"Nada sobre nós, sem nós": tutorial bilíngue (Libras-Português) para acessibilidade de pessoas surdas aos portais de ingresso do IFC

"Nothing about us, without us": bilingual tutorial (Libras-Portuguese) for the accessibility of deaf people to IFC application portals

"Nada sobre nosotros, sin nosotros": tutorial bilingüe (Libras-Portugués) para la accesibilidad de las personas sordas a los portales de ingreso del IFC

 

Marimar da Silva

Instituto Federal de Santa Catarina – IFSC, Florianópolis – SC, Brasil.

marimar.silva@ifsc.edu.br

 

 

Daiana Henrique Maria

Instituto Federal Catarinense – IFC, Florianópolis – SC, Brasil.

daiana.maria@ifc.edu.br

 

Recebido em 28 de março de 2023

Aprovado em 22 de janeiro de 2025

         Publicado em 18 de março de 2025

 

 

 

 

RESUMO

Este estudo na e para a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) tem como objetivo contribuir para qualificar a acessibilidade do público surdo aos portais de ingresso do Instituto Federal Catarinense (IFC), tendo em vista que estes têm se mostrado uma barreira para essa população. Assim, foi elaborado, implementado e avaliado um produto educacional instrucional, na tipologia tutorial bilíngue (Libras-Português), respeitando a língua e cultura surda. A pesquisa, de natureza aplicada com análise qualitativa dos dados, foi realizada com uma estudante surda, quatro técnicos administrativos em educação (TAEs), uma docente surda e um especialista em audiovisual. Os instrumentos de geração de dados incluíram questionários e entrevistas com os participantes antes, durante e após a aplicação do produto. O estudo demonstrou que os recursos de acessibilidade desenvolvidos para o tutorial viabilizaram a compreensão e a realização da inscrição de forma autônoma e exitosa pela estudante surda participante do estudo, além de estimular processos cognitivos que levam a diferentes aprendizagens e potencializam processos de ingresso mais inclusivos e equitativos. Porém, o estudo alerta para a ampliação da população surda em estudos futuros.

Palavras-chave: Educação Profissional e Tecnológica; Acessibilidade a Portais; Estudante Surdo.

 

 

ABSTRACT

This study in and for Vocational Education aims to contribute to qualifying the accessibility of the deaf person to the Catarinense Federal Institute (IFC) portals, due to the fact that they have been a barrier for that population. To do so, an educational product was designed, implemented and evaluated, in the typology of a bilingual tutorial (Libras-Portuguese), respecting the deaf language and culture. The research, applied in nature with qualitative analysis of the data, was carried out with a deaf student, four administrative technicians in education, a deaf teacher, and an audiovisual specialist. The data generation instruments included questionnaires and interviews with the participants before, during and after the implementation of the product. The study demonstrated that the accessibility resources developed for the tutorial enabled the understanding of the processes and the successful and autonomous enrollment by the deaf student, besides stimulating cognitive processes that lead to different learning and enhance more inclusive and equitable processes of application. However, the study suggests enlarging the research deaf population for future studies.

Keywords: Vocational Education; Accessibility to Portals; Deaf Student.

 

 

RESUMEN

Este estudio en y para la Educación Profesional y Tecnológica (EPT), pretende contribuir a cualificar la accesibilidad y usabilidad de los portales del Instituto Federal Catarinense (IFC) para el público sordo, teniendo en cuenta que se muestran como una barrera para esta población. Para eso, se diseñó, implementó y evaluó un producto educativo instruccional, en la tipología tutorial bilingüe (Libras-Portugués), respetando la lengua y cultura sorda. La investigación, de naturaleza aplicada con análisis cualitativa de los datos, se realizó con una estudiante sorda del IFC, cuatro técnicos administrativos en educación, una docente sorda y un especialista en audiovisual. Los instrumentos de generación de datos incluyeron cuestionarios y entrevistas a los participantes antes, durante y después de la aplicación del tutorial bilingüe. El estudio demostró que los recursos de accesibilidad desarrollados para el tutorial posibilitaron la comprensión e inscripción exitosa y autónoma de la alumna sorda participante del estudio, y estimulan procesos cognitivos que conducen a aprendizajes diferentes y potencian procesos más inclusivos y equitativos de ingreso. Mientras tanto, el estudio propone la ampliación de la población sorda en estudios futuros.

Palabras clave: Educación Profesional y Tecnológica; Accesibilidad a Portales; Estudiante Sordo.

 

Introdução

          Historicamente, no Brasil, a pessoa surda tem sido socialmente percebida pelo viés da “deficiência1”. Entretanto, a comunidade surda e os estudos culturais definem essas pessoas em termos culturais e linguísticos. (QUADROS, 2015). Nessa perspectiva, Perlin (2010) enfatiza que se discuta a surdez não como uma deficiência, propondo sua correção e oralização, mas sob a ótica da diferença, sob o ponto de vista de dentro, “usando óculos surdos”, que permitem de fato uma visão da realidade surda. “Ser surdo é ter proximidade com a experiência visual e viver longe da experiência auditiva [...], é pertencer a um mundo de experiência visual e não auditiva (PERLIN, 2010, p. 56), rompendo com a afirmação de que o Surdo seja usuário da cultura ouvinte.

Do ponto de vista da educação da pessoa surda, Skliar (1999) pondera que não se pode ignorar as obrigações do Estado para essa população, nem a falta de reflexão sobre a cultura surda ou as políticas de significação dos ouvintes sobre as pessoas surdas: “como qualquer outro projeto educacional, [a educação de surdos] não pode ser neutra nem opaca. Porém falta consistência política para entender a educação dos surdos como uma prática de direitos humanos concernentes aos surdos e ouvintes.” (p.09)

Nesse viés, Quadros (2015) ressalta que as pessoas surdas querem aprender na sua língua. Assim, a Libras deve ser privilegiada como idioma de instrução. Tal postura vai além da questão linguística, é um posicionamento político: os estudantes surdos querem se firmar como grupo social com base em suas relações de diferença, e isso implica “mudanças na arquitetura, nos espaços, nas formas de interação, nas formações de professores bilíngues, de professores surdos e de intérpretes de língua de sinais. A questão implica o reconhecimento do status da língua nos níveis linguístico, cultural, social e político” (p.195).

Sobre essa questão, Sacks (1998) ressalta que a linguagem nos possibilita o ingresso pleno no Estado e cultura humana. Por meio da língua, nos comunicamos livremente, adquirimos e compartilhamos informações. Caso não possamos desenvolver esse processo linguístico, ficaremos incapacitados e isolados, sejam quais forem nossos desejos, esforços e capacidades inatas. Assim, apropriar-se da Libras o mais cedo possível potencializa o desenvolvimento cognitivo e linguístico da pessoa surda, assevera o autor.

