Universidade Federal de Santa Maria
Ci. e nat., Santa Maria, V. 42, Special Edition, e30, 2020
DOI: http://dx.doi.org/10.5902/2179460X40624
Received: 10/10/2019 Accepted: 10/10/2019
Special Edition
I Universidade Federal de Santa Maria – Campus Cachoeira do Sul, Cachoeira do Sul, Brasil - nadianejoris@gmail.com
II Universidade Federal de Santa Maria – Campus Cachoeira do Sul, Cachoeira do Sul, Brasil - rhaissaporto@gmail.com
III Universidade Federal de Santa Maria – Campus Cachoeira do Sul, Cachoeira do Sul, Brasil - renata.zampieri@ufsm.br
O Projeto de Desenvolvimento Institucional intitulado “Espaço Dinâmico Interativo: uma alternativa ao ensino tradicional” teve como objetivo desenvolver o projeto de arquitetura de interiores modelo para uma sala de aula propícia ao desenvolvimento de atividades diferenciadas, além de possuir flexibilidade de layout, que abrangesse várias alternativas de organização, e que pudesse ser implantada nas diversas unidades de ensino da Universidade Federal de Santa Maria. A demanda deste projeto surgiu do Vice-Reitor desta instituição, Prof. Luciano Schuch, o qual pretende, a partir do projeto elaborado, apoiar a execução de uma dessas salas por unidade de ensino da Universidade. A intenção, portanto, era desenvolver um projeto modelo que possa ser adaptado para cada situação de cada unidade de ensino. Como base para o desenvolvimento deste projeto foi utilizada uma das salas dos novos prédios do Campus de Cachoeira do Sul, a qual receberá, como piloto, o primeiro projeto executado destas salas dinâmicas e interativas. O projeto arquitetônico e o orçamento foram finalizados em 2018, atualmente aguarda-se as condições financeiras ideais para licitação e execução.
The Institutional Development Project entitled “Interactive Dynamic Space: An Alternative to Traditional Teaching” was intended to create the model interior design project for a classroom that encourages the development of different activities, as well as having layout flexibility, which covers a range of space arrangements, and could be implemented in every education center of Universidade Federal de Santa Maria. The demand for this project came from the Vice Rector of this institution, professor Luciano Schuch, who intends, from the elaborated project, to support the execution of one of these rooms per education center of the University. The goal, therefore, was to create a model project that can be adapted to each situation of each teaching unit. As a basis for the development of this project it was used one of the rooms of the new buildings of Cachoeira do Sul Campus, which will receive, as a pilot, the first project executed of these dynamic and interactive rooms. The architectural project and the budget were finalized in 2018, the ideal financial conditions for bidding and execution are currently awaited.
Keywords: Innovative teaching; Dynamism; Flexibility
1 Introdução
Desenvolvido na Universidade Federal de Santa Maria, no Campus de Cachoeira do Sul, ao longo do ano de 2018, este Projeto de Desenvolvimento Institucionalteve como propósito produzir o projeto de arquitetura de interiores completo de uma sala de aula que apresentasse flexibilidade e dinamismo em sua organização e que estimulasse a interatividade entre os usuários e o espaço. Além disso, o ambiente proposto deveriafomentara criatividade, o relacionamento interpessoal e o desenvolvimento das mais diversas atividades de ensino, pesquisa e extensão. Para isso, a proposta de mobiliário que permitisse diferentes arranjos para distintas metodologias de ensino teve grande importância no exercício projetual, desde o princípio.
O projeto surgiu de uma demanda do Gabinete do Vice-Reitor, o qual pretende instalar uma dessas salas em cada uma das unidades de ensino da instituição. O intuito do Prof. Schuch é fomentar o empreendedorismo e as metodologias ativas a partir de um espaço condizente com tais possibilidades. Sua motivação para esse projeto surgiu de suas visitas a espaços semelhantes em outras universidades, como: o Laboratório de Criatividade do Tecnopuc (CriaLab), da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; e o StartUCS, da Universidade de Caxias do Sul; além da Agittec (Agência de Inovação e Transferência de Tecnologia), incubadora da Universidade Federal de Santa Maria.
Este Projeto de Desenvolvimento Institucional enquadra-se no Desafio 2 (Educação inovadora e transformadora com excelência acadêmica) e Desafio 5 (Modernização e desenvolvimento organizacional) do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2016-2026 da UFSM, a partir da proposição de um espaço que estimule uma educação inovadora e transformadora e a partir da modernização organizacional como um todo.
