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Universidade Federal de Santa Maria
Ci. e Nat., Santa Maria, v. 44, e31, 2022
DOI: 10.5902/2179460X63821
ISSN 2179-460X
Submissão: 11/01/2021 • Aprovação: 29/04/2022 • Publicação: 28/06/2022
Geociências
Variação espaço-temporal e nictemeral dos parâmetros limnológicos no Delta do Jacuí, Lago Guaíba, RS, Brasil
Space-temporal and nictemeral variation of limnological parameters in the Jacuí Delta, Lake Guaíba, RS, Brazil
Marco Vinicius Martins I
Simone Caterina Kapusta II
Cristiano Poleto I
I Universidade federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil
II Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), Porto Alegre, RS, Brasil
RESUMO
A água é um bem essencial à vida, participante da grande maioria dos processos ambientais e nas atividades humanas voltadas à produção, consumo e lazer. As avaliações dos parâmetros da água, contemplando os estudos sobre as variações espaço-temporais, as alterações nictemerais (modificações ao longo das 24h do dia) e a distribuição vertical desses parâmetros ao longo da coluna d´água, são importantes para o conhecimento sobre a qualidade da água e do entendimento dos processos ecológicos em ambientes aquáticos. A preocupação ambiental é crescente na bacia hidrográfica do Lago Guaíba, uma vez que o aporte de carga orgânica dos rios formadores, principalmente dos rios Gravataí e Sinos comprometem a qualidade da água no Delta do Jacuí. No presente trabalho foram avaliadas variáveis físicas e químicas da água em dois pontos amostrais, no canal esquerdo (Canal Navegantes) e no canal direito (Canal Jacuí), ambos localizados no Delta do Jacuí, em Porto Alegre e Eldorado do Sul, RS. Os valores de pH, oxigênio dissolvido, temperatura, turbidez e condutividade elétrica foram obtidos na coluna d’água em três profundidades (superficial, média, fundo), nos meses de setembro e novembro de 2019 e janeiro e fevereiro de 2020, com o auxílio de equipamentos portáteis, em um perfil de 24h. Através da análise de variância, verificou-se que para pH, os valores médios na água superficial foram significativamente mais elevados. Condutividade e OD espacialmente se diferiram. Por meio da correlação foram detectados valores positivos da temperatura com o pH (0,46), do pH com oxigênio (0,30) e negativo para condutividade e oxigênio dissolvido (-0,55). A análise de componentes principais (PCA), quando analisados o componente principal 1 e 2, juntos representam 75,62% de toda a variância dos dados. Para os meses, verificou-se diferença significativa entre todos. Os locais de amostragem evidenciaram inversão térmica em setembro e novembro e estratificação térmica e química em fevereiro.
Palavras-chave: Lago Guaíba; Parâmetros Limnológicos; PCA
ABSTRACT
Water is an essential good for life, participating in the vast majority of environmental processes and in human activities aimed at production, consumption and leisure. The evaluations of the water parameters, contemplating the studies on the spatio-temporal variations, the nicthemeral alterations (changes throughout the 24 hours of the day) and the vertical distribution of these parameters along the water column, are important for the knowledge about the water quality and understanding of ecological processes in aquatic environments. Environmental concern is growing in the Lake Guaíba hydrographic basin, since the organic load input from the forming rivers, especially the Gravataí and Sinos rivers compromise the water quality in the Jacuí Delta. In the present work, the physical and physical variables of the water were evaluated in two sampling points, no left channel (Canal Navegantes) and no right channel (Canal Jacuí), both sharing in Delta do Jacuí, in Porto Alegre and Eldorado do Sul, LOL. The pH, dissolved oxygen, temperature, turbidity and electrical conductivity values were collected in the water column at three depths (surface, medium, deep), in September and November 2019 and January and February 2020, with the help of portable equipment, in a 24h profile. Through analysis of variance, it was found that for pH, the mean values in surface water were higher. Conductivity and OD spatially differed. Through correlation, positive values of temperature with pH (0.46), pH with oxygen (0.30) and negative values for conductivity and dissolved oxygen (-0.55) were detected. The (PCA), when the main component 1 and 2, together represent 75.62% of all data variation. For the months, there was a difference between all. The sampling sites showed thermal inversion in September and November and thermal and chemical stratification in February.
