Universidade Federal de Santa Maria

Ci. e nat., Santa Maria, V. 42, Special Edition, e4, 2020

DOI: http://dx.doi.org/10.5902/2179460X40657

Received: 10/10/2019 Accepted: 10/10/2019

 

by-nc-sa

 


Special Edition

 

Análise do conforto térmico para trabalhadores rurais durante a colheita do tabaco na região do Vale do Rio Pardo

 

Analysis of thermal comfort for rural workers during tobacco harvesting in the Vale do Rio Pardo region

 

 

Heloísa de GoisI

Zanandra Boff de OliveiraII

Clarissa Moraes da SilvaIII

Irajá Jantasch de SouzaIV

Larrissa Ribeiro RodriguesV

Tiago Tondolo LinkVI

Leonardo Baldissera MalffiniVII

 

I    Universidade Federal de Santa Maria - Campus Cachoeira do Sul (UFSM-CS), Cachoeira do Sul, Brasil - helodegois@gmail.com

II   Universidade Federal de Santa Maria - Campus Cachoeira do Sul (UFSM-CS), Cachoeira do Sul, Brasil - zanandraboff@gmail.com

III  Universidade Federal de Santa Maria - Campus Cachoeira do Sul (UFSM-CS), Cachoeira do Sul, Brasil - clarissamoraes37@outlook.com

IV  Universidade Federal de Santa Maria - Campus Cachoeira do Sul (UFSM-CS), Cachoeira do Sul, Brasil - iraja_14@yahoo.com.br

V   Universidade Federal de Santa Maria - Campus Cachoeira do Sul (UFSM-CS), Cachoeira do Sul, Brasil - larrissarodriguesmtm@gmail.com

VI  Universidade Federal de Santa Maria - Campus Cachoeira do Sul (UFSM-CS), Cachoeira do Sul, Brasil - tiagotondololink@hotmail.com

VII Universidade Federal de Santa Maria - Campus Cachoeira do Sul (UFSM-CS), Cachoeira do Sul, Brasil - leomaffini79@gmail.com

 

 

Resumo

A cultura do tabaco, além de ser uma importante fonte de renda para a agricultura familiar, também se traduz em uma das mais relevantes do estado. Assim, o objetivo do presente estudo é analisar o conforto térmico dos trabalhadores rurais durante a colheita do tabaco, por meio do índice de temperatura e umidade (ITU) calculado com dados meteorológicos dos anos 2017/2018 e 2018/2019, na região do Vale do Rio Pardo. Para isso, primeiramente realizou-se a coleta de informações de forma anônima por meio de um questionário respondido por 80 produtores rurais de diferentes municípios da região e posteriormente, foi realizada uma análise bioclimática por meio do cálculo e interpretação do ITU.  Os resultados indicaram que a colheita do tabaco na região é realizada nos meses de outubro a janeiro, nos turnos da manhã (07:00 às 11:00 h) e da tarde (14:00 às 19:00 h). A análise do conforto térmico mostrou que no período da manhã não há estresse calórico (ITU<74), diferentemente do período da tarde onde o ITU indica desconforto térmico por calor (meses de novembro a janeiro), o qual é progressivo ao longo do período (ITU aumenta das 14:00 até as 18:00 h) e pode ser potencializado pelo estresse físico acumulado ao longo do dia de trabalho.

Palavras-chave: Tabaco; Conforto térmico; Trabalhadores rurais

 

 

Abstract

Tobacco cultivation, besides being an important source of income for family farming, also translates into one of the most relevant in the state. Thus, the aim of the present study is to analyze the thermal comfort of rural workers during tobacco harvest, through the temperature and humidity index (UTI) calculated with meteorological data from the years 2017/2018 and 2018/2019, in the Vale region. from Rio Pardo. For this, information was first collected anonymously through a questionnaire answered by 80 rural producers from different municipalities in the region and later, a bioclimatic analysis was performed through the calculation and interpretation of the UTI. The results indicated that the tobacco harvest in the region is held from October to January, in the morning (07:00 to 11:00) and afternoon (14:00 to 19:00) shifts. Thermal comfort analysis showed that in the morning there is no heat stress (UTI <74), unlike the afternoon where UTI indicates thermal heat discomfort (from November to January), which is progressive over the period. (UTI increases from 2:00 pm to 6:00 pm) and may be potentiated by the physical stress accumulated throughout the working day