A elaboração desse projeto de arquitetura de interiores envolveu, além da docente responsável, duas discentes do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Campus estabelecendo-se como uma forma de aproximar as acadêmicas a uma atividade de prática profissional. A oportunidade de alunos do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Campus Cachoeira do Sul estarem desenvolvendo um projeto que será implantado em toda a universidade é algo bastante importante de ser destacado, e de certo modo é uma maneira de divulgar a produção e o conhecimento que vem sendo gerado por este campus ainda em implantação. Embora ainda não tenha sido executado, o resultado esperado deste Projeto de Desenvolvimento Institucional é um produto que beneficiará a comunidade acadêmica da UFSM como um todo.
2 Proposta
2.1 Local do projeto
Conforme mencionado anteriormente, a intenção é que seja implantada uma dessas salas em cada uma das unidades de ensino da instituição, portanto, diante das possíveis variações formais de cada sala a ser ocupada, adotou-se para o desenvolvimento da proposta, as características físicas de uma sala de aula padrão existente nos novos edifícios do Campus de Cachoeira do Sul, onde espera-se que seja implantado o primeiro exemplar, em contrapartida ao projeto elaborado pelas alunas e professora do mesmo.
O Campus de Cachoeira do Sul, ainda em fase de implantação, possui prédios novos com salas de aula de aproximadamente 66m², que acomodam 42 alunos numa configuração tradicional, conforme Figura 1.
Figura 1 – Sala de aula padrão dos edifícios do Campus de Cachoeira do Sul
2.2 Metodologia
O projeto teve início em junho de 2018, quando foram estabelecidas as etapas e o cronograma de atividades e ações. A metodologia utilizada para a elaboração do projeto seguiu o método de desenvolvimento de um projeto de arquitetura de interiores padrão, contemplando as seguintes etapas:
ETAPA 01: Levantar as necessidades a partir de entrevista com o solicitante;
ETAPA 02: Realizar o levantamento físico e fotográfico do espaço que será base para o desenvolvimento do projeto;
ETAPA 03: Pesquisar projetos de referência na área e temática do projeto;
ETAPA 04: Desenvolver o partido do projeto de arquitetura de interiores para o ambiente;
ETAPA 05: Apresentar a proposta ao solicitante;
ETAPA 06: Verificar a exequibilidade do projeto, junto à Pró-Reitoria de Infraestrutura;
ETAPA 07: Detalhar os projetos complementares necessários para a execução da obra;
ETAPA 08: Detalhar o mobiliário proposto;
ETAPA 09: acompanhar o processo de licitação e especificação pela PROINFRA;
ETAPA 10: acompanhar a execução do projeto, no Campus de Cachoeira do Sul.
O cronograma de atividades foi então elaborado para estabelecer os prazos para desenvolvimento de cada etapa:
Figura 2 - Cronograma de atividades
Na entrevista com o solicitante, que tinha como intenção captar as intenções de projeto por este almejadas, além de referências projetuais de outras instituições (Figura 3 e Figura 4), o Vice-Reitor expôs algumas recomendações para a concepção da proposta, que deverialevarem consideração a capacidade da Universidade em executar parte do mobiliário, as instalações elétricas, a instalação de pisos e demais elementos a serem propostos no projeto, evitando contratações externas. Assim, utilizando os serviços de marcenaria e serralheria próprios da instituição, os custos para execução do projeto tendem a ser menores. Além de ser dada preferência a estes serviços na própria instituição, a intenção era a elaboração de licitação para aquisição de mobiliário específico ou execução de serviços especializados.
Figura 3 - Laboratório de Criatividade do Tecnopuc (CriaLab) – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
Figura 4 - StartUCS – Universidade de Caxias do Sul
Diante das referências e das intenções do Vice-Reitor, o projeto começou a ser desenvolvido a partir da reflexão sobre as inúmeras atividades que poderiamser exercidas dentro da sala, dentre elas estão: dinâmicas de grupo, “rodas de conversa”, apresentação e exposição de trabalhos em distintas configurações, aulas teóricas que permitam o agrupamento de alunos, e reprodução de mídias audiovisuais. Essas possibilidades geraram algumas configurações espaciais básicas que foram elaboradas no decorrer da proposta e apresentadas posteriormente aos interessados – o Vice-Reitor e alguns integrantes da equipe da Pró-Reitoria de Infraestrutura (PROINFRA).