Keywords: Guaíba Lake; Limnological Parameters; PCA
1 INTRODUÇÃO
A qualidade da água é resultante de fenômenos naturais e da atuação do ser humano, sendo, de uma forma geral, influenciada pelo uso e ocupação do solo na bacia hidrográfica (VON SPERLING, 2005). No Brasil, as principais fontes de degradação dos recursos de água doce são esgotos domésticos e industriais, que podem promover a degradação ecológica e sanitária do corpo hídrico, com significativos prejuízos ecológicos, econômicos e sociais (ESTEVES e MENEZES, 2011).
Avaliar a qualidade da água de um ambiente aquático requer um estudo amplo, contemplando características físicas, químicas e biológicas, com objetivo de identificar as condições em que a água se encontra (KIMURA, 2014).
A avaliação e monitoramento da qualidade da água são necessários para alertar sobre os riscos à saúde pública e aos recursos hídricos (TUCCI, 2008; CHIGOR et al., 2012). No entanto, as informações acerca dos dados de qualidade da água estão disponíveis como amostras irregulares (FERREIRA et al., 2019).
O Delta do Jacuí, localizado na porção norte do Lago Guaíba à leste do estado do Rio Grande do Sul, é formado pela confluência dos rios Gravataí, dos Sinos, Jacuí e Caí, formando um conjunto de ilhas fluviais, apresentando ambientes peculiares, que atuam como um imenso filtro natural, contribuindo para a qualidade das águas do Guaíba e com a produtividade de pescado (RIO GRANDE DO SUL, 2017). Nesse sistema tem-se a Área de Proteção Ambiental Estadual Delta do Jacuí (APAEDJ) e o Parque Estadual Delta do Jacuí - PEDJ (RIO GRANDE DO SUL, 2005).
Apesar da importância do Lago Guaíba para a região metropolitana de Porto Alegre, há um histórico descaso com esse ambiente, que apresenta diversos trechos com águas comprometidas, com percepção pública dessa realidade e limitação de usos diretos de suas águas (ANDRADE et al., 2019). Ressalta-se que os locais de captação da água para o abastecimento público do município de Porto Alegre são oriundos da região deltaica e do lago, e que episódios de alteração no gosto e cor da água têm ocorrido, principalmente, durante o verão.
De acordo com Andrade e Giroldo (2014), o Lago Guaíba e sua região deltaica estão em diferentes estágios de eutrofização, correspondente aos fluxos que ali aportam, com influência da variação sazonal. O aporte de carga dos rios formadores, principalmente dos rios Gravataí e Sinos, bem como alguns pontos da margem esquerda do lago, estão mais comprometidos em função de maior adensamento populacional associado à menor vazão de tributários contribuintes (GUERRA, 1999; ANDRADE et al., 2012).
Em estudo desenvolvido por Martinez e Poleto (2014) na rede de drenagem da sub-bacia Almirante Tamandaré que escoa para o Canal Navegantes no Delta do Jacuí, os autores verificaram que os sedimentos estavam moderadamente a altamente contaminados por metais pesados, associados ao intenso tráfego da região. Os poluentes transportados através da rede de drenagem, associados aos sedimentos podem ser liberados para a coluna d´água, por ocasião de modificações das características do ambiente, tais como teores de oxigênio dissolvido e pH (POLETO e CASTILHOS, 2008; SARI, POLETO e CASTRO, 2013).