Com base no exposto, este estudo, um recorte de uma pesquisa de natureza aplicada, com abordagem qualitativa dos dados gerados por questionários e entrevistas com sete participantes, busca contribuir para o acesso de estudantes surdos aos Cursos Técnicos Integrados ao Ensino Médio (CTIEM) do IFC, por meio da qualificação dos processos de inscrição desses estudantes nos portais institucionais criados para esse fim: o Portal de Ingresso e o Portal do Candidato. Partindo da compreensão de que as pessoas surdas se definem em termos culturais e linguísticos, desenvolvemos e implementamos um produto educacional, na tipologia tutorial bilíngue (Libras-Português), para qualificar esse processo, pressupondo-os como barreira para esse público.

Este artigo está organizado em sete seções. A primeira apresentou brevemente o cenário da pesquisa; as duas seguintes trazem a base teórica do estudo; na sequência, o percurso metodológico; depois, a análise e discussão dos resultados; em seguida, a descrição e implementação do produto educacional; e por fim, as considerações finais.

Sujeito surdo: discutindo a educação

Alinhados à percepção do sujeito surdo a partir da diferença, Strobel e Quadros (1997) e Sacks (1998) defendem o movimento social dos sujeitos surdos, que busca o reconhecimento de seus direitos linguísticos e o ensino da Libras de forma precoce, como um exercício de cidadania, de resistência ao ouvintismo2 e, ao mesmo tempo, de integração à comunidade dominante. Nessa linha, Da Silva e Oliveira (2020, p.04) enfatizam que “para que estudantes surdos possam se apropriar do conhecimento formal, para poderem competir em igualdade de condições e oportunidades no mundo do trabalho, deve-se entendê-los como membros de uma comunidade específica, com cultura e idioma próprios, que aprendem a partir de experiências visuais”.

A luta da comunidade surda por uma educação de qualidade para seus filhos surdos no Brasil amealhou algumas conquistas. A Lei 10.436/02, que reconhece a Língua Brasileira de Sinais - Libras como meio legal de comunicação e expressão da pessoa surda, além de outros recursos de expressão a ela associados e o Decreto 5.626/05, que regulamenta a Libras como disciplina curricular, são alguns exemplos. Outro marco importante para a educação da pessoa surda foi a criação da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008), que trouxe contribuições em relação ao acesso, permanência e participação desse público, mas também gerou críticas devido ao tipo de educação proposta: a educação especial em vez da educação bilíngue (Libras-Português), defendida por Skliar (1999) e outros estudiosos.

Com relação ao ingresso nas instituições federais de ensino, a Lei de nº 13.146/2015, em seu artigo 30, determina que nos processos seletivos para ingresso e permanência nos cursos oferecidos pelas instituições de ensino superior, públicas e privadas, devem adotar atendimento preferencial à pessoa com deficiência (PcD) nas Instituições de Ensino Superior (IES) e nos serviços, recursos, uso do tempo, processos de avaliação e tradução de editais e suas retificações. (BRASIL, 2015).

No que tange à questão legal, o IFC conta com uma estrutura organizacional responsável pela elaboração, divulgação e avaliação de seus processos e com portais para orientação e inscrição de candidatos: Portal de Ingresso e Portal do Candidato (IFC, PDI, 2019). Essa estrutura é formada pela Coordenação Geral de Ingresso (CGI), responsável por elaborar os editais de ingresso, planejar, coordenar e avaliar os processos em articulação com os campi e demais setores da Reitoria. Conta ainda com a Coordenação-Geral de Comunicação (CECOM), responsável por divulgar o processo seletivo, publicar informações acerca do processo no Portal de Ingresso, nas redes sociais e em outras mídias, e por gerenciar os portais. Também conta com o Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (NAPNE), voltado às questões relativas à inclusão de pessoas com necessidades específicas, ao desenvolvimento de ações de inclusão e à quebra de barreiras atitudinais, educacionais e arquitetônicas. Por fim, conta com o Núcleo Bilíngue Libras-Língua Portuguesa (NuBi/Reitoria), órgão de natureza propositiva-consultiva com atribuições de propor políticas de acesso, permanência e êxito, de modo a atender, aconselhar e acompanhar, de forma transversal e interdisciplinar, pessoas que se encontrem em vulnerabilidade social, cultural e/ou educacional” (IFC, RESOLUÇÃO 33, 2019).

No que se refere à questão do processo seletivo para ingresso no IFC, acreditamos que pode ser qualificado. Apesar de haver a oferta de vagas reservadas no portal de ingresso da instituição, conforme a legislação vigente, estas estão ociosas. Pressupomos que a ociosidade dessas vagas pode ser resultado de barreira linguística. Dessa forma, faz-se necessário disponibilizar outros recursos ou qualificar os existentes, para garantir aos candidatos surdos o acesso à informação no momento da inscrição, que é o primeiro passo para o acesso à instituição. Na próxima seção, trazemos alguns estudos empíricos, no recorte temporal de 2017 a 2021, sobre a acessibilidade de pessoas surdas na web.

Sujeito surdo: discutindo estudos empíricos

Estudos empíricos recentes sobre a pessoa surda na web, a exemplo do estudo de Valle et al. (2017), explora o conceito de acessibilidade como serviço, implementando e testando um serviço que torne possível o acesso a conteúdo digital para usuários especiais: o programa VLibras, que gera uma legenda em Libras automaticamente a partir de áudio, vídeo ou textos em português e a representa por um avatar-3D embutido na versão acessível do vídeo. Entretanto, o surdo não se sente representado por avatares, como indica o estudo de Palópolo (2021) nesta seção.

O estudo de Barbosa e Müller (2018) também dialoga com o debate sobre acessibilidade para pessoas surdas na web. O artigo discute a produção de conteúdo acessível a surdos na web, por meio do estudo de caso do canal de vídeos Ôxe na plataforma YouTube, e enfatiza que o canal adota a janela de Libras como recurso inovador acessível, em substituição às tradicionais legendas em português, que contribui com o reconhecimento das demandas comunicacionais desse público.

Nessa linha, o estudo de Grilo, Rodrigues e Silva (2019) discute o fato de a maioria dos sites serem projetados em língua portuguesa. O estudo argumenta que a sequência de leitura dos textos, de escaneamento de informações durante a navegação e o arranjo dos elementos informacionais tendem a valorizar a lógica da oralidade e escuta próprias da língua escrita e desconsideram as particularidades da Libras, que é visoespacial. Assim, recomenda que projetos de interfaces para surdos sejam considerados textos mais simples, informações importantes destacadas, ilustrações visuais privilegiadas e tradução do conteúdo para Libras oferecida.

Na mesma perspectiva, o estudo de Silveira e Silva (2021) apresenta o Design Instrucional Contextual como metodologia de criação de produto para acesso do estudante surdo do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) ao sistema institucional - SIGAA/Módulo Discente, argumentando que as diretrizes propostas pelo E-Mag (Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico) não são suficientes para garantir a acessibilidade desse público de forma mais universal.

