Neuroplasticidade na Educação e Reabilitação Cognitiva da
Deficiência Intelectual
Neuroplasticity in Education and Cognitive Rehabilitation of
Intellectual Disability
Neuroplasticidad en la Educación y Rehabilitación Cognitiva de la
Deficiencia Intelectual
* Denise
Oliveira Ribeiro
Mestranda
pela Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Minas Gerais,
Brasil.
d3niseribeir0@gmail.com
**
Patricia Martins de Freitas,
Professora
doutora na Universidade Federal da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil.
pmfrei@gmail.com
Recebido em 02 de agosto de 2018
Aprovado em 15 de abril de 2019
Publicado em 05 de junho de 2019
RESUMO
Na deficiência intelectual os déficits no processamento cognitivo
impõem limitações na funcionalidade desses indivíduos, impactando severamente
os aspectos sociais, comportamentais e educacionais. A inclusão escolar cria a
oportunidade de inserir as crianças com deficiências no ensino regular, mas as
práticas pedagógicas utilizadas não têm permitido o desenvolvimento da
alfabetização e de habilidades matemáticas, proporcionando apenas um ambiente
adequado para socialização e recreação. De modo geral, a formação dos
professores possui lacunas que estão relacionadas a pouco ou nenhum
conhecimento das contribuições, ferramentas e estratégias das neurociências
para adaptação curricular. O presente estudo tem como objetivo descrever
brevemente o perfil funcional da deficiência intelectual, demonstrando técnicas
que favorecem a adaptação curricular para essas crianças ao estabelecer a
relação entre educação e neuroplasticidade. As
intervenções psicoeducacionais precisam de um
planejamento do currículo de forma individualizada, direcionando as atividades
para as necessidades de cada aluno. A aplicação de técnicas comportamentais tem
sido bastante eficiente no processo de aquisição de habilidades funcionais e
escolares, disponibilizando uma série de ferramentas que favoreçam o
desenvolvimento de atividades de vida diária e emergência de habilidades
escolares como leitura, escrita e aritmética.
Palavras-chave: Deficiência
intelectual; Educação inclusiva; Neuropsicologia.
ABSTRACT
In intellectual disability
deficits in cognitive processing impose limitations on the functionality of
these individuals, severely impacting social, behavioral and educational
aspects. School inclusion creates the opportunity to insert children with
disabilities into regular education, but the pedagogical practices used have
not allowed for the development of literacy and math skills, providing only a
suitable environment for socialization and recreation. In general, teacher
training has gaps that are related to little or no
knowledge of neuroscience contributions, tools, and strategies for curricular
adaptation. The present study aims to briefly describe
the functional profile of intellectual disability, demonstrating techniques
that favor curricular adaptation for these children when establishing the
relationship between education and neuroplasticity. Educative interventions
need curriculum planning in an individualized way, directing activities to the
needs of each student. The application of behavioral techniques has been quite efficient
in the process of acquisition of functional and scholastic abilities, providing
a series of tools that favor the development of activities of daily life and
emergence of school skills such as reading, writing, and arithmetic.
Keywords: Intellectual disability;
Inclusive education; Neuropsychology.
RESUMEN
En la deficiencia
intelectual los déficits en
el procesamiento cognitivo imponen limitaciones en la funcionalidad
de esos individuos,
impactando severamente los aspectos sociales, comportamentales y
educativos. La inclusión escolar crea
la oportunidad de insertar
a los niños con discapacidades en la enseñanza
regular, pero las prácticas
pedagógicas utilizadas no han permitido el desarrollo de la alfabetización y de las habilidades matemáticas, proporcionando sólo un ambiente adecuado para la socialización y la recreación. En general la formación de los profesores tiene lagunas que están
relacionadas con poco o ningún conocimiento de las contribuciones, herramientas y estrategias de las neurociencias para adaptación curricular. El presente estudio
tiene como objetivo describir
brevemente el perfil funcional de la
discapacidad intelectual, demostrando técnicas que favorecen la adaptación
curricular para esos niños
al establecer la relación entre educación y neuroplasticidad. Las
intervenciones psicoeducativas necesitan
una planificación del
currículo de forma individualizada, dirigiendo las actividades a las necesidades de cada alumno. La aplicación de técnicas
conductuales ha sido bastante
eficiente en el proceso de adquisición de
habilidades funcionales y escolares, ofreciendo una serie de herramientas
que favorezcan el desarrollo de actividades de vida
diaria y emergencia de
habilidades escolares como lectura, escritura y
aritmética.
Palabras clave:
Deficiencia intelectual; Educación
inclusiva; Neuropsicología.