Martins et al. (2019) destacam que o acompanhamento e análise nictemeral são relevantes para a compreensão da situação comportamental das variáveis abióticas, visto que em seus estudos observaram variações limnológicas ao longo da coluna d’água em um ciclo de 24 horas, em uma área no Delta do Jacuí. Essa compreensão é importante, uma vez que as propriedades físicas e químicas da água influenciam os organismos aquáticos, podendo afetar sua distribuição vertical e nictemeral (RANGEL et al., 2009), tais como fitoplâncton (BECKER e HUSZAR, 2009; BARBOSA et al., 2011; PINTO e BECKER, 2014) e zooplâncton (SILVA et al., 2018).
Visando colaborar com subsídios para o entendimento dos processos ocorrentes no sistema deltaico, o presente trabalho analisou a distribuição vertical e nictemeral de algumas variáveis limnológicas da água em dois pontos amostrais, com influência de fluxos distintos de seus rios formadores, durante as estações da primavera e do verão.
2 MATERIAL E MÉTODOS
A Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba possui uma área de 2.973,31 Km², dos quais 482,25 Km² são ocupados pelo Delta do Jacuí (COMITÊ DO LAGO GUAÍBA, 2016). Ainda de acordo com o referido documento, a área da Bacia Hidrográfica abrange total ou parcialmente, o território de 14 municípios, incluindo a capital do Estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Predominam na área da bacia, as atividades industriais, o setor de serviços e a agropecuária.
O clima do Rio Grande do Sul pode ser classificado de acordo com Köppen (1948), como Temperado do tipo Subtropical Mesotérmico Úmido. Conforme Rossato (2011), que considerou a escala estadual, o Delta do Jacuí está em uma zona de transição entre dois sistemas climáticos (Subtropical II e Subtropical III), que se caracterizam pela influência dos sistemas polares e tropicais marítimos com influências do relevo e da maritimidade. De acordo com a autora, os sistemas frontais são responsáveis por grande parte das precipitações que variam entre 1500 mm a 1700 mm anuais, relativamente bem distribuídas ao longo do ano, porém mais concentrada nos meses de outono e primavera.
Na área de estudo tem-se a presença dos biomas Mata Atlântica e Pampa, com a vegetação caracterizada por formações pioneiras, vegetação com influência fluvial e ou lacustre, herbáceas sem palmeiras (SEMA, 2014). Essa região é predominantemente composta pelo solo Neossolos Flúvico Eutrófico (IBGE, 2006), e Planície Alúvio coluvionar.
Os pontos amostrais onde o estudo foi desenvolvido estão localizados no Delta do Jacuí, Lago Guaíba, RS. O ponto 1 (P1), localiza-se no canal esquerdo, denominado Canal Navegantes, com coordenadas geográficas Lat 29°59'34.78"S e Long 51°12'24.00"O, local próximo, porém não inserido no Parque Estadual Delta do Jacuí (PEDJ), no município de Porto Alegre. O ponto 2 (P2) localiza-se no canal direito (Canal Jacuí), município de Eldorado do Sul, com coordenadas geográficas Lat 29°59'38.91"S e Long 51°16'15.94"O (Figura 1).
De acordo com Andrade et al. (2012) o Canal de Navegantes apresenta águas comprometidas devido a contribuição principalmente do Rio dos Sinos e do Rio Gravataí, enquanto que o Canal Jacuí apresenta águas de melhor qualidade, quando comparado com o Navegantes, devido ao Rio Jacuí contribuir com maior volume e vazão de água. O entorno do ponto 1 (P1) apresenta alto grau de urbanização e industrialização, com risco de déficit hídrico superficial (porção das Bacias Hidrográficas do Rio dos Sinos e Gravataí), o entorno do ponto 2 (P2) caracteriza-se por ambientes alterados pela ação antrópica, tendo ocorrido a substituição de pequenas áreas protegidas e banhados por culturas de arroz e pecuária (RIO GRANDE DO SUL, 2010).
