistados entre marzo y abril de 2023. Las entrevistas fueron grabadas en audio, video y luego transcritas y analizadas. El contenido fue analizado con base en el análisis de Bardin (2011). Se identificaron cuatro categorías y cinco subcategorías: 1. Modos de comunicación y 2. Habilidades emocionales. Como subtemas surgidos de las dimensiones de las habilidades emocionales se identificaron dimensiones como: 2.1. Identificación de emociones; 2.2. Expresión emocional y 2.3 Regulación emocional. El lenguaje media las interacciones que posibilitan el desarrollo de habilidades que repercuten a lo largo de la vida. Los resultados indicaron que para las personas sordas que utilizan Libras, el gesto visual característico del lenguaje de signos favorece la identificación precisa de emociones basada en el reconocimiento de expresiones faciales y pistas contextuales. Se evidenció que el aprendizaje tardío de la lengua y el contacto restringido con referentes sordos dificulta el desarrollo de un vocabulario adecuado para la diferenciación y expresión satisfactoria de las emociones. Como consecuencia, la regulación emocional de la persona sorda puede verse afectada.
Palabras clave: Adolescencia; Sordera; Familia.
Introdução
A comunicação é um processo dinâmico e complexo. Nele, aspectos verbais e não verbais possibilitam a interação humana e a troca de informações (Dias, 2015; Sousa, 2015). A linguagem, como parte inerente da comunicação, oferece os conceitos e formas que organizam a compreensão da realidade, estabelecendo a mediação entre o sujeito e o objeto (Vygotsky, 1993). O estabelecimento satisfatório da comunicação no ambiente familiar é necessário para a manutenção das relações interpessoais, assim como é fator protetivo em relação a comportamentos de risco (Corsano et. al., 2006; Devore & Ginsburg, 2005).
A audição desempenha um papel central no desenvolvimento da linguagem. Sendo assim, no nascimento de uma criança surda, uma diferença fundamental é estabelecida no modo como a língua será adquirida. A maioria das crianças surdas nascem em famílias ouvintes (Blose & Joseph, 2017) em que o primeiro contato dos pais com a surdez acontece no nascimento de um filho com perda auditiva (Thomaz et. al. , 2019). O desconhecimento acerca da comunidade surda e da Língua Brasileira de Sinais dificulta a adaptação às novas dinâmicas e papéis propostas no nascimento de uma criança com deficiência e o reconhecimento adequado de suas necessidades.
Para a criança surda, os obstáculos na comunicação favorecem a manutenção de emoções negativas na interação com seus pais, como medo e frustração, assim como pode resultar no desenvolvimento de uma auto imagem negativa a longo prazo (Guarinello, 2000). Além disso, problemas emocionais e de comportamento são mais frequentes em crianças e adolescentes surdos, assim como a incidência de depressão, agressividade, transtorno desafiador opositor e de conduta (Stevenson et al, 2017). Nesse contexto de obstáculos a adaptação da pessoa surda em um mundo ditado por códigos sociais auditivos, mesmo aqueles nascidos surdos e que não experienciam a perda, não tardam a vivenciar a experiência da deficiência (Vygotsky, 2012).
Durante a adolescência, a surdez permanece enquanto característica diferencial do desenvolvimento. Se para o adolescente pode ser difícil lidar com as mudanças físicas e cognitivas da puberdade e as responsabilidades crescentes, para o adolescente surdo é preciso conciliar as transformações com a falta de audição e/ou dificuldade em falar (Campache et al., 2019).
Nesse período, as limitações nas interações sociais no contexto familiar ficam cada vez mais evidentes para a pessoa surda tornando suas relações nesse ambiente conflituosas (Lobo, 2016). O adolescente surdo então rompe suas relações familiares quando essas não conseguem suprir suas necessidades de interação que se tornam cada vez mais complexas. Nesse período, quando existe o contato com a comunidade surda, essa passa a ser o seu referencial nesse processo de desvinculação (Lobo, 2016).
O desenvolvimento de competências sociais e emocionais é mediado pela comunicação (Wiefferink et. al. , 2013). A família, enquanto espaço de socialização, desempenha um papel central nesse processo (Petrucci et. al. , 2016; Senna e Dessen, 2012; Soares, 2009; Bronfenbrenner, 1986), assim como em dimensões específicas das competências emocionais como a identificação (Palmeira et. al., 2010), expressão (Halberstadt, 1986) e regulação emocional (Curvello & Mendes, 2020; Silva & Freire, 2014).
As competências emocionais têm sido relacionadas com o desempenho acadêmico e sucesso relacional e social em crianças e adolescentes na família e escola (Aparício et al, 2020). Assim como a qualidade do desenvolvimento e ajustamento social e emocional de crianças e adolescentes contribuindo tanto para a promoção quanto para a avaliação do nível de prazer e bem-estar ao longo da vida (Stevenson et. al. , 2017; Brasseur et. al. , 2013). Conseguir identificar, expressar e regular as emoções são habilidades essenciais no funcionamento social adaptativo (Schwartz et. al., 2016).