Introdução
As alterações do neurodesenvolvimento
provocam déficits cognitivos, que geram impactos significativos na
funcionalidade dos indivíduos. As crianças com atraso no desenvolvimento
demonstram processos mais lentos na aquisição de habilidades e funções e por isso
necessitam de programas de reabilitação. As limitações iniciais, como o atraso
na aquisição da marcha ou da linguagem, podem dificultar a interação social e a
inserção em diversos ambientes, principalmente no ambiente escolar
(THAMBIRAJAH, 2011). Observa-se que o atraso significativo indica falha nos
mecanismos de maturação cerebral. Muitos desses casos serão identificados com
algum tipo de transtorno do desenvolvimento, sendo que quanto maiores os
atrasos, maiores as chances de que a deficiência intelectual esteja presente
(THAMBIRAJAH, 2011; OBRZUT; HYND, 2013).
A deficiência intelectual é o distúrbio do neurodesenvolvimento mais comum e prevalente (VASCONCELOS,
2004). Apesar da implantação do modelo educacional inclusivo, o processo
educacional ainda é pouco efetivo. Os resultados alcançados são inexpressivos e
mostram falhas na efetivação das políticas de inclusão (BARBOSA; MOREIRA,
2009). As crianças são matriculadas, mas permanecem na escola e não adquirem
conhecimentos formais como a escrita, leitura e sofrem com a restrição da
socialização com os pares (SILVA; CARVALHO, 2017; VELTRONE, 2008; PLETSCH,
2009). Conhecer as especificidades da deficiência intelectual e de outros
transtornos do desenvolvimento, assim como, aplicar estratégias para adaptação
do currículo escolar aumenta as chances de efetividade da inclusão escolar. Ao
contrário disso, a inclusão tem sido marcada por diversas limitações, sendo o
efeito da inserção da criança com deficiência intelectual no contexto da
educação brasileira, muitas vezes, abaixo do esperado (SANTOS; MARTINS, 2015).
A perspectiva da inclusão escolar defende o
direito de todos os alunos desenvolverem habilidades e competências necessárias
no âmbito educacional como também fortalecer e ampliar suas potencialidades,
permitindo a amplificação de conhecimentos prévios e
a possibilidade de se adquirir novos saberes, mesmo quando há necessidade de
adaptar as práticas educativas e a estrutura da escola às especificidades dos
alunos com transtornos do neurodesenvolvimento
(FREIRE, 2008; SANTOS, 2012; SOUZA; BATISTA, 2016). Na inclusão, as escolas vêm
sendo constantemente desafiadas a pensar em currículos que contemplem o
desenvolvimento escolar de crianças com desenvolvimento típico e também de
crianças que possuem prejuízos nas mais diversas habilidades, como na
linguagem, na motricidade, na percepção, na socialização, no comportamento, na
orientação espacial e de assimilação de informações, sem que nenhum dos alunos
esteja em desvantagem (SANTOS, MARTINS, 2015; PIMENTEL, 2013; SOUZA; GOMES,
2015).
As dificuldades e preconceitos são frequentes
no processo de inclusão escolar de crianças com transtornos do neurodesenvolvimento, especialmente quando se trata da
deficiência intelectual (SANTOS; MARTINS, 2015). Veltrone
(2008), ao analisar a percepção de alunos com deficiência intelectual que
estudavam em classes comuns de escolas regulares, percebeu que os estudantes
veem o papel socializador da escola como uma vantagem da inclusão escolar,
destacando como desvantagens, a dificuldade na apreensão do conteúdo e as
situações de exclusão e estigmatização que sofrem por
parte de seus colegas.
Tannous (2005), em um estudo realizado com
professores da rede pública sobre a experiência de trabalhar com a inclusão de
alunos com deficiência intelectual, verificou que os professores se percebem
como despreparados e sem as ferramentas necessárias para realização adequada da
inclusão escolar, possuem uma imagem preconceituosa sobre as capacidades de
seus alunos, já que não acreditam na possibilidade de avanços significativos no
processo de aprendizagem tal como desconhecem o significado da proposta de
inclusão. No estudo de Barbosa e Duarte (2016) foram identificadas lacunas na
formação profissional dos docentes como o pouco direcionamento para as
especificidades da deficiência intelectual apesar dos professores participantes
do estudo relatarem interesse na educação inclusiva.
Em sua pesquisa, Pletsch
(2009) verificou o currículo, as práticas pedagógicas e o processo de
ensino-aprendizagem das pessoas com deficiência intelectual. Os resultados
indicam que os professores enfrentam obstáculos ao realizar o processo de
alfabetização desses indivíduos mesmo, possuindo interesses e preocupações. O
estudo apontou que, na maioria das vezes, os alunos apenas adquirem
conhecimentos elementares que envolvem habilidades de cópia, recorte, pintura e
colagem. A autora discute que as práticas curriculares para o ensino de alunos
com deficiência intelectual são pouco eficientes, já que não promovem mudanças
significativas na qualidade do ensino e nem disponibilizam um ambiente
favorável para fortalecimento de potencialidades e emergência de oportunidades.