Os estudos de Melo e Sondermann (2020) e Melo (2021) tratam da promoção da acessibilidade e remoção de barreiras nos processos seletivos no Instituto Federal do Espírito Santo (IFES). Melo e Sondermann (2020) argumentam que a carência de documentos norteadores sobre acessibilidade em processos seletivos discentes impossibilita a equiparação de oportunidades e o acesso em igualdade de direitos por PcDs à EPT. Assim, propõem a elaboração de documentos e cartilhas para o desenvolvimento profissional da equipe escolar numa perspectiva inclusiva. Já o estudo de Melo (2021) buscou compreender as ações de acessibilidade relacionadas aos processos seletivos no IFES. O estudo identificou 28 ações de acessibilidade e verificou que o IFES realizou 68% destas; porém, 53% necessitam de aperfeiçoamento e estão relacionadas à acessibilidade comunicacional.

Estudo semelhante foi realizado por Palópolo (2021), cujo objetivo foi tornar mais acessível o site da Biblioteca Setorial de Educação, da Faculdade de Educação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). No estudo, a autora enfatiza que “antes de buscar implementar a acessibilidade web, é necessário conhecer e compreender a experiência do usuário surdo, pois existe diversidade surda e cada sujeito surdo necessita de uma ferramenta acessível diferente” (p.17). E alerta que, ao disponibilizar o uso de avatares em sites: “muitos surdos pedem para evitar o uso de avatar de Libras, pois não há expressão facial e corporal além de ter falhas de tradução e, na maioria das vezes, fica fora do contexto, o que dificulta muito a compreensão de informações” (p.33). Alerta ainda que sites devam disponibilizar conteúdos em Libras e legenda descritiva simultaneamente, sugerindo a Janela de Libras para esse fim.

Os estudos revisados sugerem recursos e alertas de acessibilidade na web, diretrizes para recursos, modelos e avaliações de modelos, visando mitigar barreiras comunicacionais, informacionais e atitudinais que impedem a integração dessas pessoas na web e na sociedade, mas nenhum no recorte deste estudo. Nesse sentido, o produto educacional proposto para esta pesquisa traz contribuição para a área e para uma necessidade da instituição: qualificar o acesso de candidatos surdos aos portais de ingresso, que pode potencializar a interação entre esses candidatos e as plataformas da instituição, e instigar reflexões sobre a perspectiva inclusiva desenvolvida no IFC. O método que guiou o estudo é apresentado na próxima seção.

 

Desenho Metodológico do Estudo

Visando qualificar os portais do candidato e de ingresso da instituição para acesso mais democrático e inclusivo da população surda aos cursos do IFC, a seguinte pergunta guiou o estudo3: “Como potencializar a acessibilidade do processo de inscrição do estudante surdo aos Cursos Técnicos Integrados4 ao Ensino Médio do Instituto Federal Catarinense nos Portais de Ingresso e do Candidato?”

A pesquisa, um estudo de caso (YIN, 2001) de natureza aplicada com abordagem qualitativa dos objetivos foi realizada com sete participantes: 01 estudante surda do Campus Avançado Sombrio (CAS/IFC), 04 TAEs responsáveis pela elaboração e divulgação do processo de ingresso nos portais institucionais, além de 02 especialistas: 01 docente surda do NuBi/CAS e 01 técnico em audiovisual de outro IF.

Os instrumentos para a geração de dados incluíram questionários e entrevistas. Os questionários, com questões abertas, tiveram como objetivo avaliar, a partir da perspectiva dos 03 especialistas, o uso dos recursos de acessibilidade empregados no tutorial, e foram aplicados após a implementação do tutorial.

Já as entrevistas, guiadas por roteiros, buscou identificar as percepções de cada TAE (CGI, CECOM, NAPNE e NuBi/Reitoria) em relação à acessibilidade dos portais do IFC usados para o processo de ingresso na instituição, tendo como foco exclusivamente a acessibilidade do candidato surdo. Essas entrevistas foram feitas antes do planejamento do tutorial. Também foram realizadas entrevistas, com perguntas-guia mediadas por intérprete de Libras, com a estudante surda sobre a sua experiência sem e com o uso do tutorial como suporte para sua inscrição no curso técnico em informática, no Portal de Ingresso do IFC.  

As entrevistas com a estudante surda do CAS/IFC ocorreram em dois momentos. O primeiro, para fazer uma simulação de inscrição no curso técnico em informática, usando os recursos disponibilizados nos portais no momento da pesquisa, visando capturar suas necessidades e percepções sobre o processo e, simultaneamente, iluminar as decisões para o desenho do tutorial. O segundo, para fazer uma nova simulação de inscrição no mesmo curso, utilizando o tutorial bilíngue (Libras-Português) desenvolvido para o estudo, capturando suas necessidades e percepções nesse momento e, ao mesmo tempo, avaliar os recursos de acessibilidade usados no tutorial, na perspectiva do usuário.

Os dados gerados pelos dois instrumentos foram analisados qualitativamente, tendo como referência a Análise de Conteúdo (BARDIN, 1977) para a categorização e o tratamento dos dados, e a literatura revisada para a interpretação dos resultados. Na próxima seção apresentamos a análise dos dados e a discussão dos resultados.

Análise e discussão dos resultados

Da análise dos dados da entrevista realizada em 13 de maio de 2022 com a estudante surda, 1º momento do estudo (inscrição no curso com os recursos disponibilizados no portal do candidato), emergiram dois eixos temáticos: i) barreiras e ii) facilitadores de compreensão para acesso e uso do portal, que se subdividiram em duas (02) categorias: i) linguagem e recursos visuais, quando desconhecidos do usuário surdo, e ii) linguagem e os recursos, quando conhecidos do usuário surdo.

O excerto 01 traz as percepções da estudante surda sobre a linguagem e os recursos como barreiras de comunicação, e o excerto 02, sobre a linguagem e os recursos como facilitadores de comunicação:

Excerto 01: barreira de comunicação – linguagem e recursos visuais

Eu não sei, tem muito texto, muito português, tem muitas coisas diferentes, muito difícil, muito difícil, eu não sei eu não consigo compreender. Tem palavras que não conheço [o lugar, o estado, rua, bairro], não sei que significa esses termos e essas coisas escritas, eu não tenho noção do que está escrito ali. Não sei fazer, vou parar. [Nesse momento a participante desiste de dar continuidade à sua inscrição]

Não estou entendendo o que está sendo explicado. Essa imagem [VLibras] não conheço e não consigo identificar, é estranho isso aí, não sei o que significa tudo isso aí. Não está mostrando, aqui em cima [menu] não tem nada, não tem nada em Libras. Estou vendo algumas imagens, falta interpretação.