As campanhas amostrais foram realizadas nos meses de setembro e novembro de 2019 (estação de primavera), e janeiro e fevereiro de 2020 (verão). As amostras de água foram obtidas com uma garrafa de Van Dorn horizontal (2 L), ao longo de um perfil vertical, contemplando a superfície da água (primeiros 30cm de profundidade), profundidade média e água de fundo (10 cm acima do sedimento). A profundidade da coluna da água, oscilou conforme a campanha amostral. No P1 as profundidades foram de 3,26 - 4,15 - 2,40 e 2,20 metros e no P2 foram de 2,86 - 3,40 - 2,40 e 2,30 metros, nas campanhas de setembro, novembro, janeiro e fevereiro, respectivamente.
As coletas foram realizadas a cada duas horas, durante o período de 24h, com início às 09:00 da manhã aproximadamente. Em cada amostra foram obtidos os valores de temperatura (ºC), pH, oxigênio dissolvido (mg/L), condutividade (µS/cm), com o Multiparâmetro AK88-Akso. Para a turbidez (NTU) os valores foram obtidos com a sonda Horiba U-53.
Dados de precipitação mensal e média histórica foram cedidos pela empresa Somar Meteorologia que utiliza uma interpolação das estações do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).
Para a análise dos resultados, foi efetuada a estatística descritiva. O teste não paramétrico ANOVA foi utilizado para testar diferenças entre as profundidades (superfície, meio e fundo), locais (pontos) e tempo (meses). Quando a ANOVA foi significativa, as médias foram comparadas pelo teste de Tukey com intervalo de confiança de 95% (p < 0,05). A análise de correlação paramétrica (Spearman), foi utilizada para determinar a relação entre as variáveis da água. A análise de componente principal (PCA) foi utilizada para avaliar a relação entre as variáveis da água na coluna d’água (profundidades), local (pontos) e tempo (meses). Como a turbidez foi obtida somente nos meses de setembro e novembro, para as análises de correlação e PCA foram considerados dois cenários: Cenário 1 inclui todas as campanhas amostrais e as variáveis abióticas: temperatura, oxigênio dissolvido, pH e condutividade; Cenário 2 inclui os meses de setembro e novembro e as variáveis abióticas: temperatura, oxigênio dissolvido, pH, condutividade e turbidez. As análises estatísticas e os gráficos foram efetuados com o Programa R (R Development Core Team, 2019).
Figura 1 – Localização geográfica dos pontos de coletas, Canal Navegantes (P1) e Canal Jacuí (P2) no Delta do Jacuí, Lago Guaíba, RS
Fonte: Autores (2020)
O cenário meteorológico para o período do estudo foi caracterizado como período seco com significativa estiagem, que teve início em novembro na segunda campanha e perdurou durante as campanhas de janeiro e fevereiro (Figura 2).
Figura 2 – Precipitação mensal (Observado) e média histórica (Climatologia) para o período
Fonte: SOMAR (2020)
A temperatura da água apresentou aumento gradual dos meses de setembro a fevereiro, como esperado. Verificou-se a estratificação térmica nos dois pontos amostrais (P1 e P2) no mês de fevereiro, e inversão térmica, no período noturno, no ponto 1 (P1) no mês de novembro, e no ponto 2 (P2) nos meses de setembro e novembro (figura 3).
Figura 3 – Valores da temperatura ao longo de 24 h, nos meses de setembro e novembro de 2019 e janeiro e fevereiro de 2020, Delta do Jacuí Lago Guaíba, P1 - Canal Navegantes, P2 – Canal Jacuí
Fonte: Autores (2020)
Para pH as diferenças significativas ocorreram com os fatores tempo (mês) e local (pontos), com (F = 8,929 e p < 0,05), (F = 4,116 e p < 0,05), respectivamente. O valor da superfície foi significativamente maior, com média para o P1 (7,0) e P2 (7,13) diferente dos outros valores, não havendo, porém, diferença significativa entre os valores da profundidade média e fundo. Para os meses, verificou-se diferença significativa entre todos, seguindo a ordem fevereiro > janeiro > setembro > novembro.