Crianças e adolescentes surdos podem apresentar prejuízos significativos na habilidade de identificação das emoções em si e nos outros (Rieffe & Meerum, 2006). Além disso, apresentam maior disposição para o isolamento, bem como dificuldades de aprendizagem e regulação emocional (Lobo, 2016). Ademais, apresentam uma menor percepção de bem-estar, maiores taxas de evasão escolar (Stevenson et al., 2017), relatam dificuldades familiares, e lidam com estigmas sociais e preconceitos (Blose & Joshep, 2017).
Considerando a relevância do tema e as lacunas presentes na literatura, o presente estudo objetiva compreender o papel da comunicação familiar no desenvolvimento socioemocional de adolescentes surdos. Somado a isso , busca caracterizar a percepção dos adolescentes sobre a qualidade das interações comunicacionais familiares e a sua relação com o desenvolvimento de competências emocionais nesse ambiente.
Método
Para alcançar os objetivos do presente estudo, foi adotado o delineamento qualitativo, transversal e exploratório. Dada a escassez de produções científicas sobre o tema, o caráter exploratório possibilita que questões pertinentes à comunidade surda e que até então foram pouco estudadas, pudessem se tornar mais familiares, através de relatos dos próprios adolescentes surdos e não apenas de terceiros (Minayo, 2012; Gerhardt & Silveira, 2009).
A coleta de dados ocorreu entre os meses de Março e Agosto do ano de 2023, na Central de Interpretação de Libras (CIL) da cidade de Vitória da Conquista-BA. As CIL 's são parte da política desenvolvida pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (Oliveira et. al. , 2012) que tem como objetivo a garantia irrestrita aos serviços públicos a surdos, deficientes auditivos e surdos cegos.
Os participantes foram convidados a partir de redes sociais e, a cada entrevista, era solicitado o contato de pessoas que se enquadrassem nos critérios estabelecidos. Como critérios de inclusão, foram definidos que os indivíduos selecionados para a entrevista deveriam ser adolescentes entre 12 e 18 anos, com perda auditiva severa ou profunda entre 70 e +90 decibéis, no período pré-lingual, entre 0 e 3 meses, filhos de pais ouvintes e usuários da Língua Brasileira de Sinais.
Como critérios de exclusão, foram estabelecidos adolescentes surdos com deficiência intelectual, surdos cegos ou que fizessem uso de tecnologias de apoio, como amplificadores ou próteses auditivas e aqueles filhos de pais surdos.
Como instrumentos, foram utilizados um questionário sociodemográfico para caracterização da amostra (ABEP, 2020) e entrevista semiestruturada. A entrevista foi composta por 13 itens elaborados pelos pesquisadores com base na literatura sobre desenvolvimento socioemocional (Brasseur et. al. , 2013). As questões abrangem a comunicação intrafamiliar, assim como a percepção, compreensão, expressão, regulação e uso das emoções.
As traduções das entrevistas foram realizadas por tradutoras intérpretes profissionais familiarizadas com a pesquisa e os aspectos éticos envolvidos. As entrevistas foram gravadas com o auxílio de um gravador para o registro da tradução de voz e por vídeo, garantindo assim a fidedignidade dos dados.
Para a análise do conteúdo, foi utilizado o método proposto por Bardin (2011) que consiste em um conjunto de técnicas objetivas e sistemáticas com o objetivo de produzir inferências sobre os contextos de produção das falas a partir do conteúdo das mensagens produzidas. Para isso, são propostas três etapas, a saber: preparação das informações, transformação do conteúdo em unidades e tratamento dos resultados.
Os participantes foram informados sobre os objetivos e procedimentos da pesquisa, sobre o sigilo e o direito de desistir da participação no estudo, a qualquer momento. A participação na pesquisa esteve condicionada à autorização através da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) pelos pais e ao Termo de Assentimento Livre e Esclarecido (TALE) para os adolescentes, conforme previsto na resolução 510/2016 do CNS/MS. O projeto foi submetido ao Comitê de Ética e Pesquisa, tendo recebido aprovação, conforme parecer consubstanciado de número 5.744.031.
Para a preservação da identidade dos participantes, serão utilizados nomes fictícios ao longo da discussão dos resultados e qualquer informação que possibilite sua identificação será omitida da pesquisa.
Resultados
As entrevistas tiveram a duração média de 18 minutos. A curta duração pode ser atribuída à temática complexa e sensível das emoções, o que não interfere na profundidade das respostas. A objetividade e o silêncio também podem ser interpretados em um tema em que faltam sinais para expressar as emoções que atravessam suas vivências.
Em contrapartida, um dos relatos é substancialmente diferente. Quem é identificada no corpo da discussão como Viviana, com 18 anos , é inserida em um contexto diferente dos demais. A convivência com outros familiares surdos, mais velhos, influencia a dinâmica das interações cotidianas. A comunicação, o questionamento e a validação das emoções acontecem nas trocas mediadas por um vocabulário emocional rico em sua língua materna.
Mesmo no contato com a mãe ouvinte a comunicação não se apresenta como um obstáculo pela sua fluência na língua de sinais. Além disso, o compartilhamento de experiências com surdos sinalizadores fortalece a sensação de pertencimento a uma comunidade com costumes, regras e uma identidade própria.