 

Excerto 02: facilitadores de comunicação - linguagem e recursos

Ali, sobre o IFC, eu entendo, cursos eu não sei o que é, eu entendo a pergunta, a palavra. To vendo e visualizando imagens. O nome, colocar as informações em relação à identidade, colocar as informações, o e-mail que precisa fazer, data de nascimento, senhas específicas, pra fazer uma nova inscrição, pra fazer o primeiro acesso precisa colocar as informações específicas, o número do telefone precisa saber, o endereço também.

 

Como sugere o excerto 01, a identidade linguística do estudante surdo, Libras, é ignorada e a estudante abandona sua inscrição no portal do candidato. Há prevalência da palavra escrita e ausência de ícones, símbolos e pistas visuais que auxiliem o acesso às informações no portal. Assim, o acesso e a compreensão das informações nos portais ficam prejudicados, são parciais ou nulos quando sem tradução em Libras ou sinais e imagens que remetam a aplicativos de tradução conhecidos, principalmente para usuários surdos que não possuem fluência na língua portuguesa ou desconhecem recursos usados na web, caso da participante. Por outro lado, o excerto 02 mostra que quando a palavra escrita e imagens fazem parte do conhecimento de mundo do usuário, a interação com a plataforma se efetiva e a possibilidade de inscrição é potencializada.

A partir desses resultados, inferimos que a Libras se configura como fator chave para a compreensão dos recursos que levam às informações nos portais e sites, em decorrência da especificidade linguística do usuário, e a ausência de vídeos (ou de links para vídeos) com interpretação humana em Libras como um dos fatores para o baixo entendimento das informações. Dessa forma, inferimos também que para que o processo de inscrição em portais seja exitoso, há necessidade de articulação entre a Libras, a Língua Portuguesa escrita e/ou um recurso que agregue a palavra sinalizada, a palavra escrita e a sua respectiva imagem: os GIF5, que, segundo Silveira (2020), são facilitadores de compreensão e se constituem, então, como importantes subsídios de acessibilidade para usuários surdos, pois respeitam os aspectos linguísticos e culturais desse grupo.

Da análise dos dados da entrevista com os 04 TAEs, emergiram dois eixos temáticos: i) a responsabilidade institucional sobre a acessibilidade do ingresso do candidato surdo nos portais; e ii) aspectos específicos à acessibilidade do ingresso do candidato surdo nos portais. No primeiro eixo emergiram duas (02) categorias: papéis e responsabilidades das diferentes coordenações. E, no segundo, 3 categorias: recursos de acessibilidade, barreiras e ações que podem qualificar a acessibilidade do candidato surdo aos portais.

Apesar de os temas terem sido os mesmos, cada coordenação trouxe o seu olhar a partir da sua função institucional e da compreensão do conceito de acessibilidade. O excerto 03 traz as falas dos TAEs sobre a responsabilidade institucional referente à acessibilidade dos portais em tela:

Excerto 03: responsabilidade institucional sobre acessibilidade

CGI

As campanhas de ingresso são coordenadas pela CECOM. A CGI apenas faz parte das ações que serão realizadas e fornece as informações necessárias para que as peças publicitárias sejam feitas. O restante das ações são todas planejadas pela CECOM. Não são feitas campanhas amplas e exclusivas para este público [surdo]. As vagas para PcD não são preenchidas em sua integralidade. Não há nenhuma pesquisa aprofundada que apresente os fatores para que isso ocorra. [Entrevista em 06/10/2021]

CECOM

A gente tem total liberdade para fazer a parte de criação e desenvolvimento da campanha em si. A gente criou um núcleo de criação e foram convidados representantes de todos os campi, os comunicadores de todos os câmpus. A gente não costuma distinguir os públicos. É claro que a gente faz algumas ações específicas, mas a gente busca fazer a comunicação mais plural possível, então a gente pensa no todo. [Entrevista em 20/10/2021]

NAPNE

A cota que o IFC prevê é o que está na legislação. Então ele cumpre o que está na legislação por meio de cota. Hoje a gente ainda tem déficit no cumprimento da lei, inclusive, que é ter a tradução de todos os editais que saem pelo IFC, né? Então para o candidato surdo que usa Libras, eu entendo que precisa ser investido na legendagem de todos os vídeos que são de divulgação da campanha. [Entrevista em 27/04/2022]

NuBi/Reitoria

Respondo enquanto intérprete de Libras e não institucionalmente. Não participei diretamente nas Comissões de Processo Seletivo, mas participei de orientações e de forma consultiva, participei realizando interpretação de provas e no papel orientativo-consultivo. [Entrevista em 09/12/2022]

 

A partir da análise dos dados, além do que já ocorre na instituição em termos de preparação, divulgação e apoio aos processos de ingresso, sugerimos que haja reuniões integrando as 04 coordenações: uma no momento do planejamento do processo de ingresso, visando especificar as necessidades do público surdo, e outra antes da sua divulgação, visando verificar se as especificidades elencadas foram contempladas. Nesse segundo momento, a participação de uma pessoa surda externa à instituição faz-se imprescindível para testar a acessibilidade das informações e recursos planejados, tendo em vista a “diversidade surda”, segundo Palópolo (2021, p. 17).

Sobre a acessibilidade do processo de ingresso, todas as coordenações abordaram os recursos de acessibilidade usados pela instituição, as barreiras e as ações que podem qualificar a acessibilidade do estudante surdo ao processo. O excerto 04 traz a fala da CGI, CECOM e NuBi. O NAPNE se posicionou apenas sobre acessibilidade da pessoa cega, por isso foi excluído aqui.

Excerto 04: recursos de acessibilidade dos processos de ingresso 

CGI

Como forma de amenizar a falta total de acessibilidade, há suporte do VLibras dentro do site. O novo Portal do Candidato conta com o VLibras, uma ferramenta que faz a tradução simultânea em Libras dos textos contidos no site. [Entrevista em 06/10/2021]

CECOM

O portal de ingresso tem acessibilidade em Libras por meio do programa VLibras. Eu acredito que essa seja a única questão de acessibilidade dele no momento. No começo deste ano, eu te diria que 90%, talvez um pouco mais, foi traduzido em Libras pelo NuBi. [Entrevista em 20/10/2021]

NuBi

Glossário, principalmente para subsidiar o trabalho dos tradutores intérpretes de Libras, disseminar a Libras para comunidade interna e externa, entre outros.  [Entrevista em 09/12/2022]

 

A partir das percepções da CGI e CECOM, podemos inferir que o conceito de acessibilidade que permeia a entrevista com os TAEs está amparado na compreensão de que a tradução do português para a Libras contempla o processo de ingresso acessível ao público surdo; por isso, referendam o aplicativo VLibras instalado nos portais. Nesse sentido, as ações dessas coordenações são coerentes com o que pensam e falam sobre a acessibilidade do público surdo ao processo de ingresso do IFC. Cabe lembrar aqui Palópolo (2021) sobre a acessibilidade de sites: "é necessário que disponibilizem os conteúdos em Libras e legenda descritiva ao mesmo tempo para que todos os surdos consigam ter acesso sem desconforto” (p.17), e, como recurso de acessibilidade, a Janela de Libras e um tutorial para auxiliar o acesso dos usuários surdos ao site, “onde todos possam utilizar o mesmo espaço sem nenhuma dificuldade ou barreira”. (p. 33).