As configurações propostas, por fim, são do tipo apresentação e exposição – que podem ser utilizadas distintivamente conforme o número de grupos (Figura5 e Figura 6), tradicional em grupo (Figura 7), auditório (Figura 8), e reprodução de mídias audiovisuais (Figura 9), valorizando principalmente a televisão. É válido ressaltar que esses tipos são passíveis de adaptações de acordo com as necessidades e preferências de cada grupo de usuários.
Figura 5 – Configuração do tipo apresentação e exposição (a)
Figura 6 - Configuração do tipo apresentação e exposição (b)
.
Figura 7 - Configuração do tipo tradicional em grupo
Figura 8 - Configuração do tipo auditório
Figura 9 - Configuração do tipo reprodução de mídias audiovisuais.
Assim sendo, a possibilidade de diferentes arranjos impôs a necessidade de pensar na organização e no armazenamento de elementos que não sejam usados em determinadas ocasiões. Logo, uma das premissas para o desenvolvimento da proposta foi pensar em um mobiliário que se adequasse aessas exigências. Pensando nos elementos fundamentais - mais numerosos e de maiores dimensões -, foram propostas mesas basculantes e cadeiras empilháveis, conforme aFigura 10. Esses dois objetos, pela característica de redução do espaço que ocupam, nortearam o restante do projeto, pois quando definidos seus espaços de armazenamento, o restante permaneceu disponível para dispor os demais elementos.
Figura 10 - Mesas basculantes e cadeiras empilháveis
Fonte: Metadil
2.3 Espacialização
Figura 11 - Paleta de cores dinâmica e vibrante
Fonte: acervo pessoal das autoras
Após a definição dos elementos base (mesas basculantes e cadeiras empilháveis), o projeto foi pensado a partir dos aspectos gerais da sala, que envolviam algum tipo de obra - pintura, desenho de piso, acabamentos, bem como o que daria caráter à mesma. Sendo assim, a primeira tarefa foi elaborar uma paleta de cores dinâmica e vibrante, a fim de comunicar ao usuário que aquele é um ambiente criativo e inovador. Para tanto, foram elencadas as cores verde e laranja, contrastando com uma base neutra em branco, cinza, preto e tom de madeira clara (compensado escolhido para ser utilizado no mobiliário).
É importante ressaltar que, apesar de as diretrizes estarem bem definidas, a concepção projetual não se deu por etapas exatas e sim de forma flexível e orgânica. Sendo assim, foi criado um desenho de piso especial para a sala, configurado por grama sintética em ângulos assimétricos, que conferem movimento à sala (Figura 11). Considerando as emendas necessárias por conta da dimensão da grama sintética em rolo, a paginação foi proposta de modo que a mesma seja colocada em cima do revestimento existente na sala. Com isso, evitam-se obras para a troca de revestimento, gerando economia e facilidade de adaptação aos pisos existentes nas variadas unidades de ensino em que se pretende implantar a sala dinâmica.
Figura 12 - Painéis com telas metálicas, em compensado e lousa branca
Fonte: acervo pessoal das autoras
Visando o aproveitamento de espaços da sala, pensar na distribuição de alguns usos diferenciados nas paredes (Figura 12) foi uma estratégia crucial do projeto, visto que, criando atividades em todas as faces, e dispondo elementos fixos de forma periférica, a sala estaria mais livre para comportar diversas configurações e layouts. Logo, adotou-se o posicionamento dos pilares e da viga central da sala como partido para a criação de um móvel que incorpora painel de televisão, nicho para equipamentos, e painel expositor metálico (que, na proposta inicial, teria sua materialidade de cortiça). O painel metálico foi proposto em tela ótis para que sirva de apoio aos usuários da sala, permitindo expor trabalhos, desenhos e lembretes no mesmo, ao passo que os pilares e a viga foram pintados de preto para conferir destaque e acabamento, emoldurando o conjunto de painéis. Na parede “frontal” da sala, com relação à distribuição tradicional de mesas e cadeiras, foi proposta uma grande lousa branca em mdf cru revestido com lâmina de fórmica, acompanhada de outro painel metálico – essa lousa pode ser usada tanto para escrever e desenhar quanto como base para o projetor multimídia, em caso de exposições de apresentações de slides ou filmes. Por fim, na parede do fundo da sala foi proposta pintura em tom de preto para que a mesma desempenhe a função de quadro negro, conferindo autonomia aos usuários para que se apropriem como preferirem.