Valores mais elevados de pH (acima de 7,0) foram registrados na campanha de fevereiro, em todas as profundidades no P2 (Figura 4). Em novembro, em ambos os pontos amostrais (P1 e P2), a variação nictemeral para as três profundidades estiveram abaixo do valor neutro, tendendo a uma situação mais ácida, enquanto que em fevereiro, no P2, foram registrados valores mais básicos em todo o ciclo de 24 horas. As variações desse parâmetro podem ser influenciadas por fatores naturais como dissolução de rochas e fotossíntese, ou antropogênicas através de efluentes domésticos e ou industriais (GASPAROTTO, 2011). Um aumento de pH pode ser influenciado pela intensa taxa de fotossíntese, característica do processo de eutrofização, associada também ao aumento da turbidez e de nutrientes (KIMURA, 2014; OLIVEIRA, 2016), assim como em épocas de estiagem, onde podem ser registradas maiores concentrações de íons (PIRATOBA et al., 2017).
Figura 4 – Valores de pH ao longo de 24 h, nos meses de setembro e novembro de 2019 e janeiro e fevereiro de 2020, Delta do Jacuí Lago Guaíba, P1 - Canal Navegantes, P2 – Canal Jacuí
Fonte: Autores (2020)
Para a condutividade, através da ANOVA, verificou-se diferença significativa entre os locais (pontos) amostrados (F = 3,125 e p < 0,05), sendo que os valores mais elevados foram registrados no ponto 1 (P1).
Em relação à variação nictemeral, os valores da superfície foram significativamente mais elevados do que os registrados na profundidade média.
No ponto 1 (P1) verificou-se dois picos de condutividade, em setembro (valor médio de 119,8 µS/cm) e em janeiro (110,2 µS/cm). No ponto 2 (P2) no mês de novembro foram observados os valores mais elevados, quando comparado com os demais meses amostrados (Figura 5).
Figura 5 – Valores da Condutividade, nos meses de setembro e novembro de 2019 e janeiro e fevereiro de 2020, ao longo de 24 h, Delta do Jacuí, Lago Guaíba, P1 - Canal Navegantes, P2 – Canal Jacuí
Fonte: Autores (2020)
Apesar de não constar na Resolução CONAMA nº 357 de 2005 (BRASIL, 2005) esse parâmetro pode indicar alterações no ambiente aquático de acordo com a Companhia Ambiental Do Estado De São Paulo (CETESB, 2016). A condutividade segundo Esteves et al. (2011) pode fornecer importantes informações tanto sobre o metabolismo do ecossistema aquático, como sobre os fenômenos importantes que ocorram na sua bacia de drenagem, a variação diária informa a respeito de processos importantes, como produção primária (redução dos valores) e decomposição (aumento dos valores) e também ajuda a detectar fontes poluidoras.
Os valores mais elevados de condutividade (média de 100,6 µS/cm) e os menores valores de oxigênio dissolvido OD (média de 4,1 mg/L) no P1 (Canal Navegantes) indicam um maior comprometimento na qualidade da água no referido ponto, quando comparado com o P2. Esses valores de condutividade, no ponto 1 (P1) foram superiores aos encontrados por outros estudos nesse canal (MARTINS et al., 2017, 2019; ANDRADE et al., 2018), estando no limiar do citado para ambientes aquáticos de água doce, que de maneira geral, apresentam valores entre 10 a 100 µS/cm (VON SPERLING 2007 apud PIRATOBA et al., 2017). Os valores mais elevados, acima de 100 µS/cm, podem ser decorrentes da decomposição de matéria orgânica ou carga orgânica, provavelmente influenciados pelos afluentes dessa região, que segundo Bendati (2000) apresentam elevada carga orgânica devido à contribuição de altas taxas de esgoto sanitário oriunda de uma região de alta densidade populacional e baixas capacidades de autodepuração. No P2 (Canal Jacuí) os valores de condutividade e de oxigênio foram similares aos estudos desenvolvidos na região (BENDATI, 2000; ANDRADE et al., 2018).