As famílias dos adolescentes entrevistados oferecem diferentes níveis de suporte ao seu desenvolvimento. Aspectos comunicacionais, socioeconômicos e culturais atravessam as possibilidades de desenvolvimento do repertório para adaptação à criança surda. Os responsáveis que acompanharam as entrevistas foram, exclusivamente, suas mães. Apenas uma participante, maior de idade, compareceu à entrevista sozinha.
Os responsáveis pelos participantes exerciam o papel de cuidado pelo adolescente surdo. Em comparação a outros familiares, possuem um conhecimento maior em Libras, obtido como forma de possibilitar a interação cotidiana. A aproximação da língua aconteceu a partir de cursos oferecidos pela Central de Interpretação de Libras (CIL), da Prefeitura do município ou instituições de Ensino Superior. Alguns, se aprofundando na comunidade surda, continuaram se capacitando, chegando a formação superior em Letras Libras e exercendo a função de tradutor intérprete em diferentes contextos de atuação.
Como resultado das entrevistas, foram identificadas duas categorias e três subcategorias a partir da análise dos dados produzidos, a saber: 1. Modos de comunicação e 2. Competências emocionais. A dimensão das competências emocionais é dividida em subtópicos identificados a partir da literatura. Foram categorizadas e discutidas as seguintes subcategorias: 2.1. Identificação das emoções; 2.2. Expressão emocional e 2.3. Regulação emocional.
Discussão
Os modos de comunicação referem-se às diferentes formas pelas quais as pessoas trocam informações entre si. Enquanto a língua portuguesa se baseia na modalidade oral-auditiva, a Língua Brasileira de Sinais é visuoespacial (Moura et. al. , 2011). Essa diferença estabelece obstáculos à comunicação de crianças surdas filhas de pais ouvintes que podem causar prejuízos ao desenvolvimento da linguagem e, como consequência, de áreas que dependem da interação social para acontecer (Tiwari & Tiwari, 2012).
Embora a proposta bilíngue seja bem aceita entre pesquisadores e profissionais da área da educação surda, a falta de acesso à informação e os estigmas relacionados à deficiência são fatores que colaboram para que a maioria das crianças surdas chegue à escola com pouco ou nenhum conhecimento da Libras e/ou da língua portuguesa (Toffolo et. al. , 2017).
Nos relatos das entrevistas conduzidas ao longo da pesquisa, estratégias de comunicação como a oralização, assim como o uso de gestos e sinais caseiros foram identificadas como frequentes no ambiente familiar: “ela pede pra mim oralizar aí quando eu oralizo ela entende mais ou menos …” Júlia, 15 anos. Apesar disso, os cuidadores responsáveis pelos participantes possuíam algum conhecimento em Libras, fazendo com que estratégias alternativas fossem restritas a determinados contextos.
A adoção de estratégias oralistas pode ser considerada parte do processo de transição que mescla as duas línguas dos participantes envolvidos numa conversação (Adriano, 2010). Entretanto, quando utilizada como único ou principal meio de comunicação, prejudica a qualidade das interações e o desenvolvimento da pessoa surda enquanto gestos, sinais caseiros e mímicas possuem limitações quanto à complexidade do que pode ser comunicado (Cappellini, 2019).
Quando a comunicação com familiares ouvintes em Libras é possível, o nível de fluência não é o mesmo para todos, proporcionando uma condição heterogênea de interação. Sendo assim, as estratégias de comunicação podem variar a depender do membro com quem se interage, indo do uso de gestos, “O meu pai é com quem eu tenho mais dificuldade. Eu consigo compreender mais pelos gestos, comunicação e expressão gestual” Viviana. Até abs da interação na ausência da possibilidade do uso da língua de sinais “através de libras ou à s vezes eu fico quieto ” Marcos, 15 anos.
A diferença estabelecida entre os modos de comunicação do adolescente surdo e sua família ouvinte pode levar a uma diminuição nas interações cotidianas. Na adolescência, é comum que haja um rompimento com a família em busca de novos referenciais identitários (Lobo, 2016). Motivado pelas mudanças e acesso a outros ambientes, o adolescente surdo encontra possibilidades de identificação com profissionais e pares surdos. Entretanto, até essa ser uma possibilidade, a pessoa surda permanece isolada em seu ambiente familiar (Oliveira, 2017), o que repercute na sua relação com o mundo (Stelling & Torres, 2014).
Para pessoas surdas, as conversas com seus pares ouvintes com frequência é curta e entrecortada (Strobel, 2016). Além disso, em situações cotidianas as interações entre pessoas surdas e familiares ouvintes pode não acontecer ao mesmo tempo para as duas partes. Viviana, traz à tona essa questão em sua colocação: “… quando eu percebo que eles estão conversando oralmente, eu pergunto: o que vocês estão conversando? Então a comunicação pra mim ela chega de uma forma mais retardada, não se dá juntamente com a interação da família, no mesmo tempo”.