Ao considerarmos a complexidade da
alfabetização e da aquisição das habilidades numéricas básicas, podemos
verificar que para tais habilidades escolares são requeridas funções cognitivas
que nas interações com o meio permitem a aplicação social. Em estudos de
Ferreiro (2017), Teberosky e Palácio (1987) e
Ferreiro (2001) verifica-se uma divisão entre a alfabetização como uma etapa de
aquisição do sistema de decodificação grafema fonema e o uso nos diversos
contextos sociais o letramento. Entretanto, os estudos em neurociências
consideram que a alfabetização é o mecanismo que garante o processamento
fonológico e lexical bem como o seu uso através da leitura fluente.
Nos estudos de Corso, Sperb
e Salles (2013) e Refundini, Martins, Capellini e Dehaene (2011), foi
demonstrado a relação entre alfabetização e componentes como a consciência
fonológica e o processamento lexical. No
presente estudo, a alfabetização assim como, os cálculos aritméticos são
analisados como recursos de inserção social de indivíduos com deficiência
intelectual, considerando a importância da aprendizagem garantindo não apenas a
absorção de códigos arbitrários, mas o seu uso nos contextos sociais
compreendendo o significado funcional e utilizando nas diversas situações do
dia-a-dia.
Considerando a importância da aprendizagem
como um processo de aquisição de habilidades e competências que impliquem na
alfabetização e letramento para o uso tanto dos códigos ortográficos quanto
numéricos, portanto sejam significativamente eficazes e suficientes para
atender as necessidades curriculares das crianças e jovens com a deficiência
intelectual, diversos autores têm destacado a importância da abordagem
multidisciplinar, considerando as contribuições das neurociências e educação
(SILVA, 2010; PLETSCH; GLAT, 2012; PICKER; WALSH, 2013; SOUZA; GOMES, 2015;
AINSWORTH et al., 2016; HAASE et al., 2016).
As habilidades escolares são focos de
diversos estudos que buscam demonstrar suas especificidades para a aquisição de
recursos que favorecem a inserção social. Os estudos em neurociências
demonstram que a aquisição de habilidades escolares como leitura e aritmética
ampliam de forma significativa as redes neurais, formando circuitos dinâmicos
que contribuem com mecanismos de ativação mais amplos e associados com outras
funções cognitivas como o planejamento, a tomada de decisão e controle
inibitório (DEHAENE, 2011). As neurociências possuem uma natureza
interdisciplinar que permitem o dialogo dos seus achados com a educação,
especialmente para as crianças que possuem alguns transtornos do
desenvolvimento como no caso da deficiência intelectual (CIASCA, et al. 2015;
CONSEZA & GUERRA, 2011)
A interface com a neuropsicologia
pode auxiliar no estabelecimento do perfil funcional de cada criança através de
estratégias de avaliação cognitiva e do comportamento, direcionando o olhar
para as potencialidades e dificuldades que cada aluno possui, o que permite ao
professor avaliar quais estratégias pedagógicas seriam mais adequadas (FREITAS;
CARDOSO, 2015). A neuropsicologia também utiliza de
programas de treinamento cognitivo que estimula funções cognitivas deficientes,
favorecendo o desempenho em habilidades requeridas no ambiente escolar, como
leitura, escrita e aritmética. Os treinos também podem ser aplicados pelos
professores, agilizando o processo de reorganização neurocognitiva
(OBRZUT; HYND, 2013). Rossit e Goyos
(2009), por exemplo, encontraram melhoras significativas na aprendizagem de
matemática em crianças com deficiência intelectual através de um currículo
baseado em elementos da Análise do Comportamento como o paradigma da
equivalência de estímulos. Freitas et al. (2016) indicam que a utilização de
avaliações funcionais e individualizadas, planejamentos curriculares
direcionados para as especificidades e necessidades de cada criança e o ensino
baseado em técnicas comportamentais são recursos que possibilitam uma adaptação
curricular adequada aos alunos com esses déficits.
Esse artigo tem como objetivo oferecer um
panorama sobre aspectos pedagógicos da educação especial, considerando o
suporte de outras áreas do conhecimento como a neuropsicologia
e psicologia comportamental. Assim, espera-se uma maior difusão de um modelo
multidisciplinar para auxiliar a formação do conhecimento de profissionais que
lidam com a educação de crianças com a deficiência intelectual associada. Neste
ensaio será feita a relação entre deficiência intelectual, neuroplasticidade
e educação especial.