Keywords: Tobacco; Thermal comfort; Rural workers

 

 

1 Introdução

A cultura do tabaco, além de ser uma importante fonte de renda para a agricultura familiar, também se traduz em uma das mais relevantes economicamente para a região sul do Brasil. Na safra 2017/18 a produção no Brasil chegou a 632 mil toneladas, sendo que 50% desta foi produzida no Rio Grande do Sul, 28% em Santa Catarina e 22% no Paraná (AFUBRA, 2019).

Ainda segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil, a cadeia produtiva do fumo pode ser resumida em três etapas principais. Primeiramente, as fábricas fornecem insumos, materiais de construção, máquinas e implementos agrícolas aos fumicultores por intermédio de transportadores e postos de distribuição; em seguida, os trabalhadores, após a colheita ser realizada, encaminham o produto a usinas de processamento onde inicia-se a terceira e última etapa: a comercialização do tabaco tanto na forma pré quanto na pós-processada. Essa última, se dá após a industrialização da matéria prima tendo como destino principal o mercado tabagista.

A safra inicia-se nos meses de junho a julho, com a produção de mudas feita através do ensacamento das flores antes mesmo de abrirem. Dentro de 15 dias, as sementes já germinadas são transplantadas para um viveiro com solo poroso fértil, sendo mantidas hidratadas, com acesso a luz solar e fora de estresses como por exemplo: ventos fortes e alta umidade. Após 60 dias, as mudas podem ser transplantadas uma a uma para a área de cultivo definitiva. Recomendando-se a adoção do sistema de plantio direto (OLIVEIRA E COSTA, 2012). De acordo com a empresa Souza Cruz (2019), “o produtor acompanha o processo de desenvolvimento das plantas até a colheita, que não necessariamente é feita de uma só vez. As folhas podem amadurecer em ritmos distintos, de acordo, por exemplo, com a exposição de cada uma à luz solar”.

A senescência da planta de fumo se dá de forma ascendente. Por isso, sua colheita é processada manualmente em três fases distintas: sapata (retirada de folhas de baixo ocorrendo 5 ou 6 entre 45 a 50 dias após o plantio); baixeira (retirada de 6 a 8 folhas intermediárias ocorrendo entre 10 a 12 dias após a colheita da sapata; e primeira (retirada das folhas restantes cerca de 20 dias após o baixeiro) (EMBRAPA, 1975).

Por conseguinte, a colheita do tabaco é realizada nos meses de novembro a fevereiro, período que coincide com a primavera-verão no Rio Grande do Sul. Oliveira et al. (2017) realizaram uma análise bioclimática para o estado e verificaram condições ambientais muito quentes neste período. Consequentemente, os trabalhadores ficam expostos a condições ambientais precárias, de elevadas temperaturas do ar, as quais podem causar desconforto térmico limitando as atividades do trabalhador e até mesmo trazendo consequências à sua saúde.

Define-se conforto térmico como um estado de espírito que reflete satisfação com o ambiente térmico que envolve um indivíduo. O equilíbrio de calor do corpo humano depende da rapidez com que o corpo perde calor (ALVES, 2011). Consoante Santos e Melo (2010), as exigências humanas de conforto térmico estão relacionadas com o funcionamento do seu organismo. Um ser humano precisa eliminar calor de modo que sua temperatura interna permanece em torno de 37 °C.

Segundo Frota e Schiffer (2001), o organismo perde calor para o ambiente através do calor latente e do calor sensível.

       Calor latente: função das diferenças de temperatura entre o corpo e o ambiente e perdido por meio das trocas secas (condução, convecção e radiação);

       Calor sensível: perdido por trocas úmidas e que envolve mudança no estado de agregação (o suor, líquido, passa para o estado gasoso, de vapor, através da evaporação, por exemplo).

            As principais variáveis climáticas que influenciam no conforto térmico são: temperatura do ar, índice de radiação solar, velocidade do vento e umidade. Não obstante, variáveis não climatológicas também devem ser consideradas, tais como: o estado de saúde do indivíduo, o tom da pele, vestimenta, raça e a atividade que está realizando (FROTA E SCHIFFER, 2001).