Já o NuBi, por ser um setor voltado às questões da pessoa surda, tem uma percepção mais ampla do conceito de acessibilidade: aponta o glossário como subsídio para o trabalho do tradutor-intérprete de Libras, preocupa-se com a disseminação da Libras e entende que a participação da comunidade surda é importante. Assim, trazendo Palópolo (2021), podemos dizer que se faz necessário implementar, no processo de ingresso, estratégias de acessibilidade à informação para além do aplicativo Vlibras, principalmente aquelas que referendam a Libras que, para Silveira (2020, p.9), “visam contribuir para o processo de letramento digital e a promoção do processo de autonomia e inclusão do estudante surdo”.

O excerto 05 traz apenas as falas da CGI e CECOM sobre as barreiras de acessibilidade dos portais, já que o NAPNE e o NuBi não se posicionaram a respeito dessa questão.

Excerto 05: barreiras para acessibilidade nos portais

CGI

O Portal do Candidato não é 100% acessível a surdos, mas é intuitivo. Qualquer pessoa consegue identificar facilmente as ações necessárias dentro do site. Como forma de amenizar a falta total de acessibilidade, há suporte ao VLibras dentro do site. Pela falta de material humano, não conseguimos atingir a divulgação das campanhas de ingresso a toda a comunidade. [Entrevista em 06/10/2021]          

CECOM

A falta de acessibilidade para surdos é proveniente da falta de servidores aqui da CECOM. Eu sou o único técnico audiovisual e não tem intérpretes. Tá como se fosse no limite, né, de intérprete por alunos, precisariam aumentar o número. Os recursos de acessibilidade atuais não são totalmente acessíveis ao surdo, mas a gente busca atingir o máximo de pessoas possíveis. [Entrevista em 20/10/2021]       

Concordamos que a falta de servidores especialistas em audiovisual e intérpretes pode limitar ações inclusivas na instituição, mas projetos de colaboração interinstitucionais com outros IFs e Universidades Federais podem ser feitos para o cumprimento da lei, e a consequente inclusão da população surda à EPT ampliada. Em relação ao aplicativo VLibras dar conta do conteúdo informacional, cabe trazer o alerta de Palópolo (2021): apesar de o programa VLibras oferecer um conjunto de ferramentas gratuitas e de código aberto que traduzem conteúdos digitais em português para Libras, o aplicativo não é aceito pela comunidade surda, pois há falha de tradução e, muitas vezes, o que é traduzido está fora de contexto. Ainda sobre o aplicativo, Vieira (2019, p.71) acrescenta: “falta realismo, o personagem não tem expressão facial adequada, é robotizado e transparece frieza, opondo-se à ideia de afetividade, empatia e inclusão que se busca com o estudo da acessibilidade e do design na experiência do usuário”.

Visando melhorar a acessibilidade dos portais, os TAEs trazem algumas ideias. O excerto 06 traz essas falas:

   Excerto 06: ações para melhoria da acessibilidade 

CGI

Há um grande interesse em divulgar as ações afirmativas em nossos processos seletivos. Não são feitas campanhas amplas e exclusivas para este público [surdo]; as ações mais específicas são a criação de tutoriais visuais com interpretação em Libras e editais traduzidos em Libras. Intensificar a divulgação nos centros de atendimento a pessoas surdas nos municípios. Informar à comunidade surda sobre o processo seletivo, para que tome conhecimento do processo seletivo e os atendimentos que o IFC oferece. [Entrevista em 06/10/2021]     

            CECOM

Então, para essa campanha, estamos usando as redes sociais no Instagram e Facebook. A gente tá com uma divulgação diferenciada no Spotify e na Amazon, nas mídias massificadas, que são rádio. Fizemos também a divulgação em TV e escolas. A gente fez todo o edital, live em Libras, tradução em Libras, VLibras, pensado para o aluno surdo. E no começo deste ano, eu te diria que 90% foi traduzido em Libras. [Entrevista em 20/10/2021]

             NAPNE

Um resumo do edital, sai o edital normal, mas sairia um com uma linguagem mais informal. Vai contribuir para a pessoa surda que lê português. Produzir vídeos com intérpretes, legendagem e linguagem simples para as campanhas e editais. Precisa aparecer mais em jornal que o povo assiste. Pode circular nas redes sociais. Pode ser disparado por WhatsApp. Eu entendo que precisa ser investido é na legendagem, né, de todos os vídeos que são de divulgação da campanha, para além da tradução, interpretação. Há a possibilidade de produzir cartilhas orientando como fazer todo esse processo, com imagens, algo mais ilustrativo. [Entrevista em 27/04/2022]

             NuBi

O glossário para subsidiar o trabalho dos tradutores-intérpretes de Libras, disseminar a Libras para comunidade interna e externa, entre outros. A comunidade surda participou em todas as etapas da elaboração do glossário.  [Entrevista em 09/12/2022]

A partir das percepções dos TAEs sobre ações para qualificar a acessibilidade, podemos dizer que todos têm consciência de que há necessidade de melhoria da acessibilidade ao processo de ingresso para os candidatos surdos, trazem ideias e propõem soluções; contudo, ficam engessadas no discurso por limitações de recursos humanos, estruturais, financeiros entre outros, que transcendem a própria função dos TAEs: uma política de Estado realmente inclusiva.

Divulgar é parte do processo inicial de ingresso, assim como a inscrição nos portais. De acordo com Melo e Sondermann (2020, p. 26112), “a identificação de fatores relacionados à acessibilidade em processos seletivos pode contribuir no levantamento das necessidades institucionais e na tomada de decisão para a realização de processos seletivos mais inclusivos”. Assim, podemos inferir que o fato de as coordenações responsáveis pelo processo de ingresso estarem conscientes da falta de acessibilidade nos portais e de proporem soluções, estas tendem à tomada de decisões que poderão viabilizar processos mais acessíveis ao candidato surdo.

O produto educacional: tutorial bilíngue (Libras-Português)

Com o resultado da análise das entrevistas e a revisão da literatura feita, foi elaborado o fluxograma do processo de inscrição nos portais de ingresso e do candidato, com recorte nos cursos técnicos integrados, incluindo as ações afirmativas no fluxo (Figura 1).

Figura 1: Fluxograma do processo de ingresso: portal de ingresso e do candidato

 

Portal de Ingresso

 

Portal do Candidato

Fonte: Elaborado pelas pesquisadoras (2023)

A partir do fluxograma, foi feito o roteiro para o tutorial bilíngue (Libras-Português), com vídeos explicativos do processo em Libras, planejadas as janelas em Libras, a legendagem em português simples, os GIFs, a marcação de informações relevantes e a seleção de palavras para o glossário de apoio à gravação dos vídeos explicativos, visando tornar o ingresso mais acessível ao candidato surdo.