Desenvolvimento
Deficiência Intelectual e
educação
A deficiência intelectual é definida por
evidentes déficits intelectuais verificados por testes de inteligência ou
escalas de desenvolvimento que caracterizam as alterações no funcionamento
psicossocial considerando o que é esperado para idade, escolaridade grupo
social (MANNERKOSKI, et al., 2009). Essas limitações devem ser investigadas,
utilizando os níveis apresentados pelo DSM-V: conceitual, prático e social
(APA, 2014). O funcionamento intelectual descreve a nossa capacidade para
aprender e é associado a diferentes funções cognitivas, como raciocínio lógico,
planejamento, resolução de problemas e pensamento abstrato, funções específicas
e seus componentes interferem no desempenho global da cognição como, por
exemplo, déficits de atenção, da memória de trabalho, do processamento lexical
ou visuo-espacial, por isso devem ser amplamente
investigadas.
Os comportamentos adaptativos resultam das
dificuldades para apresentar comportamentos socioculturais estabelecidos em
relação à independência em múltiplos ambientes (APA, 2014). Os níveis de
severidade da deficiência intelectual são classificados em: leve, moderado,
grave e profundo. Outra forma comumente usada para classificar o perfil
cognitivo é a utilização de medidas do quociente de inteligência, sendo: leve
(QI de 50 a 70); moderado (QI de 35 a 50); grave (QI de 20 a 35) e profundo (QI
abaixo de 20) (APA, 2014).
Quanto mais leve o grau da deficiência
intelectual, maior o potencial para uma vida independente, como escolarização
em instituições de ensino regulares e socialização com os pares. Indivíduos com
classificação moderada possuem capacidades para inserção no mercado de trabalho
desde que auxiliado e supervisionado e tendo passado por processos de
reabilitação e aprendizagem. Para o perfil grave, embora apresentem déficits
comunicativos, podem compreender relativamente à linguagem e realizar
procedimentos de autocuidado. Entretanto, aqueles que se encontraram na
classificação profunda, são dependentes para atividades de vida diárias e
dificilmente desenvolvem a comunicação (MENDONÇA, 2002).
A epidemiologia da deficiência intelectual
aponta que o quadro atinge 1 a 2% da população mundial e é mais frequente em
meninos (GALABURDA, 2010; MILIAN et al., 2013). A deficiência intelectual
apresenta maiores taxas em países em desenvolvimento e em populações de baixa
renda, indicando implicações para a saúde pública, que deve elaborar
estratégias para favorecer a diminuição dessa prevalência (LLOYD; KENNEDY,
2014). Considerando que as variáveis preditoras da
alta prevalência da deficiência intelectual são o manejo do parto, cuidado pré e pós-natal, insegurança alimentar, é necessário
aumentar a melhoria no cuidado da saúde materno-infantil (MAULIK et al., 2011).
Deve-se considerar que países em desenvolvimento apresentam menos ofertas em
serviços de estimulação precoce (MAULIK et al., 2011). Tais serviços são
importantes, pois podem reduzir a gravidade da deficiência intelectual,
estimulando desde os primeiros meses de vida. Os estudos são convergentes com
os efeitos positivos da reabilitação precoce que aumentam as chances de
aquisição de funções e aperfeiçoamento cognitivo em crianças com deficiência
intelectual (THAMBIRAJAH, 2011; OBRZUT; HYND, 2013; GULYAEVA, 2017).
As causas etiológicas da deficiência
intelectual são heterogêneas. O quadro pode ser causado por fatores genéticos
e/ou ambientais (GILISSEN et al., 2014). Por exemplo, disfunções neurocognitivas resultam de alterações sinápticas que
depende de processos bioquímicos para transmissão da informação. Essa falha tem
como base a expressão de proteínas que podem estar alteradas por falhas no
código genético (GILISSEN et al., 2014).
Essa caracterização clínica está relacionada
às alterações cognitivas, que são ocasionadas pelos danos neuronais múltiplos
e, portanto, interferem na organização de diferentes funções. As funções que,
em geral, apresentam desempenho abaixo do esperado na deficiência intelectual
são: memória de trabalho, capacidade de planejamento e de resolução de
problemas, controle atencional e velocidade de
processamento. A falha no funcionamento de tais funções dificulta a
aprendizagem de coisas novas, sendo necessário o uso de estratégias educativas
especiais (FREITAS et al., 2016).
Então, o primeiro passo deve ser traçar o
perfil neuropsicológico apresentado pela criança, com objetivo de identificar
os déficits a partir de um modelo que compreenda os aspectos operacionais do
sistema cognitivo, organizados em funções específicas, sendo que tais funções
também possuem componentes específicos (OBRZUT; HYND, 2013). Quanto mais detalhes possuirmos sobre o tipo
de déficit que as crianças apresentam, maior será precisão sobre o tipo de
intervenção oferecida a ela. O segundo passo será organizar o currículo, que
nada mais é que um programa de reabilitação ou estimulação cognitiva aplicado
no contexto escolar (SNELL et al., 2010).
A avaliação neuropsicológica contribui para o
mapeamento funcional, fundamentado na identificação de déficits específicos.