Acerca do mobiliário personalizado, projetado especialmente para a sala dinâmica, é válido ressaltar que se buscou sempre a funcionalidade, facilidade de adaptação adversos usos, e economia na execução das peças. Sendo assim, o primeiro mobiliário proposto foi a arquibancada em chapa de compensado de virola (Figura 13). A mesma foi pensada para que os usuários possam ocupá-la de diferentes formas - sentar, deitar, trabalhar, descansar - e por se tratar de um objeto de uso coletivo, ela fomenta a integração entre as pessoas. Além do uso externo por parte das pessoas, possui a importante função de armazenar objetos da sala, como cadeiras, bancos, painéis, almofadas, mochilas etc. Para tanto, se desenvolveu a arquibancada em três níveis, com tampas modulares. Ademais, foram propostos módulos móveis em MDF cinza, que complementam a arquibancada servindo como degrau e banco/apoio, e podem ser configurados conforme a preferência do usuário.
Figura 13 - Arquibancada em compensado de virola, bancos/expositores e balanços
Fonte: acervo pessoal das autoras
Além da arquibancada, foram propostos bancos em compensado, que servem também como expositor de painéis laminados em fórmica (quadros brancos em tamanho reduzido). Esses bancos/expositores, conforme a Figura 14, foram planejados para auxiliar na conformação de pequenos grupos de trabalho, portanto são de material leve e possuem cavas para o transporte pela sala. A dupla função é garantida pelo design da peça, que possui nicho para o encaixe dos painéis brancos, possibilitando que sejam utilizados para expor trabalhos ou como quadro branco propriamente dito.
Figura 14 - Banco/expositor na função de expositor, com painel de mdf revestido com fórmica
Fonte: acervo pessoal das autoras
Para conferir mais dinamicidade à sala, foram propostos próximos à lousa branca principaldois balanços em pinus e corda de sisal fixados na laje. Esses elementos remetem ao lazer e ao descanso, e também podem ser incorporados em diferentes grupos de trabalho quando necessário, combinados às cadeiras ou aos bancos/expositores de compensado.
Acerca das estratégias de iluminação e elétrica, o projeto considerou instalações aparentes (Figura 15) com acabamento em cinza, visando àadaptação desses elementos aos layouts propostos sem a necessidade de interferir na estrutura das paredes e do teto. Para iluminar de forma satisfatória o ambiente, foi proposta uma estrutura em eletrocalhas galvanizadas, que sustentam as luminárias de sobrepor retangulares, as quais se encarregam da iluminação geral da sala. A combinação das instalações elétricas aparentes às escolhas dos elementos de iluminação confere aspecto industrial à sala, dialogando com a proposta de um espaço moderno e flexível. Colaboram na iluminação do ambiente, de forma direcionada, luminárias spots e luminárias pendentes, também fixadas na estrutura de eletrocalhas. As luminárias pendentes contam com lâmpadas de filamento (iluminação em tom quente) e situam-se ao fundo da sala, onde está localizada a arquibancada, promovendo um ambiente mais acolhedor. No centro da sala, o painel de TV em compensado desdobra-se no teto e serve como fixação para um trilho eletrificado com luminárias do tipo spots, que também contribui na iluminação mais focada. A proposta do projeto luminotécnico foi criar diferentes cenários possíveis de iluminação, de acordo com as atividades a serem desenvolvidas em cada momento.
Uma das principais diretrizes do projeto elétrico era abastecer a sala com um número satisfatório de tomadas, para que várias pessoas conseguissem utilizar equipamentos eletrônicos simultaneamente, em todas as configurações espaciais que a sala permite. Sendo assim, a sala conta com tomadas em diferentes alturas distribuídas ao longo das paredes, e o diferencial do projeto é adotar tomadas pendentes no “teto”, fixadas à eletrocalha, em diferentes alturas. Essa estratégia possibilita maior flexibilidade no uso de aparelhos eletrônicos, visto que não é necessário ocupar apenas as regiões próximas às paredes que contém tomadas para realizar atividades que necessitem de equipamentos, mas sim ocupar também o centro da sala, garantindo o aproveitamento do espaço. Além disso, em termos de execução, o processo é facilitado, não sendo necessária a abertura da laje para a instalação de tomadas de piso, por exemplo.