Concluída a gravação dos vídeos, esta foi encaminhada para edição. Terminada a edição, foi criado o site (https://gregarious-zabaione-84e071.netlify.app/glossario.html), cujo layout foi adaptado de Silveira (2020), conforme Figura 2, para abrigar os vídeos tutoriais, recursos a serem usados para um novo processo de inscrição com a estudante surda participante e posterior avaliação pela usuária e especialistas.

Figura 2: layout do site e site criado para abrigar os vídeos tutoriais e o glossário

Layout para o site

Vídeos tutoriais

 

Fonte: Elaborado pelas pesquisadoras (2023)

Finalizado o produto educacional, este foi implementado com a estudante surda, 2º momento do estudo, visando verificar sua eficácia como recurso de acessibilidade ao processo de inscrição a um curso do IFC. No processo de inscrição com o apoio do Tutorial Bilíngue (Libras/Português), a estudante recebeu o link de acesso para a simulação da inscrição e instruções gerais sobre o produto: o que é, onde está e a finalidade. Após a visualização dos vídeos tutoriais (Portal de Ingresso, Ações Afirmativas, Portal do Candidato e do Glossário), a participante foi instruída em Libras a realizar sua inscrição no Portal do Candidato, começando o processo com o vídeo tutorial do Portal do Candidato, localizado no menu lateral do GIF sinalizado “Portal do Candidato”. Depois, visitou as “Ações Afirmativas”, o Portal de Ingresso e o Glossário. Para essa exploração, a participante expandiu a tela do vídeo tutorial, leu as imagens e as informações em Libras que iam aparecendo e as interpretou. Por fim, manuseou a barra de rolagem e pausou o vídeo. Com a página do Cadastro no Portal do Candidato aberto, passou a digitar as informações solicitadas em cada tela que abria. Esse procedimento foi repetido em todo o processo de inscrição pela participante.

Ao longo do processo, como recurso de compreensão da informação e interação com o Portal do Candidato, a participante comparava a informação no tutorial com a informação solicitada no portal, buscava as caixas marcadas em vermelho nas imagens de fundo nos vídeos, que sinalizavam o que deveria ser preenchido no portal, a tradução na janela de Libras e as legendas em português do que estava sendo sinalizado em Libras e digitava a informação solicitada (Figura 3). Sempre que necessário, a participante voltava ao tutorial, para verificar se a compreensão da informação estava correta para, então, digitar a informação solicitada no portal. O processo de inscrição no Portal do Candidato com o apoio do tutorial demandou 25 minutos para ser finalizado com êxito e conduziu a participante a selecionar a Ação Afirmativa correspondente ao seu perfil: Escola pública, PcD, independente de renda (Figura 4):

Figuras 3 e 4: Imagem do vídeo de cadastro e inscrição concluída

Vídeo tutorial para o cadastro

Inscrição concluída

Fonte: Elaborado pelas pesquisadoras (2023).

Acreditamos que o procedimento usado pela estudante surda para realizar sua inscrição em um curso do IFC: associação da imagem com a palavra escrita em português e a sinalização em Libras, é uma estratégia de construção de sentido para navegar na web de forma eficaz, tendo em vista que a participante concluiu sua inscrição de forma exitosa em tempo relativamente curto. Tal resultado sugere que os recursos de acessibilidade pensados para o tutorial não apenas possibilitam o acesso mais democrático e inclusivo aos portais do IFC pelo candidato surdo, mas também favorecem o desenvolvimento linguístico e cognitivo do sujeito surdo, pelo fato de instigarem relações, associações e conclusões entre a imagem, a palavra sinalizada e a palavra escrita (DA SILVA e OLIVEIRA, 2020; SILVEIRA, 2020)

Após finalizar a inscrição, buscamos a percepção da estudante surda quanto aos recursos de acessibilidade usados no tutorial, em entrevista em 11 de outubro de 2022. O excerto 07 traz sua percepção sobre os vídeos; o 08, a interpretação em Libras; e o 09, o preenchimento das lacunas no Portal do Candidato: 

Excerto 07: Vídeos do tutorial e das ações afirmativas

Cada parte dos vídeos, as legendas são em português, ela tem uma combinação excelente. Tá ótimo a explicação. O tutorial foi ótimo, me ampliou bastante a memória, ter entendimento da execução das palavras foi claro, me ajudou e me abriu a mente esse tutorial e consegui tranquilamente fazer sozinha a inscrição. Sem o tutorial não conseguiria fazer a inscrição. Estava em Libras. Foi muito bom, foi muito importante essa visualização. Foi ótimo ter o entendimento de cada parte dessas ações [afirmativas], também, porque a combinação correta entre a Libras e a língua portuguesa foi totalmente clara.

Excerto 08: Interpretação em Libras

Foi muito bom, é ótimo porque o acesso tem uma interpretação importante, um entendimento claro do que é feito. Muito bom. É ótimo! Existiram as comparações, pode encontrar o português e a Libras. É uma forma melhor. Ajudou plenamente. Antes [na primeira inscrição], olhando ali, às vezes, sozinha para fazer só em português era difícil. Agora, com a criação da interpretação em Língua de Sinais, maravilhosamente bom e inovador.

 

Excerto 09: Preenchimento de lacunas no portal do candidato:

Então, a Libras beleza, mas algumas coisas, às vezes, para mostrar, tipo “rua”, para mim lembrar, não tem uma lembrança. Então preciso de um esforço maior. Então são poucos detalhes que eu consegui porque às vezes é tipo “o número”, só a “rua” essa parte de rua mesmo, daí era um pouquinho mais complicado.

 

Com base na percepção da participante surda, podemos dizer que os recursos de acessibilidade do Tutorial Bilíngue, mais especificamente, o uso das imagens, dos GIFs sinalizados em Libras, das janelas em Libras, das marcações na cor vermelha das informações mais importantes e das legendas em português parecem ter sido relevantes para tornar o processo de inscrição acessível, instruir sobre o que e como fazer, interagir com a plataforma Portal do Candidato e concluir o processo de inscrição de forma autônoma, com êxito e num tempo relativamente curto.

Já da análise dos dados da entrevista com os especialistas: o técnico em audiovisual, a intérprete de Libras/Reitoria, que participou dos dois momentos da pesquisa, e a docente surda, emergiram dois eixos temáticos: i) recursos de acessibilidade usados no tutorial e ii) críticas e sugestões de qualificação do tutorial.

Dentro do primeiro eixo temático – recursos de acessibilidade – os especialistas abordaram diferentes tópicos ao avaliarem o produto, que foram agrupados em quatro subcategorias: i) telas de interface, letras na tela do computador e informações para uso dos recursos visuais; ii) níveis de tolerância ao erro do usuário; iii) uso de recursos de imagens para acessibilidade e compreensão dos usuários surdos; e iv) uso de cores e espaçamentos no layout das funcionalidades do tutorial.