Dentre os diversos aspectos avaliados, a inteligência faz parte do ponto de
partida da avaliação, pois, a partir desse ponto é possível identificar a
gravidade da deficiência, ou seja, o nível de comprometimento. Essa informação
inicial auxilia na estimativa de um prognóstico, que não é exato, mas que permite
a definição das perspectivas futuras da criança, orientando adequadamente a
família. A avaliação também contribui para se ter medidas comparativas de antes
e depois da intervenção, o que facilita a análise da evolução e dos ganhos
obtidos pela criança, a partir das intervenções. Portanto, ressaltamos a
importância da avaliação neuropsicológica, que pode ser realizada por
profissionais de diversas áreas de atuação, incluindo educadores (OBRZUT; HYND,
2013).
Neuroplasticidade,
Reabilitação e Educação
A relação entre educação e estimulação
cognitiva tem sido pouco estabelecida. A educação formal está estruturada em
currículos que desenvolvem habilidades e competências formais para lidar com
conhecimentos que não são adquiridos espontaneamente, porém os professores
desconhecem os processos neurocognitivos que são
recrutados para a aprendizagem. O
processo de aprender envolve um conjunto de funções cognitivas altamente
complexas, que estão em desenvolvimento, o que caracteriza educação formal como
um mecanismo bidirecional no qual a estimulação gera melhor desempenho neurocognitivo que demanda mais estímulos.
O cérebro em desenvolvimento recebe
estimulação complexa e sistemática no ambiente escolar, que aprimora as funções
cognitivas dentro de um mecanismo de retroalimentação. As crianças que recebem
estimulação cognitiva escolar adequada ao seu nível de desenvolvimento
ampliarão a capacidade de resolver problemas de forma mais eficiente e
adaptativa. A partir desta relação entre educação estimulação cognitiva é
possível fazer um paralelo entre educação e reabilitação cognitiva. As crianças
com deficiência intelectual têm no processo de escolarização um poderoso
mecanismo para potencializar o seu desenvolvimento neurocognitivo.
Na reabilitação cognitiva o resultado esperado é desenvolvimento de funções que
estão deficientes por isso é necessário que a criança seja estimulada e
ensinada intencionalmente.
Para compreendermos os efeitos da estimulação
cognitiva como um é necessário entendermos o mecanismo neuronal da
aprendizagem. A neuroplasticidade é o processo
subjacente à estimulação cognitiva e às atividades realizadas pelo educador. A neuroplasticidade é definida como a capacidade do sistema
nervoso de alterar sua estrutura ou função de acordo com as influências
ambientais em que o indivíduo é exposto demonstrando o alto poder adaptativo da
estrutura neuronal (AYDIN et al., 2007; BERMUDEZ et al., 2008; MARTINEZ-MORGA;
MARTINEZ, 2016). O processo da aprendizagem corresponde há uma série de
mecanismos neurofisiológicos que engloba a formação de novas conexões
sinápticas, o crescimento de espinhas dendríticas,
mudanças de conformação de macroproteínas nas
membranas pós-sinápticas e também o aumento ou diminuição de neurotransmissores
em áreas sinápticas funcionais (GULYAEVA, 2017). Aprendizagem é, portanto, a
construção, manutenção e renovação de uma rede neural. Os mecanismos de mudança
da estrutura são reflexos da interação entre a estimulação ambiental e o
amadurecimento neuronal (JOHNSTON, 2009).
A neuroplasticidade
vem sendo demonstrada em por diferentes eixos de pesquisa, como a recuperação
após lesão cerebral e cirurgia de hemisferectomia (DE
BODE et al., 2005; SADATO et al., 2004). Nessas condições a estrutura cerebral
apesar de perdas significativas de tecido, mantém a capacidade para desenvolver
as habilidades motoras e da linguagem. Outro conjunto de evidências vem a
partir de estudos de neuroimagem funcional,
utilizando a morfometria por voxel que permite
verificar medidas de volume e espessura de substância cinzenta e branca em
áreas específicas (BERMUDEZ et al., 2008). Através dessa tecnologia robusta,
têm sido verificadas diferenças estruturais após exposição de aprendizagem, por
exemplo, verificou-se diferenças com aumento da substância cinzenta nas áreas
motoras, auditivas e visuo-espaciais, comparando
músicos profissionais, iniciantes e não músicos, também foi verificada
diferenças entre a estrutura de analfabetos e alfabetizados. Nesse eixo de
evidências é possível verificar um efeito da exposição ambiental em mecanismos
de aprendizagem sistemática, enfatizando como a prática sistemática causa neuroplasticidade estrutural. Além disso, a plasticidade
neuronal vem sendo investigada considerando o estilo de vida e os efeitos para
reduzir as perdas que são provocadas pelo avanço da idade. A importância desses
estudos para a educação de pessoas com deficiência intelectual é justamente
porque eles apontam que um dos mecanismos de manutenção da plasticidade é o
engajamento cognitivo associado a atividade física e dieta saudável. A
combinação dessas variáveis aumenta o potencial de manutenção das células
neurais e proliferação sináptica em algumas regiões como áreas hipocampais melhorando o desempenho cognitivo,
especialmente para a memória (POWER; SCHLAGGAR, 2017; PHILLIPS, 2017; VOSS et
al., 2013).