 Para a análise do conforto térmico, existem diversos índices empíricos disponíveis na literatura, sendo o índice de temperatura e umidade relativa do ar (ITU) (BUFFINGTON et al., 1982) o mais utilizado, por considerar a umidade relativa do ar e a temperatura do ar (variáveis facilmente obtidas em estações meteorológicas do INMET). Assim, o objetivo do trabalho é analisar o conforto térmico dos trabalhadores rurais durante a colheita do tabaco, por meio do ITU calculado com dados meteorológicos dos anos 2017/2018 e 2018/2019, na região do Vale do Rio Pardo.

 

 

2 Materiais e Métodos

A região de abrangência da pesquisa é a do Vale do Rio Pardo (Figura 1), localizada no Centro-Sul do estado do Rio Grande do Sul, a qual, segundo dados do IBGE (2007), representa 20% da produção nacional de tabaco, destacando-se no cenário fumageiro do Brasil.

 

Figura 1 – Quantidade produzida de fumo em folha no RS média 2013-2015

Fonte: Atlas Socioeconômico do Rio Grande do Sul/IBGE-2015

O estudo foi realizado em duas etapas. A primeira baseou-se na coleta de informações de forma anônima por meio de um questionário respondido por 80 produtores rurais de diferentes municípios da região (Figura 2). Tal questionário foi composto por seis questões fechadas e uma aberta, as quais buscaram identificar o perfil dos produtores (idade, envolvimento com a atividade, tempo de envolvimento com atividade, atividades desenvolvidas) e as relações da atividade com o conforto térmico (meses de envolvimento com a atividade, horários de colheita do tabaco, tipo de proteção utilizada contra a exposição à radiação solar direta e sintomas físicos do estresse térmico).

 

Figura 2 – Número de pessoas por cidade participante da pesquisa

 

A segunda etapa constitui-se da análise bioclimática, por meio do cálculo do ITU e da interpretação do mesmo através de dados disponíveis na literatura para os meses e horários indicados nas repostas dos trabalhadores.

 

Figura 3 – Temperatura do ar máxima e umidade relativa mínima do ar para os meses de novembro, dezembro e janeiros das séries de dados 2017/18 e 2018/19

 

Os valores médios do dia (7:00 as 19:00 h) de temperatura do ar máxima e umidade relativa do ar mínima, necessários para o cálculo do ITU, foram obtidos no site do Instituto Nacional de Meteorologia (Estação Rio Pardo), para os meses de novembro a janeiro (2017/2018 e 2018/2019).

 

O cálculo do ITU foi realizado pela equação de Buffington et al. (1):

                                                                                                                                  (1)

Onde:

ITU = índice de temperatura e umidade, adimensional;

Tar = temperatura de bulbo seco, °C;

UR = umidade relativa do ar, %.

Para a análise bioclimática, o ITU calculado foi enquadrado na Tabela 1 proposta por Souza et al. (2010), que indica intervalos de ITU e as zonas de conforto e desconforto térmico.

 

Tabela 1 – Zonas de conforto e desconforto térmico para trabalhadores rurais e para animais

Parâmetros de conforto e desconforto térmico

Zonas de conforto e desconforto térmico

ITU < 74

Conforto térmico adequado

ITU ≤ 74 < 79

Ambiente quente, no qual se inicia o desconforto térmico

ITU ≤ 79 < 84

 

 

Condições ambientais muito quentes, indicando perigo e podendo trazer consequências graves à saúde do trabalhador rural; implica condição de perigo para os animais, indicando aos produtores a necessidade de tomarem precauções para evitar perdas na produção

ITU ≥ 84

Indica condição extremamente quente, com risco muito grave à saúde do trabalhador rural; indica situação de emergência, sendo necessário que providências urgentes sejam tomadas para evitar a perda do plantel.