Figura 15 - Instalações elétricas aparentes e iluminação especial
Fonte: acervo pessoal das autoras
Por fim, após a concepção projetual, foram realizados os detalhamentos executivos - layouts, pintura, paginação de piso, projeto elétrico, projeto luminotécnico(Figura 16), projeto de mobiliário (Figura 17) - com os respectivos desenhos técnicos, dimensões e especificações, além de tabelas e relações de elementos a serem licitados ou fabricados pela Universidade, para apresentação da proposta.
Figura 16 - Planta dos circuitos de iluminação
Fonte: acervo pessoal das autoras
Figura 17 - Exemplo de detalhamento de mobiliário realizado pela equipe
Fonte: acervo pessoal das autoras
2.4 Apresentação e ajustes da proposta
Após a finalização dos detalhamentos, o projeto foi apresentado aos solicitantes, entre eles o Vice-Reitor e membros integrantes da pró-reitoria de infraestrutura da Universidade Federal de Santa Maria (PROINFRA/UFSM). A apresentação ocorreu em setembro de 2018, em reunião no campus sede em Santa Maria - RS, onde foram expostas as soluções e estratégias adotadas para suprir as demandas da sala.
Por questões de limitações de execução, os painéis em cortiça foram substituídos por painéis em tela ótis, que poderiam ser produzidos pela serralheria da própria Universidade, reduzindo custos. Os bancos/expositores tiveram seu design simplificado, sendo propostos em sua totalidade em compensado, e não mais com pés metálicos, como na proposta inicial. Além disso, um fechamento em persiana rolô tinha sido anteriormente apresentado ao lado da arquibancada, para ocultar as mesas e cadeiras armazenadas – no entanto, os solicitantes acharam desnecessário, assim, essa solução foi excluída do projeto.
De forma geral, a proposta elaborada pelo grupo recebeu retorno positivo e grande aceitação, sofrendo apenas as pequenas alterações apresentadas, e recebendo o aval para avançar para as próximas etapas.
3 Desdobramentos pós-projeto e execução
Finalizada a proposta, após realizados os ajustes solicitados, foram elaborados os quadros de quantificação com a listagem de todos os elementos inseridos no projeto, categorizados em “itens a licitar” (Figura 18) – gerais, para o projeto elétrico e projeto luminotécnico – e “itens a fabricar” (Figura 19), que consistia no mobiliário desenvolvido pela equipe do Projeto. Na sequência, esse material foi encaminhado àPROINFRA para realização do orçamento. Em janeiro de 2019, o orçamento obtido pela PROINFRA, incluindo o orçamento civil e elétrico da sala apresentou o custo de R$ 45.610,95. Não consta no orçamento o custo de fabricação dos móveis.
Figura 18 - Quadro de itens a licitar - itens gerais
Figura 19 - Quadro de itens a fabricar
Quanto à execução, quando o projeto foi solicitado pelo Vice-Reitor, a intenção seria implementar a primeira sala no primeiro semestre de 2019, em Cachoeira do Sul, no entanto, a redução do repasse de verbas enfrentada pela Universidade durante este ano, impediu a sua concretização. Diante desse cenário, não há, no presente momento, nenhuma previsão de implantação do projeto, quer seja no Campus de Cachoeira do Sul, quer seja nas demais unidades de ensino da UFSM.
4 Conclusões
Considerando os aspectos apresentados acerca do Projeto de Desenvolvimento Institucional “Espaço Dinâmico Interativo: uma alternativa ao ensino tradicional”, percebe-se que a experiência de projetar um espaço colaborativo e inovador, dentro de uma instituição de ensino tão significativa para Santa Maria e região é um grande desafio. Fomentar o empreendedorismo e metodologias diferenciadas a partir de um espaço adequado para tal é um passo importante para a instituição, visto que dessa forma a Universidade está oportunizando que projetos e ideias de impacto se desenvolvam. O ambiente de estudo tem impacto significativo na produtividade dos alunos e professores, sendo assim, oferecer uma sala de aula que foge do padrão, convidativa e estimulante, é um investimento que trará retorno positivo não apenas para a academia, mas sim para a comunidade como um todo. Além disso, a oportunidade deste projeto ser desenvolvido por uma equipe de docente e alunas da Universidade o torna ainda mais relevante, onde possíveis usuários tornam-se agentes ativos na proposição projetual.
Referências
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