Como aponta Strobel (2016), devido à diferença linguística, surdos podem não conseguir acompanhar os diálogos entre seus pares ouvintes. Como consequência, em interações familiares buscam frequentemente explicações para compreender o que está acontecendo ao seu redor. Esse atraso na comunicação, e a necessidade constante de solicitar informações para entender as interações que estão acontecendo, favorece a sensação de não pertencer àquele contexto: “… a maioria deles interagem entre si, eu fico sozinha … ão tem uma conversa longa.” Júlia.
Nesse contexto, o componente da família que possui maior familiaridade com a língua de sinais, assume o papel de cuidado e intermedia as interações entre os outros membros. Uma das irmãs ouvintes de Cíntia, 16 anos, possui uma compreensão melhor da Libras. Como consequência, se torna mediadora de algumas interações: “ mas a minha irmã sempre intermedia nossas conversas, ela é como uma intérprete em casa”. A longo prazo, a responsabilidade por garantir a comunicação entre os membros da família se torna uma sobrecarga para a figura que assume esse papel no ambiente familiar e em outros contextos (Thomaz et. al. , 2019).
Adquirir uma segunda língua é uma tarefa complexa. Para os pais, conciliar as readaptações necessárias no nascimento de uma criança com o aprendizado da Libras é desafiador. Além disso, sendo a língua gestual natural para pessoas surdas, existe um descompasso no aprendizado dos pais e da criança, já que esta passam a fluência com maior facilidade requerendo um investimento e aprimoramento constante.
O luto vivenciado nesse período pode se tornar um obstáculo à adaptação. Nesse contexto, a resistência em aceitar a condição reforça a ideia de que seus filhos podem atingir padrões de fala desejados, levando à imposição da língua oral às crianças (Monteiro et. al. , 2016; Santana, 2007). Esse processo dificulta o reconhecimento da Libras como primeira língua e melhor alternativa para o desenvolvimento satisfatório da pessoa surda .
O reconhecimento e o contato com a comunidade surda potencializam esse aprendizado, que não é apenas da criança, mas também da família. Estratégias de comunicação orais, quando substituídas, tornam-se pouco frequentes e dão lugar à sinalização: “... o sinal quando eu ia fazer, tinha que escrever, eu escrevia pra eles entenderem, fazia datilologia. E hoje a família se tornou uma família mais fluente …” Viviana.
A partir das falas de Viviana, é possível identificar o papel da Libras nas interações familiares. A língua possibilita o compartilhamento de experiências que auxiliam na compreensão de suas emoções, proporcionando um espaço seguro de acolhimento e validação. A comunicação é facilitada a partir da língua de sinais, tornando as interações familiares mais positivas e satisfatórias: “ … quando a gente começa a se comunicar em Libras, a comunicação fica bem melhor”, Viviana.
Competências emocionais: Identificação, expressão e regulação emocional.
As competências emocionais podem ser compreendidas como as habilidades adquiridas ao longo da vida para o manejo de demandas, desenvolvidas nas interações do sujeito com outros indivíduos e mediadas pela cultura mediadas pela cultura, que se desenvolvem nas interações do sujeito com outros indivíduos (Brasseur et al, 2013).
As cinco dimensões que compõem a competência emocional são descritas por Brasseur et al (2013) como: 1- Identificar (perceber quando uma emoção acontece) 2- Expressar (expressar suas emoções de uma forma socialmente aceita) 3- Compreender (compreender as causas e consequências das emoções) 4 - Regular (regular as emoções quando sua expressão não é apropriada ao contexto) 5 - Usar (capacidade de usar as emoções em um processo de reflexão sobre o contexto, assim como na tomada de decisões). A identificação emocional é a dimensão das competências emocionais que envolve a capacidade de reconhecimento e diferenciação das emoções (Brasseur et al. 2013). O contexto desencadeador, as reações fisiológicas, expressões faciais e corporais associadas a uma emoção são componentes importantes na discriminação das emoções (Wiefferink et. al. , 2013).
Além disso, a competência requer que seja desenvolvido um vocabulário para a nomeação adequada das emoções (Wiefferink et al, 2013). Bosacki & Moore (2004) apontam para evidências na literatura sobre o papel essencial da comunicação no desenvolvimento de habilidades emocionais. Sendo assim, crianças surdas podem apresentar prejuízos significativos na habilidade de identificação das emoções em si e nos outros (Rieffe & Meerum, 2006).
Apesar disso, no relato das entrevistas conduzidas, os participantes descrevem uma aguçada capacidade de reconhecimento das emoções em outras pessoas. Atribuem o desenvolvimento da habilidade à característica visual da língua de sinais, que permite o reconhecimento e discriminação de expressões faciais com precisão. Viviana aponta para a questão do componente visual na Libras em sua fala: “… na expressão facial eu consigo compreender de uma forma muito clara sobre o jeito das pessoas. A expressão facial, ela ajuda a entender e compreender como é o estado da pessoa, do sentimento da pessoa ”.