O conjunto de evidências atuais confirma a
lei de Hebb sobre quanto mais ativa uma rede
sináptica mais forte, ela se torna e, portanto, mais facilmente será novamente
ativa que significa plasticidade dependente de atividade (GANGULY; POO, 2013).
Isso é o que o ocorre neurocognitivamente quando
aprendemos algo. A neuroplasticidade molda a
estrutura cerebral através de variáveis ambientais. As mudanças estruturais no
cérebro podem ocorrer por meio da aprendizagem, levando a reorganização de
redes neuronais. Essas modificações são mais percebidas em casos de alterações
na estrutura ocasionadas por condições clínicas, sejam elas de causas orgânicas
ou adquiridas, subjacentes aos transtornos do neurodesenvolvimento
(ALTERMARK, 2014). A presença de uma alteração no desenvolvimento cerebral
poderá levar a reorganização estrutural, garantindo a preservação e o
desenvolvimento das funções cognitivas (JOHNSTON, 2009).
Os investimentos em reabilitação cognitiva
são sustentados pelo argumento da natureza plástica do cérebro e pelo potencial
de aprendizagem. Destaca-se a importância do início precoce das intervenções e
programas de estimulação cognitiva a fim de aproveitar o período em que a
estrutura está mais suscetível a essas modificações, a infância. Em relação à
deficiência intelectual, a melhor estratégia de reabilitação é o uso de
programas educacionais elaborados a partir de modelos de aprendizagem diretiva
e individualizada. Associar a reabilitação cognitiva à educação formal é a
forma eficiente de potencializar a estimulação cognitiva, que em geral é
realizada durante uma ou duas horas semanais. Dentro de um programa educacional
aplicado no ambiente escolar o tempo de estimulação aumenta para pelo menos 15
horas. O conhecimento da capacidade plástica do cérebro é indispensável para
profissionais que trabalham com o processo de desenvolvimento de funções
cognitivas em crianças, essencialmente para crianças que demandam maiores
investimentos pedagógicos, como é o caso da deficiência intelectual. Um dos
impactos ocasionados pela compreensão dos mecanismos de neuroplasticidade
é a percepção do potencial de aprendizagem apesar da deficiência intelectual.
Assim, no contexto da educação especial, o educador torna-se um profissional da
reabilitação cognitiva atuando na reorganização neurocognitiva
e favorecendo o desenvolvimento (MARTINEZ-MORGA; MARTINEZ, 2017).
O processo de educação das pessoas com
deficiência intelectual deve considerar os princípios da neuroplasticidade.
Assim, como na reabilitação, a neuroplasticidade é o
pilar de sustentação, para que possamos aplicar intervenções, considerando que
esses procedimentos podem melhorar a funcionalidade apresentada pelas crianças.
Ensino individualizado –
Adaptações
A aquisição de habilidades escolares básicas,
como leitura, escrita e aritmética, é essencial para que as crianças com
deficiência intelectual possuam um futuro vocacional e alcancem a maior
independência possível (SNELL et al., 2010). Para isso, deve ser feitas adaptações
individualizadas considerando as necessidades e capacidades de cada criança.
Adaptar o currículo para aprendizagem de uma criança com deficiência
intelectual é estabelecer situações de aprendizagem capazes de estimular e de
promover o desenvolvimento cognitivo, emocional e social.
O que de fato muda com a detecção da
deficiência intelectual e seus respectivos déficits é a necessidade de
atendimento diferenciado, utilizando estratégias educacionais individualizadas,
currículos adaptados para as necessidades de cada um e o uso de técnicas de
ensino e aprendizagem com evidências científicas. O conhecimento sobre o
desenvolvimento neurocognitivo e as inúmeras
evidências sobre o potencial plástico da estrutura cerebral impulsionam os
investimentos em programas de educação, reconhecendo-os como principal forma de
reabilitação para a deficiência intelectual (GUSTAVSSON; KITTELSAA; TOSSEBRO,
2017).
A aprendizagem de crianças com deficiência
intelectual ocorre de forma lenta, com baixa velocidade no regaste de
informações armazenadas, permitindo a fixação de um número limitado de
estímulos. Essas limitações podem ser resultado de estratégias educativas que
não considerem o processo de individualização, ou seja, não consideram as
especificidades cognitivas e comportamentais de cada criança (CARR et al.,
2016).