Em relação ao oxigênio dissolvido – OD, no P1 predominaram valores abaixo de 5 mg/L nas três primeiras campanhas amostrais (Figura 6). De acordo com a Resolução CONAMA 357 de 2005, o valor mínimo de oxigênio dissolvido (OD) para a preservação da vida aquática, para a classe 2, é de 5,0 mg/L. Os menores valores no P1 ocorreram na camada de fundo às 13:00 horas nas campanhas amostrais de setembro (3 mg/L), novembro (2,8 mg/L) e janeiro (3,26 mg/L) e às 9:00 horas na campanha de fevereiro (8,1 mg/L) e às 3:00 horas na superfície em fevereiro (7,2 mg/L). Foi verificada a estratificação química no mês de fevereiro no P1.
Figura 6 – Valores de oxigênio dissolvido (OD), nos meses de setembro e novembro de 2019 e janeiro e fevereiro de 2020, ao longo de 24 h, Delta do Jacuí Lago Guaíba, P1 - Canal Navegantes, P2 – Canal Jacuí
Fonte: Autores (2020)
Para a turbidez, verificou-se o declínio nos valores após as 17:00 horas no P1 e diminuição nos valores para o mês de novembro, em ambos os pontos amostrais (Figura 7). Os maiores valores de turbidez foram verificados no P2, no mês de setembro, com o valor mínimo de 55 NTU e máximo de 102 NTU. A Resolução CONAMA 357 de 2005 estabelece o valor máximo de 100 NTU para as Classes 2 e 3.
Figura 7 – Valores da Turbidez, nos meses de setembro e novembro de 2019, ao longo de 24 h, Delta do Jacuí Lago Guaíba
Fonte: Autores (2020)
Para o mês de novembro os valores de Turbidez, no ponto 2 (P2) foram acima dos detectados para o mês de setembro. Provavelmente esse resultado foi influenciado pela elevada pluviosidade ocorrida no mês de outubro (Figura 2), uma vez que nessa região o Rio Jacuí aporta 85% da vazão no Delta. Existe uma relação direta e não linear entre concentração de sólidos suspensos (CSS) e a descarga dos rios, que se apresenta variável no tempo (ANDRADE NETO et al., 2012), e a ação do vento que pode ressuspender os sedimentos na coluna de água (NICOLODI et al., 2010).
Através da correlação de Spearman, verificou-se no Cenário 1, a correlação positiva da temperatura e o pH (0,46) e do pH e oxigênio dissolvido (0,30). Correlação negativa foi detectada para condutividade e oxigênio dissolvido (-0.55). Na figura 8 constam os valores estimados de correlação de Spearman, na parte superior, as distribuições de cada variável em sua diagonal principal e a relação entre cada variável associada na parte inferior.
No Cenário 2 verificou-se correlação positiva de pH e oxigênio dissolvido (0,32), e do oxigênio dissolvido e turbidez (0,85). Correlação negativa entre a temperatura e pH (-0,44), temperatura e oxigênio dissolvido (-0,61), temperatura e turbidez (-0,63), condutividade e oxigênio dissolvido (-0,59), condutividade e turbidez (-0,59), conforme pode ser visualizado na Figura 8.