Assim como as línguas orais, as línguas de sinais podem ser decompostas em unidades menores. Atualmente, são reconhecidos cinco parâmetros da língua de sinais, sendo eles: 1. Configuração de mão; 2. Movimento; 3. Direção; 4. Orientação; 5. Expressão não manual (Brito, 2010; Quadros, 2007).
As expressões não manuais incluem expressões faciais e, corporais que dão intensidade e significado ao que é dito. A característica gesto- visual das línguas de sinais atribui valor a características dos contextos importantes na identificação das emoções (Cardoso, 2018). Além disso, a expressão facial é o recurso disponível para que esses adolescentes compreendam seu contexto. Sua habilidade de reconhecimento é também uma compensação que surge na impossibilidade de se comunicar: “a falta de comunicação quando era pequena eu conseguia compreender ela mais pela expressão facial …” Viviana.
O relato de Viviana evidencia que o reconhecimento de emoções nos outros, por meio da visualidade, é uma habilidade desenvolvida em resposta aos obstáculos comunicativos enfrentados ao longo de seu desenvolvimento. O reconhecimento de pistas contextuais possibilita um olhar e compreensão das emoções a partir de características da situação: “quando a morte de um familiar, quando faleceu, me pegou de surpresa, eu fiquei triste …” Viviana.
Entretanto, isso não significa o desenvolvimento de um repertório para a diferenciação emocional. Essa habilidade pode ser compreendida como a aptidão para empregar palavras emocionais apropriadas, de maneira específica às situações emocionais vivenciadas no momento, evitando expressões genéricas. É importante ressaltar que a diferenciação emocional não está relacionada ao vocabulário usado para expressar a emoção, mas ao emprego coerente e distinto de palavras direcionado às situações emocionais específicas (Aparício et. al. , 2020).
Com isso, apesar do componente visual da língua facilitar a identificação de emoções primárias, o repertório para a diferenciação das emoções é prejudicado. Júlia aponta para essa dificuldade em seu relato: “ Eu não consigo observar o sentimento do meu coração … à s vezes eu só sinto, mas não consigo entender o que eu tô sentindo”. Já Marcos tem dificuldade em descrever seus sentimentos em profundidade. Identifica sua raiva, mas não consegue se aprofundar no significado subjetivo da emoção ou nas reações fisiológicas e comportamentais relacionadas: “com dor de cabeça e fechado por dentro”.
Júlia sente angústia ao perceber sua dificuldade em identificar as próprias emoções. Estudos apontam para a relação negativa entre diferenciação emocional e psicopatologia (Israelashvili et. al. , 2019). Além disso, a identificação e diferenciação emocional estão na base das competências emocionais e, sem o desenvolvimento satisfatório dessas habilidades, a expressão e a regulação emocional são prejudicadas.
Na adolescência, a família permanece como ambiente de socialização primário. Entretanto, nesse período, pode ocorrer uma desvinculação do adolescente caso não haja possibilidades de comunicação e identificação (Lobo, 2016). Viviana aponta para a função da família na compreensão de suas próprias emoções: “... peço à minha família me explicar sobre isso e aí eles me explicando que eu consigo entender que isso é uma forma natural do ser humano, sentir raiva, que isso é uma forma natural, sentir nervosismo”.
No mesmo relato, Viviana aponta para a família como um lugar seguro para a expressão e desenvolvimento emocional, fornecendo segurança para uma exploração das suas emoções em outros contextos: “minha família me incentiva a continuar exercitando, lidando com isso e assim, mesmo triste, a gente consegue se comunicar”. No entanto, isso não acontece para os outros adolescentes entrevistados. Mesmo que sejam acolhidos em determinados momentos, comunicar os seus sentimentos ainda é um obstáculo.
Para alguns, mesmo diante da necessidade de comunicar suas emoções, precisam assumir a responsabilidade de ensinar sua língua a familiares para possibilitar a interação. A respeito disso, Júlia descreve algumas interações com sua família nas quais assume a tarefa de acalmar e orientar: "Calma, que eu vou explicar, não se preocupa não, calma que eu vou explicar pra você, relaxa".
A inserção do adolescente em novos contextos de socialização favorece a construção de novos referenciais identitários (Lobo, 2016). O contato com pares surdos e/ou profissionais auxilia na superação de déficits sociais importantes e no desenvolvimento de habilidades, assim como na construção de sua identidade (Stelling et. al. , 2014). Para a família, a convivência com pessoas surdas adultas oferece um referencial de desenvolvimento e uma visão positiva do futuro (Stelling et al, 2014) facilitando a aceitação e adaptação às suas necessidades.
Expressão emocional
A habilidade de comunicar emoções engloba sua expressão por meio de elementos verbais e não verbais de modo socialmente aceito (Brasseur et al, 2013). A expressão emocional refere-se à manifestação percebida das emoções através de comportamentos, expressões faciais e corporais, tons de voz e outros aspectos (Miguel, 2015). Esses sinais comunicam informações sobre o estado emocional de uma pessoa aos os outros, facilitando a compreensão mútua e a interação social. O contexto cultural e a história individual têm influência significativa sobre a avaliação que determina quais estímulos provocam emoções e em como esta deve ser expressa de maneira aceitável (Gendron et. al. , 2014).