Em relação às telas de interface, letras na tela do computador e informações para uso dos recursos visuais, os três especialistas concordam que são bem visuais e claras, foram organizadas em sequência lógica para o entendimento do usuário surdo, oferecem o passo a passo para a execução e auxiliam na delimitação do tema do vídeo e no entendimento da relação entre os elementos presentes na tela. Além desses aspectos, a Intérprete de Libras enalteceu o uso da Libras nos vídeos, linguagem que garante a acessibilidade e compreensão do conteúdo pelo usuário surdo. Os excertos 10, 11, 12 trazem a avaliação dos participantes sobre a subcategoria telas, letras e informações:

 

Excerto 10: Especialista em Audiovisual

[telas, letras e informações] são bem visuais, simples, fáceis e claras, e têm uma sequência lógica para o entendimento do usuário surdo, pois oferece o passo a passo para sua execução. [Entrevista em 13/10/2022]

Excerto 11: Intérprete de Libras/Reitoria

[telas e informações] estão claras, e as letras dos títulos e subtítulos estão adequados ... os vídeos em Libras é fator de garantia de acessibilidade e para que haja uma melhor compreensão do conteúdo pelo usuário surdo, uma vez que auxilia na delimitação do tema do vídeo e no entendimento da relação entre os elementos presentes na tela. [Entrevista em 18/10/2022]

Excerto 12: Docente surda

A apresentação das telas de interface e o uso de letras na tela contemplam a organização visual da interface entre a interação do apresentador e os elementos visuais ... o usuário pode realizar tarefas de forma fácil, pois a informação é clara e oferece o passo a passo para sua execução. Há visualidade das imagens sem se deixar perder pela língua de sinais. [Entrevista em 17/10/2022]

No que se refere aos níveis de tolerância ao erro do usuário, o técnico em audiovisual e a Intérprete de Libras consideram um aspecto positivo do tutorial, pois é possível ao usuário retornar à tela anterior com facilidade por meio do botão “Voltar”. A docente surda, no entanto, não se posicionou sobre essa questão. Os excertos 13 e 14 trazem os comentários dos especialistas sobre os níveis de tolerância ao erro no tutorial:

 

Excerto 13: Especialista em Audiovisual

É possível o usuário fazer uso de retorno à tela anterior por meio do botão “Voltar” no produto. [Entrevista em 13/10/2022]

 

Excerto 14: Intérprete de Libras/Reitoria

Há níveis de tolerância ao erro do usuário e, ao executar uma ação errada, é possível o usuário fazer uso de retorno à tela anterior com facilidade. [Entrevista em 18/10/2022]

Referente ao uso de recursos de imagens para acessibilidade e compreensão dos usuários surdos, os três especialistas concordam que o formato usado no tutorial está apropriado; que há distinção entre o menu e os outros itens textuais são legíveis; que as informações e as ferramentas são intuitivas, pois auxiliam na delimitação do tema dos vídeos e no entendimento da relação entre os elementos presentes na tela; e que o usuário surdo tem oportunidade de utilizar o português escrito de maneira efetiva. Concordam ainda que as imagens contribuem para a compreensão do conteúdo e que a interpretação em Libras e a legenda auxiliam na compreensão da linguagem verbal utilizada, sendo o enquadramento feito um elemento visual importante nesse processo. Em suma, os três especialistas concordam que os recursos de imagens usados no tutorial buscam melhorar a acessibilidade em ambiente digital. Por fim, a docente surda comenta que o uso de imagens não pode substituir a Língua Brasileira de Sinais; são recursos que complementam a compreensão, em situações onde há variações linguísticas. Os excertos 15, 16, 17 trazem os comentários dos especialistas sobre o uso de recursos de imagens:

Excerto 15: Especialista em Audiovisual

 Há uma boa distinção entre o menu, e os outros itens textuais são legíveis [Entrevista em 13/10/2022]

 

Excerto 16: Intérprete de Libras/Reitoria

As informações e o uso de ferramentas são excelentes, são intuitivas, e as imagens contribuem para a compreensão do conteúdo... as imagens utilizadas, bem como a interpretação em Libras e a legenda, auxiliam na compreensão da linguagem verbal utilizada, sendo o enquadramento um elemento visual importante nesse processo. [Entrevista em 18/10/2022]

 

Excerto 17: Docente surda

O tutorial visa melhorar a acessibilidade em ambiente digital .... o uso de imagens não pode jamais e nunca substituir a Língua Brasileira de Sinais ... as informações estão na língua de sinais, as imagens são só um complemento para ajudar na compreensão quando há variações linguísticas. [Entrevista em 17/10/2022]

Relativo ao uso de cores e espaçamentos no layout das funcionalidades do tutorial, os especialistas consideram apropriados para a acessibilidade em ambiente digital, pois seguem as recomendações legais, e apontam a cor azul usada no tutorial como a mais indicada, já que proporciona maior conforto visual ao usuário. Os excertos 18, 19, 20 trazem os comentários dos especialistas sobre o uso de cores e espaçamentos no layout das funcionalidades:

Excerto 18: Especialista em Audiovisual

O uso de cores e de espaçamentos no layout das funcionalidades é apropriado para a acessibilidade em ambiente digital. [Entrevista em 13/10/2022]

 

Excerto 19: Intérprete de Libras/Reitoria

O material muito intuitivo, pois segue as recomendações quanto ao uso de ícones intuitivos ... há aspectos de baixo esforço físico e mental para execução de tarefas pelo usuário em ambiente digital... a cor azul é a mais indicada para fundo em vídeos para o intérprete que, segundo pesquisas na área, é o que dá maior conforto visual. [Entrevista em 18/10/2022]

 

Excerto 20: Docente surda

O tutorial segue as recomendações quanto ao uso de ícones intuitivos... há aspectos de baixo esforço físico e mental para execução de tarefas pelo usuário em ambiente digital ...o tutorial segue as recomendações de uso de cores e de espaçamentos no layout das funcionalidades para a acessibilidade em ambiente digital. [Entrevista em 17/10/2022]

No segundo eixo temático – críticas e sugestões de qualificação do tutorial -, como sugestão, os especialistas indicaram expandir o uso dos ícones e diminuir o tamanho dos vídeos. E como crítica, apontaram problemas nas informações visuais dinâmicas apresentadas no fundo do vídeo referente ao Portal de Ingresso, explicando que o uso simultâneo de informações visuais e sinalização pode atrapalhar a atenção do usuário surdo, gerar confusão e/ou prejudicar o entendimento, já ele tem de acompanhar ao mesmo tempo imagens em movimento e sinalização. Além disso, enfatizaram a necessidade da participação do sujeito surdo em pesquisas nas quais a cultura surda e o sujeito surdo são focos de investigação. Os excertos 21, 22, 23 trazem as sugestões indicadas pelos especialistas:

Excerto 21: Especialista em Audiovisual

 Os ícones [ilustrações] poderiam representar o processo para visualização dos links de navegação do site com os portais, as ações afirmativas, glossário e títulos e subtítulos das seções. [Entrevista em 13/10/2022]

 

Excerto 22: Intérprete de Libras/Reitoria

Quando há excesso de informações visuais e cores, estas podem ocasionar cansaço visual ao usuário surdo ... as informações visuais dinâmicas apresentadas no fundo do vídeo (Portal do Ingresso) atrapalham um pouco a atenção .... o usuário surdo pode ficar confuso entre acompanhar as imagens em movimento e a sinalização do TILSP6... o excesso de informações concomitantes pode prejudicar o entendimento do usuário surdo. [Entrevista em 18/10/2022]

 

Excerto 23: Docente surda

Há necessidade de aplicar pesquisa sobre surdos com surdos, tendo em vista que o foco é o público surdo: Somos protagonistas. "Nada Sobre Nós, Sem Nós".  [Entrevista em 17/10/2022]

Com base na avaliação dos especialistas referente aos dados do primeiro eixo temático - recursos de acessibilidade, podemos dizer que o tutorial bilíngue desenhado e implementado para o estudo contribui para qualificar a acessibilidade do candidato surdo aos portais de ingresso do IFC. Tal resultado foi validado pelo resultado obtido na segunda simulação de inscrição (apoiada pelo tutorial) ao curso de informática pela estudante surda, que, como informado anteriormente, concluiu a tarefa com êxito.

A análise desses dois conjuntos de dados indica que os recursos de acessibilidade usados no tutorial foram relevantes não apenas para tornar o processo de inscrição acessível, mas também para instruir a estudante, levá-la a interagir com a plataforma Portal do Candidato e a concluir o processo de inscrição de forma autônoma, com êxito e num tempo relativamente curto, como demostrado neste artigo.

Já em relação ao segundo eixo temático – críticas e sugestões de qualificação do tutorial, consideramos que qualificam ainda mais o produto e, consequentemente, o processo de ingresso do candidato surdo que busca o IFC para sua formação. No entanto, no que se refere à consideração feita pela intérprete participante da avaliação do produto sobre o excesso de informações visuais dinâmicas e cores usadas nas telas (pode causar desconforto ao usuário surdo devido ao esforço cognitivo), esta parece não referendar o que ocorreu no processo de inscrição com o apoio do tutorial.

Pelo êxito no processo de inscrição, acreditamos que o que é pontuado como problema pela intérprete, estimulou a participante a pensar e executar estratégias (pausar o vídeo para fazer relações e associações e preencher a lacuna), estimulando o desenvolvimento de processos cognitivos e a construção de significados, conforme apontam os estudos de Da Silva e Oliveira (2020) e Silveira (2020).

Ademais, tal resultado reforça o alerta dado pelo estudo de Palópolo (2021, p.17): “existe diversidade surda e cada sujeito surdo necessita de uma ferramenta acessível diferente”. Por isso, alinhados à autora, recomendamos a necessidade de, primeiramente, conhecer e compreender como o usuário surdo usa os recursos digitais para, a partir daí, propor uma gama diversa de recursos, visando contemplar as diferentes especificidades do público surdo. Sobre essa compreensão, a docente surda participante da avaliação do produto agrega: “Somos protagonistas. "Nada Sobre Nós, Sem Nós".  Na próxima seção trazemos as considerações finais do estudo.

 

Considerações finais

De forma geral, o resultado positivo da implementação do Tutorial Bilíngue sugere que, para tornar mais equitativo e inclusivo o processo de inscrição do candidato surdo aos cursos do IFC, este precisa ser entendido pelo viés da diferença, respeitar a língua e a cultura desse sujeito, e ser validado por membros dessa comunidade: "Nada Sobre Nós, Sem Nós"; caso contrário, por mais que existam vagas reservadas, as políticas inclusivas continuarão inacessíveis àqueles que necessitam delas para exercer sua cidadania. 

Com base nos resultados, advogamos a favor do conjunto de recursos usados no tutorial bilíngue: imagens, GIFs sinalizados em Libras, janelas em Libras e legendas em português, ícones, cores contrastantes para melhorar a navegação, destaque para o endereço de acesso aos portais, da legenda em português, assim como o layout por categorias, argumentando que criam um ambiente web acessível e inclusivo para pessoas surdas (e ouvintes também). Além disso, instigam processos cognitivos que podem levar ao desenvolvimento linguístico e social da pessoa surda, não apenas em Libras mas também em português, já que sua cultura e língua são respeitadas.

Acreditamos que a contribuição socioeducativa deste estudo se projeta como incentivo para que outros IFs se dediquem à pesquisa de recursos bilíngues para surdos, como motivação para que a comunidade escolar conheça e estude a Língua de Sinais, que pesquise e/ou conheça o processo de criação e validação de sinais em Libras, de termos usados nos editais de ingresso e portais criados para esse ou outros fins e, não menos importante, como desafio para que docentes que não dominam a Libras planejem e adaptem suas aulas em parceria com tradutor-intérprete de Libras, para uma inclusão mais qualificada da população surda. Da mesma forma, acreditamos que o tutorial tem potencial para alavancar a comunicação entre o IFC e a comunidade externa surda (ou ouvinte), para promover a interação e a troca de saberes entre TAEs, docentes e intérpretes de Libras, além de diminuir as dificuldades decorrentes da falta de intérpretes em processos seletivos. Entretanto, ressalta-se que o estudo não é conclusivo, há necessidade de ampliar os recursos para outras informações nos portais e com outros candidatos surdos, visando corroborar os resultados obtidos e/ou aprimorar o tutorial.

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Notas

 

 Termo advindo da área da saúde, que classifica a pessoa surda pelo grau de surdez e perda sensorial da audição.

 

2 Ouvintismo é “um conjunto de representações dos ouvintes, no qual o surdo não se percebe e se sente excluído”. (SKLIAR, 2010 apud QUIXABA, 2017, p. 66)

 

3 Quanto à questão ética, a pesquisa foi postada na Plataforma Brasil, CAAE: 55077421.0.0000.0185, e aprovada pelo parecer consubstanciado do Comitê de Ética em Pesquisa, sob o número: 5.279.176.

 

4 Devido à limitação de tempo para a conclusão do curso de mestrado, foi feito um recorte de curso e campus: Curso Técnico em Informática Integrado ao Ensino Médio no Campus Avançado Sombrio do IFC, local de trabalho de uma das pesquisadoras.

5 GIFs sinalizados auxiliam pessoas ouvintes a aprender a executar sinal em Libras e pessoas surdas a aprender português” (SILVA, 2017, p. 34).

 

6 Abreviação para Tradutor-Intérprete Língua de Sinais e Português.

 

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