 

 

3 Resultados e Discussão

Em relação ao envolvimento com a atividade fumageira, identificou-se que dos 80 respondentes, 61 são produtores e 19 são colaboradores. A maioria, 54 pessoas, trabalham entre 2 e 5 dias por semana nas atividades relativas à colheita da cultura. Sobre o ritmo anual de trabalho, 99,09% responderam que realizam atividades de colheita entre os meses de outubro e janeiro, sobretudo, (73 respostas) no mês de dezembro. Vide a Figura 4.

 

Figura 4 – Número de dias e meses de envolvimento com a colheita do tabaco, figura 4(a) e figura 4(b)

(a)     

(b)  

 

Em relação ao turno de execução das atividades relacionadas a colheita, 47 responderam que trabalham das 7:00 às 11:00 h e das 15:00 às 19:00 h, nos períodos matutino e vespertino, respectivamente. Observa-se a Figura 5.

 

Figura 5 –Turnos e horários de envolvimento com a colheita do tabaco, figura 5(a) e figura 5(b)

 (a)  

 (b)

 

As atividades relativas à colheita do tabaco são realizadas majoritariamente de forma manual e em exposição direta a radiação solar. Por esse motivo, os trabalhadores utilizam técnicas para se proteger do calor. A Norma Regulamentadora 31 estabelece que o protetor solar facial faz parte do grupo de EPI’s (Equipamentos de Proteção Individual) recomendados para os trabalhadores rurais (MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO, 2005).

Além do protetor solar, os principais tipos de proteção contra a radiação solar identificadas no questionário podem ser observadas na Figura 6 e são eles: uso de roupas claras e uso de chapéus ou bonés. Quando o trabalhador foi questionado sobre quais e quantos desses meios de proteção utiliza, obtiveram-se os seguintes resultados:  40 utilizam dois tipos de proteção, 26 utilizam apenas um tipo de proteção e 14 utilizam três tipos de proteção; 49,66% fazem uso de chapéus ou bonés, 20,41% de roupas claras e 29,93% utilizam protetor solar.

 

Figura 6 – Tipos de proteção apontados pelos trabalhadores

 

Ainda na Figura 5, nota-se uma distribuição dos horários de trabalho ao longo do dia (pausa no trabalho entre 12:00 e 14:00 h).  Segundo Gallois (2002), o organismo humano não suporta variações acima de 4 ºC em sua temperatura interna sem queda da capacidade física e mental do indivíduo. De acordo com Camargo e Furlan (2011), reações do corpo à exposição a altas ou baixas temperaturas começam com desconforto, irritabilidade e baixa concentração na atividade realizada. Repara-se que todos os respondentes relataram sentir desconfortos durante a atividade da colheita do tabaco como dores de cabeça, transpiração excessiva, redução dos movimentos e força, sonolência e náusea. A quantidade de trabalhadores que relataram sentir esses sintomas pode ser visualizada na Figura 7.

 

Figura 7 – Sintomas indicados pelos trabalhadores

 

 

Conforme Oliveira et al. (2017), durante os meses de setembro e outubro não ocorre desconforto térmico por calor no estado do Rio Grande do Sul. A vista disso, o cálculo e posterior a análise do ITU, apresentado na Tabela 2 e nas Figuras 8 e 9, foi realizada para os meses de novembro a janeiro.

 

Tabela 2 – Dados médios de ITU para os horários das 07:00 h às 19:00 h para os meses de novembro a janeiro nos anos de 2017-2018 e de 2018-2019

2017/18

HORÁRIO (h)

Meses

7

8

9

10

11

12

13

14

15

16

17

18

19

 

Nov.

62

61

61

63

65

67

69

70

71

72

72

72

72

 

Dez.

67

67

67

69

71

73

74

75

76

77

77

77

77

 

Jan.

69

69

68

70

72

74

75

76

77

77

78

78

78

 

2018/19

HORÁRIO (h)

Meses

7

8

9

10

11

12

13

14

15

16

17

18

19

 

Nov.

65

65

64

66

69

70

72

73

74

75

75

75

75

 

Dez.

67

66

66

68

70

72

73

74

75

76

76

76

76

 

Jan.