A expressão verbal das emoções compreende a capacidade de comunicar estados emocionais por meio de palavras, sejam elas orais ou sinalizadas (Cardoso, 2018). Apesar das semelhanças entre os parâmetros das línguas orais e línguas de sinais, a diferença dos sentidos utilizados na comunicação implica à alteração da expressão emocional.
Quadros e Stumpf (2009) apontam que, enquanto as línguas orais usam a variação do tom, volume e pausa, a Libras utiliza as expressões faciais, posturas corporais e rítmicas com função semelhante. Entretanto, na Libras a expressão facial assume também a função de comunicação gramatical, diferenciando-a das línguas orais nesse aspecto (Cardoso, 2018).
O ensino tardio de uma língua implica atraso do desenvolvimento da linguagem (Rovere et. al. , 2018). Como consequência, áreas que dependem da comunicação para acontecer são prejudicadas. A expressão emocional satisfatória requer o aprendizado de um vocabulário adequado para a nomeação das emoções, assim como para a sua diferenciação (Wiefferink et. al. , 2012).
Os adolescentes entrevistados tiveram um acesso tardio à língua de sinais, eja pela resistência familiar ou pela dificuldade de acesso à informação no momento do diagnóstico. O atraso de acesso à Libras é percebido pelos participantes como central em suas dificuldades de interação cotidianas. Júlia retrata o medo de não ser compreendida ao falar sobre o que sente pelo vocabulário restrito para identificar e descrever suas emoções: “… eu tenho medo de não ser compreendida, porque a minha Libras é muito básica ainda e às vezes eu não sei sinalizar o meu verdadeiro sentimento …”.
Marcos, ao ser questionado sobre como era sentir raiva, consegue descrevê-la apenas como estar: “com dor de cabeça e fechado por dentro”. Apesar de ser um emoção frequente em sua experiência, não consegue se aprofundar na sua descrição e significado subjetivo. A impossibilidade de comunicar suas emoções leva ao isolamento do adolescente, o que favorece a manutenção de emoções negativas em contextos de interação:“ não sinto capacitada assim pra poder ser fluente, pra entender o que eu tô dizendo e pra poder sinalizar em Libras pra explicar pra as pessoas, aí à s vezes eu fico triste por isso” Júlia.
A dificuldade em falar sobre suas emoções não se limita ao sistema familiar, mas se estende a outros ambientes. O contato com surdos sinalizadores é potencialmente espaço para o desenvolvimento de competências emocionais, entretanto, essa interação precisa ser estimulada. O referencial de adultos e/ou profissionais surdos ou bilíngues nesses ambientes exerce um papel importante nesse desenvolvimento, assim como na construção de sua identidade.
A expressão não verbal é um componente central na comunicação das emoções que inclui o uso de gesticulação, expressões faciais e corporais, tom de voz, assim como comportamentos relacionados à fisiologia das emoções (Miguel, 2015). Entretanto, existem limitações quanto ao que pode ser comunicado dessa forma. É possível expressar o que está sentido, mas não apontar com exatidão as causas ou percepções subjetivas sobre a emoção. A expressão verbal complementa esse processo, possibilitando a elaboração e comunicação de estados emocionais complexos (Cardoso, 2018).
Na ausência de pares que compartilham uma língua, a expressão não verbal é uma ferramenta de comunicação. Júlia descreve o choro como a possibilidade de expressão da sua tristeza que surge na impossibilidade de falar sobre as suas emoções: “Quando tô triste, eu fico triste, choro, as pessoas não sabem o que eu tô sentindo”. Para Marcos, na dificuldade de comunicar o que sente, a expressão facial e corporal comunicam sua raiva em contextos sociais: “ Fico de cara fechada, quando eu perco alguma brincadeira”.
Os participantes também demonstram receio em expressar o que sentem, que está para além das dificuldades de comunicação. Suas emoções não são compreendidas e, muitas vezes, se veem como um peso para a família: “... Às vezes eu me calo diante de algumas situações em relação aos meus sentimentos… eu não quero preocupar a minha mãe sobre… os meus problemas…” Cíntia. O medo das reações dos outros também inibe a expressão emocional: “Acho que é um segredo pessoal meu, é muito difícil falar sobre isso… às vezes eu tenho medo de sofrer retaliação… então eu prefiro guardar pra mim só”.
Viviana aponta como o compartilhamento de uma língua possibilita o questionamento sobre os seus sentimentos e os dos outros: “às vezes… minha mãe é muito séria eu falo: ‘ nossa, você está muito triste’ e ela fala assim: ‘Não, eu tô normal. O meu jeito é esse”. Além disso, possibilita a comunicação de suas próprias emoções e validação das pessoas próximas: “Às vezes, quando eu tô muito triste, eu vou tentar desabafar. E não é todo dia, mas às vezes eu explico pra eles o que estou sentindo e eles pedem para mim ter calma” Viviana.
Os relatos apontam para questões importantes no desenvolvimento emocional de adolescentes surdos. Indivíduos punidos por expressar suas emoções tendem a inibir pistas não verbais do seu estado emocional. Em contrapartida, tendem a ser mais vulneráveis aos sinais emocionais dos outros, principalmente não verbais (Halberstadt, 1983).