Figura 8 – Histograma, diagrama de dispersão e coeficiente de correlação Spearman, entre as variáveis, Temperatura, pH, Condutividade e Oxigênio dissolvido - OD para todas as campanhas (Cenário 1). Temperatura, pH, Condutividade, Oxigênio dissolvido - OD e Turbidez para as campanhas de setembro e novembro de 2019 (Cenário 2)
Fonte: Autores (2020)
A partir da análise de PCA, considerando o Cenário 1, pode-se verificar que o componente principal 1 (PC1) representou 40,49% da variância total dos dados e o componente principal 2 (PC2) 35,13%. Juntos representaram 75,62% de toda a variância dos dados. Unidades amostrais que se encontram no primeiro quadrante foram influenciadas positivamente por temperatura e pH, enquanto unidades que se encontram no segundo quadrante foram influenciadas positivamente por condutividade (Figura 9). Verifica-se também a relação do P2, no mês de setembro, para oxigênio dissolvido – OD.
Figura 9 – Análise de componentes principais (PCA), considerando o Cenário 1, aplicada às variáveis abióticas (T-Temperatura, pH, OD, Cond - condutividade) no P1 (Canal Navegantes) e P2 (Canal Jacuí), nas camadas superior (SUP) média (MED) e fundo (FUN), nos meses de setembro e novembro de 2019 e janeiro e fevereiro de 2020
Fonte: Autores (2020)
Considerando o Cenário 2, pode-se verificar que o componente principal 1 (PC1) representou 58,52% da variância total dos dados e o componente principal 2 (PC2) 27,53%. Juntos representaram 86,05% de toda a variância dos dados. Unidades amostrais que se encontram no primeiro quadrante foram influenciadas positivamente pela temperatura enquanto unidades que se encontram no segundo quadrante foram influenciadas positivamente pela turbidez e OD (Figura 10).
Figura 10 – Análise de componentes principais (PCA), considerando o Cenário 2, aplicada às variáveis abióticas (T-Temperatura, pH, OD, Cond- condutividade e Turbidez) no P1 (Canal Navegantes) e P2 (Canal Jacuí), nas camadas superior (SUP) média (MED) e fundo (FUN), nos meses de setembro e novembro de 2019
Fonte: Autores (2020)
A avaliação na escala temporal em conjunto com a escala espacial e nictemeral tem papel relevante em ambientes aquáticos. Pode-se observar que o canal Navegantes apresenta-se mais comprometido em relação à qualidade hídrica, com valores de oxigênio dissolvido menores em relação aos estudos anteriores, e valores de condutividade mais elevados do que os observados no Canal Jacuí.
Verificou-se a estratificação térmica nos dois pontos amostrais (P1 e P2) no mês de fevereiro, e inversão térmica, no período noturno, no ponto 1 (P1) no mês de novembro, e no ponto 2 (P2) nos meses de setembro e novembro.
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001, agradeço também ao Programa de Mestrado Profissional em Rede Nacional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos - ProfÁgua, Projeto CAPES/ANA AUXPE Nº 2717/2015, pelo apoio técnico científico aportado até o momento e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo apoio financeiro através do edital Universal.
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Contribuições de Autoria
1 – Marco Vinicius Martins (Autor correspondente)
Gestor Ambiental, Mestrando em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos
https://orcid.org/0000-0002-9031-4059 • marcohidrogeologia@gmail.com
Contribuição: Conceituação, Software, Curadoria de dados, Visualização, Análise Formal, Metodologia, Validação, Redação – versão original
2 – Simone Caterina Kapusta
Oceanóloga, Doutora em Ciências (Ecologia)
https://orcid.org/0000-0002-3220-3019 • simone.kapusta@poa.ifrs.edu.br
Contribuição: Redação – revisão e edição
3 – Cristiano Poleto
Doutorado em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental
https://orcid.org/0000-0001-7376-1634 • cristiano.poleto@ufrgs.br
Contribuição: Redação – revisão e edição
Como citar este artigo
MARTINS, V. M.; KAPUSTA, S. C.; POLETO, C. Variação espaço-temporal e nictemeral dos parâmetros limnológicos no Delta do Jacuí, Lago Guaíba, RS, Brasil. Ciência e Natura, Santa Maria, v. 44, e31, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.5902/2179460X63821.