72

72

72

73

74

75

77

77

78

79

79

80

79

 

 

Os resultados apresentados na Tabela 2 revelaram que, com relação as duas épocas estudadas (2017/2018 e 2018/2019): o período da manhã não apresenta estresse calórico (ITU < 74); em contrapartida, durante o turno da tarde, as condições ambientais são de desconforto térmico (ITU ≤ 74 < 79) a condições ambientais muito quentes no mês de janeiro de 2019 (explícito na Figura 9). Percebe-se que com o passar do dia, os valores de ITU elevam-se, denunciando o estresse calórico que ainda pode ser potencializado mediante o estresse acumulado (cansaço, fadiga, etc.) ao longo do dia de trabalho. Consoante Granjean (1998), o aumento do esforço físico também altera as condições de conforto térmico. Em conformidade com Iida (2005), para evitar o desconforto em ambientes com temperaturas muito altas, deve-se diminuir o tempo de exposição do trabalhador ao ambiente para que o organismo possa eliminar o excesso de carga térmica e restabelecer seu equilíbrio. Desse modo, no período da tarde, além da proteção contra a radiação solar direta, já adotada pelos trabalhadores (protetor solar, roupas claras, bonés ou chapéus) indica-se a realização de pausas nas atividades, bem como a manutenção de uma boa hidratação. Tais fatores, quando somados, contribuem para uma melhor termorregulação o que possibilitará a manutenção do ritmo de trabalho e a redução dos prejuízos a saúde do trabalhador.

Nas Figuras 8 e 9 é possível observar que nos meses de dezembro e janeiro o ITU permanece na faixa de ambiente quente a extremamente quente em praticamente todo o período, chegando a extremos de 85,15 às 19 h no mês de janeiro de 2019, caracterizado por um período de alta temperatura e alta umidade relativa (Figura 3), que potencializam os valores do índice.  

 

Figura 8 – Valores de ITU enquadrados nas zonas de conforto e desconforto térmico para os meses de para os meses de novembro a janeiro de 2017-2018

 

Figura 9 – Valores de ITU enquadrados nas zonas de conforto e desconforto térmico, para os meses de para os meses de novembro a janeiro de 2018-2019

 

 

Na situação em que a umidade relativa e a temperatura do ar são elevadas (Figura 3), resultando em valores elevados do ITU (ITU>74) (Figuras 7 e 8), a termorregulação fica prejudicada. O mecanismo utilizado pelo corpo para regular a temperatura do corpo é a transpiração, mas quando a transpiração já não é mais suficiente para regular essa temperatura, podem ocorrer uma série de distúrbios, como: exaustão térmica, câimbras por calor, insolação ou síncope por calor (CAMARGO; FURLAN, 2011; ALMEIDA; VEIGA, 2010).

 

 

4 Conclusões

A colheita do tabaco na região do Vale do Rio Pardo é realizada nos meses de outubro a janeiro, nos turnos da manhã (07:00 às 11:00 h) e da tarde (14:00 às 19:00 h). A análise do conforto térmico indicou que no turno da manhã não há estresse calórico (ITU<74) e no período da tarde há desconforto térmico por calor (ITU 74 a 79) nos meses de novembro a janeiro, o qual é progressivo ao longo do período (ITU aumenta das 14:00 até as 18:00 h) e que pode ser potencializado com estresse físico acumulado ao longo do dia de trabalho.

Há predomínio de produtores rurais que já fazem uso de proteção contra a radiação solar direta (protetor solar, roupas claras, bonés ou chapéus) e realizam pausas na atividade no intervalo das 11:00 h ás 14:00 h. Tais práticas devem ser mantidas e adotadas por todos os trabalhadores. Ainda, recomendam-se pausas no período da tarde bem como a manutenção de uma boa hidratação, a fim de contribuir para um constante ritmo de trabalho e para a redução dos prejuízos a saúde do trabalhador.

 

 

Referências

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CAMARGO, M. G; FURLAN, M. M. D. P. Resposta fisiológica do corpo às temperaturas elevadas: exercício, extremos de temperatura e doenças térmicas. Revista Saúde e Pesquisa [internet]. Maringá. [cited maio/ago 2011]. Author’s manuscript available at: http://periodicos.unicesumar.edu.br/index.php/saudpesq/article/view/1723.

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FROTA, A. B.; SCHIFFER, S. R. Manual de Conforto Térmico. 5 ed. São Paulo: Studio Nobel; 2001.

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