Regulação emocional
A regulação emocional se refere à capacidade de regular suas emoções de maneira apropriada ao contexto (Brasseur et al, 2013). As respostas diante às próprias emoções e as dos outros é atravessada pela compreensão daquilo que é adequado e possível de ser feito. Sendo assim, a cultura permanece como fator relevante na avaliação da validade de determinadas estratégias (Cruvinel & Boruchovitch, 2010).
Quando a comunicação é possível, as respostas são ampliadas, favorecendo uma tomada de decisão mais adequada ao contexto da emoção. Júlia, antes de acolher, busca verificar o estado emocional e compreender os contextos desencadeadores da emoção: “eu pergunto: ’ Você tá triste? Por que você tá triste?’ ”. Entretanto, o repertório de estratégias para o acolhimento das emoções dos outros pode ser limitado. Diante da expressão de tristeza, Júlia relata com frequência: “eu abraço, dou carinho, só isso”, assim como Marcos: “chega junto e faz carinho” em diferentes situações.
A família exerce um papel importante no desenvolvimento socioemocional. Segundo Shaffer e Obradović (2016), o comportamento dos pais e a qualidade das interações com os filhos influenciam na eficácia dessa habilidade. Na falta de uma língua que medie a comunicação, estratégias não verbais são frequentemente utilizadas para acolher as emoções: “eles me tratam assim, mais com beijo, com abraço, tentam me acalentar de alguma forma assim, uma expressão mais de toque, mas na comunicação, não” Júlia.
O desenvolvimento de estratégias emocionais é aprimorado ao longo da vida (Cruvinel & Boruchovitch, 2010) e as estratégias de regulação emocional são influenciadas pelas crenças e valores dos pais sobre as emoções e o seu manejo (Meyer et al., 2014). A forma como as emoções são acolhidas e compreendidas no contexto familiar compõem parte significativa do repertório que será generalizado para outras relações (Shaffer & Obradović, 2016).
Para os participantes, as expressões não verbais de acolhimento das emoções como abraços, carinhos e outras demonstrações de afeto são estratégias recorrentes de acolhimento no contexto familiar. Com isso, as formas de lidar com as emoções das outras pessoas permanecem sendo não verbais mesmo diante da possibilidade de comunicação com pares surdos.
Em relação às estratégias utilizadas na regulação das próprias emoções, Curvello e Mendes (2020) apontam para duas abordagens centrais, a reavaliação cognitiva e a supressão emocional. A reavaliação cognitiva consiste na prática de olhar para as emoções e para respostas em determinada situação, o que permite o desenvolvimento do pensamento crítico e amplia o repertório de respostas emocionais, dentre outras habilidades (Curvello & Mendes, 2020). Enquanto a supressão emocional se refere à capacidade de inibir conscientemente as respostas emocionais adequando-as ao contexto (Gross & John, 2003).
Para Viviana, a possibilidade de sinalizar, ser compreendida e manter um diálogo sobre suas emoções , permitiu uma ressignificação da experiência emocional como sendo natural, mesmo quando negativa: “elas me explicando que eu consigo entender que isso é uma forma natural do ser humano, sentir raiva, que isso é uma forma natural, sentir nervosismo” Viviana.
A utilização frequente da reavaliação cognitiva está relacionada negativamente a sintomas depressivos e positivamente à maior satisfação, otimismo e autoestima, assim como melhor qualidade das interações sociais (Silva & Freire, 2014). Entretanto, processos de reavaliação cognitiva, como o apresentado por Viviana, precisam que a comunicação seja uma possibilidade. Obstáculos na comunicação limitam as estratégias que podem ser utilizadas, sendo um dos fatores que influenciam a adoção de estratégias menos eficientes como a supressão emocional.
A supressão emocional também se encontra descrita nos relatos dos participantes como estratégia regulatória: “ … de repente eu consigo dominar a situação e volto à minha rotina novamente” Júlia. Apesar de ser uma estratégia funcional a curto prazo, a supressão emocional pode ser resultado do receio de expressar suas emoções e se estender para contextos onde não seria uma estratégia adequada: “ eu prefiro não deixar ela nervosa com meus problemas pessoais” Cintia. Gross (2002) aponta que o uso frequente da supressão emocional no manejo das emoções está relacionado ao menor bem-estar, satisfação com a vida, autoestima e otimismo em relação ao futuro.
Considerações Finais
As diferenças individuais, sejam elas pessoais ou de contexto, influenciam no desenvolvimento de respostas emocionais e estratégias de enfrentamento dos participantes de maneiras diferentes. O desenvolvimento humano é multifatorial e, o recorte de pesquisa sobre o papel das interações comunicacionais no desenvolvimento socioemocional permite observar importante, a família (Bronfenbrenner, 1986).