Para que o processo de aquisição da
aprendizagem obtenha resultados significativos, é necessário utilizar como base
um modelo diretivo circunscrito aos alvos de aprendizagem como o intuito de
facilitar a fixação e generalização do conteúdo aprendido (LLOYD; KENNEDY,
2014). O tempo que uma criança com deficiência intelectual leva para aprender é
maior e quanto mais inespecífico o assunto trabalhado maior a será a lentidão
na aquisição do conteúdo. Uma solução para essa questão seria utilizar
atividades que facilitem a resposta passo-a-passo e que não tem foco em alvos
amplos (CARR, et al. 2016).
Para a estruturação do currículo, devemos
considerar o desenvolvimento de habilidades escolares básicas para crianças com
deficiência intelectual leve e moderada. O currículo deve ser individual, de
acordo com o que cada criança apresenta. Os déficits cognitivos são detectados
pela avaliação neuropsicológica, procedimento que envolve aplicação de
diferentes procedimentos como testes, tarefas cognitivas, escalas, observações,
entrevistas com a família realizando uma ampla coleta de dados para verificar a
função ou componente cognitivo que deverá estimulado. As tarefas que envolvem o
componente cognitivo a ser treinado são exercitadas repetitivamente.
Na definição das metas curriculares, os
objetivos são hierarquicamente organizados. Antes de aprender a comer sozinho,
é necessário treinar o sentar, posteriormente o pegar no garfo, e, por fim,
levar à boca. Cada uma dessas respostas é definida como metas de aprendizagem e
trabalhada de forma sistemática. Outro elemento importante é orientar a família
a trabalhar em casa as habilidades que estão sendo foco de aprendizagem na
escola. Para isso é necessário que a família aprenda as técnicas de
aprendizagem. A família deverá trabalhar com o comportamento fracionado e não
com o comportamento alvo. Muitas famílias têm dificuldades de ensinar
comportamentos, pois utilizam a instrução verbal para realizar o comportamento
alvo. O uso de instruções verbais sobrecarrega a memória de trabalho, gerando a
perda de informações e falha na execução do comportamento esperado.
A criança com deficiência intelectual deve
receber tarefas para casa, sob a forma de situações aplicadas no dia-a-dia e
não folhas de papel que, muito provavelmente, não fazem sentido para a sua
rotina (AINSWORTH et al., 2016). As tarefas de lápis e papel não são
reconhecidas pela família como algo que criança possa executar, aumentando o
desinvestimento da família no processo educacional e interferindo no
desenvolvimento escolar. Para treinar a escrita, pode-se pedir à criança para
escrever um bilhete; para treinar a leitura, pode-se pedir à criança que leia o
folheto de propaganda do supermercado; para treinar o comer sozinho, pode ser
oferecida a refeição preferida da criança; para treinar o uso do banheiro,
pode-se colocar música, criando um contexto para a criança estar lá.
Os métodos de aprendizagem do comportamento
são utilizados também para a aprendizagem de habilidades escolares. Assim, para
que a criança aprenda a nomear objetos, podem ser apresentadas duas figuras,
uma delas terá o nome falado pelo professor; quando a criança olha ou pega essa
figura, o professor deverá reforçar essa resposta. Esse procedimento deve ser
feito de forma sistemática. O próximo passo é a criança segurar a figura,
mostrar ou nomear, dependendo do seu nível de desenvolvimento cognitivo. Esse é
um exemplo de como trabalhar o desenvolvimento funcional da
linguagem/comunicação no contexto escolar.
O foco na instrução orienta que os comandos
sejam dados de forma curta, utilizando apenas um verbo para favorecer a
compreensão e não sobrecarregar a memória. Apenas um comando de cada vez. O
domínio da aprendizagem se refere à sistemática da repetição, para garantir a
aquisição e a automatização. A correção de erros é feita enfatizando o
comportamento ou a resposta correta. A prática consiste em envolver os diversos
ambientes da criança, aumentando o potencial para a generalização da resposta e,
portanto, a funcionalidade. Os treinos de discriminação reforçam o que foi
aprendido, através da complexidade do raciocínio de discriminar entre um estilo
e outro. Por fim, a revisão cumulativa significa que, antes de iniciar uma nova
meta de aprendizagem, o educador deve revisar o que foi aprendido (KNIGHT et
al., 2013; VELTRONE; MENDES, 2011).