Na adolescência, a família permanece como espaço de significativa importância para o desenvolvimento global oferecendo suporte enquanto espaço seguro diante das novas experiências e responsabilidades desse período (Lobo, 2016). Enquanto característica diferencial no desenvolvimento, a surdez propõe desafios para o adolescente que lida com as mudanças e responsabilidades características desse período atravessadas pelas dificuldades de comunicação.
A Língua Brasileira de Sinais é reconhecida como meio de comunicação e expressão da comunidade surda (BRASIL, 2002). Enquanto língua, sua estrutura gramatical, semântica e sintática (Quadros e Stumpf, 2009) permitem a comunicação de ideias abstratas e complexas como as que são necessárias na comunicação das emoções. Sinalizar uma emoção é, em parte, simular sua expressão. Enquanto parâmetro da Libras, as expressões não manuais atribuem intensidade e significado ao que está sendo dito (Cardoso, 2018). As expressões faciais e corporais presentes na sinalização facilitam a identificação, diferenciação e expressão das emoções.
Os adolescentes entrevistados descrevem em seus relatos como a característica visual da língua de sinais permite a identificação das emoções dos outros com facilidade. Entretanto, é preciso considerar que essa habilidade se desenvolve em contextos em que comunicar suas necessidades não é possível. Diante dessa impossibilidade, a identificação das emoções nos outros surge enquanto adaptação ao isolamento linguístico do adolescente surdo em contextos sociais como a escola e a família. Ainda assim, o que pode ser feito a partir da identificação do estado emocional dos outros é limitado devido ao restrito repertório para uso, expressão e regulação das emoções.
Apesar da facilidade em perceber emoções básicas, os participantes encontram dificuldade em diferenciar estados emocionais complexos ou descrever as reações fisiológicas relacionadas às emoções e seu significado subjetivo. Autores como Rieffe & Meerum (2006) apontam que a identificação das emoções pode ser prejudicada em crianças surdas devido aos obstáculos encontrados na interação com seus pares ouvintes.
Em relação à expressão emocional, os entrevistados apresentaram significativa dificuldade em sinalizar suas emoções. A expressão emocional satisfatória requer o aprendizado de um vocabulário adequado para a nomeação das emoções, assim como para a sua diferenciação (Wiefferink et al, 2012). O aprendizado tardio da língua e o contato restrito com surdos sinalizadores adultos são fatores que dificultam a construção de um vocabulário para a expressão adequada das emoções.
Como consequência das dificuldades em identificar, diferenciar e expressar suas emoções, a regulação emocional é prejudicada. Os obstáculos presentes na comunicação restringem o desenvolvimento de estratégias para o manejo das emoções que. Diante disso, a supressão emocional é a estratégia descrita com maior frequência pelos participantes como modo de enfrentamento diante de emoções negativas.
A entrevista de Viviana forneceu um contraponto importante aos resultados encontrados na pesquisa. Em uma composição familiar com outros membros surdos, a experiência da perda auditiva, assim como a língua de sinais é compartilhada entre os membros. Com isso, a compreensão sobre suas emoções se desenvolve dentro das interações familiares, favorecendo o fortalecimento de sua identidade e a sensação de pertencimento. Entretanto, para os demais entrevistados a comunicação ainda é um obstáculo a ser superado nas interações familiares.
O estudo apresenta limitações que apontam para aspectos importantes na condução de pesquisas com a comunidade surda. Mesmo compondo o universo de indivíduos, a amostra foi limitada permitindo inferências importantes, mas não generalizações. Segundo Brice e Strauss (2016), existe uma dificuldade em recrutar grandes amostras para que sejam realizadas o exame de hipóteses com algum poder preditivo. Essa é uma dificuldade recorrente encontrada em estudos conduzidos com pessoas surdas e aponta para questões de acesso a essa população.
É importante ressaltar que as dificuldades apresentadas pelos adolescentes não são decorrentes da surdez, mas dos obstáculos que surgem no desconhecimento da sociedade sobre a Libras e o seu papel no desenvolvimento surdo (Thomaz et al, 2019). Como aponta Vygotsky (2012), pessoas que nascem surdas não vivem a experiência da perda auditiva, mas estando em um mundo orientado por normas auditivas, não tardam a vivenciar a experiência da deficiência.
Além disso, a surdez não anula características individuais e próprias dessa fase do desenvolvimento, como pode ser percebida na colocação de Viviana: “Eu falo muito pouco, eu não sou de conversar bastante …” ou pelo silêncio de Marcos que, apesar das respostas curtas e precisas, consegue descrever sentir vergonha ao conversar com outras pessoas, principalmente sobre suas emoções.
Considerando o exposto, reitera-se a necessidade de investimento em pesquisas que explorem a relação entre a comunicação de adolescentes surdos com seus familiares e seu desenvolvimento socioemocional. A implementação de políticas públicas voltadas à educação bilíngue nas escolas, bem como a construção de intervenções específicas para o desenvolvimento socioemocional de pessoas surdas, mostra-se imprescindível. Estudos futuros devem atentar para as dificuldades de acesso a essa população, contando com a participação de profissionais inseridos na comunidade surda, o que pode favorecer uma interação mais alinhada às bases teóricas que reconhecem a surdez como uma cultura com costumes e identidade próprios.
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