A aplicação de técnicas comportamentais tem
sido bastante eficiente no processo de aquisição de habilidades funcionais e
escolares, em crianças com deficiência intelectual (HARRIS; GRAHAM, 2003; ELIAS
et al., 2008; AINSWORTH, 2016; COSTA; PICHARILLO; ELIAS, 2017). A partir da
análise funcional do comportamento, o educador verifica que uma mesma resposta
como, por exemplo, o “choro” pode ter diferentes contingências e, portanto,
pode ser diferente. Para definir um comportamento, é importante analisar o
contexto em que a resposta acontece e quais são as consequências que ocorrem
depois da resposta. Em outras palavras, é preciso identificar a funcionalidade
da resposta de choro da criança. Essa ferramenta também será utilizada para o
planejamento de programas de aprendizagem. Para as situações em que se deseja
aumentar a frequência do comportamento, deve-se aplicar a modelagem. Essa
técnica é muito eficiente, se aplicada de forma adequada. A partir dela, o
comportamento alvo deve ser fracionado. Por exemplo, para a criança executar
uma tarefa de cópia de um desenho, primeiro devemos verificar se ela possui
habilidades como manter-se sentada, pegar o lápis e posicioná-lo no papel. O
primeiro passo deverá ser treinar o sentar; posteriormente, pegar e segurar o
lápis e, posteriormente, riscar o papel, para só depois fazer a cópia,
utilizando um modelo (HARRIS; GRAHAM, 2003; OBRZUT; HYND, 2013).
O treino de equivalência de estímulos tem
sido utilizado no ensino de algumas disciplinas escolares, mostrando resultados
significativos para a aprendizagem de leitura, escrita e matemática (ROSSIT;
GOYOS, 2009; SANTOS, 2012; OLIVEIRA; PENARIOL; GOYOS, 2013). Nesse modelo, a
aprendizagem se dá através da rede de relações, representando um conjunto de
estímulos e desempenhos. As relações de equivalência emergem, do ensino de
discriminações condicionais, sendo o matching-to-sample o
procedimento utilizado para instalação de discriminações condicionais (STROMER;
MACKAY; STODDARD, 1992; ROSSIT; ZULIANI, 2003). Sidman
(1971) descreveu essa relação da seguinte forma: apresenta-se um estímulo
arbitrário ou modelos, outros estímulos devem ser apresentados sendo que apenas
um demonstra equivalência com o modelo. Se o estímulo escolhido corresponder ao
correto, a resposta deverá ser reforçada (SANTOS, 2012).
Um exemplo de como a equivalência de
estímulos se aplica foi demonstrada por Llausas
(2008) que estabeleceu a relação entre palavras e figuras ditadas e entre
palavras ditadas e palavras impressas. Após treino, verificou a emergência da
leitura compreensiva, escrita compreensiva e leitura expressiva. Rossit e Goyos (2009) por sua
vez, utilizando a equivalência de estímulos para estimulação de habilidades
matemáticas em indivíduos com deficiência intelectual e obtiveram resultados
positivos. Os resultados dessas pesquisas evidenciam que o ensino de
discriminações condicionais é um método favorável ao ensino de leitura, escrita
e matemática, mostrando-se como um recurso para a prática pedagógica.
Conclusão
O presente artigo apresenta uma relação entre
educação e reabilitação cognitiva demonstrando importância do conhecimento
sobre o desenvolvimento neurocognitivo para os
professores que atuam com a educação de crianças com a deficiência intelectual.
A aplicação de um modelo inclusivo efetivo ainda carece de uma formação
pedagógica mais dinâmica, multidisciplinar e rigorosamente científica. Esse
problema já foi detectado no estudo de Barbosa e Moreira (2009) no qual os
autores demonstraram a necessidade de mais cientifidade
na estruturação de uma educação especial que seja inclusiva.
A compreensão dos aspectos neurocientíficos inclui entender que as funções cognitivas
resultam da interação com o meio, os mecanismos sociais são moduladores das
estruturas cerebrais. Portanto, é necessário que os educadores conheçam a
dinâmica do funcionamento e das possibilidades de recuperação para estruturas
que por diversas razões apresentam alterações do neurodesenvolvimento.
A criança com deficiência intelectual não representa uma condição de completa
incapacidade e precisa de ter a oportunidade do desenvolvimento escolar. Como
contribuição o presente estudo destaca que o currículo escolar e a reabilitação
da deficiência intelectual são procedimentos sedimentados nas evidências do
potencial de neuroplasticidade, principalmente na
infância. A aplicação de técnicas mais diretivas e individualizadas favorecem
os ganhos funcionais, aumentando a qualidade de vida da criança. É importante consideramos os direitos
educacionais das crianças com deficiência intelectual e os efeitos positivos
que a escolarização exerce, sendo o principal mecanismo de aquisição de funções
que favorecem a inserção social, aumento do nível de independência e a inserção
profissional.
Assim, as características neurocognitivas
da deficiência intelectual contribuem para a elaboração dos currículos
escolares individualizados e orientados para estimular as funções cognitivas
que favoreçam o desenvolvimento, sendo as habilidades escolares básicas,
consequência da estimulação cognitiva. A partir desse ensaio consideramos a
importância da maior difusão das especificidades neurocognitivas
da deficiência intelectual e da formação em estratégias de ensino baseadas nas
técnicas comportamentais como uma proposta de formação de professores que atuam
na educação especial e inclusiva.
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